Mostrando postagens com marcador A Ferrovia EFSC. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A Ferrovia EFSC. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Karl Alexander Wettstein - Dr. Phil Wettstein e o livro Brasilien Und Die Deutsch-brasilianische Kolonie Blumenau

Wettstein faleceu aos 49 anos. Fonte: Museum der Stadt Weinheim.

Parte da folha de rosto do livro original do engenheiro
Dr. Phil Wettstein ou, Karl Alexander Wettstein , publicado em
 Leipzig, em 1907, base de sua tese de doutorado tese de
doutorado defendida  na Universidade de Heidelberg.
 É uma
 obra 
 ilustrada com fotografias feitas pelo autor, quando
 prestava  serviços à Cia. Hanseática, colhendo dados in loco na
 região da  Colônia Blumenau,  para elaboração de projetos
 regionais de infraestrutura, no início do século XX. Suas
reflexões e muitas  informações  sob o aspecto da economia,
estão publicadas nesse livro.

Karl Alexander Wettstein, conhecido como Dr. Phil Wettstein é o autor do livro Brasilien Und Die Deutsch-brasilianische Kolonie Blumenau. uma das fontes mais completas para o uso dos pesquisadores principalmente, das áreas da geografia e economia, da região do Vale do Itajaí, material autêntico e sem "maquiagem" nas informações dentro de um determinado recorte de tempo histórico e que mexeu com a ira de algumas lideranças locais da época. Esse assunto já foi contemplado no Blog e consta na Coluna dos "livros". Por sua importância, repetiremos seguido de um pouco da história da vida de seu autor e mais informações.
Dr. Wettstein discorre sobre algumas cidades do Brasil que tinham a presença da colonização alemã, com evidências na Colônia Blumenau e de Dona Francisca (Joinville). Na época em que encontramos seu livro para a pesquisa, em 2016, estava sendo vendido por um preço razoável em sebos brasileiros, pois não havia muito conhecimento sobre seus feitos, propagados por nós em 2020. Atualmente, o livro se encontra esgotado em solo brasileiro. Na Alemanha ainda é encontrado a um  preço razoável. 
Karl Alexander Wettstein tinha a formação de doutor e também, foi militar, político, pesquisador, engenheiro, fotógrafo - uma personalidade que esteve na região do Vale do Itajaí e outras regiões do Brasil e na África a serviço, em lugares inabitados, e que faleceu antes de completar 50 anos, deixando uma contribuição imensurável para a compreensão da estruturação das cidades do Vale do Itajaí, antiga Colônia Blumenau, como também da rede de cidades do Norte do Estado, área da antiga Colônia Dona Francisca. 
Vamos conhecer um pouco sobre o livro Brasilien und die Deutsch-Brasilieniche Kolonie Blumenau, de Karl Alexander Wettstein, uma de suas maiores contribuições para Santa Catarina, criticado pelos blumenauenses por ter um olhar científico do que vinha acontecendo na região. E também conhecer um pouco de sua jornada. Disponibilizaremos sua obra aos interessados, on line, através de seu link.

O Livro Brasilien und die Deutsch-brasilieniche Kolonie Blumenau.
Após seu lançamento, o
livro de Wettstein foi amplamente criticado pela sociedade de Blumenau da época, inclusive com registro na edição da Revista Blumenau em Cadernos, N° 4 – Tomo 4, de abril de 1985 – Uma publicação baseada em reportagem do Blumenauerzeitung – ano 28. Sábado, 12 de julho de 1909. A nosso ver, o engenheiro apontou a realidade de uma sociedade que se organizava a partir de uma base social com início colonial, em que todos apresentavam o mesmo nível e tinham mais ou menos as mesmas dificuldades, e dos quais, posteriormente, surgiram grupos sociais diferenciados e segregados, informações que usamos em nosso livro sobre Enxaimel - ilustrando a forma de morar das pessoas - nas primeiras décadas da Colônia Blumenau e o surgimento das classes sociais composta por uma população de colonos. Praticamente todos eram colonos, pois haviam adquirido lotes coloniais e efetuaram suas benfeitorias a fim de obter uma propriedade sustentável – iniciaram do “zero”, exceto alguns que usufruíram a boa vontade dos migrantes oriundos de São Pedro de Alcântara, a exemplo de Victor Gaertner, primeiro vendeiro que recebeu mantimentos da família de Pedro Wagner, para negociar em seu estabelecimento comercial. Todo esse processo de produção foi muito bem explicitado na publicação do professor Vilmar Vidor, Indústria e Urbanização no Nordeste de Santa Catarina.
O jornal "Urwaldsbote" está na lista de agradecimentos de Wettstein, no prefácio de seu livro, ao lado de outros nomes da época.

