quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A igreja (Luterana) - referencia visual dentro da cidade do início do Século XX - Rio do Sul e sua análise atual

Rio do Sul - a partir de um de seus principais pontos focais - Igreja Luterana da cidade  - “Igreja de Cristo”, dá mostras da crescente descaracterização de sua configuração espacial do início do século XX.
Igreja Luterana - “Igreja de Cristo” de Rio do Sul e a vista da cidade que restou - outrora aberta e visível

Ao observamos a cidade de Rio do Sul, ao longo de sua história de fundação, percebemos o quanto mudou suas características espaciais, outrora com sinais de um plano pré estabelecido delineado na forma e com características de uma cidade alemã. Isso reflexo de sua formação e espacialização, a partir da predominância de assentamento de famílias de imigrantes alemães, no início do século XX, quase sempre oriundos do Stadtplatz de Blumenau, uma vez que a localidade fazia parte do grande território da Colônia Blumenau. O mapa da Colônia Blumenau de 1905 (abaixo) feito por José Deeke, ainda não tem o registro da nucleação de Bella  Aliança, atual cidade de Rio do Sul. Portanto é uma cidade muito jovem - sob a ótica histórica.
Acervo - Arquivo Público Histórico de Rio do Sul - alterado

Durante os primeiros anos de povoação, no
Vale do Itajaí, as famílias de imigrantes foram instalados em suas propriedades, ocupando os lotes coloniais ao longo dos leitos fluviais da grande bacia. Os rios foram as primeiras vias de penetração e as canoas – primeiros meios de transporte – geralmente eram confeccionadas com troncos de árvores. 
Quase sempre essas nucleações urbanas se desenvolveram às margens de um rio, de maneira linear. Esse rio, além de ser uma via de extrema importância para os deslocamentos através do transporte feitos via fluvial, também era usado como fonte de irrigação para as plantações, animais e abastecimento doméstico juntamente com poços artesianos.
Nova Aliança - Atual Rio do Sul

Quase sempre, na parte mais alta do território da nova povoação, era construída a igreja - uma forte característica em todas as nucleações fundadas por imigrantes alemães e italianos no Vale do Itajaí e não seria diferente na nucleação que deu origem à cidade de Rio do Sul.
As duas igrejas, católica e luterana, ocuparam locais mais elevado dentro do sítio.

Para melhor entendimento, apresentamos a história e formação da comunidade luterana na cidade de Rio do Sul. Sua arquitetura, local, região e comentaremos um pouco, sobre as transformações em torno de seu local e também na cidade. Na sequência presentamos as características originais, que por vários motivos não foram respeitadas e a paisagem atual está quase que totalmente descaracterizada, daquela original, do início do século XX.
Bella Aliança - Atual Rio do Sul  - década de 1930.
O caminho de acesso original a igreja Luterana de Rio do Sul - atualmente quase sem uso

Rio do Sul - Vista do original caminho para a Igreja Luterana - 2017 








A história da Comunidade Luterana na cidade de Rio do Sul.
Há indícios que o Pastor Leonhard Grau 
foi sepultado sob o altar da igreja que
 ajudou a construir.
Ao visitarmos o Arquivo Público Histórico de Rio de Sul, em agosto de 2017, encontramos parte dessa história "contada" em fotografias feitas por um dos pastores mais atuantes da história da Comunidade de Südarm - denominação da povoação que deu origem a Bella Aliança (Denominação recebida no ano de 1912) - atual cidade de Rio do Sul - o Pastor Leonhard Grau. O Pastor Grau tinha a preocupação de registrar, a partir de fotografias, os acontecimentos de sua comunidade, dentro de suas limitações, tal qual nós fazemos hoje, com intuito de materializar a história transcorrida no seu tempo, para um futuro imediato, deixando esse patrimônio histórico - em imagens que comunicam. A partir dessas fotos e as nossas, feitas em agosto de 2017, podemos fazer algumas análises a partir da morfologia urbana (forma e estruturação da cidade), a ocupação do solo e as mudanças relacionadas, ao longo do Século XX e início do Século XXI. 
Dentro de um período de tempo, inferior a 100 anos, percebermos o quanto foi permitido e que, contribuiu para a mudança do perfil e identidade da cidade de Rio do Sul, de maneira descultuada e diferente da proposta urbana  de suas primeiras décadas de existência - que seguia determinados critérios (De maneira empírica, mas secular) e uma orientação central - respeitando um plano.
Encontramos os nomes e datas desses primeiros pioneiros do início do Século XX, no cemitério localizado nos fundos da igreja - Fotografias no final dessa postagem

