terça-feira, 24 de março de 2026

Banda Municipal de Blumenau - Fundada por Franz Baumgart - 64 Anos

A Banda Municipal de Blumenau - recém fundada - década de 1960.
A fundação da Banda Municipal de Blumenau é uma consequência da cultura local e de seu comprometimento com a música. É, também, o resultado da ação de homens dedicados à arte, como o foram Franz Baumgart — seu fundador e professor de Rikobert Döring.
A música sempre fez parte do cotidiano dos pioneiros que colonizaram a região do Vale do Itajaí, tanto alemães quanto italianos. A Colônia Blumenau — e, posteriormente, a cidade de Blumenau e os mais de 31 municípios desmembrados de seu território após a década de 1930 — sempre teve, em seu âmbito cultural, a forte presença da música cantada, coral e instrumental.
O Coro Masculino Liederkranz é um exemplo vivo disso. Originado há mais de 110 anos por iniciativa do jornalista, professor, tradutor, compositor, escritor e cantor Rudolf Damm.
Os primeiros imigrantes que chegavam à região traziam, em sua bagagem, ao menos um instrumento musical. Até os dias de hoje, nas cidades de origem desses pioneiros, a música permanece como parte essencial da educação primária.
Rio do Sul - Colônia Blumenau.

Rio do Sul - Colônia Blumenau.

Músicos: Fretz Lieskow, Oswald Lieskow, Hermann Struck, Wilhelm Mohr e Hermann Marquardt. Festa de Atiradores Gute Brüderschaft (Sociedade de Atiradores Boa Irmandade - atual Clube de Caça e Tiro XV de Novembro) de Testo Alto, Pomerode. Em 17 de janeiro de 1931, território de Blumenau. Acervo: Museu Pomerano.

Lorival Siewert, Ivo Maske, Wilfried Gustmann, Reno Maske, Irin Lindemann, Mário Lindemann e Waldir Briese. Acervo Museu Pomerano - Pomerode. 1964.

Musikkapelle Rüdiger  ou   Rudigeskapelle, Blumenau - Fonte Fundação Cultural de Blumenau.

A banda mais antiga de Blumenau e que toca até os dias atuais- Banda Cruzeiro.
Mesmo com toda essa movimentação musical no seio das famílias, sociedades e igrejas, Blumenau levou mais de 100 anos para possuir uma banda municipal — iniciativa materializada por Franz Baumgart. É uma história que encontramos durante a pesquisa sobre a Banda Municipal de Blumenau, em 2016, e também em 2023, sobre a biografia de Rikobert Döring.
Encontramos a dimensão de seus feitos em um artigo assinado pela pesquisadora Edith Kormann, publicado na revista Blumenau em Cadernos.
Único e importante registro feito no presente artigo, mencionando os feitos de Francisco Baumgart, ou Chico, ou ainda, Franz.
Theater Frohsinn - Blumenau.
Franz Baumgart
, fundador da Banda Municipal de Blumenau, tinha 28 anos e 8 anos de casado, em 1925, quando se mudou com sua família para Blumenau. Fixaram residência no bairro da Velha, onde ele, de fabricante de tamancos, passou a ser sapateiro, intercalando essa atividade com a de músico. Não demorou muito e foi contratado na Empresa Industrial Garcia, onde também foi convidado para dirigir a banda da empresa fundada por Heinrich Schreiber. Franz formou, também, um conjunto com Curt Winkler e Eugen Seelbach (este, um dos fundadores do Coro Masculino Liederkranz em 1909). O conjunto tocava no Theater Frohsinn e, quando este foi demolido, passaram a tocar no Hotel Seifert (local do Edifício Catarinense.
Um pouco antes da 2ª Guerra Mundial, Franz foi proprietário de um bar na Rua São Paulo, quando foi convidado por Gustav Fröhlich  auxiliá-lo em uma banda.
Os ensaios da banda eram realizados no bar, o que não durou muito diante dos reflexos do Nacionalismo e do rompimento de relações entre Brasil e Alemanha, fazendo com que Franz fechasse o estabelecimento. Foi um tempo duro, pois não possuía ganhos, até que surgiu o convite de Afonso Moreira para tocar no "Jazz Garcia". Nesse tempo de guerra, os alemães necessitavam de salvo-conduto para se apresentarem em outras cidades. Franz não o tinha. Tal documento foi providenciado por Afonso Moreira e, assim, Franz pôde trabalhar e sustentar a família com a música até 1945, final da guerra, ocasião em que Afonso Moreira se mudou para o Rio de Janeiro com o objetivo de ganhar mais com seu trabalho.
De 1945 até 1946, Franz tocou no conjunto de Carl Zachner, até que sofreu um acidente no palco e ficou impossibilitado de tocar bandoneon. Franz tocou violino com Manoel C. S. Krieger e trombone com Eugen Seelbach (fundador do Coro Masculino Liederkranz). Também participou do grupo de músicos regidos pelo Maestro Heinz Gayer na Orquestra da Sociedade Dramático-Musical Carlos Gomes.
No Teatro Carlos Gomes Coral e Orquestre sob Regência de Hans Geyer.
Franz Baumgart também foi professor de música no Conservatório de Música Curt Hering, onde estudou o jovem de 16 anos Rikobert Döring, aluno de Franz Baumgart.
Em 23 de janeiro de 1953, Franz foi indicado para ser dirigente técnico de canto, música e teatro da Recreativa e Cultural Lyra. Quando Franz saiu do conservatório, fundou o Studio Musical Universal, no mesmo prédio da Casa Willy Sievert. Também formou o Conjunto Musical do Studio Universal. No conjunto musical participaram Rikobert Döring, Domenico Junkes, Heinrich Schlingmann, Alfred Baumgart (filho de Franz), Claudionor Lorenzo, A. Karsten e Kaltenbach. Também participaram do Conjunto Studio Musical Universal Penzlien, Struck e Waldemar Felski. 
A ideia de Fundar a Banda Municipal de Blumenau e sua efetivação

