sábado, 31 de julho de 2021

A evolução da casa do pioneiro na região do Vale do Itajaí - Enxaimel - Palestra - Semana da Imigração Alemã

 
Em 22 de Julho de 2021 – 20:00h  aconteceu o Debate através de um Live  sobre "A evolução da casa do pioneiro na região - Enxaimel" -  Parte da Programação da Semana da Imigração Alemã. 
O Debate contou com a presença da arquiteta Angelina Wittmann e da professora Sueli Petry, mediado pelo Presidente do C.C. 25 de Julho de Blumenau - Clay Schulze.

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Leituras Complementares - Clicar sobre o link escolhido:











Primeira Fábrica de Sombrinhas e Guarda-chuva de Santa Catarina - De Max Friedrich Julius Creuz

Blumenau, c. 1915. Rua XV de Novembro. Procissão na altura da Casa Husadel. À direita, Casa Max Creuz Sombrinhas. À esquerda, no prédio em destaque, residência de Thomé Braga, seguida da Casa de Negócios Gustav Ermlich (fundada em 1903).
O proprietário da primeira fábrica de sombrinhas e guarda-chuvas do estado de Santa Catarina, foi Max Friedrich Julius Creuz e esta estava localizada em Blumenau. 
Max era filho de Traugott Leberecht Creuz  e de Anna Auguste Renate Creuz e nasceu em 21 de abril de 1873 em Leipzig na Alemanha. Max Creuz, como era conhecido nos registros históricos local, casou-se com Lydia Elisabeth Schmude em 22 de abril de 1903. Lydia era filha de Carl e Emma Schmude - família de Itajaí. Os filhos: Elisabeth Natalie ( 12 de dezembro de 1909), Alfred Carl Alfons (09 de janeiro de 1911), Rudolf Wilhelm Fritz (05 de junho de 1915), Curt Franz Reinhold Creuz, este filho continuou com o negócio do pai de sombrinhas e guarda chuvas.

Denilson Carlos Creuz  é regente.
"Ontem estive conversando com o Sr Rainoldo que ainda tem o legado da fabrica de guarda chuvas Creuz que foi o meu tataravô que começou. Ele gostaria de escrever essa história. Ele tem um esboço de um livro. Ai tomo a liberdade de perguntar para você se temos como auxiliar para que essa história não se perca."12 de Mai de 2021 20:27h -  Denilson Carlos Creuz.

Denilson Carlos Creuz é filho de Valmor Creuz, que é filho de Alfred Carl Alfons Creuz, filho do fundador Max Creuz.
Bonita preocupação em preservar a história, por parte do descendente de  Max Friedrich Julius Creuz e de Lydia Elisabeth Creuz, que despertou nossa curiosidade. Com o tempo, temos certeza que Denilson contribuirá com esta postagem com mais informações e fotografias. 
A fábrica de sombrinhas e guarda-chuvas Creuz foi fundada em 1902, em uma esquina com a Wurststrasse, atual Rua XV de Novembro - centro de Blumenau.

"Fábrica de sombrinhas de Max Creuz. Maior estoque de guarda-chuvas e sombrinhas para homens, mulheres e crianças. Confecção sólida! Preços mais baratos! Novidades: sombrinhas coloridas de turistas, sombrinhas de seda pura, sombrinhas para malas (de punho dobrável e ponta retrátil) e sombrinhas de bonecas. Modelos especiais são confeccionados prontamente. Revendedores com descontos especiais."

Blumenau, c. 1915  - Rua XV de Novembro. Procissão. Ao fundo, Casa Max Creuz; à direita, Casa Alfred Finster; Baumgart (prédio); sede do jornal Der Urwaldsbote e Casa Husadel. À esquerda, Club Germania.
(...)engenheiro Heinrich Krohberger, construtor e responsável por todas as construções e edifícios públicos e igrejas da cidade. Ele vai ao outro lado do Rüdiger, atravessando o pasto para a sua casa, perto do barranco do ribeirão da Velha, um pouco recuada. 
À esquerda, sai da sua casa o consertador de guarda-chuvas, Sr. Max Creuz, tranca a mesma e sai apressado com passo de ginasta, calça branca e paletó escuro, em direção ao Centro. As pernas da calça, viradas um pouco para fora, ainda se vê branquinhas ao escurecer. GERLACH, 2019.

De acordo com GERLACH, a Família Creuz residia nas proximidades da foz do Ribeirão da Velha, nas proximidades da atual Rua Paulo Zimmermann e tinha como vizinho, o engenheiro Heinrich Krohberger.

Blumenau, 2 Outubro 1911. Rua XV de Novembro, em frente ao Hotel Freygang.  À direita, ao fundo, Casa Max Creuz.

A pouco tempo, foi publicado a história de Reinoldo da Silva, que herdou o maquinário e ferramentas da antiga fábrica familiar. Reinoldo foi funcionário da fábrica e começou a trabalhar em 1965, com 19 anos de idade. Atualmente, com 75 anos externou ao tataraneto, o desejo de escrever sobre esta história. 

“O seu Curt Creuz foi o segundo dono, ele é filho do Max Creuz. Ele foi um paizão pra mim, considero assim. Ele foi o último a me criar, me colocou na empresa com menos de 20 anos, me ensinou muito e me ajudou muito na vida. Chegou a me emprestar dinheiro para eu comprar minha casa”, fala emocionado ao lembrar do ex-patrão." Rainoldo da SilvaSILVA, 2020

O filho de Curt Franz Reinhold Creuz, Waldemar Creuz, herdeiro, ao fechar a firma, repassou as ferramentas e objetos desta história ao ex funcionário Rainoldo, que deu prosseguimento no ramo, criando a empresa Clínica de Guarda-Chuvas, em 1997. 

“Eu fui lá, peguei e levei tudo para minha casa. Comecei a ver o que prestava e realizei o meu sonho de ter meu próprio negócio, e ainda continuando a história do velho Curt”. Rainoldo da Silva - SILVA, 2020

Iremos visitar a Clínica dos Guarda-Chuvas e visitar este fiel amigo e antigo funcionário do Creuz, Rainoldo da Silva, que também herdou o legado desta história. Em Breve!

Nós complementaremos esta história com mais informações.
 Em Breve. 

Referências

GERLACH, Gilberto Schmidt. Colônia Blumenau no sul do Brasil / Gilberto Schmidt-Gerlach, Bruno
Kilian Kadletz, Marcondes Marchetti, pesquisa; Gilberto Schmidt-Gerlach, organização; tradução Pedro Jungmann. – São José: Clube de Cinema Nossa Senhora do Desterro, 2019. 2 t. (400 p.): il., retrs.
PIONEIROS DA COLÔNIA BLUMENAU. Famílias Evangélicas de confissão Lutherana da colônia Blumenau - Período: 1856 - 1940.
SILVA, Jotann. Trabalhador de 74 anos mantém vivo o conserto de guarda-chuvas em Blumenau - O Município - 09/05/2020. Disponível em: https://omunicipio.com.br/trabalhador-de-74-anos-mantem-vivo-o-conserto-de-guarda-chuvas-em-blumenau/. Acesso em 30/07/2021, 22:22h.


Em Construção!!









quarta-feira, 28 de julho de 2021

Projeto da Loja Havan no Centro Histórico de Blumenau Aprovada por 12 Pessoas

Em 25 de Julho de 2021, o C.C. 25 de Julho de Blumenau através de representantes de alguns de seus grupos culturais, tradicionalmente, homenageia a memória dos imigrantes junto ao Monumento do Imigrante localizado no Centro Histórico de Blumenau - Praça Hercílio Luz. 
Neste ano não foi diferente e contou com a presença de representantes do governo municipal, como  por exemplo, do Presidente de Fundação Cultural Sylvio Zimmermann e do Prefeito Municipal de Blumenau Mário Hildebrandt entre outras autoridades. 


Presidente da Fundação Cultural de Blumenau e seu representante do COPE Sylvio Zimmermann e o Prefeito de Blumenau Mário Hildebrandt - homenageando o imigrante no Centro Histórico, junto ao Monumento do Imigrante.

