sábado, 23 de novembro de 2019

Terminado - o livro Fachwerk - A Técnica Construtiva Enxaimel.

Arte final - Jorge Wittmann.
Há um ano iniciamos a organização deste trabalho, o que nos obrigou a dividir ainda mais o nosso tempo disponível e este espaço adquiriu outro ritmo de postagens, o que agradecemos a compreensão dos seus seguidores.
Com Nice (Diagramadora), revisando a partir do primeiro boneco - Noite sem dormir.

Jorge Wittmann - Também a noite - Arte da capa.

O livro está nos acabamentos. A nossa parte está terminada e acompanhamos somente os últimos detalhes, tipo procedimentos de impressão.
Marcamos este momento nesta postagem, com a apresentação da introdução do livro, que explana um pouco daquilo que motivou este trabalho.

A Introdução do livro Fachwerk - A Técnica Construtiva Enxaimel
Desde a década de 1990 buscamos respostas para questões relacionadas à técnica construtiva enxaimel. Percebemos que na escala regional, no Vale do Itajaí – localizado no Estado de Santa Catarina, no Sul do Brasil, existiam muitas “respostas e conceitos” prontos, entre os quais alguns se contradiziam entre si, outros não apresentavam muito sentido e consistência dentro da pesquisa superficial que desenvolvíamos em diferentes momentos. Outros, ainda, perdiam sentido diante de determinadas perguntas como aquela feita pela professora Hilda Braun para nós, no Rio Grande do Sul, em 2014: “Por que as construções feitas em enxaimel no Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Santa Catarina são diferentes? Por quê? 
Como estudante de arquitetura, arquiteta, pesquisadora e professora, acompanhamos parte do trabalho pioneiro desenvolvido pelo arquiteto, professor e doutor Vilmar Vidor na região e no sul do Brasil – muitas vezes, como integrante de sua equipe. Presenciamos debates calorosos sobre o tema, sua importância ou não, por parte de grupos de pesquisadores, acadêmicos, e também de outros grupos da sociedade, como o dos construtores de edifícios. Assistimos à retirada paulatina de exemplares históricos importantes, construídos em vários períodos, da paisagem de cidades fundadas por pioneiros alemães no Vale do Itajaí – cujo território, no início de sua colonização, coincidia aproximadamente com o território da Colônia Blumenau – fundada na metade do século XIX. Percebemos, também, que surgiam “especialistas” na técnica construtiva regional, cujo conteúdo e prática eram superficiais diante da técnica usada não somente no sul do Brasil, mas em boa parte da Europa, Estados Unidos e também no Oriente. Qual a ligação histórica entre si, entre as muitas tipologias construídas em enxaimel nas várias regiões do Planeta? Como surgiu? Por que marcou a identidade de determinadas regiões – como a Alemanha dos irmãos Grimm? Qual foi seu embrião? 
O desejo de escrever sobre o tema elucidando parte destas perguntas só aumentou, sem a pretensão elucidativa completa, e naturalmente se materializou quase como uma necessidade e compromisso. Quando ingressamos na academia como professora, a exemplo do professor Vidor, sentimos necessidade de organizar este assunto e compartilhar com aqueles que tinham os mesmos questionamentos, não somente no momento presente, mas também, contando com aqueles que ainda terão sua sinapse pessoal com o tema, despertado no seu “momento presente”.Sentimos que esta contribuição é somente um embrião, tal qual foi a casa neolítica após a revolução agrícola, porque há muito para se buscar em diversas linhas de pesquisa. Mas deixamos uma “provocação”, um início. 
