| Informações sobre Ricardo Ullrich foram retiradas de sua lápide - Cemitério Luterano Centro - Blumenau. |
Durante nossas pesquisas no Cemitério Luterano do Centro, em Blumenau, em 12 de setembro de 2026, fotografamos um local que aparentemente não está pleno e sim aparentemente "desmontado". Ao nos depararmos com as marcas das letras retiradas, fomos compelidos a fazer a "leitura" atenta do que se poderia ler mediante um aparente desmonte. Ali, os registros no próprio jazigo revelavam apenas o nome de Ricardo Ullrich (1890–1976) — na verdade, Gustav Richard Ullrich —, cujo túmulo encontra-se agora aparentemente vazio. Será que um pouco de uma história está sendo apagada? Movidos pela curiosidade, fomos atrás das informações e da história da família de Ricardo Ullrich e tivemos uma surpresa.
Descobrimos que Ricardo era casado com Olga Feldmann (1892–1953), embora ela não estivesse sepultada naquele local.
Nossa pesquisa revelou que Ricardo Ullrich carregava a ancestralidade de pioneiros imigrantes saxões, sendo filho de Theodor Clemens Ullrich (1866- 1934) e Minna (Dressel) Ullrich(1869-1942).
Mais do que registros resgatados, Ricardo Ullrich (1890–1976) foi avô de figuras que contribuíram para a identidade cultural e a preservação das tradições no Vale do Itajaí — cuja história de um de seus netos, Henry Fred Ullrich, foi registrada em dois de nossos livros: Fragmentos Históricos – Colônia Blumenau (2022/2023) e Oktoberfest Blumenau – 40 Anos, Palco de um Despertar Cultural (2025).
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| Fred Ullrich, com o discos das bandas alemãs que ajudou a trazer para a Oktoberfest Blumenau. |
Foi por sua iniciativa que as primeiras atrações musicais alemãs cruzaram o oceano para se apresentar na festa — destacando-se a icônica Kapelle Götz Buam, sob a regência do maestro Siggi (Siegfried Hipfl), além da formação do maestro Helmut Högl —, pavimentando um intercâmbio musical que permanece vivo até os dias atuais.
| Os Vilaneneses. |
Se esse jazigo for desmontado e a lápide de Ricardo Ullrich desaparecer, perde-se muito mais do que a estrutura física. Apaga-se o registro concreto de um imigrante e rompe-se a ligação visível entre os pioneiros do século XIX e os seus netos, que tanto contribuíram para a comunicação, a Oktoberfest Blumenau e a música de Blumenau.
Preservar esse local é um dos critérios para garantir que o cemitério continue sendo um documento vivo da história do município.
O poder público poderia se tornar responsável por locais de sepultamento inseridos dentro de um determinado período histórico — como o de pessoas nascidas no século XIX, critério que utilizamos para efetuar nossos levantamentos para a pesquisa. Poderia existir um compromisso e uma ligação direta desses espaços com alguma Secretaria Municipal ligada à história, à cultura e à educação, do município.
Um Registro para a História...
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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