Três dias depois...

Vídeo da reunião onde - de forma polêmica, foi aprovado o projeto da Loja Havan no Centro Histórico de Blumenau, com apoio maciço de representantes da Prefeitura Municipal de Blumenau.
Recebemos 4 convites de pessoas diferentes de representações sociais diferentes, para comparecermos e acompanharmos, a partir de nossa formação técnica, a análise e a votação do projeto da nova loja de departamentos Havan no Centro Histórico de Blumenau, que aconteceria na reunião do COPE. A reunião ocorreu nesta data a partir das 14:00h do dia 28 de julho de 2021.
Resumidamente, durante a reunião, no momento da análise deste projeto, antes dos pareceres, Ramon Benedett,  representante do Instituto Histórico de Blumenau - IHB, leu uma carta do Presidente da instituição apontando procedimentos não aprovado por esta  no prosseguimento dos trabalhos nesta reunião e esta se retirou do Conselho antes da votação. Também, o  IAB, após seu voto "Não" e mediante a aprovação se retirou igualmente do Conselho, não de acordo com a tramitação deste processo da análise e aprovação do projeto em questão. Sua representante, a arquiteta Amanda Tiedt sugeriu que mais conselheiros seguissem o exemplo do IAB, o que não aconteceu. 
O projeto, nesta reunião do dia 28 de julho estava sendo apresentado para uma segunda análise - descrição da primeira análise no final desta postagem. Foi sugerido que o projeto fosse ajustado de acordo com apontamentos sugeridos pelos conselheiros, na primeira reunião, para que este pudesse ser realizado. Antes da segunda reunião acontecer,  Luciano Hang enviou um recado aos blumenauenses - de que não mudaria o projeto e quem sairia perdendo, caso este não fosse executado, era a cidade. Como se esta construção Kitsch acrescentasse alguma coisa à cidade, naquele local do Centro Histórico. Em 28 de julho de 2021, na reunião do COPE, o projeto retornou sem receber  modificações sugeridas. De acordo com o jornalista Evando de Assis, os interessados na implantação do Projeto tiveram contatos e confabulações com conselheiros do COPE, antes da reunião de 28 de julho. O projeto, como foi solicitado e alardeado pelo proprietário do conglomerado, não foi alterado e o conselho teve uma outra formação  a partir de nomes diferentes. A reportagem do jornalista Evandro de Assis esclarece este ponto - transcrita abaixo.
Como representante dos responsáveis do Projeto, falou o ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss, desprovido de polimento e com pouca paciência àqueles que apresentavam argumentação técnica sobre a implantação da Loja no Centro Histórica de Blumenau. 
Muitas foram as manifestações, onde a maioria mostrava seu posicionamento contrário à implantação da Loja de Departamento nos pés do elevado onde está localizada a centenária Igreja Luterana do Espírito Santo. Destacamos a fala da Arquiteta Juliana Dreher de Andrade de Florianópolis, que, entre outras coisas, observou que o turista não frequentará mais o Centro Histórico para "Ver uma loja da Havan", pois há este tipo de loja, em sua cidade de origem. Também mencionou que este modelo Kitsch está na contramão da publicidade - "Tipo carimbão de fachadismo". Nós apresentamos igualmente, sob um olhar técnico o nosso posicionamento e compromisso em deixar os fatos esclarecidos e nomes para a História. Participou da reunião do COPE que tem caráter público -  a Procuradora da República Rafaella Alberici que trabalha na área de meio ambiente, na qual está incluído discussões sobre o patrimônio histórico, caracterizando a presença do Ministério Público Federal.
 Procuradora da República Rafaella Alberici. 
A Votação dos Conselheiros - Processo 2020/4157 – Comércio – Rua Alwin Schrader nº 44 (Terreno P3)
Lembramos que foi apresentado o mesmo projeto, desprovido de alterações, acompanhado da fala agressiva de Félix Theiss, ex prefeito de Blumenau. Félix representou o projeto da Loja e argumentou sobre sua implantação, diminuído o valor, sob vários aspectos, do espaço da região histórica e pondo em dúvidas, pareceres efetuados por profissionais da Arquitetura e Urbanismo e também, de outras áreas.
Para esta segunda análise, houve mudanças de nomes dos representantes do Conselho que deliberavam. Assim sendo, 12 pessoas decidiram por uma alteração radical desprovida de gosto, com grande impacto e consequências irreversíveis sob ponto de vista urbanístico, em uma região da cidade de Blumenau e do Vale do Itajaí (antiga Colônia Blumenau) dotada de mais de 170 anos de história - representando interesses de um grupo formado pelo proprietário da loja e algumas pessoas com algum poder e representatividade em Blumenau, à mercê de toda a sociedade. 
Pela grandiosidade do impacto e tamanho do empreendimento - deveria haver uma conscientização formal, oficial e técnica, seguido por plebiscito popular. Mas isto não interessa para o grupo misto formado, que deseja implantar o projeto no local do Centro Histórico de Blumenau.

A eleição. 
Votos Sim

Fred Manke 
SEPLAN - DD/DRCU - SIM

Monica Andrade de Moraes Vieira
SEMED - SIM

João Paulo Taumaturgo
SEPLAN DMU/DG - SIM

André Machado
CREA - SIM

Tadeu Avi
SECOVI Blumenau e Região - SIM

Arquiteta Patricia Schwanke (Fundador do Blumenau Antigamente)
SECRETARIA DE PLANEJAMENTO URBANO - SIM

Engenheiro Marcos Bucco
Sinduscon  - SIM

Luisa Borda
SECTUR - SIM

Camila Dix
IDIVI - SIM

Nilson Passarin
Sedec - SIM

Sylvio Zimmermann Neto (Secretário da Secretaria Municipal da Cultura)
SMC - SIM

Carlos Alberto Pintarelli
AMPE - SIM

Votos Não

Advogado Herley Ricardo Rycerz Junior
OAB - NÃO

Arquiteta Amanda Tiedt
IAB - NÃO (E nos retiramos do Conselho caso este projeto seja aprovado)

Arquiteto Guido Paulo Kaestner Neto
FURB - NÃO

Ramon Benedett   IHB - pediu renuncia da cadeira antes da votação  - (Poderia ter sido mais um voto NÃO e ficaria registrado na História).

Depoimentos diversos
"...Porque não tiveram coragem de expor os motivos dos votos? Porque se calaram diante de tantas manifestações? Não se trata de discussão democrática, se trata de politicagem suja, desrespeitosa e vergonhosa." Arquiteto Bruno Luiz Gonçalves

"Deveria ser feito um memorial com uma placa com os nomes e seus votos para eternizar essa "heresia" à ideia de CENTRO HISTÓRICO E MEMÓRIA DA FUNDAÇÃO DE BLUMENAU. Não estranharia, no futuro mudarem o nome da cidade. Se houver hipócritas a definir....poderá ser HANG o novo nome." Wilson Braun

"Esse ícone não representa os Blumenauenses.. E não pode parar nessa área de Blumenau." Ricardo Guilherme

"Além da celeuma envolvendo a área ainda tem a situação do trânsito, enfiando mais um local desse porte numa área que já é caótica. Com tantas lojas nessa área, porque não trazer ela a Itoupava Central, por exemplo?"  Eleonésio Diomar Leitzke

Na Reunião do COPE.
"Conselheiros representantes da sociedade civil não aceitem serem feitos de tolos. Votal alterações simples nós podemos e quando temos algo realmente importante a prefeitura se organiza para votar como querem. Na última reunião eles poderiam, mudaram os representantes para aprovar sem alterar o projeto." Ramon Benedett - Conselheiro do IHB (Instituto Histórico de Blumenau) no COPE

Na Reunião do COPE.
"O que trás segurança para a cidade são os "olhos da rua", a fachada ativa e o uso misto, como diria Jane Jacobs. Um mega edifício com uso único não faz sentido nenhum." Arquiteta Juliana Dreher de Andrade.

