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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Casa Koch e sua História - Construção enxaimel de 1826 corre risco - Estância Velha RS

Casa Koch - Estância Velha - Registro IPHAN.
A edificação com estrutura de madeira usando a técnica construtiva enxaimel, no Brasil, com maior concentração no Sul do país, está em célere processo de extinção na paisagem. Existem muitos inventários e trabalhos técnicos com registros para atestar importantes tipologias históricas. Estes, feitos por equipes técnicas especializadas preocupadas com o futuro da história presente na paisagem, legado recebido pela geração atual, guardiã e que têm a responsabilidade de salvaguardar e permitir que as futuras gerações, a exemplo do que ocorre em algumas partes do planeta, possam ter a oportunidade de poder contemplar esta história, como nós tivemos esta oportunidade.
Mediante vários motivos, do econômico à desinformação e ausência de sensibilidade, o que assistimos paulatinamente, áreas descaracterizadas e ocupadas por construções de gosto duvidoso e ou, com ausência de originalidade, ocupando os espaços históricos de maneira desconexas, ou mesmo, vazios inexplicáveis e incompreensíveis.

Acabamos de escrever o livro "Fachwerk - a Técnica Construtiva Enxaimel" e esta informação levou uma pessoa que reside em Estância Velha - no Rio Grande do Sul compartilhar sua preocupação e apresentar uma tipologia pertencente ao Patrimônio Histórico Arquitetônico, não somente do município, mas de toda a região do Vale dos Sinos e do Sul do Brasil, pois trata-se de um exemplar enxaimel construído na década de 20 do século XIX - uma das primeiras edificações construídas por imigrantes alemães naquela região e, talvez, no Sul do Brasil.

Para compreender melhor sua importância....
Um pouco de história da região.

Imagem relacionada
Índios Tupis guaranis - povoação economicamente
 independente e que deu origem à cultura gaúcha,
através das Missões.
Estância Velha foi um povoado que se desenvolveu, a partir de uma fazenda, na margem direita do Rio dos Sinos. Os primeiros moradores foram povos indígenas de várias tribos, como os tupis-guaranis e os kaingangs.
Em 1788 foi instalada a Real Feitoria do Linho Cânhamo, à margem esquerda do Rio dos Sinos, em São Leopoldo, com a finalidade de produzir cordames para os navios portugueses. Para produzir matéria-prima para este estabelecimento, incentivou-se a criação de povoações de imigrantes portugueses e também com a presença de brasileiros, os quais foram distribuídos em muitas fazendas da região, como por exemplo: Fazenda Boa Vista - atual Portão; Fazenda Bom Jardim - atual Ivoti e  também, Fazenda Estância Velha - atual município de Estância Velha. Os primeiros imigrantes alemães chegaram na região em 1825 e se fixaram nas proximidades da Lagoa Lourenço Torres, na Boa Saúde, em cujas margens residia o vice-capataz Imperial, José Antonio de Quadros. 
As embarcações, como fez o vaporzinho de Hermann Blumenau 1846, entrava nesta lagoa e acessa com facilidade as povoações.
Casa Koch.
Entre estes imigrantes alemães - provavelmente estava a família que construiu a Casa Koch, construída em 1826 e que corre riscos de ser demolida, ou relocada de seu local original histórico.
Outro fator histórico pertinente, na escala regional do Sul do Brasil, são as informações de uma das primeiras cartas, escritas por Hermann Blumenau aos pais residentes na Alemanha, como fiscal do governo alemão - para checar a situação de seu compatriotas em solo brasileiro - as notícias que chegavam a Europa não eram muito positivas. Isso porque o governo alemão criou a "Sociedade de Proteção aos Emigrados Alemães" - Colonisation Vereins Hamburg - 1845/1846 - com sede em Hamburg e enviou Hermann Blumenau ao Brasil que chegou ao Sul em 1846.
Blumenau escreveu a carta para os pais em 1846, na qual descreve algumas destas fazendas de gado e curtumes desta região do Rio Grande do Sul, percepções adquiridas em sua primeira visita à região - onde visitou propriedades de imigrantes alemães localizadas nas povoações em torno do lago, pois viajou com embarcação fluvial - observar o mapa acima. Neste tempo a Casa Koch já fazia parte da paisagem local e a Colônia Blumenau sequer tinha sido fundada.

