quarta-feira, 29 de abril de 2026

Iporã do Oeste - Extremo Oeste de Santa Catarina

Iporã do Oeste. Fonte: Wikipédia.

Márcia Philippsen Machado, perguntou-nos de informações sobre Iporã do Oeste. Durante parte de nossa infância, residimos na região deste município e tivemos curiosidade em conhecer mais. 
Firmamos o compromisso de fazermos fotografias no local, em breve. No momento estaremos usando fotografias publicada no Google Earth e do IBGE.

Um pouco de História

Iporã do Oeste é um município localizado no extremo oeste de Santa Catarina, próximo ao munícipio onde passamos parte de nossa infância, São José do Cedro.

Área catarinense/brasileira desmatada e contraste com o território argentino. Fonte: Google Earth.
Fonte: Google Earth.
O original do mapa de 1907 faz parte do acervo do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. Krohberger registrou não apenas vilas, mas a hidrografia (rios e ribeirões) e a orografia (serras e morros) com uma precisão que serviu de base para muitos engenheiros posteriores.
O primeiro nome da povoação foi Pinhal, devido às grandes florestas de pinheiros que existiam em seu território — hoje quase totalmente desmatadas, como tantas outras na região. É possível verificar este fato ao observar imagens do Google Earth, comparando a cobertura vegetal atual com o território vizinho da Argentina.
Ano de 1965 - Fonte IBGE.
Contrapondo a história de Itapiranga, onde a colonização foi promovida por religiosos católicos e famílias de migrantes alemães oriundos do Rio Grande do Sul, Iporã do Oeste recebeu imigrantes luteranos que passaram antes por Itapiranga. Os pioneiros eram descendentes de famílias alemãs, italianas e, em menor proporção, russas e ucranianas.
O fator econômico motivador da imigração foi a extração de madeira, que deixou marcas profundas na paisagem. Posteriormente, consolidou-se a prática da agropecuária de subsistência, com propriedades autossuficientes, assim como ocorreu nas primeiras décadas da história do Vale do Itajaí.

Documento de óbito de filha do pioneiro Wandscheer
As primeiras famílias chegaram ao local em 1926, vindas por Porto Feliz e costeando o Rio das Antas, passando por Lajú e Pirajú até chegar a Pinhal através de uma picada rudimentar. A primeira família a se estabelecer foi a de Cristiano Wandscheer, natural da Holanda e residente em Panambi /RS. Em seguida, chegaram as famílias de Luiz Edvino Klaesner, Eduardo Gustavo Fetter, Walter Horst, Reinoldo Wandscheer (Tinha 11 irmãos e migrou de Cruz Alta), Horacildo Giordani e João Nottar.
De acordo com os documentos encontrados, os migrantes vinham de regiões distintas do Rio Grande do Sul, como Santa Cruz, Panambi, Ijuí, entre outros.
1965 - Fonte: IBGE.



Em 1929, a região recebeu a visita do Governador de Santa Catarina, Adolpho Konder, que incentivou a construção da estrada cordilheira fazendo a ligação entre Porto Feliz e Dionísio Cerqueira, passando por Alto Tigre e São Lourenço
A obra foi concluída até Pinhal, atual Iporã do Oeste, no ano de 1930, sob a direção de Primo Teston.
Iporã do Oeste buscou sua emancipação político-administrativa por décadas. O primeiro processo de emancipação do distrito teve início em 1967, sem sucesso. Houve outras tentativas frustradas devido a um forte movimento de oposição dentro da comunidade, cenário que só se tornou favorável a partir de 1984.
O Distrito de Iporã foi criado pela Lei Municipal nº 3, de 9 de maio de 1956, pertencente ao município de Mondaí. Na divisão territorial de 1960, o distrito ainda figurava como parte de Mondaí, situação que permaneceu até meados da década de 80. Foi elevado à categoria de município, com a denominação de Iporã do Oeste, pela Lei Estadual nº 1.098, de 4 de janeiro de 1988.
1965 - Fonte: IBGE.