"Angelina, a AMPE traiu as Micro e Pequenas Empresas de Blumenau e região, ao votar no COPE, votando SIM a construção da Havan no Centro Histórico de Blumenau!"  Silvio Rangel Figueiredo

Na Reunião do COPE.

"Não ao projeto inadequado ao local. Afronta a história do lugar. Baseado numa arquitetura duvidosa para dizer o mínimo. Se coloca em área imprópria do ponto de vista ambiental e do ponto de vista histórico. Inadequado na forma de apresentação e na argumentação. Inadequando pois representa um tipo de desenvolvimento econômico antiquado e questionável, especialmente   neste lugar. Do ponto de vista de desenvolvimento de Blumenau, escolha-se uma área adequada, adequadamente, melhor localizada. Júlio Refosco

Na Reunião do COPE.
"Seria muito transparente com a população que, se algum conselheiro votar a favor do projeto da Havan, explique o motivo. Queremos posições pautadas em uma reflexão sobre o Centro Histórico e não em voto político." Arquiteta Thayse Fagundes

Texto do Jornalista Francisco Fresard

Resultado: 12 pessoas decidiram que o Centro Histórico de Blumenau receberá uma "Casa branca" no topo da Rua das Palmeira, ao pé do elevado onde está localizada a História Igreja Luterana do Espírito Santo e que teve seu restauro iniciado no mês que passou. 12 conselheiros aprovaram e 3 foram contra o projeto do Centro Histórico.
Blumenau perdeu nesta quarta-feira parte de um dos mais importantes patrimônios culturais e históricos da cidade. A aprovação da construção de uma loja da Havan no Centro Histórico pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural Edificado (Cope) acaba com qualquer possibilidade de recuperar aquele espaço como merecia uma cidade que valoriza a própria história e pensa no desenvolvimento turístico.
Até então, o poder público poderia, até mesmo com a contribuição da iniciativa privada, transformar aquela área de extrema importância para a memória da cidade em algo de fato relevante. Seriam beneficiados tanto os blumenauenses, que a cada dia perdem a referência do passado e da origem da cidade, quanto os turistas que buscam atrativos originais, históricos e culturais.
A cidade que cada vez mais se apresenta como turística perde a oportunidade de resgatar o que ela ainda tinha de original. Sem um Centro Histórico digno seremos cada vez mais conhecidos pela Oktoberfest e pelos desastres naturais. É uma opção. Não necessariamente a melhor.

Sobre a deliberação

A votação ocorreu na tarde desta quarta-feira numa reunião acalorada, recheada de fatos novos em relação à primeira discussão que ocorreu em maio. Naquela ocasião, boa parte dos conselheiros se mostraram contra a proposta. Não pelo fato de ser a Havan ou de ser uma loja. A crítica era justamente em relação à falta de harmonia do projeto arquitetônico com o Centro Histórico. Naquela ocasião, acatando sugestão do presidente do Cope e secretário municipal de Planejamento Urbano, Éder Boron, a Havan retirou o projeto antes da votação e assumiu o compromisso de retornar com outra proposta.
O fato é que nenhuma nova proposta foi apresentada aos conselheiros. A defesa do grupo varejista nesta quarta-feira se resumiu a um discurso do ex-prefeito Félix Theiss, conselheiro da Havan, que enumerou uma série de argumentos que, na opinião dele, justificariam a instalação da loja naquele local. Fora isso, apenas algumas imagens do projeto foram exibidas, sem o detalhamento necessário para uma discussão aprofundada.
Descontentes com o fato de não haver um novo projeto, os representantes do Instituto Histórico de Blumenau (IHB) e do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), entregaram as cadeiras que ocupavam no Conselho Municipal do Patrimônio Cultural Edificado (Cope). No final, 12 conselheiros aprovaram a proposta e três votaram pela rejeição.
Entre os 12 que votaram pela continuidade do projeto estavam todos os que representam a prefeitura, incluindo o secretário municipal de Cultura, Sylvio Zimmermann, que até então sempre se mostrou defensor da história e das raízes de Blumenau. Também estão conselheiros que mudaram de opinião, mesmo sem a apresentação de uma nova proposta, o que reforça a possibilidade de um grande trabalho de bastidor por parte da rede varejista e da prefeitura para obter votos favoráveis, como escreveu o colega Evandro de Assis, da NSC.

Ministério Público

Outro fato novo foi a presença e a participação do Ministério Público Federal. A procuradora da República Rafaella Alberici trabalha na área de meio ambiente, que inclui discussões sobre o patrimônio histórico.
Às mais de 100 pessoas que acompanharam a reunião, ela disse que iniciou um procedimento para apurar os fatos envolvendo o trâmite do projeto, principalmente por haver no entorno do terreno que deve abrigar a loja dois imóveis tombados pela União.A procuradora da República também se colocou à disposição para conversar com pessoas que podem contribuir com o trabalho.
Vale lembrar que tanto o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) quanto a Fundação Catarinense de Cultura (FCC) não colocaram obstáculos à construção da loja com base na interferência que ela vai provocar nos imóveis tombados por esses órgãos. Apenas impediram a construção da estátua da liberdade.
Outra observação importante é que o Cope analisa o impacto dos novos empreendimentos no patrimônio histórico e cultural da cidade. O projeto ainda terá que passar pelo Conselho Municipal de Planejamento Urbano (Coplan), que avalia, por exemplo, o impacto da loja no trânsito da região. Só depois de aprovado no Coplan é que o projeto segue para o trâmite em busca do alvará de construção.
 
Texto do Jornalista  Evandro de Assis – NSC

“Nem Blumenau e nem a Havan têm a ganhar com a intervenção projetada pela rede de lojas para o Centro Histórico. A proposta é um equívoco do ponto de vista da conservação da memória dos imigrantes alemães e também do desenvolvimento econômico. Indicativos disso restaram evidentes nos método adotados para aprová-la no Conselho do Patrimônio Cultural Edificado (Cope), quarta-feira (28).
Nenhum dos 12 votos favoráveis à construção de um galpão de paredes lisas e fachada que se propõe réplica da Casa Branca em meio ao mais representativo conjunto de edificações da Blumenau Colônia veio acompanhado de argumentação. Uma maioria silenciosa formou-se, sonegando da comunidade razões para confiar que o empreendimento, da forma como está desenhado, é bom para o patrimônio cultural edificado. Mesmo os representantes da construção civil (Sinduscon) e da habitação (Secovi), que se manifestaram na reunião, trataram mais da necessidade de adaptações arquitetônicas do que defender o que estava posto.
O governo municipal agiu deliberadamente pela aprovação da loja, mas não explicou o porquê. Primeiro, ainda em maio, o secretário de Planejamento, Éder Boron, conseguiu evitar que o projeto fosse votado — e recusado — em nome de uma oportunidade de reformulação pela Havan.
Em junho, a prefeitura nomeou para o Cope o secretário de Desenvolvimento Econômico, Sylvio Zimmermann, que acumula a pasta da Cultura desde a demissão de Rodrigo Ramos. Na reunião desta quarta, Zimmermann ocupou o lugar da suplente, Sueli Petry, diretora do Arquivo Histórico que, na reunião de maio havia feito a mais enfática contestação ao projeto da Havan.
No dia 20 de julho, portaria assinada pelo prefeito Mário Hildebrandt modificou dois suplentes indicados ao conselho pela Secretaria de Planejamento. Por coincidência, as titulares dessas duas cadeiras faltaram à reunião de quarta, cedendo os votos aos recém-nomeados. Por último, todos os oito servidores ligados à prefeitura votaram a favor da Havan, inclusive quem haviam criticado o projeto na primeira reunião. E não houve a prometida reformulação.
Sem a palavra dos favoráveis, ressoaram na reunião as críticas do Instituto Histórico de Blumenau (IHB), do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Furb. Elas tiveram o suporte de dezenas de cidadãos que participaram do debate. Mas a voz majoritária não se traduziu em voto.
Outro indício de que a loja padrão da Havan no Centro Histórico será mau negócio para todos veio da fala do ex-prefeito e membro do Conselho de Administração da empresa Félix Theiss. Ele revelou que o terreno na Rua das Palmeiras foi o 12º procurado pela rede, lembrou que está à venda há 15 anos e chamou a área pejorativamente de "buraco", em alusão ao risco de enchentes. Citou o abandono de imóveis do Centro Histórico para ilustrar a desvalorização da região.
Longe de ser a área desejada pela rede, o terreno do antigo estádio do BEC é o que sobrou. Esse contexto facilita a compreensão de como a Havan (não) enxerga a interferência na zona histórica. A proximidade com uma alameda belíssima e sítios de memória relevantes é estorvo, e não vantagem. Fosse tudo concreto ou mato, tanto faria.
Logo a Havan, que devolveu a Blumenau o seu Castelinho, associando a marca da rede a um dos pontos mais fotografados da cidade. À época, a reforma conservou até detalhes do subsolo, mesmo o prédio não sendo tombado. Uma relação bem-sucedida entre patrimônio cultural e economia. Por que não fomentar outra?
A nova loja da Havan como foi proposta consolida a desvalorização do Centro Histórico apontada pela empresa. Instala na outra ponta da Rua das Palmeiras uma construção tão invasiva quanto o Edifício América — equívoco imperdoável com o qual gerações têm de conviver. Oferece uma parede de concreto aos pedestres e estacionamento aos carros. Reconhece as vias do entorno como meras passagens de veículos, ofuscando as casas históricas vizinhas.
O mesmo município que reformula o Museu da Cerveja e planeja uma praça atrás da prefeitura antiga, que mantém quatro museus, biblioteca e Arquivo Histórico nas redondezas, que se orgulha dos vestígios de Hermann Blumenau deixados nas palmeiras e nas casas enxaimel, agora trabalha por um projeto conflitante com a ideia de um Circuito Histórico de Turismo. E o faz sem dar explicações à população.
Mais do que possível, é preciso gerar empregos respeitando a cultura e as tradições. Ainda é tempo.”

