terça-feira, 5 de maio de 2020

Set de Filmagem do Documentário da Vida e Obra de Hans Broos - Companhia Hering - Blumenau SC


Dando sequência aos registros da passagem da equipe eslovaca que produziu o documentário da vida e obra do Arquiteto Hans Broos em Santa Catarina, nesta postagem, publicamos para a históriaa segunda parte das filmagens do documentário, de 3 partes, durante a segunda viagem da equipe Eslovaca ao estado de Santa Catarina. 
O Documentário se chama O Arquiteto da Poética Bruta. Estiveram em Blumenau na segunda semana de junho de 2019.
Apresentamos nesta postagem, a presença da equipe de filmagens em uma das principais obras fabris projetada pelo Arquiteto Hans Broos a Matriz da Companhia Hering, localizada no bairro do Bom Retiro, Blumenau - Santa Catarina.
Relembrando...
Como isso tudo começou?
Com  Hans Broos em sua casa no Bairro de Boa Vista - Blumenau SC
arquiteto de família alemã, nascido na atual Eslovaca,  atuou como arquiteto, de maneira brilhante, em solo brasileiro, produzindo uma obra memorável com inúmeros seguidores e foi um dos nomes da arquitetura brutalista. 
Viveu boa parte de sua vida em Blumenau, nas Missões, Rio de Janeiro e em São Paulo. Faleceu em 23 de agosto de 2011, na cidade de Blumenau e o conhecemos muito bem, no último ano de sua vida, quando esteve muito só e muito doente. 
Faleceu em um asilo e em seu velório, antes de ser cremado, estavam presentes - 6 pessoas
Para ler mais sobre - acessar a Postagem N° 1 de 3


Um ano após o primeiro encontro da primeira parte da filmagem, a equipe retornou ao Brasil para terminar o Documentário O Arquiteto da Poética Bruta. Estivemos com a equipe de filmagens, sob a coordenação do Diretor eslovaco Ladislav Kaboš, por três dias, para as últimas filmagens, das últimas imagens, em: São Paulo (capital e interior), Florianópolis e Blumenau. A data? Junho de 2019.
O registro de sua estada foi divido em 3 partes. A primeira parte foi apresentada na postagem lincada acima (Para ler clicar sobre o título) - Momentos de filmagem em Florianópolis.
Parte da Equipe em 9 de maio de 2019 na praia da Armação - Florianópolis SC.
Lembramos que estamos apresentando estes registros nesse ano de 2020, porque o Documentário está sendo terminado em 2020. Pretendíamos estar na sua Pré estréia em München, no Festival da Alemanha, e de lá faríamos toda a apresentação e a história. Acabamos de saber, que os festivais foram cancelados, pela necessidade e importância do isolamento social, em função da pandemia causada pelo COVID-19. 

Nesta postagem apresentamos os momentos de filmagens no Bairro Bom Retiro - Blumenau - Matriz da Companhia Hering. 
Receberam a equipe mista de filmagens brasileira e eslovaca, o Engenheiro João Ademir Berthold, que acompanhou a execução de algumas obras de Hans Broos e o Engenheiro de manutenção da Cia Hering - Ewerson  Lombardi.
A Ficha Técnica do Documentário
Título: O Arquiteto da Poética Bruta


Equipe Técnica

Diretor Documentário: Ladislav Kaboš

Diretor de imagens: Martin Ec

Música: Vlado Martinka

Design e mixagem de som: Bohumil Martinék

Edição: 
Darina   Smrzova,
Michal Kondrla. 

Produção: 
Jana Gerthoferova, 
Loli Menezes,
Pedro Rosa

Produtor: EDIT Studio (Eslováquia)

Co-produção:
Rádio e televisão da Eslováquia (Eslováquia)
Kabos & Film e MEDIA (República Tcheca)
Produtos (Brasil)

Tradutoras:
Dana Stopkova,
Zuzana Bielikov. 

Atores:
Hans Broos: Imrich Boréros
Hans Broos Jr.: Joo Antonio Carvalho Seraglio
Jenny Abel
Bernardo Brasil Bielschowsky
Karine Daufenbach
Orlando Maretti
Cristiano Mascaro
Angelina Wittmann

Dia 14 de Junho - Cia Hering
As imagens Comunicam...
O Engenheiro João Berthold recebendo a equipe de filmagem.







