domingo, 21 de junho de 2026

Para ouvir e ver cantando - "Heidenröslein"

Há algum tempo não alimentamos esta série (Músicas alemãs) e, pelo grande número de visitas, resolvemos acrescentar mais uma canção do cancioneiro alemão folclórico/clássico/tradicional à lista. 
Trata-se da canção "Heidenröslein", composta no século XVIII, um dos poemas mais frequentemente impressos e, provavelmente, também um dos mais musicados em língua alemã. 
As melodias de Johann Friedrich Reichardt em 1793, Franz Schubert em 1815 (Op. 3 nº 3) e Heinrich Werner em 1827 tornaram-se particularmente populares. Mas há também versões modernas gravadas por bandas alternativas, de rap e de rock e também de coros. 
"Heidenröslein" ficou conhecida pelo seu verso inicial, "Sah ein Knab’ ein Röslein stehn".
Supostamente, o poema foi escrito por Johann Wolfgang von Goethe (1749–1832), então com 22 anos de idade, em 1771, durante seus estudos em Estrasburgo (Strassburg), e pertence ao período Sturm und Drang. Johann Wolfgang von Goethe nasceu em Frankfurt am Main, em 28 de agosto de 1749.
A história conhecida é a de que Goethe ficou encantado pela filha do pastor Johann Jakob Brion (1717–1787) e de sua esposa Maria Magdalena (Schöll) Brion (1724–1786), Friederike Elisabeth Brion (1752–1813).
O poema pertence ao conjunto das chamadas "Canções de Sesenheim". No entanto, o texto foi baseado em uma canção folclórica mais antiga, que Goethe modificou ligeiramente, retratando um momento pessoal. Nesse quesito, há controvérsias se a obra é realmente de autoria do jovem Goethe, então com 22 anos, existindo muitos estudos sobre essa questão. De qualquer maneira, a maioria das fontes atribui a autoria da poesia a Johann Wolfgang von Goethe (1749–1832).
Historicamente, a canção, a partir de um poema lírico, conta a trágica história de amor entre Goethe e Friederike Brion. A criação do poema está ligada ao primeiro amor do autor. 
No outono de 1770, Goethe, aos 21 anos, viajou para Sesenheim, na Alsácia — uma vila a cerca de quarenta quilômetros ao norte de Estrasburgo (onde foi estudar) —, e apaixonou-se por Friederike Brion, filha do pastor Johann Jakob Brion (1717–1787) e de Maria Magdalena (Schöll) Brion (1724–1786). Inspirado por essa euforia, Goethe criou um tipo completamente novo de poesia amorosa, as conhecidas Canções de Sesenheim), que era direta, emotiva e semelhante a uma canção folclórica.
Segundo todos os relatos, o caso entre Friederike e Goethe foi bastante tumultuado e, embora ela acreditasse estar noiva, ele acabou lhe fazendo uma visita de despedida antes de retornar à sua cidade natal, Frankfurt. Como a irmã de Friederike queimou todas as cartas de Goethe após a morte dela, nunca saberemos exatamente o que aconteceu entre os dois; no entanto, os fortes desejos, as mágoas mútuas, a dor e a destruição egoísta presentes em "Heidenröslein" são considerados um resumo desse caso amoroso.
Isso é fato, embora a melodia muitas vezes soe alegre e inocente, o conteúdo é uma metáfora para uma agressão sexual. O termo relacionado à rosa simboliza uma jovem inocente; o rapaz a vê e, egoisticamente, decide colhê-la ("quebrá-la"). A rosa o adverte e se defende com seus espinhos (“Eu vou te picar”), mas, no fim, ele a quebra de qualquer maneira, e o “lamento e tristeza” dela não lhe servem de nada — ela precisa suportar.
Quando Goethe terminou seus estudos, em agosto de 1771, desenvolveu problemas de compromisso. Sentindo-se preso à perspectiva do casamento, abandonou Friederike abruptamente e retornou a Frankfurt. Friederike adoeceu gravemente devido à desilusão amorosa, e Goethe foi atormentado por uma consciência culpada durante toda a sua vida. "Heidenröslein" reflete precisamente isso: o rapaz toma impiedosamente o que deseja — a inocência e o coração de Friederike.
Existem mais de 100 versões musicais para a poesia, mas duas se tornaram mundialmente famosas:
  1. Franz Schubert.
    Franz Schubert (1815): 
    Sua versão é uma canção artística clássica e elegante, com um acompanhamento de piano leve e muito conhecido. Enquanto Heinrich Werner compôs, posteriormente, uma canção puramente folclórica, Schubert criou uma obra-prima da canção erudita (Opus 3, nº 3). Schubert mantém a mesma melodia para todas as três estrofes. Isso é incomum para ele, já que normalmente compunha canções adaptando a música ao clima de cada estrofe. A composição de Schubert, em um compasso 2/4, soa extremamente inocente, doce e dançante. Ele usa deliberadamente essa leveza como contraste: a música mascara a brutalidade do texto, tornando a tragédia ainda mais perturbadora para o ouvinte. O piano serve como pano de fundo: com suas notas curtas e saltitantes de colcheia, o acompanhamento imita as andanças despreocupadas do menino pela natureza. Somente na estrofe final, quando a rosa é colhida, a dinâmica e o ataque mudam ligeiramente antes que a canção retorne ao mundo aparentemente idílico da melodia inicial.

