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terça-feira, 16 de março de 2021

Apiúna SC - Técnica Construtiva Cerâmica Armada - Projeto do Arquiteto Uruguaio - Edifício Sem Uso

A monumental arquitetura do antigo Posto de Fiscalização da Fazenda Estadual, localizada na marginal da BR 470, no município de Apiúna, sempre chamou nossa atenção pela plástica, forma e o desafio que apresenta na sua forma estrutural, com os grandes balanços - construída com peças cerâmicas.  Já fotografamos inúmeras vezes, e também foi inspiração de projetos nossos, mesmo sem conhecer com profundidade a técnica construtiva adotada.
Localização da Arquitetura executada com a Técnica Construtiva de Cerâmica Armada, junto a BR470 - em Apiúna, acusando a presença de um plano piloto com a presença de um projeto urbanístico também, cujo conjunto, em 2021, está desprovido de uso.




Além da arquitetura com uma plástica e técnica construtiva diferenciada, ao observar o mapa de localização mais detalhadamente, detectamos o projeto do entorno do edifício, a partir de um eixo e este ocupa o outro lado da rodovia, com a presença de espaços para lazer e esporte, como também de estacionamentos de veículos de grande porte, talvez caminhões de transporte de produtos. São  visíveis os locais de quadras esportivas, campo de futebol, caminhos e resquícios de paisagismo. Retornaremos ao local para fazer imagens reais desta parte do projeto, que sempre passou despercebido.  
Ariel Valmaggia na
década de 1970.
O projeto arquitetônico e estrutural do antigo antigo Posto de Fiscalização da Fazenda Estadual de Apiúna, de acordo com informações da Prefeitura Municipal de Apiúna,  foi assinado pelo engenheiro estrutural uruguaio Ariel Valmaggia. Temos nossas dúvidas. O projeto é do ano de 1979. De acordo com o Site da Prefeitura de Apiúna, publicado em 14 de janeiro de 2021, há preocupações e estudos para ocupar esta obra de arte plástica e arquitetônica.
"Na tarde do último dia 11 de janeiro de 2021, o prefeito Marcelo Doutel da Silva esteve com uma equipe técnica da prefeitura e engenheiros da AMMVI para realizar um laudo pericial e avaliar a estrutura do antigo Posto Fiscal. Segundo o prefeito Marcelo, caso esta obra torne-se viável, a população terá participação no melhor destino para a utilização da estrutura. Sua arquitetura peculiar é uma das poucas desse estilo no país e foi projetada em 1979 pelo arquiteto uruguaio Ariel Valmaggia, herdando a técnica do também engenheiro uruguaio Eladio Dieste." Prefeitura de Apiúna
Nossa suspeita é confirmada quando consultamos o artigo de Juliana Harumi Suzuki, entre outros exemplo de obras de Dieste e Valmaggia, ela cita Posto de Controle Fiscal em Apiúna (SC), de 1979. SUZUKI afirma  que na entrada da cidade está o Posto de Controle Fiscal, projetado para que ônibus e caminhões pudessem receber inspeção e pesagem. A estrutura é composta de três abóbadas autoportantes de, aproximadamente, 8 x 33 metros em duplo balanço, sustentadas por quatro pilares alinhados no terço médio da construção, totalizando cerca de 800 m² de área. A direção de obras foi feita pelo engenheiro Ariel Valmaggia, da filial do escritório de Dieste e Montañez em Porto Alegre. Apesar das dimensões modestas, o balanço frontal, de 17,50 metros, é o maior executado entre todas as obras de Dieste e Montañez no Brasil.
O balanço frontal possui 17,50 metros e é o maior executado entre todas as obras de Dieste e Montañez no Brasil.