Livro de Karl Alexander Wettstein – Dr. Phil Wettstein, apresentando suas pesquisas e comentário da região, amplamente ilustrado.
Em suas atividades como engenheiro a serviço da Companhia de Colonização Hanseática (H.K.G.), Wettstein participou na exploração do território, ainda com mata virgem. Seu trabalho era o de participar dos projetos de abertura de caminhos entre as colônias, criando uma malha, para agilizar o desenvolvimento das muitas colônias alemãs do interior de Santa Catarina. O desenho do autor - abaixo - ilustra esta espacialização regional.
Nesse esquemático, Wettstein contempla os principais caminhos, povoações e elementos geográficos do Vale do Itajaí e do Vale do Itapocu, a partir dos dois portos marítimos: São Francisco e Itajaí, e do modal ferroviário existente.
O mapa de José Deeke, de 1905, ilustra muito bem esses caminhos - diferentemente dos atuais - e foram planejados por técnicos como Wettstein. Os acessos para a região eram feitos a partir dos portos marítimos de São Francisco do Sul e de Itajaí. A nucleação urbana de Pomerode foi fundada no território da Colônia Blumenau, às margens do Rio do Testo - estrategicamente no caminho para o porto marítimo de São Francisco do Sul, o qual passava pelas colônias de Itapocu, Humbold e Dona Francisca. O trajeto de São Bento até o porto marítimo de São Francisco do Sul também poderia ser percorrido de trem. Observando esta questão de logística interna no interior das colônias alemãs e o traçado dos caminhos, podemos afirmar que este foi um caminho incrementado não somente pela Sociedade Colonizadora Hanseática, que contratou Karl Alexander Wettstein, mas também pela Colônia Blumenau, como uma das principais rotas até o porto de São Francisco de Sul, de onde vieram muitas das famílias de imigrantes alemães, além de produtos importados da Europa, principalmente da Alemanha, para o interior de seu território. 
Mapa desenhado pelo agrimensor José Deeke em 1905 - usado por Wettstein para receber suas informações e citado em seu livro de 1907, como referência.
Karl Alexander Wettstein fez uso do mapa de José Deeke para apresentar suas conclusões através de traçados e projetos. O mapa de Wettstein foi publicado no livro Colônia Blumenau no Sul do Brasil (2019) sem esta informação e sua fonte, como parte do trabalho do engenheiro alemão.
Para relembrar, José Deeke, autor do mapa usado por Wettstein, era também diretor das nucleações urbanas privadas pertencentes à Sociedade Colonizadora Hanseática, e havia nascido no Stadplatz da Colônia Blumenau. Foi aprendiz de seu padrinho e tio Heinrich Krohberger. Dirigia algumas das nucleações da Sociedade Colonizadora em território externo à grande Colônia Blumenau, e também a colônia pertencente ao seu território, como Hammonia - atual Ibirama - e que foi muito importante para a construção ferroviária na região, tendo também recebido contribuições de Karl Alexander Wettstein. Por certo, trocaram ideias sobre o trabalho comum de ambos.
A partir de seu trabalho técnico, Wettstein procurou locais para criar caminhos que possibilitassem intercâmbios, para preparar a implantação da ferrovia, realizar medições topográficas e estudar possibilidades de aproveitamento de cachoeiras. Com essa intenção, realizou viagens a diferentes colônias alemãs e cidades brasileiras.
Em regiões mais afastadas haviam surgido novas colônias da Sociedade de Colonização Hanseática, entre elas a Colônia Hansa Humboldt, atual cidade de Corupá, que contava com grande número de imigrantes e exigia cada vez mais elos econômicos com as comunidades vizinhas. Por outro lado, a Colônia Hansa, a oeste de Blumenau, chamada de Blumenauer Hansa, deveria ser mais intensamente povoada. Com permissão da Sociedade de Colonização Hanseática, o diretor local, que era José Deeke, passou a procurar um caminho através da serra, que separava os dois grupos coloniais.
Os trabalhos mais importantes de Wettstein, na Colônia Blumenau, foram aqueles relacionados à preparação da instalação da ferrovia EFSC, ligando Blumenau-Hammonia, a serviço de um sindicato ferroviário alemão, entre 1904 e 1906. Em 1909, com a mudança da concessão da ferrovia, Wettstein retornou para a Alemanha. Seu livro, de 450 páginas, robusto, contém ilustrações e fotografias de sua autoria. Algumas foram publicadas em nosso livro Fachwerk - a Técnica Construtiva Enxaimel.
Segue seu prefácio de seu livro Brasilien Und Die Deutsch-brasilianische Kolonie Blumenau, esclarecendo questões sobre a execução de seu trabalho e apontando os entraves e parceiros, deixando transparecer sua consciência de que não estava alinhado à ideologia vigente da sociedade blumenauense da época.