"Pedaços" da Carta de Hermann Blumenau data de 1846  e ilustra este primeiro contato dele com o Sul do Brasil, enviado para seus pais, na Alemanha. A carta inteira está na postagem - Clicar sobre: Hermann Bruno Otto Blumenau - De 1819 até 1846 - Sua carta.
"Depois de ter me referido a assuntos em geral, quero agora fazer-vos destes mais detalhadamente, mesmo que eu, de novo, não possa escrever como desejaria, por ter muito o que fazer e estar com a vista bastante afetada.
Preciso adiar ainda um relatório extenso, para quando tiver mais tempo e estiver melhor ambientado. Agora, portanto, só assuntos,  esparsos da minha vida e atividades, desde a minha chegada ao Rio Grande, de onde só lhes mandei duas cartas mensagens, por não me ter sobrado tempo para comunicações mais demoradas e ainda pela razão de ter sabido, tardiamente, da partida dos respectivos navios.
Viajei de vaporzinho do Rio Grande a Pelotas, situada a noroeste, no rio São Gonçalo, que liga a lagoa Mirim com a dos Patos. A passagem levou  cinco horas e foi agradável. As ribanceiras do rio são baixas e pouco pitorescas, mas de longe, no noroeste, aparece uma linda cordilheira azul, a Serra dos Tapes. Nas margens do Rio São Gonçalo, vi, pela primeira vez, uma capivara entre os juncos, (...).
O comendante do vapor, amável conterrâneo, permitiu-me pernoitar a bordo, onde eu, sob o meu casacão, dormi regularmente bem. No dia seguinte, mandamos chamar um outro alemão, bem conhecedor da região - uma espécie de tropeiro - para conversar com ele sobre uma incursão ao interior, que eu pretendia fazer, indaguei sobre tudo que me interessava, tirando informações valiosas. Depois andamos pelos arredores, onde cheguei a conhecer muita coisa que me era novidade e que observei com grande interesse.
(...)
Bem do lado, onde atracava o vapor, encontrava-se uma charqueada, onde é preparada a carne-seca salgada, e onde estavam sendo secados os couros e procedido o aproveitamento da gordura. Tais charqueadas se estendem ao longo do rio, no percurso de duas horas, sendo que as maiores aproveitam, diariamente, 300, 400 e até 600 cabeças de gado. A vista e o cheiro dessas charqueadas são horríveis - sangue, ossos, carne apodrecida e peles, estômagos e intestinos em decomposição em toda parte, pesteando o ar. Os chifres, ligados ainda a uma parte dos ossos da testa são aproveitados para cercados, dentro dos quais são mantidos porcos e outros animais que, parcialmente se alimentam de sobras de carne. Onde quer que se pise, para onde quer que se vá, sempre o mesmo aspecto de sangue, estômagos apodrecidos e mau cheiro. Fiquei deveras contente quando de lá saímos, por mais interessante que o assunto fosse. Os proprietários dessas charqueadas, os "charqueadores", são geralmente gente bruta, principalmente enriquecidos nos últimos tempos. Se a paz for restabelecida no país vizinho, para o que as expectativas atualmente são boas, o lucro torna-se-á menor, mas sempre ainda bastante compensador.
Mais tarde visitei ainda um negociante alemão, que me acolheu muito bem, tendo me oferecido pouso e um cavalo, dispondo-se a fazer uma excursão comigo. Andei depois por ali assim, tendo visto pela primeira vez, um lindo pomar de laranjeiras, que apresentava um esplendido aspecto., as árvores de ramagem escura e copa arrendondadas, onde apontavam as maravilhosas frutas que estavam justamente amadurecendo. É um belo espetáculo observar-se os pomos dourados, um perto do outro, às centenas! Os pés já produzem no seu quinto ano e consta que,  já no décimo ano dão 4 a 6 mil frutas anualmente. No interior me afirmaram que há laranjeiras de 8 polegadas de diâmetro de renderiam seus 4 a milhares de frutas por ano e teriam apenas 8 anos.
À noite, encontrei em casa do Sr. Claussen ainda alguns brasileiros, todos já um tanto alcoolizados, com os quais palestrei a respeito de minha excursão, sobre a qual, depois de muita discussão, finalmente nos entendemos. Mais tarde, ainda apareceu um grupo de jovens, fantasiados de polacos e poloneses, dançando a polca ao compasso de uma esquisita, ms bonita modalidade de música, que era novidade para mim:  uma pequena flauta com acompanhamento de pandeiro. após os outros terem ainda "champanhado" vastamente e eu meditado sobre os meus planos para o dia seguinte, fomos dormir. Subi a minha cama de campanha e cobri-me com um cobertor e o meu casacão, dormindo bem até o raiar do dia, quando o meu comandante veio do vapor buscar-me para o início da jornada à Serra dos Tapes.
Começou então a balburdia. O gerente da casa de hospedagem Claussen e alguns fazendeiros ali hospedados, todos ainda sob o domínio das consequências da champanha, não encontravam meios de se acordarem. verifiquei também que havia cavalo para mim, mas que não havia arreios. (...) Finalmente , passadas quatro horas, estávamos prontos para partir, isto é, o comandante e eu, pois todos os demais estavam de ressaca, o que não mais me desapontou, convicto, como fiquei, de que eles só estorvariam os meus propósitos.
Através de uma região de terras baixas, por vezes pantanosas, dirigimos-nos, montados nos nossos cavalos, em direção noroeste, ao encontro da montanha.
Três horas distantes da cidade, na propriedade de um amigo do comandante, pretendíamos trocar de cavalos. Não o encontrando, entretanto, em casa tivemos que continuar nos mesmos animais, que não eram lá muito bons. Um pouco adiante paramos em um estância para nos refrescarmos. O proprietário também não estava em casa, mas sim  a patroa e uma irmã dela, ambas chinas, ou índias, com olhos um tanto oblíquos, pele amarelada e cabelos pretos muito compridos. Como fosse domingo, estavam elas bem arrumadas, com vestidinhos bonitos e modernos, os cabelos penteados e bem trançados.  Interessante era o contraste destes requisitos da civilização com a absoluta ausência de bons modos. uma delas puxou as pernas, com a maior naturalidade, para cima do banco, encostando o queixo nos joelhos, enquanto a outra, penteando uma criança, falava com o meu companheiro ao mesmo tempo que, com o pente, palitava os dentes.
Lá tomei pela primeira vez o chá mate (erva mate) a folha de um arbusto em forma de árvore, a qual é torrada e socada. Sobre certa porção desta erva, se põe água fervendo (e açúcar quem quiser), sugando-se o líquido através de um canutilho de folha de Flandes, ou ouro, que termina em uma pequena bola perfurada, que se coloca dentro do chá. De início é fácil queimar-se a boca, como a mim aconteceu, mas depois saboreia-se com gosto esse chá e também sem açúcar, o qual, segundo se diz, muito mais saudável. É preparado sempre na casca de uma pequena abobora garrafa, do tamanho de uma mão fechada, às vezes enfeitadas com lindas decorações de prata.. Suga-se enquanto tiver chá. Depois, vem uma negra, pega a cuia, e despeja nela novamente água fervente e assim a cuia continua a rodar, não se devendo limpar, de maneira nenhuma, a bombilha, mesmo tendo saído, talvez, da boca de um vizinho bastante sujo, porque isto seria interpretado como ofensa. Quando o mate perde o gosto, é jogado fora e coloca-se nova porção de erva.
De lá partimos, após agradecimentos pelo gentil acolhimento, efusivos mas formais, tendo alcançado, após várias horas, na colina anteposta à serra outro amigo hospitaleiro, numa propriedade maravilhosamente bem situada, fazendo jus ao nome: "Muito Bonito".
Fomos acolhidos com muita gentileza e dignidade, tendo eu experimentado  aí, pela primeira vez, uma refeição à maneira nacional: carne de vaca, bem picadinha, com toucinho. O prato é acrescido de farinha de mandioca) produto conseguido pela raspagem, prensagem  e torração da raiz de mandioca) que se mistura à carne, e de que eu gostei muito, jantando-se ainda laranja à vontade.
A permanência ali foi muito interessante. A propriedade é muito bonita, um quarto de légua quadrada, totalmente cercada de laranjas e outras frutas. Mandei pedir informações pelo valor aproximado da mesma, obtendo a resposta que, ao preço de 12.000 dólares (18.000 Thalers) estaria certamente à venda. Seria uma propriedade para um agricultor abastado (Interesse nos negócios de terras). Fica à seis horas de viagem da cidade e do porto de Pelotas, margeada de boa estrada. Lá encontrei, por primeiro, as variedades de laranjas (ou da nossa "Apfelsine", de casca alaranjada), das quais existem diversas espécies de tamanhos e gostos diferentes, assim como acontece com nossas maçãs.
Tem aqui, uma laranja lima, de casca amarelo-claro, cor de limão,  doce, mas um tanto insonsa, a lima de umbigo e a bergamota (da qual se obtém o óleo de bergamota) que também é doce mas nada de gosto especial. As limas são inferiores às laranjas no gosto, mas tem a vantagem da produção durante todo o ano, enquanto a laranja é apenas de seis meses. Depois há  o limão, do qual também existem várias qualidades, alguns bem maiores e bastante mais ácidos do que o nosso limão, e por fim as qualidades azedas (cidras) que na Alemanha, chamamos de  "Pommeranza" ou laranja azeda.
Havia ainda outras árvores frutíferas, como figos,  pêssegos, pinheiros,  (que dão uma qualidade de nozes) como ainda cana de açúcar, batatas, etc. (Vegetais que vi ali pela primeira vez). além disso havia uma porção de arbustos floridos, mesmo sendo inverno na época, principalmente uma espécie de acácia de flor grande purpúrea quase escarlate.
Foi uma pousada agradável, aumentada ainda pela gentileza simples e agradável, mas de grande dignidade, daquela gente.
Depois de termos consumido farto almoço, chupado laranjas e tomado café para finalizar, partimos ao encontro de outro amigo ainda, o qual mora a várias léguas de distância, na montanha.
Anoiteceu entretanto, e nos vimos obrigados a pernoitar a uma milha de distância do nosso destino, em outra fazenda localizada mais esplendidamente ainda do que a "Muito Bonito". Fomos bem recebidos e nos serviram, a pedido de meu companheiro, ainda um pouco de linguiça e farinha, pois eu estava com bastante fome. O leito era duro e a noite gélida, e como tivéssemos apenas nossos casacos para nos cobrir, senti um pouco de frio, mas, mesmo assim, dormi muito bem. Durante a noite, os moradores daquela fazenda começaram a tarefa  de descascar raízes de mandioca para o preparo da farinha, ao clarão de enormes tochas. Não havendo mais sossego, nos levantamos e observamos, por algum tempo, a fauna. Depois pegamos as nossas montarias, o que levou bastante tempo e partimos, após os merecidos agradecimentos.
No alto dos morros havia geado fracamente,mas nos vales, a camada era mais grossa, e havia gelo da  grossura de um dedo nas poças d'água que, entretanto, derreteu muito depressa.
Foi uma magnífica manhã fria e eu mesmo, com região glútea bastante prejudicada, me encontrava em rósea disposição. Depois de duas horas, chegamos à fazenda do Senhor Serafim Barcelos, onde o meu companheiro, lutando entre um grupo de revolucionários, se encontrara aquartelado por diversas vezes.
Fomos recebidos com a mais gentil cordialidade, e fizemos passeios de reconhecimento pela região e pela fazenda, tendo eu recebido muitas informações sobre produtos agrícolas, agricultura, valor das propriedades, etc., sobre o que escreverei em outra ocasião.
(...)
A tardinha, após despedida cordial, com abraços e repetidos convites para outra visita, partimos para alcançarmos ainda "Muito bonito", onde nos haviam convidado para pernoitar.
Desorientamo-nos, entretanto, e cavalgamos pela região até às nove horas da noite, sem avistar casa alguma. Quando por fim encontramos uma estância no mato, onde se encontravam alguns negros e a proprietária, uma mulata. Mesmo que as aparências não fossem muito boas, vimo-nos obrigados a permanecer ali. Ainda nos serviram algumas costelas assadas ao fogo, além de farinha. a fome temperou a refeição simples, que não foi de grande asseio, tendo os dedos de fazer as funções de garfos. Depois nos serviram mate e fumados ainda alguns cigarros, e tendo eu rememorado os acontecimentos do dia, deitamo-nos para descansar dentro de uma cabana inacabada, sem paredes ainda, mas com coberta. O leito improvisado sobre um porta, era duro, porem o cansaço nos fez dormir bem.
Partimos ao raiar do dia em direção a "Muito Bonito", onde fomos novamente recebidos com muita amabilidade.
Depois de bem alimentados, tendo passada mais uma revista na bela propriedade, partimos, tendo chegado ao cair da noite em Pelotas, com a região glútea bastante maltratada, mas absolutamente satisfeitos com o resultado da excursão.
No dia seguinte, visitei uma fábrica de sebo nas proximidades, por cujo proprietário, um francês, fui muito bem recebido e que me mostrou as instalações, tendo conversado com ele sobre tudo que se pode ali empreender, ainda. O  homem havia iniciado, fazia cinco anos, com pouco recursos e, através de muito trabalho e empenho, possui agora, uma grande fábrica com 25 escravos. ele deu-me esperanças para um empreendimento químico, convidando-me, também, para fazer o necessário estágio no seu estabelecimento, para o caso de eu resolver voltar a Pelotas para estabelecer-me ali.
No dia seguinte voltei ao Rio Grande, onde precisei embarcar imediatamente no vapor que zarparia no dia seguinte, com destino ao Rio. Sobre esta viagem, comunicarei na carta seguinte. (...) "
Hermann Blumenau
Ao ler a carta de Hermann Blumenau aos seus pais - na Alemanha, escrita no ano de 1846, podemos imaginar que tenha passado na região das estâncias de gado - ou na região onde já estava construída a Casa Koch - na Estância Velha.
 Genuíno Sampaio
 A povoação da estância em 1933 tornou-se Distrito de Nova Palmeira, através do ato municipal N° 14, pertencente a São Leopoldo. Nova Palmeira, que agora se chamava Genuíno Sampaio - homenagem a um assassino miliciano, cuja biografia pode ser lida em (Clicar sobre) Genuíno Olimpio Sampaio - pelo Decreto-lei Estadual n.º 720, em 29 de dezembro de 1944, adquiriu parte do território do distrito da sede do município de Novo Hamburgo. No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o distrito de Genuíno Sampaio, figura no município de São Leopoldo. Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o distrito de Estância Velha, figura no município de São Leopoldo.
Foi elevado à categoria de município com a denominação de Estância Velha, pela Lei Estadual n.º 3818,  em 8 de setembro de 1959, desmembrado de São Leopoldo. Sede no antigo distrito de Estância Velha constituído do distrito sede foi instalado em 1° de janeiro de 1960. 
Primeiro mapa de Estância Velha - 1960. Fonte: 60 anos de Estância Velha: Guardião da memória mantém a história viva
Mapa de 1856.