Engenheiro Estrutural Ariel Valmaggia e Engenheiro Arquiteto  Eladio Dieste
Eladio Dieste.
O engenheiro Ariel Valmaggia transferiu-se para  Brasil dois anos após a sua formatura (1977 - Montevidéu) para atuar. Em 1979, supostamente assinava o projeto do Posto de Fiscalização da Fazenda Estadual de Apiúna SC, que na verdade foi desenvolvido pelo escritório de 
“Dieste e Montañez Abóbadas de Tijolos Ltda” de Porto Alegre, onde atuava o engenheiro Valmaggia e foi responsável por sua execução.

Vamos observar os acontecimentos da história destes engenheiros - Dieste e Valmaggia

Tudo teve início na faculdade, quando Valmaggia teve contato com a técnica construtiva cerâmica armada criada e desenvolvida pelo Engenheiro estrutural Eladio Dieste. Quando se formou em 1975, o novo engenheiro começou  a trabalhar no escritório  de Eladio Dieste, em Montevidéu - Uruguai, que atuava desde a década 1940. Em 1977 Valmaggia se muda para o Rio de Janeiro para trabalhar na filial de Dieste e de seu sócio, na empresa “Dieste e Montañez Abóbadas de Tijolos Ltda”, com sede nesta cidade e depois com escritório em Porto Alegre, onde Valmaggia atuava. Desenvolveram inúmeros projetos em todo o  Brasil.
O engenheiro arquiteto Eladio Dieste Saint Martín nasceu em Artigas em  10 de dezembro de 1917 – e partiu em Montevidéu, Uruguai, em 20 de julho de 2000, portando atuou por mais de 50 anos. Foi considerado engenheiro arquiteto e um dos mestres da arquitetura latino-americana e criador da técnica construtiva cerâmica armada. Foi vencedor de vários prêmios. Alguns, como: Gabriela Mistral (OEA), 1990, América de Arquitetura  e Honor da I Bienal Ibero-Americana de Arquitectura e Ingenieri
Acreditamos, que o projeto desenvolvido para o Posto de Fiscalização da Fazenda Estadual de Apiúna não foi feito somente por Valmaggia, uma vez que o jovem engenheiro trabalhava no escritório  “Dieste e Montañez Abóbadas de Tijolos Ltda”, e fazia somente 2 anos que se encontrava no Brasil. Há artigos que comprovam esta teoria. Também, a técnica construtiva adotada neste edifício é a da cerâmica armada, desenvolvida pelo engenheiro arquiteto Eladio Dieste e que ficou conhecido como um dos nomes da arquitetura moderna latino-americanos do século XX. Seu nome consta de qualquer estudo sério e mais profundo  sobre a arquitetura latino-americana recente.
Eladio Dieste Saint Martín se formou engenheiro pela Faculdade de Engenharia de Montevidéu em 1943, onde também foi docente até 1973 e onde teve contato com seu aluno  Ariel Valmaggia. Em 1956, ajudou a fundar a empresa Dieste y Montañez, em sociedade com o amigo e colega de faculdade
Eugenio Montañez, onde - em 1977, foi contratado o recém formado engenheiro Valmaggia. A empresa tinha sede em Montevidéu, com filias na Espanha e no Brasil.
Na empresa, Dieste criou e desenvolveu a estruturas de cerâmica armada. Entre os muitos projetos desenvolvidos pela Dieste e Montañez, executou projetos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Alagoas, Ceará e Rondônia. Diversidade geográfica que derivou da parceria com construtoras e arquitetos notáveis, como Cláudio Luiz Araújo, Carlos Maximiliano Fayet, Clóvis Ilgenfritz, Carlos Eduardo Dias Comas, Luiz Américo Gaudenzi, Severiano Porto & Mário Emílio Ribeiro, Luiz Paulo Conde, Acácio Gil Borsói e outros. 


