sábado, 19 de agosto de 2017

Porcelana Schmidt - do Blog para a Revista História Catarina - Exemplar para o Memorial Arthur Schmidt

No mês de dezembro de 2013 publicamos uma postagem sobre a tradicional Porcelana Schmidt para que os pomerodenses, catarinenses e brasileiros se dessem conta do quanto a Schmidt representa para a tradição, história e cultura  de mais de três gerações - com o lastro histórico e a partir da mesa. 
Que mais pessoas se conscientizem sobre a importância dessa história e de que essa pertence a todos, até mesmo quando o "mar está revolto".
Além das páginas virtuais do Blog, a matéria foi publicada na revista de circulação estadual - focada na educação - parte importante de nosso objetivo. Foi sua matéria de capa. 
Agradecidos e acompanhados pelo casal Wetphal, fomos até Pomerode na tarde do dia 18 de agosto de 2017 e pessoalmente entregamos dois exemplares a Rodolpho Otto Schmidt, descendente direto dos fundadores, que facilitou e permitiu a nossa pesquisa dentro da firma, no ano de 2013. Uma das revistas será exposta no Memorial Arthur Schmidt, que é um museu da porcelana que conta através de objetos e fotografias, um pouco de sua história
O Memorial Arthur Schmidt está localizada dentro da Porcelana Schmidt, em Pomerode e é aberto ao público. Seu horário:
  • 2° feira - Das 12:30h até as 18:00h.
  • De 3° feira até sexta feira - Das 9;00h até as 18:00h (Fecha para o almoço)
  • Sábados - Das 8:30h até às 16:00h (Fecha para o almoço).

A partir das páginas da Revista História Catarina, mais pessoas terão acesso a essa história e tradição, com origem na cidade de Pomerode SC, que por certo cuidará dessa arte.

Quem conhece gosta. E quem gosta, cuida!

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 A Revista História Santa Catarina  e sua publicação

























 Tradição em família, na hora das refeições...

Para acessar a postagem original - Clicar sobre























Arquitetura em Altona - atual bairro Itoupava Seca - por Max Humpl

Construção autoportante - estava na frente da Cia Salinger - ao lado do casarão do Machado de Assis

Há algum tempo pesquisamos a paisagem e a arquitetura atual ainda presente no bairro de Blumenau Itoupava Seca - antiga nucleação urbana conhecida como Altona - até as primeiras décadas do Século XX. 
Altona - mesmo sendo parte do território da Colônia Blumenau, foi uma comunidade totalmente independente do Stadtplatz - centralidade da colônia maior e também munida de práticas, economia e cultura próprias. Há algum tempo ouvimos uma versão muito curiosa e interessante do porque desse perfil, mesmo estando tão próximo da centralidade da Colônia Blumenau. 
Altona - atual Bairro de Itoupava Seca

Em uma postagem  anterior, escrevemos sobre a história e sobre e a paisagem do Bairro Itoupava Seca - antiga Altona - atualmente com grande parte da paisagem urbana (construída e natural) se encontra em célere processo de degradação - consequência da implantação de um sistema viário que criou um binário de passagem (alta velocidade) em duas de suas principais vias locais - restringindo seu uso em muito, considerando suas áreas de convívio e a escala humana, a partir do pedestre e do ciclista.
Bairro Itoupava Seca - Blumenau

Em agosto de 2015, foi lançada uma publicação - documento de grande valor histórico - o relato do Professor Max Humpl, sobre Altona e sua história. A publicação, escrita pelo professor alemão em alemão antigo - gótico - nos anos de 1918 e 1919. O trabalho de Max Humpl foi organizado por Méri Frotscher e Johannes Kramer e traduzido para o português por Adriano Steffler. Foram responsáveis por tornar esse trabalho e valoroso documento acessível a todos. É uma de nossas referências primárias de pesquisa sobre a região. No vídeo a seguir as palavras de Méri Frotscher apresentando o livro do Professor Max Humpl.
Chamou-nos a atenção, o fato de o professor Max Humpl mencionar e descrever a localização, o lay out e a técnica construtiva das primeiras residências de Altona, durante o período inserido nas suas primeiras décadas de sua história. o autor citou nomes, endereços e localizações, fatos que merece ser compartilhado e comentado. Lembremos que esse texto foi escrito nos anos de 1918 e 1919 por um professor alemão - Max Humpl, que residia na comunidade de Altona - atual bairro de Itoupava Seca - Blumenau.