Foi através do trabalho do professor Vidor que conhecemos o pesquisador alemão sobre enxaimel, Manfred Gerner, ainda na década de 1990, em decorrência de um curso prático por ele ministrado na cidade de Blumenau, idealizado e viabilizado pelo professor. Também conhecemos clássicos alemães publicados na pesquisa de Günter Binding, Udo Mainzer, Anita Wiednau, Wilhelm Hansen e Herbert Kreft, sob os títulos Kleine Kunstgeschhichte des deutschen Fachwerkbaus e Fachwerk im Weserraum. 
A busca permanente para compreender mais sobre a técnica construtiva enxaimel levou-nos até a Alemanha, origem do enxaimel trazido para o Vale do Itajaí e para o Brasil. Lá tivemos a oportunidade, materializada pelo editor da revista alemã Weltruf – Dr. Wolfgang Betz, de encontrar arquitetos e pesquisadores do tema, como Holger Göttler e Dr. Konrad Bedal, além de podermos estar em cenários formados por conjuntos originais de casas enxaimel construídas em vários períodos históricos. Nesse momento, observamos segmentos materiais que faltavam para compreender melhor, sob a ótica macro, dentro da linha do tempo histórica e não somente em segmentos, como muitos estavam fazendo – na região do Vale do Itajaí e no Brasil. Ainda na Alemanha, ao sermos questionados pelo Dr. Betz se iríamos publicar alguma coisa sobre nossa pesquisa daquele momento, dissemos, com certeza natural, que sim. Era um compromisso firmado não somente com ele, mas com a sociedade atemporal. A necessidade de desenvolver este trabalho foi latente sob vários aspectos, a começar pelo compromisso de compartilhar o que conhecíamos através das buscas. 
Uma vez intimamente aceito este desafio, precisávamos efetuar um recorte de tempo para delinear o cenário da pesquisa apresentada. Após a análise dos dados já coletados, fomos retroagindo no tempo histórico e acabamos no período paleolítico superior e neolítico europeu. Em muitos locais da Alemanha por nós visitados na pesquisa, percebemos que o material apresentado sobre a técnica construtiva enxaimel teve seu início ligado aos primórdios da civilização ocidental. Observamos todo o sentido presente na arquitetura vernacular, até mesmo ao detectarmos a repetição da tipologia neolítica também no Vale do Itajaí, 7 mil anos após seu uso na Europa, pelos primeiros imigrantes que se instalaram na região. Pareceu-nos que tudo tinha um sentido; e foi ficando claro, era preciso somente organizar. 
Ao estudarmos as tipologias das casas enxaimel não somente nas regiões que mais receberam este tipo de técnica no Brasil, mas dentro da região do Vale do Itajaí, de maneira inédita, conseguimos classificá-las sob o aspecto técnico, volumétrico, regional e dos períodos históricos, embora estes fossem muito pequenos, mas percebidos. Conseguimos delinear a casa rural e a casa urbana e notamos que cada uma destas tipologias seguiu sua própria história e adotou suas próprias características ao longo dos períodos históricos. Percebemos, igualmente, que muitas lendas e conceitos foram criados como sendo os únicos, e assim propagados por alguns “especialistas” locais desprovidos de fundamentações históricas e teóricas mínimas. 
Este trabalho, um ponto de partida, surgiu como uma provocação para que continuemos a buscar mais sobre a técnica construtiva enxaimel, que tem sua origem muito além dos limites da Alemanha e reflete as práticas do homem dentro das sociedades no decorrer de muitos períodos históricos ̶ cada um dentro de seu recorte e território. Lembrando que o enxaimel nunca deixou de ser construído, com base na tecnologia do tempo em que era usado na Alemanha ou fora dela. Afinal, a madeira de reflorestamento é um material sustentável por excelência. 
Boa leitura.
Para compor a pesquisa, além do material coletado anteriormente, para compor o material apresentado, visitamos inúmeras tipologias no Brasil e na Alemanha, compartilhada através da forma de fotografias.



