sexta-feira, 15 de maio de 2026

A descrição de um casamento em Blumenau - março de 1888 - Blumenau em Cadernos

Blumenau em 1888, ainda com enchente. Local onde permitiram a Construção da Loja Havan, em maio de 2026.
Folheando a edição de fevereiro de 1962 da revista Blumenau em Cadernos (Tomo VI, Nº 2), encontramos um registro que descreve um casamento realizado após uma enchente em 1888.
  • Para relembrar, o ano de 1888 teve como destaque histórico o início da construção da estrada ligando a sede de Blumenau ao planalto catarinense. Na época, Gottlieb Reif contratou, junto ao Governo Imperial, a abertura de uma estrada para cargueiros e cavaleiros que ligava a sede de Blumenau ao Planalto, passando pelo Rio do Bugre (hoje Apiúna). Esta obra durou 18 meses. Gottlieb Reif precisou vender sua propriedade para pagar os trabalhadores, após o governo não cumprir o pagamento inicial. A área territorial de Blumenau, nesta época, expandia-se para além do núcleo inicial, englobando o Vale do Itajaí até a serra.
  • Um de seus sobrinhos, Heinrich Luebeck, primeiro Coletor e Procurador de Hermann Blumenau, foi  sepultado em 1888, em Blumenau.
  • Em 6 de maio de 1888, foi lançada a pedra fundamental da Igreja Evangélica em Timbó. O pastor era o Pastor Lange. Um dos pioneiros que teve parte ativa na construção desta igreja foi Friedrich Wilhelm Butzke. Timbó, na ocasião, fazia parte do território de Blumenau.
  • Blumenau, 1888 acontecia o acampamento de Emil Odebrecht em Pombas, atual Pouso Redondo, que foi fundado posteriormente por Gottlieb Reif, que recebeu gerras naquela região como pagamento de seu trabalho.
Acampamento de Emil Odebrecht em Pombas, atual Pouso Redondo.
  • Em 6 de setembro de 1888, nasceu Richard Franz Carl Parucker (1888–1911), filho de Richard Franz Parucker (1864–1908), fundador de uma funilaria em 1890, na Itoupava Seca. Parucker veio de Joinville em 1882, aos 21 anos, e casou-se com Christiane Auguste Lina Dittrich em 28 de maio de 1885, em Blumenau. Além de suas atividades profissionais, foi violinista e regente de um coro masculino. Faleceu precocemente aos 44 anos, vítima de septicemia. Na imagem mencionada, Richard Franz Carl Parucker, seu filho, aparece no colo de sua mãe, Christiane Auguste Lina.
Richard Franz Carl Parucker nasceu em 1888.

  • O pastor da Comunidade Luterana Centro, em Blumenau, no ano de 1888, era Johann Anton Heinrich Sandreczki. Ele sucedeu ao Pastor Hesse, exercendo a função entre 1879 e 1888, até a chegada do Pastor Faulhaber, em 1889.
  • Faleceu em 16 de dezembro de 1888 Heinrich Peter Andreas Hosang (1828–1888), o primeiro cervejeiro de Blumenau e antepassado de Annegret Kerin Von Knoblauch. Nascido em Esbeck, em 29 de março de 1828, ele chegou a Blumenau em 29 de março de 1858, onde adquiriu um lote colonial às margens do Ribeirão Garcia. Ao perceber que a recém-criada colônia não possuía produção de cerveja, fundou a Cervejaria Hosang em 1860. Além de cultivar a terra para o próprio sustento, como era costume na época, produzia a bebida e realizava as vendas diretamente no local para os antigos blumenauenses. Posteriormente, adquiriu outro lote colonial e mudou-se para o atual bairro Victor Konder, onde hoje empresta seu nome a uma rua. Após sua morte, sua viúva, Helena (Brandes) Hosang, e seus filhos continuaram à frente da fábrica por mais algumas décadas.