Como já dito,  Ariel Valmaggia teve contato com a técnica da cerâmica armada ainda na Faculdade de Engenharia com o professor Dieste, e no ano de 1975, recém-formado, recebeu seu convite para fazer parte da equipe de sua empresa. Após dois anos trabalhando no Uruguai, Valmaggia viajou ao Rio de Janeiro para se integrar à empresa a filial brasileira de “Dieste e Montañez Abóbadas de Tijolos Ltda”, com sede no Rio de Janeiro, na época dirigida pelo Eng. Eugenio Montañez e que tinha como chefe do departamento técnico, o Engenheiro Raul Romero. Depois, atuou no escritório de empresa em Porto Alegre, de onde acompanhou a construção do Posto de Fiscalização da Fazenda Estadual de Apiúna SC.
Os detalhes da contratação do projeto - na cidade de Apiúna são uma incógnita, sobre a qual buscaremos dados.
Cerâmica Armada - Técnica construtiva
Execução de cobertura em cerâmica armada da CEASA
Porto Alegre.Fonte: FITZ, 2015, p.35
A fim de
compartilhar o aprendizado desta técnica construtiva desenvolvida a partir da 1940 por Eladio Dieste e que, muito contribuiu para a formação da identidade da arquitetura produzida na América Latina, com um exemplar belíssimo presente na cidade do Vale do Itajaí, Apiúna.
Para esta tecnologia da cerâmica armada, Dieste integrou duas técnicas construtivas pre existentes - a abobada de tijolos e a abobada de concreto - para desenvolver a sua própria técnica construtiva. 
(...) As abóbadas cerâmicas, utilizando lajotas comuns, um dos mais antigos materiais de construção, só recentemente tiveram uma utilização mais intensa no Brasil. As abóbadas são autossustentadas e trabalham como arcos no sentido transversal e como vigas, no longitudinal, permitindo vãos econômicos de 13 m no sentido do arco e 25 m, no longitudinal. Leves e de fácil execução, não necessitam de mão-de-obra qualificada e possibilitam generosos balanços. Econômicas, permitem um bom aproveitamento das formas, que, deslizando sob as abóbadas, podem ser utilizadas até 40 vezes (BRASIL, 1982, p.67)
Ilustração esquemática de cobertura em cerâmica armada presente no livro O Que É Preciso Sabes Sobre Rodoviárias e Terminais de Carga. Fonte: SUZUKI -  BRASIL,1982, p.67.
A
abobada de tijolos recebe armaduras de ferro para vencer grandes vãos, enquanto que a casca de concreto recebe tijolos para aumentar sua eficiência construtiva. Ao unificar ambos os sistemas, Dieste ainda resolveu as fragilidades técnicas de cada uma delas. A abóbada de tijolos ganhou segurança estrutural através do uso do ferro, e a casca de concreto se tornou mais eficiente com a colocação do material tradicional – o tijolo cerâmico – que contribuiu para a redução do tempo de cura. A elaboração dessa técnica - que tem como base a técnica tradicional de construção de abobadas trazida pelos colonizadores espanhóis para o Uruguai - levava em conta, ainda, condições locais como material disponível, domínio de um sistema construtivo, mão de obra capacitada e economia, constituindo, então, uma tecnologia própria.
Obra em Pernambuco, SANTANA.


CEASA Rio de Janeiro, SUZUKI.

