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| Carnaval europeu - Século XIX. |
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| Batuque dos povos africanos no Brasil - Século XIX. |
Sempre que chega esta época do ano, surge a pergunta: "Tem Carnaval em Blumenau?". Muitos acreditam que o Carnaval seja uma festa exclusivamente brasileira, mas ele é uma celebração muito mais antiga do que a própria história oficial do Brasil.
O Carnaval é uma festa europeia que chegou ao país com os imigrantes de diferentes nacionalidades, inclusive alemães e italianos — vale lembrar que o Carnaval permanece vivo na Alemanha e na Itália até hoje. Portanto, o Carnaval em Blumenau existe e não é uma festa popular apenas brasileira, mas sim uma herança cultural integrada à nossa história.
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| Baile de máscaras no Teatro Lírico do Rio de janeiro, em desenho de Guerave (1883). A prática iniciada pela cantora italiana Delmastro. |
No Vale do Itajaí, o Carnaval chegou com os imigrantes alemães e italianos. Em cada região brasileira onde os imigrantes se fixaram, a festa adquiriu características próprias, explicadas pela interferência da cultura local preexistente ou pela miscigenação étnica ocorrida em cada território.
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| Carnaval de rua de Blumenau - década de 1920. |
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| Blocos de carnaval de rua de Blumenau. |
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| Baile de Carnaval - Blumenau. |
Muitos têm a ideia formada de que o Carnaval do Brasil é apenas aquele que possui forte influência dos povos africanos que foram escravizados no país. De fato, a maior concentração de africanos ocorreu nas duas primeiras capitais, Salvador e Rio de Janeiro, por mais de dois séculos. Essa influência também se expandiu para outros locais onde havia interesses econômicos da elite brasileira que vivia na capital — uma elite altamente extrativista, como se observou com a mineração em Minas Gerais.
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Quitandeiras em rua do Rio de Janeiro, 1875 (Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles)
Fonte: http://www.historiailustrada.com.br
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| Lavagem do ouro, Minas Gerais, 1880. (Foto: Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles).
Fonte: http://www.historiailustrada.com.br
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| Escravos africanos na colheita de café, Vale do Paraíba, 1882 (Marc Ferrez/Colección Gilberto Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles).
Fonte: http://www.historiailustrada.com.br
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| Mulher africana com o filho, Salvador, em 1884 (Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles). Fonte: http://www.historiailustrada.com.br
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| Foto da Fazenda Quititi, no Rio de Janeiro, 1865. (Georges Leuzinger/Acervo Instituto Moreira Salles). Fonte: http://www.historiailustrada.com.br |
No Brasil, a população de origem africana quase superou a dos povos europeus que os escravizavam. Estes eram formados predominantemente por povos latinos, que culturalmente percebiam o trabalho braçal como algo inferior e menos nobre que o trabalho intelectual — uma herança cultural da Grécia Clássica (que, contraditoriamente, cultuava a democracia) e do Império Romano. Historicamente, os romanos dominaram a Grécia e, posteriormente, boa parte da Europa por séculos. No entanto, essa percepção sobre o trabalho não é compartilhada da mesma maneira por todos os povos europeus.
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| Escravos gregos e seu Senhor. |
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| Escravos romanos no transporte público. |
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| Escravos em Salvador, em uma roda de Capoeira - Bahia - Século XIX . |
É compreensível que o Carnaval nas cidades que concentravam o poder no Brasil, à época, apresentasse características moldadas pela forte influência dos povos de origem africana. Contudo, isso não significa que o Carnaval de outras regiões do Brasil continental compartilhasse as mesmas particularidades das capitais Salvador e Rio de Janeiro — quase sempre embaladas pelo samba ou, na época, pela batucada.
É importante destacar que o samba não é a única música brasileira por excelência; existem regiões onde ele não é a base da identidade musical. O Carnaval brasileiro abriga diversos outros gêneros, como as marchinhas e o frevo, este último com forte presença de instrumentos de sopro, como se observa no Carnaval de Olinda, em Pernambuco. Observe o vídeo abaixo.
