sábado, 20 de junho de 2026

Musik in der Nacht

Guten Abend Freunde!
Um pouco de música na noite... 







Bis Morgen!

 

Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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sexta-feira, 19 de junho de 2026

A Casa Rauert de Itajaí e a Casa Vianna de Blumenau - Arquitetura Art Nuveau - Quando aconteceu a conexão e quem foram os responsáveis?

Trabalho - arte sobre a madeira feitos pela família Gropp para Itajaí e para Blumenau.

Encontramos o registro de uma casa cuja arquitetura apresenta elementos de fachada idênticos aos presentes na Casa Vianna, de Blumenau — que está prestes a ser realocada do bairro Vorstadt (em frente ao Hospital Santo Antônio) para o Morro do Aipim.
Relembrando, a Casa Vianna é um exemplar de arquitetura enxaimel com fechamento em madeira e detalhes no estilo Art Nouveau. Uma de suas principais características é a simetria de sua fachada frontal, bem como os elementos decorativos no Dachgaube e a distribuição das arcadas da varanda, detalhadamente simétricos, que muito encantam o apreciador da arte na arquitetura.
O que não contávamos era que existisse uma edificação semelhante construída na cidade de Itajaí, com a mesma fachada e os mesmos detalhes decorativos, com a diferença de que o seu corpo — as demais partes da casa — foi construído em alvenaria autoportante de tijolos maciços rebocados, dentro de uma linguagem eclética.
As fachadas frontais das duas edificações, de Blumenau e de Itajaí, no entanto, são idênticas.

Para ler mais mais sobre a casa Viana, basta clicar sobre o link: Casa Enxaimel - Espólio de Abelardo Vianna - Casa Vianna - Patrimônio em Risco

A Casa Rauert - de Itajaí

Filha de Emil Odebrecht.
De acordo com informações propagadas na cidade de Itajaí, a Casa Rauert foi construída pelo capitão da embarcação Sta Anna de Itajaí, Hermann Rauert (1890–1971), natural de Joinville. Hermann casou-se com a blumenauense Bertha Baumgart (1895–1957), em Blumenau, em 1º de junho de 1918. Ela era neta de Emil Odebrecht e filha de Carl Gottfried Gustav Baumgart (1856–1927) e de Mathilde (Odebrecht) Baumgart (1866–1904). Bertha nasceu em Blumenau em 20 de abril de 1895. Quando Hermann e Bertha se casaram, a Casa Vianna já tinha 5 anos de existência. Mathilde também foi irmã do engenheiro  Emil Heinrich Baumgart, o "pai do concreto armado" no Brasil, cuja biografia já registramos.
O casal Hermann e Bertha teve três filhas: Jutta Ethel Rauert (1919–1996), Edith Carmen Ellen Rauert (1922–1979) e Gerda Renata Aracy Rauert (1923–).
Hermann Rauert foi filho de Joachim Rauert e de Catharina (Rosenberger) Rauert (1854–1899).

Mas qual a ligação e como aconteceu entre a Casa Vianna e a Casa Rauert?

Casa construída por Emil Gropp em 1867 e foi sua residência -
demolida em 2019, em Blumenau.
Encontramos uma possível explicação para a duplicação de uma obra de arte arquitetônica em madeira - trabalhada no estilo  Art Nouveau.
Refletimos...
O casal Joachim Rauert e Catharina (Rosenberger) Rauert (1854–1899) não eram pais somente de Hermann, mas também de Frieda Rauert (1889–1971), um ano mais velha que seu irmão. A família mudou-se de Joinville para Itajaí, por conta do trabalho dos homens da família.
E o que aconteceu?
Frieda Rauert conheceu o filho do construtor da Casa Vianna de Blumenau: o marceneiro e também dentista Gustav Adolph Gropp (1874–1949), nascido em Blumenau. Ele era filho do madeireiro e marceneiro Emil Rudolph Julius Gropp (1839–1923) e de Anna (Jenichen) Gropp (1847–1925), além de irmão de Richard Gropp (1872–1948) — família que construiu a Casa Vianna como uma vitrine das belezas que se poderia fazer com a madeira.
Casa Vianna.



