terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Perchta - Da Mitologia Germânica à tradição dos festejos de Natal

São Nicolau e Perchten.


Fotografia Claudia Rosa 
Baviera - 2014
Perchta, ou ainda Berchta - inglês conhecido como Bertha (Nome de mulher muito usado nos países de língua alemã - coincidentemente, nome da esposa de Hermann Blumenau - fundador da cidade de Blumenau SC.). Entre outras variações, faziam parte dos hábitos e da religião antiga antes da chegada do cristianismo à região destes países de língua alemã.

Para ler mais sobre o assunto Clicar sobre: Natal e sua origem.

Jacob Grimm.
São práticas  as quais tem registros que datam 500 anos a.C, descrito por Cesário de Arles. Percht também foi lembrado durante a prática da Caçada Selvagem na antiguidade, quando pediam proteção e abundância do alimento, durante esta. A expressão foi mudando durante os períodos históricos ao longo dos séculos, como também, os rituais, a figura e as festividades. Johann Andreas e Jacob Grimm mencionaram em Giperchtennacht, como um tradução da palavra grega epifania (Old brilhante - alto alemão).
Antes da chegada do cristianismo à região, Pechta era conhecida como uma Deusa da Mitologia germânica do sul da região da atual da Alemanha e dos países alpinos. Seu nome significa "Old Brilhante".  Prechta tem ligação com inúmeras figuras femininas do folclore alemão antigo, como a Deusa Holda, Frija. 
De acordo com  Jacob Grimm, grande pesquisador, ao lado do irmão, da Mitologia e Cultura dos Germanos primitiva, Perchta tem ligação com a Deusa Holda. Grimm afirma que é sua prima do sul - como ambas compartilham o papel de "Guardião das bestas" e aparecem 12 dias em torno da data de  Natal, para supervisionar.
Como seria a figura, a partir da Mitologia e no
que foi  transformada ao longo dos anos.
Em algumas descrições, Pechta tem duas formas: ela pode aparecer bela e branca como a neve, ou como idosos abatidos. Observamos que os contos dos Irmãos Grimm foram a maneira que encontraram para valorizar, resgatar e compartilhar parte da Mitologia dos povos antigos que habitavam a região sem criar problemas. Coincidência ou não, há uma estória de contos de sua autoria que conta sobre  a Branca de Neve a qual encontrou exatos 12 anões, também representações fortes dentro da mitologia e da religião antiga.
Prechta - Mitologia.







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Jacob Grimm, em sua pesquisa, afirma que Perchta é conhecida nas regiões onde hoje estão localizadas a Suábia, Alsácia, Suíça, Baviera e Áustria, onde não conhecem Holda, mas é similar, portanto, sua prima.
Na Baviera e na Bohemia alemã, Perchta, já foi representada, dentro do cristianismo, como sendo a Santa Lúcia - protetora das crianças - àqueles mesmas que lhe devem prestação de contas durante o Natal. De acordo  com escritor e pesquisador, Perchta teve inúmeros nomes, nos mais variados recortes de tempo e nas diferentes regiões.
Santa Lúcia.
O mais comum é Perchta. Existe as denominações de Perahta  e Berchte, seguido como Berchta e Frau Berchta, em alto alemão antigo. Chamam também  de Behrta e Frau Perchta. Em Baden, Suábia, Suíça e regiões eslovenas, muitas vezes foi chamada de  Frau Faste - Senhora das Têmporas - ou Pehta, ou ainda de  Kyaternica - esloveno. Em outros lugares, também era conhecida como Posterli, quatem berca e Frontastenweiber. No sul da Áustria e entre os eslovenos, a forma masculina de Perchta era conhecido como Quantembermann. Grimm, imaginava que a forma masculina deveria ser conhecida como Berchtold. Em seu estudo de 1835, Jacob Grimm afirma que o nome está dentro da língua do alemão antigo do século X - conhecido Frau Berchta - que seria um espírito feminino vestido de branco. Na época era conhecida como uma deusa da religião antiga que supervisionava a fiação e tecelagem, nas regiões dos povos germânicos. Como já foi dito, era a figura feminina de Berchtold, e muitas vezes era a líder da "caçada selvagem".
Frau Prechta - totalmente diferente da figura transformada dentro dos anos posteriores
A deusa se transformou em um figura masculina com  aparência para dar medo. Figura do  

demônio. Também observamos em muitas de suas imagens, enquanto mulher - esta sempre
 com cabelos ruivos - coincidência ou não, as ruivas eram mais perseguidas  e acusadas de 
bruxas  pela inquisição - na idade média. Muitas foram queimadas na fogueira.
Idade Média a caça às bruxas.























