quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Pontilhão Ferroviário da EFSC - inserido em Projeto atual de Revitalização da Rua Bahia - Blumenau

Pontilhão de fabricação alemã localizado na foz do Ribeirão Stutzer - Bairro do Salto Weissbach - Blumenau

É indiscutível o valor da história presente na paisagem e que tem relação aos meios de transportes e sua estrutura - mais especificamente ao ferroviário - com elementos e monumentos  nas cidades da região do Vale do Itajaí - pertencente ao patrimônio histórico ferroviário da Estrada de Ferro Santa Catarina - EFSC.
Do livro - A ferrovia no Vale do Itajaí - Estrada de Ferro Santa Catarina - Traçado da EFSC e as principais estações.







A Estrada de Ferro Santa Catarina foi a única ferrovia construída com capital e tecnologia alemãs - no Brasil
Muito do material usado em sua construção e também, matéria prima, foram importados da Alemanha, como por exemplo: máquinas, material de pontes/pontilhões, trilhos e outros equipamentos.

A construção da ferrovia teve início em 1908 e o projeto nunca foi totalmente concluído. O primeiro trecho foi inaugurado em maio de 1909 e ligava Blumenau a Warnow, em um trajeto de 30 quilômetros. A extensão total, sem contar com o ramal de Ibirama, inaugurado em 1934, foi de aproximadamente 180 quilômetros. Na cidade de Blumenau há a presença de  elementos desse patrimônio histórico ferroviário, presentes no primeiro trecho inaugurado no início do século XX. Compondo esse patrimônio: algumas sedes de estações, algumas pontes e pontilhões - quase sempre localizados e cobertos pelo mato - indiferente a muitas pessoas, talvez por desconhecimento - como pareceu o episódio ocorrido na cidade, logo após a notícia da queda da ponte ferroviária de Apiúna sobre o Rio Neisse Central. E por último,  a locomotiva à vapor Macuca - uma das primeiras locomotivas da EFSC. A histórica máquina está exposta ao tempo na frente da Prefeitura  Municipal de Blumenau.  

No dia 17 de setembro de 2017 entrevistamos o maquinista e engenheiro mecânico James - voluntário da Ferrovia das Bromélias - trecho resgatado da EFSC, na qual confirmou que a Macuca pode voltar a rodar - Subida - Apiúna SC.
Parte da entrevista no vídeo abaixo.
Retornando...
Ponte ferroviária da EFSC caiu sobre o Rio Neisse Central
Foto - Prefeitura de Apiúna

No dia 17 de novembro de 2017, por motivos naturais, caiu uma das pontes ferroviárias da EFSC localizada na cidade de Apiúna - sobre o rio Neisse Central. O ocorrido foi lamentado por ex ferroviários e "voluntários" do patrimônio ferroviário na região e também, por demais pessoas sensíveis e consciente sobre o valor histórico e urbano de tais equipamentos.
Pontilhão da EFSC - Salto Weissbach - Blumenau SC






Em Blumenau, na semana seguinte ao acidente da ponte ferroviária de Apiúna, circulou nas mídias, a notícia não muito positiva sobre um pontilhão ferroviário localizado sobre o ribeirão Stutzer - no Bairro Salto Weissbach.






O pontilhão ferroviário do Salto Weissbach (De acordo com a localização do mapa acima), é de fabricação alemã e localizado no primeiro trecho inaugurado da EFSC - em 1909 - com mais de 100 anos de história 
Em novembro de 2017, o mesmo estava na lista de licitações da Prefeitura Municipal de Blumenau para demolição.
Surpresa e incredibilidade tomou conta de muitos. A notícia se espalhou nas redes sociais e das redes sociais, para o jornal escrito.

Nas redes sociais, surgiu um pouco da história do pontilhão

De acordo com o pesquisador da EFSC - Luiz Carlos Henkels, ao longo do leito ferroviário da EFSC, há quatro tipos diferentes de estrutura de pontes alemãs. São elas: A de Ibirama, a de Subida, as duas de Apiúna e Encano e os pontilhões - os mais ameaçados. O pesquisador disse que dos três pontilhões que restam na paisagem de Blumenau pertencente ao patrimônio ferroviário da EFSC - um está no meio do mato, o outro, cercado pela urbanização (Passo Manso) e o terceiro, do Salto Weissbach, com mais chances de uso prático, e que estava correndo riscos e motivo dessa postagem.
Luiz Carlos Henkels nos enviou recortes do Jornal de Santa Catarina de novembro de 1973 - dois anos após a desativação da ferrovia na região. A matéria do jornal comenta sobre o uso do pontilhão de Salto Weissbach, como alternativa no sistema rodoviário local e interestadual - uma vez, que a Rua Bahia fazia parte da antiga Estrada Velha para Indaial - primeiro caminho aberto pelos pioneiros direção ao interior da grande Colônia Blumenau - Curitibanos e Serra Catarinense.











