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| Casa Malburg, Itajaí. |


Relembrando um pouco, historicamente, o embrião da cidade de Itajaí nasceu e se desenvolveu em torno do curato, fundado para este fim no início do século XIX. Não foi diferente em inúmeras cidades do Vale do Itajaí: os núcleos urbanos se desenvolviam no entorno da igreja. Com isso, em 5 de maio de 1835, foi criada a Lei Provincial Nº 11, através da qual foram fundadas duas colônias na Freguesia do Santíssimo Sacramento do Itajaí — um caminho novo para os imigrantes que se mudavam da Colônia de São Pedro de Alcântara, considerada, a partir de então, o centro emissor de correntes migratórias internas. A partir deste momento histórico, famílias de imigrantes subiram o Vale do Itajaí via Itajaí, antes mesmo de ser fundada a Colônia Blumenau. A partir da Lei Provincial mencionada anteriormente, foram criadas uma colônia no arraial Pocinho e outra no Itajaí-Mirim, com o Arraial Tabuleiro. Do desenvolvimento destes, surgiram outros dois núcleos, que são: Belchior e Ribeirão Conceição (atual Gaspar). Nesta época, toda esta região, desde o mar até o Alto Vale, pertencia à jurisdição do município de Porto Belo. A nova lei estabelecia que cada imigrante tinha o direito a uma porção de terra.

Com a fundação da Freguesia do Santíssimo Sacramento do Itajaí na foz do grande Rio Itajaí-Açu — a "porta do Vale do Itajaí" —, acelerou-se o processo migratório para a região do Vale do Itajaí, que iniciou antes da vinda de Hermann Blumenau para a região.
Estas movimentações sociais do início do século XIX foram acontecendo de maneira muito natural, após a migração interna ou a partir dela. O Porto de Itajaí ficava entre o Pontal do Norte e a Ponta Cabeçuda, ao sul. Na frente do ancoradouro onde ficavam as embarcações dos primeiros imigrantes que chegavam à região, existia somente a Fazenda do Arzão — que passou então ao administrador da Freguesia do Santíssimo Sacramento do Itajaí, o Major Agostinho Alves Ramos. A fazenda fora residência de João Dias de Arzão, companheiro do fundador de São Francisco do Sul em 1658, e por isso era conhecida por esse nome. João Dias de Arzão era oriundo de São Paulo e sua família procurava minas de ouro e outros metais preciosos pelo interior do Brasil. Naquele ano, ele requereu e obteve uma sesmaria — que era um lote colonial — às margens do Rio Itajaí-Açu, em frente à foz do Rio Itajaí-Mirim, e ali construiu sua casa. Não tinha a intenção de fundar uma povoação. Seu interesse, como o de todo bandeirante paulista, era encontrar ouro, mas não obteve o sucesso desejado.
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| Major Agostinho Alves Ramos. |
O imigrante português Agostinho Alves Ramos, o administrador, quando conheceu o local nas proximidades da foz do Rio Itajaí-Açu, viajava em busca de negócios, e o lugar lhe despertou ideias. Este português vivia em Nossa Senhora do Desterro, onde era sócio de uma pequena venda. Cabe lembrar também que, no início do século XIX, a viagem via modal marítimo era muito comum na costa brasileira. Em uma dessas viagens, Agostinho Alves Ramos visitou pela primeira vez a foz do Itajaí-Açu. Tanto gostou que se mudou para o local e requereu ao Bispo do Rio de Janeiro a fundação de um Curato, o que aconteceu em 31 de março de 1824.
Para esclarecer, curato é um termo religioso derivado de cura (ou padre), usado para designar aldeias e povoados com as condições necessárias para se tornarem uma paróquia; geralmente, as cidades surgiam no entorno de uma igreja. O que de fato aconteceu: com a criação do Curato do Santíssimo Sacramento, estava fundada Itajaí.
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| Vila de Itajaí em 1884. |
Construídas uma pequenina capela e o cemitério aos fundos, o núcleo logo começou a atrair outros residentes. Entre eles, a liderança foi exercida por Agostinho Alves Ramos, seu fundador. Neste momento, Itajaí tornou-se a "porta de entrada" de muitos pioneiros que, através do transporte fluvial pelo Rio Itajaí-Açu, partiram para fundar inúmeras cidades da rede urbana da Bacia do Itajaí. Correntes migratórias também vinham pelos "fundos", via Palhoça e São Pedro de Alcântara, e pelo norte, via Porto de São Francisco. Mas, sem qualquer dúvida, Itajaí teve grande importância, contando com a presença do Rio Itajaí-Açu, navegável entre a sede da Colônia Blumenau e o porto marítimo de Itajaí, que mais tarde passou a ser um porto internacional, recebendo navios da Europa e atualmente, da Ásia, onde registramos a entrada de um navio porta-contêineres (ou containership) chines.