Esta edificação em Estância Velha atual é apresentada assim
“Praça 1º de Maio - Estância Velha: casa estilo enxaimel”.

 Dizemos - cenário. A estrutura desta casa é qualquer coisa, menos feita 
de madeira para ser considerada enxaimel - e as ripas apresentadas 
na fachada tem  posições diferentes daquelas usadas estruturalmente. 
É importante conhecer este contexto histórico e sua evolução dentro da linha do tempo e poder concluir que esta edificação histórica apresentada nesta postagem foi construída em um dos primeiros momentos desta história  -  construída pelos primeiros imigrantes alemães que chegaram à região - marcando como o primeiro grupo organizado de imigrantes alemães chegado ao Sul do Brasil. Simultaneamente a esta ameaça que a Casa Koch sofre, a municipalidade destaca como um de seus pontos focais atuais, uma tipologia atual "maquiada" e apresentada como uma edificação construída com o "estilo enxaimel". Lembramos que a técnica construtiva enxaimel  não é estilo, e sim a característica estrutura de madeira que pode ser adotada em todos os estilos. Apresentamos em nosso livro sobre enxaimel, algumas tipologias dentro dos mais variados estilos - até o tempo presente, que faz uso do enxaimel.
Figura 155 do livro "Fachwerk - A Técncia Construtiva Enxaimel" - tipologia enxaimel atual.
Casa Koch - Estância Alta RS.
Em contrapartida, a Casa Koch, construída em Estância Velha, em 1826 é uma edificação original enxaimel, peculiar, que difere da tipologia tradicional da região do Vale dos Sinos. Apresenta caibros de madeira com bitola muito grande - reforçando sua história centenária, pois, aparentemente ainda não haviam problemas com a escassez  da madeira, que diminui muito esta dimensão e até mesmo, a quantidade de madeira usada nas casas enxaimel do Rio Grande do Sul.
Curiosamente a tipologia pertencente ao Patrimônio Histórico Arquitetônico local de Estância Alta RS faz parte do cadastro  inventariado pelo  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN sob o Código EV01. O descaso aparente com esta tipologia pertencente ao Patrimônio histórico Arquitetônico, não leva em consideração - também este trabalho técnico efetuado  em 5 de novembro de 2007, custeado com verba pública.

Dados do Castro do IPHAN
Casa Koch
Código EV01 

Projeto
Inventário da Arquitetura Rural em Municípios das Áreas de Imigração no Rio Grande do Sul - Unidade 12°SR

Técnicos responsáveis: 
Historiadora Fernanda Matschisnke, Arquiteta Enilda Miceli (conhecemos a arquiteta Enilda em Blumenau)- Coordenadoras.
Arquiteta Claudia Milani - Pesquisa campo e levantamentos.
Arquiteta Verônica Verônica Di Benedetti - Supervisão.

Data - 5 de novembro de 2007

Identificação e localização da propriedade/imóvel
Cidade: Estância Velha RS
Localidade/Bairro: Encosta do Sol
Denominação: Casa Koch
Proprietário: Alice Koch
Endereço: Rua Presidente Lucena
Uso original: residencial
Uso original: residencial

