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| Corupá/SC |
Em 26 de fevereiro de 2026, o pesquisador e agrimensor de Corupá, Paulo Henrique Siegel, nos recebeu e apresentou parte de seu projeto, que está em desenvolvimento como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do curso de Geografia, no qual é graduando. O projeto consiste no levantamento de tipologias construídas com a técnica construtiva enxaimel (Fachwerk), localizadas no território da cidade que foi a antiga Colônia Hansa Humboldt, fundada por imigrantes alemães.
| Parte do mapeamento do patrimônio levantado por Paulo Henrique, na cidade de Corupá. |
Antes de prosseguir - um pouco de História...
Aparentemente, a Colônia Dona Francisca (atual Joinville) e a Colônia Blumenau historicamente sempre competiram entre si. A Colônia Dona Francisca estava, e está, localizada junto a uma das "portas' da Europa na região: o Porto de São Francisco do Sul.
Entretanto, em suas histórias, houve um "elo" que promoveu a ligação entre ambas mais do que muitos imaginam, indo além do acesso marítimo: a Sociedade Colonizadora Hanseática.
A Sociedade nomeou como Diretor de quatro de suas colônias, por mais de 20 anos, seu então Engenheiro-Chefe, nascido no Stadtplatz da Colônia Blumenau (1875), José Deeke. As colônias sob sua direção foram: Hansa Hammonia (atual Ibirama, cujo território pertencia à Colônia Blumenau), Hansa Humboldt (atual Corupá), Hansa Itapocu (atual Jaraguá do Sul) e Hansa São Bento.
Abaixo, o mapa desenhado pelo então Engenheiro-Chefe da Sociedade Colonizadora Hanseática, José Deeke — nascido na Colônia Blumenau e aprendiz do engenheiro agrimensor Heinrich Krohberger.
O mapa ilustra muito bem os caminhos de outros tempos — muito diferentes dos que conhecemos atualmente. Os acessos para a região eram feitos a partir dos portos marítimos de São Francisco do Sul e de Itajaí.
A nucleação urbana de Pomerode, na época denominada Pommerroda, foi fundada no território da Colônia Blumenau, às margens do Rio do Testo. Sua localização era estratégica: no caminho para o porto de São Francisco do Sul, que passava pelas colônias de Hansa Itapocu, Hansa Humboldt e Dona Francisca.
Também se pode observar que o trajeto de São Bento até o porto de São Francisco do Sul poderia ser percorrido de trem. No mapa feito por José Deeke em 1905, está assinalado o traçado ferroviário — um transporte de vanguarda e muito contemporâneo para a época.
Observando esta logística interna no interior das colônias alemãs e o traçado dos caminhos, podemos afirmar que esta foi uma rota incrementada não somente pela Sociedade Colonizadora Hanseática, mas também pela Colônia Blumenau. Tratava-se de uma das principais vias até o Porto de São Francisco do Sul, por onde chegaram muitas famílias de imigrantes e produtos importados da Europa, principalmente da Alemanha, para o interior do território.
| Fonte foto: Almanaque OCP. |
Na fotografia acima, observa-se uma família de imigrantes alemães da Colônia Humboldt (Corupá). Observar a edificação ao fundo, coberta com telhas de tabuinhas de madeira — o sistema original de telhamento conhecido como Schindel. O Schindel é considerado a primeira telha inventada e que deu origem, posteriormente, a telhas feitas com outros materiais.
Esta casa de Corupá foi inteiramente construída em madeira, apresentando a característica varanda na parte frontal e um rancho aos fundos. A edificação repousa sobre pilaretes de pedra, elevada do solo, seguindo o mesmo padrão das casas enxaimel com fechamento em tijolos aparentes. Esta construção possui todas as características de uma estrutura enxaimel (Fachwerk), porém com o fechamento executado em madeira.
A pose dos membros da família, mesmo com vestimentas simples, transmite uma marcante postura de dignidade. Provavelmente trajavam suas melhores roupas para o registro — uma prática comum na época para que a fotografia fosse enviada aos familiares que permaneceram na Alemanha, refletindo sua realidade como pioneiros e construtores das novas cidades da região.
Promenade - Observando o patrimônio na paisagem na Companhia de Paulo Henrique, Arquiteta Susan Eipper e Marco de Vries
Seguimos o roteiro das casas levantadas por Siegel e fotografamos alguns dos exemplares, para ilustrar este momento de sua pesquisa, que tem como objetivo efetuar um levantamento das casas construídas com a técnica enxaimel em Corupá atual. Antes de prosseguir, perguntamos e também respondemos:
O que é enxaimel?
Enxaimel, resumidamente, de acordo com o livro "Fachwerk - Técnica Construtiva Enxaimel" Angelina Wittmann:
A casa com a estrutura enxaimel é um dos muitos modelos resultantes de um processo que teve início durante a primeira grande revolução do homem, quando este deixou de ser coletor e caçador e se fixou no solo, tornando-se agricultor a pastor.
