Em 1995, iniciamos a pesquisa sobre a Estrada de Ferro Santa Catarina (EFSC) que rendeu dois livros, TCC, dissertação, palestras e comissões - para o retorno daquilo que foi colocado fora. Até esse momento não resultou em nada.
Daniel Baumann
Nunca deixamos de ficar entusiasmados quando os jovens abordam a pauta com inteligência e reflexão, mesmo quando algumas pontuações despertaram em nós o desejo do debate, que foi realizado dentro deste trabalho, com intuito de enriquecer o material com mais informações.
Daniel Baumann, um pesquisador e ciclista de Rio do Sul, nos encaminhou um áudio de cerca de 30 minutos sobre a EFSC na localidade de Subida (Lontras) — um dos trechos mais perigosos e bonitos dentro da extensão de 130 km da ferrovia.
Como acreditamos que as imagens comunicam, pedimos permissão ao autor desta pesquisa para ilustrar seu áudio com imagens feitas por nós e de nossa pesquisa. Seu trabalho foi publicado na plataforma do Spotify.Daniel Baumann nos permitiu ilustrar sua pesquisa, que compartilhamos aqui neste espaço a partir do canal do YouTube. Foi um trabalho intuitivo.
No final desta exposição, colocaremos à disposição dos interessados os links dos artigos que escrevemos sobre essa pauta, com muito mais imagens.
O Vale do Itajaí estruturou o trajeto ferroviário. A localidade de Subida situava-se no trecho de maior dificuldade para a implantação da linha ferroviária da EFSC, constituindo, talvez, um de seus maiores desafios. Uma vez inaugurada, permaneceu em uso por menos de 50 anos. No mapa a localização do Stadtplatz da Colônia Blumenau - último ponto navegável do Rio Itajaí-Açu. O projeto urbano regional dos primeiros pioneiros era de implementar e ferrovia deste ponto para o interior da Colônia, que aconteceu menos de 60 anos após a fundação.
Daniel iniciou trabalho escrevendo:
Embarque em uma viagem pelo coração de Santa Catarina para descobrir como a engenharia e a determinação humana venceram um dos maiores desafios geográficos do Vale do Itajaí: a lendária região da Subida.
Neste episódio, percorremos a trajetória que vai das picadas abertas por pioneiros como Gottlieb Reif até a chegada da Estrada de Ferro Santa Catarina (EFSC), responsável por transformar a economia e a ocupação do Alto Vale.
Conheça histórias do cotidiano ferroviário, as paradas estratégicas para manutenção das locomotivas, os cafés e cucas que acolhiam viajantes nas estações e as curiosas rivalidades entre maquinistas que marcaram a época.
Também analisamos o papel da ferrovia no transporte de madeira, os impactos da retirada dos trilhos em 1971 e os esforços de preservação que permitiram o retorno da histórica Locomotiva 232, hoje símbolo da memória ferroviária catarinense.
Uma narrativa sobre desafios, progresso, patrimônio histórico e o legado de uma ferrovia que ajudou a moldar a identidade da região.
Após ler diversos materiais sobre a história local, produzidos por você e por outros pesquisadores, resolvi fazer um passeio pela região para conhecer de perto esse patrimônio histórico tão rico e fascinante.
A ideia de produzir o áudio foi justamente mostrar o enorme potencial histórico da região, muito bem documentado por diferentes autores, e incentivar mais pessoas a visitarem e conhecerem esse lugar que guarda capítulos importantes da história catarinense. Daniel Baumann - 31 de maio de 2025
O pesquisador fez suas visitas a campo de bicicleta.
Suas fontes de pesquisa (Texto de Daniel Baumann):
O CRB sempre foi reconhecido como uma entidade de utilidade pública pelo município de Blumenau (1979) e pelo estado de Santa Catarina (1980), conforme consta nos respectivos decretos municipal e estadual. Sua história está estreitamente relacionada com a história do Vale do Itajaí, de Blumenau e seu entorno. O CRB esteve presente através de suas atuações em momentos críticos de segurança e acidentes naturais quando não conhecíamos os meios de comunicação que conhecemos no momento atual. Um exemplo disso foram as grandes enchentes de 1983 e 1984.
Desde 2 de setembro de 1972, quando foi fundado, o CRB tem sido assim um apoio a toda a sociedade. As diretorias ao longo do tempo, cada qual ao seu modo e tempo, foram de rara importância e todas elas deixaram marcas na história do Clube de Radioamadores de Blumenau — CRB.