Diretor Documentário: Ladislav Kaboš.




























Teto sobre a parte de escritórios - teto verde, projetado por Burle Marx.
No final link com a entrevista do jardineiro que faz a manutenção no mesmo.
O objetivo - além do conforto térmico acústico, que promover, visualmente a continuidade do Vale para aqueles que se encontram no  Edifício da Presidência, paisagem natural.









Técnico responsável pelas filmagens com o drone.





Sacada do Edifício da Presidência da Cia Hering. Hans Broos dosava magnificamente a dosagem de concreto com o entorno da paisagem. Complementavam-se.









A arquitetura era a moldura da paisagem natural - brutalismo era domado visualmente.


Mínimos detalhes - até no piso.













Seguindo até o jardim suspenso sobre o Edifício administrativo - projeto de Burle Marx.










Jardim suspenso - paisagismo de Burle Marx.

























Leituras Complementares - Clicar sobre título:


Registrado para a História!!
































segunda-feira, 4 de maio de 2020

Curso On line - "Cultura e Identidade Alemãs no Brasil - com professores da Alemanha e do Brasil

"Para quem quer ampliar as potencialidades do seu grupo cultural". Vagas limitadas (15 pessoas). De 17.05.2020 a 21.06.2020.
O curso "Cultura e Identidade Alemãs no Brasil: módulo 1" propõe discutir o tema das danças alemãs e do folclore no contexto da cultura alemã no Brasil, apresentando realidades e alternativas. Serão seis (6) professores, da Alemanha e do Brasil, interligados de modo 100% online aos participantes. 
Inscrição:
Pelo link https://forms.gle/LFDL26Y7m7wmYVBTA ou pelo e-mail curso@portal25.com e esteja preparado para o que está por vir. 
Investimento: R$ 40,00, que será revertido em doações para o Ação Solidária CEFASOL - Instituto Pedagógico Social TABOR - Bairro Camobi - Santa Maria-RS.

"Cultura e Identidade alemãs no Brasil: módulo I - Danças e Folclore"

Ministrantes: 
Elisangela Leitzke: Tópicos de História da Alemanha 1;
Denis Gerson Simões: Patrimônio Cultural Imaterial (1): danças e folclore;
Lorenz Wagner: Identidade Alemã: no Brasil e na Alemanha;
Helder John: Descrições de Danças (1): usos práticos;
Claudia Entres Santana: Associações e entidades de preservação étnico-culturais;
Thomas Martin: Tecnologias aplicadas à grupos culturais;

Com certificado de 32 horas de atividades.
"Os professores possuem graduação e pós-graduação para trabalhar com os participantes, garantindo boa qualidade metodológica e de conteúdos. Será uma grande ajuda se puderes nos auxiliar na divulgação, já que o curso iniciará em duas semanas." Denis Gerson Simões.







domingo, 3 de maio de 2020

111° aniversário da inauguração do Primeiro Trecho da Estrada de Ferro Santa Catarina EFSC - Entre Blumenau e Warnow - Indaial.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e atividades ao ar livre

UM POUCO DESTA HISTÓRIA...