Em 1962, Franz Baumgart foi até o prefeito Hercílio Deeke com a proposta de criar a Banda Municipal de Blumenau, da qual recebeu total apoio, sendo também convidado a formá-la e dirigi-la.
Com isso, em 21 de março de 1962, através do Decreto nº 412, foi fundada a Banda Municipal de Blumenau, com o objetivo de apresentar-se em concertos de música clássica e popular — nos espaços públicos da cidade e auditórios — e, também, fomentar e viabilizar o aprendizado musical e a formação de músicos na cidade e região.


Atualmente, a banda é formada por 21 músicos que tocam instrumentos como bateria, percussão, clarinete, saxofone, bombardino, trompete, trombone e baixo. O regente é João Carlos Cunico.
A Banda Municipal de Blumenau abrilhanta momentos de solenidades da Prefeitura Municipal de Blumenau e solenidades públicas, como também eventos particulares — a exemplo de formaturas, inaugurações e desfiles. No seu site oficial, encontra-se o telefone para contato. Percebemos que o único concerto da Banda Municipal de Blumenau, de fato, acontece na data de seu aniversário, de maneira festiva.
A banda também toca na Oktoberfest Blumenau sob o nome de Stadtkapelle — uma homenagem ao local do Stadtplatz da Colônia Blumenau. Apresentam-se na festa com uma formação de big band, com vocais femininos e masculinos.







Em outubro de 2017, a Banda Municipal de Blumenau recebeu o renomado compositor alemão Norbert Gälle e sua esposa Alex Gälle.

Recebemos o convite e conversamos com a musicista da Banda Municipal de Blumenau, Carla Simas, sobre a música de Blumenau — durante a Semana da Imigração Alemã — em 22 de julho de 2020.
Que tipo de música é tocada em Blumenau
Qual seria o perfil da música de Blumenau, diferenciando-a de qualquer outra cidade brasileira que, como tantas outras do Vale do Itajaí, foi fundada por imigrantes alemães e também italianos? 
Qual foi a herança dos pioneiros alemães?
Foi uma boa oportunidade para refletir sobre a cultura local, totalmente diferente daquela da cidade onde nasci, que não tem samba e nem polka. 
Assim é o Brasil multicultural. 
A conversa foi realizada on-line, a partir da plataforma do Instagram.







A Banda Municipal de Blumenau comemora seu 64º aniversário em três datas distintas. A primeira já aconteceu no dia 22, às 16h, no Coreto de Páscoa da Vila Germânica. Os próximos encontros acontecerão, igualmente na Vila Germânica, n mesmo espaço, nos dias 8 e 12 de abril, às 19h30 e às 16h15, respectivamente. 
Estaremos presentes para registrar para a história.