Breve Descrição com acréscimo de nossos comentários - em vermelho
Casa do tipo teutobrasileira, enxaimel alemão. Possui uma estrutura de madeira de grandes dimensões totalmente contraventada na diagonal e vedada por alvenaria de tijolos com argamassa de barro e cal. (A casa foi construída com a técnica construtiva enxaimel por imigrantes alemães - os primeiros na região - e o contraventamento é uma das principais características das casas construídas neste período - portanto há redundância nas informações apresentadas) A casa está integra no módulo principal, completamente original, recebeu um acréscimo na parte de serviço e ainda são percebidos os traços de janelas que davam para uma varanda. As telhas são de cerâmica tipo rabo de castor e a estrutura do telhado trabalha junto com a estrutura da casa (Tem tudo para que o primeiro telhado originalmente fosse feito de tabuinhas de madeira e posteriormente fosse trocado por telhas de barro tipo rabo de castor ou telhas planas). Nas duas paredes externas existe um contraventamento como se fosse um tesoura de linha alta. As tábuas do piso do sótão são largas e espessas e não possui forro. No andar térreo o forro predominante é do tipo saia e camisa (Muito utilizado nas casas enxaimel da Alemanha desde a idade média - visitamos algumas, que ainda recebiam um reforço de uma massa feita de barro e palha na parte posterior). As aberturas tipicamente alemãs são sólidas de boa madeira e conservam sua ferragens (Inexiste abertura "tipicamente alemãs" - as usadas originalmente nas construções dos imigrantes no Brasil, desprovidas da influencia da arquitetura local pretérita, são bem diferentes destas. Também as construídas na Alemanha. Estas, de madeira, eram usadas, por falta de opção do vidro ou mesmo, seu alto custo. Nesta região se usava muito o tipo guilhotina, como acontecia com edifícios públicos da Colônia Blumenau - influencia da arquitetura portuguesa regional). A construção está recuada da estrada e possui um lago na frente, com mais uma casa e galpão que serve de oficina e depósito (Toda casa do imigrante alemão do sul do Brasil do século XIX e início do século XX - na área rural  e muitas vezes também na área urbana - era munida de "rancho" e outros elementos do complexo residencial). A implantação, o jardim,  o trato com a paisagem, a relação da casa com o entorno são característico de uma paisagem européia (Não confere - a casa recebe influência da situação geográfica onde foi construída e da sociedade pré estabelecida feitas por grupos migratórios de outros países oriundos da paisagem europeia igualmente, e a maneira de ocupar o espaço, como a migração portuguesa e espanhola, migrações pretéritas a esta - dos alemães). Mantém-se preservada esta  leitura. Vale a pena destacar o pequeno galpão com características da arquitetura colonial portuguesa ao fundo do conjunto principal.
Modificações Visíveis
Construção de uma sala de refeições na parte posterior da casa, em alvenaria, há uns 60 anos atrás. comprovamos através de algumas patologias de umidade que deixam a mostra o tijolo de fechamento e as estruturas de madeira exatamente na área de emenda das paredes do módulo original enxaimel com a construção mais recente. O telhado muda e recebe uma calha de recolhimento do pluvial nesta região, são duas construções geminadas e com sistemas construtivos absolutamente diferentes, mas mesmo assim existe harmonia entre as duas arquiteturas e acaba adquirindo a historicidade que legitima este anexo. A parte de serviço com fornos e tanques agrega o valor cultural.
Informações adicionais
Hoje reside na casa somente o tio. O  sobrinho com sua família residem na casa ao lado, uma construção moderna. A residencia fica ao lado de um clube de pesca. A casa foi adquirida pelo bisavô da família Koch por volta de 1826. Muito móveis são representativos da cultura alemã: 2 camas de madeira torneadas, duas camas de ferro, uma cama de madeira com a guarda em madeira vergada, relógio com pêndulo, armário cabide, isqueiro de madeira com a figura de um alemão, compoteiras de vidro, louças, retratos de família, cômoda,  guarda-roupas, máquina de costura, armário de cozinha, mesa de cavalete (Mobiliários de vários períodos históricos). Os mais novos falam português, mas normalmente a língua mãe é o alemão. Os hábitos e todo o mobiliário são muito característicos do imigrante alemão podemos dizer que a cultural imaterial é muito viva ainda e este conjunto merece ser o destaque desta cidade. A casa é um museu vivo. e os seus proprietários demonstraram orgulho daquilo que conservam (Na Alemanha atual, em nossas pesquisas, visitando algumas tipologias históricas de aproximadamente 900 anos percebemos que muitas são atualizadas e munidas de tecnologia atual para uso das pessoas da sociedade atual, para que estas continuem na paisagem como referencias históricas. Nem sempre todas as edificações históricas precisam tornar-se museu, mas ser preservadas na paisagem, em pleno uso pela sociedade atual e com todo e pleno uso da tecnologia atual - Se não for assim, poderíamos ter mais museus que outros tipos de uso - quanto as edificações de uma cidade histórica. Os elementos formadores, objetos, equipamentos, documentos, fotografias, sim poderiam ser guardados em um único lugar da cidade devidamente catalogados - em um museu.).
As imagens comunicam...












A Casa Koch possui um planta baixa com características da influência da casa portuguesa na distribuição de seus ambiente. Em nossa pesquisa e publicada em nosso livro, encontramos casa com planta semelhante, localizada no Alto Vale do Itajaí, que recebeu influência da casa portuguesa, por estar localizada no caminho das tropas - conhecida Casa Krüger localizada no Município de Braço do Trombudo SC. A planta casa do imigrante alemão é bem característica e difere da casa portuguesa. Surgiu a partir de uma evolução que teve início do período neolítico - a partir da localização do fogo em seu interior.
Vista frontal da Casa Koch.


Estado de Conservação atual da Casa Koch




Janela Guilhotina - Influência da arquitetura portuguesa - estrutura visível sob a fina camada de acabamento e pintura - caibros de grande seção.
Estrutura do telhado coberto com telhas planas,
 ou germânicas ou rabo de castor.


Porta de madeira, duas folhas com a presença da bandeira, característica das edificações do imigrantes deste período com a função para facilitar a iluminação natural, quando as aberturas permanecessem fechadas e ou, com janelas de madeira.
A ausência de reboco na parte superior da janela, nos faz pensar que havia um forro nos primeiros tempos da história desta casa pertencente ao Patrimônio Histórico Arquitetônico. É possível perceber que os caibros são falquejados.
Porta de madeira, duas folhas com a presença da bandeira, característica das edificações do imigrantes deste período com a função para facilitar a iluminação natural, quando as aberturas permanecessem fechadas e ou, com janelas de madeira.
Janelas de madeira - material mais barato que o vidro, muitas vezes inacessível, onde alguns eram trocados posteriormente a construção da casa. Também aconteceu assim na Alemanha, quando as primeiras casas, sequer possuíam janelas, influencia do império Romano no Sul do atual território da Alemanha.
 Carlos Dietrich.
No dia 16 de maio de 2019 foi publicado no veículo on line "O Diário" por Sandra Costa, a notícia de que a Casa Koch poderia virar Patrimônio Histórico de Estância Velha, mediante o envio da indicação por parte do vereador Carlos Dietrich. Independentemente da indicação ou não, a Casa Dietrich já é um Patrimônio Histórico Arquitetônico, não somente de Estância Velha, mas do Rio Grande do Sul, do Sul do Brasil e do Brasil, com interesse também, para a Alemanha, como material de estudo.
"Estância Velha – O vereador Carlos Dietrich (Geada-MDB), entrou com um pedido de indicação ao Executivo, esta semana na Câmara de Vereadores. Geada solicita que a Prefeitura realize um inventário e o tombamento, no imóvel localizado na rua Oto Koch, no bairro das Rosas. A casa foi construída no ano de 1827, sendo uma das casas mais antigas do município, senão a mais antiga, remetendo a cultura alemã, possuindo estilo colonial. A propriedade pertencia a família Koch, e agora está abandonada e se deteriorando com o tempo. Conforme informações preliminares a área teria sido vendida e os novos proprietários pretendem remover a construção. A indicação foi encaminhada ao Executivo que deve acatar ou não o pedido do vereador."
A responsabilidade sobre o futuro desta casa pertencente ao Patrimônio Histórico Arquitetônico original, para que as novas gerações tenham acesso, como essa geração teve, depende da boa vontade e consciência sobre a importância desta tipologia, não somente para Estância Velha, mas para todo o Sul do Brasil - Brasil e Alemanha. 


Há pessoas lamentando, nas redes sociais. Ei...ainda há tempo! É fácil colocar esta casa, linda novamente. Alemanha reconstruiu cidades com mais de 80% destruídas, movidas por esta consciência. Por isso existe esta postagem. Mechamo-nos.


Assim que puder irei visitar o local e fazer fotos...
Para a história.

