quinta-feira, 11 de junho de 2026

Roteiro Alemanha 2025 - Kirchheim unter Teck - Heimat (terra natal) de Christian Wittmann - que "se fez presente" na Martinskirche (Igreja de São Martinho) - Um pouco de História

Rathaus - Prefeitura de Kirchheim unter Teck

No último dia na região de origem da família Wittmann/Müller, dia 2 de maio de 2025,  nós fomos até Kirchheim unter Teck, cidade onde nasceu Christian Wittmann, Opa de Roberto Wittmann. Saímos cedo rumo ao estacionamento gratuito da cidade e a percorremos a pé, coisa que ainda não tínhamos feito, nem em 2016, quando estivemos lá.
Como já apresentamos em textos anteriores, Kirchheim unter Teck é uma cidade alemã localizada no estado de Baden-Württemberg, a cerca de 35 km a sudeste da capital, Stuttgart, junto às montanhas da Schwäbische Alb
A cidade possui cerca de 40 mil habitantes e destaca-se por sua arquitetura medieval, cultura e forte polo comercial. Suas ruas do Centro Histórico (Sem uma loja do tipo Havan - como aconteceu no Centro Histórico de Blumenau) são pavimentadas com paralelepípedos e ladeadas por casas em enxaimel, e sua prefeitura é conhecida pelo teto de caixotões (cassetes) e por um relógio que mostra as fases da lua.
Na região foram encontrados vestígios do período neolítico, dos celtas e também cemitérios do período romano e do período pré-medieval, materializando um assentamento de períodos distintos da história da civilização na região da área urbana.
A primeira menção de Kirchheim em uma publicação data de aproximadamente o ano de 960, quando a localidade tinha relações com a Diocese de Chur — uma posse do imperador Otto I. Mais tarde, o local fez parte das propriedades do Duque de Zähringen. No ano de 1186, passou a integrar os domínios do Duque de Teck e, desde o ano de 1252, adotou o nome da família deste duque.
Entre 1220 e 1230, surgiu o mercado na cidade por meio da Lei de Freiburg (Freiburger Stadtrecht). O Convento de Kirchheim foi fundado no ano de 1240 pelo Duque Ludwig I de Teck. Já no ano de 1270, o Duque Konrad iniciou a construção da muralha da cidade.
De 1303 até 1386, devido às dificuldades econômicas do Duque de Teck, Kirchheim passou do domínio da Áustria para o de Württemberg. No século XIX, a cidade tornou-se a sede do Instituto Superior de Württemberg, onde permaneceu até o ano de 1938. Em 1539, foram construídos uma fortaleza e o castelo ducal, que atualmente podem ser visitados após terem sido reconstruídos, já que a cidade sofreu um incêndio devastador no ano de 1690.
Kichheim - 1683.
Durante o século XIV, houve grandes mudanças sociais que propiciaram o desenvolvimento econômico da cidade. Enquanto a nobreza de Teck estava em decadência, a burguesia local ganhava força social e financeira, o que gerou um grande crescimento econômico, especialmente na manufatura têxtil e, consequentemente, no surgimento do comércio de tecidos.
A partir da indústria têxtil, surgiram ramificações em outras áreas correlatas. A manufatura da lã, por exemplo, atraiu a mão de obra de tintureiros, além de plantas têxteis e indústrias metalúrgicas.
No ano de 1864, quando Blumenau já completava 14 anos de fundação, Kirchheim recebeu a primeira ferrovia privada de Württemberg, na linha Unterboihingen-Kirchheim.
Em 1938, a partir de uma reforma administrativa, a cidade passou a abrigar o alto escalão administrativo e tornou-se parte do Distrito de Nürtingen.
Após a Segunda Guerra Mundial, a população da cidade aumentou consideravelmente em função da chegada de refugiados de guerra. Em 1948, o número de habitantes de Kirchheim ultrapassou a marca de 20.000 pessoas.
Em 2016, visitamos os sobrinhos de Christian Wittmann, que tinham toda a história da família nas paredes de sua casa. Desta vez, em 2025, não conseguimos vê-los, pois faleceram.