Tipologia da casa construída em madeira com a volumetria da casa do descendente do imigrante alemão. 1965 - Fonte: IBGE.
A antiga — e nem tão remota assim — Igreja Matriz de Iporã do Oeste, inaugurada originalmente em 1957, resistiu apenas até o final do século XX. A nova matriz, de estética questionável, foi inaugurada em 2000. Como tentativa de mitigar o descaso com o patrimônio religioso local, uma réplica detalhada foi instalada no jardim da nova edificação.
É evidente que a demolição dessa estrutura, erguida com a técnica construtiva enxaimel, não ocorreu por falta de espaço no terreno. Trata-se da perda de um marco construído com o esforço direto dos pioneiros da região — uma área colonizada majoritariamente por descendentes de alemães e italianos, cuja identidade estava materializada naquela arquitetura.
Igreja inaugura somente em  1957 - Estrutura enxaimel.

Igreja inaugura somente em  1957 - Estrutura enxaimel.

Nova Igreja inaugurada no ano 2000, com réplica da original igreja em madeira construída com estrutura enxaimel no seu jardim. Ela poderia estar originalmente ali ao lado, para eventos especiais.
O município foi oficialmente instalado em 1º de junho de 1989. A execução da lei de criação chegou a ser suspensa por uma medida cautelar até o julgamento definitivo, sendo que, na divisão territorial de 1991, o município já aparecia constituído pelo distrito sede. É uma história muito recente.
De acordo com o Censo do IBGE de 2022, a população é de 9.335 habitantes. A cidade está distante 670 km da capital Florianópolis e comemora seu aniversário em 1º de junho.
O aniversário  da cidade é comemorado em 1º de junho (fundada em 1988).
Bandeira do Município de Iporã do Oeste.

O hino oficial de Iporã do Oeste, letra foi composta por Zenilde Sasso.
Nesta terra de prados e flores de amores,
de fé e liberdade o trabalho e o lazer são um laço
Que num abraço unem campo e cidade.
A araucária, escudo gigante
triunfante e de rara beleza
simboliza este povo que luta
que labuta com garra e nobreza.

Estribilho (2x)

Salve, salve Iporã do Oeste
Salve heróis nossos desbravadores
Com empenho, justiça e trabalho
Implantaram eternos primores.

Etnias raças e cores
São valores sem par deste chão
O folclore, culturas e crenças
São a essência na educação

Tem encostas, planícies e serras
Nesta terra há frio e calor
Água boa e límpidas fontes
São um horizonte de paz e amor.

Estribilho (2x)

Salve, salve Iporã do Oeste
Salve heróis nossos desbravadores
Com empenho, justiça e trabalho
Implantaram eternos primores.

O Hino de Iporá do Oeste:
Alguns pontos focais da cidade:
  • Igreja Matriz São João Berchmans;
  • Museu Municipal Pastor Karl Ramminger;
  • Lassberg;
  • Praça Walmir Bottaro Daniel;
  • Vinhos Copini;
  • Balneário Osvaldo Cruz;
Google Earth.

Google Earth.

Google Earth.
Google Earth.

Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
Angewitt  (You Tube) 
AngelinaWittmann  (Facebook)










"Neu-Westfalen" - Vila do Rio do Testo - Pomerroda - Pomerroder - Pomerode - Qual a origem e a histórica dos nomes da cidade de Pomerode? O que significa Testo?

Mesmo sendo ofical o nome Rio do Testo, os mapas da época apresentavam o nome - Pomerroda - Pomerroder - Pomerode.
Uma questão sempre despertou nossa curiosidade: qual é a origem e o significado do antigo nome da cidade de Pomerode e do nome do principal rio do vale, afluente do Rio Itajaí-Açu"Testo"? Em alguns momentos, chegamos a imaginar que estávamos diante de um erro de grafia a partir da palavra "texto". Fomos investigar.
Depois, nos deparamos com a linda poesia de Rubens Bachmann, que mencionou com emoção: "Pommern no Oder"(no final). Vimos registros dos nomes Pomerroda, Pomerode e também Nova Westfália. Qual é a história de cada um destes nomes?
Vamos  iniciar analisando mapas históricos da região e concluir, também analisando textos históricos.
Qual a história e a origem do nome de "Pomerode"? Qual o significado de "Testo"?
Residência da Família Weber - Testo Central, Pomerode/SC - 2025.