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| Entrando na foz do Rio Itajaí-Açu sendo rebocador por 5 rebocadores. |
Porto de Itajaí
A história do
Porto de Itajaí iniciou século XIX, muito antes da construção das suas estruturas atuais de concreto, quando a foz do
Rio Itajaí-Açu funcionava como um
ancoradouro natural estratégico.
Na segunda metade deste século, o local tornou-se a principal porta de entrada para os migrantes que chegavam ao Vale do Itajaí, registrando um fluxo de passageiros e imigrantes alemães, italianos e poloneses que chegou a superar o da capital catarinense. Como os grandes navios não conseguiam subir o rio devido à baixa profundidade da barra, os imigrantes desembarcavam em Itajaí e seguiam em pequenas embarcações fluviais para fundar cidades como Blumenau e Brusque.
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| Obra de Élio Hahnemann de 2002 - retratando a chegada dos primeiros 17 pioneiros, desembarcando na foz do Ribeirão da Velha, fotografado por nós na parede da Fundação Cultural de Blumenau, localizada no edifício da antiga prefeitura municipal. |
Esse movimento migratório gerou um comércio intenso nas margens do rio e, à medida que o interior se desenvolvia, o trapiche natural passou a escoar a produção agrícola e a extração de madeira da região.
A necessidade de domar as correntes e a instabilidade da foz do rio levou aos primeiros estudos técnicos e obras dos molhes no início do século XX.
O terminal comercial foi formalmente inaugurado em 1938, com o primeiro trecho de cais de alvenaria, impulsionando as exportações estaduais. Nas décadas seguintes, o porto passou por sucessivas ampliações e modernizações estruturais até que, em 1995, ocorreu o processo de municipalização. Sob a gestão da prefeitura e com as operações comerciais de contêineres concedidas à iniciativa privada, o complexo portuário viveu um processo de desenvolvimento gradual, consolidando-se como o segundo maior movimentador de contêineres do Brasil.
Em 2022, quando o contrato de concessão de longa data expirou, houve problemas. Impasses políticos, com gestão desastrosa (em uma estrutura que gerava lucros) e atrasos na modelagem de um novo leilão pelo Governo Federal paralisaram completamente a movimentação de contêineres no cais público, deixando o porto vazio por quase dois anos e ocasionando prejuízos econômicos para toda a região.
O cenário atual, se encontra em plena recuperação operacional. O porto foi refederalizado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, que transferiu a gestão e regulação da autoridade portuária temporariamente para a Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), servindo como uma etapa de transição até a criação definitiva da estatal regional Docas de Santa Catarina.
Na área comercial, a JBS Terminais assumiu a operação sob um contrato transitório. Sendo assim, o Porto de Itajaí reativou seu pátio de contêineres e opera mais de dez linhas regulares de longo curso para mercados globais e está sendo preparado para o leilão de arrendamento definitivo de longo prazo.
Há muita coisa nesta história que precisaria ser melhor detalhada, como um registro sério para a história.
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Porto de Itajaí.
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Mercado Público de Itajaí
O
Mercado Público de Itajaí foi inaugurado em
1º de janeiro de 1917, na gestão do superintendente municipal
Coronel Marcos Konder. pai de
Gustavo Adolpho Konder, nascido em Itajaí e que, quando adulto, residia em Blumenau e escrevia crônicas. Em uma destas, denunciou o algoz do
Gottlieb Reif, de Itajaí e que o fez mudar-se para o Alto Vale do Itajaí e fundar Pouso Redondo.
Construído às margens do Rio Itajaí-Açu, o espaço foi criado para centralizar o comércio de carnes, grãos, verduras e peixes, que antes ocorria em feiras livres na rua.
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| Deveria ser o primeiro edifício, pois não tem nada de art decó. |
O abastecimento do local dependia do transporte marítimo e da produção das colônias agrícolas locais.
Em 1936, o edifício passou por uma reconstrução devido a um incêndio que
destruiu a estrutura original. O novo
projeto arquitetônico adotou traços do
estilo art déco na fachada e manteve um pátio interno com chafariz central. Sua estrutura é em
enxaimel. Com a expansão dos supermercados ao longo do século XX, o mercado perdeu a função de principal entreposto de abastecimento da cidade.
Posteriormente, o patrimônio foi tombado como patrimônio histórico municipal e estadual, passando por reformas estruturais para mudar o seu uso.
Os boxes de venda de alimentos foram convertidos em restaurantes de frutos do mar e lojas de artesanato. O pátio central tornou-se um espaço para apresentações musicais e um local de encontros. Atualmente, o complexo está integrado ao Mercado do Peixe, localizado no edifício anexo.
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| Estrutura de madeira encaixada. |