Certidão de óbito do filho de Emil Gropp, Adolpho Gropp, falecido em Itajaí e casado com uma Rauert.
Como Hermann Rauert se casou somente em 1918 — cinco anos após a construção da Casa Vianna e dezoito anos após o casamento de sua irmã Frieda e Adolph —, concluímos que a família já conhecia muito bem o ofício dos Gropp em Blumenau. De lá também era a origem da família de sua esposa, Bertha, que, sendo neta de Emil Odebrecht e filha de Mathilde (Odebrecht) Baumgart, por certo igualmente conhecia a família Gropp, que era a família de seu cunhado Gustav Adolpho Gropp.
Assim, concluímos que a Casa Rauert tenha sido construída após a construção da Casa Vianna (1913) e recebido os trabalhos da família Gropp, que residia em Blumenau. Como já mencionado, construíram a Casa Vianna no bairro Vorstadt como uma vitrine do que se poderia construir com madeira beneficiada artisticamente, uma vez que dominavam o comércio de madeira e possuíam uma marcenaria no local  onde também residiam
Hermann Rauert, ao se casar em 1918, quis uma casa e, conhecendo a Casa Vianna por intermédio de sua noiva/esposa e também por parte de seu cunhado (marido de sua irmã Frieda, nascido Gropp), tomou emprestado o modelo das peças de madeira da Casa Vianna como também sua fachada principal e detalhes.
Construída por Emil Rudolph Julius Gropp (pai de Adolpho Gropp), em 1869,  Vorstadt, Blumenau. Foi demolida para alugar comoestacionamento.
Resumidamente, a irmã mais velha de Hermann Rauert (1890–1971), Frieda Rauert (1889–1971), também natural de Joinville, era casada com o filho de Emil Rudolph Julius Gropp (cuja família construiu a Casa Vianna), Gustav Adolpho Gropp (1874–1949). Casaram-se em 29 de dezembro de 1900, bem antes da edificação de Blumenau, construída em 1913. Hermann Rauert casou-se com a blumenauense Bertha Baumgart (1895–1957) — filha de Mathilde (Odebrecht) Baumgart — em 1º de junho de 1918, quando a Casa Vianna já havia sido construída.



Relato sobre a cidade de Blumenau/SC nos primeiros anos do século XX intitulado "Um passeio pela rua principal de Blumenau em 1900/1903" escrito por Otto Stange e traduzido do alemão pelo seu filho Erich Stange
"O galpão dos imigrantes, situado no bairro “Vorstadt”, foi visitado por nós. Velho, com aspecto de abandono, não é mais usado para seu fim específico, mas é usado por algumas famílias caboclas como moradia. Tudo bem. Todavia, dividido em diversos cômodos, este comprido galpão de madeira serviu para muitas famílias recém imigradas, como primeira estada na terra estranha. Mas hoje, os imigrantes, logo após a sua chegada, são despachados por carroções puxados por duas parelhas de cavalos, via Morro do Cocho, para a recém aberta colônia de Hansa-Hammonia.
Neste instante vem chegando o vapor de rodas “Blumenau”, subindo o rio, cheio de novos alemães. Ao redor da chaminé e outros vãos estão sentados, todos cheios de esperança, olhando para frente, homens, mulheres e crianças. Manéca, o cozinheiro de bordo, mal consegue achar passagem. Os demais marinheiros se retiraram para suas cabinas ou ficaram na popa do barco, conversando. O capitão Krambeck observa a aproximação da cidade e puxa a corda do apito à vapor, - tuuuut, tuuut, estamos chegando. São aproximadamente três horas da tarde. O vapor hoje chega mais cedo do que de costume, certamente teve menos perda de tempo nas paradas em Ilhota e Gaspar. Também as chuvas nas últimas semanas eram poucas, em consequência o rio está com o volume de água normal, a correnteza não é forte, descendo devagar até o porto de Itajahy, na barra do rio.
Apressamos o passo, pois não queremos perder a chegada do vapor no trapiche. Também o nosso superintendente Dr. Cunha está atrás da sua casa, observando a chegada do barco. Novos alemães, muito bem precisamos deles, são bons agricultores, bons colonos. Cumprimentamos o velho Emil Gropp na passagem, quando o mesmo como de costume, cruza a estrada, saindo da sua serraria para a sua residência. Esta trabalhando com suor e passa o lenço para enxugar a testa empoeirada de serragem. Sempre atento na serra, não fica atrás dos seus filhos, no serviço. “EMIL GROPP & FILHOS”, pode-se ler na construção comprida que abriga a serraria à vapor."