Wilhelmine (Wittmann) Luttenberger, irmão da Christian Wittmann,
 Opa de Roberto Wittmann.
Christian Wittmann, Opa de Roberto Wittmann, na parede dos Luttenberger.
Família Wittmann de Kichheim unter Teck.
Família Wittmann - do Brasil: Christian Wittmann e sua família, esposa e filhos. Registro fotográfico encontrado em Kirchheim unter Teck.
Com Willi Luttenberger, em Kirhheim unter Teck, 2016.
Roberto Wittmann, Willi e Rudi Luttenberger, em Kirchheim unter Teck, 2016.
Rudi e Willi Luttenberger, sobrinhos de Christian Wittmann, residiam em Kirchheim unter Teck. Quando jovens, tinham como hobby caminhadas e escaladas. Neste momento do registro, eles presenteavam Roberto Wittmann com o livro de cantos de Christian Wittmann — seu Opa.
Livro de canto que pertenceu a Christian Wittmann,
presenteado a Roberto Wittmann, em 2016.
Com as lembranças dos momentos vivenciados em 2016 com Rudi e Willi Luttenberger em seu mundo particular — ocasião em que não conhecemos muito da cidade —, aproveitamos esta viagem de 2025 para conhecer melhor a cidade deles e também a de Christian Wittmann, Opa de Roberto Wittmann. Christian era irmão da mãe deles, Wilhelmine (Wittmann) Luttenberger, que o tinha como seu irmão preferido e que migrou para o Brasil em 1923. 
De maneira especial, visitamos a Martinskirche (Igreja de São Martin) e tivemos uma experiência inusitada — registrada em vídeo.
Mas, antes de prosseguir, vamos contar um pouco da história de Christian Wittmann, uma personalidade que nasceu em Kirchheim unter Teck em 22 de setembro de 1891.

Christian Wittmann (1894 - 1974)
Christian Wittmann é o primeiro em pé, à esquerda. Na sequência, estão seus irmãos Franz e Wilhelm, e suas irmãs Marie e Wilhelmine. Os pais eram Marie Christine e Franziskus Wittmann.
Christian Wittmann
, pai de Rodolpho Wittmann e Opa de Roberto Wittmann, nasceu em Kirchheim unter Teck em 22 de setembro de 1891. Ele era filho do sapateiro e comerciante Franziskus Wittmann (1851–1931) e de Marie Christine (Dürr) Wittmann (1849–1914). Seus pais se casaram em 17 de fevereiro de 1884 em Kirchheim unter Teck, na época pertencente ao Reino de Württemberg, na Alemanha.
Em 1912, aos 21 anos, Christian mudou-se para Stuttgart, onde trabalhou em um jornal da cidade e, logo em seguida, ingressou no exército para servir por dois anos. Ao deixar o serviço militar em 1913, retornou ao seu trabalho no jornal. Com o início da Primeira Guerra Mundial em 1914, ele naturalmente tornou-se um combatente, permanecendo nos campos de batalha durante os quatro anos de conflito — uma vivência que deixou marcas profundas que ele carregaria pelo resto de sua vida.

Christian
, ao término da guerra, voltou a trabalhar no jornal em Stuttgart. Ele alugou um quarto que estava prestes a ser anunciado no próprio jornal onde trabalhava. Tratava-se de um quarto na casa da família onde trabalhava Emma Louise Müller, natural de Winterbach im Remstal (1894–1981), sua futura esposa.
As três cidades eram muito próximas, onde nasceu Emma Louise, onde nasceu Christian e onde eles se conheceram.

