terça-feira, 1 de setembro de 2026

Rio do Oeste SC – Comunidade Toca Grande I/Escola Vereador Alfredo Scottini/Capela Santa Catarina – A Homenagem à SC feita pelos alunos e professores antes de adentrar sala de aula.




Avistando a Capela Santa Catarina.
7° Feira do Livro de Pouso Redondo - Alto Vale do Itajaí.
Momento que conhecemos o Professor Pisetta, em agosto de 2023.
Ao retornarmos da Serra Catarinense ao Vale do Itajaí, em 24 de agosto de 2026, aceitamos o convite do escritor e professor Marcos Aurélio Pisetta o qual conhecemos no lançamento de um livro nosso em Pouso Redondo em 24 de agosto de 2023 - há exatos 3 anos. 
Em agosto de 2026, almoçamos em sua companhia na Escola de Ensino Fundamental Alfredo Scottini.
Na ocasião, conhecemos a Capela Santa Catarina, para a qual havíamos elaborado um projeto de planejamento de cores para as áreas interna e externa — proposta que não foi adotada. 
Também testemunhamos a homenagem dos alunos da escola ao Estado de Santa Catarina, cantando o hino com respeito e postura antes de seguirem para a sala de aula.
A Escola de Ensino Fundamental Vereador Alfredo Scottini — cujo homenageado é parente do professor Alfredo Scottini, de Blumenau, está localizada na comunidade rural de Toca Grande I, no município de Rio do Oeste, em Santa Catarina.
Localização da comunidade Toca Grande, Rio do Oeste SC.

O complexo escolar atende a mais de 240 alunos da região e funciona em conjunto com o Centro de Educação Infantil Professor Ernesto Ronchi, nome em homenagem ao pioneiro do local, abrangendo desde a creche e a pré-escola até os anos finais do Ensino Fundamental. 
Sua diretora, Eliane Dalmarco, recebeu-nos pessoalmente ao lado do professor Marcos Aurélio.
Professor Marco Aurélio Pisetta e a Diretora Eliane Dalmarco - Toca Grande, Rio do Oeste SC.
A diretora coordenou os alunos do turno vespertino durante a homenagem que registramos. Segue o vídeo:
Também fomos acompanhados pelo professor Marcos Aurélio até a Igreja Santa Catarina, que não seguiu nossa proposta de cores, estando a parte interna já pintada de acordo com as orientações do responsável pela coordenação dos trabalhos.

Um pouco de História da Capela Santa Catarina

Historicamente, a primeira capela da comunidade era de madeira e foi construída pelos pioneiros locais; logo ao lado dela, os moradores ergueram a primeira estrutura da escola. Entre 1956 e 1957, foi construída a atual igreja de alvenaria, que permanece vizinha à unidade escolar. 
O primeiro pioneiro da comunidade foi Ernesto Francesco Ronchi (1886–1972), e consta que ele nasceu em Vallada Agordina, Belluno, Veneto, Itália em 31 de maio de 1886. Migrou ao lado de seus pais (casamento 19 de fevereiro 1884 - na Itália) Luigi Massimino Ronchi (1858 - 1925) e Maria Benedetta De Lazzer (1858 - 1941), de sua avó materna e mais três tios, quando se instalaram em Luiz Alves, parte do território de Blumenau. Ernesto contava com apenas 40 dias de vida. Seus irmãos mais novos nasceram no Brasil.
O casal Ernesto e Páscoa recém casados - ele casou com 23 anos e Páscoa com 20 anos, e demais familiares. Seus irmãos menores nasceram no Brasil.
Com 23 anos, em 11 de setembro de 1909, Ernesto Francesco Ronchi casou-se com Páscoa Stringari e tornou-se sapateiro, além de trabalhar suas terras na agricultura e pecuária.
O Casal teve 14 filhos: Mathilde Ronchi (1910–1999), Pedro Ronchi (1911–1997), Alfredo Ronchi (1913–1982), Eugênio Ronchi (1914–1985), Umberto Ronchi (1916–1988), Valério Ronchi (1917–1918), Vitório Ronchi (1919–2013), Luiz Ronchi (1921–1985), Maria Elizabeth Ronchi (1922–2016), Oristila Ronchi (1925–1926), Savério Ronchi (1926–2014), Cecília Ronchi (1929–2011), Helena Carlinda Ronchi (1932–2020) e Alida Ronchi (1933–2021).
Em 1918, aos 32 anos de idade, Ernesto Francesco Ronchi mudou-se com sua família para o Vale do Itajaí, instalando-se às margens do Rio Itajaí do Oeste e é considerado o pioneiro fundador da nucleação Toca Grande - dentro do município Rio do Oeste SC. Lembramos que não haviam estradas e sim, rudimentares picadas. Conseguimos imaginar os desafios que esta família enfrentou durante esta viagem de mudança.
Localização de Luiz Alves e o local que escolheu para se fixar com sua família.
Em 1925, providenciou a primeira balsa para atravessar o Rio Itajaí do Oeste, que forma o Rio Itajaí-Açú na cidade de Rio do Sul, no encontro dos rios.
Outras famílias, também resolveram mudar-se para este local, que ficou conhecido como Toca Grande. Essa comunidade foi renomeada para Toca Grande I, Toca Grande II e Toca Grande III (Alto Toca Grande), sendo colonizada pelas famílias Ronchi,  Negherbon, Fiamoncinni, Dalpiaz, Bach e Rech.
As famílias construíram a capela de madeira, que era atendida pelos padres João Rolando e Baggio. 
Na década de 1950, a comunidade resolveu construir a nova igreja de alvenaria. Contrataram pedreiros de Nova Trento, entre eles Celestino Battisti. 
Construíram a nova igreja entre os anos de 1956 e 1957. Enquanto esta era erguida, a antiga e pequena igreja de madeira permaneceu à frente da obra da nova edificação.
A primeira capela poderia ter sido realocado para os fundos desta nova e a comunidade poderia ter um memorial.
A nova igreja foi construída em estilo eclético, com predominância do Art Déco e Românico, como mostra o registro fotográfico da época. Seria muito bom se a mesma ainda estivesse no local como memória da história da comunidade; poderia ter sido realocada para outra parte do entorno.
Ao lado da capela dedicada a Santa Catarina, as famílias construíram a escola, atual Escola de Ensino Fundamental Vereador Alfredo Scottini, onde o professor Ernesto Francesco Ronchi lecionava em italiano. Sua esposa, Páscoa Stringari Ronchi, era uma das parteiras da comunidade, ao lado de sua amiga Emma Scoz.
Ele, Ernesto Francesco Ronchi faleceu em  29 setembro 1972, em Toca Grande e ela, Páscoa Stringari Ronchi faleceu dois anos depois, em  26 de junho de 1974, também em Toca Grande.
Pioneiros que desbravaram esta região a partir de Luiz Alves. Suas memória devem ser lembradas e valorizadas.
Toca Grande em 24 de agosto de 2026