Um registro para a História.

Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
Angewitt  (You Tube) 
AngelinaWittmann  (Facebook)









Musik in der Nacht mit Rikobert Döring - Familie und Band

Guten Abend Freund
Um pouco de música na noite.










Bis Morgen

Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
Angewitt  (You Tube) 
AngelinaWittmann  (Facebook)














Leopold Weishaupt - Pioneiro da Lista de Moradores da Colônia Blumenau em 1869 - Qual foi seu paradeiro?

Em 14 de fevereiro de 2026, publicamos neste espaço a Lista dos moradores da Colônia Blumenau em 1869. No dia 20 de março, Sérgio Cunha compartilhava conosco que seu antepassado, Leopold Weishaupt, constava na lista; no entanto, a família nada sabe de seu paradeiro e história. 
Onde foi morar e qual a família de Leopold Weishaupt, também chamado de Leopoldo?
Boa tarde Angelina. Você publicou a lista dos moradores de Blumenau de 1869, certo? O nome do meu trisavô consta dessa lista. Fiquei muito feliz em saber. [...]. Maria Madalena Weishaupt (solteira) Ortunio (casada), minha bisavó e avó, Maria Apolonia Ortunio (solteira) dos Santos (casada), avó. Sérgio Cunha - 20 de março de 2026.
A família pioneira, antepassados de Leopold Weishaupt era católica e formada por seis pessoas. Nesta época, 1869, na Colônia Blumenau, as famílias católicas eram poucas, e seus registros não eram realizados como se faziam na Igreja Luterana — geralmente completos e feitos junto às comunidades da igreja, o que preservava muito mais informações históricas.
Região, em 1864, onde estavam localizadas as famílias mencionadas na "Lista", entre elas a "Família Weishaupt".




De acordo com a "Lista", os Weishaupt residiam na "Estrada do Ribeirão Itoupava para o Rio do Testo", antiga estrada que conectava a região do Ribeirão da Itoupava (Itoupava Central/Vila Itoupava) em direção ao Rio do Testo (Pomerode), trajeto histórico da atual Frederico Jensen e adjacências. Esta rota era essencial para a ligação entre a colônia de Blumenau e as áreas de expansão em direção a Pomerode, sem a necessidade de deslocamento até o Rio Itajaí-Açu e a foz do Testo.
Neste período, a região onde supostamente estava instalada a família — parte da Itoupavazinha — caracterizava-se predominantemente por imigrantes de religião evangélico-luterana. No entanto, a exemplo da família Weishaupt, havia a presença de católicos, mas não por muito tempo. Registros genealógicos mostram que a família mudou-se para a região de Gaspar após 1869 — talvez porque lá estivesse instalada, até então, a principal comunidade religiosa católica da região. Os primeiros católicos de Blumenau frequentavam uma capelinha existente em Belchior. Dez anos depois, construíram na sede da Colônia Blumenau — no mesmo local da atual Catedral — uma capelinha de ripas com cobertura de folhas de palmito. A capelinha foi inaugurada no dia 25 de janeiro de 1865, com uma missa celebrada pelo Padre Alberto Francisco Gattone (1834–1901), vigário da freguesia de São Paulo Apóstolo de Gaspar.
Foi somente em 31 de julho de 1873 que o Governo Provincial sancionou a Lei nº 694, criando a Freguesia de Blumenau sob a invocação de São Paulo Apóstolo. Naquele período, foi construída uma nova igreja para que Hermann Blumenau obtivesse sucesso na tramitação necessária para a elevação da colônia à categoria de Município.
A família pioneira de Sérgio Cunha era composta por Leopold Weishaupt, sua esposa Louise Kunz e quatro filhos do casal (de um total de seis), todos nascidos no território da atual Alemanha. Não há registros precisos de quais dos seis filhos migraram para o Brasil com os pais.
Filhos:
  1. Helena Maria Magdalena Weishaupt (1856– ) - Viveu no Brasil.
  2. Anton Weishaupt (1858–1858).
  3. Marianna Weishaupt (1859–1939) - Viveu no Brasil.
  4. Catarina Weishampt (1860–1934) - Viveu no Brasil.
  5. Helena Weishaupt (1862–1862).
  6. Caecilia Weishaupt (1863– ) - Viveu no Brasil. 
Comentário:
Schöllbronn, Bezirksamt Ettlingen, Baden.