Arquitetura 

A Casa Rauert tinha a volumetria característica da casa alemã construída nas áreas urbanas, no Vale do Itajaí, usando somente a técnica autoportante com tijolos maciços rebocados, com a presença do Dachgaube. As fachadas, como era comum na casa do imigrante alemão, apresentavam a simetria dos elementos e das aberturas. Sua relação com a Casa Vianna foi que ela recebeu todo o decorativismo nos lambrequins, na varanda e no Dachgaube (típicos da casa urbana enxaimel) em madeira, com grandes indícios de que foram fabricados na marcenaria Gropp, de Blumenau, através da amostra apresentada na própria Casa Vianna — deliberadamente exposta como uma vitrine das possibilidades de uso da madeira na construção. As proporções e os números são os mesmos usados na Casa Vianna, que está prestes a ser realocada, em Blumenau.
Também observamos que a Casa Rauert foi construída elevada, criando o ambiente "Keller" (porão) e tornando-a apta a receber uma monumental escada que acessava a varanda de madeira, feita no estilo Art Nouveau. É interessante que, nas demais elevações onde predomina somente a alvenaria autoportante, os elementos são do neoclássico, com as características aberturas feitas na região, na época com duas folhas envidraçadas e com a presença da bandeira, materializando o estilo predominante do ecletismo com destaques ao Art Nouveau e ao neoclássico.
Os desenhos dos detalhes em madeira são exatamente iguais aos da casa construída em Blumenau em 1913.

Casa Rauert - Itajaí






Casa Vianna - Blumenau (Gropp)
Em descrições encontradas e publicadas em Itajaí, reportam equivocadamente este patrimônio como um exemplar do "estilo alpino". Nada a ver.
O destino da casa foi definido já na década de 1930, quando foi alugada para Israel José Tadeu por mais de 40 anos. É curioso que Hermann Rauert faleceu somente em 1971; por algum motivo, não permaneceu em contato com este exemplar único de arquitetura do Vale do Itajaí. O locatário e sua família residiram na casa, e foi ali também onde fixaram a empresa de transporte rodoviário de cargas — uma atividade totalmente destoante do patrimônio, que permaneceu assim por mais de 43 anos. Com isso, o entorno da edificação recebeu a construção de um grande galpão, usado como garagem e depósito.
Em 1973, a Casa Rauert retornou à administração da família. A filha de Hermann Rauert, Jutta Rauert, mudou-se de volta do Rio de Janeiro para morar no local. Em 1995, Jutta faleceu e o imóvel entrou em inventário. Ficou completamente abandonado e foi nesse curto período (entre 1995 e 1998) que vândalos e invasores depredaram o local. A imagem do casarão com aspecto degradado fez com que as pessoas o rotulassem como a "casa da bruxa" ou "casa assombrada".
Isso foi o suficiente para não despertar a sensibilidade de lideranças de Itajaí, sendo enfim efetuada a sua demolição, apesar dos apelos da comunidade, de pesquisadores e de uma tentativa de negociação para que a Univali transformasse o espaço na Faculdade de Arquitetura. O tombamento foi rejeitado pelos proprietários devido aos custos de restauro. A demolição aconteceu em 1998.
O terreno onde ela estava atualmente abriga as instalações do Colégio Adventista de Itajaí.
Fonte: Google Maps.


quinta-feira, 18 de junho de 2026

Uma volta em Itajaí a partir do NGI Sul Ferry Boat Itajaí - uma alternativa de transporte na foz do Rio Itajaí-Açu

Casa Malburg - de Nikolaus Malburg.