Christian e Emma casaram-se em Stuttgart em 13 de maio de 1922. Emma Louise Müller era filha do pastor de ovelhas de Winterbach im Remstal, Karl Michael Müller (1850–1935), e de Katharina Christine (Bässler) Müller (1858–1914).
Os tempos eram difíceis na Alemanha pós-guerra. Christian Wittmann continuava a trabalhar no jornal, enquanto Emma Louise (Müller) Wittmann cuidava da casa e, logo em seguida, ficou grávida de Rodolpho Wittmann (1923–2008) — pai de Roberto Wittmann.
Emma Louise tinha um irmão, Wilhelm Müller, que havia migrado para o Rio de Janeiro, no Brasil. Através de cartas, ele contava à irmã sobre as leis de incentivo do governo brasileiro para a imigração e colonização no sul do país. Proprietário de uma fábrica de escovas, Wilhelm incentivou a vinda da irmã e do cunhado, apontando que a vida na Alemanha pós-guerra estava muito difícil e que a família deles estava prestes a aumentar, já que a gestação de Emma Louise estava em andamento.
Diante disso, o casal decidiu migrar para o Brasil. Venderam os poucos pertences que possuíam na Alemanha e aceitaram as passagens custeadas pelo governo brasileiro para buscar uma nova vida. Desembarcaram em fevereiro de 1923, com Emma Louise já no sexto mês de gestação do pequeno Rodolpho Wittmann. Assim como as demais famílias de imigrantes, os Wittmann desembarcaram primeiramente na Ilha das Flores para para passar por inspeção sanitária, registro e quarentena.
Após o período de quarentena, eles se encontraram com Wilhelm Müller. Christian Wittmann começou a trabalhar na fábrica de escovas do cunhado. Em 13 de agosto de 1923, nasceu, em Santa Cruz, o primogênito do casal, Rodolpho Wittmann.
Em breve, contaremos em detalhes da saga da família Wittmann e de Rodolpho Wittmann, que mais tarde constituiu sua própria família e fixou residência em Blumenau/SC, onde faleceu em 1° de setembro de 2008.
Nesta nossa viagem de 2025, a Kirchheim unter Teck, aconteceu um "encontro" entre Roberto Wittmann e Christian Wittmann
No momento em que conseguimos entrar na principal igreja da cidade natal de Christian Wittmann — que estava fechada e vazia —, encontramos uma porta destrancada. Coincidentemente ouvimos a canção que o Roberto canta junto de seus amigos do Coro Masculino Liederkranz no Show dos Velhos Camaradas (Alte Kameraden). Gravamos involuntariamente este momento, que compartilhamos no vídeo a seguir.
As imagens comunicam - Kirchheim unter Teck
Vídeo
Fotografias
Característica cerca gradil cuja origem deu-se também no período neolítico, juntamente com o embrião do enxaimel.


























Prefeitura da cidade de Kirchheim unter Teck

Edifício de três pavimentos, telhado de duas águas, torre sineira com estrutura em enxaimel com relógio e cúpula em forma de cebola, térreo autoportante rebocado (influência da arquitetura romana), demais pavimentos em enxaimel decorativo, painéis de parapeito com padrões em losango, pilares de canto esculpidos com pequenas colunas, vestíbulo com arcadas em arco de cesto no térreo. Foi construído no local da antiga casa burguesa ou salina, utilizando uma adega abobadada mais antiga, segundo projeto de Johann Ulrich Heim e pelos mestres carpinteiros Michel Schimmig e Hans Jörg Kull, entre 1721 e 1726, com o enxaimel exposto em 1905.
A Prefeitura de Kirchheim é o edifício central da cidade — ponto focal do eixo central, define o centro de forma representativa. Sua localização foi determinada pelo senhor feudal com o objetivo de reorganizar a cidade após o incêndio que a destruiu em 1690. No entanto, o senhor feudal se esquivou dos custos da nova construção, embora fosse proprietário da estrutura anterior. Somente após uma longa disputa com o governo ducal foi possível construir o novo edifício no local da antiga casa burguesa ou salina.
Com sua torre sineira sobre o frontão, o edifício se insere na tradição da arquitetura medieval das prefeituras, aqui traduzida na forma de uma estrutura em enxaimel, no estilo barroco. A prefeitura é uma expressão física dos direitos dos cidadãos, mas sua localização também testemunha a intervenção principesca na reconstrução da capital do distrito. Assim, possui significado para o caráter da cidade.






Detalhes da Prefeitura de Kirchheim unter Teck.






Eixo Central.