  1. Heinrich Werner (1829): Seu arranjo musical é mais simples e se tornou um clássico absoluto da música folclórica alemã, que é geralmente o que as pessoas imaginam quando pensam na canção atualmente.

Em síntese, o poema "Heidenröslein" (Rosa Selvagem) de Johann Wolfgang von Goethe, escrito em 1771, narra o encontro de um menino com uma rosa em três estrofes com um refrão recorrente. O texto descreve a admiração do menino, o aviso da rosa e, finalmente, o rompimento violento da flor.
O poema "Heidenröslein" não só influenciou a música clássica ao longo do tempo, como também inspirou muitos artistas modernos dos gêneros rock, metal, pop e música eletrônica. A obra foi frequentemente interpretada sob uma perspectiva completamente nova, mais sombria ou moderna.

1. Rammstein – "Rosenrot" (2005) - Embora a banda alemã de rock Rammstein não tenha feito uma versão nota por nota da música, "Rosenrot" é uma homenagem direta e consciente, além de uma reinterpretação do poema de Goethe. A música começa com os versos modificados: "Sah ein Mädchen ein Röslein stehn / Blühte dort in lichten Höhen."
Os papéis são invertidos: enquanto no poema de Goethe o rapaz toma a iniciativa, na versão do Rammstein é a moça que, egoisticamente, incita o homem a colher uma rosa em um penhasco perigoso. Ele cai e morre na tentativa. O tema do desejo implacável e da destruição é, portanto, perfeitamente preservado.
2. Subway to Sally – “Heidenröslein” (1997) - A conhecida banda alemã de folk metal e rock medieval musicou a canção em seu álbum Bannkreis. A banda usa riffs de guitarra elétrica pesados ​​misturados com instrumentos medievais. Com efeito, os vocais crus, quase agressivos, tornam o significado original e ameaçador da letra (o abuso sexual) extremamente palpável musicalmente. Não soa mais como uma canção folclórica inocente.
 
3. Rabenschrey – “Heidenröslein” (2001) - é outra banda da cena do rock medieval que fez um cover da música. A versão deles é bem dançante, rítmica e enfatiza o caráter folclórico da canção, mas dá a tudo um toque moderno e cru de rock acústico com vocais masculinos profundos.
 
4. Die Prinzen – “Heidenröslein” - A banda alemã de pop a cappella também interpretou a música. Ao contrário das versões metal, eles mantêm o canto coral clássico, mas apresentam tudo em um arranjo pop moderno sem instrumentos. Aqui, a harmonia vocal pura ganha destaque.
 
5. Versões Internacionais: Shiina Ringo (2002) - A música também aparece na cultura pop internacional. A famosa cantora japonesa de J-Pop/Rock, Shiina Ringo, gravou uma versão experimental intitulada "D. 257" (em referência ao número oficial da obra de Schubert). Ela canta a música com batidas eletrônicas e mantém alguns trechos da letra original em alemão.
 
Publicado pela primeira vez em uma versão diferente por Johann Gottfried Herder em 1772 com o título "Fabelliedchen" e novamente em 1779 com o título "Röschen auf der Heide". 

Letra
Heidenröslein
Texto de  Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Musica de Franz Schubert (1797-1828)

Sah ein Knab' ein Röslein stehn,
Röslein auf der Heiden,
War so jung und morgenschön,
Lief er schnell, es nah zu sehn,
Sah's mit vielen Freuden.
Röslein, Röslein, Röslein rot,
Röslein auf der Heiden.
 