PRIMEIRO TRECHO FERROVIÁRIO BLUMENAU A WARNOW

Em 1909 as pontas dos trilhos alcançavam a estação de Hansa, quando estava na direção da empresa o depois Cônsul, Otto Rohkhl. Este empreendimento teve ampla ajuda da superintendência Municipal[1]. Esta, para fazer face aos compromissos assumidos, relativos a garantias de juros, etc., teve de levantar empréstimo interno, em apólices resgatáveis a curto prazo. (SILVA, 1972, p. 153).
[1] O superintendente era o Sr. Alwin Schrader.
No final de 1908 os trilhos chegaram a Indaial, bem como mais duas locomotivas, maiores que a Macuca, para a EFSC. As locomotivas eram do tipo 0-6-4T, de fabricação Borsig, de Berlim, e uma delas puxou o trem inaugural no ano seguinte.
O primeiro trecho da ferrovia a ser colocado em funcionamento ligava o Stadtplatz da Colônia Blumenau e o núcleo de Warnow (Indaial).
Nenhuma descrição de foto disponível.
Primeiro trecho da EFSC inaugurado no dia 3 de maio de 1909, Blumenau a Warnow. Fonte: GOOGLE EARTH, 2006 - Alterado por WITTMANN
A direção da Companhia Estrada de Ferro Santa Catarina, deliberadamente, escolheu o dia 3 de maio de 1909 para a inauguração deste primeiro trecho, para coincidir com a data de aniversário do descobrimento do Brasil (na época era 3 de maio), lembrado posteriormente nos discursos das autoridades presentes ao evento.
As três pontes maiores no trecho entre Itoupava Seca e Indaial, isto é, as sobre o ribeirão Stutzer em Salto Weissbach, a de Passo Manso e Ribeirão Encano, em cujas cabeceiras foram aplicados blocos de granito do tamanho de até um metro cúbico para o fundamento. Os trilhos da Estrada de Ferro já foram colocados até a estação de Salto Weissbach. A estrada de rodagem, porém, nos trechos desviados pela empreza (sic) construtora ou paralelos aos trilhos, encontrava-se em estado lastimável e em épocas de chuva intransitável, mormente nas imediações do Salto.nos Os colonos que precisam ir à cidade de carroça e não querem ver suas carroças quebradas no atoleiro e os correames arrebentados, preferem dar a volta pela Velha. (BLUMENAU EM CADERNOS, Tomo XII, n.4, maio de 1981, p. 135).
Nenhuma descrição de foto disponível.
Trajeto entre as oficinas da EFSC e a Estação de Blumenau. Fonte: GOOGLE MAPS, 2006 – Alterado por WITTMANN.
No dia da inauguração oficial, de acordo com a narrativa de Silva (1969), havia um grande público presente, sendo que, deste, aproximadamente 200 pessoas eram convidados que estavam hospedados em Blumenau para a data. Vale destacar que entre as autoridades estavam somente pessoas relacionadas à construção e lideranças políticas e empresariais da região, sem a presença de alguma autoridade de Florianópolis, exceto a do Deputado Cel. Feddersen, que residia em Blumenau. Entre as autoridades presentes merecem destaque os nomes do Cel. Crispim Ferreira, comandante e oficial do 55º. Batalhão de Caçadores; do Engenheiro Scheffler, representante da sociedade construtora; do Cel. Pedro Christiano Feddersen, representante do governo do Estado; e o do engenheiro Muzika, engenheiro-chefe. Todo o pátio da estação de Blumenau foi tomado por pessoas da comunidade que testemunharam o evento, e grande parte delas estava no trem da viagem inaugural entre a sede da Colônia Blumenau e Warnow.
Pelas oito e meia da manhã, a locomotiva dessa composição, soltando largos rolos de fumo e estridentes apitos, apareceu transpondo a ponte do “Velha”, toda ornamentada de palmas, flores, bandeiras e escudos do Brasil e da Alemanha, vinda da estação de Itoupava Seca, onde ficavam a oficina e os abrigos de carros e máquinas.A banda de música do 55º Batalhão, gentilmente cedida pelo seu comandante, à chegada dos convidados executava peças de seu repertório, provocando admiração e aplausos gerais. (SILVA, 1969, p. 85).
Silva (1969, p.85), descreveu que, às 8 horas e 30 minutos da manhã do dia 3 de maio de 1909, uma das duas locomotivas que chegara a Blumenau após a Macuca surgiu na ponte do ribeirão da Velha, sob festivos apitos. Ela estava ornamentada com palmas, flores, bandeiras e escudos do Brasil e da Alemanha, e veio até a estação principal de Blumenau das oficinas localizadas na Itoupava Seca, onde, atualmente, se situa o Campus II da FURB.
O engenheiro Scheffler, o Cel. Feddersen e o engenheiro Muzika subiram à plataforma do primeiro carro de passageiros, de onde o engenheiro Scheffler discursou para todos, enaltecendo a importância da inauguração do primeiro trecho ferroviária da EFSC. Mencionou, na ocasião, as inúmeras tentativas e projetos de se implantar uma ferrovia do Vale do Itajaí.
Referiu-se ainda o orador aos vários projetos que haviam sido elaborados e abandonados e aos esforços que, por mais de 25 anos, vinham fazendo as autoridades e o povo de Blumenau no sentido de concretizar uma das maiores aspirações. Fez, por fim, votos para que os 30 quilômetros de estrada que iam ser inaugurados servissem de fundamento para uma grande ferrovia que, partindo do porto de Itajaí, fosse até as fronteiras com a Argentina e o Paraguai. (SILVA, 1969, p. 85).