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| Carnaval em Manaus |
Em Manaus, existe uma forte influência da cultura indígena no Carnaval local, enquanto no Maranhão percebe-se a influência holandesa. Há ainda locais onde a festividade preservou características originais da Europa.
O que acontece, de fato, é a existência de uma mídia comercial que 'vende' um "produto pronto" e padronizado. Nesse pacote, muitas vezes, é comercializada a imagem da "beleza da mulher brasileira", que nem sempre se dá conta de seu papel nesse modelo de negócio — percebendo essa realidade apenas quando viaja ao exterior e confronta o olhar estrangeiro.
Recordamos bem o que tentaram fazer na Oktoberfest Blumenau 2015, utilizando a propaganda de uma companhia de cerveja para forçar uma estética alheia à nossa festa. Para se ter uma ideia histórica: as principais e mais tradicionais Escolas de Samba do Rio de Janeiro foram fundadas apenas a partir da década de 1950. No entanto, há registros do Carnaval de Blumenau muito anteriores a essa data.
Mesmo no Rio de Janeiro, já existia Carnaval muito antes do surgimento das Escolas de Samba. O que ocorreu foi a construção de um "produto pronto" para exportação, gerando a falsa percepção de que o Carnaval brasileiro se resume a esse modelo único. Atualmente, vemos economias locais em todo o Brasil tentando emular esse produto, sacrificando a originalidade de suas próprias tradições.
Tenta-se, por vezes, criar desfiles de Escola de Samba em Blumenau ou impor a batucada nos salões. Pode? Poder, tecnicamente, pode — mas a que custo? Ao fazer isso, corre-se o risco de apagar a identidade histórica da nossa região, substituindo uma herança cultural autêntica por uma imitação comercial que não possui raízes no nosso solo.
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| Desfile Carnaval em Blumenau.
Foto: Blog do Jaime
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Nossas lembranças do Carnaval de Florianópolis são muito fortes; passamos parte de nossa infância na cidade e nos divertíamos muito observando o "Bloco de Sujos". Também frequentávamos os bailes de salão, que preservavam as características do Carnaval europeu, focados na sociabilidade e na fantasia.
Fotografias antigas de carnavais passados: a elegância dos bailes de salão e a alegria dos blocos brincando na rua.
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| Blumenau SC - Foto - Jornal de Santa Catarina. |
1885 - 1900 - JSC
São registradas as primeiras manifestações carnavalescas na cidade, como o famoso Baile de Máscaras na Sociedade dos Atiradores. As marchinhas dos grupos da época e os jornais especiais de Carnaval faziam críticas políticas e sociais. Jornal de Santa Catarina
Descrição do Carnaval que é feito até hoje na Alemanha. Começou após a colônia estar mais ou menos organizada. Antes não tinha espaço, tempo e dinheiro.
Vamos observar o que acontece na Alemanha neste momento de Carnaval e comprovar essa herança que reproduzimos no Brasil — em alguns casos, com adaptações e adequações locais.
Fotos do Carnaval 2016 - Alemanha
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| Prefeito da cidade de Rödelsee - Unterfranken - Baviera - Alemanha. |
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| No grupo - uma cantora de uma banda alemã que apresentou no Oktoberfest Blumenau 2015 e fotografamos muito. |
Uma amostra em vídeo de diferentes regiões do país e seus diversos carnavais.
Carnavais do Brasil
Amazonas
Pernambuco
Bahia (Primeira Capital do Brasil)
Carnaval de rua e Baile de Carnaval - Rio de Janeiro, 1954
Marchinhas de carnaval nas ruas do Rio de Janeiro DÉCADA DE 50
O que é "Vendido" como Carnaval do Brasil no exterior
Piauí
Blumenau
Um registro para a História.
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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