
Os nomes dos pioneiros que residiam na Colônia Blumenau em 1858 foram publicados no jornal alemão Allgemeine Auswanderungs-Zeitung.
Gostaríamos de destacar que, em 1858, ainda não existia a Alemanha como nação. Cada um destes lugares grifados após o nome (abaixo)possuía, quase sempre, dialetos, hábitos, costumes e culturas diferentes, assim como a própria língua.
O surgimento do idioma formal alemão, o Hochdeutsch ou Alto-Alemão Padrão, também enfrentou dificuldades para ser implantado. Ainda não havia a unificação dos ducados nesta década de 1850, e estas pessoas migravam para a região dotadas de todas estas diferenças e falando os seus próprios dialetos.
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| Johannes Gutenberg. |
Devido à fragmentação do território germânico em inúmeros reinos, principados e ducados ao longo dos séculos, a criação de uma língua formal nasceu da necessidade prática de comunicação entre populações que falavam dialetos regionais frequentemente incompreensíveis entre si. O grande divisor de águas para a unificação linguística ocorreu no século XVI com a tradução da
Bíblia por
Martinho Lutero, concluída em 1534. Para garantir que o texto bíblico fosse amplamente compreendido tanto no norte quanto no sul,
Lutero adotou como base a linguagem diplomática da chancelaria da
Saxônia, que já funcionava como um meio-termo burocrático e comercial na época, sendo impulsionada pela recente invenção da imprensa de tipos móveis por
Gutenberg.Nos séculos XVII e XVIII, essa base foi refinada por sociedades da língua, filósofos e gramáticos que buscavam elevar o alemão ao status de língua de prestígio científico e literário, superando o latim e o francês. O gramático Johann Christoph Gottsched, na década de 1740, publicou tratados fundamentais que ajudaram a fixar as regras da gramática culta, enquanto a produção literária do Classicismo de Weimar, liderada por Goethe e Schiller, consolidou a estética e a maturidade da estrutura do idioma formal.
A normatização definitiva e a padronização da pronúncia consolidaram-se na virada do século XIX para o século XX, impulsionadas pela unificação política do Império Alemão em 1871. A necessidade de uniformidade na administração pública e no sistema de ensino levou à publicação do dicionário de Konrad Duden em 1880, cujas regras ortográficas foram oficializadas em 1901 e adotadas também pela Áustria e pela Suíça.
Imaginemos, portanto, os muitos dialetos destas famílias pioneiras, a partir da origem de onde vieram, bem como as suas demais práticas. Ocorre um grande erro aqui no Brasil, onde há uma generalização sobre o
perfil do "alemão". Esse perfil depende sempre da região de onde o imigrante partiu para o Brasil e de onde sua família surgiu.
Observemos abaixo, o nome das famílias e sua origem, publicadas no jornal alemão Allgemeine Auswanderungs-Zeitung:
Lote – Nome – Origem
I – Região Central
1. Ludwig Scheffer - Pommern
2. August Wolff - Schlesien
3. Heinrich Koch - Oldenburg
4. Johann Hönnicke - Thüringen
5. Johann Wloch - Schlesien
6. Karl Sasse - Mannsfeldischen
7. Emil Odebrecht - Pommern
8. Johann Witt - Lübeck
9. Ludwig Pragst - Hamburg
10. Friedrich Von Lesecke - Hannover
11. Heinrich Michel - Schlesien
12. Wilhelm Küchendahl - Braunschweig
13. Ernst Schellenberger - Thüringen
14. Franz Keiner - Thüringen
15. Theodor Kleine - Posen
16. Hermann Siebert - Magdeburg
17. Wilhelm Schifter - Berlin
18. Gottlieb Riediger - Schlesien
19. Friedrich Lang - Schlesien
20. Johann Behnke - Holstein
21. Ludwig Sachtleben - Halberstädtischen
21. Franz Meier - Halberstädtischen
22. Karl Meier - Mecklenburg
22. August Spierling - Mecklenburg
23. Julius Baumgarten - Braunschweig
24. Wilhelm Friedenreich - Mannsfeldischen
25. Heinrich Zwingmann - Eichsfelde
26. Hermann Wendeburg - Braunschweig
27. Reinhold Gärtner - Braunschweig
28. Minna Görner - Lausitz
29. Marie Rosemann, viúva - Schlesien
30. Igreja e Escola
31. Johann Padaratz - Mecklenburg
32. Friedrich Tiedt - Pommern
33. Eduard Böttcher - Lübeck
34. Christian Imroth - Braunschweig
35. Johann Gieseler - Mecklenburg
36. Johann Preilliper - Thüringen
37. Hans Kreutzfeld - Lübeck
38. Sophie Bähr, viúva - Braunschweig
39. Johann Schack - Thüringen