O texto
Hamburg, 1850
"A nossa Altona certamente não possui nenhuma construção com valor e idade aproximadamente igual às casas existentes além-mar, pois há 64 anos estavam enraizadas nodosas árvores da floresta virgem nas planícies pantanosas de nosso vale, e os primeiros colonos não tinham nem tempo nem dinheiro, nem material nem pedreiro, para poder construir casas de estilo refinado e para enfeitá-las com as imitações de engenhosas empenas, grades, maçanetas, terraços, sacadas, etc. todos estavam empenhados em 'ficar debaixo de um telhado', e não mais 'descansar sobre a terra', aproveitando o material que naquela época era o mais barato: a madeira. Desse modo, formou-se como primeira obra o casebre de madeira, construído em forma de retângulo, e colocado sobre pilares de pedra, com uma pequena cozinha e varanda nos lados longitudinais. - No mesmo estilo dessas 'residências de verão' foram então construídas casas em estilo enxaimel, nas quais ainda havia uma empena, com um ou dois quartos, e hoje em dia  ainda são construídas casas de alvenaria em formato semelhante, nas quais predomina e varanda com pilares de pedra com arcadas.Esse tipo de construção é típica não somente e Altona, mas em todo o vasto município de Blumenau, e se distingue enormemente do estilo de construção dos luso-brasileiros e dos portugueses." (Humpl - página 176).
Comentário

Com relação a essa citação do texto do Professor Max Humpl - "A nossa Altona certamente não possui nenhuma construção com valor e idade aproximadamente igual às casas existentes além-mar."
O que se construía além-mar nesse período, considerando que a Arquitetura - é parte importante que caracteriza um período artístico?
Na metade do Século XIX, é mais ou menos o final do Período Romântico na Alemanha - um dos primeiros períodos que marca a Era Moderna. Surgiu, opondo-se ao classicismo ou academismo. Os românticos distinguiam-se pelo destaque dos sentimentos nacionalista. Entre os muitos temas históricos, no lugar da história e mitologia greco-romana, dos neoclássicos, optavam pelo passado nacional, especialmente da idade média, estilo considerado nacional pelos alemães. É durante o período romântico que os governantes restauram e destacam monumentos históricos e artísticos do passado nacional. Lembramos que foi na segunda metade do século XIX que surgiram as nações como Alemanha e Itália. 
Miltenberg - Alemanha - 2016
Hamburg - Segunda metade do Século XIX

Nesse mesmo período e depois, no seguinte, marcado pelo realismo, os imigrantes deixavam suas cidades muito bem estruturadas e formadas a partir de uma identidade nacional - e chegavam à região do Vale do Itajaí na segunda metade do Século XIX e início do Século XX desprovido de toda infraestrutura e com cidades para construir.

Os imigrantes preparavam uma casa provisória, com estrutura de madeira, fechada com ramos e barro - uma taipa primitiva. Após, providenciavam uma casa mais sólida, em madeira  - com estrutura e fechamento. Ou, em enxaimel - que não é estilo. É a estrutura de madeira encaixada - técnica construída até nos dias atuais, na Alemanha - podendo o fechamento ser feito  em madeira, em taipa ou ainda, em tijolos

Tipologia de madeira, semelhante aquela descrita pelo Professor Max Humpl - preservada e em bom estado de conservação - localizada na cidade de Rio do Sul - parte da região da antiga colônia Blumenau

Casa enxaimel demolida no ano de 2017 -  Blumenau - para ler mais sobre - Clicar sobre: Uma tipologia em enxaimel a menos - Bairro Vila Nova - Blumenau.
Tipologia centenária enxaimel da região de Blumenau - interior de Itoupava Central.
Casa construída com fechamento em madeira, tijolos e estuque.