Como uma sociedade civil que é, rege-se por estatutos próprios devidamente registrados em cartórios competentes, possui conta bancária, CNPJ e provê as demais exigências legais.
São considerados oficialmente como sócios-fundadores e formuladores dos estatutos do CRB os seguintes radioamadores:
Cassio Medeiros – PY5ZP
Wilson Santiago – PY5UG
Thea Santiago – PY5YL
Frederico Strasburger – PP5DZ
Walter Keser – PP5AUX
Rolf Schindler – PP5CEC
Carla Schindler – PP5CEB
Jeder Armando Reinert – PP5ZR
Wandick Garbelotto – PY5AKW
Iris Garbelotto – Labreana
Darcisius Falaster – PP5ATV atualmente PP5AT
Amabile Dias – PY5CEQ
Alexandre Buhatem – PP5AWB
Jorgete Buhatem – Labreana
O CRB teve 26 presidentes ao longo de sua história. Segue os nomes daqueles que foram os presidentes do Clube de Radioamadores de Blumenau - CRD (sustentados pelos seus pares de diretoria) desde a sua fundação, que veio logo após a XXIV Concentração de Radioamadores da 5ª Região, no ano de 1971.
Presidentes:
1972 a 1973 > PP5CEC – Rolf Schindler
1974 a 1977 > Ficou vago
1978 a 1979 > PP5HB – Harry Boos
1980 a 1981 > PP5ACF – Caetano Deeke de Figueiredo
1982 a 1983 > PP5AMB – Alexandre M. Buhassen
1984 a 1985 > PP5AN – Nelson Reis e Silva
1986 a 1987 > PP5IA – Hans Henrich Bethe
1988 a 1989 > PP5ASN – Alda S. Niemeyer
1990 a 1991 > PP5CC – Carlos Caldas Neto
1992 a 1993 > PP5FI – Wilson Dickmann
1994 a 1995 > PP5ASN – Alda S. Niemeyer
1996 a 1997 > PP5RIO – Ademir Goulart
1998 a 1999 > PP5AQ – Luiz Francisco Catalan
2000 a 2001 > PP5ASN – Alda S. Niemeyer
2002 a 2003 > PP5ZP – José Carlos Olivo
2004 a 2005 > PP5ASN – Alda S. Niemeyer
2006 a 2007 > PP5WF – Carlos A. Wolff
2008 a 2009 > PP5QY – Werner Keske
2010 a 2011 > PP5DIG – Guilherme Diegoli Jr.
2012 a 2014 > PP5CL – Cláudio Moraes
2014 a 2022 > PP5BSD – Mauro C. Leite
2022 a 2024 > PP5FE – Glenn P. Marinho
2024 a 2026 > PP5BSD – Mauro C. Leite
Alda Niemeyer em seu escritório residencial, junto ao seu equipamento em 4 de abril de 2014.
Hans Prayon em seu escritório residencial, junto ao seu equipamento em 26 de julho de 2018.
Hans Prayon em seu escritório residencial, junto ao seu equipamento em 26 de julho de 2018.
Hans Prayon em seu escritório residencial, junto ao seu equipamento em 26 de julho de 2018.
Hans Prayon em seu escritório residencial, junto ao seu equipamento em 26 de julho de 2018.
Fizeram parte do CRB alguns sócios notáveis, como Alda Niemeyer, que foi sócia desde 1973 (e continua sendo, ativa e lúcida aos seus 105 anos de idade), e o ex-presidente do centro cultural, Hans Prayon, o que tornou os dois amigos pessoais — inclusive, nós os registramos juntos em eventos do centro cultural.
Dois radioamadores do CRB, amigos e sócios do C.C. 25 de Julho de Blumenau: Hans Prayon e Alda Niemeyer, na noite do Weinhnachtskonzert 2012.
Selo Personalizado e Carimbo Comemorativo com a presença dos Correios e Telégrafos (ECT)
Nesta noite festiva dos 40 anos do CRB, também teve um momento especial para a Filatelia regional. Aconteceu o lançamento oficial de Selo Personalizado e Carimbo Comemorativo em parceria com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A presença do ECT no evento comemorativo dos 40 anos do CRB em 2012 conferiu o status a um documento histórico-postal. Na filatelia, essa cerimônia é chamada de solenidade de obliteração e foi o que registramos nesta noite no C.C. 25 de Julho de Blumenau.