A Comunidade Luterana de Rio do Sul teve início no ano de 1921, a partir da formação de seu pastorado. Passados 9 anos, em 1930, a comunidade possuía 160 famílias - somando aproximadamente 880 pessoas. As famílias além de viverem no Stadtplatz de Bella Aliança (Atual Rio do Sul), também residiam nas nucleações de Matador, Lontras, Cobras, Lauterbach, Trombudo  Central, Pombas, Trombudo Grande, Taió, entre outras comunidades menores, localizadas na região próxima.
Os primeiros pastores da comunidade e que acompanharam sua formação e a construção das primeiras igrejas, entre elas -  a igreja cuja tipologia arquitetônica vamos analisar:
  • Pastor Emil Hahn - 1920 - 1924;
  • Pastor Anton Poeschl - 1924 - 1925;
  • Pastor Hermann Stoer - 1929 - 1930
  • Pastor Leonhard Grau - 1926 - 1936 (autor das valiosas fotografias da comunidade apresentada);
  • Pastor Hermann Stoer - 1929 - 1930

A comunidade luterana das inúmeras povoações da Colônia Blumenau, foi mais forte e teve seus primeiros templos construídos antes do que os templos católicos em muitas das localidades, a exemplo, do próprio Stadtplatz da Colônia Blumenau. Isso aconteceu porque, a grande maioria das famílias alemãs pioneiras e fundadoras eram dessa religião, e das quais, surgiam as primeiras lideranças locais.
Paisagem da cidade de Blumenau a partir dos alto da localização da Igreja Luterana do Stadtplatz - tempo contemporâneo ao Pastor Grau


Antes de prosseguirmos nossa análise sobre a comunidade luterana, da arquitetura de sua igreja e a sua importância dentro do espaço da cidade de Rio do Sul, vamos conhecer um pouco da história anterior a essa, na região e na cidade.
Essa região não teve uma ocupação natural como os demais núcleos urbanos no entorno, mas foi incentivada pelo fundador da Colônia Blumenau a partir de seus projetos privados e da abertura de novos caminhos para o interior da grande colônia.
A  região onde está a cidade de Rio do Sul, após a abertura de caminhos a partir do Stadtplatz de Blumenau, economicamente tornou-se parte importante e entrocamento de rotas comerciais para o Planalto Serrano e para o oeste do Estado de Santa Catarina. Isso aconteceu no ano de 1863, quando o engenheiro Emil Odebrecht, juntamente com mais oito homens, fez sua primeira expedição com o objetivo de estudar a bacia do Itajaí-Açu e encontrar melhor traçado para construir essa estrada que ligasse a Colônia Blumenau a essas outras regiões do Estado.
Em 1867, após voltar da Guerra do Paraguai, Odebrecht iniciou a abertura da picada de ligação da Colônia Blumenau ao Planalto Serrano. A ocupação da colônia aumentava com a vinda sucessiva de levas de imigrantes e o aumento de produtos disponíveis para comercialização com os tropeiros do trajeto Curitibanos-Blumenau.
Após a abertura do caminho para o Planalto Serrano - esse traçado por Emil Odebrecht e que se estendia até Trombudo Central e Taió, atravessando o ponto de pouso conhecido como Südarm (Braço do sul), local escolhido por Hermann Blumenau para estabelecer a povoação, nucleação primitiva que deu origem a cidade de Rio do Sul

