quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Morro dos Coqueiros – Salto Weissbach, Blumenau (SC)



Em 2 de setembro de 2026, o  biólogo e pesquisador Fábio Leal Viana Bones nos perguntou, via rede social, sobre a existência do Morro dos Coqueiros no histórico bairro blumenauense de Salto Weissbach. Movidos pela curiosidade e por já termos pesquisado sobre a região, fomos investigar, mas não conseguimos ir muito além das informações já levantadas pelo próprio interesse de Fabio. Decidimos prosseguir com a investigação e ir pessoalmente ao local.
Descobrimos que no final do século XIX, este lugar e seu entorno imediato, pertenciam ao imigrante alemão Karl Eugen Richard Hinsch, fundador do Laboratório Renascim.
No final do século XX e início do século XX, o Morro dos Coqueiros fazia parte da propriedade de Richard Hinsch fundador do Laboratório Renascim. 


Vamos conhecer sua história, além desta que seu proprietário era o pioneiro alemão Richard Hinsch e o mesmo, nos dias atuais, está intacto, preservando o mesmo cenário de quando um grupo, entre outros, realizou um piquenique ali em 1894, com direito a um registro fotográfico para a história. 
Localização do Bairro, 2025.
Em 1864, a região já estava contemplada no mapa de lotes coloniais intitulado Karte des bewohnten Theils der Colonie Blumenau.
É possível observar que o Salto Weissbach era composto por lotes coloniais, geralmente adquiridos por imigrantes pioneiros. O morro, por sua vez, integra o relevo do município, mesclando áreas públicas e privadas, sem vinculação a um único proprietário contemporâneo nominal. O mapa histórico de 1864 ilustra que a antiga Estrada dos Pioneiros (atual Rua Bahia) — que seguia para o interior da Colônia Blumenau - Alto Vale do Itajaí pela margem direita do rio Itajaí-Açu — já passava pela localidade. 
A partir das décadas de 1860 e 1870, esses lotes começaram a ser formalmente adquiridos e desbravados. Como exemplo, temos pioneiros como August Müller (Irmão do Dr. Fritz Müller) e Louis Altenburg Senior, que comprou terras e construiu engenhos e um alambique na região em 1872.
Ao que tudo indica, o local recebia visitantes que cultivavam o hábito de fazer piqueniques nos pontos mais altos da região, uma tradição trazida por essas famílias da Alemanha e que se mantém até os dias atuais. O primeiro passeio dessa natureza do qual encontramos registro ocorreu ainda na década de 1860.
Registro de um piquenique em 1908 - no Salto.
Na frente da estação ferroviária do bairro.
Aos fundos a Comercial Sprengel.
A história relata que, em maio de 1868, a Sociedade de Canto Germânia realizou um passeio ao morro. A expedição partiu da taberna Thüringer Hof, posteriormente Hotel Comercial Sprengel, de propriedade do irmão (Otto Sprengel) do primeiro agente ferroviário da estação do Encano - comunidade da atual Indaial e vizinha da comunidade Salto Weissbach -  Rudolf Sprengel. O Comercial Sprengel ficava quase na frente da estação do Salto Weissbach. Além de todo tipo de mercadoria, também no local funcionava um pequeno hotel de pouso aos viajantes. Depois que  Otto Sprengel se aposentou quem tomou conta do local foi seu genro,  Alfred Radolf, professor bandoneon afamado.
Primeira estação Ferroviária e aos fundos o Comercial Sprengel.
Antiga Comercial Sprengel, Salto Weissbach, Blumenau (SC) - Foto de 1992.  Nossa fotografia para o Trabalho de Graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo e publicada em nosso primeiro livro: "A Estrada de Ferro no Vale do Itajaí – Resgate do Trecho Blumenau a Warnow", em 2000. Aos fundos está o Morro dos Coqueiros.
Antiga Comercial Sprengel - atualmente.