O conjunto deveria ser Tombando - todo, considerando as edificações, vias, espaços públicos, o rio, o conjunto, como já aconteceu com cidades como Ouro Preto. 

Print's da Reunião do COPE - Observar as manifestações.












Comentários do Chat tem relação com a fala do Ex Prefeito Félix Theiss.

Comentários do Chat tem relação com a fala do Ex Prefeito Félix Theiss.

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Comentários do Chat tem relação com a fala do Ex Prefeito Félix Theiss.

Comentários do Chat tem relação com a fala do Ex Prefeito Félix Theiss.











Sala dos represantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss.

Sala dos represantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss.

Sala dos represantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss.

Sala dos represantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss.

Sala dos represantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss.
Ambiente tranquilo mediante o que estava sendo decidido.

Sala dos represantes da HAVA - com a presença do Ex Prefeito Félix Theiss.

Sala dos represantes da HAVA - com a presença do Ex Prefeito Félix Theiss.

Sala dos represantes da HAVA - com a presença do Ex Prefeito Félix Theiss.





Sala dos represantes da HAVA - com a presença do Ex Prefeito Félix Theiss.





























Relembrando que...
...com a narrativa de "gerar empregos" na região, sendo esta a 5° loja na cidade de Blumenau, o conglomerado da Havan, de Brusque, conseguiu, através dos meios legais, construir mais uma em uma das extremidades da histórica e centenária Rua das Palmeiras, no Centro Histórico de Blumenau, o qual existe desde o primeiro assentamento dos pioneiros alemães, na década de 1850. Pautado na atual legislação vigente, o embaraçoso projeto já foi aprovado no IPHAN e também, no FCC. Exibem os documentos no processo que tramita na cidade de Blumenau, onde órgãos locais, tem sobre si, o peso e a responsabilidade de externar a vontade da sociedade da cidade e também, sob enfoque técnico, ciente do impacto irreversível no local histórico. Os empregos podem ser gerados, como já o fazem com suas demais lojas, mas com critério e com respeito à história da cidade de Blumenau e região.
Não somente o "grão" da edificação comercial a ser construída é agressivo ao conjunto do Centro Histórico de Blumenau, como também a “Arquitetura” apresentada não está alinhada ao gosto artístico, bem como, ao perfil e à importância deste espaço. Arquitetura comercial, da empresa em questão, a qual repica a imagem da sede do governo norte americano de maneira econômica e de fácil execução – a “Casa Branca”.

O local tem uma especial vocação cultural, histórica e comercial. Mas não é local para uma loja de Departamentos com esta apresentação volumétrica e de área, presentes em sua arquitetura, que denominamos "grão" - escala.

Além de todos os aspectos anteriores mencionados, deveria-se ser levado em consideração, a geografia do local, próximo ao Ribeirão Garcia e da foz do Ribeirão Fresco neste. É uma dos pontos mais baixos do município, com locais inundados na cotas entre 9 metros e 11  metros. Há objeções para edificações nova nesta área, o que é correto.
A Enchente – considerando  que é inundável a partir dos 9 m.
Quais os elementos que compõem o Centro Histórico de Blumenau?
É somente o casario cadastrado formalmente? Ou é o conjunto? No conjunto, estão o primeiro traçado e o plano piloto do Vale do Itajaí, contando desde o início de sua existência, com a presença do importante elemento estruturadora Rua das Palmeiras, que está prestes a receber uma loja de departamentos em uma de suas extremidade.
Mapa de José Deeke - envolvendo a região do Centro Histórico e desenho dos lotes coloniais e mapa do Google , que utiliza imagens de satélite para conseguir as imagens, quase idênticas as do desenho de Deeke. A estrutura do Stadtplatz ainda existe e também sua espacialização. A sua não descaracterização depende do que se construirá no Centro Histórico. Qual o impacto de uma loja de departamentos no local? 
Patrimônio Material - IPHAN

patrimônio material protegido pelo Iphan é composto por um conjunto de bens culturais classificados segundo sua natureza, conforme os quatro Livros do Tombo: arqueológico, paisagístico e etnográfico; histórico; belas artes e das artes aplicadas. 
Os bens tombados de natureza material podem ser imóveis como cidades históricas, sítios arqueológicos e paisagísticos e bens individuais; ou móveis como coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos. 
Centro Histórico de  Blumenau recebeu interferências que destoam,, mas não como  o "grão" que pretendem construir neste momento - uma loja de departamentos. O investidor da proposta não tem compromisso com a História de BlumenauEstá sob responsabilidade do poder público de Blumenau, através de uma equipe técnicaorientar a ocupação deste local, único e importante para a cidade de Blumenau e toda a região.
Mudanças de pequenos impactos ao longo da história do local. Desafios relacionados ao trânsito, escoamento do fluxo do Sul do município para o litoral, Norte e Leste. No Sul está localizado o bairro mais populoso de Blumenau, contando somente com duas vias de escoamentos. Resolveram asfaltar as pistas da histórica Rua das Palmeiras, para receber o fluxo de ônibus do transporte público. O que é diferente neste momento?
A Rua das Palmeiras, que é munida de espaço para caminhar, para pedestres e de contemplação, na década de 2010 tornou-se, de maneira mais intensa, o espaço do automóvel, tornando-se um corredor e não um lugar, a exemplo do que vem acontecendo em outros bairros de Blumenau, que "morrem" mediante à presença de "corredores" semelhantes implantados em seus espaços. Estes,  muitas vezes, eram locais residenciais dotados de um comércio local. Tudo isso ocorre sem uma reflexão urbanística mais apurada.
As mudanças ocorrem de maneira sistemáticas, mais, ou menos, impactantes
Skyline de uma torre, construída na área de Preservação, ao lado das Prainha, na outra margem do Rio Itajaí Açu, de onde está localizado o antigo porto fluvial e a vista do local que acessa a Rua das Palmeiras - Boulevard Hermann Wendeburg, a partir do morro da Igreja Luterana centro.
Em função da necessidade do escoamento de veículos no local, justificou-se a construção de uma nova ponte encobrindo uma ponte, parte de um conjunto urbanístico feito na Praça do Porto na década de 1960, dotada de uma plástica lindíssima a qual viabiliza o aproveitamento das margens do Ribeirão Garcia, na forma de um parque linear. 
Também questionamos, de como ficará o acréscimo do número de veículos no local, após a implantação da loja de departamentos, considerando a existência de vagas de estacionamentos para 180 automóveis, 100 bicicletas, 63 motocicletas, 1 doca de carga e descarga.
Construção de mais uma ponte impactando com a ponte existente sobre o ribeirão Garcia parte do projeto de revitalização da década de 1960 que contava com o destaque de vários caminhos e plástica belíssima. Caminhos, sob esta ponte que margeavam o ribeirão rumo à propriedade de Hermann Blumenau e o Cemitério do Gatos. Ponte concluída em março de 2021.