Os Mapas e a história

Observando os mapas históricos - listados a seguir ilustram o nome do lugar físico (povoação) como era conhecido na data em que o mesmo foi desenhado e utilizado. Efetuando a análise dos mesmos, pode-se construir uma conclusão relacionada ao nome da povoação.

Mapa de 1864 
Detalhe do mapa.
O "Mapa da Parte Habitada da Colônia de Blumenau, Sul do Brasil"("Karte des bewohnten Theils der Colonie Blumenau Süd-Brasilien"), de 1864, é um importante documento histórico que retrata a estrutura inicial do povoamento da colônia.
Foi produzido em Hamburg pelo Instituto Geográfico-Litográfico J. Kohler (Geographisch-Lithographischen Institut von J. Kohler). O mapa apresenta o traçado dos lotes coloniais, estreitos e alongados, dispostos ao longo de cursos d'água (como o Rio Itajaí-Açu), o qual estruturou a paisagem urbana de Blumenau até o tempo presente.
O mapa original encontra-se no Arquivo Histórico José Ferreira da Silva, em Blumenau. Na época em que o mapa foi criado (1864), a população da colônia era de aproximadamente 2.400 pessoas.
Nesta data, a região onde atualmente está localizada a centralidade de Pomerode não possuía residentes; havia ocupação somente próximo à foz do Rio do Testo, ilustrado no mapa, mas desprovido de identificação. A colonização do vale do Testo teve início no ano anterior à feitura do mapa, em 1863.

Mapa de 1867



Detalhe do mapa de 1867.
O mapa de 1867 registra o nome da nucleação do Vale do Testo como Pomerroda. Este mapa específico apresenta o assentamento das nucleações alemãs na Província de Santa Catarina e foi compilado e desenhado pelo engenheiro e cartógrafo Heinrich Kreplin (1834–1909). Consta em registro que o mapa foi complementado e publicado por Hermann Blumenau.
A obra mostra uma representação topográfica detalhada das áreas de assentamento alemão no que era então a província de Santa Catarina, incluindo o relevo, os principais rios (especialmente o Itajaí-Açu) e as rotas de transporte. O mapa foi criado durante um período de intensa imigração alemã, que começou em São Pedro de Alcântara em 1828 e foi caracterizado pela fundação de colônias como Blumenau (1850) e Dona Francisca (atual Joinville, 1851).
O trabalho de levantamento topográfico de Kreplin foi crucial para o planejamento urbano de Blumenau, pois ele estabeleceu sua localização no último ponto navegável do rio Itajaí-Açu. Os originais e cópias deste mapa podem ser encontrados no Arquivo Histórico de Blumenau - José Ferreira da Silva.

Mapa de 1874
Detalhe do mapa.
Este registro cartográfico apresenta algo diferente e importante. Este mapa elaborado pelo engenheiro e cartógrafo Emil Odebrecht em 1874 e encontrado na Alemanha, apresenta os afluentes do Rio do Testo com seus nomes; e, geralmente, estes nomes também eram usados nas comunidades e povoações — atualmente dois deles são bairros de Pomerode: Testo Rega e Wunderwald. Ainda consta o nome Pomerroda.
O mapa detalha a organização espacial da colônia em um período de expansão, mostrando a localização da confluência de rios e a formação do Rio Itajaí-Açu.
O original ou cópias autorizadas encontram-se na seção de mapas do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva, em Blumenau.