No topo do Morro dos Coqueiros, o grupo enterrou uma garrafa contendo mensagens, com a recomendação de que fosse desenterrada apenas no ano de 1950. Contudo, essa não foi a única excursão registrada na história que deixou uma "cápsula do tempo" no local. 
Em 06 de maio de 1868 a Gesangverein Germania, juntamente com a Freundschafts-Verein de Itoupava, realizou um passeio com o cantores ao Morro dos Coqueiros. Na esplendorosa manhã que prometia um belo dia, os cantores se reuniram na praça central. As carroças estavam enfeitadas com flores, guirlandas e as bandeiras brasileiras e alemã, após cantarem uma canção a quatro vozes, iniciaram o cortejo às oito horas ao som de festiva marcha. Em frente à hospedaria Steinschen, juntaram-se à Freundschafts-Verein e entre brincadeiras, canções e música iniciaram o passeio. Kolonie Zeitung, 25 de julho de 1868. - ROSSBACH, 2008.
Alguns anos mais tarde, outro grupo também teve sua experiência publicada na revista Blumenau em Cadernos, de setembro de 1978, Tomo XIX, Nº 9. Ao que tudo indica, escalar o morro para realizar piqueniques havia se tornado uma prática comum entre os moradores no século XIX e início do século XX. O segundo grupo do qual encontramos registros visitou o local em 1894, e a documentação dessa expedição veio confirmar a localização exata do Morro dos Coqueiros, um lugar quase que totalmente desconhecido na atualidade.
A menção específica ao Morro dos Coqueiros consta nos arquivos da prefeitura e nos registros de historiadores locais, associada ao ano de 1894. Naquela ocasião, um grupo partiu do Stadtplatz de Blumenau e da Rua XV de Novembro a cavalo e em carros de Kutsche. O trajeto incluiu a travessia do Ribeirão da Velha, a passagem pela Itoupava Seca e o cruzamento da foz do Ribeirão Stutzer (atual esquina das ruas Bahia e José Deeke). O destino era o Salão de Arthur Wilhelm Lindner, local onde um grupo de 27 famílias se reuniu para fundar a comunidade luterana do Salto Weissbach.
Citamos este passeio de 1894 pois localizamos um documento que descreve o itinerário daqueles que passaram o dia no Morro dos Coqueiros e também visitaram o Salão Lindner, propriedade de Arthur Wilhelm Lindner (1872–1962). A narrativa da excursão é muito interessante sob o aspecto histórico: detalha o trajeto percorrido, as atividades realizadas e revela que os participantes eram descendentes de famílias pioneiras de Blumenau.
Piquenique ao Morro dos Coqueiros - Salto Weissbach 
Ano 1894

"Encilhado o cavalo, o pé no estribo, tendo a rédea curta, logo que todos estiveram montados, as Damas e Cavalheiros de mais idade tomaram assento em carros e embarcadas as provisões de boca, a caravana partiu, passando o ribeirão da Velha, 1toupava-Seca e Stutzersbach, chegando em Salto Weissbach onde parou-se no salão do Senhor Lindner. Aí tudo ficou resolvido em subir-se ao morro; os senhores Weber e  Max Geschwind, os dois alegres engenheiros da exploração  nos trechos da estrada de ferro da concessão de von Ockel, como sempre na ponta, seguidos pela turma menos ligeira; na retaguarda, os mestres do proviant, os burrinhos de carga. Começou a subida, de primeiro bem íngreme, depois com menos subida, entoando canções alegres e sem passar por grotas; adiante, um musico com sua gaita. Chegando no cume do morro, um divertido movimento se alastrou, foram atacados os cestos de víveres e as garrafas de cervejas que haviam em quantidade. Apareceu um fotógrafo e logo bateu-se uma chapa, cujos quadros ainda estão em poder de alguns participantes do piquenique. em seguida foi preparada uma garrafa correio, contendo um documento assinado pelos presentes, junto com pequenos objetos colhidos. Bem fechada foi enterrada a garrafa; grandes pedras naturais posta em cima da cova, não deixando o mínimo vestígio. Por um binóculo, a nora lembrou a descida, chegando-se volta ao salão do Senhor Lindner. Organizou-se danças bastante animadas e bem contra a noite, a turma voltou a cidade. Tiveram os participantes a satisfação de terem passado um dia de alta significação e de lembranças. Foi, sim, uma época linda a da nossa juventude. 
O tesouro, a garrafa-correio será levantada este ano de 1950, fundação da colônia de Blumenau, a cem anos passados 1850 - 1950 e far-se-á uma pequena solenidade no cume do Morro dos Coqueiros. 
Os que tomaram parte naquele piquenique de 1894, foram as seguintes pessoas: 
Gustavo Baumgarten, Rudolfo Altenburg, Richard Scheeffer, Olga Stutzer, Clara Odebrecht, Leo Laczinski, Rudolf Hoeschl, Auguste Oaebrecht, Weber, Bernhard Engelke, Max Stutzer, Julia Scheerfer, Mathilde Baumgarten, Helene Altemburg, Agnes Scheeffer, Gertrud Stutzer, Hermann Sachtleben, Ignaz Kasprowitsch, Otto Hosang, Paula Schwarzer, Gropp, Max Geschwind, Alice Hoeschl. 
Hermann Sachtleben*"
*Louis Hermann Sachtleben - autor do texto anterior
Nasceu em 16 de outubro de 1870, em Blumenau, onde também viria a falecer no dia 4 de abril de 1958. Casou-se com Agnes Probst em 21 de maio de 1896, também no município, união da qual nasceram cinco filhos. Seus pais, Hermann Sachtleben (1835–1895) e Emilie Hess (1825–1899), foram os responsáveis pela construção do casarão retratado na fotografia a seguir:
Casarão Sachtleben - Fevereiro de 2015.
A história da subida do Morro dos Coqueiros - 1894.

