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| Responsáveis pela música e letra do Hino do Centenário. |
O Hino do Centenário de Blumenau teve letra do itajaiense Eduardo Mário Tavares e música do renomado brusquense Aldo Krieger. A composição destaca o desbravamento, o rio e o desenvolvimento da colônia a partir do ideário da época — o que é considerado por muitos, atualmente, como politicamente incorreto. Esse contexto talvez justifique sua substituição por uma obra mais recente e alinhada ao estilo literário vigente.
Atualmente, é importante diferenciar este hino histórico do atual "Hino de Blumenau", oficializado em 2000.
Hino do Centenário de Blumenau
1. Há cem anos, por estas paragens,- Terras férteis, imensas, sem dono -Brava tribo de rudes selvagensViu surgir o primeiro colono.O machado clareiras abria,Tombam selvas, e, qual desafio,A pequena colônia surgiaDebruçada nas margens do rio.
Estribilho:Celebremos o audaz pioneiro,Sonhador, de visão temerária,Que de um virgem sertão brasileiroFez surgir Blumenau centenária.
2. A colônia evolui: campo em foraAs espigas se inclinam doiradas;Brotam flores aos beijos da aurora,Cantam aves nas ínvias quebradas;Pelos vales, um sol luminosoMedra o fruto, fecunda a semente,E, irrigando as campinas, morosoPassa o rio ondeando contente.

3. Blumenau! Blumenau! Tuas fontesContam lendas de heróis europeus;E ressoam, gemendo, nos montesAs canções brasileiras do adeus.Em teu seio a riqueza se expande,O' rincão meu formoso e gentil,E o progresso tornou-te tão grandeQue és o orgulho do nosso Brasil!
Eduardo Mário Tavares - Compositor
Eduardo nasceu em 22 de outubro de 1919, na cidade de Itajaí. Seus pais, Waldemira da Silva Tavares e Carlos Magno Tavares — amigos da família Bornhausen —, casaram-se em dezembro de 1911.
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| Proclamas do casamento dos pais de Eduardo Mário Tavares, Itajaí. |
Eduardo Mário Tavares foi o primeiro Diácono permanente da Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil, ordenado por Dom Afonso Niehues em 3 de fevereiro de 1969 — fato possibilitado pela restauração do diaconato permanente no Concílio Ecumênico Vaticano II. Além de sua vocação religiosa, foi funcionário público, professor e poeta.
Foi o autor do antigo Hino de Blumenau (Hino do Centenário) e também o compositor do Hino de Brusque. Faleceu precocemente em 7 de junho de 1978, em um acidente de automóvel durante uma viagem a Curitiba, ao lado de sua esposa, Maria de Lourdes Capella Tavares.
Foi sepultado em 8 de julho de 1978, no Cemitério de Florianópolis, conforme consta em sua certidão de óbito.
| Brasão Família Krieger. |
O autor da música do Hino do Centenário de Blumenau, Aldo Krieger, nasceu em Brusque em 5 de julho de 1903. Foi um renomado compositor, músico, professor de música e regente, entre outras habilidades. Era filho de Gustav Philipp Krieger (1878–1949) e de Adelaide Diégoli Krieger (1884–1945), casados em Brusque em 19 de abril de 1902.
Aldo entrou em contato com o universo musical ainda na infância: aos 7 anos de idade, iniciou suas lições de bandoneon com o professor Graupner.
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| Aldo Kriger com 10 anos tocando para o cinema mudo Ano de 1913. |
Com tenra idade tocava bandoneon, violino, violão, clarinete e saxofone.