Homem que domou, segundo Munford, a si mesmo e depois, o meio insalubre que tinha que tirar a sua sobrevivência e construir a sua casa primária com materiais tirados deste meio, o embrião da casa de madeira encaixada, com a presença dos primeiros encaixes.
Enxaimel é uma estrutura de madeira independente das paredes, com toda a complexidades da distribuição de cargas que isto significa e só conseguida nas casas de alvenaria após os experimentos na igreja de Santa Sofia, no século VI e depois evoluído até chegar a leveza dos vitrais das catedrais góticas - o ápice desta revolução na técnica construtiva em alvenaria de pedras. A casa de madeira já apresentava a sua estrutura independente das paredes, 7.000 anos a.C.
A estrutura enxaimel agregou identidade e características diferenciadas às cidades intramuros, e depois às cidades livres assentadas juntos aos rios, na Alemanha, na Europa e também, no Vale do Itajaí e outras regiões do Brasil. Ao contrário do que afirmam as pessoas desprovidas de conhecimento, a técnica construtiva nunca deixou de ser construída em solo alemão, por representar uma das expressões culturais máximas - na forma de arquitetura - daquelas cidades e que habita o inconsciente coletivo, há mais de 7.000 anos.
As pessoas que guardam este patrimônio no tempo presente e também constroem novos, são descendentes diretos daqueles que iniciaram o embrião desta técnica construtiva no período neolítico e esta foi repassada de uma geração a outra, sempre com o acréscimo de melhorias e novas tecnologias advindas de experimentos práticos. Há também, aqueles que fazem questão da tradição no momento de construir uma casa enxaimel, utilizando as mesmas ferramentas, rituais e práticas, de alguns milhares de anos atrás outros da época áurea medieval - período nacional da Alemanha, onde a produção contemporânea de enxaimel faz uso de tecnologia de ponta, robótica, modelagem, disponibilidade em catálogos, com 369 diversos tipos de materiais para o fechamento, formas e volumes, tudo seguindo a rigorosa legislação ambiental e construtiva daquele país.
Atualmente, na Alemanha, o uso da estrutura enxaimel e sua versatilidade mediante a disponibilidade de diversos materiais alternativos para seu fechamento tem também, o aspecto ecológico e seu uso relacionado à sustentabilidade do bem morar. Angelina Wittmann - páginas 368/369
As imagens comunicam - Corupá - fevereiro de 2026...
Casa construída em 1906.
| Casa enxaimel, de acordo com a classificação em nossa pesquisa, com os anexos rurais: Varanda e cozinha. |
| Seminário de Corupá visto do Mirante do Morro Süssenbach, |
| Mirante do Morro Süssenbach. |
| Esta tipologia é muito interessante. Sua abertura são peculiares e diferentes daquelas que normalmente eram usadas nas casas da região. |
| Tipologia enxaimel com fechamento em madeira. |
| Qual a história da família que construiu esta casa? |
Após a observação de parte do patrimônio de Corupá, fomos recebidos por um grupo local para um café e também para realizar trocas sobre o patrimônio e a importância do trabalho de Paulo Henrique Siegel. Após o café, fizeram uso da palavra: nós, Ingelore Werner Eipper (primeira-dama) e o pesquisador e agrimensor Paulo Henrique Siegel.
As falas no Jardim de Charlotte - Corupá SC
Estiveram presentes no encontro da tarde, durante o café no Jardim de Charlotte: Paulo Henrique Siegel, Fernanda Siegel, Anita Siegel, a arquiteta Susan Eipper, Marco de Vries, Ingelore Werner Eipper, o prefeito de Corupá Eddy Edgard Eipper, a Secretária de Turismo Glauce Inês de Araújo, o arquiteto da prefeitura Adrian Fuchs Fey, Christi Fuchs Fey, Rosane Graff do Instituto Carlos Rutzen e Giuliano Berti, do Seminário Sagrado Coração de Jesus.
| Marco de Vries, Paulo Henrique Siegel, Glauce Inês de Araújo, Angelina Wittmann, Christi Fuchs Fey e Adrian Fuchs Fey. |
No dia seguinte, o casal Eipper e família ofereceu um almoço em sua residência para nós, Christl Fuchs Fey e para a família do pesquisador Paulo Henrique Siegel. Ofertamos parte de nossos títulos à pesquisa de Corupá.
| Paulo Henrique Siegel e Ingelore Werner Eipper. |
| Ingelore Werner Eipper. |
| Com a Arquiteta Susan Eipper e sua mãe, Ingelore Werner Eipper. Susan trabalha na Bauhaus, Alemanha. Tivemos a oportunidade de conhecê-lo, através das "pontes" construídas por Fernanda Siegel. |
Muito obrigada pela oportunidade.
Um registro para a História.
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
@AngelWittmann (X)
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AngelinaWittmann (Facebook)

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