Dentro dos inúmeros recortes de tempo histórico, muitas vezes alinhados à produção estética internacional, mesmo não tendo muito sentido local, repicava-se os mais variados estilos. Dos “neos", até o Modernismo, mas sem um grande impacto na estruturação morfológica do local histórico e sem melindrar os principais elementos que o caracterizavam, como a construção desta loja de departamentos que além de tudo, apresenta uma arquitetura Kitsch. Diferente do que apresenta o monumental e modernista Grande Hotel, projetado pelo arquiteto Hans Broos e que será eternizado no Documentário de sua vida, filmado a pouco tempo e com cenas feitas no seu interior.
Por que o projeto da loja, não apresentou esta vista em seu projeto?
Principal via do Centro Histórico de Blumenau - a Rua das Palmeiras, com pavimentação impermeável e corredor de transporte público atual passando próximo a edificações históricas, construídas com a técnica construtiva enxaimel (original), residências de personagens da história local e uma destas, considerada a mais longeva do Vale do Itajaí - construída em 1858, capa do livro Fachwerk - A Técnica Construtiva Enxaimel.
Projeto da Loja HAVAN no espaço do Centro Histórico.
Prefeito de Blumenau Mário Hildebrandt homenageando Luciano Hang - dono da Havan na abertura do último Oktoberfest Blumenau (2019) presencial em detrimento de outras pessoas que contribuem para a existência da festa. Hang nunca esteve envolvido com a festa de outubro. Ricardo Stodieck, por exemplo, último Secretário de Turismo de Blumenau, por exemplo homenageou o fundador da Banda Cavalinho Branco: Rigobert Döring e em outra edição, o Ex presidente do C.C. 25 de Julho de Blumenau e fundador do primeiro grupo folclórico de Blumenau pós Oktoberfest: Harold Letzow.

Prefeito de Blumenau Mário Hildebrandt homenageando Luciano Hang - dono da Havan na abertura do último Oktoberfest Blumenau (2019) presencial em detrimento de outras pessoas que contribuem para a existência da festa. Hang nunca esteve envolvido com a festa de outubro. Ricardo Stodieck, por exemplo, último Secretário de Turismo de Blumenau, por exemplo homenageou o fundador da Banda Cavalinho Branco: Rigobert Döring e em outra edição, o Ex presidente do C.C. 25 de Julho de Blumenau e fundador do primeiro grupo folclórico de Blumenau pós Oktoberfest: Harold Letzow.
Quanto ao projeto, observar o impacto do “grão” da construção, a qualidade arquitetônica, a interferência de logística, argumento usado para construir a rua no meio do terreno original do BEC e a nova ponte, que interferiu na originalidade espacial  do conjunto histórico.
Esta é a vista observada a partir do 1° Clube de atiradores de Blumenau – Atual Tabajara – localizado aos fundos da loja, que se impõe no espaço, entre os elementos formadores da primeiro tecido urbano de Blumenau.

Arquitetura comercial e kitsch competindo, dentro da paisagem, com a centenária Igreja do Espírito Santo – Igreja luterana construída pelos pioneiros na década de 1870.

"Grão" é maior do que aquele aceito e as interferências do uso e da arquitetura gerará conflitos de várias ordens: desde espacial, paisagístico, estético, entre outros. A administração sempre está interferindo na área, para promover melhorias no fluxo do trânsito de automóveis, por exemplo. 

O conjunto histórico, enquanto paisagem, será descaracterizado.
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Atualização 1

Matéria de Evandro de Assis -  26 de maio de 2021

Como virou alvo da Havan um terreno público de Blumenau doado para ser estádio de futebol

Loja da Havan ficaria à esquerda da rua aberta

 

no terreno há quase uma década (Foto: Patrick Rodrigues)
O terreno no Centro Histórico de Blumenau onde a Havan pretende erguer uma loja já serviu de moradia a colonizadores, pertenceu ao governo de Santa Catarina e abrigou estádio de futebol. Desde 2007, quando as arquibancadas do velho Deba foram demolidas, uma rua cortou a área de terra ao meio e duas torres de apartamentos projetadas acabaram não saindo do papel. Nesta quarta-feira (26), o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural Edificado (Cope) avaliará se o espaço vazio pode ser preenchido pela construção comercial inspirada na Casa Branca.
Além de arbitrar a polêmica, os conselheiros indicarão qual o futuro da área onde a cidade nasceu. Os terrenos aos fundos da Rua das Palmeiras, perto da Paróquia Luterana Centro, abrigavam residências e uma serraria nos primórdios da colônia Blumenau, segundo a diretora do Arquivo Histórico, Sueli Petry. Na década de 1940, o governador Aderbal Ramos da Silva doou o pedaço de terra, que então pertencia ao poder público estadual, para a construção de um campo de futebol.
O estádio que levou o nome do político recebeu jogos durante décadas, principalmente do Palmeiras e depois do Blumenau Esporte Clube. A insolvência do BEC, no fim dos anos 1990, levou o imóvel a leilão, arrematado por um empresário paranaense — apesar da antiga lei estadual ter exigido que a destinação da área fosse o esporte.
Depois da triste demolição, o Conselho Municipal de Planejamento Urbano chegou a aprovar a construção de dois edifícios no local, mas o projeto não andou. Com a abertura da Rua Oscar Jenichen, na década passada, o terreno acabou dividido em dois. Ambos baldios.

Havan retira proposta de loja no Centro Histórico de Blumenau

A bem da verdade, o projeto apresentado pela Havan tem certa sintonia com o tratamento dispensado pela cidade ao Centro Histórico nos últimos anos. O lugar está entrecortado por trânsito rápido e corredores de ônibus, situação que pode piorar se algum dia for construída a ponte na curva do Rio Itajaí-Açu, ligando a área à Ponta Aguda. A Rua das Palmeiras é hoje uma via de passagem. De carros. O projeto da Havan leva em conta esse contexto, e não o de uma alameda para desfrute de pedestres e ciclistas.
Além de analisar se a construção proposta e sua polêmica fachada prejudicam o sítio histórico onde estão inseridas, os conselheiros do Patrimônio Cultural Edificado definirão, de maneira indireta, porém definitiva, qual será o futuro do espaço urbano entre a Igreja do Espírito Santo e a Praça Hercílio Luz. Pode significar uma reconciliação com as raízes da cidade. Ou a aposta na geração de empregos a qualquer custo.
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Atualização 2

Matéria de Evandro de Assis -  1° de Agosto de 2021

Aprovação da Nova Havan no Centro Histórico de Blumenau está na mira do MPF.
Projeto da loja foi aprovado por conselho municipal na quarta (Foto: Divulgação)



A aprovação de uma nova loja da Havan no Centro Histórico de Blumenau está na mira do Ministério Público Federal (MPF). A procuradora Rafaella Alberici de Barros Gonçalves pretende averiguar se há irregularidades na liberação do projeto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela prefeitura.
Rafaella acompanhou a polêmica reunião do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural Edificado (Cope), na quarta-feira (28), que aprovou o mesmo projeto da Havan que havia sido duramente criticado pelo conselho em maio. No procedimento recém-instaurado, ela solicitou documentos ao Iphan e à prefeitura e ouvirá representantes do Instituto Histórico de Blumenau (IHB) e do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), entidades que entregaram as cadeiras no Cope em protesto contra a decisão.
Nem Blumenau e nem a Havan têm a ganhar com a intervenção no Centro Histórico
Em entrevista à coluna, a procuradora federal disse que o papel do MPF no caso é resguardar o patrimônio federal. No caso, a igreja luterana e o Museu da Família Colonial, que ficam nas proximidades do terreno onde será construída a loja da Havan. Porém, adiantou que pretende abrir um segundo procedimento para delimitar mais claramente a zona de interesse histórico do Centro de Blumenau. Para Rafaella, é urgente tomar medidas para conservar a área. Veja a seguir:

Por que a senhora abriu um procedimento para investigar o projeto da Havan em Blumenau?

