Ao ser demolida a Casa Carlos Alberto Julio Döpke, parte de um conjunto de três residências cadastradas no Projeto Memorvale, encerra-se uma sequência histórica de três tipologias fundamentais para a paisagem local.
A primeira foi a Casa Paul Lang, edificada com a técnica enxaimel. A segunda, a Casa Soares, apresentava a técnica autoportante, com planta e fachada principal em curva e platibanda que remetia ao barroco alemão. A terceira, demolida nesta semana, era a casa de Carlos Alberto Julio Döpke: uma tipologia muito característica da região, construída na década de 1950 pelo construtor Tiefensee, que preservava a volumetria das primeiras casas enxaimel, com aproveitamento de sótão e varanda lateral.
A primeira foi a Casa Paul Lang, edificada com a técnica enxaimel. A segunda, a Casa Soares, apresentava a técnica autoportante, com planta e fachada principal em curva e platibanda que remetia ao barroco alemão. A terceira, demolida nesta semana, era a casa de Carlos Alberto Julio Döpke: uma tipologia muito característica da região, construída na década de 1950 pelo construtor Tiefensee, que preservava a volumetria das primeiras casas enxaimel, com aproveitamento de sótão e varanda lateral.
Quanto à Casa Carlos Alberto Julio Dopke, registrada no Projeto Memorvale, esta apresenta planta retangular, com dois panos de telhado e aproveitamento do sótão, contando com a presença de Dachgaube. Originalmente, a construção apresentava um anexo localizado no lado esquerdo do conjunto, conforme mostra o registro fotográfico do Memorvale.
A casa foi construída por Carlos Alberto Julio Döpke, que contratou a firma Tiefensee para sua execução.
Na época em que foi cadastrada, foi listada em bom estado de conservação e com o projeto ainda original, especialmente na cobertura (com telhas planas cerâmicas). Destinava-se ao uso residencial, finalidade para a qual ainda era utilizada. Possuía aberturas de madeira e técnica de construção autoportante em tijolos maciços rebocados. Trata-se de uma construção do início do século XX.
Carlos Alberto Julio Döpke
Carlos Alberto Julio Döpke nasceu em 20 de junho de 1903, em Indaial (na época, território de Blumenau). Carlos Alberto era o filho caçula da família de pioneiros Carl Friedrich Wilhelm Döpke (1856–1915) e de Bertha Florentine Wilhelmine (Blank) Döpke (1856–...), casados em 7 de outubro de 1879, em Obernhagen, na época, distrito de Regenwalde, Pomerânia, Prússia (território da atual Polônia). A família chegou em Santa Catarina em 1885, de acordo com o Índice Onomástico de Imigrantes - Volume 4, caixa 26, elaborado, organizado e digitado por Neusa Maria Schmitz.
O nome da povoação em polonês atual é Lubień Górny; em alemão, Obernhagen. Trata-se de um atual assentamento no distrito administrativo de Gmina Resko, dentro do condado de Łobez, voivodia da Pomerânia Ocidental, no noroeste da Polônia. Localiza-se a aproximadamente 8 km a sudeste de Resko, 16 km a noroeste de Łobez e 68 km a nordeste da capital regional, Szczecin. Grande parte do antigo território da Pomerânia está compreendida no atual território polonês.
Em síntese, Lubień Górny (anteriormente Obernhagen) é um pequeno assentamento rural localizado no noroeste da Polônia, na voivodia da Pomerânia Ocidental. Fica a cerca de 8 km a sudeste de Resko, 16 km a noroeste de Łobez e 68 km a nordeste de Szczecin.
Em Blumenau a família residia na comunidade de Cedro na localidade de Timbó.
Carlos Alberto casou-se em 1928, em Timbó (então território de Blumenau), com Gertrud Döpke. Após essa data, o casal passou a residir na casa construída em Blumenau, no bairro Itoupava Seca, nas proximidades da família Rischbieter.
Carlos Alberto Julio Döpke faleceu em 13 de julho de 1984, e Gertrude Döpke permaneceu residindo no imóvel, fato comprovado pelo registro documental do Memorvale. O casal teve três filhos: Isolda, Werner e Lieselote.
| Atestado de óbito de Carlos Alberto Julio Döpke. |
A mudança da paisagem com a retirada de três tipologias cadastradas como patrimônio de importância para Blumenau nas décadas de 1980 e 1990.
Projeto Cadastramento do Patrimônio Arquitetônico Memorvale
| Arquiteto e Professor Vilmar Vidor em 1974 Fonte: Acervo Angelina Wittmann. |
O projeto Cadastramento do Patrimônio Arquitetônico – Memorvale consistiu na efetivação do registro das principais tipologias pertencentes ao patrimônio histórico-arquitetônico de Blumenau e região, durante as décadas de 1980 e 1990. Tal iniciativa teve como desfecho o tombamento, pela Fundação Catarinense de Cultura, de diversos imóveis no centro de Blumenau, além do restauro de outros. O Professor Vilmar Vidor foi o idealizador e proponente do projeto, contando em sua equipe, entre outros profissionais, com a professora Amábile M. T. Dorigatti, que também coordenou os trabalhos em determinado período.
Para a execução prática do projeto, o Professor Vilmar Vidor contou com o apoio da FURB, por meio da participação de acadêmicos estagiários da instituição. Estes elaboraram o cadastro de imóveis antigos de variadas linguagens e técnicas construtivas — incluindo aqueles edificados com a técnica enxaimel. O cadastro individual de cada tipologia continha um breve relatório técnico, descrição, planta baixa, elevações e registros fotográficos dos imóveis selecionados.