Na região - o uso da técnica construtiva enxaimel foi uma das características da expressão arquitetônica usada durante o período de maior fluxo da imigração alemã para a região do Vale do Itajaí (segunda metade do século XIX e início do século XX), até seu total desaparecimento durante o período da Segunda Guerra Mundial - não Alemanha não se deixou de construir com a estrutura de madeira encaixada.
A construção mencionada por Humpl - de alvenaria - poderia  ser uma construção com a técnica construtiva enxaimel rebocada (independentemente se o fechamento for de tijolos ou taipa) ou ainda, de tijolos maciços, autoportante, onde as paredes seriam estruturais. Essa ultima técnica foi muito adotada pelos colonos italianos, que também construíam suas varandas com arcos, descritas pelo professor. 
Ascurra - nucleação italiana dentro da antiga Colônia Blumenau

Ascurra - nucleação italiana dentro da antiga Colônia Blumenau

Max Humpl também mencionou a empena, que nada mais é, do que o aproveitamento e uso do sótão  com mais um ambiente - caracterizando uma mansarda. Geralmente a planta da casa enxaimel do imigrante local do final do Século XIX e início do Século XX era retangular e recebia uma extensão na frente - a varanda e outra na parte posterior - a cozinha. No corpo principal ficavam a sala de visitas e o quarto do casal e ou das meninas (cujo acesso se dava pelo quarto do casal). No sótão ficavam o quarto dos rapazes
"Nos últimos anos surgiram em Altona, ao lado das casas construídas nesse 'estilo local', alguns estilos modernos, com dois andares, com telhado de mansarda, com sacadas, etc., determinados pelo tipo e pelas condições financeiras do negócio. se da mesma forma o custo dos terrenos para construção aumentar com a progressiva diminuição do espaço  disponível, os próximos anos farão com que também aqui se utilize da melhor forma possível o terreno adquirido, construindo-se com dois, três ou mais andares." (Humpl - página 177).
Bairro Altona Atual - Itoupava Seca
Comentário

Muito dessas edificações mencionadas pelo Professor Humpl, existia na paisagem do bairro Itoupava Seca. Por diversos motivos, destacando a ausência de diretrizes, políticas públicas adequadas e uma adequada reflexão sobre a estrutura viária local e da cidade e sua reestruturação, de forma adequada ao uso do solo, que deveria estar sendo prioritário no projeto da cidade à médio e a longo prazo, que inexiste, nos planos da atual administração pública.
Não existe "estilo local."

Edificação de "alvenaria" mencionada pelo Professor Humpl - Foi demolida para fazer estacionamento - foto ano de 2014



