Mostrando postagens com marcador Meio Ambiente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Meio Ambiente. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de junho de 2022

Balneário Camboriú - Cidade - História e Urbanismo

Outro dia passando pela rodovia interestadual BR 101, pelo território de Balneário Camboriú, e como Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade, não podemos ficar indiferentes ao processo, muitas vezes imperceptível ao olhar leigo, que vem ocorrendo na cidade de Balneário Camboriú, aberta aos "investimentos", muitas vezes desenvolvidos isoladamente e fora da própria cidade, que tem uma sociedade residente, com hábitos e costumes, perfil cultural e natural. Recebemos do blumenauense Günter Ronald Ewald, que escolheu residir na cidade gaúcha de Gramado, por já observar as transformações céleres nas cidades da região do Vale do Itajaí, desprovido de acompanhamento e projeto, esta fotografia da capa. Neste registro - a praia de Balneário Camboriú está sem sombra, com restinga, com a foz do rio diretamente na praia, com vegetação nas encostas, na escala da praia, destino de veranistas do Vale do Itajaí. Estava assim há exatos - somente - 69 anos atrás.
Tanto se fala em sustentabilidade nos últimos tempos. Balneário Camboriú, não tem nem mais sua própria orla marítima de maneira natural. Não se sustenta enquanto local de veraneio, porque permitiu uma ocupação insana e irregular, sobre o terreno que estava a vegetação própria e característica do local que é a restinga. No momento presente entraram em uma neura e competição "do mais alto" promovido por alguém que faliu empresas de família regional, adquiriu a mesma e também,  pretendia construir no Centro Histórico de Blumenau, sem conversar com as pessoas da cidade.
Balneário Camboriú foi um dos pontos preferidos de veraneio dos moradores do Vale do Itajaí - com destaque para a cidade de Blumenau.
Atualmente, os veranistas são oriundos de várias regiões do país e até mesmo, de outros países. Os sotaques são muitos.
Década de 40 - Século passado - Arquivo Histórico de Balneário Camboriú.
Esta foto do Rotary Clube de Balneário Camboriú é de 1945 e o Município foi oficializado em 1964, quando aconteceu sua emancipação de Camboriú, que manteve o mesmo nome o qual foi alterado em 1979 para Balneário Camboriú. Separou o local do "Valor Imobiliário" do município histórico, mas comum para os investidores imobiliários que voltaram seu olhar para o balneário.
Segundo o Padre Raulino Reitz, o nome Camboriú já era encontrado em mapas muito antigos. Camboriú - tem origem no Tupi, formado pelas palavras kamuri (robalo) e ´y (rio), ou seja o rio dos robalos.
Parque de Balneário Camboriú - 1967.

Ilha das Cabras -  em obra de pintor desconhecido com aproximadamente 100 anos, uma obra de valor histórico e artístico que ilustra esta transformação célere na cidade de Balneário Camboriú.
O local da ilha, atualmente, um dos locais mais descaracterizados e mau ocupado, no que tange a legislação ambiental atual e também, sob as óticas urbanística e sustentável que é esta parte da cidade.
Resultado de imagem para Sombra na praia de Balneário Camboriu
Sombra na praia.
Balneário Camboriú - Santa Catarina.jpg
Ocupações permitidas até mesmo na foz dos rios.

Imagens da orla ocupadas indiscriminadamente por aranhas-céus. Registros de 2014, quando ainda inexistia o edifício mais alto do país. 
Para onde vai todo o esgoto destes módulos residenciais? Já se perguntaram sobre isso? 
Para que "uma casa" possa receber mais pessoas em seus ambientes, esta precisa ser adequada, desde o número a mais de pratos, copos e talheres, até o local de descanso, lazer, trabalho,  (...), senão vai haver conflitos de muitas naturezas e "agressão" aos espaços resolvidos e existentes. Esta readequação é também, necessária para a casa maior, para a escala maior, que é a cidade. É preciso muni-la de condições para a obtenção do equilíbrio, manter sua saúde, através da sustentabilidade e observar, com isto, o meio ambiente formado pelos espaços construídos e naturais