Tivemos acesso a mais de 1.100 fichas pertencentes ao Cadastro do Patrimônio Arquitetônico – Memorvale (as quais apresentaremos de modo individual nesta página), semelhantes a esta pequena amostra apresentada abaixo. Nelas, estão listadas centenas de tipologias construídas com as técnicas enxaimel, autoportante, entre outras, abrangendo diferentes estilos e recortes temporais existentes — ou que existiram — na cidade de Blumenau e região.
O modelo da ficha foi criado pelo Professor Vilmar Vidor e sua equipe, sendo utilizado para elaborar o pioneiro cadastro do Patrimônio Histórico-Arquitetônico, conhecido como Memorvale. De acordo com o Professor Vidor, pioneiro nesta pesquisa no Vale do Itajaí, em entrevista concedida ao jornalista Altair Pimpão em 2 de março de 2014, dois terços das edificações cadastradas em Blumenau foram demolidas. Atualmente, com certeza, esse número é ainda maior.
O tema "patrimônio" e este trabalho específico eram tão novos dentro da academia local que, em algumas fichas, as casas foram definidas com a grafia “enchaimel”.
O acervo e seu destino
Aqui está o texto revisado para garantir clareza e correção gramatical, mantendo rigorosamente a sua estrutura original:
Ainda na entrevista concedida ao jornalista Altair Carlos Pimpão em 2 de março de 2014, o Professor Vilmar Vidor explicou que o fichário dos imóveis foi repassado à Fundação Cultural de Blumenau, ao Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Blumenau (IPPUB) e à FURB, onde pesquisamos o acervo. O trabalho, desenvolvido em parceria entre a FURB e o IPPUB, foi facilitado e viabilizado pelo fato de o Professor Vidor ser, simultaneamente, presidente do IPPUB e professor da FURB, o que lhe permitiu "diminuir distâncias" e reduzir a burocracia para o êxito do projeto.
A partir do projeto de Cadastramento do Patrimônio Arquitetônico (Memorvale), a professora do curso de Serviço Social da FURB, Amábile M. T. Dorigatti, criou a Associação dos Proprietários de Imóveis Antigos. Essa associação foi fundamental para o sucesso do projeto, sua fluidez e a efetivação dos cadastramentos, viabilizando diálogos e parcerias entre proprietários, pesquisadores e o poder público.
Dessa forma, a equipe de pesquisas coordenada pelo Professor Vilmar Vidor mantinha um diálogo permanente com os proprietários através da associação, que possuía assento no Conselho do Patrimônio Histórico de Blumenau e também no Conselho de Planejamento Urbano. Nas assembleias dessa entidade, a municipalidade e os proprietários debatiam a manutenção do patrimônio e possíveis políticas preservacionistas. Havia um estatuto próprio e as reuniões eram periódicas.
Quanto ao material do Memorvale que pesquisamos, o acesso foi realizado por meio do Setor de Documentos Especiais da Biblioteca da FURB.
Na sequência, os links das Edificações Históricas, demolidas ou não, que já catalogamos, contendo seus estudos, fotografias e a ficha do Memorvale. Para acessar, basta clicar sobre o link da edificação/ficha escolhida — no total, somam 1.100 fichas (seção em construção).
- Casa Labes - Construída em 1890 em Blumenau ("Demolida"?)
- Projeto Memorvale - Casarão Scardueli - Construído por Gustav Salinger - Blumenau - e o Fundo de Apoio aos Proprietários de Imóveis Antigos
- Edifício do antigo Correios e Telégrafos - Blumenau
- Projeto Memorvale - Casa Peter Forbici - Rua Amazonas 1680 - Garcia - Na Paisagem
- Johannastift, o Hotel Alameda, a Turismo Holzmann, Zum Weissen Rössel (Cavalinho Branco), a Escola do SENAC Bistrô Johannastift, a Casa de Comércio de Blumenau - 100 anos de História e uso em 2023 - Arquitetura de Blumenau
- Projeto Memorvale - Casa Paul Lang - Rua São Paulo 1731 - Demolida!
- Projeto Memorvale - Casa Soares - Rua São Paulo 1729
- Casa Rischbieter - Ficha Rua São Paulo 1960
- Casa Ingrid Friedler Ficha Rua Paraíba N° 281 (DEMOLIDA!!)
- Casa Renato Vianna Ficha Rua Itajaí N° 574
- Casa Gropp - Ficha Rua Itajaí N° 667 (DEMOLIDA!!)
- Casa Gropp - Ficha Rua Itajaí N° 799 (DEMOLIDA!!)
- Projeto Memorvale - Refrigeração Martendal Ltda. - Rua São Paulo N° 1410 - DEMOLIDA em 1988
- Projeto Memorvale - Casa Spernau - Rua Bahia N° 1281 - DEMOLIDA em 27 de maio de 2022 - com autorização da Prefeitura Municipal de Blumenau
- Da Associação dos Proprietários de Imóveis Antigos - Instituto Bertha Blumenau - Instituto Histórico de Blumenau - IHB
- Da Associação dos Proprietários de Imóveis Antigos - Instituto Bertha Blumenau - Instituto Histórico de Blumenau - IHB
- A Bíblia de Alice (Hoeschl) Altenburg - filha de Leopold Franz Hoeschl - edificação cadastrada no Projeto Memorvale - Demolida
- Projeto Memorvale - Casa Carlos Alberto Julio Döpke - Rua São Paulo Nº 1695
Um Registro para a História...
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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