O nome correto da família é "Weisshaupt" ou "Weißhaupt", que era escrito com o "Eszett"  (ß - letra que substitui dois "s" (ss) em textos alemães ou scharfes S (s forte)), como é encontrado em alguns registros. Percebe-se que o mais usual é Weishaupt, de repente transformado, na leitura da letra grega, para um "S" somente. Assim denominaremos neste texto

A filha mais velha de Leopold e de Louise, nascida em Schöllbronn, Bezirksamt Ettlingen, Baden, Alemanha — batizada no dia 19 de outubro de 1862, embora tenha nascido em 1856 —, era a bisavó de Sérgio Cunha e nunca saiu da região, onde foi sepultada, o que não aconteceu com os demais familiares.
Helena Maria Magdalena Weishaupt casou-se duas vezes. Seu primeiro matrimônio foi com Friedrich Wilhelm Schramm (nascido em 1855, em Gerresheim, Düsseldorf, Rhineland, Prússia), realizado em 20 de outubro de 1877, na Igreja Matriz de Gaspar, São Pedro Apóstolo (instalada em 1861).
Local do casamento de Helena Maria Magdalena Weishaupt e de Friedrich Wilhelm Schramm.
Friedrich — é, na língua portuguesa, Frederico.
Terceiro filho de  Helene Maria e Friedrich.
O casal Helena Maria Magdalena Weishaupt e Friedrich Wilhelm Schramm  teve 4 filhos. São eles:
  • Francisco Leopoldo Schramm (1878–1936);
  • Maria Amelia Schramm (1880– -);
  • Bruno Luiz Schramm (1882–1951);
  • Leopoldo Frederico Schramm (1887–1940).
Uma década após o casamento com Schramm, em 30 de maio de 1887, Helena Maria Magdalena Weishaupt casou-se com Vicente Pedro Ortunho, nascido em 18 de junho de 1839, em Porto Belo, SC. Ortunho era 16 anos mais velho que o primeiro marido de Helena Maria Magdalena, Friedrich Wilhelm Schramm. Ortunho fora casado, em primeiras núpcias, com Maria Rosa de Jesus, de Porto Belo (em 13 de novembro de 1869), com quem teve 8 filhos. Maria Rosa faleceu após o casamento de Helene Maria Magdalena e Vicente Pedro, 18 de janeiro de 1894, o que deduz-se que eram separados. 
O casal Helena Maria Magdalena e Vicente Pedro tiveram 7 filhos. São eles:
  • José Vicente Ortunio (1888– - ) - nasceu em Gaspar SC;
  • Candida Maria Ortunho (1890– - ) - nasceu em Gaspar SC;
  • Luiza Maria Ortunio (1891– - ) - nasceu em Gaspar SC;
  • Pedro Vicente Ortunio (1894–1940) - nasceu em Gaspar SC;
  • Maria Apolonia Ortunio (1896–1959) - nasceu em Gaspar SC;
  • João Ortunio (1896–1972) - nasceu em Gaspar SC;
  • Anna Ortunio (1899– -)  - nasceu em Blumenau SC.
A avó de Sérgio Cunha foi Maria Apolonia Ortunho, nascida em 17 de novembro de 1896, em Gaspar. Casou-se em 14 de fevereiro de 1920 com José Fernando dos Santos.
Batizado de Maria Apolonia Ortunio.
Concluímos que a bisavó de Sérgio Cunha, Helena Maria Magdalena Weishaupt, e seus descendentes — a partir de dois casamentos (Schramm e Ortunio) de todos os filhos do pioneiro da "Lista de moradores de Blumenau de 1869", Leopold Weishaupt — foi a única que permaneceu residindo na região, mais precisamente em Gaspar, o resto desta família pioneiro mudou-se para São Paulo e de alguma maneira perderam o contato.