Para Diesti, o centro do problema enfrentado pelo projetista e construtor de edificações era o de salvar vãos e cobrir espaços, permanecendo sempre certa luta contra a gravidade. No entanto, é justamente o peso – a força gravitacional –, quando convenientemente disposto, que torna a estrutura apta a resistir às flexões, decorrentes de cargas inevitáveis em função de fatores, como o vento. 
Dieste trabalhou, então, essencialmente com cinco possibilidades construtivas, geradas através da técnica da cerâmica armada, são elas: Abóbadas Gaussianas; Cascas autoportantes; Superfícies regradas; Superfícies dobradas ou superfície plissada e Torres Vazadas.
A arquitetura de Apiúna é considerando a cerâmica armada -  casca autoportante.
Vão Central, Apiúna SC
Cascas autoportantes. 
As cascas autoportantes são lâminas  finas, compostas por uma única camada de cerâmica que, do ponto de vista da configuração estrutural, atua no sentido oposto das abóbadas gaussianas, gerando flechas maiores por se tratar de vãos significativamente menores. É mais convencional, econômica e de fácil execução que as gaussianas, mas não menos inventivas, apenas correspondem a uma necessidade programática diferente. Tem seu uso recomendado, quando há projetos nos quais não há fortes restrições ao uso de pilares no espaço a ser coberto, nem à entrada de iluminação através das extremidades laterais. Neste tipo, os tijolos são dispostos de forma que as juntas longitudinais e transversais sejam contínuas, de modo que as armaduras possam ser dispostas nessas pequenas juntas. Do ponto de vista estrutural, agem em compressão transversalmente. Já em seu maior sentido, a abóbada funciona como uma viga, cuja rigidez é dada sobretudo em função da forma estabelecida. Lembra as estrutura de Origami japonês, cuja dobradura faz surgir a resistência do material, tal qual o arco criado. Os arcos possibilitam que gere a flecha, promovida pela presença da gravidade, o que vemos no grande balanço existente no Posto de Fiscalização da Fazenda Estadual de Apiúna.
Posto de Controle Fiscal em Apiúna-SC. Vista interna. Foto: SUZUKI, 2018.

Exemplo semelhante construído em Pernambuco

SAEL MOTO HONDA, Jerônimo e Pontual, 1982. Foto: acervo pessoal de Ariel Valmaggia, SANTANA.




A estrutura da coberta acima é composta por nove abóbadas autoportantes protendidas, com duplo balanço de 10,50 metros e 10,00 metros de vão entre os apoios, possuindo uma flecha de 02,00 metros e altura total de 05,20 metros. A edificação de Apiúna possui 3 Abóbodas com balanços, igualmente. 
Projeto da construção de Pernambuco - SANTANA.


Antigo Posto de Fiscalização da Fazenda Estadual - Apiúna

As qualidades  da técnica adotada - técnica da cerâmica armada, comprovam sua eficiência como técnica construtiva, pelo estado atual do Posto de Controle Fiscal de Apiúna - atualmente se encontra abandonado, isolado por uma  cerca de tela metálica e embora sem uso e ignorado na paisagem, ainda está em boas condições, o que comprova sua durabilidade.




O balanço frontal possui 17,50 metros e é o maior executado entre todas as obras de Dieste e Montañez no Brasil.






Arquitetura no Vale do Itajaí,
Arquitetura de Santa Catarina,
Arquitetura da América Latina.

Registrado para a História.

Referências

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Manual 1: Breve História do Sistema de Ceasas no Brasil. Brasília, 2008.

BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. Editora Perspectiva, São Paulo, 1981.

COSTA, Marcos, O. Eladio Dieste em Apiúna?. Arquitetura e Urbanismo. Disponível em: https://marcosocosta.wordpress.com/2013/01/13/eladio-dieste-em-apiuna/. Acesso em: 16 de março de 2021 - 23:01h.

FITZ, Leonardo. Artigo: A obra de Eladio Dieste. Porto Alegre, 2015

FITZ, Leonardo. A obra de Eladio Dieste. 2015. 265 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) – Programa de Pós-graduação em Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Prefeitura Municipal de Apiúna. Prefeito e engenheiros analisam estrutura do Posto de Fiscalização para projetos futuros. Disponível em: https://www.apiuna.sc.gov.br/noticias/ver/2021/01/prefeito-e-engenheiros-analisam-estrutura-do-posto-de-fiscalizacao-para-projetos-futuros. Acesso em: 16 de março de 2021 - 23:26h.

ROMÁN, Cláudio Escandell. Dissertação de mestrado: Eladio Dieste e a cerâmica armada. Brasília, 2012.

SANTANA, Daniela Regina Sales de; SILVA, Paulo Maciel;  CATALICE, Aristóteles de Siqueira Campos Cantalice. Ariel Valmaggia e a Tecnicoestática da Cascas de Cerâmica Armada Em Pernabuco. Inventário e Documentação. 13° Seminário DoCoMoMo Brasil. Salvador Bahia. Disponível em:https://docomomo.org.br/wp-content/uploads/2020/04/110965.pdf. Acesso em: 16 de março de 2021 - 23:44h.