Em algumas descrições antigas, Bertha é representada com pé grande, as vezes chamada de pata de ganso ou pé de cisne. Grimm em sua pesquisa supôs que ela poderia ser um ser superior que poderia mudar sua forma para a forma animal.
Perchta ou Bertha.
O pesquisador, encontrou a descrição de Bertha com   um pé diferente em muitas línguas (alemão: "Berthe mit fuoze dem", francês  "Berthr au grand pied", Latina "Bertha cum magno Pede"), e concluiu que aparentemente possuía um pé de cisne novo, uma evidencia do ser superior que era e que convive a dualidade. Com o lado terreno de mulher com o pé largo e chato que trabalha na fiação com o pedal do tear, e a divindade com o seu lado divino que transmuta no animal ou em parte dele.
No folclore da Baviera - Alemanha e da Áustria, atuais, Perchta percorre os campos em pleno inverno, para entrar nas casas das pessoas, 12 dias - entre Natal e a Epifania - especialmente na noite de Reis. Diz a lenda, que ela sabe se as crianças e jovens da casa e todos os mais se comportaram bem e trabalharam duro durante todo o ano. Se se comportaram e estivesse tudo bem, encontrariam uma pequena moeda de prata no dia seguinte, em um sapato ou balde. Caso contrário, Perchta, cortaria suas barrigas, retiraria o estômago e intestinos e encheria de palha e pedras. Totalmente diferente da história mitológica e criada para aterrorizar, com intuito de conseguir a obediência.
Na Mitologia germânica, Perchta foi o primeiro espírito benevolente e era considerada uma divindade intermediária. Ela tinha a figura de uma criatura encantada - espírito ou elf. Grimm conta que com a chegada do cristianismo principalmente na idade média a "caça às bruxas", foi considerada como tal e teve sua imagem relacionada a uma figura do mal. No cristianismo surgiu o São Nicolau que amava e visitava as crianças. Na sua companhia, durante estas visitas, ia a Perchta (Que também, ao longo de suas transformações e adequações, já fora a Santa Lúcia - protetora destas mesmas crianças), para formar o conjunto do bem e do mal - a dualidade. O representante do cristianismo era a figura do bem que premiava o bom comportamento e a figura mitológica (Que fora desfigurada) era a figura do mau, que castigava o mal comportamento das crianças.
Thesaurus pauperum.
Perchta tinha um culto - na Baviera - que foi proibido pela Thesaurus pauperum, em 1468. Proibiu que as pessoas deixassem comida e bebida para Fraw Percht, em troca de proteção e abundância (Da época das caçadas selvagens - séculos AC). A mesma prática foi condenada por Thomas von Ebendorfer Haselbach em De praecptis decem, em 1439. Mais tarde, documentos canônicos e da igreja consideraram Perchta denominações de outras divindades femininas internacionais, como: Holda, Diana, Herodias, Rochella e Abundia.
Thomas von E. Haselbach.
A palavra Prechten é o plural de Prechta, dada ao conjunto ou comitiva, bem como o nome de máscaras de animais usados em desfiles e festivais nas regiões montanhosas da Áustria e sul da Alemanha.
Prechten geralmente incorporam dois grupos, o bom - Schönperchten - e o mau - Schiechperchten. O adorno muito importante do Prechten é o sino que tem como objetivo expulsar o inverno e os maus espíritos. Curioso, que o cristianismo, mais tarde, também adotou o sino em seus templos, com o mesmo objetivo.
Schönperchten - Festividades atuais.
Isto aconteceu no século XVI, quando o Perchten assumiu duas formas: Alguns são bonitos e brilhantes, conhecidos como o Krampus Estes surgem a noite dos doze e festivais para trazer "proteção e abundância" ao povo. A outra forma é a Schiachperchten, que tem presas e rabos de cavalos que são usados para expulsar demônios e fantasmas. No século XVI homens se vestiam assim e iam de casa em casa expulsar os maus espíritos - quase como um ritual, muitas vezes ou quase sempre, considerado um ritual pagão.
Site Oficial de Hansi Hinterseer
Astro do Volksmusik.

