Mostrando postagens com marcador "Tatu-Tiefe". Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador "Tatu-Tiefe". Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de abril de 2024

Colônia Blumenau - Tatutiba

 Tatutibas eram Tifas criadas nas primeiras décadas da história de Blumenau, o nome ainda pode ser encontrado em mapas atuais, como também há registros de sua existência em mapas regionais do início do século XX. Muitos dos caminhos denominados Tifas, ainda existem e podem ser percorridos atualmente.
Expressões comuns nas primeiras décadas da história de Blumenau e região chegam ao nosso tempo sem muita compreensão de sua origem, como, por exemplo Tatutiba e Tifa, palavras ainda usadas em algumas estradas interioranas.
Massaranduba. Veículos tracionados a animais geralmente eram usados para percorrer as tifas. Esse em especial estava para seguir viagem de Massaranduba a Florianópolis de “Kutsche” como era chamado pelas famílias dos imigrantes.


Tatutiba é um dos nomes mais curiosos de comunidades do interior de Blumenau, e foi representado em três comunidades - Tatutiba I, II e III.
Imagem retirada da Revista Blumenau em Cadernos, nº 1, de novembro de 1957, o desenho do lote 28 localizado na Tatutiba III, pertencente ao proprietário Arno Frederico Delling, em 9 setembro 1893. (Fonte: Arquivo Histórico José Ferreira da Silva / Fundação Cultural de Blumenau).
Encontramos a lápide do Professor Jakob Ineichen
que emprestou o nome a rua, da Tifa Tatutiba I, no Cemitério
de Itoupava Central – no mato.

Antigos registros de
Blumenau definiam as Tatutibas como nome de três linhas coloniais, ou Tifas, sendo a mais conhecida a atual Rua Jacob Ineichen. Tinham início na estrada de Itoupava Central - na Itoupava Central nos moldes antigos, antes do impacto da presença da rodovia BR 470. 
A Tifa Tatutiba I, a mais conhecida coincidia com a atual rua Jakob Ineichen, professor no local.

Tatutiba, no Google Earth - somente como denominação de um autódromo

Tatu
Muitos imaginam que a denominação Tatutiba seja de origem indígena, conforme expresso em uma publicação da revista Blumenau em Cadernos.
Sugerem que a palavra "Tatu" se origine no nome do animal da fauna local, conhecido como tatu e tiba, Tupi-guarani, cujo significado é "muito". Traduzindo, a partir desta análise, compreende-se que seria "Lugar com muitos Tatus".
Mas não é essa a origem nem o significado.
Há outra versão e explicação, sendo esta considerada a correta. 
A origem de Tatutiba vem da expressão   Tatu-Tiefe, em que Tiefe, de Tief, é uma palavra alemã - "profundo" - escolhida e usada para chamar as "linhas coloniais de penetração". Estas, geralmente, localizadas aos fundos dos lotes, quase sempre às margens de um ribeirão - característica da ocupação do imigrante alemão (rio para irrigação e acessibilidade à propriedade), lotes que têm sua frente para as estradas gerais.
Tiefe, de Tief é uma palavra, em alemão, usada para denominar os caminhos/picadas de penetração, providenciados, logos nos primeiros anos de colonização, em toda a região do Vale do Itajaí. Primeiramente, pelos agrimensores contratados por Hermann Blumenau; depois, pelas Companhias Colonizadoras. Com o passar do tempo, essa palavra, abrasileirada, sofreu mutações e ficou conhecida como "Tifa". Quem já não ouviu falar de Tifa?
Exemplo - ocupação de Testo Rego - Colônia Blumenau
Exemplo - ocupação de Testo Rego - Colônia Blumenau.
Desenho do Plano da Colônia Blumenau, seguindo o método de ocupação junto aos rios e ribeirões.
Portanto, "Tifa", expressão abrasileirada da palavra alemã "Tiefe". No primeiro exemplo, trata-se da Tifa, de Tatu, ou melhor, Tatu-Tiefe, como diziam os alemães residentes na localidade, durante os primeiros períodos de história do local. Mesmo nessa época, início do século XXI, os mapas oficiais de Blumenau apresentam a denominação registrada como Tatutiba.
E ainda nos tempos atuais, encontramos a denominação quase como sinônimo de estrada,  como, por exemplo, a Tifa Colley, Timbó SC, a qual percorremos e registramos para a história.
Há ainda quem traduza Tiefe como fundo, palavra esta que não consta do texto de Blumenau em Cadernos - também relacionado ao local.