Mapa de 1905

Detalhe do mapa.
Este mapa, desenhado por José Deeke em 1905, apresenta quatro rios: Rega, Wunderwald, Pomerroda e Testo. Estes, naturalmente, nominariam as povoações dos respectivos vales, fazendo surgir as localidades de Rega, Wunderwald, Pomerroda e Testo.
É neste período que se observa a fixação de nomes de diversas localidades. O registro de Pomerode (ou a manutenção do termo Pomerroda/Rio do Testo) neste mapa ajuda a datar a oficialização das denominações das comunidades. Diferentemente dos mapas puramente topográficos de meados do século XIX, o trabalho de Deeke, em 1905, já evidencia uma rede viária mais robusta e a integração entre os núcleos urbanos e rurais.
O mapa de José Deeke serve como um inventário da ocupação dos lotes e da distribuição das atividades econômicas da época.
Este mapa foi usado pelo engenheiro alemão Phil Wettstein para acrescer dados de sua própria pesquisa, mostrado logo a seguir, e publicado em  seu livro Brasilien und die Deutsch-brasilieniche Kolonie Blumenau.


Mapa de 1905 - Dr. Wettstein

Detalhe do mapa.
O mapa apresentado no livro de Phil Wettstein usou a base do mapa de José Deeke, com acréscimos de informações; o livro foi publicado em 1907, na Alemanha. 
No mapa de Wettstein, concluímos definitivamente que os embriões urbanos surgidos em cada vale, a partir de seus respectivos fluxos de água, receberam o nome destes. Portanto, em 1905, já existiam as comunidades de Rega, Testo Pass, Wunderwald, Pomerroda e Testo.

Mapa de 1905 - "Die Deutsche Kolonie in Südbrasilien"
Também neste mapa feito na Alemanha em 1905, está registrada a povoação no Vale do TestoPomerroda. O mapa intitulado "Die Deutsche Kolonie in Südbrasilien" (A Colônia Alemã no Sul do Brasil) foi produzido pelo cartógrafo alemão Paul Langhans.
O mapa faz parte do "Deutscher Kolonial-Atlas" (Atlas Colonial Alemão), publicado pela Editora Justus Perthes em Gotha, na Alemanha, entre os anos de 1893 e 1897.
Paul Langhans (1867–1952): Foi um geógrafo e cartógrafo alemão, editor-chefe da revista geográfica Petermanns Geographische Mitteilungen. Seu atlas foi o primeiro a mapear de forma sistemática não apenas as colônias oficiais do Império Alemão, mas também os assentamentos alemães no exterior, como os do Sul do Brasil.
A Editora Justus Perthes era reconhecida pela cartografia científica da época, pela extrema precisão e detalhamento de seus mapas.

Detalhe do mapa.
Mapa desenhado por Heinrich Krohberger totalmente à mão, onde está publicado o nome Pomeroda para a povoação do Testo.
Diferente dos mapas impressos na Europa, este mapa foi integralmente desenhado à mão, o que lhe confere um valor histórico e artístico único. Krohberger dedicou cerca de dois anos para concluir o levantamento e o desenho, demonstrando um rigor técnico para a tecnologia da época.
O original faz parte do acervo do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. Krohberger registrou não apenas vilas, mas a hidrografia (rios e ribeirões) e a orografia (serras e morros) com uma precisão que serviu de base para muitos engenheiros posteriores.
Comparação com o Mapa de Paul Langhans (1905): Ao cruzar as suas duas pesquisas, percebe-se um contraste interessante: enquanto o mapa de Langhans (feito na Alemanha) oferece uma visão macro e geopolítica das colônias alemãs no Sul do Brasil, o mapa de Krohberger oferece a visão micro — o olhar do engenheiro que "pisou o chão" e conhecia cada curva dos rios.

Mapa de 1930 - do livro de Odrebrecht

Detalhe do mapa.
Mapa publicado no livro Capítulos da História de Rio do Sul, de Odebrecht. Neste período, a Colônia Blumenau ainda contava com o território próximo ao original, no qual estava o território de Pomerode — já com o nome Pomerode, embora oficialmente fosse Testo.





Mapa da década de 1930 - Menciona as emancipações 

Detalhe do mapa.
Neste mapa que ilustra o território da antiga Colônia Blumenau, exclui o nome da povoação do rio do Testo.