Após o discurso do representante da sociedade construtora da EFSC, o representante do governo estadual, Cel. Pedro Christiano Feddersen, cortou a fita inaugural, declarando aberto o tráfego do trecho entre a sede de Blumenau e Warnow, em Indaial. A seguir, de acordo com a narrativa de Silva (1969, p. 85), convidados e populares lotaram, não somente os três carros previstos no trem, como também vários outros extras, que foram acoplados, nos quais haviam sido colocados cadeiras e bancos para atender ao maior número possível de pessoas que desejassem participar da primeira viagem de trem na EFSC.
A imagem pode conter: casa, árvore, céu e atividades ao ar livre
O trem rumou à estação de Itoupava Seca, onde foi recebido, igualmente, por grande festa popular, e assim se sucedeu em todas as demais estações, [1]até o final do trecho inaugurado na localidade de Warnow, na extensão de 30 quilômetros.
[1] Estação Salto Weissbach, Passo Manso, Encano, Indaial.
Todas as estações estavam festivamente adornadas de palmas e bandeiras. À chegada do trem, espocavam nos ares centenas de foguetes e, em alguns lugares, conjuntos musicais faziam-se ouvir. A banda do 55º, que também seguira num dos vagões, tocava lindas marchas e dobrados, arrancando aplausos e admiração dos colonos reunidos ao longo da linha, coisa que, muitos deles, nunca haviam visto nem ouvido. (SILVA, 1969, p. 85).
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Chegada do trem à estação de Warnow no dia 3 de Maio de 1909.
Em Warnow, o trem foi recebido – não diferentemente das outras estações do trajeto – com muita festa. As crianças de todas as escolas estavam agrupadas em frente à estação, ouvindo-se o som de foguetes e acordes musicais. Muitas pessoas apreciavam o evento na estação e ao longo da linha férrea.
Nessa estação, ponto terminal do trecho inaugurado, desceram os convidados, que foram saudados, com alguns cantos e recitativos, pelos alunos da escola regida pelo professor Hoffmann, depois do que o Sr. Leopoldo Hoeschel fez uso da palavra, para enaltecer os esforços do Cel. Pedro Feddersen em prol da construção da ferrovia e do engenheiro Muzika, que também foi incansável. (SILVA, 1969, p. 85).
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Composição da EFSC chegando na estação de Blumenau. Fonte: GERODETTI; CORNEJO, 2005.
Todos os convidados desembarcaram na estação de Warnow, que estava com seu ambiente externo montado e ampliado com a ajuda de um toldo, sob o qual foi servido um coquetel com sanduíches, cucas, bolos e bebidas. No interior da estação um coquetel foi igualmente servido, reservadamente, ao Cel. Crispim Ferreira e seus oficiais, ao Cel. Feddersen, ao vice-cônsul alemão Landmann e a outros convidados, entre os quais engenheiros da sociedade construtora, banqueiros e empresários locais.
O Cel. Feddersen usou da palavra para saudar o Exército Brasileiro na pessoa de seus representantes e fez votos para que a amizade e as boas relações entre o Brasil e Alemanha prosseguissem se estreitando cada vez mais, para o bem e o engrandecimento das duas grandes nações. O Cel. Crispim respondeu, terminando por levantar um “viva!” à Alemanha, que foi correspondido com entusiasmo, tocando a banda militar uma canção patriótica alemã. O vice-cônsul levantou um brinde à boa amizade brasileiro-germânica, ao Brasil e a Blumenau.Foram ainda encarecidos pelos oradores os esforços da diretoria da sociedade construtora, dos banqueiros que forneceram os meios pecuniários necessários, do engenheiro Goes, fiscal do governo, dos demais engenheiros e empreiteiros. (SILVA, 1969, p. 86).
Os convidados e participantes da primeira viagem inaugural do trem da EFSC, após a parada na estação, fizeram um passeio em Warnow e visitaram a residência do Sr. Leopoldo Hoeschel, onde, igualmente, foram servidos doces e bebidas. Depois, retornaram ao trem e fizeram a viagem de volta à estação de Blumenau.
Os trens de passageiros e cargas da EFSC começaram a trafegar regularmente, entre Blumenau e Warnow, no dia 4 de maio de 1909. Partiam da Estação de Blumenau, na Praça Victor Konder, às 6h30 e chegavam a Warnow às 8h28, retornando às 10h e chegando a Blumenau às 11h58. Faziam o percurso de 30 quilômetros em duas horas. A passagem de 1ª classe custava 3 mil réis (U$ 9,30), e 1$800 (U$ 5,58) a de segunda[1].
Assim, foi inaugurado o primeiro trecho ferroviário da EFSC. As obras prosseguiam para o interior, sentido oeste, em direção ao núcleo de Subida (localidade de Aquidaban, atual Apiúna).
[1] 3 Mil-réis ou 3$000 Rs 3 mil réis)Câmbio (1909) = US$ 0,31 / 1$000 Rs.1 conto de réis = 310,07 US$3 mil réis equivalem a 9,30 US$
Do livro: A Ferrovia no Vale do Itajaí - Estrada de Ferro Santa Catarina - de nossa autoria - EDIFURB- 2009, lançado no dia 30 de abril de 2010, em Blumenau.
Angelina Wittmann - Arte-Cultura-História e Antropologia : O livro ...