Leitura complementar - clicar sobre:

terça-feira, 6 de março de 2018

É Oficial - Quatro bandas alemãs no Oktoberfest Blumenau 2018

Foi anunciado, pela Equipe da Imprensa da Vila Germânica, em fôlder oficial, as datas e os nomes das Bandas alemãs que se farão presentes no 35° Oktoberfest Blumenau 2018.
Escreveremos sobre as quatro bandas em postagens futuras, principalmente as estreantes, Rotzloefll - já comentaram conosco sobre o significado do nome - e também escreveremos sobre Lagenhagener Blasmusik. Tem apreciadores de Blasmusik em Blumenau e região. 
Com Norbert Gälle e Alex Gälle - Oktoberfest Blumenau 2018
Uma boa surpresa será ouvir a banda Trachtenkapelle Hesslar interpretar a nova composição de Norbert Gälle - "Obrigado" - composta para nós que tivemos a honra em tê-los presentes na última edição do Oktoberfest Blumenau - 2017. O regente da Banda Hesslar entrou em contato conosco para viabilizarmos o momento e em contato com os Gälle - gentil como sempre, o grande compositor da polka de todos os tempos -  Böhmische Traum - permitiu sua apresentação para nós, no Oktoberfest Blumenau 2018. Essa nova canção será lançada na Alemanha no mês de abril de 2018. 
Quem sabe não registraremos também esses momentos por lá?
E é claro, que aqui no Oktoberfest Blumenau estaremos presentes registrando para a história - a primeira apresentação da nova composição de Norbert Gälle  - em Blumenau.
Das quatro bandas alemãs que estarão em Blumenau, em outubro - duas estão retornado pela segunda vez:  VoXXclub e Trachtenkapelle Hesslar. A primeira se apresentou a primeira vez, no 33° Oktoberfest Blumenau no dia 5 de outubro de 2016 - dia da abertura e foi a sensação da noite transmitindo muita energia no palco da Einsenbahn. 
E a segunda banda alemã que está retornando pela  segunda vez a Blumenau é a  Trachtenkapelle Hesslar e se apresentou no 32° Oktoberfest Blumenau 2015.

Imagens
Trachtenkapelle Hesslar




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sábado, 3 de junho de 2017

Frei Hugolino Back - A cura pelas mãos

Frei Hugolino Back.
Conhecemos o Frei Hugolino Back em abril de 1989, durante um curso que nos foi recomendado e ministrou, durante três dias, ao lado de Pedro Grisa - na cidade de Blumenau - Igreja Matriz de Blumenau, São Paulo Apóstolo. Para nós o tema apresentado no curso era inédito. Fizemos atividades práticas de imposição de mãos para obter a cura, orientadas pelo Frei Hugolino Back. Constatamos existir uma energia real e com efeitos positivos, de fato. Na época, Frei Hugolino fizera uma analogia ao Evangelho de Jesus que dizia: 

                       "Ide e curai os doentes impondo-lhes as mãos."

Acreditamos que o fez, para explicar o "desconhecido" para ele, como pesquisador que o era, mas antes disso - era um religioso da fé católica e talvez, em sua senda, não foi plenamente compreendido.
Ao longo de sua vida, Frei Hugolino não negou o que tinha para doar e mediante uma busca constante, ansiou encontrar uma linguagem adequada para os homens de pouca compreensão e também, para sua ordem religiosa, a fim de não gerar conflitos a partir do dom que possuía. Para isso, apoiou-se no evangelho e na ciência - para fundamentar aquilo que surgiu de maneira muito natural e intuitiva - curar pessoas através da imposição das mãos.
Certificado do curso, no qual participamos, ministrado por Frei Hugolino Back em Blumenau - abril de 1989.

Com o passar do tempo, observamos que a força dessa mesma energia era conhecida dentro de outras filosofias e religiões com outras denominações, como por exemplo: passe magnético, passe, Reike, "sopro de mãe" em machucados dos filhos, entre outros. No curso ministrado por ele, soubemos que Frei Hugolino foi porteiro do colégio fundado pelo padre alemão - Padre Jacobs no dia 16 de janeiro de 1877 -  Colégio Santo Antônio - atual Colégio Bom Jesus - na cidade de Blumenau e foi nessa cidade que iniciou as suas pesquisas e experiências sobre o tema.
Postal que Frei Hugolino nos entregou em  uma de nossas visitas,
à cidade de Santo Amaro da  Imperatriz- onde residia. 

Verso do postal que Frei Hugolino nos entregou em  uma de nossas visitas à cidade de
 Santo Amaro da  Imperatriz - onde residia.
Colégio Santo Antônio - Blumenau, onde foi porteiro, quando iniciou seus estudos de forma intuitiva.

















Vamos conhecer um pouco mais sobre Frei Hugolino Back - homem que dedicou a vida à pesquisa e para o trabalho voluntário através da cura de pessoas, por meio de uma prática não muito convencional. Desde o período que iniciou suas pesquisas na cidade de Blumenau, e mesmo depois, encontrou barreiras e não eram bem aceitas pelos olhos de sua Ordem Religiosa que fazia parte e também por outros segmentos e tipos de pessoas. Buscou respostas científicas para justificar e argumentar o fenômeno que despertava através da imposição de suas mãos a partir de experimentos práticos, ainda nas dependências do Colégio Santo Antônio, Blumenau.
Era uma vez...

...Uma família de descendentes alemães que residia no interior do município de Angelina/SC na década de 1920. Nessa época, era uma prática muito comum entre os agricultores, também chamados de colonos,  enviar seus filhos para o Seminário - na época representava um centro de educação de de excelência e com pouco gasto. Alguns prosseguiam na vocação religiosa. Outros, adquiriam o estudo e depois saiam para formar família e trabalhar em outras atividades.
Aspectos da Rua Manoel Lino Koerich, em Angelina  SC. Fotografia de 1926 - ano do nascimento do Frei Hugolino Back - que nasceu no interior da vila. - Disponível em:https://www.facebook.com/photo.php?
Na segunda metade da década de 1920 - no dia 6 de maio de 1926, nasceu Evaldo Back, no seio de uma família - onde, em casa somente se falava o idioma alemão. A localidade era Rancho de Táboas - interior do pequeno município de Angelina - SC. Seus pais eram Vendelino Back e Maria Perardt Back.
No estado de Santa Catarina - Brasil.
O pequeno Evaldo não foi para a escola quando era criança. Foi um adolescente analfabeto e que não sabia falar muito bem o português. Ele mesmo fazia esse depoimento em suas palestras. Contou-nos esse fato, explicando e justificando a qualidade de sua caligrafia e pouca intimidade com o português escrito, até então, quando autografou um pequeno livro que gostamos muito - em 1989.
Evaldo Back - tornou-se mais tarde o Frei Hugolino Back - deu prosseguimento aos seus estudos religiosos dentro da Ordem Franciscana na qual ingressou no ano de 1943 (com 18 anos incompletos - fazia aniversário no mês de maio) - na cidade de Rio Negro - Paraná. Ingressou no Seminário - Collegio Seraphico Santo Antônio. A cidade de Rio Negro - PR também tinha colônia alemã - a primeira do Paraná.


Antigo Collegio Seraphico Santo Antônio.
 Recebeu um grande número de imigrantes alemães a partir do ano de 1829. Muitas famílias alemãs mudaram-se para Rio Negro, a partir de cidades catarinenses, como: Joinville, São Bento do Sul, Blumenau e também, cidades do estado do Rio Grande do Sul. Em 1886 - diretamente da Alemanha - houve grande migração de famílias oriundas da Bavaria - sul da Alemanha.
Antigo Collegio Seraphico Santo Antônio.







O seminário da cidade de Rio Negro, onde o jovem Evaldo foi estudar foi fundado no ano de 1918 por padres franciscanos vindos da Alemanha. Na época construíram uma edificação munida de duas alas, quatro pavimentos e três torres - totalizando aproximadamente uma área de 10 mil metros quadrados construídos. As aulas iniciaram no local no ano de 1923, com 118 seminaristas oriundos da Colônia Blumenau e no ano de 1943, chegou Evaldo Back - filho de agricultores da cidade de Angelina SC e formou o Frei Hugolino Back.
A título de curiosidade - o Collegio Seraphico funcionou como Seminário Franciscano somente até a década de 1970, quando encerrou suas atividades - atualmente é a Prefeitura Municipal de Rio Negro PR - também é conhecido como Parque Eco turístico Municipal Seminário Seráfico São Luis de Tolosa. O tempo que foi escola não completou nem um século de atividades. 
Antigo Collegio Seraphico Santo Antônio.
No mesmo  Collegio Seraphico Santo Antônio - Seminário Franciscano, Frei Hugolino recebeu o hábito. 
No dia 2 de fevereiro de 1960, agora Frei Hugolino Back, foi transferido para o Seminário de Guaratinguetá - SP. No dia 5 de março de 2017, a Fraternidade Franciscana São José e o Postulado Frei Galvão celebraram o 75° aniversário de existência. Frei Hugolino permaneceu no seminário por 11 anos, quando em 15 de janeiro de 1971 foi transferido para o Santo Antônio -  Rio de Janeiro, onde permaneceu por 5 anos e meio.
Seminário de Guaratinguetá SP.