São Paulo

Leopold Weishaupt  mudou-se para São Paulo, e foi quando não mais houve registros de si e de seus familiares na região. A partir de documentos dos filhos, observamos que residiram, também, em outras regiões do Brasil, antes de se fixarem de maneira definitiva em São Paulo.
Demais filhos do pioneiro:

Anton Weisshaupt 1858–1858

Faleceu com um mês e foi sepultado em  março de 1858 em Schöllbronn, Bezirksamt Ettlingen, Baden, Alemanha.

Marianna Weishaupt 1859–1939

Nasceu em 1859, em  Schöllbronn, Bezirksamt Ettlingen, Baden, Alemanha onde foi batizada em 13 de março de 1859. Faleceu com 80 anos de idade, em São Paulo em 21 de abril de 1939, onde foi sepultada.

Catarina Weishampt  1860 – 1934

Nasceu em aproximadamente 1860, Schöllbronn, Bezirksamt Ettlingen, Baden, Alemanha, onde foi batizada em 4 de fevereiro de 1861. Faleceu em 11 de janeiro de 1934, na Vila Mariana, São Paulo, São Paulo.
Helena Weishaupt 1862 – 1862

Nasceu em  1862, Schöllbronn, Bezirksamt Ettlingen, Baden, Alemanha, onde foi batizada em 19 de outubro de 1862. Faleceu logo após o nascimento e foi sepultada, na mesma cidade, em 31 de outubro de 1862.

Caecilia Weishaupt  1863 - -

Nasceu em 22 de novembro de 1863 em Schöllbronn, Bezirksamt Ettlingen, Baden, Alemanha, onde também foi batizada. Sabendo que o casal pioneiro migrou com 4 filhos, pode-se dizer que Caecilia Weishaupt  também morou no Brasil.

Leopold Weishaupt

Faleceu com 81 anos de idade, em 30  de junho de 1912, no bairro de Vila Mariana, São Paulo, São Paulo. Residia com a filha Catarina.
Leopold Weishaupt migrou para o Brasil com quatro de seus seis filhos e sua esposa, Louise (Kunz) Weishaupt, sendo que dois faleceram na Alemanha antes da migração. Era uma família católica e, com isso, mudaram-se da comunidade onde foram registrados na "lista de moradores em 1869" para Gaspar, onde estava a Igreja São Pedro Apóstolo, instalada em 1861. Em uma determinada data, por algum motivo, mudou-se com a família — exceto a filha mais velha, bisavó de Sérgio Cunha, Helena Maria Magdalena Weishaupt — para São Paulo, onde viveu o resto de seus dias.

Este artigo ficará "aberto" para receber mais informações desta história e, principalmente, fotografias.

Um registro para a História.

Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
Angewitt  (You Tube) 
AngelinaWittmann  (Facebook)





domingo, 22 de março de 2026

Rikobert Döring (Rigo) — Seu legado para Blumenau e região (5 de julho de 1932 — † 21 de março de 2026)

Rikobert Döring (1932-2026).

Rikobert Döring nasceu na localidade de Mulde Central, município de Timbó, Santa Catarina, em 5 de julho de 1932. Seus pais foram Hermann Döring, nascido em 28 de janeiro de 1910, e Ida Döring, nascida em 9 de fevereiro de 1911.


Quando Rikobert Döring contava com 16 anos de idade, não hesitou em trocar sua bicicleta por um acordeom.
Em Blumenau, estudou música com Franz Baumgart, no conservatório de Música Curt Hering, localizado no Teatro Carlos Gomes.
Conjunto Musical do Stúdio Universal.
Franz Baumgart lançou Rikobert Döring quando, ao sair do Conservatório, fundou o Stúdio Universal, que funcionava no mesmo prédio da Casa Willy Sievert. Ali, formou o Conjunto Musical do Stúdio Universal, cuja primeira apresentação ocorreu em 8 de janeiro de 1955, no baile da Sociedade Recreativa e Cultural Lyra Salão Paulo Fischer.
Rikobert Döring
estreou tocando um acordeom da marca Scandalli em 1955; portanto, há mais de 70 anos. Em 18 de abril de 1965, Rikobert fundou o conjunto musical "Rigo e seu Conjunto", que utilizou como base o grupo de Baumgart após a saída deste. "Rigo" é o apelido de Rikobert.
"Rigo e seu Conjunto" tinha a seguinte formação:
  • Rikobert Döring;
  • Sérgio Max Rabitz;
  • Domenicos Junkes;
  • Esnard Oliveira;
  • Abel Evaristo;
  • Luiz Berti Neto;
  • Perfeito de Aguiar.