Foi instaurada uma notícia de fato, um procedimento de natureza cível, em razão da existência de dois bens tombados pelo Iphan, que são o Museu da Família Colonial e a Igreja Luterana do Espírito Santo. Então, em razão do possível impacto desse projeto da megaloja da Havan nas proximidades, especialmente da igreja, instaurei um procedimento para averiguar se é regular ou não a aprovação desse projeto. O objeto da nossa apuração é, não apenas a aprovação pela prefeitura, mas também pelo Iphan. Como o projeto tinha sido retirado naquela reunião de maio, eu na época não havia instaurado ainda o procedimento porque achei que tivesse havido ali uma desistência. Mas como surgiu, ao menos para mim, de uma forma bastante repentina a rediscussão desse projeto na reunião do Cope, instaurei um procedimento e requisitei informações ao Iphan e também para a prefeitura sobre os procedimentos.

Já tomou conhecimento dos relatórios do Iphan e da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) sobre esse empreendimento?

Eu tomei conhecimento das conclusões, mas requisitei ao Iphan a cópia integral do procedimento deles para que eu tenha condições de avaliar o que foi exigido, como foi feita a análise da documentação apresentada e, eventualmente, se houver possibilidade, vou submeter à análise da nossa assessoria pericial em arquitetura, que detém conhecimento técnico para dizer se houve alguma irregularidade ou não.

O fato de haver reação popular ao projeto interfere no interesse do Ministério Público na questão?

A princípio, o que mais interessa ao MP é se existe irregularidade ou não. Felizmente, me dá uma tranquilidade e uma satisfação muito grande em saber que a sociedade civil organizada em Blumenau é bem ativa e está disposta a atuar de uma forma muito enfática para proteger a sua história, seu patrimônio cultural. Isso auxilia o nosso trabalho. Muitas pessoas  que representam a comunidade de Blumenau estão se sentindo lesadas nesse bem que é coletivo. É a história da cidade, então como se contar essa história para as próximas gerações? Isso com certeza agrava o dano.

O procedimento na prefeitura é também objeto da notícia de fato?

É também. Estão sendo verificados os dois lados. Digamos que a gente conclua que houve por parte da prefeitura uma aprovação irregular a um projeto que cause um dano a um bem federal, nós vamos acionar também o município de Blumenau. E não apenas dos bens que já estão tombados. Tem um conjunto aí que forma essa ambiência no entorno desses bens. Se esse conjunto possui um valor histórico-cultural, mesmo não sendo tombado, existe a necessidade de se tutelar esse patrimônio. Se existe um interesse federal na conservação desses bens como um todos, pode haver, sim, a responsabilização do município de Blumenau.

Hoje não existe um perímetro do Centro Histórico. O município, os conselhos e a sociedade deveriam deixar mais claro os limites desse sítio de valor histórico?

Com certeza. Inclusive é urgente a adoção de medidas para que haja uma proteção desse bem. Ficou muito evidente que ele tem uma importância muito grande para a comunidade de Blumenau. Essa questão da preservação do conjunto tem que ser objeto de um segundo procedimento, em separado

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Moção de Repúdio à Depreciação do Centro Histórico de Blumenau
Colméia -  3 de Agosto de 2021