Sempre é novo, embarcar no Ferry Boat, em Navegantes, cuja passagem é $R2,00, atravessar a Foz do Rio Itajaí-Açu e desembarcar em Itajaí, percebendo ainda o casario na passagem onde imigrantes de Blumenau, do século XIX tiveram seus primeiros empregos, como é o caso da Casa Malburg - de Nikolaus Malburg.

Casa Malburg, Itajaí.
Relembrando um pouco, historicamente, o embrião da cidade de Itajaí nasceu e se desenvolveu em torno do curato, fundado para este fim no início do século XIX. Não foi diferente em inúmeras cidades do Vale do Itajaí: os núcleos urbanos se desenvolviam no entorno da igreja. Com isso, em 5 de maio de 1835, foi criada a Lei Provincial Nº 11, através da qual foram fundadas duas colônias na Freguesia do Santíssimo Sacramento do Itajaí — um caminho novo para os imigrantes que se mudavam da Colônia de São Pedro de Alcântara, considerada, a partir de então, o centro emissor de correntes migratórias internas. A partir deste momento histórico, famílias de imigrantes subiram o Vale do Itajaí via Itajaí, antes mesmo de ser fundada a Colônia Blumenau. A partir da Lei Provincial mencionada anteriormente, foram criadas uma colônia no arraial Pocinho e outra no Itajaí-Mirim, com o Arraial Tabuleiro. Do desenvolvimento destes, surgiram outros dois núcleos, que são: Belchior e Ribeirão Conceição (atual Gaspar). Nesta época, toda esta região, desde o mar até o Alto Vale, pertencia à jurisdição do município de Porto Belo. A nova lei estabelecia que cada imigrante tinha o direito a uma porção de terra.
Com a fundação da Freguesia do Santíssimo Sacramento do Itajaí na foz do grande Rio Itajaí-Açu — a "porta do Vale do Itajaí" —, acelerou-se o processo migratório para a região do Vale do Itajaí, que iniciou antes da vinda de Hermann Blumenau para a região.
Estas movimentações sociais do início do século XIX foram acontecendo de maneira muito natural, após a migração interna ou a partir dela. O Porto de Itajaí ficava entre o Pontal do Norte e a Ponta Cabeçuda, ao sul. Na frente do ancoradouro onde ficavam as embarcações dos primeiros imigrantes que chegavam à região, existia somente a Fazenda do Arzão — que passou então ao administrador da Freguesia do Santíssimo Sacramento do Itajaí, o Major Agostinho Alves Ramos. A fazenda fora residência de João Dias de Arzão, companheiro do fundador de São Francisco do Sul em 1658, e por isso era conhecida por esse nome. João Dias de Arzão era oriundo de São Paulo e sua família procurava minas de ouro e outros metais preciosos pelo interior do Brasil. Naquele ano, ele requereu e obteve uma sesmaria — que era um lote colonial — às margens do Rio Itajaí-Açu, em frente à foz do Rio Itajaí-Mirim, e ali construiu sua casa. Não tinha a intenção de fundar uma povoação. Seu interesse, como o de todo bandeirante paulista, era encontrar ouro, mas não obteve o sucesso desejado.
Major Agostinho Alves Ramos.
O imigrante português Agostinho Alves Ramos, o administrador, quando conheceu o local nas proximidades da foz do Rio Itajaí-Açu, viajava em busca de negócios, e o lugar lhe despertou ideias. Este português vivia em Nossa Senhora do Desterro, onde era sócio de uma pequena venda. Cabe lembrar também que, no início do século XIX, a viagem via modal marítimo era muito comum na costa brasileira. Em uma dessas viagens, Agostinho Alves Ramos visitou pela primeira vez a foz do Itajaí-Açu. Tanto gostou que se mudou para o local e requereu ao Bispo do Rio de Janeiro a fundação de um Curato, o que aconteceu em 31 de março de 1824. 
Para esclarecer, curato é um termo religioso derivado de cura (ou padre), usado para designar aldeias e povoados com as condições necessárias para se tornarem uma paróquia; geralmente, as cidades surgiam no entorno de uma igreja. O que de fato aconteceu: com a criação do Curato do Santíssimo Sacramento, estava fundada Itajaí.
Vila de Itajaí em 1884.
Construídas uma pequenina capela e o cemitério aos fundos, o núcleo logo começou a atrair outros residentes. Entre eles, a liderança foi exercida por Agostinho Alves Ramos, seu fundador. Neste momento, Itajaí tornou-se a "porta de entrada" de muitos pioneiros que, através do transporte fluvial pelo Rio Itajaí-Açu, partiram para fundar inúmeras cidades da rede urbana da Bacia do Itajaí. Correntes migratórias também vinham pelos "fundos", via Palhoça e São Pedro de Alcântara, e pelo norte, via Porto de São Francisco. Mas, sem qualquer dúvida, Itajaí teve grande importância, contando com a presença do Rio Itajaí-Açu, navegável entre a sede da Colônia Blumenau e o porto marítimo de Itajaí, que mais tarde passou a ser um porto internacional, recebendo navios da Europa e atualmente, da Ásia, onde registramos a entrada de um navio porta-contêineres (ou containership) chines.
Entrando na foz do Rio Itajaí-Açu sendo rebocador por 5 rebocadores.
Porto de Itajaí