O grupo se deslocou do Stadtplatz de Blumenau e da Rua XV de Novembro até o Morro dos Coqueiros a cavalo e em carros de molas (Kutsche). Nesses veículos viajaram as pessoas de mais idade, além das cestas de mantimentos. O relato esclarece que também havia mulas encarregadas de transportar a carga mais pesada, como a comida e a cerveja. Mais tarde, esses animais acompanharam o grupo na subida do morro, garantindo o abastecimento de bebida e alimento no topo.
Com este tipo de carro tracionado a animal se deslocava no interior de Blumenau, também, como do centro até Salto Weissbach.
Ribeirão Stutzer e o pontilhão da EFSC.
O percurso era o mesmo trilhado pelos viajantes que se dirigiam ao interior da Colônia Blumenau, seguindo pela Estrada dos Pioneiros em direção a Indaial e, dali, para o Médio e Alto Vale do Itajaí. Curiosamente, o relato original menciona o Ribeirão Stutzer — curso d'água que já abordamos em um trabalho anterior, ocasião em que alertamos para a situação de risco em que se encontrava um antigo pontilhão ferroviário ali localizado.
O Salão Lindner situava-se na via que hoje homenageia seu proprietário, a atual Rua Arthur Lindner. Geograficamente, para quem parte do Morro dos Coqueiros e segue pela Rua Bahia em direção a Indaial, o local ficava um pouco depois do cruzamento com a Rua Água Branca.
O relato sobre o piquenique de 1894 também menciona a questão ferroviária e a concessão de von Ockel. Essa passagem é fundamental, pois evidencia como a pauta da estrada de ferro já fazia parte dos projetos e das aspirações dos pioneiros da Colônia Blumenau.
Lançamento da pedra fundamental na implantação da linha férrea. Concessão fornecida a Friedrich Von Ockel (final século XIX). O primeiro trecho da EFSC foi inaugurada somente em 3 de maio de 1909. Fonte: WITTMANN, 2010.
Ginástica no Ginástico.
Antes do período do Nacionalismo, os costumes dessas famílias refletiam fielmente as tradições cultivadas na região da atual Alemanha. Era muito comum o apreço pelas atividades ao ar livre, pela escalada de montanhas e pelo canto de melodias do cancioneiro folclórico. O Salão Lindner também era palco para apresentações de teatro e práticas de ginástica — atividades que igualmente marcavam a rotina da antiga Associação Gymnastica Blumenau - Turnverein Blumenau - Ginástico.
Gostaríamos muito de poder publicar, junto a este resgate sobre o antigo Morro dos Coqueiros, a fotografia mencionada. Além de nos permitir observar os rostos daqueles que vivenciaram esse momento histórico, a imagem revelaria todo o contexto daquele cenário. Curiosamente, a narrativa confirma que uma segunda garrafa, com mensagens dos participantes, também foi enterrada no local — totalizando pelo menos duas cápsulas do tempo documentadas. Fica o questionamento: quantos outros grupos não teriam feito esse mesmo passeio e deixado as suas próprias garrafas? 
De acordo com registros preservados pela Prefeitura de Blumenau, a garrafa que deveria ter sido aberta em 1950 nunca foi oficialmente reencontrada. Que desafio, hem?!
Residência de Alice Hoeschl - na Alameda.
De forma surpreendente, mesmo após o esforço de escalar o morro, o grupo ainda teve fôlego para aproveitar momentos de confraternização no próprio Salão Lindner. Os sobrenomes dessas famílias fazem parte da história de Blumenau e possuem descendentes até os dias atuais. Graças à preservação dessa memória, tivemos recebemos objetos de época — incluindo um precioso diário, cujas páginas estudaremos com atenção, pois quem nos passou foram as netas de Alice Hoeschel, Vera Alice e Marlene Gertrud. Alice foi filha do primeiro cônsul austro-húngaro na Colônia Blumenau, Leopold Franz Hoeschl.
Outro detalhe  mencionado no texto reporta ao diário do professor August Müller (irmão do dr. Fritz Müller). Em seus escritos, ele narra que a região recebeu a visita de um "tigre" (como as onças eram chamadas pelos colonos), que acabou abatendo cachorros e um porco de famílias locais. A carcaça do suíno foi encontrada justamente no topo do Morro dos Coqueiros. Pelo visto, até mesmo grandes felinos transitavam por lá.
Por fim, a urbanização e a abertura de vias — como a readequação da Rua Bahia no espaço da antiga Estrada dos Pioneiros — trouxeram profundas transformações. Ao longo das décadas, a redefinição dos limites dos bairros descaracterizou o Salto Weissbach e ignorou a sua história, reduzindo drasticamente o seu território original na nova configuração urbana. Como reflexo desse processo, a toponímia popular "Morro dos Coqueiros" caiu em desuso no cotidiano, sobrevivendo hoje apenas na memória e nos registros históricos publicados.
O território do bairro de Salto Weissbach não é mais esse.
O Morro dos Coqueiros
A denominação "Morro dos Coqueiros" é puramente histórica, restrita ao século XIX, e já não figura em nenhum mapa contemporâneo — embora o relevo permaneça intacto na paisagem há mais de 120 anos. 
Ao cruzar o material bibliográfico com as antigas descrições de trajeto, concluímos que essa elevação no Salto Weissbach é um marco de grande relevância para Blumenau. Citado nos registros de colonização de 1868 e, posteriormente, no relato da excursão de 1894, foi justamente graças a essas narrativas que conseguimos descobrir a sua localização exata. Não sabemos o que o futuro reserva para a área, mas, com esta descoberta, percebemos que o local carrega a possibilidade de, quem sabe um dia, vir a ser aproveitado como um espaço de trilha urbana e ponto de visitação histórica, resgatando a sua vocação como o mirante natural que já era desde os tempos dos pioneiros.
Atualmente, a elevação situa-se junto à Rua Bahia e, de forma surpreendente, mantém-se livre de descaracterizações desde o século XIX. Conforme ilustra o mapa a seguir, sua altitude máxima alcança os 165 metros.