SUZUKI, Juliana Harumi. Tijolo com tijolo num desenho Lógico: As cesas e os Pavilhões de Dieste e Montañez no Brasil. 13° Seminário DoCoMoMo Brasil. Salvador Bahia. Disponível em: http://docomomo.org.br/wp-content/uploads/2020/04/110841.pdf. Acesso em: 17 de março de 2021 - 2:51h.

Em construção - sob revisão...

 Leituras Complementares - Clicar sobre o título escolhido. 























































































 







 



















sábado, 29 de agosto de 2020

Igreja Matriz Sant'Ana - Apiúna SC - Projeto do Arquiteto Simon Gramlich

Igreja Matriz Sant'Ana - Apiúna SC

Sempre que trafegamos na rodovia BR 470, que faz  ligação entre o litoral e região do trajeto para o oeste do Estado de Santa Catarina, e no momento que nos encontramos no território de Apiúna - avistamos a majestosa Igreja  Matriz Sant'Ana. A fotografia foi feita quando estávamos em trânsito, no interior de ônibus intermunicipal. Sempre olhamos o local, como se fosse a primeira vez. A igreja está localizada às margens da rodovia intermunicipal, com uma grande praça na sua frente - conhecida Praça da Matriz, que lembra a tradicional praça da igreja, herança do ágora grego, local público de encontros e contemplação.

Localização - Apiúna SC


Simon Gramlich

O projeto da
Igreja Matriz Sant'Ana  apresenta uma linguagem arquitetônica neogótica, com elementos característicos na sua composição, como a rosácea, vitrais, monumentalidade, uma alusão aos arcos botantes, arcos ogivais, entre outros. O neogótico é o estilo nacional da nação alemã, terral natal do arquiteto Simon Gramlich. 
A paróquia Sant'Ana - Apiúna foi criada em 14 de novembro de 1954, quando se desmembrou de Ascurra. Possui 16 comunidades e dois centros de atendimentos. Seu atual pároco é o padre polonês, Pe Marek Kempske.
Pe Marek Kempske antes da missa de sábado.


Gramlich foi um Engenheiro-arquiteto nascido na cidade de Herbolzheim - estado de Baden Würtemberg - Alemanha, em 7 de agosto de 1887. Há pouco registro sobre sua vida privada e profissional a não ser, sua vasta obra executada em muitas cidades do Sul do Brasil, composta de projetos com características  ecléticas da virada do século XIX para o século XX, Art Decó, neogótico, neoclássico e moderno - que variam de residências de todos os tamanhos, fábricas, escolas, espaços comerciais e muitas igrejas, como esta localizada na cidade de Apiúna SC.

Já escrevemos sobre Simon Gramlich. Para acessar o link sobre sobre sua breve biografia - Clicar sobre: Simon Gramlich (Simão Gramlich no Brasil) - Arquiteto alemão com uma obra imensurável no Brasil e vida cheia de mistérios

Paróquia Sant'Ana - Apiúna

Praça da Matriz: 12 - Cx. Postal 08 - 89135-000 - Apiúna - SC
Fone: (47) 3353 1171 
E-mail: santanaapiuna@yahoo.com.br   
Facebook: Paróquia Sant'Ana

Apiúna

Emil Odebrecht.

Apiúna é resultado da evolução urbana da colônia fundada por imigrantes alemães e italianos - denominada, inicialmente denominada Aquidabã. Foi um local de passagem dos pioneiros alemães que exploravam o Vale do Itajaí - praticamente a extensão territorial da Colônia Blumenau - a partir da sede da colônia em direção ao Alto Vale do Itajaí, Serra Catarinense e Oeste do estado de Santa Catarina. Neste local, geralmente pousavam, também, e estabeleceram residências, membros de famílias da sede da Colônia Blumenau, como é o caso da Casa Odebrecht, conhecida Casa Azul - local onde Emil Odebrecht descansava, quando saia para uma jornada de trabalho. A edificação pertencente ao patrimônio histórico arquitetônico regional foi construída pelo genro de Emil Odebrecht, Albert Zimber, que era esposo da filha do Engenheiro Odebrecht - Helene. Quando a família retornou para a Europa, Zimber vendeu sua propriedade para seu cunhado - Woldemar Odebrecht, também filho de Emil Odebercht. 