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A Ponte sobre o Ribeirão Stutzer no Salto Weissbach, foi recuperada e colocada dentro do projeto de revitalização do Sistema viário de de Blumenau - Década de 2020.

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sexta-feira, 1 de maio de 2020

1° de Maio - Dia festivo de montar o Maibaum


Hoje na História – 25 de Agosto de 1960 | Blog Hoje na HistóriaO dia 1° de maio é uma data especial para os povos de algumas regiões da Alemanha, da Áustria, Eslováquia e da República Tcheca. Nesta data praticam uma tradição milenar, a qual mudou suas características e significados, muito mais antiga que a chagada do cristianismo à região, através do Império Romano, convertido à religião em 380, por ordem do Imperador Teodósio I, religião oficial que é o levantamento do Maibaum - a árvore de maio. As árvores, dentro da natureza, ocupam um lugar de destaque na mitologia germânica - religião antiga, considerado pelo cristianismo de religião pagã. Muitos dos signos, elementos, passagens dessa mitologia foi resgatada  e recuperada dentro dos contos de fadas dos irmãos Grimm. Uma forma inteligente de preservar esta memória dentro de um espaço intransigente da religião oficial vigente. Lembrando que antes do Império Romano se converter, representantes desta religião eram perseguidos e colocados em arenas com leões para divertir a população. Depois do Império Romano tornar-se cristãos - estes passaram a perseguir - principalmente no período da inquisição.

Mas, retornemos à árvore de maio, na Alemanha - Maibaum...
Recebemos notícias da Alemanha, que o ritual do levantamento e as festividades, como aconteceu com, o cancelamento do Oktoberfest de München que foi cancelada, se não o foram, sofreram e adaptações e não foram tão completos e festivos como normalmente o são, em função da necessidade do isolamento social, para conter o aumento da contaminação pelo Convid 19.

Rödelsee - Dia 1° de maio de 2020 - Fotos do Prefeito Burkhard Klein
Rödelsee - maio de 2020.



O dia ficou um pouquinho mais triste por lá, e também por aqui, pois haviam grupos culturais de perfil alemão locais, que estavam resgatando esta prática.

Vamos relembrar um pouco a origem do Maibaum?

Em maio de 2013 tivemos a oportunidade de acompanhar e registrar  o ritual - semelhante em muitas cidades de diferentes regiões da Alemanha - na região de Unterfranken. Nesta passagem, rodando pelas regiões alemãs, observamos a presença do Maibaum nas praças de inúmeras cidades dentro de um trajeto de 4 mil Km. 