A história do Porto de Itajaí iniciou século XIX, muito antes da construção das suas estruturas atuais de concreto, quando a foz do Rio Itajaí-Açu funcionava como um ancoradouro natural estratégico
Na segunda metade deste século, o local tornou-se a principal porta de entrada para os migrantes que chegavam ao Vale do Itajaí, registrando um fluxo de passageiros e imigrantes alemães, italianos e poloneses que chegou a superar o da capital catarinense. Como os grandes navios não conseguiam subir o rio devido à baixa profundidade da barra, os imigrantes desembarcavam em Itajaí e seguiam em pequenas embarcações fluviais para fundar cidades como Blumenau e Brusque
Obra de Élio Hahnemann de 2002 - retratando a chegada dos primeiros 17 pioneiros, desembarcando na foz do Ribeirão da Velha, fotografado por nós na parede da Fundação Cultural de Blumenau, localizada no edifício da antiga prefeitura municipal.
Esse movimento migratório gerou um comércio intenso nas margens do rio e, à medida que o interior se desenvolvia, o trapiche natural passou a escoar a produção agrícola e a extração de madeira da região.
A necessidade de domar as correntes e a instabilidade da foz do rio levou aos primeiros estudos técnicos e obras dos molhes no início do século XX. 
O terminal comercial foi formalmente inaugurado em 1938, com o primeiro trecho de cais de alvenaria, impulsionando as exportações estaduais. Nas décadas seguintes, o porto passou por sucessivas ampliações e modernizações estruturais até que, em 1995, ocorreu o processo de municipalização. Sob a gestão da prefeitura e com as operações comerciais de contêineres concedidas à iniciativa privada, o complexo portuário viveu um processo de desenvolvimento gradual, consolidando-se como o segundo maior movimentador de contêineres do Brasil.
Em 2022, quando o contrato de concessão de longa data expirou, houve problemas. Impasses políticos, com gestão desastrosa (em uma estrutura que gerava lucros) e atrasos na modelagem de um novo leilão pelo Governo Federal paralisaram completamente a movimentação de contêineres no cais público, deixando o porto vazio por quase dois anos e ocasionando prejuízos econômicos para toda a região.
O cenário atual, se encontra em plena recuperação operacional. O porto foi refederalizado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, que transferiu a gestão e regulação da autoridade portuária temporariamente para a Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), servindo como uma etapa de transição até a criação definitiva da estatal regional Docas de Santa Catarina
Na área comercial, a JBS Terminais assumiu a operação sob um contrato transitório. Sendo assim, o Porto de Itajaí reativou seu pátio de contêineres e opera mais de dez linhas regulares de longo curso para mercados globais e está sendo preparado para o leilão de arrendamento definitivo de longo prazo.
Há muita coisa nesta história que precisaria ser melhor detalhada, como um registro sério para a história.
Porto de Itajaí.
Mercado Público de Itajaí