Figuras da História do Vale do Itajaí residiram em Apiúna, ainda no século XIX e início do século XX, como por exemplo o primeiro e segundo balseiro do Rio Braço do Sul - Südarm, local aonde surgiu a nucleação urbana de Südarm, Bela Aliança e depois, a atual cidade de Rio do Sul. Tanto o primeiro balseiro - Karl Schroeder, quanto o segundo - Basílio Correia de Negreiros,  nunca cortaram laços com Aquidabã, quando estiveram trabalhando na balsa em Südarm (atual Rio do Sul), e voltaram a residir em Aquidabã, atual Apiúna, quando deixaram de ser balseiros


Assim também ocorreram com outras famílias que tinham ligações com a Colônia Blumenau. A localidade era passagem dos viajantes que faziam o trajeto sentido leste/oeste e também o retorno. E de certa maneira, continua sendo assim, pois é neste local que grande número de caminhoneiros param para descansar dentro de seu percurso, sentido leste oeste e vice versa - dentro do estado de Santa Catarina.
A localidade se tornou  município, 110 anos após sua fundação - em 4 de Janeiro de 1988, quando foi desmembrado de Indaial SC, que havia sido desmembrado da Colônia Blumenau por um ato unilateral do Presidente Getúlio Vargas - durante o período do Nacionalismo - link no final desta postagem. 
Em 1º de janeiro de 1944, depois de uma revisão territorial, Aquidabã passou a se chamar Apiúna. Na língua tupi-guarani, Apiúna significa "cabeço negro", uma referência à montanha arredondada e escura que existe na região - o Morro Dom Bosco com 390 metros de altura.
Angelina Wittmann - Arte-Cultura-História e Antropologia : Comunidade  Neisse Central e o casarão - Sua origem histórica - Apíúna SCAngelina Wittmann - Arte-Cultura-História e Antropologia : Comunidade  Neisse Central e o casarão - Sua origem histórica - Apíúna SC

Conhecendo um pouco do cenário da Igreja Matriz Sant'Ana, a qual apresentaremos em imagens feitas em períodos distintos.

Imagens da Matriz Sant'Ana - Apiúna  SC






Trabalho do altar foi feito em escultura na madeira feita por um artista de Ascurra - da família Grava


A igreja à noite - sábado antes da missa.







Gato do Padre Marek Kempske na igreja.

Gato do Padre Marek Kempske na igreja.

Lustre.

Em uma reforma não muito feliz - foi retirado o coro.

Rosácea o elemento forte do neogótico e do gótico.

Antes da missa.

Característica do neogótico e gótico - arco ogival


Praça da Matriz à noite - que não deve ser cercada - correndo riscos.

Paisagem na frente da  Igreja Matriz Sant'Ana - Apiúna  SC. Característica edificação da região do Médio e Alto Vale do Itajaí, construídas nas décadas de 1950 e 1960. Utilizavam muito o estuque, a partir de gesso e ripas de taquara ou bambu trançados, para acabamentos de decoração e forros. Quase sempre o telhado era composto por quatro águas, sem a presença da característica mansarda e as aberturas recebiam cimalhas decorativas a partir de alvenaria. A estrutura era conseguida a partir de paredes autoportantes feitas com tijolos maciços com acabamento calfinado. Telhas, quase sempre eram o tipo francesas. Casa fotografada em Apiúna, município desmembrado de Indaial, que foi desmembrado da Colônia Blumenau.


 Padre Marek Kempske  recepcionando a comunidade um pouco antes de iniciar a missa de sábado à noite.




















Em Construção...