O COLMEIA – Coletivo Laboral Multicultural de Experimentações e Intervenções Artísticas lança preocupado olhar para o Centro Histórico de Blumenau, cujo patrimônio cultural e arquitetônico apresenta a história da evolução urbana da cidade. Com construções que apresentam diversos momentos de seu enriquecimento arquitetônico, que vão desde o tradicional enxaimel do período colonial até o art déco, trata-se de um espaço que marca a instauração de nossa cidade. A exemplo disto, no centro histórico está a edificação em formato neogótico concebida pelo fundador da Cidade, Hermann Bruno Otto Blumenau, para ser o centro administrativo da colônia, abrigando, posteriormente, a Prefeitura de Blumenau, Câmara Municipal de Vereadores de Blumenau, e a Fundação Cultural de Blumenau, atual Secretaria Municipal de Cultura e Relações Institucionais de Blumenau.
Cabe citar a Lei nº 8564, de 16 de fevereiro de 2018, que instituiu a Rua das Palmeiras como MUSEU DE RUA, com 22 pontos de visitação.
Sob os cuidados administrativos/financeiros desta Secretaria estão o Museu da Família Colonial, o Mausoleu Dr Blumenau, o MAB Museu de Arte de Blumenau, o Parque Horto Botânico Edith Gaertner, o Cemitério dos Gatos , bem como o Museu de Hábitos e Costumes. Portanto, para muito além de sua importância no legado histórico da cidade, está em risco seu legado cultural, arquitetônico e turístico.
É de conhecimento deste Coletivo que há planejamento e orçamento aprovado para a construção da bem vinda arena a céu aberto e de uma loja de produtos que contemplará a economia criativa da cidade no entorno da Secretaria Municipal de Cultura e Relações Institucionais de Blumenau. Entendemos tal projeto como um primeiro passo, uma sinalização positiva por parte do poder público, reconhecendo que há urgência no desenvolvimento econômico do município com mais espaços públicos de lazer, desporto, e de fruição cultural que contemple sua diversidade empreendedora como força motriz quando falamos de turismo e qualidade de vida.
Configura-se, portanto, como um importantíssimo início para o desenvolvimento sustentável e à valorização do potencial turístico, humano e patrimonial, que representa e respeita a vontade da comunidade blumenauense em suas políticas públicas. Mais do que isto, um movimento essencial na recepção da vazão turística que a cidade acolhe durante todo o ano, capaz de valorizar a economia criativa local e receber este capital humano com o que Blumenau realmente tem a oferecer, criando um impacto direto e efetivo no aquecimento da economia local com geração de renda e empregos, recolhimento de impostos e desenvolvimento sustentável de sua cultura e arte local.
Não, o espaço não é “apenas um buraco abandonado que ninguém quer”!  Afirmativa fala na manifestação do ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss
Investimento em cultura não é esmola do Estado, é obrigação constitucional, cuja efetivação implica na atuação coletiva alinhada entre o poder público e artistas locais, assim promovendo o acesso à cultura. Ao investir no setor, o gestor público investe no aquecimento econômico com retorno garantido. Segundo pesquisa desenvolvida pela Fundação Getúlio Vargas, a cada R$ 1 (um real) investido em cultura, há retorno efetivo de R$ 1,59 para a economia, 159% portanto! Sendo assim, considerando que a cultura gera renda, emprego, arrecadação e desenvolvimento com impacto imediato em outras áreas como educação e saúde, o que falta ainda para que a gestão pública de Blumenau entenda sua real importância?
Vemos a “Rota de Lazer” como um importante e potencial mecanismo de fruição de arte, esporte, lazer e de valorização arquitetônica, cultural e de valor humano em nossa cidade. Porém o espaço carece de incentivos públicos que promovam uma integração efetiva entre o espaço e as inúmeras manifestações artísticas da cidade, em toda sua pluralidade e beleza.
É com muita preocupação que emitimos esta moção de repúdio pelo absurdo que constitui a proposta de se construir uma miniatura da “casa branca estadunidense" em formato de loja entre as ruas Alwin Schrader, Oscar Jenichen e Alameda Duque de Caxias (Rua das Palmeiras). Na contramão e em completa dissonância com a Plenária do CMPC, que em sua Segunda Sessão Ordinária, realizada no dia 18 de março de 2021, já se manifestou contra este projeto; vemos o poder público no exercício de sua gestão ignorar a vontade pública, a história da cidade e seu legado arquitetônico-cultural.
O potencial turístico da região do centro histórico precisa refletir o que Blumenau tem a oferecer, sua riqueza gastronômica, sua potência artística, sua beleza natural. A simples idéia de um ônibus turístico desembarcar em frente ao Museu da Família Colonial, e ver estampada no Centro Histórico uma fachada que ignora não
apenas sua nacionalidade, mas:
- Emprega a venda de produtos que não geram empregos diretos à indústria nacional ou à mão de obra local;
- Não agrega à economia criativa interna no país ou na região;
- Não contempla ou valoriza a identidade cultural do Vale do Itajaí;
- E ainda, de uma empresa cuja dívida de R$ 168 milhões com a Receita Federal e o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) deve ser quitada apenas em 115 anos.
Esta conjuntura suscita uma ideia enternecedora para o que esta gestão pública planeja para o presente e futuro da economia local.
Fazemos nossas as palavras do Conselho Municipal de Política Cultural de Blumenau, onde como Coletivo estamos representados em cadeiras da sociedade civil:
“A proximidade do CMPC com a Comunidade, e a observação das ações empreendidas pelos cidadãos nos últimos anos demonstram que essa orientação política vem dando resultados. De acordo com a Receita Federal (2020), até junho de 2020 havia 21.272 mil Micro e Pequenos Empresários (MEI) registrados em Blumenau. (...) A busca pela realidade local demonstrou, em pesquisa executada pela setorial de artes visuais, design e moda em junho de 2020 que:
1. Os empreendedores possuem graduação e cursos na área de empreendimento;
2. Largaram empregos na indústria para empreender;
3. Fazem parte de uma rede de serviços essenciais para o desenvolvimento local;
4. Compram insumos, produzem, empregam e vendem localmente;
5. Não se sentem abraçados pelas políticas públicas de Blumenau para o setor;
6. Necessitam, em unanimidade, de locais fixos e gratuitos para execução de eventos e venda de seus produtos.
Desta forma, a partir de dados que emanam da comunidade, o CMPC de Blumenau questiona a necessidade, para o desenvolvimento do poderio econômico do município, de mais uma filial da referida loja. Sustentando a premissa de que investir no espaço, por sua localização e representatividade, para a economia criativa local traria muito mais benefícios diretos para o município, seus empreendedores, e também tornando-se mais um importante atrativo turístico, em conjunto com todos os demais localizados às proximidades do terreno.
(...) A falta de investimentos municipais nos criadores locais, na economia criativa local demonstra ser um empecilho, não apenas aos empreendedores formais ou informais, mas também para aqueles que desejam inserir-se no mercado criativo.
Dessa forma, essa moção originou-se do reconhecimento de que, num local de real relevância para a historicidade do município, como o centro histórico, caberia, ao poder público:
1. Zelar pela estética da arquitetura local;
2. Considerar as recentes obras para melhorar o trânsito no local, e o ainda presente grande fluxo de veículos que, por diversas vezes, impossibilita que a comunidade execute suas ações criativas e eventos no local;
3. Considerar a relevância do Centro Histórico e da Rota de Museus de Rua para a cultura, economia criativa e desenvolvimento econômico local;
4. Zelar pela paisagem, considerando o impacto da não arborização do centro;
5. Ampliar os equipamentos culturais de acesso à comunidade;
6. Ouvir a comunidade, que se expressa por meio do CMPC;
7. Buscar atender as necessidades da comunidade, utilizando os espaços remanescentes do Centro Histórico para edifícios multiuso, praças, locais a céu aberto, para ações e eventos da comunidade”.
Há para aquele terreno, pedido da comunidade civil e do Coletivo SC Criativa, por meio do CMPC, para que o terreno seja liberado para construção de um grande parque, com lojas físicas para empreendedores locais, espaço fechado e aberto para eventos, cinema, café e galeria de artistas locais. O pedido foi feito pela sociedade civil organizada, encaminhada para câmara de vereadores por meio do ofício 013 de 2021.
Primordial salientar que Blumenau possui em vigor o Plano Municipal de Cultura 2015/2025 cujos objetivos de médio e longo prazo não foram nem contemplados nem tiveram sua execução iniciada pela Secretaria Municipal de Cultura de Blumenau. Dentre estes, com aplicação direta ao uso do espaço referido, citamos:
DA INFRAESTRUTURA
OBJETIVO GERAL: PROMOVER CONDIÇÕES NECESSÁRIAS À PRESERVAÇÃO, AMPLIAÇÃO, ADEQUAÇÃO, ACESSIBILIDADE E CONSTRUÇÃO DOS EQUIPAMENTOS CULTURAIS DE BLUMENAU
1.4 Objetivo Específico: Descentralizar, democratizar e equipar os espaços públicos urbanos, criando equipamentos capazes de promover e abrigar a produção artística e a cultural local.
Meta: 100% dos espaços públicos e de utilidade pública, viabilizados para receber eventos de produção artística e cultural.
Fonte de Aferição: PMB.
Resultados e Impactos Esperados: Maior quantidade de espaços públicos e de utilidade pública aptos a receber eventos artístico-culturais, abrigando maior número de espetáculos pela cidade.
Fonte de recursos: FCB e iniciativa privada.
1.5 Objetivo Específico: Consolidação e adequação de um espaço multicultural permanente, integrado à FCB para: qualificação; divulgação, manifestação e comercialização de bens e produtos artístico-culturais (artesanato, artes visuais, design, literatura, moda, música, teatro, entre outros) no Município de Blumenau.
Meta: 100% dos espaços da FCB equipados para receber as diversas manifestações e produções culturais.
Ações: • Adequar espaço para realização de oficinas e capacitações; • Viabilizar espaço e meios para comercialização de bens artístico-culturais.
Indicador: Número de espaços da FCB equipados.
Fonte de Aferição: FCB.
Resultados e Impactos Esperados: Maior produção de cultura, a partir dos espaços da FCB adequados para abrigar a realização, valorização, difusão e comercialização de bens artísticoculturais.
Fonte de recursos: FCB.
Prazo: Médio.
1.7 Objetivo Específico: Criar o Museu da Imagem e do Som (MIS) para preservar equipamentos, história e memória com espaço integrado para a qualificação e exposição de bens artístico-culturais.
Meta: Construção e/ou implantação do MIS de Blumenau.
Ações: • Elaborar estudo de viabilidade e sustentabilidade do Museu; • Buscar apoio da iniciativa privada para construção/implantação e instalação; • Captar recursos junto aos governos estadual/federal e iniciativa privada; • Divulgar a importância do MIS para a cidade; • Construir/Implantar o MIS.
Indicador: Percentual da construção e/ou implantação realizado.
Fonte de Aferição: FCB e PMB.
Resultados e Impactos Esperados: com a criação do MIS, espera-se retratar os diversos aspectos referentes à imagem e som para preservar a história de Blumenau. Mostrar o pioneirismo blumenauense com a fundação da primeira rádio do Estado e outros fatos relevantes da história da imagem e do som da cidade no referido museu.
Fonte de recursos: FCB e Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC) com captação externa do governo estadual, federal e iniciativa privada.
Prazo: Longo.
Como maior Coletivo de Artes de Blumenau e região, gerador de renda no setor de Economia Criativa, manifestamos nossa consternação com o desrespeito ao patrimônio; a falta de zelo com nossas características primordiais como uma cidade jardim no Vale do Itajaí e a displicência com os valores intrínsecos da memória coletiva e afetiva.
Blumenau se constitui entre os morros e os rios, entre manifestações culturais que vão do germânico ao africano, mas que em momento algum abrem mão de sua brasilidade mãe. Nossa leitura tão diversa da cidade de Blumenau não concebe que o poder público, eleito para defender os interesses da comunidade, permita esta atrocidade.
Que se faça cumprir Legislação em execução que garante e obriga a preservação do Patrimônio Histórico e o obrigatório estímulo à Cultura. Que a Secretaria Municipal de Cultura e Relações Institucionais de Blumenau cumpra seu papel, assim como a Câmara de Vereadores e os inúmeros Conselhos aos quais cabe decidir o usufruto do referido espaço no Centro Histórico.
Que seja respeitada a vontade da sociedade Blumenauense que se manifestou tacitamente através do CMPC.
Blumenau, Agosto de 2021.
COLMEIA - Coletivo Laboral Multicultural de Experimentações e Intervenções Artísticas
#forahavandocentrohistórico #blumenau #Cultura #Valorização