40. Johann Wagenknecht - Thüringen
41. Johann Schreep - Mecklenburg
42. Johann Hübers - Mecklenburg
43. Friedrich Lüders - Mecklenburg
43. Traugott Köhler - Sachsen
44. Ludwig Wehmuth - Thüringen
45. Friedrich Jerga - Holstein
46. Johann Richter - Schlesien
47. Karl Küpls - Mecklenburg
48. Christian Möller - Mecklenburg
49. Friedrich Gieseler - Mecklenburg
50. Joachim Maatz - Mecklenburg
51. Heinrich Schmidt - Mecklenburg
52. Friedrich Schmidt - Mecklenburg
53. Hans Esemann - Mecklenburg
54. Theodor Schröder - Berlin
55. Theodor Schröder - Berlin
56. Wilhelm Schumann - Anhalt
57. Karl Kegel - Thüringen
58. Karl Schneider - Schlesien
II – Garcia – margem direita
1. Ernst Weise - Thüringen
2. Johann Knoch - Thüringen
3. Heinrich Köhler - Thüringen
4. Karl Hadlich - Thüringen
5. Christian Heumann - Bayreuth
6. Johann Knoch - Thüringen
7. Johann Bewiahn - Mecklenburg
8. David Seiler - Sachsen
9. Wilhelm Schreiber - Pommern
10. Heinrich Ehrhardt - Thüringen
11. Karl Rechenberg - Uckermark
12. Karoline Spies - Thüringen
13. Bernhardt Weck - Sachsen
14. Heinrich Läuthäuser - Thüringen
15. Johann Gebien - Mecklenburg
16. Wilhelm Holetz - Lausitz
17. Christian Passig - Holstein
18. Emma Ostermann - Eichsfeld
19. Richard Becker - Pommern
20. Franz Matthias - Pommern
21. Johann Busch - Pommern
22. Alexander Bürger - Lausitz
23. Heinrich Seide - Hannover
24. Wilhelm Schmidt - Rheinprovinz
III – Garcia – margem esquerda
1. Hans Baade - Mecklenburg
2. Moritz Holetz - Lausitz
3. Andreas Grassmann - Rheinprovinz
4. Heinrich Kloth - Mecklenburg
5. Joachim Gramkow - Mecklenburg
6. Catharina Berlisen, viúva - Mecklenburg
7. Johann Kloth - Mecklenburg
8. Detlef Krambeck - Mecklenburg
9. Karl Lehmann - Mecklenburg
10. Georg Kühl - Holstein
11. Gottlieb Hadlich - Thüringen
12. Heinrich Hadlich - Thüringen
13. Wilhelm Schreiber - Thüringen
13. Heinrich Ehrhardt - Thüringen
14. Johann Gebien - Mecklenburg
14. August Jarchow - Mecklenburg
15. Christoph Müller - Eichsfeld
16. Heinrich Bichels - Hamburg
17. Hugo Schultze - Berlin
18. Ernst Lehmann - Schlesien
19. Adolph Schurt - Pommern
IV – Itajaí – margem direita
1. August Prestien - Lübeck
2. Ferdinand Ebert - Halle
3. Hans Breihaupt - Braunschweig
4. Hermann Wendeburg - Braunschweig
5. Karl Peneder - Spreewald
6. Eduard Romer - Spreewald
7. August Persuhn - Braunschweig
8. Christian Beck - Braunschweig
9. Christian Spernau - Sachsen
10. Theodor Thomsen - Holstein
11. Viúva Heffter - Schlesien
12. Heinrich Kühne - Halberstädtischen
13. Wilhelm Friedenreich - Mannsfeldischen
14. Wilhelm Seeliger - Braunschweig
14. Johann Hinsching - Magdeburg
15. Carl Engicht - Lausitz
16. Wilhelm Schönau - Gotha
17. Peter Müller - Brasilien
18. Rudolph Rödel - Thüringen
19. Ludwig Helmbrecht - Braunschweig
20. Heinrich Matthes - Brandenburg
21. Karl Matthes - Brandenburg
22. Ludwig Sachtleben - Quedlinburg
V – Itajaí – margem esquerda acima
1. Ludwig Thieme - Sachsen
1. Johann Faust - Hessen
2. Heinrich Radatz - Hamburg
3. Heinrich Lüders - Mecklenburg
4. Guido Von Seckendorf - Braunschweig
5. Ferdinand Starke - Braunschweig
6. Ludwig Spengler - Sachsen
7. Ferdinand Starke - Braunschweig
8. Heinrich Meyer - Thüringen
8. Friedrich Kegler - Thüringen
9. Anton Härtel - Sachsen
10. Eduard Stein - Pommern
11. Disponível
12. Karl Müller - Harz
13. Christoph Liesenberg - Harz
14. August Reif - Meiningen
15. Gustav Meuche - Thüringen
16. Friedirch Hinkeldey -Preussen
17. Ludwig Wegener - Halberstädtischen
18. Joseph Kuonz - Schweiz
19. Wilhelm Meier Hannover
20. Paul Parasky - Preussen
21. Karl Eggebrecht - Pommern
22. Gebrüder Bickelmann - Sachsen
23. Disponível
24. Christian Rau - Thüringen
VI – Itajaí – margem esquerda abaixo
1. Johann der Eich - Rheinprovinz
2. Julius Paupitz - Sachsen
3. Wilhelm Schönau - Gotha
4. Carl Höring - Weimar
5. Christian Böhme - Sachsen
6. Daniel Schneider - Sachsen
7. Reservado
8. Reinhold Gärtner - Braunschweig
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| Alemanha antes de ser Alemanha - com os locais citados no “Allgemeine Auswanderungs-Zeitung” (1815-1866). |
Mapa da Colônia Blumenau publicada no jornal
Allgemeine Auswanderungs-Zeitung nº 35 pág. 153 de 1858.
Um registro para a História.