A Cerimônia de Obliteração
O Ritual: O representante do ECT que compareceu ao evento levou um carimbo especial que foi destruído após o momento de comemoração.
A Primeira Peça: O presidente do CRB em 2012 e o representante dos Correios aplicaram juntos esse carimbo personalizado sobre o selo. Essa primeira peça obliterada passa a compor o acervo histórico nacional dos Correios.
Valor Histórico: A presença do carimbo datado com o nome de Blumenau e a data exata do aniversário de 40 anos transforma o selo em uma "peça filatélica" cobiçada por colecionadores.
Nosso registro deste momento
Alda Niemeyer com o selo.
Recebemos das mãos de Alda Niemeyer este selo, em 2012
Na sequência, aconteceu um jantar festivo. Para essa ocasião, Alda Niemeyer escreveu um texto sobre a entidade. Segue:
A data de 5 de novembro é o Dia do Radioamador. Até o ano 1978 era comemorado o dia 22 de Outubro, em virtude de que nesta data em 1934 era realizada a sessão da Assembléia Geral dos Radioamadores Paulistas e Cariocas, fundindo as duas entidades em uma só: a Liga Brasileira de Radioemissão. (LABRE)Depois de um meticuloso trabalho de pesquisa, e analisado a fundo, foi aprovado pelo Conselho da LABRE em 1978, por unanimidade o dia 5 de novembro como Dia do Radioamador, em razão de que neste dia, em 1924, o Diário Oficial da União ter publicado o Decreto Nr. 17.657, regulamentando as estações de radioamadores existentes no Brasil, tirando eles assim da clandestinidade. Os Radioamadores brasileiros tem como Patrono o Padre Roberto Landell de Moura, padre jesuíta de Porto Alegre. Este Padre cientista é o primeiro radioamador do mundo, pois transmitiu a palavra humana, música e o tic-tac de um relógio via éter da Avenida Paulista até o Alto de Santana, -- três anos antes que Marconi transmitiu os sinais de telegrafia. Os Radioamadores tem a própria legislação. Torna-se radioamador quem passa por exames, estabelecidos pelo Ministério de Telecomunicação,(ANATEL). É preciso ter conhecimentos específicos para ser radioamador. Estes conhecimentos básicos são exigidos de radioamadores do mundo inteiro. O serviço de radioamador é muito mais do que um hobby, é uma ocupação séria. E, o conceito deste serviço voluntário, prestado sem remuneração a quem precisa e usa, sofreu uma grande reforma, depois do atentado as Torres Gêmeas em Manhatten, dia 11 de Setembro, 2001. Toda a comunicação entre os grupos de salvamento e ajuda foi feita por radioamadores. Notou-se o valor deste serviço, que daí por diante foi reconhecido no mundo inteiro. Blumenau já teve a oportunidade de ver e sentir a importância dos radioamadores, durante as grandes enchentes 1983-1984 e, na catástrofe em 2008. A Defesa Civil e os Radioamadores de Blumenau serviram de modelo para o país inteiro, quando se formou a RENER, Rede Nacional de Emergência de Radioamadores. O Clube de Radioamadores de Blumenau tem sua “Sala de Radio” e, seus encontros semanais às 5a-feira à noite, nas dependências do C.C.de 25 de Julho. Estão sempre prontos para servir a comunidade ou pessoas que precisam e pedem os serviços de comunicação. É trabalho de voluntários que foi chamado por um senador como: - “serviço mais eficiente e mais barato do Brasil!”Alda Niemeyer, agosto 2012
Texto extraído do livro S.O.S - Enchentes - "Um Vale pede Socorro"
A História do CRB também foi publicada, de maneira resumida, no livro S.O.S - Enchentes - "Um Vale pede Socorro" de autoria de Antônio B. Barreto e de Alda S. Niemeyer. Compartilhamos este texto aqui.
Com Alda Niemeyer, quando recebemos este livro em 15 de fevereiro de 2023, como fonte de pesquisa primária.
Os Radioamadores em Blumenau
As primeiras notícias sobre radioamadores, em Blumenau, datam de 1934.
Neste ano, foi instalada uma estação operada, pelo Sr. João Medeiros, presidente fundador da Rádio Clube, a histórica PRC4, pioneira em Santa Catarina.
Ao radioamadorismo, que nascia em nossa comunidade, aderem Luiz Medeiros e Flávio Rosa.