Mapa do início do Século XX
Camboriú e seu importante papel para todo o Vale do Itajaí
Mapa alterado e completado com informações (como usamos fazer atualmente)  pelo engenheiro alemão Dr. Phil Wettstein contratado pela Colonizadora Hanseática. Trabalhava na região no início do século XX. Ele usou como base, o mapa feito pelo engenheiro José Deeke em 1905, com suas informações acrescidas. Em seu mapa, também estava presente o Rio Camboriú e a praia, como também  Camboriú - marcado no mapa. 
Vídeo - Reflexão

Ocupação irregular e indiscriminada - janeiro de 2025
Que cidades estamos deixando para as futuras gerações?


Referências
  • CARVALHO, Pompeu; FRANCISCO, José. A Função Social das Áreas de Preservação Permanente nas Cidades. In: Encontro Nacional sobre Edificações e Comunidades Sustentáveis, 2003, São Carlos. Anais do Encontro Nacional sobre Edificações e Comunidades Sustentáveis - ENECS 2003. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, 2003.
  • GERLACH, Gilberto. Colônia Blumenau no Sul do Brasil. Gilberto Schmidt-Gerlach, Bruno Kilian Kadletz, Marcondes Marchetti, pesquisa; Gilberto Schmidt-Gerlach, organização; tradução Pedro Jungmann. – São José: Clube de Cinema Nossa Senhora do Desterro, 2019. 2 t. (400 p.) : il., retrs.
  • HOUGH, Michael. Naturaleza e Ciudad, Planificación Urbana y Procesos Ecológicos. México, Naucalpan: Gili, 1998.
  • LAGE, Laura Beatriz. Paisagem como ligação entre a conservação do patrimônio e o planejamento territorial [manuscrito]: conservation through development / Laura Beatriz Lage. - 2018. 473 f. : il. Orientador: Flávio de Lemos Carsalade. Tese (doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Arquitetura. 
  • ROGERS, Richard; GUMUCHDJIAN, Philip. Cidades para um Pequeno Planeta. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, SL, 2005.
  • ROMERO, Marta A. B. A arquitetura bioclimática do espaço público. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001.
  • SARAIVA, Maria da Graça. O Rio como Paisagem – Gestão de Corredores Fluviais no Quadro do Ordenamento do Território. Textos Universitários de Ciências Sociais e Humanas, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação para a Ciência e Tecnologia, Ministério da Ciência e Tecnologia, 1999.
  • TNGARI, Vera; SCHLEE, Mônica; NUNES, Maria; REGO, Andrea; RHEINGANTZ, Paulo; DIAS, Maria. Sistema de espaços livres nas cidades brasileiras – um debate conceitual. Paisagem Ambiente: ensaios - n. 26 - São Paulo - p. 225 - 247 – 2009.
  • WETTSTEIN, Phil. Brasilien und die Deutsch-brasilieniche Kolonie Blumenau. Leipzig, Verlag von Friedrich Engelmann, 1907. 

Sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
@AngelWittmann (Twiter)













domingo, 20 de maio de 2018

Meio Ambiente - Paisagismo - Arquitetura - APREMAVI - Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida


Região com grandes áreas desmatadas - sem a capa vegetal da Mata Atlântica


No dia 18 de maio de 2018, sob ameaça de chuva, os alunos da Professora de Paisagismo - Luciana Dias - 7° Semestre de Arquitetura e Urbanismo - da UNIDAVI, rumaram em direção a municipalidade de Atalanta SC - Alto Vale do Itajaí - território da ex Colônia Blumenau. Agradecemos o convite para estar na sua companhia, o que não exitamos em aceitar. Também esteve junto na excursão, a arquiteta e professora Maristela Macedo Poleza. 