Bairro Altona Atual - Itoupava Seca - propriedade da FURB


Bairro Altona Atual - Itoupava Seca - e o paradeiro do Busto de Coronel Feddersen é desconhecido
"As casas mais antigas são: a primeira moradia de Wilhelm Mathes, cimentada com argila amassada por ele próprio, construída no fim do ano de 1850, próximo à margem do rio, hoje habitada  por Gärtner Lorenz. A antiga venda de Stein, construída em (AAAA), hoje a sala de vendas da casa Comercial Paul e Cia, que fica em frente à estrada. a velha casa de Hinsching, construída em 1877, acima da mansão de Feddersen, hoje habitada por Rich. John. A antiga taberna de A. Persuhn, construída em 1876, hoje museu. a velha moradia de Heinr. Gretschmer, próxima à estrada, construída nos anos 1869, hoje a casa de Ernst Siebert.Todas as outras habitações dos primeiros colonos, as quais geralmente eram primitivas, desapareceram nos últimos anos. Assim, até há pouco tempo a casa de Ferd. Ebert estava no lugar da cozinha da casa de Carl Rischbieter. A venda de Bayer ficava próxima da parte de trás da atual mansão Paul. A casa de Peneder estava situada atrás da casa de aluguel de Eckelberg, hoje habitada por Carl Biebging. Até há poucos anos, a residência de  Romer ficava no lugar da atual fábrica de refrigerantes de Luiz Probst. A primeira casa de Persuhn estava no lugar da estação de Itoupava Seca. A casa de aluguel da ferrovia. Thomas Thomsen tinha seu edifício no lugar onde hoje fica o jardim da Salinger e Cia, à esquerda  de Herm. Dietrichkeit. a casa de Sametzki ficava próxima ao barranco do rio, atrás dos atuais edifícios de Clasen. Salinger morava junto ao rio, acima de Venturi, onde também a antiga estrada levava aos restante das casas, situadas perto do rio, as quais era habitadas por Aug. Schönau, Peter Müller, Helmbrecht e h. Mathes. As casas que aí ficavam estavam em contante perigo devido aos altos níveis da água do Itajaí, e por isso desapareceram há muito tempo, tendo sido transferidos para lugares mais altos.As casas mais novas de Altona são: a imponente residência de Ernst Siebert construída no início do ano de 1919. A bela casa de alvenaria de Oskar Freitag, construída no ano de 1914. A ferraria alta de M. Städele, construída em 1916. A moradia de Oskar Persuhn construída em 1916. A bonita casa de  Otto Arendt, construída em  1915. O grande edifício comercial de Reinhold Butzke, construído no ano de 1915. A mansão de Jennrich, construída sobre a colina em 1913.A casa de Oskar Freitag foi construída pelo engenheiro  Paul Werner, o construtor da Usina do Salto. A maioria das casas de Altona foi construída  pelo mestre-carpinteiro Gustav Kirsten de Itoupava norte, nascido em 1862 em Leipzig, imigrado em 1869, com sete anos de idade, e também pelo mestre-pedreiro Gustav Krieck de Salto Weissbach, bem como pelo pedreiro Karl Letzow.
Salinger e Cia
Kirsten participou da construção dos seguintes edifícios: Salinger e Cia, oficina da Estação, casa de Luiz Böttger, hotel Franke, hotel Danker, Clube Teutônia, casa de Carl Liesenberg, casa Gustav Persuhn, etc.O pedreiro Letzow construiu a casa de Carl Rischbieter, a ferraria de Clasen, etc. Os trabalhos em outras construções foram conduzidos pelos mestres-carpinteiros Christen Lüders, Heinrich Böttger e pelos pedreiros Schüssel, Jork, dentre outros. A maior parte dos tijolos usados nessas construções foi comprado da olaria de Adolf Volkert, que ficava na Itoupava Norte." (Humpl - página 177).
Comentário:
Com relação a citação: "Cimentada com argila amassada por ele próprio." Refere-se a taipa que era muito comum nesse tempo e ao contrário do que muitos imaginam, foi uma técnica trazido da Alemanha. Vimos, em casas centenárias, a presença de taipa.
Blumenau SC


Alemanha - Fränkische Freilandmuseum Bad Windsheim - Foto Angelina Wittmann














Quando o professor mencionou alvenaria ele define assim,  a construção autoportante, munida de paredes estruturais a partir do uso do tijolo maciço, como podemos perceber nas ruínas de algumas das edificações citadas pelo autor e ainda presentes na paisagem atual do bairro de Itoupava Seca. Também apresentamos, algumas outras tipologias com diferentes técnicas construtivas, também ainda presentes no bairro.
Ruínas da Cia Salinger construída pelo mestre-carpinteiro Gustav Kirsten - Propriedade da FURB (que demoliu algumas tipologia pertencente ao patrimônio histórico do bairro para expansão do campus junto ao IPT)
construção dentro da propriedade da Cia Salinger - junto ao rio
Pertencente a Prefeitura Municipal de Blumenau, demolida para locar estacionamento da Escola Municipal Machado de Assis - Demolido em fevereiro de 2012




Bairro Altona Atual - Itoupava Seca

Bairro Altona Atual - Itoupava Seca

Bairro Altona Atual - Itoupava Seca
Bairro Altona Atual - Itoupava Seca




Ruínas residência Thomsen - Rua São Paulo - Bairro Altona Atual - Itoupava Seca





























"Observemos, numa excursão rio abaixo, as casas que existem em Altona no fim de 1918, e deixemos a história delas vir de forma breve à nossa mente."
Logo mais será relacionada a lista de edificações e umas pequena descrição feira por Max Humpl na sequência dessa postagem.  Em breve.


Em construção!


Leituras complementares - Clicar sobre o Título escolhido:

  1. Histórias do Professor Max Humpl - Altona - Atual bairro de Itoupava Seca
  2. Um passeio pelo Bairro de Itoupava Seca (Altona) e um pouco de sua História
  3. Arquitetura - 5 Edificações do Patrimônio Histórico Arquitetônico - Rio do Sul SC
  4. Mansarddach - Uma tipologia de telhado trazida pelo imigrante