Knabe sprach: Ich breche dich,
Röslein auf der Heiden!
Röslein sprach: Ich steche dich,
Daß du ewig denkst an mich,
Und ich will's nicht leiden.
Röslein, Röslein, Röslein rot,
Röslein auf der Heiden.
 
Und der wilde Knabe brach
's Röslein auf der Heiden;
Röslein wehrte sich und stach,
Half ihm doch kein Weh und Ach,
Mußt es eben leiden.
Röslein, Röslein, Röslein rot,
Röslein auf der Heiden.

Vídeos







Partituras


Johann Wolfgang von Goethe casou-se em 19 de outubro de 1806 com Johanna Christiane Sophie Vulpius (1765–1816), na cidade de Weimar, Turíngia (Thüringen), Alemanha.

Para ouvir mais música alemã cantando junto - Clicar sobre:
Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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sábado, 20 de junho de 2026

Musik in der Nacht

Guten Abend Freunde!
Um pouco de música na noite... 







Bis Morgen!

 

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

A Casa Rauert de Itajaí e a Casa Vianna de Blumenau - Arquitetura Art Nuveau - Quando aconteceu a conexão e quem foram os responsáveis?

Trabalho - arte sobre a madeira feitos pela família Gropp para Itajaí e para Blumenau.

Encontramos o registro de uma casa cuja arquitetura apresenta elementos de fachada idênticos aos presentes na Casa Vianna, de Blumenau — que está prestes a ser realocada do bairro Vorstadt (em frente ao Hospital Santo Antônio) para o Morro do Aipim.
Relembrando, a Casa Vianna é um exemplar de arquitetura enxaimel com fechamento em madeira e detalhes no estilo Art Nouveau. Uma de suas principais características é a simetria de sua fachada frontal, bem como os elementos decorativos no Dachgaube e a distribuição das arcadas da varanda, detalhadamente simétricos, que muito encantam o apreciador da arte na arquitetura.
O que não contávamos era que existisse uma edificação semelhante construída na cidade de Itajaí, com a mesma fachada e os mesmos detalhes decorativos, com a diferença de que o seu corpo — as demais partes da casa — foi construído em alvenaria autoportante de tijolos maciços rebocados, dentro de uma linguagem eclética.
As fachadas frontais das duas edificações, de Blumenau e de Itajaí, no entanto, são idênticas.

Para ler mais mais sobre a casa Viana, basta clicar sobre o link: Casa Enxaimel - Espólio de Abelardo Vianna - Casa Vianna - Patrimônio em Risco

A Casa Rauert - de Itajaí

Filha de Emil Odebrecht.
De acordo com informações propagadas na cidade de Itajaí, a Casa Rauert foi construída pelo capitão da embarcação Sta Anna de Itajaí, Hermann Rauert (1890–1971), natural de Joinville. Hermann casou-se com a blumenauense Bertha Baumgart (1895–1957), em Blumenau, em 1º de junho de 1918. Ela era neta de Emil Odebrecht e filha de Carl Gottfried Gustav Baumgart (1856–1927) e de Mathilde (Odebrecht) Baumgart (1866–1904). Bertha nasceu em Blumenau em 20 de abril de 1895. Quando Hermann e Bertha se casaram, a Casa Vianna já tinha 5 anos de existência. Mathilde também foi irmã do engenheiro  Emil Heinrich Baumgart, o "pai do concreto armado" no Brasil, cuja biografia já registramos.
O casal Hermann e Bertha teve três filhas: Jutta Ethel Rauert (1919–1996), Edith Carmen Ellen Rauert (1922–1979) e Gerda Renata Aracy Rauert (1923–).
Hermann Rauert foi filho de Joachim Rauert e de Catharina (Rosenberger) Rauert (1854–1899).

Mas qual a ligação e como aconteceu entre a Casa Vianna e a Casa Rauert?

Casa construída por Emil Gropp em 1867 e foi sua residência -
demolida em 2019, em Blumenau.
Encontramos uma possível explicação para a duplicação de uma obra de arte arquitetônica em madeira - trabalhada no estilo  Art Nouveau.
Refletimos...
O casal Joachim Rauert e Catharina (Rosenberger) Rauert (1854–1899) não eram pais somente de Hermann, mas também de Frieda Rauert (1889–1971), um ano mais velha que seu irmão. A família mudou-se de Joinville para Itajaí, por conta do trabalho dos homens da família.
E o que aconteceu?
Frieda Rauert conheceu o filho do construtor da Casa Vianna de Blumenau: o marceneiro e também dentista Gustav Adolph Gropp (1874–1949), nascido em Blumenau. Ele era filho do madeireiro e marceneiro Emil Rudolph Julius Gropp (1839–1923) e de Anna (Jenichen) Gropp (1847–1925), além de irmão de Richard Gropp (1872–1948) — família que construiu a Casa Vianna como uma vitrine das belezas que se poderia fazer com a madeira.
Casa Vianna.