Parte da Turma do 7° Semestre do Curso de Arquitetura e Urbanismo e professores
Taís Fontanive
O grupo foi recepcionado no caminho, pela representante da APREMAVI - Taís Fontanive, a qual o guiou até a sede da instituição, onde também apresentou os ambientes  junto com o Engenheiro Florestal, que trabalha a mais de 25 anos na associação.
A APREMAVI - Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida -  é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, sem fins lucrativos, criada no dia 9 de julho de 1987 na cidade de Ibirama SC. Nesse momento estavam presentes 19 pessoas que se posicionaram contrários a ocupação e exploração estrativista da reserva indígena Ibirama-La Klãnõ e historicamente são os fundadores  desta sociedade ambiental. Naquela situação, em Ibirama, saiam diariamente centenas de caminhões de toras em direção às madeireiras.

Vídeo 30 anos de História - apresentado para o grupo visitante na sede da APREMAVI -  Atalanta SC.
Nós visitamos a sede atual da APREMAVI, acompanhando o grupo de acadêmicos de Arquitetura e Urbanismo, sediada no município de Atalanta - instituição que conta com mais de 400 associados.

Na sede que visitamos, há um Centro Ambiental, no qual se encontra em anexo um viveiro de mudas de árvores nativas. Nós o visitamos - sob chuva. O viveiro, batizado de "Viveiro Jardim das Florestas",  iniciou com 18 mudas e atualmente é um dos maiores viveiros do sul do Brasil, com capacidade de produção de um milhão de mudas por ano, de 160 diferentes espécies nativas da Mata Atlântica. Contaram-nos que ao longo dos 30 anos de existências da APREMAVI, o viveiro já produziu mais 8 milhões de mudas.

Vídeo
Viveiro Jardim das Florestas
A APREMAVI também contribuiu com plantio, de mais de 8 milhões de mudas de espécies da Mata Atlântica, em toda a região, nas demais regiões do estado e também em outros estados do Brasil.
Cachoeira Perau do Gropp
Também em seu currículo, contribuiu para a mobilização para melhorias de políticas públicas e da legislação ambiental com destaque, para a aprovação e regulamentação da Lei da Mata Atlântica. 
Colaborou para a criação e elaboração dos planos de manejo da Arie da Serra da Abelha, do Parque Nacional das Araucárias, da Estação Ecológica da Mata Preta e do Parque Nacional da Serra do Itajaí. 
No município de Atalanta, a APREMAVI  participou da criação do Parque Natural Municipal da Mata Atlântica e, em parceria com a Prefeitura e apoio de empresas, é responsável por sua administração local e é muito bonito. Conta, com uma mancha de mata natural exuberante e uma grande cachoeira a qual fotografamos sob chuva - conhecida Cachoeira Perau do Gropp.
A APREMAVI também fundou e administra a Reserva Particular “RPPN Serra do Lucindo”, no município de Bela Vista do Toldo, garantindo a preservação de 316 hectares de Mata Atlântica, rica em biodiversidade e recursos hídricos.
Pretendemos retornar ao local, com um tempo com sol, para poder fotografar a paisagem - original e natural, onde podemos vislumbrar um pouco da Mata Atlântica. Agradecemos o livro, linda compilação, que conta um pouco desta história que completou 30 anos de foco e trabalho voltados para a preservação, educação, manejos, assessoramentos e outras questões tantas, que envolvem o meio ambiente com foco na paisagem natural.
Livro ilustrado - 30 anos da APREMAVI .
As imagens comunicam...
Parte da Turma do 7° semestre do Curso de Arquitetura e Urbanismo e professores.






Trajeto percorrido pelo grupo até a APREMAVI - De Rio do Sul até ATALANTA.


Trombudo Central SC.













Ponte  coberta  de madeira - patrimônio histórico local - sem mais sua  cobertura, que existia para proteger a madeira estrutural.