Em 1962, o companheiro de Rikobert Döring, Franz Baumgart foi até o prefeito Hercílio Deeke com a proposta de criar a Banda Municipal de Blumenau. Não somente recebeu total apoio, como também foi convidado a formá-la e dirigi-la e fez parte desta formação, também Rikobert Döring.
Em 10 de maio de 1967, Rikobert Döring adquiriu de Osni Sievert um acordeom Frascatti com 120 baixos. Em março de 1969, sua banda adquiriu um Giannini. Em 2 de julho de 1969, passaram a tocar no Restaurante Frohsinn, momento em que surgiu o Quarteto Frohsinn, formado por Rikobert, Franz Baumgart, Sérgio Rabitz e Perfeito de Aguiar. Em agosto de 1969, Franz Baumgart saiu, sendo substituído por Luiz Berti Neto. 
Em fevereiro de 1971, o Restaurante Frohsinn contratou o cantor Vilmar, que se juntou ao quarteto; as apresentações seguiram até 30 de março de 1973. 
Em 10 de abril de 1973, o conjunto passou a tocar no Restaurante Cavalinho Branco — ou Im Weißen Rössl (No Cavalo Branco) —, nome inspirado em uma opereta muito famosa na Alemanha, segundo Marga Holtzmann Nunes. O restaurante pertencia a Antônio Pedro Nunes e Marga Holtzmann Nunes, que contrataram a banda após restaurarem a edificação, originalmente idealizada para ser uma maternidade,  a Johannastift. 

Rokobert Döring contando um pouquinho desta história.

Toda essa mudança na banda de Rikobert Döring resultou no primeiro LP (Long Play), intitulado "Conjunto Típico Cavalinho Branco", lançado em 10 de julho de 1978.
Nesse período, a banda era formada pelos seguintes integrantes:
  • Rikobert Döring;
  • Marcos Döring;
  • Marcos Novaski;
  • Perfeito de Aguiar.
Em 3 de novembro de 1979, a banda de Riko começou a tocar na frente do Castelinho da Casa Moellmann.
Foi em 21 de março de 1981 que realmente oficializaram o nome da banda como Banda Musical Cavalinho Branco Ltda., mesmo que não mais se apresentassem no "Restaurante Cavalinho Branco" ou "Im Weißen Rössl", que também não mais pertencia aos Nunes. Nesse período, ocorreu o retorno de Marcos Novaski, que havia deixado o grupo em 1979.
A formação da então Banda Musical Cavalinho Branco Ltda. recém-formada era:
  • Rikobert Döring;
  • Marcos Döring;
  • Marcos Novaski;
  • Perfeito de Aguiar — que esteve ao lado de Rikobert desde o início de seu trabalho;
  • Osni Sievert;
  • Luiz C. de Aguiar (que em outubro de 1983 foi substituído por Silvio Luiz Capelani);
  • Posteriormente, Lino Vieira.
A banda de Rikobert Döring gravou quatro LPs (discos). São eles:
  • No Cavalinho Branco;
  • Conjunto Típico Cavalinho Branco;
  • 2X Banda Cavalinho Branco
Trabalho de 1986
Vídeo - Disco de 1986
Lado A
Lado B
Trabalho de 1987
Vídeo - Disco de 1987
Lado A
Lado B
Rikobert Döring
também compôs músicas que foram gravadas nos discos, como "3 de Julho" e o arranjo novo para "Seerosen". No segundo disco, compôs a marcha "Rigo’s Marsch", o novo arranjo para "Muss i denn" e para "Auf Wiedersehen". No terceiro LP, compôs a marcha "A banda já chegou" e, no quarto, as composições "Eu sou de Blumenau" e "Cheguei", além dos novos arranjos para a valsa "São Paulo" e "Não vamos para casa".
Rikobert Döring, no início da década de 1960, foi regente de parte dos coralistas que saíram do Carlos Gomes e permaneceram no Clube Concórdia, quando os demais (a maioria e o nome) migraram para o C.C. 25 de Julho de Blumenau, dando continuidade à centenária história do Coro Masculino Liederkranz, temporariamente encampado pelo Carlos Gomes.
Rikobert Döring
também foi maestro. Dirigiu o Coro Misto da Sociedade Recreativa e Cultural Lyra, o Coro Masculino e Infantil do Clube de Caça e Tiro Concórdia (parte do Coro Masculino Liederkranz que não migrou para o C.C. 25 de Julho de Blumenau) e o Coro Misto da Água Verde. Para se tornar regente, Rikobert fez um curso de regência de corais em Linha Brasil — em Nova Petrópolis (RS) —, patrocinado e incentivado pelo C.C. 25 de Julho de Blumenau.
Como já mencionado, em ordem cronológica, Franz Baumgart fundou a Banda Municipal de Blumenau e convidou Rikobert Döring para ser seu contramestre. Também foi professor de música e de alguns instrumentos em sua residência, tendo até 65 alunos mensais.
Rikobert Döring também foi Delegado da Ordem dos Músicos do Brasil em Blumenau, com jurisdição de Ilhota até Subida, e também presidente do Conselho Fiscal do Sindicato dos Músicos Profissionais de Blumenau.
Homenagem Oktoberfest 2010