Vamos conhecer o  Maibaum...

Kresbronn  - 2013.
No continente Europeu, onde está a Alemanha, o mês de maio representa  uma época na qual, a primavera começa a exibir as suas cores, época das primeiras colheitas - que sempre foi importante para o calendário daqueles povos dentro dos vários períodos de tempo histórico - desde o tempo que homem deixou de ser caçador e coletor e passou a ser agricultor e pastor - deixando o nomadismo e se fixou. Aprofundamo-nos nesta pesquisa, quando escrevemos o livro "Fachwerk - A Técnica Construtiva Enxaimel" e a cultura que foi se formando, entre estes povos que se fixaram e aprenderam a observar a natureza e seus períodos e também destinado seus momentos de lazer, nos cultos destinada a mesma. A árvore sempre foi um simbolo forte e importante para a cultura e religiões destes povos. 
Nos períodos remotos, onde surgiu a mitologia e a religião antiga, existiam inúmeros rituais e neste período também, rituais relacionado à fertilidade e carregados de simbolismos e entre eles, está o Maibaum ou Árvore de Maio, com que se dá boas vindas ao mês da fertilidade, colheita e da vida. 

Eckehart Spengler, perito nos ritos de maio, explica que, dentro de religião primitiva dos romanos, antes do cristianismo chegar, as manifestações entre os romanos eram dirigidas à Maia, deusa romana da fertilidade. Também deveria existir uma prática semelhante entre os antigos germanos e na sua mitologia, pois cultuavam as árvores, uma vez que manifestações da natureza ocorriam nesta região. O resultado, de maneira resumida, foi que entre a Páscoa e Pentecostes - do cristianismo -  era hábito saudar a primavera com música e instalar na praça central o Maibaum - Árvore de Maio, representando a Árvore da Vida. 
Árvore da Vida - os significados celta e bíblico
Rödelsee - maio de 2013.
Uma prática que perdura, por séculos e é tradição em muitas regiões, até os dias atuais.

Outras tradições que tem ligação com o Maibaum, festas de acasalamento, com origens também nas antigas religiões e que fez surgir a Festa das Noivas de Maio – idade média que ainda alimenta a tradição de colocar um galho decorado diante da janela da amada. e rege a lenda, que se o galho fluorecer, o amor tem chance, do contrário, não.
Bad Wörishofen: Maibaumaufstellen und Maifest 2018 – mindelmediaNEWS
Bad Wörishofen.
Os Maibaum´s são, na sua maioria, grandes, árvores altas, com 30 metros aproximadamente, decorados e fixados na praça central da cidade ou na entrada da vila, em um evento festivo será levantada. Na Baviera, tem o espiral a partir da esquerda inferior ao superior direito. Antes de colocar a árvore, é realizada uma procissão através da comunidade ou vila e é acompanhada por uma banda e um grupo de danças folclóricas germânicas, onde se dança em torno da árvore (Maibaum), para comemorar o início da primavera e a chegada do verão. 
Schönau am Königssee.
Schönau am Königssee.

Após o Maibaum ser levantado inicia-se a solenidade onde é hasteada a Bandeira ou Flâmula que é acompanhado pelo hino da cidade, a platéia comemora com cervejas e salsichas, enquanto jovens rapazes da comunidade fixam no Maibaum os símbolos de várias profissões, manuais e artesanais existentes na comunidade ou vila. 
Tudo isso é acompanhado pela música e por danças em torno do Maibaum. 
Bad Wiessee.
Bad Wiessee.
Bad Wiessee.
Bad Wiessee.
Bad Wiessee.
Bad Wiessee.
As fitas brancas e azuis sobre a guirlanda tem uma bandagem de magia e é uma espécie de bênção da prosperidade. A guirlanda é produzida pelas mulheres jovens da cidade, que recolhem donativos e outros enfeites. Pela tradição, o Maibaum precisa ser erguido sem maquinas, nessa hora entram em cena os homens da cidade. Apesar disso, atualmente já há cidades que utilizam guindastes para essa tarefa, mas não pega bem. Atualmente a prioridade e a competição, está em quem tem o maior Maibaum. 
Guabiruba  - Santa Catarina
A Origem...