Uma edificação com traços e herança da maneira de construir dos alemães e dos italianos. Volumetria da casa do imigrante alemão com a presença da mansarda. No entanto, com paredes autoportante feitas com tijolos maciços aparentes da casa do imigrante italiano.



Sede atual da APREMAVI - Atalanta SC.





Antiga e primeira sede da APREMAVI.


























Professora Luciana Dias
































Professora Luciana Dias

Professora Maristela Macedo Poleza

Engenheiro florestal APREMAVI











Parque Natural Municipal da Mata Atlântica

O Parque Natural Municipal da Mata Atlântica está localizado na comunidade de Vila Gropp, a 2 km do centro do município de Atalanta. No local já funcionou uma fecularia de propriedade de Erich Gropp - década de 1940. A fecularia funcionou até a década de 1970.
Também funcionava no local, uma serraria e uma fábrica de óleo sassafrás. 
O parque foi criado no ano de 2.000 e sua implantação teve o apoio do Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA, através de um projeto de iniciativa da Prefeitura Municipal, com apoio da APREMAVI. Com o projeto foi possível realizar uma série de restaurações, onde hoje funcionam o centro de visitantes e o museu, foi elaborado o plano de manejo do parque e implantadas as trilhas ecológicas. O Parque é a primeira área pública oficialmente protegida do município.
O galpão onde era guardada a mandioca foi reformado transformando-se em Centro de Referência, onde está a sede administrativa, um anfiteatro com capacidade para 100 pessoas, recepção, salas de apoio, sala da administração.
O forno de secagem da fécula, também foi reformado e transformado em Museu, onde foi resgatada e exposta um pouco da história do município.
O antigo descascador de mandioca foi transformado em um mirante de onde se pode avistar a mata preservada e a Cachoeira Perau do Gropp com 41 metros de queda. 
Cachoeira Perau do Gropp

Chaminé
O chaminé pertencente a serraria, que foi construído manualmente e está conservada.

A antiga turbina, geradora de energia para a fecularia, foi retirada de onde hoje é o acesso as trilhas, foi restaurada e encontra-se em exposição ao lado do mirante. O local por onde passava a água que alimentava a turbina é hoje uma escada que dá acesso às trilhas.
Atualmente a APREMAVI é a administradora do Parque, através de um Termo de Parceria assinado com a Prefeitura de Atalanta e conta com um apoio da Metalúrgica Riosulense, no auxílio de sua manutenção.













Cachoeira Perau do Gropp









Taís Fontanive - Representante a APREMAVI e acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo UNIDAVI







Forno de secagem da fécula, também foi reformado e transformado em Museu






Parque Natural Municipal da Mata Atlântica
Horários
Segunda a Sexta: 07:30h às 12:00h – 13:30h às 17:00h
Finais de semana e feriados: 9:00 às 12:00h – 14:00h às18:00h

Ingressos
Adultos: R$ 2,00
Crianças de 6 a 12 anos, Estudantes e Aposentados: R$1,00
Crianças até 06 anos: livre
* O pagamento é feito na recepção do Centro de Visitantes.

Normas
  • Dirigir-se primeiro a recepção do Centro de Visitantes;
  • Ler com atenção as placas de sinalização e respeitá-las;
  • Zelar pela estrutura do Parque;
  • Manter-se nas trilhas e demais locais permitidos;
  • Estar atento à presença de cobras – em especial no verão;
  • Proibido coletar qualquer tipo de material encontrado no Parque;
  • Proibido ingerir bebida alcoólica na trilha;
  • Guardar todo lixo que for produzido e depositá-lo nas lixeiras;
  • Não deixar alimentos nas trilhas e nem alimentar os animais;
  • Proibida a entrada de animais domésticos;
  • Proibido fogueiras e churrascos.


Um pouco da história presente na paisagem natural!
Retornaremos a esse lugar...

Visita de estudos do 7°Semestre do Curso de Arquitetura - Unidavi - Rio do Sul SC.
Data: 18 de maio de 2018.