Mapa da década de 1934 - de Hercílio Arthur Oscar Deeke
Hercílio Deeke.
Mapa pós-desmembramentos de 31 municípios do território da antiga Colônia Blumenau – Período no Nacionalismo.
Neste, o território de Blumenau continuou com o território de Pomerode dentro do seu, e era nominada como Pommerode.
O mapa "Die alte und neue Verwaltungsgliederung des Munizips Blumenau" (A antiga e a nova divisão administrativa do município de Blumenau), de 1934, foi elaborado por Hercílio Arthur Oscar Deeke, filho de José Deeke. 
Diferente dos trabalhos técnicos de agrimensura de José Deeke, Hercílio produziu este mapa com um viés histórico-político para documentar o processo de desmembramento territorial do município, que ilustra visualmente o que era o vasto território original de Blumenau (que chegava a ter mais de 10.000 km²) e que foi retalhado para a criação de novos 31 municípios vizinhos. Pommerode ainda pertencia ao seu  território.

História (Resumida) de Pomerode
Pomerode foi uma colônia estrategicamente criada, no caminho entre a Colônia Blumenau e Colônia Dona  Francisca. A colonização começou em 1861-1863, com colonos liderados por Ferdinand Hackradt, inicialmente como parte de Blumenau.
Como ocorria nos traçados de lotes coloniais na Colônia Blumenau — desenho dos primeiros agrimensores e, pode-se dizer, planejamento —, também em Pomerode, que fazia parte desta colônia, os lotes ocupavam os vales, neste caso do Rio do Testo e de seus afluentes. Estes lotes tinham grande profundidade e testada pequena, para que todos os colonos pudessem ter acesso à água, garantindo acessibilidade, irrigação e abastecimento às suas propriedades rurais.
Os primeiros imigrantes a ocupar esta região foram pomeranos. Conta a história, que quem organizou  e incentivou a formação desta colônia foi o fundador da Colônia Blumenau Hermann Blumenau, criando assim, além de um novo núcleo urbano entre as colônias de Blumenau e Dona Francisca, mais um núcleo comercial e consumidor.  Os primeiros imigrantes pomeranos - oriundos da mistura de povos germanos (cristãos convertidos) e eslavos - que povoavam o atual território do norte da Alemanha e parte da Polônia, recebiam lotes, a partir de um primeiro parcelamento do solo, onde cultivavam arroz, batata, fumo, aipim, feijão e criação de rebanhos.
Os Pomeranos, diferente de outros imigrantes alemães vinham da região da Pomerânia, na época um estado independente e depois parte da Prússia, trazendo hábitos próprios.
Pomerode Fundos tem seu nome relacionado a Pommeroda, ribeirão da Pomerânia registrado no mapa de Deeke e de Wettstein (1905), este formado pelos ribeirões Rauffmann e do Saco.

Os nomes

Neu-Westfalen (Nova Vestfália) 

Encontramos em um texto de 1965 a informação de que a povoação primária de Pomerode era conhecida como Nova Vestfália ou, em alemão, Neu-Westfalen.
Capela São Ludgero - Pomerode.
Westfalen (Vestfália, em português) é uma região histórica e geográfica no noroeste da Alemanha, abrangendo áreas como Dortmund e Münster, atualmente parte do estado da Renânia do Norte-Vestfália. Historicamente, é conhecida pelo "Reino da Vestfália" (1807-1813) e pela "Paz de Vestfália" (1648), que moldou o sistema internacional de estados soberanos. Sua localização estava entre o Reno e o Weser, característica área cultural e histórica tradicional da Alemanha — ou do território da atual Alemanha, que não existia antes de 1871.
O responsável por este registro foi o Padre José Maria Jacobs, primeiro vigário de Blumenau e que trabalhava na região, visitando fiéis localizados na comunidade São Ludgero, no Testo Alto, sendo esta a Nova Vestfália (primeira nucleação urbana de Pomerode). De acordo com a fonte, a denominação não foi mais usada, em detrimento do nome do rio: Testo. 