Martinskirche - Igreja São Martinho  (Kirchheim unter Teck)
Martinskirche.
A Igreja de São Martinho é a principal igreja protestante de Kirchheim unter Teck. Sua origem reporta a uma construção de madeira em enxaimel, construída por monges francos durante o assentamento franco na região, no século VII, e nesta época já era dedicada a São Martinho. Foi mencionada pela primeira vez em 960. Por volta de 1220, foi ampliada para uma basílica românica de três naves pela família Zähringer e reconstruída em meados do século XV em estilo gótico, como uma igreja-salão com teto de madeira e arcadas de tijolos. Foi restaurada após o incêndio de 1690. A nave da igreja-salão é dividida em três corredores por fileiras de colunas que, como é comum nas igrejas-salão holandesas e típicas das inglesas, são revestidas com estruturas de madeira. Os capitéis das colunas foram adicionados durante a reforma por volta de 1960 pelo escultor Eberhard C. Unkauf e representam diversos símbolos, em sua maioria cristãos, como um cordeiro, um trevo, uma árvore florida, hera, peixes, coroa de espinhos, videira, lírio, folha de carvalho e pássaros. Na parte oeste da nave, foi instalada uma galeria onde se encontra o órgão, que foi reconstruído por Richard Rensch a partir de 1965 e de onde ouvimos a canção Alte Kameraden ser tocada durante nossa visita.













"O painel que retrata os dois reis equestres pertence ao antigo altar-mor da Igreja de São Martinho, do qual ainda existem três painéis originais. Provavelmente, eles datam do círculo do pintor de Ulm, Hans Schüchlin (falecido em 1503). O painel equestre complementa a cena da Natividade, com o rei ajoelhado diante do menino Jesus. O painel original, embora recortado, encontra-se atualmente no depósito do Museu Estadual de Sttutgart.
Infelizmente, o Museu Estadual não liberará a pintura original para que a mantenhamos aqui na Igreja de São Martinho, a menos que a coloquemos em uma vitrine com umidade constantemente controlada. Tal vitrine é muito cara e está além de nossas possibilidades financeiras.
No entanto, encomendaremos uma réplica fotográfica profissional em tamanho real e a exibiremos ao lado do presépio. Embora não seja a pintura original, os visitantes da Igreja de São Martinho poderão pelo menos ver o painel que falta."








Jardins da Igreja de São Martin
































































Interessante as venezianas destas janelas. Iguais aquelas construídas
em Blumenau no início do século XX.


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Caminhamos de volta até o estacionamento gratuito na saída da cidade e retornamos ao local onde estávamos no final da tarde, sendo que às 20h, nesta época do ano na Alemanha, ainda é dia. Fizemos o Abendbrot na residência dos Worms e depois fomos nos despedir da cidade natal da esposa de Christian Wittmann, Emma Louise Müller, que é a cidade de Winterbach im Remstal.














Despedindo-nos de Winterbach im Remstal


Winterbach im Remstal, cidade natal de Emma Louise, esposa de Christian Wittmann. 



Winterbach im Remstal, cidade natal de Emma Louise, esposa de Christian Wittmann. 




Winterbach im Remstal, cidade natal de Emma Louise, esposa de Christian Wittmann. 

Winterbach im Remstal, cidade natal de Emma Louise, esposa de Christian Wittmann. 




Winterbach im Remstal, cidade natal de Emma Louise, esposa de Christian Wittmann. 



Winterbach im Remstal, cidade natal de Emma Louise, esposa de Christian Wittmann. 





Winterbach im Remstal, cidade natal de Emma Louise, esposa de Christian Wittmann. 







Livros na praça para serem emprestados.
Com  Dr. Wolfgang Betz em 3 de maio de 2025.

Assim encerramos parte do roteiro número 6 e, no dia 3 de maio de 2025, seguimos para Neuendettelsau, Roteiro 7, para reencontrar o Dr. Wolfgang Betz. Nesta parte do roteiro, atualizamos nossas pesquisas. Temos muito material para compartilhar referente à arquitetura ancestral e também a práticas de hábitos e costumes.

Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
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Leituras Complementares - Clicar sobre o título

Roteiro 3 com base na cidade Passau
Roteiro 4 com base na cidade Wolfegg
Roteiro 5 com base na cidade de Villingen-Schwenningen - Floresta Negra
Roteiro 6 com base na cidade de Winterbach