O Mercado Público de Itajaí foi inaugurado em 1º de janeiro de 1917, na gestão do superintendente municipal Coronel Marcos Konder. pai de Gustavo Adolpho Konder, nascido em Itajaí e que, quando adulto, residia em Blumenau e escrevia crônicas. Em uma destas, denunciou o algoz do Gottlieb Reif, de Itajaí e que o fez mudar-se para o Alto Vale do Itajaí e fundar Pouso Redondo.
Construído às margens do Rio Itajaí-Açu, o espaço foi criado para centralizar o comércio de carnes, grãos, verduras e peixes, que antes ocorria em feiras livres na rua. 
Deveria ser o primeiro edifício, pois não tem nada de art decó.
O abastecimento do local dependia do transporte marítimo e da produção das colônias agrícolas locais.
Em 1936, o edifício passou por uma reconstrução devido a um incêndio que destruiu a estrutura original. O novo projeto arquitetônico adotou traços do estilo art déco na fachada e manteve um pátio interno com chafariz central. Sua estrutura é em enxaimel. 
Com a expansão dos supermercados ao longo do século XX, o mercado perdeu a função de principal entreposto de abastecimento da cidade. 
Posteriormente, o patrimônio foi tombado como patrimônio histórico municipal e estadual, passando por reformas estruturais para mudar o seu uso.
Os boxes de venda de alimentos foram convertidos em restaurantes de frutos do mar e lojas de artesanato. O pátio central tornou-se um espaço para apresentações musicais e um local de encontros. Atualmente, o complexo está integrado ao Mercado do Peixe, localizado no edifício anexo.
Estrutura de madeira encaixada.






Estrutura em enxaimel.
As imagens comunicam - uma volta em Itajaí 2026...
Chegando no Ferry Boat à pé, pela rua da Prefeitura de Navegantes.






































































Praça Vidal Ramos

A Praça Vidal Ramos, conhecida também como Largo da Matriz Velha, é o espaço público mais antigo e histórico da cidade de Itajaí. Está localizada no Centro Histórico de Itajaí - é o "marco zero" da cidade. Em um dos seus lados, está localizada a Igreja Imaculada Conceição. Em 1910, foi batizada com esse nome em homenagem ao ex-governador de Santa Catarina, Vidal Ramos. A praça está localizada próxima ao Rio Itajaí-Açu, o que permite aos visitantes observar o movimento de navios e outras embarcações.
Seus espaços abrigam monumentos dedicados a figuras históricas da região, como Lauro Müller, Elisabeth Malburg e Santa Paulina, consolidando-se como um patrimônio cultural, ponto focal e ponto de encontro tradicional de Itajaí.

Igreja Imaculada Conceição - Marco Zero - Praça Vidal Ramos (Busto).
Casa Burghardt 

Característica do barroco alemão - construções do início
 do século XX em Itajaí SC.
A Casa Burghardt foi construída em 1902 pelo pioneiro August Heinrich Ernest Henry Hundt, ou Harry Hundt. A edificação, com uso misto (comercial e residencial), foi projetada pelo arquiteto alemão Reinhold Roenick. Em seu ambiente comercial (pavimento térreo), funcionava a conhecida "Casa de Louça de Harry Hundt", e a residência da família estava no segundo pavimento da edificação.
Com o falecimento de Hundt, em 1903, sua viúva, Matilde, assumiu os negócios e, em 1910, casou-se com Nikolau Burghardt.
O casarão foi construído no estilo eclético, como o Mercado Público, com predominância das linhas barrocas. Aliás, os frontões lembram muito os frontões que existiam no antigo edifício do Mercado Público da cidade.
Casa Konder