Padre Oscar Quevedo
Óscar González-Quevedo – nasceu em
 Madrid (Espanha) no dia 15 de dezembro
 de 1930 e faleceu em Belo Horizonte (Brasil)
 no  dia 9 de janeiro de 2019 – Para ler
 sobre o Padre –Clicar sobre: Padre Quevedo
Chegou em Blumenau SC no dia 20 de agosto de 1976. Residiu no Colégio Santo Antônio de Blumenau, na época - Convento dos Franciscanos. Aposentou-se e então - exercia a atividade de porteiro do convento, como aposentado. Tinha problemas de saúde. 
No ano de 1989, quando o conhecemos em um curso em Blumenau, ele nos contou que sempre foi um curioso. Seu quarto estava localizado na mansarda (sótão) do convento e no silêncio de seu lugar de repouso passou a fazer experiências  com a "força energética" que sentia irradiar de suas mãos que o intrigava. 
Isso aconteceu porque em 1978 - teve contato com as idéias do Padre Arlindo Mombach, também em Blumenau SC. "Devorava" livros sobre o tema de Parapsicologia e fazia experiências. Buscou o caminho da ciência para justificar, perante a Ordem Franciscana, algo que não fosse confundido com práticas que destoassem da doutrina cristã da qual era fiel ou, que fosse confundido com algo que tinha ligação com o "Demônio" por todos. Buscava respostas aos seus inúmeros questionamentos. 
Nesse tempo, leu o livro do Padre Oscar Quevedo, no qual o padre conta que uma sensitiva francesa mumificava carnes, sem detalhar como. Esse fato intrigou Frei Hugolino.
No livro (A cura pela imposição das mãos) - no qual é co autor - tem uma citação sua:
"Essa sensitiva, ao mumificar carnes, deve empregar uma técnica!  Só pode ser uma técnica. A força da mente é igual em todos os seres humanos. Se ela conseguiu, eu também vou conseguir. Preciso descobrir essa técnica de como mumificar carnes." Frei Hugolino Back
Frei Hugolino estava determinado em descobrir como era o procedimento de mumificação de carnes, através de experiências em seu quarto, no sótão do Colégio Santo Antônio, então o Convento Santo Antônio -  Blumenau SC. Nesse período tinha em torno de 52 anos de idade.
Através de seus estudos, Frei Hugolino concluiu que as respostas para seu objetivo - mumificar carnes - poderiam vir através da prática do exercício de relaxamento - entrando no estado Alfa - ou seja, uma estado de relaxamento profundo, sem com isso estar dormindo.
Ao iniciar os exercício de relaxamento - relaxando o corpo e tranquilizando a mente, segundo ele , com isso, buscando a natural liberdade interior, conseguiu desidratar pedaços de carnes - o que ele denominava "mumificar".
Conseguia os pedaços de carnes na cozinha do convento, com a Irmã Beda e respondendo a pergunta da irmã: "para que?", dizia que era para fazer uma experiência, o que de fato o era.
"Finalmente, em seu quarto, rústico e pobremente mobiliado, sobre um pedaço de papelão de caixa de sapato, ao canto de sua mesinha de leitura e trabalho, deposita um pedaço de carne. E já começa a por em prática sua experiência. Respira fundo. Relaxa o corpo. Solta mais e mais os músculos de todos o corpo. Volto os olhos para cima. Nova respiração profunda. Imagina seu corpo envolto por suave cor azulada. Respira profunda e suavemente, soltando mais e mais os músculos. Conta de cinco a zero, enquanto relaxa mais e mais seu corpo. Olhos fechados, estende as mãos sobre o pedaço de carne e o imagina sendo desidratado por raios de energia que se irradiam de seus dedos e de suas mãos." Do livro de sua co autoria: "A cura pela imposição das mãos".
Nessa época, no Convento Santo Antônio - Blumenau SC - final da década de 1970,   entre suas tarefas  de porteiro do convento e momentos de prece e atos religiosos de frei franciscano - o frei observava sua experiência com o pedaço de bife que recebeu da Irmã Beda. Sua primeira experiência, a qual é narrada no livro que escreveu junto com Pedro Grisa. Observou após 48 horas, era visível os sinais de  desidratação da carne. O frei comentou  que a carne estava "enxugando". Após uma semana de experiência, a carne continua secando, diminuindo e perdendo o odor. Frei Hugolino impunha as mãos de três a quatro vezes ao dia, sobre o pedaço de carne. Nessa época, ninguém tinha conhecimento de sua experiência.
...A cada imposição de mãos, realizada três a quatro vezes ao dia, numa duração média de três a cinco minutos cada - transforma-se num sorriso de alegria e confiante entusiasmo, até abrir-se num largo sorriso, com o brilho de vitória iluminando os olhos e todo o rosto do Frei Hugolino Back (...) Suas preces têm, agora o impulso firme e vibrante dos hinos de louvor e glória, unido sua Mente, sua alma, seu espírito à Vida, à Harmonia, à Luz Divina do Criador, que faísca em todos os recantos do universo..."Do livro de sua co autoria: A cura pela imposição das mãos.
Do livro de sua co autoria: A cura pela imposição das mãos.
Na terceira semana, Frei Hugolino observou que o pedaço de carne estava se fossilizando. O pedaço de carne se transformou em fóssil. Prosseguiu a experiência até mais durante um mês, quando Frei Hugolino ficou satisfeito com o resultado da experiência. Não tinha comentado com ninguém e antes de fazê-lo, foi novamente à cozinha e pediu mais um pedaço de carne a Irmã Beda. Nesse período consumiu meses de experiência e tornou novos pedaços de carnes em fósseis.
Ao longo desses meses de experimentos, o frei realizou outras experiências paralelas. Fez em si mesmo, lhe impondo as mãos, curando males e dores físicas que os acompanhavam.
Resolveu mostrar sua experiência aos seus superiores de fé. Nessa época, o Superior do Convento Santo Antônio - Blumenau SC -  era o Frei Augusto Koenig. Seu cargo era Definidor Provincial que e ocupou durante dois mandatos - (1977-1979) e (1980-1982).
"Depois do Curso  de Parapsicologia e ao longos dos meses de treinamento mental e experiências de mumificação - se passara um grande transformação. Uma confiança natural e humilde, substituíra a timidez e uma inibidora modéstia que o acompanhava até  aí, justificável por seu semi-analfabetismo. A natural confiança, experimentada agora permite-lhe a tranquilidade de esperar o momento do encontro, sem precisar de preparação especial e sem nervosismo."Do livro de sua co autoria: A cura pela imposição das mãos.
Frei Hugolino mostrou o resultado de meses de experiências ao seu superior - fósseis de bovinos, apresentando detalhes que foi desacreditado e desmotivado pelo superior perante a conclusão e o raciocínio do Frei Hugolino - o superior chamou de ilusão.
..."temo  que esteja deixando-se levar por uma ilusão. O fato das carnes secarem dessa maneira, não será consequência do ambiente? Seu quarto fica em lugar alto e arejado Isso favorece o processo de desidratação. Lentamente, a carne vai secando e isso poderia acontecer, sem mesmo fazer imposição de Mãos." Frei Augusto Koenig - Do livro de sua co autoria: A cura pela imposição das mãos.
Cético, Frei Augusto fez uma proposta ao Frei Hugolino Back. Propôs que o Frei Hugolino levasse para seu quarto, dois pedaços de carne. Sobre um fizesse a imposição de mãos e no segundo não. Observariam a reação dos pedaços de carne no mesmo ambiente.
E assim foi feito. No início do segundo dia já era perceptível a diferença do pedaço de carne que recebia a energia das mãos. No terceiro dia dava para sentir o mau cheiro da carne estragando - a que não recebia energia durante três ou quatro vezes ao dia das mãos do Frei Hugolino. Foi preciso colocá-la em outro aposento pelo odor forte que irradiava. No quinto dia, Frei Hugolino chamou Frei Augusto para ver o resultado. O Superior do Convento Santo Antônio de Blumenau reconheceu que Frei Hugolino, através da energia de suas mãos, efetuava a mumificação das carnes - desidratação. Deveria buscar pesquisa científica sobre o fenômeno.
Padre Arlindo.
Em 1979, Frei Hugolino reencontra o Padre Arlindo Mombach. Esse propõe um novo desafio ao Frei Hugolino ao saber de seus feitos - testes.
Efetuar a mesma coisa, desidratar carnes, porém, à distância. Foi escolhido um quarto no terceiro andar no Convento Santo Antônio. Sobre uma mesa foi colocado dois pedaços de carnes. Foram fechados porta e janelas. O Frei Hugolino foi orientado a imaginar irradiando, a partir das mãos, sobre um dos pedaços de carne, a partir de seu quarto. Para o Padre Mombach, a energia da mente, do cérebro, não conhece distâncias e nem barreiras físicas. A energia mental chegaria na carne escolhida e o processo de desidratação aconteceria igualmente. Três ou quatro vezes ao dia, Frei Hugolino impunha as mãos sobre um dos pedaços de carne localizado e trancado em outra sala, mentalmente. Sala que denominou de cela em seu livro. Imaginava irradiando energia no pedaço de carne colocado sobre a extremidade sul da mesa, localizada na cela.
Frei Hugolino Back.
Tudo aconteceu como nas experiências anteriores. O pedaço que não foi alvo da energia da imposição das mãos, cheirava mal e apodreceu, o que não aconteceu com o outro, que se encontrava em estado de mumificação.
Frei Hugolino interpretou o acontecido e as descobertas a partir de suas pesquisas como algo pessoal e um caminho que deveria buscar dentro da missão de um franciscano.
Aprendeu, a partir de suas buscas, e registrou no livro que foi co autor - A cura pela imposição das mãos - que através do Caminho da Harmonia e do Poder mental, acontece oportunidades de se construir uma vida melhor e dinamicamente tranquila.
Lenta e de maneira constante, progressiva e intuitivamente, começou a aplicar seu aprendizado de maneira prática e mais útil no seu dia à dia, de diferentes maneiras. Algumas aplicações, de maneira muito inusitadas, como colocando energia das mãos na roupa do enfermo. Frei Hugolino curava dores e doenças impondo as mãos - doenças físicas e espirituais. As pessoas que tinham contato com sua técnica de cura, ao conhecimento de mais pessoas e Frei Hugolino ficou conhecido, não somente na cidade de Blumenau, mas no Brasil.
Blumenau SC.
Foi decidido em Capítulo Conventual (Reunião de todos os Freis da comunidade) que o Frei Hugolino atenderia as pessoas na Capela do Convento. Frei Hugolino sugere que os padres, alternadamente, ministrem uma palestrinha aos presentes. Os padres concordam, mas nunca se habilitaram e se sentiram a vontade para falar para as pessoas.  Frei Hugolino falou às pessoas e ficou satisfeito como resultado. A partir de então, o que não fazia antes - por timidez e extrema humildade, começou a fazê-lo com facilidade, não somente nesse momento , mas em outros que viriam depois, falando para pessoas simples, profissionais da saúde, em outras cidades do Brasil e também no exterior.
Uma dessas palestras, aconteceu novamente em Blumenau - em abril de 1989 - foi quando o conhecemos.
A história tomou dimensões, que incomodavam alguns. Temiam, ou mesmo, não queriam infringir regras ou despertar algo que não poderiam explicar. O Frei Hugolino foi transferido de Blumenau, na esperança que as pessoas parassem  de procurá-lo.  A igreja não concordava muito com o movimento.
O Superior - Frei Augusto Koenig - perguntou-lhe, se não queria passar algum tempo na Alemanha. Informou-lhe que se fosse, deveria passar por lá, pelo menos três anos. 