Mitologia nórdica: parte 1 | Mitologia nórdica, Mitologia e Deusa ...A prática dos festejos do Maibaum existe nas regiões de: Emsland, Franconia, Baden e Suábia, Frísia Oriental e na República Checa. Na maioria das regiões, principalmente em Baden Württemberg, Baviera e na Áustria, o seu significado, a partir de um ritual de colocação na praça, são semelhantes e o início das festividades acontece geralmente no dia 30 de abril. 

A Origem do Maibaum é muito antiga. Tem raízes nas mitologias germânica e romana adequadas aos muitos locais e práticas do cristianismo.
Os antigos povos da região - nômades e que viviam nas matas, respeitavam e cultuavam seres da natureza. Para isto tinham rituais que envolviam divindades da floresta, os quais aclamavam e adoravam através de diversos rituais às árvores. Um exemplo, que conhecemos, são os menires, obeliscos, postes sagrados, que possibilitava conexão com o sagrado, tal como também acontecia com a árvore de maio
Há quem afirme que em alguns locais, houve perseguição àqueles que praticassem o ritual pagão, noutros, foram adaptados à religião cristã, a qual chegou mais tarde, por intermédio dos romanos. Em outros anda, por algum tempo não foi mais praticado, e após um tempo foi resgatado a prática do Maibaum. Há registro do Maibaum em uma pintura de Agostinho Buonamici, conhecido como II Tassi – 1580/1644. 
A obra mostra um grande Maibaum na Praça do Capitólio, escalada por jovens. Na Idade Média, muitas vezes, o Maibaum era chamado de Marienbaum, talvez por ser uma adaptação da religião pagã para o cristianismo. Em ambas, o Maibaum tinha relação com a divindade feminina. Na religião pagã era relacionada à Mãe Terra e no cristianismo era relacionada à mãe de Jesus – Maria. Em muitos lugares, de acordo com Eifel, também denominavam a árvore de Pentecostes. 
Alpenwelt.TV - Maibaumaufstellen am Sonntag, 29. April 2018 in Törwang
Törwanger.
Na Áustria, mesmo proibido de fazer o Maibaum, é mencionado pela primeira vez em 1466. A maneira de fazer e o  Maibaum como é conhecido hoje, com a ponta verde intactas e o anel, é uma prática desde o século XVI. Na Baviera, é feito como nos dias atuais, desde o século XIX, onde as cidades, agora independentes, e o Maibaum representam o símbolo de autoconsciência. 
Ainda dizemos, que é adorável escrever sobre esta tradição milenar da cultura regional da Alemanha. Percebemos tratar de algo muito mais antigo do que podíamos imaginar. Muitos desconhecem de que seja o resquício de uma prática religiosa envolvendo elementos da natureza, na chegada de um período propício à vida, fecundação e colheita farta através da transição entre as estações da primavera e do verão dos povos antigos que viviam naquela região.
Muito interessante, também, é refletir que estes que continuam a tradição do Maibaum no momento presente, são aqueles que são descendentes atuais diretos daqueles que iniciaram, modificaram  e perpetuaram a prática da tradição, por milênios, através das gerações - na mesma região.

Registros, em vídeos feitos por nós, em 2013, na cidade de Unterfranken - Rödelsee - Baviera - Alemanha

Neste dia de Rödelsee, com chuva e frio, bem cedo, não afastou as pessoas do tradicional festejos do Maibaum, que nesse ano de 2020, foram afastados pelo Covid 19.
Guabiruba SC 
Fotografia de Darina Smrzova da Eslováquia

Darina nos enviou a informação de que vilas e pequenas cidades da Eslováquia montam seu Maibaum, também no dia 1° de maio. Explicou que quem monta são as moças solteiras, transparecendo sua proximidade com a religião antiga, onde as mulheres tinham papel importante em relação à fertilidade e à Mãe Terra, relacionando ao elemento feminino. Darina esclareceu que também o fazem sob os acordes da música: Máj, máj zelený pod okienkom sadený


Imagens de um ritual do Maibaum na Eslovaquia



Tradição que aconteceu parcialmente em 2020.