Schiachperchten.
Atualmente pode ser encontrado esta tradição em muitos localidades do sul da Alemanha e na Áustria, nas noites de véspera de Natal até a Epifania. O Perchtenlaufen junto com outros costumes dos Alpes, resultou no Krampus.
Também é encontrado, aqui no Brasil, com pequenas variações. É praticado na cidade Guabiruba em Santa Catarina, colonizada por imigrantes alemães oriundos da Schwarzwald - Baden Würtemberg. Também é praticada na cidade de Pomerode (Maior parte dos imigrantes que fundaram a cidade de  Pomerode são pomeranos oriundos da região norte - próximo ao Báltico, sem ligação com a região desta tradição na Alemanha) e Treze Tílias (Fundada por austríacos, ainda no século XX).
Guabiruba - SC.
Sociedade do Pelznickel foi fundada em Guabiruba.



















A representação da divindade mitológica vestida de branco,
porém com o rosto coberto - Guabiruba.
Em Guabiruba - Estado de Santa Catarina -  o Perchten se transformou em uma variação local chamada -  Pelznickel. Dizem que o "Pelznickel" é uma tradição alemã de Natal que é preservada no município de Guabiruba há mais de 180 anos, e que prega a obediência das crianças aos seus pais. Os Pelznickel são verdes, moram no meio do mato, não trazem presentes e tem o objetivo de cobrar o bom comportamento das crianças. Eles podem ter chifres, barbas, e folhas. O Pelznickel aparece somente em dois momentos do ano: no dia de São Nicolau, em 6 de dezembro, e na véspera do Natal, dia 24. No restante do ano, ele mora na floresta. Desde 2005, a tradição é mantida pela Sociedade do Pelznickel" - Pomerode News

Curioso, que a forma adotada na cidade de Guabiruba transformou a figura diabólica, da mistura do tipo humano com a cabra, a qual contém chifres, pés, rabo, etc..., em seres coberto de "barba de Bode", tipo de vegetação característica da região e folhas verdes, com chifres e estes são moradores da floresta, mostrando a adequação ao meio brasileiro e de certa maneira, ao folclore brasileiro.
 O Pelznickel existe no folclore da Floresta Negra, mas lá, como aqui, igualmente é uma variante da Deusa Perchta da mitologia germânica, que ao longo dos períodos históricos, se masculinizou e deixou de ser bela - Como também, tornou se parte da dualidade, formando o par com São Nicolau, durante a visita às crianças.
Grupo de Guabiruba - Pelznickel.





Treze Tílias - SC.
Na Europa, também é encontrado em vários desfiles de carnaval e no dia das Bruxas - De divindade feminina protetora das crianças a imagem medieval de bruxa - Muitas vezes, como figura masculina somente.  Muitos destes  Perchtaufführungen são somente atração turística de tradições regionais e são comemorados  - em 5 de dezembro, que não é a data correta para o Perchten, mas somente Krampusse. Há figuras perchtenartige, independente dos costumes de São Nicolau.

Atualmente - St Nicolau é a personificação do bem e Perchta do mau. Além de trocar seu perfil, características, personalidade, também mudou o nome para uma variante masculino. De Perchta, transformou se em Pete que tem a aparência figurada do diabo. De acordo com a análise cristã, os demais figurinos que acompanham o Perchten, lembram os vícios humanos, que são ursos, burros, cabras e Perchta, que nesta descrição lembra a gula ...

A tradição passando pelas gerações, através de sua Histórica....
Muitas vezes desconhecendo as sombras de suas "dobraduras"!


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