Muitos outros nomes foram abrasileirados na história de Blumenau, dos quais muitos desconhecem a origem e a história. 
Na citada região, em particular, fizemos um trabalho de faculdade na década de 1990, e nos deparamos com o questionamento: o que significa Tatutiba?

Nossa Pesquisa in loco - ano de 1994 - Tatutiba I

Em 1994 fizemos uma pesquisa in loco, e fotografamos o entorno da Rua Jakob Ineichen, Tatutiba I, um pouco antes do início de um processo agressivo de ocupação desordenada iniciada, ainda naquela década, descaracterizando a paisagem do lugar.




Parte da Paisagem atual de Tatutiba I


O que significa Tatutiba e Tifa?

Eis a resposta...
Tifa do Tatu - ou estrada (via de penetração dos lotes coloniais) do Tatu
































Leituras complementares
Sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
@AngelWittmann (Twitter)

















quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Inácio Oliveira - Fundador das Balas de Banana Oliveira comemora seus 80 anos com a presença de um grupo folclórico de Blumenau

Inácio e Maurília Oliveira e o Tanz-und Spielgruppe Gartenstadt - Laurentino SC





Historicamente, os intercâmbios prosseguem entre as nucleações urbanas do território que outrora fez parte da grande Colônia de Blumenau.
Colônia fundada por Hermann Blumenau, que pretendia através de uma empresa agrícola, conseguir o desenvolvimento de seu negócio. O empreendimento foi baseado no ideário de Quesnay, onde as propriedades agrícolas produziam o sustento de cada propriedade e também, poderia comercializar e mesmo, industrializar o excedente da produção das propriedades coloniais. Até certo ponto da história, o projeto do idealizador da Colônia Blumenau teve êxito. A região, juntamente com a região da Colonia Dona Francisca, norte do Estado de Santa Catarina, foram os polos responsáveis pela industrialização do estado.  As primeiras industrias de beneficiamento foram, sem dúvida, a alimentícia - juntamente com a madeireira. Principalmente no interior da Colônia Blumenau. Constatamos dados que confirmam esta afirmativa em nossas pesquisas, junto ao trabalho que desenvolvemos na docência na UNIDAVI - Rio do Sul.
Introduzimos este assunto, porque no último dia 11 de agosto de 2018, acompanhamos o grupo folclórico do Stadplatz da Colônia Blumenau até uma localidade que se desenvolveu no seu interior  - no Alto Vale do Itajaí, conhecida como Laurentino. 
Ao contrário da maioria dos municípios da região, Laurentino não foi fundado por imigrantes alemães e nem, por italianos - estes chegaram depois, através das Companhias Colonizadoras.
Os pioneiros  eram de famílias do litoral, descendentes de imigrantes portugueses ou caboclos - filhos da miscigenação portuguesa e nativos/brasileiros de fato. Estas famílias se instalaram desde a altura da rodovia federal BR 470, em direção ao município do Rio do Oeste - sem formalizar sua posse. Instalaram-se de maneira informal, o que mudou com a chegada posterior das Companhias Colonizadoras.
Escola ocupou o local da casa do
morador de Laurentino
O primeiro morador chegou ao local onde está a sede do município de Laurentino, no dia 10 de novembro de 1908. O primeiro a chegar no local foi o imigrante português João Venceslau  Pereira. João Venceslau construiu sua casa junto às margens do Rio Itajaí Oeste, mais ou menos no local da Escola de Educação Básica Tereza Cristina.