Registros da Catedral São Paulo Apóstolo com redação em português arcaico:

“Em virtude da faculdade que me foi concedida por provisão de 25 de janeiro deste ano, aos 29 de maio de 1877 às 11 horas da manhã benzi o cemitério contorno da capella de São Ludgero, em Nova Westphalia desta freguesia de São Paulo Apóstolo de Blumenau, usando neste acto da fórmula prescipta no Ritual Romano. E para constar fiz este termo que assignei. São Paulo de Blumenau, aos 29 de maio de 1877. Pe. José Maria Jacobs, vigário da freguesia de São Paulo.”

A capela em honra de São Ludgero foi construída em 1871.
Neu-Westfalen
(Nova Vestfália) não foi o nome antigo de toda a cidade de Pomerode, mas sim o nome original de uma das nucleações urbanas que deram origem ao município. Atualmente, essa área corresponde à região de Testo Central e Centro em Pomerode. Curiosamente Testo Central está localizado ao sul da centralidade de Pomerode atual, e a comunidade católica São Ludgero está localizada ao norte desta centralidade.
Concluímos que Neu-Westfalen foi a denominação dada por imigrantes vindos da região da Vestfália (região da atual Alemanha) que se estabeleceram em uma parte específica da colônia por volta de 1860-1870. Antes da emancipação, o nome oficial do distrito administrativo pertencente a Blumenau, que englobava Pomerode, era Rio do Testo.
O nome atual, consolidado na emancipação em 1959, reflete a origem da maioria das famílias pioneiras que povoaram o local, as quais vinham da Pomerânia (Pommern), e não da Vestfália. Portanto, Neu-Westfalen é um nome histórico-geográfico de um núcleo específico dentro de Pomerode, enquanto o nome "mãe" do distrito administrativo era Rio do Testo.


Existia, até 1959, o Distrito de Blumenau chamado Rio do Testo, mesmo que mapas históricos ilustrassem nomes como Pomerroda, Pomenroda, Pommerode ou Pomerode.
Rio Itajaí Açu, a foz do Testo e parte do rio rumo ao norte.
O Rio do Testo nasce na região norte da atual Pomerode e deságua no Rio Itajaí-Açu, no bairro Badenfurt, em Blumenau. O nome está ligado ao ribeirão formado pela união de outros menores, sendo uma área central para os primeiros colonos. O vale do rio tornou-se a espinha dorsal da colônia, com documentos históricos de 1958 referindo-se a ele como Vale do Rio do Testo ou Testense. 

O que significa Testo?

"Testo" não é uma expressão que foi redigida de forma errada, como muitos imaginam, inclusive nós. O termo tem origem em uma expressão indígena, como também pode ter sua origem no latim, trazida pelos imigrantes portugueses.
No contexto da cultura indígena brasileira, refere-se à tampa da panela de barro. Mais do que apenas cobrir, o "testo" é um utensílio fundamental desenvolvido a partir da tradição cerâmica indígena para o preparo de alimentos, funcionando como um abafador que retém o calor e o vapor. 
Utensilio indígena com o testo (tampo).
Relatos históricos e etnográficos sobre os povos indígenas, nativos da região, mencionam o uso de "testo" especificamente para o cozimento de alimentos como a mandioca. Juntamente com a panela de barro, simboliza a herança cultural e a manutenção de técnicas ancestrais de cozinha e cerâmica dos povos nativos, não somente da região, mas do Brasil, principalmente os Tupi-Guarani
Atualmente, no Brasil, também como herança indígena, o "testo" faz parte integrante do conjunto de panelas de barro existente em Goiabeiras (ES), um ofício com mais de 400 anos de tradição indígena (Tupi-Guarani). coincidentemente neste estado há colonização pomerana. 
Encontramos uma publicação na revista Blumenau em Cadernos (Tomo I, nº 11, de 1958), afirmando que o nome "Testo" tem relação com o apetrecho da cozinha indígena — a panela de barro — que os povos indígenas da região conheciam e denominavam assim: "testo".
O termo do latim

