Igreja Matriz Sant'Ana - Apiúna SC - Projeto do Arquiteto Simon Gramlich
Igreja Matriz Sant'Ana - Apiúna SC.
Sempre que trafegamos na rodovia BR-470, que faz a ligação entre o litoral e o Oeste do Estado de Santa Catarina, no momento em que nos encontramos no território de Apiúna, avistamos a majestosa Igreja Matriz Sant'Ana. A fotografia foi feita quando estávamos em trânsito, no interior de um ônibus intermunicipal. Sempre olhamos o local como se fosse a primeira vez. A igreja está localizada às margens da rodovia, com uma grande praça na sua frente — a conhecida Praça da Matriz —, que lembra a tradicional praça da igreja, herança da ágora grega, local público de encontros e contemplação.
Localização - Apiúna SC.
Albert Simon Gramlich.
O projeto da Igreja Matriz Sant'Ana apresenta uma linguagem arquitetônica neogótica, com elementos característicos em sua composição, como rosácea, vitrais, monumentalidade, uma alusão aos arcos botantes e arcos ogivais, entre outros. O neogótico é o estilo nacional da nação alemã, terra natal do arquiteto Simon Gramlich.
A Paróquia Sant'Ana, em Apiúna, foi criada em 14 de novembro de 1954, quando se desmembrou de Ascurra. Possui 16 comunidades e dois centros de atendimento. Seu atual pároco é o padre polonês Pe. Marek Kempski.
Pe Marek Kempske antes da missa de sábado.
Albert Simon Gramlich, no Brasil, Simon Gramlich, foi um engenheiro-arquiteto nascido na cidade de Herbolzheim, no estado de Baden-Württemberg, Alemanha, em 7 de agosto de 1887. Há poucos registros sobre sua vida privada e profissional, a não ser sua vasta obra executada em muitas cidades do Sul do Brasil, composta por projetos com características ecléticas da virada do século XIX para o século XX, Art Déco, neogótico, neoclássico e moderno, que variam de residências de todos os tamanhos a fábricas, escolas, espaços comerciais e muitas igrejas, como esta localizada na cidade de Apiúna, SC.
Praça da Matriz: 12 - Cx. Postal 08 - 89135-000 - Apiúna - SC
Fone:(47) 3353 1171
E-mail: santanaapiuna@yahoo.com.br
Facebook: Paróquia Sant'Ana
Apiúna
Emil Odebrecht.
Apiúna é resultado da evolução urbana da colônia fundada por imigrantes alemães e italianos, denominada inicialmente Aquidabã. Foi um local de passagem dos pioneiros alemães que exploravam o Vale do Itajaí — praticamente a extensão territorial da Colônia Blumenau — a partir da sede da colônia em direção ao Alto Vale do Itajaí, à Serra Catarinense e ao Oeste do estado de Santa Catarina. Neste local, geralmente também pousavam e estabeleceram residência membros de famílias da sede da Colônia Blumenau, como é o caso da Casa Odebrecht, conhecida como Casa Azul — local onde Emil Odebrechtdescansava quando saía para uma jornada de trabalho. A edificação, pertencente ao patrimônio histórico-arquitetônico regional, foi construída pelo genro de Emil Odebrecht, Albert Zimber, esposo de Helene, filha do engenheiro Odebrecht. Quando a família retornou para a Europa, Zimber vendeu sua propriedade para seu cunhado, Woldemar Odebrecht, também filho de Emil Odebrecht.
Casa Azul - Apiúna.
Figuras da história do Vale do Itajaí residiram em Apiúna ainda no século XIX e início do século XX. É o caso do primeiro e do segundo balseiro do Rio Braço do Sul (Südarm), local onde surgiu a nucleação urbana de Südarm, Bela Aliança e, posteriormente, a atual cidade de Rio do Sul. Tanto o primeiro balseiro, Karl Schroeder, (o professor Franz Joseph Frankenberger foi segundo) e o terceiro Basílio Correia de Negreiros, nunca cortaram laços com Aquidabã enquanto trabalhavam na balsa em Südarm (atual Rio do Sul), e voltaram a residir em Aquidabã (atual Apiúna) quando deixaram a atividade.