Grupo de Emil Odebrecht e o início de sua 1º expedição - Dia 14 de janeiro de 1863 - para fazer o levantamento da bacia do rio Itajaí-Açu com objetivo de encontrar o caminho para a serra, em direção a Curitibanos- SC. Retorna a Blumenau no dia 21 de fevereiro. O grupo era formado por 8 pessoas, entre elas Hans Breithaupt e o futuro sogro, Heinrich Bichels. Não chegam ao planalto, pois por engano, sobem o Rio Itajaí do Norte, ou Rio Hercílio.
No ano de 1879, a direção da Colônia Blumenau contratou Basílio Corrêa Negredo, auxiliado por seus filhos, João Basílio e Carlos Corrêa Negredo, primeiros moradores que se fixaram na região e foram incumbidos de abrirem um estabelecimento de passagem sobre Südarm, na estrada recém aberta para Curitibanos. Os contratados receberam, por arrendamento, um lote de 25.000 m2, primeiro passo para a fundação do Distrito Bella Aliança - atual cidade de Rio do Sul. O local, sob ponto de vista econômico, é muito importante por ser um entreposto comercial - como já mencionado. Não demorou muito tempo para mais famílias se fixassem na região, até mesmo, membros da família do engenheiro Emil Odebrecht.
Südarm - Braço do Sul - Rio Itajaí do Sul
As primeiras casas temporárias dos imigrantes que chegavam a nova povoação eram feitas com poucas ferramentas e materiais retirados do entorno. Eram feitas com capricho e repetiam a tipologia e a identidade das casas que conheciam em suas cidades natais. A volumetria era a mesma. O telhado coberto com pequena tábuas beneficiadas manualmente de madeira, fechamento feito com varas de bambus entrelaçados formando um rendilhado diferente e a cercas, também feitas com bambus marrados no sentido horizontal já com a presença do jardim e pomar.

No  interior das primeiras casas - a presença dos poucos utensílios trazidos juntos -  na grande viagem para o Brasil.

A povoação de Bella Aliança, em sua grande maioria, era formada por famílias luteranas. No início do Século XX, a comunidade possuía uma casa paroquial de madeira, onde também eram ministradas as aulas de ensino confirmatório. Nesse espaço, também aconteciam os cultos da comunidade - por isso, a chamaremos de 1° Igreja da Comunidade.
Linda edificação - mostra as características do pioneiro - de morar e praticar suas atividades, a partir da arquitetura, mesmo que com restrições e limitações. Observamos o detalhe do guarda corpo da varanda frontal, a elevação da construção do solo a partir de pilaretes,para evitar umidade e bichos, as cortinas na janela desprovida de vidro, a cobertura de folha de palmito em uma estrutura de telhado bem característico com acentuada inclinação dos panos e a volumetria dotada de grandes referencias responsáveis pela identidade das cidades na Alemanha, e também no Vale do Itajaí, tão pouco valorizadas, enquanto memória, no momento presente.

Depois, foi construída a 2° Igreja, também em madeira - e felizmente foi fotografada pelo Pastor Leonhard Grau. A 2° igreja  tinha a tipologia de uma igreja com torres e sinos. Foi construída por volta de 1908 pelos primeiros moradores da povoação. No início, era coberta com folhas de palmito e foi ampliada três vezes. 
Em 1920, foi construída a casa pastoral e no dia 5 de novembro de 1920, foi consagrada, como a primeira igreja da comunidade de Rio do Sul e que, tinha uma torre, não muito comum nas igrejas da região, por motivos políticos e também, econômicos.












Como arquiteta, nos emocionamos quando vemos esse registro. A imagem mostra a identidade de como viver e fazer suas prática em terra longínqua de sua sua terra natal, desprovida de materiais adequados. Esse contexto não os impedia de construir, com precariedade, mas com a identidade de suas cidades, tipologias com a forma que conheciam e que comunicavam, mesmo que com outro material, como a madeira - abundante na região, nessa época. A localização e o verticalismo da torre, proibida em solo brasileiro para outras religiões que não fosse a católica.
Uma das principais características da 2° igreja da comunidade foi possuir uma torre/campanário, como mencionado. Também apresentava  - em alto relevo - o escudo de Lutero na porta principal, com a rosa de Lutero.
Na entrada, estava a estátua de Cristo em madeira, uma cópia de Thorwaldesen assinada pelo escultor Josef Teichmann do Stadplatz de Blumenau - terceiro Regente do Coro Masculino Liederkranz. O altar dessa igreja era formado por três paredões de madeira escura separados por pilastras estreitas com línguas de fogo, além do candelabro e do crucifixo.  
Enfeitada para a Confirmação do ano de 1927


























Não demorou muito tempo para surgir a ideia do projeto da 3° igreja da comunidade luterana de Rio do Sul. Em 1927 foi colocada a pedra fundamental e sua construção demorou seis anos. Foi inaugurada no ano de 1933, quando o Pastor Pastor Leonhard Grau era o pároco da comunidade. Mais sobre essa história, a seguir.

