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| Há uma imagem por aí — criada a partir desta corrigida pela IA — em que ele parece bem mais velho do que a esposa; no entanto, nasceram no mesmo ano. Portanto, essa restauração da imagem foge muito da realidade. |
"Bom dia, que reportagem maravilhosa! Estava à procura de outro Ferdinand, meu tataravô, onde muitos fizeram confusão, confundindo-os. Com essa história podemos distinguir muito bem os dois. Seria maravilhoso que um dia pudesse fazer um estudo sobre o nosso Ferdinand Ludwig Albert Hackbarth, pois não tenho esse conhecimento seu e nem estudo para isso, onde as pesquisas ficam muito restritas, para o povo comum. Meu tataravô também foi muito importante para Pomerode, pelas informações que já consegui. Foi considerado por alguns pesquisadores, como o primeiro professor de Pomerode, mas poucos papéis comprovam essa realidade, talvez pelo período de era Vargas, onde muita coisa foi perdida, escondida ou mesmo queimada. Fica meu pedido para você e agradeço se puder ajudar, já temos certidão de casamento dele lá da Alemanha, mas só isso, estamos atrás da certidão de nascimento pra conferir o nome dos pais."
Nós ficamos curiosos em saber mais sobre a segunda personalidade, que é confundida com a primeira — esta muito conhecida na história local. De acordo com o registro do Pioneiro Colônia Blumenau, sua família era grande quando chegou à região.
Quem foi Ferdinand Ludwig Albert Hackbarth?

Ferdinand Ludwig Albert Hackbarth foi um dos imigrantes de origem germânica que se estabeleceram na Colônia Blumenau na segunda metade do século XIX. Ainda não existia a Alemanha como nação.
Ferdinand nasceu em 6 de março de 1830 em Latzig, na região da Pomerânia (Pommern), que na época pertencia ao Reino da Prússia e atualmente faz parte do território da Polônia, visto que a antiga vila alemã, após a 2ª Guerra Mundial, passou a integrar a Polônia, sendo rebatizada como Laski (no condado de Białogard)
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| Latzig/Laski. |
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| Cidade que nasceu Ferdinand Ludwig Albert Hackbarth. |
Os Hackbarth's chegaram à Colônia Blumenau em 6 de agosto de 1869 com sua esposa, Johanna Caroline (Ziebell) Hackbarth, com quem se casara em 16 de maio de 1852, na Prússia-Pomerânia — 17 anos antes de migrar para o Brasil. Ela também era nascida em 1830 e filha do pomerano Johann Peter Ziebell. Migraram para o Brasil com 10 filhos. Por certo, o salário de professor sua ocupação na região) não sustentaria a todos. Como todo imigrante, deveriam possuir uma pequena "fábrica" alimentícia em seu rancho, de onde saíam os embutidos, derivados do leite, conservas de frutas e verduras e doces diversos.
Os filhos que migraram junto com os pais foram:
- Johanna Albertine Adele Hackbarth (1852– )
- Max Hackbarth (1854–1934)
- Carl Louis Emil Hackbarth (1856– )
- Theodoro Hackbarth (1857–1902)
- Martha Hackbarth (1860–1936)
- Bertha Hackbarth (1862– )
- Elise Hackbarth (1864– )
- Ferdinand Theodor Albert Hackbarth (1865–1937)
- Marie Bertha Wilhelmine Hackbarth (1867–1947)
- Anna Hackbarth (1869–1955)
Ainda nasceram na
Colônia Blumenau mais dois filhos, somando 12 - 6 meninos e 6 meninas. São eles:
- Erich Eduard Wilhelm Hackbarth (1871–1909) – Pomerode
- Ernest Friedrich Wilhelm Hackbarth (1874–1874) – Tatutiba
Assim como os pioneiros mencionados no jornal
Allgemeine Auswanderungs-Zeitung, a trajetória de
Ferdinand e de sua família reflete o contexto anterior à
unificação alemã de 1871. O
Allgemeine Auswanderungs-Zeitung (
"Um Mensageiro entre o Velho e o Novo Mundo") foi um importante jornal semanal em língua alemã publicado entre 1846 e 1871 na cidade de
Rudolstadt, na
Turíngia.