Para encerrar este resgate, recebemos excelentes notícias do biólogo e pesquisador Fábio Leal Viana Bones. Ele e um grupo de amigos estiveram no local e conseguiram chegar ao topo do Morro dos Coqueiros. Gentilmente, Fábio nos cedeu fotografias da paisagem vista lá do alto — e também, registros feitos por um colega que o acompanhava, Vitor Hugo Cruz. A vista do rio Itajaí-Açu a partir dessa perspectiva é algo que não se documentava há muito tempo. Se a paisagem ao redor certamente mudou ao longo desses mais de 120 anos desde as expedições do século XIX, o morro, por sua vez, permanece o mesmo. Assim que o terreno estiver mais seco, pretendemos realizar a nossa própria subida para complementar esta pesquisa, que só estará verdadeiramente concluída após essa vivência e registros do local. 
A seguir, compartilhamos algumas das imagens registradas por esses pesquisadores:
Imagens  do biólogo e pesquisador Fábio Leal Viana Bones, na trilha de subida ao Morro dos Coqueiros.

Imagens de Vitor Hugo Cruz - altos do Morro dos Coqueiros.




Vídeo de visita in loco
Referências:

  • BLUMENAU EM CADERNOS. Piquenique ao Morro dos Coqueiros - Salto Weissbach - 1894. Blumenau em Cadernos, Blumenau, Tomo XIX, nº 9, set. 1978.
  • ROSSBACH, Roberto Fabiano. As sociedades de canto da região de Blumenau no início da colonização alemã (1863-1937). 2008. 189 f. Dissertação (Mestrado em Música) – Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2008. Disponível em: <https://sistemabu.udesc.br/pergamumweb/vinculos/00006a/00006af7.pdf>. Acesso em: 30 set. 2026.
  • SILVA, José Ferreira da. . História de Blumenau. 2. ed. Blumenau : Fundação "Casa Dr. Blumenau",
  • 1988. 299 p.
  • WITTMANN, Angelina Camargo Rodrigues. A ferrovia no Vale do Itajaí: Estrada de Ferro Santa Catarina. Blumenau: Edifurb, 2010. 304 p.
Um Registro para a História...

Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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terça-feira, 29 de setembro de 2026

22ª Oktobertanz - Coro Masculino Liederkranz e o Show dos Velhos Camaradas - Também na Abertura com o Monges Cervejeiros