Certidão de óbito do filho de Emil Gropp, Adolpho Gropp, falecido em Itajaí e casado com uma Rauert.
Como Hermann Rauert se casou somente em 1918 — cinco anos após a construção da Casa Vianna e dezoito anos após o casamento de sua irmã Frieda e Adolph —, concluímos que a família já conhecia muito bem o ofício dos Gropp em Blumenau. De lá também era a origem da família de sua esposa, Bertha, que, sendo neta de Emil Odebrecht e filha de Mathilde (Odebrecht) Baumgart, por certo igualmente conhecia a família Gropp, que era a família de seu cunhado Gustav Adolpho Gropp.
Assim, concluímos que a Casa Rauert tenha sido construída após a construção da Casa Vianna (1913) e recebido os trabalhos da família Gropp, que residia em Blumenau. Como já mencionado, construíram a Casa Vianna no bairro Vorstadt como uma vitrine do que se poderia construir com madeira beneficiada artisticamente, uma vez que dominavam o comércio de madeira e possuíam uma marcenaria no local  onde também residiam
Hermann Rauert, ao se casar em 1918, quis uma casa e, conhecendo a Casa Vianna por intermédio de sua noiva/esposa e também por parte de seu cunhado (marido de sua irmã Frieda, nascido Gropp), tomou emprestado o modelo das peças de madeira da Casa Vianna como também sua fachada principal e detalhes.
Construída por Emil Rudolph Julius Gropp (pai de Adolpho Gropp), em 1869,  Vorstadt, Blumenau. Foi demolida para alugar comoestacionamento.
Resumidamente, a irmã mais velha de Hermann Rauert (1890–1971), Frieda Rauert (1889–1971), também natural de Joinville, era casada com o filho de Emil Rudolph Julius Gropp (cuja família construiu a Casa Vianna), Gustav Adolpho Gropp (1874–1949). Casaram-se em 29 de dezembro de 1900, bem antes da edificação de Blumenau, construída em 1913. Hermann Rauert casou-se com a blumenauense Bertha Baumgart (1895–1957) — filha de Mathilde (Odebrecht) Baumgart — em 1º de junho de 1918, quando a Casa Vianna já havia sido construída.



Relato sobre a cidade de Blumenau/SC nos primeiros anos do século XX intitulado "Um passeio pela rua principal de Blumenau em 1900/1903" escrito por Otto Stange e traduzido do alemão pelo seu filho Erich Stange
"O galpão dos imigrantes, situado no bairro “Vorstadt”, foi visitado por nós. Velho, com aspecto de abandono, não é mais usado para seu fim específico, mas é usado por algumas famílias caboclas como moradia. Tudo bem. Todavia, dividido em diversos cômodos, este comprido galpão de madeira serviu para muitas famílias recém imigradas, como primeira estada na terra estranha. Mas hoje, os imigrantes, logo após a sua chegada, são despachados por carroções puxados por duas parelhas de cavalos, via Morro do Cocho, para a recém aberta colônia de Hansa-Hammonia.
Neste instante vem chegando o vapor de rodas “Blumenau”, subindo o rio, cheio de novos alemães. Ao redor da chaminé e outros vãos estão sentados, todos cheios de esperança, olhando para frente, homens, mulheres e crianças. Manéca, o cozinheiro de bordo, mal consegue achar passagem. Os demais marinheiros se retiraram para suas cabinas ou ficaram na popa do barco, conversando. O capitão Krambeck observa a aproximação da cidade e puxa a corda do apito à vapor, - tuuuut, tuuut, estamos chegando. São aproximadamente três horas da tarde. O vapor hoje chega mais cedo do que de costume, certamente teve menos perda de tempo nas paradas em Ilhota e Gaspar. Também as chuvas nas últimas semanas eram poucas, em consequência o rio está com o volume de água normal, a correnteza não é forte, descendo devagar até o porto de Itajahy, na barra do rio.
Apressamos o passo, pois não queremos perder a chegada do vapor no trapiche. Também o nosso superintendente Dr. Cunha está atrás da sua casa, observando a chegada do barco. Novos alemães, muito bem precisamos deles, são bons agricultores, bons colonos. Cumprimentamos o velho Emil Gropp na passagem, quando o mesmo como de costume, cruza a estrada, saindo da sua serraria para a sua residência. Esta trabalhando com suor e passa o lenço para enxugar a testa empoeirada de serragem. Sempre atento na serra, não fica atrás dos seus filhos, no serviço. “EMIL GROPP & FILHOS”, pode-se ler na construção comprida que abriga a serraria à vapor."