Arquitetura 3° Igreja da Comunidade Luterana de Rio do Sul

As igrejas construídas nas comunidades do Vale do Itajaí - nas primeiras décadas do Século XX, quase em sua totalidade, seguiam o estilo romântico (Século XIX) com características do Neogótico. 
A arquitetura romântica restaura o gótico com influencia dos estilos exóticos como: chineses, árabes, hindus, combinados, culminando em um ecletismo no qual, as preocupações de efeitos decorativos tem mais importância do que as finalidades práticas do edifício e a lógica de sua estrutura.
Dotados deste sentimento, os primeiros arquitetos e construtores projetaram as primeiras igrejas no grande território da Colônia Blumenau - atual Vale do Itajaí. 
Igreja construída no Alto Vale do Itajaí, interior da Colônia Blumenau - As características, além da estrutura em enxaimel é verticalidade e a presença da torre - predominado sua fachada principal. 
Ilustramos o texto anterior com essa fotografia por ela  ser de autoria do Pastor Grau e uma das poucas igrejas construídas com a técnica do enxaimel vistas por nós, mesmo que saibamos que todas as igrejas construídas com madeira nesse período, fossem dotadas de uma estrutura Fachwerk e também seu fechamento em madeira, como existem muitas construídas pelas famílias de descendentes de alemães no oeste do Estado de Santa Catarina, ignorando o material, com a linguagem do estilo romântico - adotado por seus antepassados no Brasil e na Alemanha. Desconhecemos o local onde essa igreja foi construída.


Não foi diferente, quando analisamos a linguagem arquitetônica da 3° Igreja da comunidade Luterana de Rio do Sul, cujo projeto foi assinado pelo Arquiteto Meinecke de Blumenau e a obra foi executada por Franz Strube da própria comunidade. Outros membros da comunidade  participaram do "mutirão", de maneira direta e indiretamente, independentemente das possíveis diferenças entre si. 

O construtor da igreja - Franz Strube, foi preso no período do Nacionalismo, e faleceu no seu cativeiro -  Campo de Concentração da Trindade - cidade de Florianópolis - Capital de Santa Catarina.
A construção

A construção da 3° igreja da comunidade foi decidida em Assembléia Geral que aconteceu  no dia 23 de agosto de 1927. Nessa mesma assembléia foi formada a comissão de construção formada por:  João Hoffmann, Helmuth Letzow, Emil Altenburg, Oswald Odebrecht (Filho de Emil Odebrecht), Otto Zoschke, Oswald Hadlich, Franz Ditrich e o Pastor/fotógrafo Leonhard Grau.
A tradicional festa da Cumeeira foi comemorada no dia de Ascensão de 1931 e sua inauguração aconteceu no dia 5 de novembro de 1933, quando foi batizada de “Igreja de Cristo”.





A Localização

A localização da nova igreja da comunidade, dentro da nucleação urbana, dentro da cidade, ocupou (hoje não mais) o local de destaque e o mais elevado do sítio. Foi construída mais à direita e no lugar mais alto, comparado ao da 2° igreja, que permaneceu na paisagem por algum tempo, mesmo depois de inaugurada a última.


Sua torre era visível em toda parte e lugar dentro do Stadtplaz de Bella Aliança - atual Rio do Sul. 
Observando as fotografias do Pastor Grau percebemos que a comunidade da época tomou esse cuidado ao escolher o local de sua igreja. 

Essa espacialização urbana foi totalmente desvirtuada como o adensamento a partir de uma ocupação desordenada do solo. Aconteceu sem a atenção pautada em critérios respeitados na espacialização do primeiro núcleo urbano de Bella Aliança - atual cidade de Rio do Sul.


Atualmente, a torre da igreja se encontra "escondida" dos transeuntes das principais vias que formam a estrutura e espaços públicos de Rio do Sul atual. Mesmo sendo uma distância pequena, optam em ir a igreja de carro. Durante essa pesquisa, fizemos todo o trajeto à pé e é um caminho bucólico e muito bonito.
Caminho de acesso para a 3° igreja - Sem muito uso, dentro dos caminhos da cidade
A vista está bastante comprometida


O caminho - principal acesso à igreja, que ainda não completou 100 anos, está estrangulado e sem importância dentro da atual acessibilidade.