  • Em 15 de junho de 1888, o membro da Câmara Municipal de Blumenau, José Henrique Flores Filho, tomou posse do cargo de Coletor das Rendas Provinciais, para o qual havia sido nomeado.

Também ocorreram momentos de grandes chuvas entre os dias 11 e 15 de março de 1888, com uma enchente que atingiu o nível de 11,60 metros, o que prejudicou uma festa de casamento em Blumenau. O evento não foi cancelado por já estar tudo organizado, seguindo a tradição que descrevemos em nosso texto sobre o Quebra-Caco. Ficou um registro sobre o evento, publicado na revista anteriormente citada (Blumenau em Cadernos de 1962). Segue o texto:

"Casamentos Coloniais 

De 11 a 15 de março de 1888, choveu muito em Blumenau. Por toda a bacia do Itajaí as chuvas foram contínuas e copiosas. O ltajaí Açu e seus afluentes e confluentes começaram a crescer assustadoramente. Pelo interior da colônia as águas invadiram as plantações e os pastos, obrigando os colonos a providências urgentes para pôr a salvo o gado e demais criações. 
Por toda a parte, a população estava apavorada com as perspectivas de uma nova enchente, grande como a de oito anos antes, que protelara para 1883 a instalação do município. Felizmente, porém, a coisa não ficou além do susto e de pequenos prejuízos nas lavouras, prejuízos, entretanto, compensados com o lençol de lama fertilizante, deixado pelas águas. 
Noticiando esses fatos, o "Blumenau Zeitung" acrescenta que também alguns acontecimentos sociais sofreram com o temporal. 
No Rio do Testo, por exemplo, na zona povoada por colonos pomeranos, um casamento marcado para aquela semana, perdeu completamente o brilho e o entusiasmo esperados. Os solenes convites já haviam sido feitos por um arauto, um moço cavaleiro. com o seu chapéu de plumas vermelhas e laçarotes de fitas desta cor e brancas. O cavalo também ia todo garboso e enfeitado de fitas e penas coloridas, de porteira em porteira, de lote em lote, dos colono daquém e dalém ribeirão. Mas, infelizmente, a chuva continuada que caía veio atrapalhar tudo. Meia dúzia, apenas, de convidados, os mais próximos da casa dos noivos, é que compareceram. E, no entanto, os parentes dos noivos haviam preparado um festão. Nada menos que um boi, e dos bem grandes e gordos, dois novilhos, vários porcos foram abatidos; num balde, desses de bom tamanho, não cabiam todas as cabeças de galinhas e frangos que foram sacrificados. E patos, e marrecos e gansos também. O forno, fazia dias que estava sempre quente e cheio de petiscos a assar. De petiscos e de cuca e de bolos que não acabavam mais. Quase meia tonelada de aipim fora arrancada e posta a cozinhar. Uma cesta de ovos cozidos encontrava-se pronta para ser servida. Os convidados haviam mandado, com antecedência, quilos e quilos de manteiga, fresquinha e cheirosa, que enchia tijelões de louça de barro brilhante. E foi pena que a festa ficou estragada."

Casamento do início do século XX do florianopolitano Frederico Emilio Kilian e Gertrud Müller, filha de Dr. Fritz Müller.
Leituras citadas - Clicar sobre o título

Um Registro para a História...

Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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Referências
  • GERLACH, Gilberto S.; KADLETZ, Bruno K.; MARCHETTI, Marcondes. Colônia Blumenau no Sul do Brasil. 1. ed. São José: Clube de cinema Nossa Senhora do Desterro, 2019.
  • VIDOR, Vilmar. Indústria e urbanização no nordeste de Santa Catarina. Blumenau: Edifurb, 1995. 248p, il.
  • SILVA, José Ferreira. História de Blumenau. -2.ed. – Blumenau: Fundação “Casa Dr. Blumenau”, 1988. – 299 p.
  • WETTSTEIN, Phil. Brasilien und die Deutsch-brasilieniche Kolonie Blumenau. Leipzig: Verlag von Friedrich Engelmann, 1907.











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