O termo também tem origem no latim "testu" e é usado em diversas regiões, também  para descrever o objeto que cobre ou veda um recipiente, como panelas, tachos ou potes. Além da função básica de fechamento.
A origem da expressão "Testo", no caso do nome antigo de Pomerode e também do principal rio, tem tudo para ser indígena, uma vez que, quando os pioneiros chegaram à região, já se depararam com a expressão "testo" em mapas antigos.
O nome já era usado antes mesmo da fundação de Blumenau, a exemplo dos bairros blumenauenses Velha e Garcia. Neste caso, foram nomes dados por pioneiros que chegaram à região antes de 1850. 
Em 1842, Mateus Antônio da Fonseca, Luiz de Moura, José Ramos da Silva, Joaquim da Silva Moreira e Luiz Antonio Pereira requereram 1.500 braças de terras em quadro dentro dos seguintes limites, descritos na respectiva informação da Câmara de Porto Belo:

"No rio Itajaí, acima da colônia daquele lugar (Pocinho e Belchior), da parte do norte, extremando com o Ribeirão da Itupava e pelos lados com terras devolutas, fazendo frente no rio, compreendendo o lugar da Itupava, Salto e Ilha do Testo·". 

A ilha, que ainda se encontra na paisagem na foz do Rio do Testo no Itajaí-Açu, tinha o mesmo nome do afluente — rio que limita os municípios de Jaraguá e Blumenau e forma o vale por onde se estendia o distrito do Rio do Testo, mesmo com a presença de Pommeroda e semelhantes em antigos mapas.
Igreja luterana Testo Alto - Pomerode/SC.
O distrito Rio do Testo, herdado do nome da vila ali existente, se emancipou politicamente de Blumenau, em 21 de janeiro de 1959 e passa a se chamar de "Município de Pomerode", oficializada pela Lei Estadual nº 380 de 19 de dezembro de 1958. O ato presidido pelo juiz de Direito da 1ª. Vara da comarca, Marcilio Medeiros, foi assistido por autoridades administrativas, estaduais e municipais, além do Senador Irineu Bornhausen.
Antes da emancipação, a área era conhecida como Vila de Rio do Testo, elevada à categoria de distrito em 1934. 
Significado do Nome: "Pomerode"

Pomerode deriva de Pommern (Pomerânia) e Rodern (verbo alemão para limpar/tirar tocos da terra para cultivo), evidenciando a história agrícola e o perfil do colono.  Em contrapartida, o pesquisador Rubens Bachmann nos encaminhou um poema, onde faz alusão ao povo que morava junto ao rio alemão Oder, que poderia também assim ser. O poeta diz "Pommer Oder". E por que não?
Lembramos que o Rio Oder foi muito importante para a história da Pomerania, pois o rio foi o elemento geográfico central dessa região histórica. A Pomerania estendia-se ao longo da costa sul do Mar Báltico, e o baixo curso do Oder atravessa o coração dessa área, dividindo-a e servindo como sua principal via de escoamento. 
Percurso do Rio Oder -  com seus 742 km de extensão, nasce na República Checa e flui pela Polônia, antigo território da Pomerania. Atualmente define 187 km da fronteira entre a Alemanha e a Polônia, desaguando na Lagoa de Szczecin, perto do Mar Báltico. 

Antigo mapa da Pomerania.
Rio Oder estruturava antiga Pomerania como o Rio Testo estruturou Pomerode.



Pomerano Pomerodense

Sou descendente
de um povo
uma nação,
que após a guerra
perdeu a pátria.
e fez da Terra,
a pátria de todos
que a perderam
na guerra.
desde então
e dos tempos já idos
do Império Alemão,
onde fui soldado,
lavrador, funileiro,
sempre tive profissão.
nunca fui
Invasor,
nem desertor
ou sem terra.
bandoleiro
arruaceiro ou
saqueador.
na paz
na guerra,
deixei Stettin.
no Oder
do Báltico distante
fui para o mar do Norte.
e de Hamburgo
num veleiro
ao Atlântico.
fui marujo
viajante
no porão.
Cruzei os mares
o equador
do norte ao sul.
aportei na terra
Santa Catarina
do Brasil.
Subi o Itajaí
e o Testo
onde acampei.
Fiz meu roçado
meu rancho
me instalei.
fiz a casa
o clube,a igreja e
a escola.
tirei do baú
a velha concertina.
toquei
dancei, cantei
chorei.
a música
a dança, o canto
a saudade.
para mim
a morte
pros filhos
a dificuldade
pros netos
o pão.
De
 Pomern
No Oder