Assim também ocorreu com outras famílias que tinham ligações com a Colônia Blumenau. A localidade era passagem dos viajantes que faziam o trajeto no sentido leste-oeste e vice-versa. E, de certa maneira, continua sendo assim, pois é nesse local que um grande número de caminhoneiros para para descansar ao longo de seu percurso pelo estado de Santa Catarina.
A localidade se tornou município 110 anos após sua fundação, em 4 de janeiro de 1988, quando foi desmembrada de Indaial, SC — cidade que, por sua vez, fora desmembrada de Blumenau por um ato unilateral do presidente Getúlio Vargas durante o período do Nacionalismo.
Em 1º de janeiro de 1944, após uma revisão territorial, Aquidabã passou a se chamar Apiúna. Na língua tupi-guarani, Apiúna significa "cabeço negro", uma referência à montanha arredondada e escura existente na região: o Morro Dom Bosco, com 390 metros de altura.
Morro do Cabeço-Negro - Apiúna em tupi-guarani.
Conhecendo um pouco do cenário da Igreja Matriz Sant'Ana, a qual apresentaremos em imagens feitas em períodos distintos, e também com atualizações postadas após a publicação deste conteúdo:
Imagens da Matriz Sant'Ana - Apiúna SC
Trabalho do altar foi feito em escultura na madeira feita por um artista de Ascurra - da família Grava
A igreja à noite - sábado antes da missa.
Gato do Padre Marek Kempske na igreja.
Gato do Padre Marek Kempske na igreja.
Lustre.
Em uma reforma não muito feliz - foi retirado o coro.
Rosácea o elemento forte do neogótico e do gótico.
Antes da missa.
Característica do neogótico e gótico - arco ogival.
Praça da Matriz à noite - que não deve ser cercada - correndo riscos.
Paisagem na frente da Igreja Matriz Sant'Ana — Apiúna, SC. Característica edificação da região do Médio e Alto Vale do Itajaí, construída nas décadas de 1950 e 1960. Utilizava-se muito o estuque, a partir de gesso e ripas de taquara ou bambu trançados, para acabamentos decorativos e forros. Quase sempre o telhado era composto por quatro águas, sem a presença da característica mansarda, e as aberturas recebiam cimalhas decorativas feitas de alvenaria. A estrutura era obtida a partir de paredes autoportantes de tijolos maciços com acabamento calfinado. As telhas, quase sempre, eram do tipo francesa. Casa fotografada em Apiúna, município desmembrado de Indaial, que, por sua vez, fora desmembrado de Blumenau.
Padre Marek Kempske recepcionando a comunidade um pouco antes de iniciar a missa de sábado à noite.
1º de janeiro de 2025
No dia 1° de janeiro de 2025, oportunizamos o momento de nossa visita à Igreja Matriz Sant'Ana, para registrarmos as obras restauradas em Curitiba, apresentadas pelo Padre Marek.
24 de agosto de 2026 - Obras de readequação no interior da igreja
O Padre Marek Kempski e a comunidade de Apiúna iniciaram a execução de um projeto cuja intervenção visa à recuperação do templo e à sua aproximação com a originalidade do projeto de Simon Gramlich.
Isto está acontecendo após a recuperação das imagens do interior do templo, ocorrida em 2024 e registrada por nós em janeiro de 2025.
Ontem, ao retornarmos da Serra Catarinense e atendendo ao convite do padre, estivemos no local para efetuar os registros do que já foi feito no interior da igreja, desde a troca da iluminação e adequação dos locais das imagens até o processo de revestimento das paredes e colunas, que ainda não está concluído.
Nova iluminação — aspecto muito importante para o interior de um ambiente, ainda mais com apelo espiritual. Busca pelo equilíbrio a partir das cores e da luz natural.
As janelas receberam atenção especial.
Mais imagens...
Miguel Gilberto Lima de Oliveira, que abriu as portas da igreja para que pudéssemos efetuar os registros atualizados.
Um Registro para a História...
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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