Arquitetura 

A Casa Rauert tinha a volumetria característica da casa alemã construída nas áreas urbanas, no Vale do Itajaí, usando somente a técnica autoportante com tijolos maciços rebocados, com a presença do Dachgaube. As fachadas, como era comum na casa do imigrante alemão, apresentavam a simetria dos elementos e das aberturas. Sua relação com a Casa Vianna foi que ela recebeu todo o decorativismo nos lambrequins, na varanda e no Dachgaube (típicos da casa urbana enxaimel) em madeira, com grandes indícios de que foram fabricados na marcenaria Gropp, de Blumenau, através da amostra apresentada na própria Casa Vianna — deliberadamente exposta como uma vitrine das possibilidades de uso da madeira na construção. As proporções e os números são os mesmos usados na Casa Vianna, que está prestes a ser realocada, em Blumenau.
Também observamos que a Casa Rauert foi construída elevada, criando o ambiente "Keller" (porão) e tornando-a apta a receber uma monumental escada que acessava a varanda de madeira, feita no estilo Art Nouveau. É interessante que, nas demais elevações onde predomina somente a alvenaria autoportante, os elementos são do neoclássico, com as características aberturas feitas na região, na época com duas folhas envidraçadas e com a presença da bandeira, materializando o estilo predominante do ecletismo com destaques ao Art Nouveau e ao neoclássico.
Os desenhos dos detalhes em madeira são exatamente iguais aos da casa construída em Blumenau em 1913.

Casa Rauert - Itajaí






Casa Vianna - Blumenau (Gropp)
Em descrições encontradas e publicadas em Itajaí, reportam equivocadamente este patrimônio como um exemplar do "estilo alpino". Nada a ver.
O destino da casa foi definido já na década de 1930, quando foi alugada para Israel José Tadeu por mais de 40 anos. É curioso que Hermann Rauert faleceu somente em 1971; por algum motivo, não permaneceu em contato com este exemplar único de arquitetura do Vale do Itajaí. O locatário e sua família residiram na casa, e foi ali também onde fixaram a empresa de transporte rodoviário de cargas — uma atividade totalmente destoante do patrimônio, que permaneceu assim por mais de 43 anos. Com isso, o entorno da edificação recebeu a construção de um grande galpão, usado como garagem e depósito.
Em 1973, a Casa Rauert retornou à administração da família. A filha de Hermann Rauert, Jutta Rauert, mudou-se de volta do Rio de Janeiro para morar no local. Em 1995, Jutta faleceu no interior do imóvel. Foi encontrada por vizinhos.  A propriedade entrou em inventário e ficou abandonada. Foi nesse curtíssimo período (entre 1995 e 1998) que vândalos e invasores depredaram o local. A imagem do casarão com aspecto degradado fez com que as pessoas o "rotulassem" como a "casa da bruxa" ou "casa assombrada".
Isso foi o suficiente para não despertar a sensibilidade de lideranças de Itajaí, sendo enfim efetuada a sua demolição, apesar dos apelos da comunidade, de pesquisadores e de uma tentativa de negociação para que a Univali transformasse o espaço na Faculdade de Arquitetura. O tombamento foi rejeitado pelos proprietários devido aos custos de restauro. A demolição aconteceu em 1998.
O terreno onde ela estava atualmente abriga as instalações do Colégio Adventista de Itajaí.
Fonte: Google Maps.


Fonte: Google Maps.
Um comentário do Mestre carpinteiro Anderson Töwe (Instagram)
É importante dizer que esses desenhos já eram bem conhecidos e compartilhados e é bem provável foi trazido da Alemanha o projeto e compartilhado. Isso se não mesmo, a própria fachada importada da Alemanha. Uma amostra iria dizer com que madeira foi feita. No Brasil, em quase 100%, era usado cedro rosa ou canela preta para esses acabamentos. Já  na Alemanha, o carvalho é o mais adequado pela resistência. Anderson Töwe - 19 de junho de 2026 (Instagram)