Também recebemos a contribuição do pesquisador Marcelo Frotscher que nos encaminhou fotografias do acervo de imagens do arquivo histórico de Blumenau, José Ferreira da Silva, e explicou a matéria estampadas nos recortes de jornais acima.
De acordo com o pesquisador, após a enchente ocorrida entre os dias 27 e 29 de agosto de 1973 na cidade e região, a estrutura da ponte rodoviária sobre o Ribeirão Stutzer ficou comprometida. Era a conhecida Ponte Velha - tipologia característica de madeira treliçada e coberta. Nesse tempo, essa ponte de madeira foi desmontava e foi construída uma ponte de concreto. Durante o tempo necessário para a construção da nova ponte, o trânsito foi desviado para a "ponte provisória", "ajeitada" sobre o antigo pontilhão ferroviário.

De repente tivemos a impressão que as histórias de pontes, na cidade de Blumenau são repetições de um mesmo capítulo.

Para ler mais  - Clicar sobre o link: Ponte coberta de madeira de Blumenau - Badenfurt - História
Pontilhão de ferro sobre o ribeirão Stutzer, Salto Weissbach, Blumenau  - em uso provisório - para a construção da nova ponte de concreto que ocupo o local da ponte de madeira coberta - fotografia abaixo.
Foto: Arquivo Histórico Professor José Ferreira da Silva, Blumenau - 03 de setembro de 1973.


Ao lado pontilhão de ferro - a ponte de madeira coberta, sendo desmontada. Foto: Arquivo Histórico Professor José Ferreira da Silva, Blumenau - 03 de setembro de 1973. 


Publicação no Facebook
Essas trocas aconteceram sob imagens e fotografias do pontilhão que seria demolido. A notícia ocupou a coluna do jornalista do Jornal de Santa Catarina, Francisco Fresard - o Pancho - no dia 1° de dezembro de 2017, com uma boa nova. Fresard,  foi econômico e pontual com suas palavras.
Publicação no Jornal de Santa Catarina - Dia 1° de dezembro de 2017



Postado no Blog do Pancho no dia 4 de dezembro de 2017
Enfim, uma boa notícia!

Um elemento urbano munido de lastro histórico e significados voltará a ter uso, ser referência e ponto focal dentro da paisagem da cidade, na qual foi construído.
Resta somente eliminar a fonte poluidora do Ribeirão Stutzer e humanizar suas margens, pois é naturalmente um  lugar de contemplação, paisagem natural, com flora, fauna e água.
Agradecemos ao jornalista Francisco Fresard pela resultado positivo e a Prefeitura Municipal de Blumenau, pela conscientização e pelo projeto de revitalização com a presença do pontilhão ferroviário. 
Agora podemos voltar nosso foco às demais pontes ferroviárias de Blumenau, que se encontram no meio do mato, como por exemplo a linda ponte de pedras, sobre o Ribeirão do Tigre. Quem sabe o Fresard não poderia dar uma olhada nessa, também?
Ponte de pedra sobre o Ribeirão do Tigre sobre um terreno urbano às margens do grande rio Itajaí Açu - O prefeito de Blumenau conhece a existência dessa ponte. Também promovemos um encontro entre lideranças e voluntários do resgate ferroviário com o Secretário de Planejamento e técnicos da Prefeitura Municipal de Blumenau - no ano de  2012, nesse momento, também, comunicamos a existência dessa ponte no meio do mato. Desenvolvemos projeto para seu aproveitamento - na década de 1990. Enquanto estiver no meio do mato -  tudo bem, pois pedra é um material durável - tememos é o vandalismo e o descaso com o patrimônio histórico ferroviário. 
Sobre a ponte estão  Jorge Wittmann e Roberto Wittmann - fotografia de 1996. 


Em Construção e Revisão!!








































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