Mais um dos palcos do "despertar cultural" em festa no estado de Santa Catarina, a 22ª Oktobertanz movimentou o Pavilhão de Festas da cidade de São Pedro de Alcântara ao longo do final de semana dos dias 25, 26 e 27 de setembro de 2026.
Antes do início oficial do evento, o Coro Masculino Liederkranz e seus músicos foram calorosamente recebidos no WK Weisskopf Kneipe Bar — local também conhecido por seu nome original, Die Kleine Kneipe Weisskopf. 
O proprietário, Mário Milton Müller, foi o anfitrião responsável por recepcionar o grupo.
Igreja Matriz de São Pedro de Alcântara.
Simultaneamente, abrindo a programação cultural de três dias, uma missa festiva foi celebrada às 18h na Igreja Matriz de São Pedro de Alcântara.
Por volta das 20h, após a missa e o jantar do grupo de Blumenau, iniciou-se a solenidade de abertura com o tradicional cortejo dos Monges Cervejeiros (formado por cantores do Coro Masculino Liederkranz). Em um ritual simbólico, eles carregaram a caneca oficial da festa até o Pavilhão de Festas.
Na sequência, realizou-se a sangria do primeiro barril de chope da edição de 2026. Logo após, o Coro Masculino Liederkranz subiu ao palco, devidamente trajados, para apresentar o seu conhecido "Show dos Velhos Camaradas", uma performance que já soma 16 anos de sucesso absoluto nas festividades da cultura alemã, no estado de Santa Catarina e fora dele, apresentando melodias do cancioneiro alemão e austríaco.
Leonildes Pitz, moradora de São Pedro de Alcântara, fez uma reflexão profundamente interessante sobre a apresentação do Coro Masculino Liederkranz. Com sua devida autorização, intermediada por um amigo em comum, deixamos o seu relato registrado neste espaço:
Ontem, na abertura da 22ª Oktobertanz de São Pedro de Alcântara, tivemos a alegria de assistir ao belíssimo show dos Velhos Camaradas. Foi daqueles momentos que nos fazem sorrir, cantar junto e, ao mesmo tempo, tocar o coração.
Quem assiste ao espetáculo percebe imediatamente a alegria, a amizade e a energia contagiante do grupo. Mas, obviamente, todas as músicas são cantadas em alemão, e muitos de nós nos encantamos com as melodias e com toda aquela animação sem compreender plenamente o que suas letras estão dizendo.
E talvez esteja justamente aí uma das coisas mais bonitas desse show: quando passamos a conhecer o significado das canções, descobrimos quanta história, sentimento e emoção existem por trás de cada uma delas.
Elas falam de amizade e companheirismo, da juventude que passou, das boas lembranças que ficaram, da saudade da terra natal, de viagens, encontros e reencontros, da passagem do tempo e, sobretudo, da felicidade de continuar celebrando a vida ao lado dos velhos amigos.
Então percebemos que não estamos apenas diante de uma sequência de músicas alemãs. Há praticamente uma história sendo contada. Os amigos se reencontram na pequena taberna, sentam-se à mesa, brindam, recordam a juventude, contam suas histórias, lembram lugares e pessoas queridas, sentem saudade e celebram aquilo que os anos não conseguiram apagar: a amizade, as boas lembranças e a alegria de ainda poderem estar juntos.