A arquitetura história e o significado do templo religioso dentro da cidade atual, perdeu o significado de outrora. A partir do local da igreja, não é mais possível contemplar a centralidade da cidade, não é mais ponto focal e nem referência visual na paisagem, importante para a locomoção nos espaços citadinos.
Atualmente, o endereço da igreja  é Rua Rui Barbosa, Centro da cidade de Rio do Sul. Observando a cidade do alto do local onde está a igreja, observamos que outras referências urbanas importantes dentro da cidade também foram "estrangulados" pelo adensamento desordenado, como por exemplo a Ponte ferroviária de arcos, em outras épocas visível de longa distância, inclusive da igreja.
Essa paisagem, na atualidade não apresenta esse conjunto e percepções visuais. A igreja está no mesmo local, porém não é mais visível da cidade e tampouco a ponte ferroviária dos arcos, construída com arte e personalidade para marcar visualmente a paisagem da cidade e tornando-se um dos pontos focais de referência. atualmente está "sufocada" no meio de construções desconexas que surgiram posteriormente, sem uma reflexão na escala da cidade e seu impacto na paisagem pre existente.

Memória cemiterial - Fonte histórica

Positivamente, encontramos, com muito respeito, os nomes e datas referentes aos primeiro membros da comunidade luterana de Bella Aliança - Atual Rio do Sul. Membros das famílias que ajudaram a construir e participaram dessa comunidade, no bem cuidado cemitério localizado ao lado lateral esquerdo da 3° Igreja da comunidade. Registramos alguns dos nomes para constar e ilustrar essa postagem - pois faz parte da história do Alto Vale do Itajaí, da região e de Santa Catarina
As imagens comunicam.











Vista atual para a cidade -  a partir da localização da igreja - bloqueada

Detalhe arquitetônico - estilo romântico - com predominância das características góticas




Alguns nomes da História estão permanentes no bem cuidado cemitério da comunidade

Um comentário
Outro dia, uma pesquisadora que tem como tema o patrimônio cemiterial, em Santa Catarina, comentou conosco, desconhecer a variante que define a linguagem cemiterial de um período histórico.
O que faz surgir a maneira de adornar, construir e sepultar os mortos dentro das diferentes cidades, regiões, no mundo - dentro de um período de tempo. 
A arte cemiterial e o ritual do sepultamento tem ligação com a arte, a arquitetura, folclore e a cultura de um povo dentro de um recorte de tempo. Como existem os estilos artísticos culturais e falamos sobre isso nesse texto - onde os imigrantes buscavam resgatar sua identidade a partir da reprodução da volumetrias de suas casas na Alemanha, mesmo não tendo ao seu alcance o material utilizado lá. Essa prática é variável dentro dos períodos históricos e a arte dos túmulos segue um pouco as tendências da arquitetura e do seu tempo contemporâneo. Ou seja, por exemplo - no período gótico seguiam uma linha, no período renascentista, outra, e assim nos demais.
Geralmente as famílias abastadas, isso desde o tempo dos faraós, gastavam e gastam mais e usam mais criatividade de acordo com o período artístico vigente no seu tempo. 
Esses, geralmente são "imitados" posteriormente, porque suas ideias são exploradas comercialmente e adotadas por aqueles que desejam adquirir como.
Concluindo, o período artístico dentro da grande escala do tempo, interfere na forma do homem sepultar seus mortos. A arte é varável, de acordo com as práticas e momentos históricos vivenciados por uma sociedade dentro de um espaço (Que pode ser a cidade ou um conjunto delas) em um recorte de tempo.































Sem a vista da cidade, existente outrora




Crescimento desordenado tirando a identidade que Rio do Sul já possuía






























































































As referências materializadas na paisagem da cidade, variáveis de uma para outra, são responsáveis pela identidade, não de uma pessoa, mas da sociedade, são de extrema importância ao ser humano. As paisagens - urbanas ou rurais - são impregnadas de informações e da essência das práticas de uma sociedade no espaço enquanto nesse, essa sociedade permaneceu. Essas informações fazem parte da história e do inconsciente da comunidade que se sente confortada, em segurança e em "casa" quando as sente. É questão de saúde pública, educação e conforto, quando mantemos esses referenciais no espaço, o que não está ocorrendo nas cidades brasileiras, no momento presente. Esses desajustes afetam o psiquê do homem e contribui para muitos, dos desajustes urbanos e humanos creditados somente aos problemas sócio-econômicos existentes no país. O espaço, bem ou mal resolvido, tem influencia na sociedade que ali vive.
A realidade de outras cidades, fora do país, como as cidades do Chile, Uruguai, Argentina e a terra dos antepassados de Bella Aliança - Alemanha - é outra.

Leituras complementares:


Em Construção!







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