O periódico surgiu em um momento crucial da história alemã, coincidindo com as grandes ondas de migração em massa do século XIX, quando centenas de milhares de pessoas deixavam a Europa rumo às
Américas e à
Austrália.Ferdinand e sua família migraram dois anos antes da
unificação da Alemanha como país - 1871. Partiram de uma região com dialeto próprio (o
pomerano), com hábitos e dinâmicas culturais muito específicos de sua terra natal, somando-se à diversidade de identidades locais que moldaram o início da colonização regional. Como sempre lembramos: os alemães não eram todos iguais sob o aspecto cultural e histórico.
Estabelecendo-se inicialmente na região da sede da
Colônia Blumenau, Como anteriormente mencionado, Ferdinand e
Johanna tiveram doze filhos — sendo apenas dois nascidos no Brasil.
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| Traçado dos lotes coloniais da Colônia Blumenau. |
Na
Colônia Blumenau, além de colono,
Ferdinand atuou como
professor, mais especificamente em
Pomerode, cuja nucleação fora recém-criada. Em
1863 — seis anos antes de sua chegada —, os primeiros imigrantes haviam chegado ao
Vale do Rio do Testo, desbravando a mata densa da região.
Ferdinand foi o primeiro professor com formação a lecionar no território que hoje compreende o município de Pomerode.
Nessa época, todos tinham que praticar a
agricultura familiar de subsistência — plantando arroz, batata, fumo e mandioca, entre outros cultivos, e criando animais —, pois não havia "supermercados". As casas eram quase todas edificações provisórias vernaculars, construídas com materiais retirados do entorno.
Sendo a família
Hackbarth muito numerosa (12 pessoas), necessitava plantar e criar animais para sua subsistência, como todos os demais. No início da história de
Blumenau, todos eram colonos, pois adquiriam
lotes coloniais e trabalhavam na terra, independentemente de sua formação prévia.
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| Como ocorria nos traçados de lotes coloniais na Colônia Blumenau — desenho dos primeiros agrimensores e, pode-se dizer, planejamento —, também em Pomerode, que fazia parte desta colônia, os lotes ocupavam os vales, neste caso do Rio do Testo e de seus afluentes. Estes lotes tinham grande profundidade e testada pequena, para que todos os colonos pudessem ter acesso à água, garantindo acessibilidade, irrigação e abastecimento às suas propriedades rurais. |
O livro
Centenário de Blumenau registra que, em
1869, surgiram 19 novas escolas rurais na
Colônia Blumenau. Uma delas ficava na localidade de
Alto Rio do Testo, e
Ferdinand Hackbarth foi nomeado o seu primeiro professor.
"Em 1867 aparecem as escolas do Rio do Têsto, (Reinhold Freygang), Alto Garcia (Carlos Kühne), Ribeirão Encano e Rio Itajaí-açu (Carlos Strük-ker). Prédios escolares em Rio do Têsto e Alto Garcia. No ano seguinte construíram-se os prédios do Alto do Rio do Têsto e Encano.
Estatística de 1869: 1 escola pública em São Pedro Apóstolo do Gaspar (professor, Antônio Ribeiro Carvalho); 2 escolas públicas em Blumenau, na sede; 3 escolas particulares na sede; 19 na zona rural, sendo novas as de Rio Morto (Fr. Richter), Alto do Rio do Têsto (Ferdinand Hackbarth)." Livro Centenário de Blumenau - página 288.

Nos registros oficiais da Diretoria de Terras e Colonização do Estado de Santa Catarina, consta um requerimento de concessão de terras em nome de Ferdinand Hackbarth localizado justamente no Vale do Selke (Blumenau), datado de 1883.
Ferdinand Ludwig Albert Hackbarth faleceu em 10 de março de 1913, aos 83 anos, sendo sepultado em Pomerode. Sua trajetória exemplifica a complexa colcha de retalhos culturais e linguísticos dos imigrantes que partiram de diferentes Estados alemães antes da unificação do país.
Um registro para a História.
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