Talvez seja justamente isso que torne o nome Velhos Camaradas tão bonito e tão verdadeiro. O tempo passa, os cabelos embranquecem, muita coisa muda pelo caminho, mas permanecem os amigos, as histórias vividas, as lembranças e aquela vontade de sentar novamente à mesma mesa para cantar e celebrar a vida.
Foi pensando nisso que tomei a liberdade de preparar este pequeno material, trazendo para o português o significado e uma breve explicação de algumas das principais músicas que fazem parte do espetáculo.
Depois de entendermos um pouco melhor o que eles estão cantando, acredito que aquele show, que já é tão alegre e bonito, ganha um significado ainda mais especial e emocionante.
Compartilho com vocês com muito carinho, para que possamos conhecer um pouco mais e valorizar ainda mais essa linda tradição que tivemos a felicidade de apreciar ontem. 
Leonildes Pitz - 26 de setembro de 2026
Leonildes Pitz realizou uma boa análise, tanto do Show dos Velhos Camaradas quanto de algumas canções apresentadas, demonstrando profundo conhecimento musical e, acima de tudo, uma sensibilidade ímpar em relação ao espetáculo do centenário Coro Masculino Liederkranz. 
É fundamental ressaltar que este grupo de canto foi fundado em 1909, em Blumenau, e que o "Show dos Velhos Camaradas", realizado desde 2010, projeta-se com fôlego para continuar existindo por muito tempo.
O elenco de cantores reflete um encontro de gerações, com idades que variam entre 27 (Schossland - neto) e 82 anos (Schossland - avô) — unindo, literalmente, avô e neto no mesmo palco. Vale lembrar ainda a presença de Oswin Reistenbach que, embora ligeiramente afastado das apresentações no momento, permanece intimamente ligado ao coro aos seus 92 anos.
Tudo isso nos leva à conclusão de que há uma sólida renovação entre os integrantes, permitindo que o coro siga fazendo história ao longo de seus mais de 116 anos de existência.
Abaixo, compartilhamos mais uma reflexão de Leonildes Pitz:
As imagens comunicam
Vídeo
Últimos raios de sol sobre a Igreja Matriz de São Pedro de Alcântara, no momento da chegado do Coro Masculino Liederkranz para o evento.














Deslocamento até Die Kleine Kneipe Weisskopf, recepção por Mário Milton Müller e jantar. 
Mário Milton Müller.





O maestro José Carlos Oechsler e Mário Milton Müller, proprietário do ie Kleine Kneipe Weisskopf.

O Coro Masculino Liederkranz, representado por seu regente, José Carlos Oechsler, e por seu presidente, Aoron Beyer, realizou a entrega do livro "Oktoberfest Blumenau 40 Anos - Palco de um despertar cultural" a Mário Milton Müller.










 Biblioteca - onde será colocado o livro recebido.




















A Realeza da 21ª Oktobertanz (com a Rainha Tainara Eger, a 1ª Princesa Maria Fernanda Hoffmann e a 2ª Princesa Samara Kniss).
Imagens enviadas por Gustavo Roberge Goedert, que esteve presente na abertura da 22ª Oktobertanz, mostrando parte do desfile que levava o caneco oficial para o evento da sangria do primeiro barril do chope - o Pavilhão da Festa.
















































































Um Registro para a História...

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