A Casa Konder, que está localizada na Rua Lauro Müller, nº 83, foi construída entre 1894 e 1897, também pelo arquiteto-construtor alemão Reinhold Roenick, para ser a residência de Marcos Konder. Ao longo de sua história, o edifício foi comitê na campanha civilista de Rui Barbosa (1910), além de abrigar bancos, repartições públicas e a tradicional livraria Casa Aberta.
O patrimônio é formalmente protegido como patrimônio histórico municipal e estadual, pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC). Sua arquitetura exibe um estilo eclético com traços neoclássicos, caracterizado por uma fachada térrea simétrica com aberturas em arcos plenos, um eixo central destacado por uma mansarda superior com sacada em gradil de ferro e um frontão triangular ornamentado no topo da estrutura.









Casa da Cultura Dide Brandão - antigo Grupo Escolar Victor Meirelles

O Grupo Escolar Victor Meirelles foi inaugurado em 4 de dezembro de 1913. Foi o primeiro grupo escolar de Itajaí e um dos pioneiros de Santa Catarina.
O edifício original da escola está localizado na Rua Hercílio Luz. A edificação foi tombada como patrimônio histórico estadual e municipal.
No início da década de 1980, as atividades pedagógicas deixaram o patrimônio e foram realocadas em um novo edifício construído nos fundos do terreno original, permitindo que a antiga sede tivesse seus ambientes usados para a Casa de Cultura Dide Brandão, no local desde 1982.
Casa da Cultura Dide Brandão - feira de artesanato culturada.
Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento
A Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, localizada no centro de Itajaí, foi inaugurada em dia 15 de novembro de 1955, após décadas de esforço comunitário para a sua construção, a edificação foi projetada pelo Simão Gramlich. O estilo arquitetônico mescla elementos do neogótico e do românico.
O exterior é marcado por linhas verticais acentuadas, arcos ogivais e seis grandes torres, sendo as duas principais com 50 metros de altura, que dominam a paisagem urbana local.
Em seu interior, o templo é uma verdadeira galeria de arte sacra monumental. As paredes e tetos são decorados com afrescos e pinturas detalhadas dos renomados artistas italianos Aldo Locatelli e Emílio Cessa, que retratam passagens bíblicas cruciais com grande realismo e expressividade. A iluminação natural é filtrada por mais de 50 vitrais coloridos. No interior há uma obra, Moisés com as Tábuas da Lei, esculpida pelo artista expressionista blumenauense Erwin Curt Teichmann, considerada a maior escultura sacra em peça única de madeira do estado. 
Está localizada na Praça Governador Irineu Bornhausen.
Igreja Matriz - Paróquia Santíssimo Sacramento - Itajaí SC

Avenida Coronel Marcos Konder.
Museu Histórico de Itajaí - Palacete Marcos Konder

O Museu Histórico de Itajaí está localizado no Palacete Marcos Konder, inaugurado em 22 de outubro de 1925 e tombado como patrimônio cultural. Foi idealizado pelo superintendente de Itajaí, Marcos Konder, que pretendeu centralizar as atividades públicas locais em um único edifício. O edifício foi projetado por Jacob Goettmann em estilo eclético. Sua fachada exibe três torres distintas que quebram os paradigmas arquitetônicos da região e simbolizam, politicamente, a harmonia entre os três poderes da República: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
Antes de se tornar um espaço cultural, o palácio concentrou toda a vida administrativa regional e abrigou simultaneamente a Prefeitura, a Câmara de Vereadores e o Fórum da comarca de 1925 até 1953. Originalmente batizado de Palacete Municipal, o edifício recebeu o nome de Palácio Prefeito Marcos Konder em 1962, como forma de homenagem. O local foi tombado oficialmente como patrimônio histórico pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC) em 2001.
Atualmente, o acervo do museu reúne mais de 16 mil peças, que incluem mobiliário antigo, pratarias, rádios, uniformes militares e itens de uso pessoal.
O museu fica na Rua Hercílio Luz, número 681, no Centro de Itajaí.











Igreja Matriz Nossa senhora dos Navegantes - Navegantes.

Vídeo

Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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