Capela Santa Catarina

Capela Santa Catarina.


Recém pintada no seu interior. Proposta de uma pessoa da comunidade.
Cores novas usadas em seu interior.



Nossa proposta - Cores da Capela

Nossa recomendação técnica é de que não se utilize revestimentos rígidos no interior da igreja para tentar conter infiltrações. O resultado seria visualmente impactante e, em futuras manutenções, a remoção geraria grande quantidade de entulho e poeira — um trabalho muito mais complexo do que a simples renovação da pintura ou aplicação de novos elementos leves. Vale observar que soluções que demandam excessiva mão de obra de alvenaria são, por vezes, sugeridas como a única opção "profissional", mas nem sempre são as mais adequadas para a preservação do edifício.
Para mitigar a entrada de água em paredes e fachadas, sugerimos o uso de textura acrílica hidrorrepelente ou textura emborrachada. Esses produtos funcionam criando uma película elástica e impermeável que impede a entrada da água da chuva, permitindo, ao mesmo tempo, a permeabilidade ao vapor (a "respiração") da alvenaria.
É fundamental compreender que a infiltração não será eliminada definitivamente apenas com acabamentos, pois trata-se de uma questão patológica intrínseca à construção, que não foi devidamente impermeabilizada em sua base. Haverá necessidade de manutenção futura, independentemente do material utilizado; portanto, devemos optar pelo método mais leve e de menor impacto.
A Textura Acrílica Hidrorrepelente é um produto pronto para o uso, de aplicação fácil e rápida, que confere proteção e efeito estético às superfícies internas e externas, sendo executada diretamente pelo profissional da pintura.

Cores Interna e externa

Observamos que as cores predominantes no piso e no teto possuem tons quentes; por isso, optaremos por uma cor predominante em tom frio. O objetivo é complementar a paleta existente e proporcionar uma sensação de frescor e leveza a quem adentra o templo para orar.
Como a igreja segue a linha do neoclássico, respeitaremos o decorativismo característico deste estilo: todos os elementos decorativos (molduras, ornamentos e relevos) serão em tons mais claros que as paredes. Essa regra será aplicada tanto na área interna quanto na externa.
O presbitério, sendo a área de maior destaque e para onde convergem os olhares durante a celebração, receberá um tom mais escuro que as demais paredes. Esta escolha cria, por meio de uma ilusão de ótica, uma sensação de maior profundidade. É uma solução simples e pontual, evitando o excesso de informações visuais ou o uso de cerâmicas desnecessárias.

Quanto à proposta cromática:
  • Área externa: Sugerimos a manutenção dos tons "creme" para complementar a paisagem e destacar a volumetria da capela.
  • Área interna: Sugerimos tons de azul e creme (quase branco) para os elementos decorativos — conforme os códigos indicados nas fotografias anexas.
Cores – Palheta da Suvinil

Interior
N 002 – Azul Marola (Pág. 137): Tom de azul claro para aplicação em todas as paredes internas, exceto no presbitério. (Não aplicar nos elementos decorativos; observar as fotografias de referência).
P 073 – Uniforme Escolar (Pág. 137): Tom de azul escuro para aplicação exclusiva nas paredes internas do presbitério. (Não aplicar nos elementos decorativos; observar as fotografias de referência).
E 208 – Papel-Jornal (Pág. 08): Tom de branco acinzentado ("branco escuro") para aplicação em todos os elementos decorativos (faces superiores, inferiores e frontais). Deve ser aplicado em todos os detalhes que não sejam paredes.

Exterior
S 125 – Bala Toffee (Pág. 58): Tom de rosa envelhecido para aplicação nos dois níveis de paredes externas. (Não aplicar nos elementos decorativos; observar as fotografias de referência).
C 009 – Cabelo-de-Anjo (Pág. 58): Tom de branco com sutil pigmentação em rosa envelhecido. Para aplicação em todos os elementos decorativos (colunas, cimalhas, faixas e molduras), cobrindo todas as faces das peças.
As aberturas, portas e janelas, cor brancos neve.













E. E.F. Vereador Alfredo Scottini





























Rio do Oeste SC.



Toca Grande - Rio do Oeste SC.

Um Registro para a História...

Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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