Em 1952, o Dr. Wilson Santiago, servindo no 23º BI, cm Blumenau, presta, juntamente com sua esposa, Thea Holtrup Santhiago, exames de radioamador em Florianópolis.
Em 1958, realiza-se, em Blumenau, a 3ª Concentração de Radioamadores da 5* Região.
Era o incentivo que faltava para a arregimentação de mais filiados ao radioamadorismo.
A partir de 1960, cresce o número de filiados ao clube, registrando-se como participantes o gerente do Banco do Brasil, Sr. Cambraia e esposa e o gerente do Banco Indústria e Comércio, o PY5-UD, Moacir Segurado.
Em 1962, os radioamadores de Blumenau reúnem-se no que denominam o "Clube dos Doze".
Como o efetivo aumentou, passaram a denominá-lo "Clube dos Doze Mais Um",
Partiu do PY5-UG, Wilson Santiago, a ideia de realizar encontros mensais nas casas dos radioamadores.
A atividade cada vez mais se solidificava em Blumenau.
Crescendo em efetivo, o Clube, a partir de 1968, realiza as reuniões nos restaurantes da cidade.
Em 1969, ocorreu, em Blumenau, a 14ª Concentração da 5ª Região.
Eram radioamadores naquela época: Medeiros e sua esposa.
Wilson e Thea, Rolf e Carla, Flávio Rosa, Jeder e Jener Reinert, Wandick Garbelotto "Cavaco". Walter Knaesel, Dianari Marques Branquinho e Frei Waldemar.
A concentração foi prestigiada pela presença da Miss Brasil 1969, Vera Fischer, sendo na ocasião sorteado um "Eudgert" doado pelo governador de Santa Catarina, Ivo Silveira.
Em 1972, foram formulados os estatutos e regularizada a situação do Clube de Radioamadores de Blumenau, que teve os seguintes fundadores:
Cássio Medeiros
Wilson Santhiago e Thea
Frederico Strassburger
Walter Kaeser
Rolf Schindler e Carla
Jeder Reinert
Wandick Garbelotto e Iris
Darcisius Falaster
Amabile Dias
Alexandre Buhatem e Jorgette
Na ocasião, Rolf Schindler PY5-CEC foi eleito o primeiro presidente do clube.
Em 25 de março de 1974, os radioamadores de Blumenau participam do apoio à Defesa Civil, do estado no "Ajude o seu irmão do Sul", socorrendo as vitimas da inundação ocorrida em Tubarão/SC.
Junto com o 23° BI, então comandado pelo Coronel Eduardo Sá Dória Fortes, foram montadas barracas em praça pública e, finalmente, enviados a Tubarão os mantimentos e roupas doados através de caminhões da Prefeitura Municipal de Blumenau.
Rolf Schindler continuou presidindo o clube até 1978, sendo substituído por Harry Boos PP5-HB.
Em 1979, sob a presidência do PP5-ACF Caetano Deeke Figueiredo, o Clube de Radioamadores de Blumenau é declarado de Utilidade Pública Municipal.
Em 1980, foi instalado o primeiro repetidor de Blumenau, em VHF.
Neste ano, de 24 a 26 de outubro, foi realizada a 24ª Concentração, com a presença de 1.000 participantes.
Este evento, considerado um dos melhores e mais bem organizados, graças à perfeita direção e orientação do PP5-ACF - Caetano Deeke Figueiredo - é hoje ainda, considerado pelos radioamadores como padrão para as demais concentrações.
Em 1982, assume o CRB o PP5-AMB, Alexandre M. Buhatem.
O clube e seus membros chegavam assim a 1983, ano que reservaria à Blumenau uma grande enchente.
Ai, neste evento, as histórias do clube e da cidade se fundiriam nos momentos de dor, de angústia e de desespero.
Os radioamadores tornaram-se então peças fundamentais na grande tarefa de salvar a população atingida.
Sem eles, a tragédia de 1983 teria outro desfecho. BARRETO, Antonio Bascherotto, 1936- NIEMEYER, Alda Schlem, 2000.
Registramos os principais momentos ocorridos no salão do C.C. 25 de Julho de Blumenau que foi tomado por radioamadores de Blumenau, da região e de outras localidades, além de familiares, amigos e simpatizantes.
Esteve presente, na noite, o vice-presidente do centro cultural, Dieter Berner, acompanhado de sua família. Nós estávamos no evento como representantes da comunicação do centro cultural e efetuamos registros para a história.
As imagens comunicam...
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Um registro para a História.
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.