Homenagem no Show dos Velhos CamaradasOktoberfest Blumenau 2012 — pelo Coro Masculino Liederkranz, em 24 de outubro de 2012.
Maestro José Carlos Oechsler e Rikobert Döring.
Ainda em 2012, na edição da Oktoberfest Blumenau 2012 - Música do Restaurante do Setor 2.
Em 2015, Rikobert Döring com a família tocando na Vila Germânica.
Na Oktoberfest Blumenau 2016, Rikobert Döring voltou aos palcos com o Rigo's Stern, formado por ele, seu filho Marciel Döring e Elisiana Klabunde.
E também na Oktoberfest Blumenau 2016, Rikobert Döring participou da abertura oficial da edição da Oktoberfest Blumenau, a convite do Secretário de Turismo de Blumenau, Ricardo Stodieck.

No palco da abertura do Oktoberfest Blumenau 2016 - Ricardo Stodieck, Secretário de Turismo, homenageou Rikobert Döring.
Capa do terceiro disco do Cavalinho Branco, Com Rikobert Döring e Ricardo Stodieck na capa.
Na Oktoberfest Blumenau 2017,  em 8 de outubro de 2017, também teve a presença do Grupo  Rigo's Stern, com a presença de Rikobert Döring (Rigo) e Lilian Döring.

E não poderia ser diferente: Rikobert fazia parte de grupos amadores de música que se encontravam em saraus, como este, por exemplo, na companhia da Frau Scheltzke. É um hábito e parte da cultura regional e local que está se perdendo no convívio familiar: o sarau musical que também abria espaço para amigos.
Testemunhamos esta prática dentro da casa de Margarida Scheltzke — também um ícone da cultura local da cidade de Blumenau. Esta gravação conta com a presença de:
Margarida Scheltzke, sua filha Gertrudes e seu filho Klaus Scheltzke;
Da cantora de coral do C.C. 25 de Julho de Blumenau, Carmem;
Do cantor Alfredo Schossland e de sua mãe, Friderike;
E de Rikobert Döring.
Registramos para a História.
Registramos Rikobert Döring, também na festa de comemoração de 50 anos da Banda que fundo, a Banda Cavalinho  Branco - atual Cavalinho , em 23 de agosto de 2023.
Silvio Luiz Capelani e Rikobert Döring - 23 de agosto de 2023.
Rikobert Döring, 2023.

Rikobert Döring se casou com Lilian Döring em 25 de maio de 1955, com quem ficou casado por 70 anos. O casal teve dois filhos, também músicos: Marcos Döring e Marciel Döring. 
Lilian faleceu em 5 de aneiro de 2026.
Registros para a História











Rikobert Döring faleceu na tarde de 21 de março de 2026, deixando um legado imensurável para a história da música regional. Nossa solidariedade aos familiares e amigos próximos 
O velório ocorre na Capela Mortuária do Cemitério da Rua João Pessoa, a partir de 0h00, e a cerimônia de despedida acontecerá às 14h30, do dia 22 de março de 2026.
Em construção...

Um registro para a História.

Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
Angewitt  (You Tube) 
AngelinaWittmann  (Facebook)