Trabalhando no livro - diagramação (ao lado da Nice) e revisão do boneco - foram dias intensos e quase exaustivos, ma prazerosos.
Revisão do boneco em 21, 22 e 23 de novembro de 2019.
Contracapa - Texto de Dr. Wolfgang Betz
Die Architektin Angelina Wittmann dokumentiert mit diesem Werk das Ergebnis ihrer jahrelangen Forschungen über den Fachwerkbau. Ihre wissenschaftliche Arbeit erstreckt sich über eine enorme geographische Weite und historische Tiefe. Deutsche Einwanderer hatten diese Bautechnik aus ihren Heimatregionen nach Südbrasilien mitgebracht und den örtlichen Gegebenheiten angepasst.Während mehrerer Reisen studierte die Verfasserin den Fachwerkbau auch in den Regionen Deutschlands, zieht Vergleiche und zeigt die Unterschiede anschaulich in detaillierten Beschreibungen, Zeichnungen und Fotografien. Einen Abschnitt dieser Studienreisen von Angelina Wittmann in meiner Heimat Franken konnte ich zu meiner Freude begleiten. In den ehemals Freien Reichsstädten Rothenburg ob der Tauber, Dinkelsbühl, Bad Windsheim und anderen sind auch heute noch die Einwohner besonders stolz über das von Fachwerkbauten geprägte Stadtbild. Es macht die unverwechselbare Identität dieser Städte aus, bestimmt ganz wesentlich das Heimatbewusstsein und angenehme Lebensgefühl zwischen den verwinkelten Straßen und Gassen – und lockt jedes Jahr Touristen in Scharen aus aller Welt an.Über Jahrhunderte bestimmte die Holzbauweise das Bauen der breiten Bevölkerung, der Handwerker, Kleinbürger und Bauern. In Franken, wie auch in anderen deutschen Gegenden, wird das überlieferte bauliche Erbe der, kleinen Leute“ nicht nur in Museen erhalten, wie es in dem großartigen Freilandmuseum in Bad Windsheim zu sehen ist. Der Denkmalschutz genießt ebenso einen hohen Stellenwert im Städtebau und der Heimatpflege, was ohne den Rückhalt bei den Bewohnern nicht möglich wäre. Angelina Wittmann lernte bei ihren Studien in Franken auch diese drei Blickrichtungen kennen: die des Museumsleiters, des Stadtbaumeisters und des Heimatpflegers. Alle diese Fachleute diskutierten mit spontanem Interesse mit der Architektin aus Santa Catarina. 
Das Werk von Angelina Wittmann dürfte sich deshalb besonders gut eignen, den Fachwerkbau als gemeinsames kulturelles Erbe Deutschlands und Brasiliens zu begreifen und kennenzulernen. Er verdient als traditionelle, wenn auch oft schlichte Bauform der Landbewohner und einfachen Bürger Wertschätzung und Bewahrung. In diesem Sinn wünsche ich dieser beeindruckenden Arbeit zahlreiche empfindsame Leser und Betrachter.
Wolfgang Betz
Tradução 
A arquiteta Angelina Wittmann registra através desta obra, o resultado de vários anos de pesquisa sobre a construção enxaimel. Seu trabalho científico estende-se sobre uma vasta área geográfica e compreende profundidade histórica. Imigrantes alemães trouxeram esta técnica de construção de suas regiões para o sul do Brasil e a adaptaram às condições locais. 
Durante várias viagens por regiões da Alemanha, a autora estudou o enxaimel, fez comparações e demonstra as diferenças de forma clara, com descrições detalhadas, desenhos e fotografias. Um fragmento dessas viagens de estudos de Angelina Wittmann, eu tive o prazer de acompanhar. Nas cidades históricas de Rothenburg ob der Tauber, Dinkelsbühl, Bad Windheim e outras, ainda hoje os moradores orgulham-se de suas edificações enxaimel e da imagem que as mesmas concedem às suas cidades. A inconfundível identidade dessas cidades revigora a sensação de pertencimento de seus moradores e acentua o agradável estilo de vida que se encontra nas ruas estreitas e vielas, o que atrai anualmente milhares de turistas de todo o mundo. 
Durante séculos era a madeira que determinava a forma de construir de grande parte da população, dos trabalhadores, da classe média baixa e agricultores. Na Francônia, como em outras regiões da Alemanha, o legado das construções dos pequenos burgueses é conservado em museus, como também no museu a céu aberto “Freilandsmuseum” em Bad Windsheim. Na engenharia da construção urbana a proteção patrimonial cultural goza de uma posição importante, o que, sem o apoio dos habitantes, não seria possível. Angelina conheceu também, durante suas pesquisas, essas três visões sobre o assunto: a do diretor do Museu, a do arquiteto urbano e a de um curador municipal de patrimônio histórico. Esses especialistas debateram com a arquiteta de Santa Catarina, com espontâneo interesse. 
Por essa razão, a obra de Angelina Wittmann deverá servir excepcionalmente bem para fomentar o conhecimento e a compreensão desse legado cultural alemão no Brasil. O mesmo, ainda que represente a forma de construir tradicional e despretensiosa de moradores do campo e cidadãos humildes, merece ser valorizado e protegido. Neste sentido, desejo que este considerável trabalho receba a atenção de numerosos e sensíveis leitores e admiradores.
Dr. Wolfgang Betz 
Tradução Maria Beatriz Niemeyer 

Faremos algumas palestras, pelo sul do Brasil. Encontram-se, previamente agendadas, palestra em Porto Alegra - no Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS. Também em São Bento do Sul e Blumenau - divulgaremos aos interessados.

Agradecemos a todos que direta e indiretamente...
Fizeram parte desta "equipe". 
Sozinhos, nunca fazemos nada.









3 comentários:

  1. Olá, gostaria de adquirir o livro. Onde posso encontrá-lo? E também gostaria de ser informada sobre a palestra que ocorrerá na UFRGS. O meu e-mail é cinarakoch@gmail.com

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  2. Bom dia Cinara, A palestra está marcada para o dia 27 de abril, às 18:00, no anfiteatro da Arquitetura da UFRGS. Abraco grande...

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  3. O livro está disponível para compra online?

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