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| Material de filatelia que pertenceu ao irmão de Aldo Krieger, em nosso escritório. Não conhecíamos esta ligação até o momento desta pesquisa. |
Um comentário curioso: O irmão de Aldo, Oscar Gustavo Krieger, foi um dedicado filatelista e deixou um importante acervo cultural. Em 30 de novembro de 2023, sua filha, que reside em Curitiba, confiou-nos a guarda de dois selos que pertenceram ao seu pai. Os exemplares ilustram justamente duas das principais frentes de nossa pesquisa: a Ferrovia e a Casa Enxaimel. Hoje, eles ocupam um lugar de destaque na parede de nosso escritório
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| Grupo de Jazz fundado em 1928, quando Aldo contava com 25 anos. Seu irmão filatelista está na bateria. |
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| Aldo Krieger e o Coro Misto da Igreja Luterana - Brusque 1960. |
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| A Jazz Band América foi fundada em 1929. |
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| Aldo Krieger regendo o Orfeão Juvenil Amadeus Mozart, em 1951. |
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| Família de Aldo e Gertrudes Krieger. |
Aldo Krieger se casou com Gertrudes Krieger (1905 - 2002) e formaram uma grande família.
Em 1953, cursou o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, no Rio de Janeiro, onde teve como professores mestres como Villa-Lobos e Andrade Muricy, entre outros. Nesse período, participou também do Curso de Férias da Pró-Arte, em Teresópolis (RJ). A distância despertava a saudade de sua Gertrudes, como demonstra a carinhosa dedicatória na foto ao lado.
Em Brusque, além dos compromissos com coros e bandas, foi, por vários anos, professor de música do Ginásio Cônsul Carlos Renaux. Sua dedicação ao ensino e à regência culminou na fundação de importantes instituições, consolidando seu nome como o maior expoente da história musical da região
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| Aldo Krieger recebendo certificado em 1953, com Villa Lobos. |
Em 1956, Aldo Krieger fundou o Conservatório de Música de Brusque, na época filiado ao Conservatório de Música do Rio de Janeiro. Sua carreira seguiu em ascensão e, em 1961, ele foi convidado a assumir a direção da recém-fundada Associação Coral de Florianópolis (ACF). Sob sua regência, em 1970, a ACF gravou seu primeiro LP em São Paulo, onde também realizou apresentações de destaque no Teatro Municipal e nas TVs Tupi e Cultura (Canal 2). Em abril de 1971, o maestro esteve no Rio de Janeiro à frente da ACF para apresentações na TV Globo (programa “Concertos para Juventude”), na Sala Cecília Meireles e na Universidade Gama Filho.
Durante os dez anos em que residiu em Florianópolis, atuou como maestro e professor de música e ritmo no curso de Educação Física. Ocupou também o cargo de Técnico da Divisão de Artes do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura no governo de Celso Ramos, onde desenvolveu um relevante trabalho de divulgação de músicas folclóricas brasileiras e catarinenses, além de promover obras de autores locais.
É autor de inúmeras composições para piano, canto coral e banda de música, destacando-se os Hinos do Centenário de Brusque e de Blumenau, além do Hino da Associação Coral de Florianópolis.
Aldo Krieger faleceu em Florianópolis, em 12 de outubro de 1972.
Como marco de seu centenário de nascimento, em 2003, foi criado o Instituto Aldo Krieger (IAK). O instituto, uma sociedade de direito privado sem fins lucrativos, mantém um museu localizado na área central de Brusque, preservando a memória deste grande mestre.
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| Instituto Aldo Krieger (IAK) - Brusque. Visitamos espaços semelhantes na Alemanha e o acesso é cobrado para reverte em melhorias ao espaço e também valorização. |
O Hino do Centenário de Blumenau
Encontramos o pequeno encarte original onde foi impresso o hino composto por estes dois grandes músicos de Santa Catarina. Cientes de que poucos hoje conhecem essa obra, solicitamos a um dos músicos mais renomados da atualidade em nossa região que desse sonoridade às notas musicais históricas, trazendo-as para o presente. Faremos o registro em vídeo no dia 25 de fevereiro e compartilharemos o resultado neste espaço, a partir de nosso canal no YouTube.
Local do Vídeo - Hino do Centenário
Um registro para a História
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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