Frei Hugolino falava alemão muito bem e ao aceitar, conheceu a terra de seus avós. Partiu para a cidade de Xanten no dia 18 de janeiro de 1980 e foi residir no Kloster Mörmter.
Trabalhou na horta -  uma antiga atividade sua e de sua família no interior do município de Angelina. Mesmo estando localizado na Alemanha, o Kloster Mörmter pertencia à ordem Franciscana do Brasil - desde o ano de 1977. Era um tipo de casa de repouso para os freis que estavam no Brasil. 
Com que objetivo encaminharam o Frei Hugolino para esse local? 
A cidade onde estava localizado o Kloster Mörmter é Xanten - uma cidade alemã localizada no distrito de Wesel, região administrativa de Düsseldorf, estado da Renânia do Norte-Vestfália.
No final do século XX, menos membros da ordem visitavam ou moravam no Kloster, quando foi encerrada as suas atividades no ano de 2007. Continua sendo usado pelos franciscanos, onde padres mais jovens ajuda a cuidar do pastoral e da associação de desenvolvimento Mörmter, com novo uso e proposta. Em 2009, o local - ainda pertencente a comunidade católica brasileira é agora usado como fazenda.


Na Alemanha, Frei Hugolino não comenta com ninguém sobre suas experiências em Blumenau e sobre a imposição das mãos. 
Começou a fazer suas experiências também no Kloster (Convento) da Alemanha, com coelhos abatidos quando vinham mexer nas suas hortas.
Do livro de sua co autoria: A cura pela imposição das mãos.
Recebeu uma carta de um padre brasileiro que lhe comunicou algo, que fez mudar o rumo da história. Seu amigo lhe perguntou se ele estava emprestando o dom que recebeu do universo para ajudar as pessoas, na Alemanha. Lembrou ao Frei Hugolino que o poder de cura era um dom que deveria ser usado, do contrario seria cobrado mais tarde. A partir de então, Frei Hugolino resolveu contar aos colegas alemães sobre suas experiências e a cura através da imposição de mãos. Na Alemanha passou a atender pessoas doentes, tal como aconteceu em Blumenau.
Frei Hugolino recebia gorjetas pelas curas realizadas na Alemanha e enviava o dinheiro para as missões franciscanas no Brasil, sob os cuidados de seu Superior.
Passado os três anos necessários, optou em retornar para casa. Quando encontrou-se com seu Superior, entregou-lhe o dinheiro como sempre fez durante o tempo que esteve na Alemanha. O Superior orientou-o que o depositasse no cofre da Província, dizendo-lhe que um dia, esse dinheiro poderia ser necessário para uma obra justa.
O envelope com marcos alemães foi guardado intacto sem ao menos saber o valor em quantia, que possuía. Nem mesmo Frei Hugolino sabia da quantia.
Passou algum tempo, surge a oportunidade de comprar o Conventinho do Espírito Santo, localizado na cidade da Grande Florianópolis - Santo Amaro da Imperatriz - cidade sobre a qual já escrevemos.
Conventinho do Espírito Santo - Santo Amaro da Imperatriz.