Referências

  • ASSIS, Evandro. Aprovação da nova Havan no Centro Histórico de Blumenau está na mira do MPF. NSC Total. 01/08/2021 - 17h00. Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/colunistas/evandro-de-assis/havan-centro-historico-blumenau-na-mira-do-mpf . Acesso em: 01/08/2021 - 18:00h.
  • ASSIS, Evandro. Como virou alvo da Havan um terreno público de Blumenau doado para ser estádio de futebol. NSC Total. 25/05/2021 - 15h05. Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/colunistas/evandro-de-assis/como-virou-alvo-da-havan-um-terreno-publico-de-blumenau-doado-para-ser . Acesso em: 01/08/2021 - 21:00h.
  • ASSIS, Evandro. Operação nos bastidores muda rumo da votação sobre loja da Havan em Blumenau. NSC Total. 27/07/2021 - 18h43. Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/colunistas/evandro-de-assis/operacao-bastidores-muda-rumo-votacao-loja-havan-blumenau?utm_source=WhatsApp&utm_medium=link&utm_content=Santa&utm_campaign=WhatsApp. Acesso em: 28/07/2021 - 22:00h.
  • ASSIS, Evandro. Loja da Havan no Centro Histórico de Blumenau é aprovada por conselho sob protestos. NSC Total. 28/07/2021 - 17h11. Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/colunistas/evandro-de-assis/loja-da-havan-no-centro-historico-de-blumenau-e-aprovada-por-conselho. Acesso em: 28/07/2021 - 22:35h.
  • FRESARD, Francisco. Havan no Centro Histórico de Blumenau restringe a necessária e merecida valorização da área.  28/07/2021. Disponível em: https://pancho.com.br/havan-no-centro-historico-de-blumenau-restringe-a-necessaria-e-merecida-valorizacao-da-area/. Acesso em: 21:06h.
Recebemos convite da Arquiteta Camila Rodrigues da Coordenação do Patrimônio da Prefeitura Municipal de Blumenau, para que contribuíssemos com pareceres técnicos na Reunião, pois a equipe técnica não estava de acordo com o projeto apresentado. 
Aguardamos das 14:00h até as 16:55h, quando solicitamos o acesso. A arquiteta Camila nos passou o link de acesso e vimos uma reunião terminando sem acesso à fala é claro, pois de acordo com legislação deve terminar após 3 horas de duração.
Às 19:00, ao acessar o e mail, vimos um mail da Equipe DPU da Prefeitura com o link de acesso, no lixo eletrônico. Grande mal entendido. 

Um minuto após, lemos nas mídias, que Conselho Municipal retirou projeto da Havan no Centro Histórico de Blumenau de pauta. Não  entendemos nada. 
Segue a matéria de "O Município" assinada pelo jornalista Cristóvão Vieira.
Conselho Municipal retira projeto da Havan no Centro Histórico de Blumenau de pauta - Jornal "O Município"
Edificação seria construída no antigo estádio do BEC
 Cristóvão Vieira. 26/05/2021 17:09
Em reunião virtual realizada na tarde desta quarta-feira, 26 de maio de 2021, o Conselho Municipal do Patrimônio Edificado (Cope) retirou de pauta o projeto inicial apresentado pela empresa de engenharia Guter referente à edificação de uma nova Havan em Blumenau. Foi solicitado, portanto, que a empresa refaça o projeto e reapresente em outra ocasião. A empresa pediu a retirada de pauta, uma vez que as manifestações foram todas contrárias à construção.
O Cope precisou avaliar o projeto devido a esta construção ser prevista em um terreno no Centro Histórico, onde antes era localizado o estádio do Blumenau Esporte Clube (BEC). Antes do Cope, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já havia avaliado a documentação e solicitado alterações.
Em sua maioria, os conselheiros afirmaram que a arquitetura não combinaria com o local, e explicaram também que o projeto pode ser reformulado – levando em conta as características do ambiente e realizando adequações – para aí sim ser reavaliado em outra ocasião.
O fato foi bastante discutido pelos conselheiros. Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SC), subseção de Blumenau, de secretarias do governo municipal, da Associação Empresarial de Blumenau (Acib), Furb e de outras entidades da sociedade civil organizada integraram o debate. A maioria das posições foi a respeito do visual arquitetônico, que não combinaria com o ambiente.
“Não estou sendo romântica, mas é o único espaço no qual ainda podemos dizer: esse é o Centro Histórico de Blumenau. Portanto, sou terminantemente contra”, afirmou a professora e historiadora Sueli Petry durante a apresentação.
Até o fechamento desta reportagem, a Havan não se manifestou a respeito da decisão do conselho.
Iphan já havia rejeitado estátua
Antes do conselho, o Iphan avaliou o projeto. Primeiramente, o Iphan avaliou o impacto visual e ambiental da construção, fazendo solicitações de manutenção da vegetação e, inclusive, negando a presença no local da popular réplica da Estátua da Liberdade, que conta com 50 metros de altura.
“A proposta de construção de um monumento com 50 metros de altura, por sua vez, é inapropriada para o local (a altura equivale a um prédio de 17 andares, muito mais alta do que qualquer construção do entorno). Neste sentido, a altura da estátua pretendida não deverá exceder 15 metros, que é a altura média do prédio já existente nas proximidades”, informa o parecer. Diante deste posicionamento, a Havan abriu mão de ter uma estátua no local.
Outra situação que o Iphan solicitou para a Havan foi que a Igreja Luterana tivesse a vista preservada, ou seja, que a edificação não removesse a visualização da igreja por quem acessa as ruas Pastor Osvaldo Hesse e o início da Oscar Jenichen. Esse ponto também precisou ser reavaliado pelos responsáveis pelo projeto, obtendo a aprovação em sequência, que precisaria ainda passar pelo conselho.

Comentário: 

Nós já comentamos no corpo da postagem, que estranhamos muito o posicionamento do IPHAN, pois em seu conceito de patrimônio cultural, faz abordagem à paisagem. Esta paisagem do Centro Histórico de Blumenau é composta de elementos de uma determinada dimensão volumétrica e o grão da Arquitetura da loja de departamentos é muito maior. 
Outra coisa é a estruturação do centro histórico, que tem como centro de gravidade - a Rua das Palmeiras, totalmente desconsiderada no projeto apresentado, mediante do impacto visual da arquitetura imposta em uma de suas extremidades.
Não somente a arquitetura é desprovida de gosto, mas o "Grão" e o uso do solo, com acessos de veículos, cujo projeto apresentado até aqui contava com o número de 180 vagas de estacionamentos, são impactantes. 
Se há problemas de conflitos no trânsito desta região atualmente, em função do Sul do município, onde está o bairro mais populoso - o Bairro Garcia, como pretendem fazer o acréscimo deste uso com o aumento de trânsito local? 
E o Tabajara, primeira Sociedade de Tiro de Blumenau aceitou ficar aos fundos desta loja de departamentos? O local é um centro consolidado, com a igreja, prefeitura, porto, sociedade, casas residenciais, escola. Com a Havan locada no meio destes, na extremidade da Rua das Palmeiras, será descaracterizado.
Vemos com ressalvas, e observaremos este recuo e retirada do projeto da análise. O projeto não poderá ser executado no Centro Histórico de Blumenau