O nome - Laurentino - foi uma prática adotada entre os moradores que tinha ligação com um dos primeiros pioneiros na região: Manoel Laurentino de Andrade - que era um exímio  cavador de poços - possuía o dom de encontrar a nascente. As pessoas, quando pretendiam fazer seu poço - diziam: "vamos lá no  Laurentino!" A prática se perpetuou e foi familiarizada no local onde vivia Manoel Laurentino de Andrade, que era primo de  João Venceslau  Pereira. Ambos eram posseiros e legalmente não possuíam o terreno. 
Viviam no local da maneira informal. Esta situação não permaneceu assim, e mudou com a chegada das Companhias Colonizadoras, responsáveis por lotear e comercializar os muitos lotes coloniais - em toda Colônia Blumenau e, a partir de então, fez surgir os primeiros planos de cidades.
Manoel Laurentino de Andrade partiu e deixou o nome para o local. Informalmente - o Município também foi chamado de Santo Antonio, denominação adotada pelos padres e a capelinha dedicada ao santo.
Manoel Laurentino recebeu um monumento em sua homenagem - na cidade.
A nucleação urbana se desenvolveu  às margens do Rio Itajaí do Oeste - única opção de acessibilidade natural dos colonizadores. Utilizavam a embarcação fluvial - canoa, embarcação que transportava as pessoas de uma margem para a outra do rio e também transportava as pessoas até Rio do Sul para as compras e vendas de produção da propriedade. As primeiras residencias no local eram rudimentares, como aconteceu em todo Vale do Itajaí. Passado algum tempo os colonos começaram as melhorias de suas propriedades e casas. 
"Embora muito simples, mas de tamanho maior. A madeira serrada ainda a mão com traçadores, usavam a madeira roliça ou falquejada a machado, a cobertura era feita de tabuinhas. Não eram usados pregos na fixação da armação, somente encaixes e cunhas de madeira, os pregos só eram utilizados na fixação das tábuas e tabuinhas. A grande preocupação era o numero de quartos para abrigar a grande família que iria se formar." Site do Município - http://www.laurentino.sc.gov.br
No ano de 1920 iniciou o ciclo da madeira no município com a chegada de pequenas serrarias. Contam os historiadores locais que "A madeira cortada a machado, no mato era puxada por dois bois ou cavalos até um estaleiro, as torras eram postas em carretões e conduzidas até a serraria."


Após as serrarias, chegaram os engenhos de cana e de farinha de mandioca. Na década de 1940 surgiram as fecularias Cassaca e Renaux, industrializando a mandioca e incentivando o plantio do produto. 

No ano de 1966 surgiu a Indústria e Comercio Oliveira, atuando no ramo de sabão, doces, balas de banana, conservas, temperos, industrialização de fumo e derivados do leite, cujo fundador comemorou 80 anos com a presença do grupo folclórico de Blumenau Tanz-und Spielgruppe Gartenstadt.

Por este detalhe, lembramos da história pretérita da Colônia Blumenau. Um município - nucleação urbana - que a exemplo de tempos remotos, teve contato com outra nucleação da colônia a partir da cultura e do entretenimento.
Acompanhamos o grupo folclórico  Tanz-und Spielgruppe Gartenstadt - ligado ao Grêmio Esportivo Olímpico de Blumenau que fez uma apresentação folclórica durante as comemorações do 80° aniversário de Inácio Oliveira - fundador, juntamente com sua esposa Maurília, da Fábrica Oliveira -  que entre outros produtos fabrica a conhecida balas de banana Oliveira.
Tradicionais balas Oliveira

As imagens comunicam
Vídeo
O 80° aniversário de Inácio Oliveira com Tanz-und Spielgruppe Gartenstadt
















...























































































































































Alles Gute zum Geburtstag, Herr Oliveira. 
Alles gut.

Em construção...
Em breve - Vídeos.