Para ler sobre Santo Amaro da Imperatriz - Clicar sobre: Santo Amaro da Imperatriz SC

Historicamente, o local já foi um antigo convento que era utilizado de residência dos frades. Foi construído no início do Século XX - ano de 1904. Depois passou para as Irmãs da Divina Providência e então, foi adquirido pela Família Müller. Na sequência, adquirido para os trabalhos do Frei Hugolino, quando ficou conhecido nacionalmente, como Conventinho do Divino Espírito Santo. Foi o espaço escolhido pelo frei para exercer o seu Apostolado da Saúde e Cura, através da imposição das mãos. Frei Hugolino contava essas passagens em seus cursos - nós ouvimos essa história através de suas próprias narrativas. 
Diariamente, centenas de pessoas procuravam o local para buscar alívio aos seus males ou de um de seus familiares - para se encontrar  o frei e se submeter à imposição das mãos. Ficou explicito que o Frei Hugolino idealizou um local onde ele pudesse receber e conversar com as pessoas e também impor as mãos. Afastou-se das demais atividades pastorais. Sua dedicação foi exclusiva às pessoas, sem entrar em conflitos com colegas de fé e mesmo, com outras pessoas que não concordavam com sua prática, evitando confusões e polêmicas. Em muitos  momentos afirmou que seguia sua intuição.
Para acontecer tudo isso, anteriormente apresentou seu projeto ao Superior e perguntou, onde arrumaria o capital necessário para executá-lo? Lembrou-no do dinheiro guardado, que trouxe da Alemanha. Pediu permissão para usá-lo na compra do Conventinho. Nós ouvimos essa história contada por ele. Quando contava essa passagem no curso que ministrava em Blumenau, no ano de 1989, disse que "Deus escreve certo por linhas tortas!"
Ao abrir o envelope guardado no cofre, constatou que havia a quantia necessária para a aquisição do Conventinho. Dessa maneira, Frei Hugolino pôde dispor de uma sede para seu Apostolado da Saúde.
Chegou à cidade de Santo Amaro da Imperatriz no dia 27 de abril de 1985. Começou a atender os fiéis nos conventos da Ordem Franciscana onde residia a partir de então. Nessa época recebeu o auxílio de seu primo, também frei, Frei Gervásio Perardt. 
Devido ao grande número de pessoas que o procuravam, passou a residir no Conventinho do Espírito Santo.
Frei Hugolino, ao repensar ser possível mumificar carnes à distância, concluiu que também poderia fazer as curas a distância, uma vez, entendia ele, que a energia mental não conhece limites e nem barreiras. Experimentou e teve êxitos em suas práticas, tal como a experiência com carnes. Também atendia, em determinada hora - as pessoas via telefone. Na época, após o conhecê-lo, por curiosidade, nós telefonamos para o número pré determinado, e falamos com o Frei - de Blumenau, como todos poderiam fazê-lo.
Em 1990, Frei Hugolino lançou a 3° edição que fez  em co-autoria com Pedro Antônio Grisa - o livro "A Cura pela imposição das mãos". esse trabalho é anterior a essa data.
Trabalhou e recebeu as pessoas no Conventinho do Espírito Santo até seus últimos momentos. 
Depois passou a morar em um quartinho junto à Igreja Matriz de Santo Amaro da Imperatriz. Visitamo-o algumas vezes e em uma destas visitas, entregamos um CD de músicas alemãs - suas preferidas. viva de maneira muito humilde - seu quarto possuía uma cama de mola  e um criado mudo, como aqueles retratados em uma obra clássica. Aguardávamos na fila das pessoas que o buscavam, e quando chegava nossa vez, conversávamos com o frei. 

Onde residiu nos último tempos - ao lado da
 Igreja Matriz de Santo Amaro da Imperatriz.
A nossa última visita, foi no seu quartinho, que lembrava o quarto eternizado por Vicent Van Gogh., localizada em um edifício construído ao lado direito da Igreja Matriz de Santo Amaro da Imperatriz. Tinha uma cama de mola, uma cadeira e um criado mudo, daqueles de madeira maciça, antigos. Tudo muito simples. 
Obra de Van Gogh, que nos fez lembrar quando vimos o quarto simples de Frei Hugolino.
Era semelhante a essa pintura - em essência.
Frei Hugolino Back.
Como já comentamos, nesse momento descobrimos que gostava de ouvir música alemã. Enviamos um CD de músicas alemã e pedimos para uma pessoa - que comprou - lhe entregar um pequeno micro sistem para poder ouvir o CD, pois não o tinha. Não era seu hábito pedir para si.
Frei Hugolino veio a falecer no dia 19 de abril de 2011 - às 14:30h, na cidade Florianópolis, com 84 anos de idade, por conta de um câncer. Ele estava hospitalizado no Hospital de Caridade em Florianópolis e não resistiu a uma cirurgia.
Dr. Aiuka Almeida, médico que o acompanhou disse que a doença – neoplasia de estômago, com metástases peritoneais e hepáticas – havia progredido muito rápido. Frei Hugolino faleceu no Hospital de Caridade da capital catarinense e foi sepultado na cidade onde residia: Santo Amaro da Imperatriz - ao lado da Capela do Conventinho. Seu corpo foi velado na Igreja Matriz de Santo Amaro da Imperatriz.
Trabalhou até quando pode. Mesmo quando estava sendo submetido ao tratamento de quimioterapia e se encontrava muito debilitado. Na semana quando se sentiu mal e foi para o hospital - trabalhou atendendo pessoas. Frei Hugolino completaria 85 anos no mês seguinte ao mês que faleceu - dia 6 de maio.
O governador do Estado de Santa Catarina - Raimundo Colombo - ao tomar conhecimento da passagem do frei, o definiu como referência em humanidade e caridade. Em nota oficial, o governador ressaltou que Frei Hugolino chegou a atender aproximadamente 300 pessoas por dia, no Conventinho de Espírito Santo.
A porta fechada...
Soubemos de sua passagem e fomos visitar seu espaço na cidade de Santo Amaro da Imperatriz. 
Não gostamos do que vimos. Não deram sequência ao seu trabalho de cura e caridade - desejo seu - verbalizado em muitas de nossas conversas. 
Ele preparou muitas pessoas para isso. 
Transformaram o local em estrutura da administração pública - Prefeitura Municipal da cidade, alojando a Secretária de Turismo de Santo Amaro da Imperatriz no local. O jardim que cuidava pessoalmente estava abandonado. Em anexo inauguraram o Museu (2012), organizado pelo próprio Frei Hugolino e o sepultaram ao lado da Capela, como que aguardando o turismo religioso e romaria diante da especulação da "santidade" do frei, que teve que se submeter a desafios dentro da própria ordem religiosa, para ser reconhecido como instrumento maior. Através de suas buscas, tentava comprovar, pela ótica da ciência, que suas práticas eram fenômenos naturais e que qualquer um poderia fazer - também presente no evangelho, que seguia.
 "Ide e curai os doentes impondo-lhes as mãos." Jesus Cristo
Seu túmulo já apresenta relíquias comprovando "milagres" - que em vida - explicou pelo ponto de vista científico. As curas, que sempre tentou explicar sob a ótica da ciência, para ser aceito dentro de sua religiosidade, torna-se agora, produto de especulação. E seu espaço, desrespeitado dentro de sua vontade, que era que fosse dado prosseguimento ao seu trabalho de cura.

Conventinho do Espírito Santo - Hoje 
Santo Amaro da Imperatriz SC





A porta onde as pessoas entravam para serem atendidos.






Ao lado da Capela do Conventinho
"Aguardando" o turismo religioso - Não era esse o seu objetivo.

"Nem os santos se consideram santos!" Frei Hugolino
Túmulo do Frei Hugolino - ao lado da Capela do Conventinho - local estratégico.



Produto de Peregrinação - Frei Hugolino queria que o trabalho de caridade através da cura pela imposição das mãos continuassem e disse-nos que qualquer um poderia praticar a cura pela imposição das mãos. Palavras que tirou do evangelho. Fala no vídeo abaixo...





Há uma campanha para sua beatificação!
Definitivamente, não era este o seu desejo. Ouvimos isto dele. Desejava que seu trabalho de cura pela imposição das mãos prosseguisse. Por isso, preparou tantas pessoas e deixou seu espaço organizado. O qual, depois que partiu, não demorou muito para que fosse desativado e nele implantado a Secretaria de Turismo do Município de Santo Amaro da Imperatriz - oportunamente ao lado de seu túmulo.

O Frei disse:

"...Jesus deu este mandamento de curar com as mãos para todos nós e não está sendo cumprido. Pelo menos como deveria ser. (...) um evangelista diz que este poder de curar os doentes com as mãos foi dados para todos. (...) 
Há uma falha na Igreja Católica. No passado se pensou erradamente que para se curar com as mãos tinha que ser muito santo. Nem os santos se consideram santos!" Frei Hugolino (filme - tempo 10:00)
Pretendem criar o turismo religioso - através de sua memória - fazer dinheiro e  infelizmente, não respeitaram sua vontade de continuar seu trabalho de caridade e de cura!!
Memorial na Rua Geral da Varginha Santo Amaro da Imperatriz SC




Leituras complementares...
Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
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