nasceu
POMERODE!
Sou
BRASILEIRO
POMERANO

POMERODENSE
meu irmão!
Novembro de 2014 — Composição enviada por seu autor para que alguém fizesse uma música e fosse cantada por um coro masculino. Temos esperança de ver isso acontecer um dia.
A cidade celebra sua emancipação anualmente em 21 de janeiro, que deu origem à Festa Pomerana - inspirada na Oktoberfest Blumenau.











Concluindo...

O nome histórico "Testo" já existia antes da chegada dos pomeranos à região. Trata-se de uma expressão de origem tupi-guarani que significa "tampa da panela de barro", sendo este o primeiro nome encontrado em registros históricos.
Com a vinda dos imigrantes alemães, adotou-se outra denominação vinculada à sua história e origem — Pomerânia —, nome que se consolidou após a criação do município em 1959 - Pomerode. No entanto, o principal rio e comunidades locais ainda preservam o nome Testo.
Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
Angewitt  (You Tube) 
AngelinaWittmann  (Facebook)
Referências
  • ODEBRECHT, Rolf. Cartas de família :ensaio biográfico de Emil Odebrecht e ensaio biográfico de seu filho Oswaldo Odebrecht Sênior /Rolf Odebrecht, Renate Sybille Odebrecht; [transcrição das cartas, da letra gótica para a latina: Emílio Odebrecht ; traduções: Renate Sybille Odebrecht e Christiane Odebrecht Rupp]. -Blumenau :Ed. do Autor, 2006. - 574 p. :il.
  • WETTSTEIN, Phil. Brasilien und die Deutsch-brasilieniche Kolonie Blumenau. Leipzig, Verlag von Friedrich Engelmann, 1907.
  • EHLERT, João. Rio do Testo. Blumenau em Cadernos, Tomo 1, N°12, Blumenau,1958.
  • RADUENZ, Genemir; KLEMANN, Edson; STRELOW, Johan Ditmar; WERLING, Claudio. Uma família de origem Pomerana - Ehlert. Testo Notícias - 29 Agosto 2020. Disponível em: http://www.testonoticias.com.br/geral/uma-fam%C3%ADlia-de-origem-pomerana-ehlert-1.2255215. Acessado em: 04/02/2021 - 18:06h.
  • SILVA, José Ferreira da. História de Blumenau. 2.ed. - Blumenau : Fundação "Casa Dr. Blumenau", 1988. - 299 p.
Leituras Complementares - Para ler: Clicar sobre o título escolhido.
  1. O "Alemão" de Pomerode
  2. Pomerode - Um pouco de História
  3. Cemitério VI - Cemitério da Comunidade Testo Alto - Pomerode SC
  4. Uma volta em Pomerode
  5. Greifswald - Cidade co irmã de Pomerode (Cidade Pomerana)
  6. Nacionalismo no Vale do Itajaí - a partir do Governo de Getúlio Vargas
  7. Como será o Traje da Realeza da Festa Pomerana 2017?
  8. História...Hino da Prússia e um pouco de sua História
  9. História - Prússia e Alemanha
  10. Legado Hermann Weege - Pomerode
  11. Colônia Blumenau - História das famílias dos imigrantes
  12. Cia Jensen - Pedaços de História de Blumenau
  13. Colônia Blumenau - Final do Século XIX - Fotografia
  14. Wandschoner - Panos de Parede
  15. Voluntários da Pátria - Imigrante alemães da Colônia Blumenau
  16. Refletindo...Cultura e o idioma alemão
  17. Proclamação da República do Brasil - Golpe Militar