Prefácio 

Brasilien Und Die Deutsch-brasilianische Kolonie Blumenau

Karl Alexander Wettstein

Tradução: Professor Newton Schner Junior

(Também: pianista, compositor, tradutor e escritor)

            "Quantas perguntas do meu questionário feito a um representante oficial que simplesmente foram deixadas de lado, tal como outras, feitas a um cônsul que, diga-se de passagem, é muito bem instruído, o qual, no entanto, precisou de meses para dar um retorno, mostrando, assim, quão baixo é o seu apreço pelo trabalho. É preciso ainda observar que não eram assuntos relacionados à economia local ou qualquer outra coisa de cunho administrativo. Isso tudo nos mostra os limites das atividades exercidas por esses consulados.

Assim sendo, sou grato às pessoas da esfera particular que colocaram todos esses materiais à minha disposição. Primeiramente, agradeço ao Senhor Richard Hinsch (Blumenau), Pastor Dr. Aldinger (Hammonia) e ao Capelão Terlit (Münster), que foram responsáveis pelos registros fotográficos característicos da melhor forma. Ferner P. Cletus Espey (Blumenau), A. Hahn (Ararangua), C. Hoepkte (Florianópolis), Dr. Jacobs (Blumenau), Pastor Menzel (Villa V. Agres), Engenheiro Lange (Curitiba), Engenheiro Odebrecht (Blumenau), J. Probst (Blumenau), Redator Riede (S. Cruz), Padre Rudolph (Timbó), Meteorólogo Scheidemantel (Blumenau) e Siegel (Curitiba), Superintendente Schrader (Blumenau), P. cand. Spannagel (Lages), Professor Staude (S. Matheus) e ao Urwaldsboten (Blumenau).

Em muitos aspectos eu pude fazer a utilização do material que organizei por conta própria ao longo de dois anos e meio de atividade enquanto engenheiro, mas também funcionário público de colonização e coordenador dos trabalhos da construção férrea em Blumenau, bem como através de todas as minhas viagens de estudo para Neu-Württemberg (atual Panambi), Baumschneiz (atual Dois Irmãos), Porto Alegre e São Paulo. Do mesmo modo, as experiências de anos nas colônias alemãs no oeste da África e no Cabo me ajudaram muito.

            Um escrito pode apenas ser ensinado de maneira fiel quando as suas relações assim o são, como tudo de fato acontecer, independente de acontecimentos bons ou ruins, independente do temor pela responsabilidade de mimar esse ou aquele, encobrindo assim acontecimentos importantes. Pode ser, portanto, que as observações aqui feitas não venham a ser do agrado de todos, mas espero que elas correspondam ao meu dever para com a escrita, como sempre o foi, e que, assim sendo, sejam capazes de ganhar a confiança do leitor, reconhecendo que a minha aspiração busca tão somente trazer uma imagem real de como as coisas são, para muito além de luzes e sombras, tal como faz um observador que trabalha independente de elogios ou críticas. 

Heidelberg, 30 de setembro de  1907.

Dr. Wettstein"

Algumas imagens do livro de Wettstein 
Novos colonos alemães em Blumenauer Hansa.
Filho do cacique Botokud Monjan (o Forte) Bacharel Francisco Cogogn-Topp quando criança preso na selva e criado pelos franciscanos.
Casa de um comerciante alemão em Sta. Catarina.
Franciscano alemão, professor de escola primária, em Blumenau.
Escritório Central da Hanseatische Kolonisations-Gesellschaft m.b. H Blumenauer Hansa).
Pastor Dr. Aldinger com seus alunos em idade escolar. Ao fundo a escola e igreja da Hammonia.
Venda brasileira (loja de departamentos).
Local de pouso das tropas no planalto – Lages - oriundas do Sul do Brasil.
Grupo de colonos alemães de carroça e colonos alemães a cavalo, em frente ao Hotel zur Stadt Berlin (Blumenauer Hansa).
Pilar da Ponte do Salto, perto de Blumenau, concluída anos atrás, mas ainda pista de rodagem. (Isso era antes de 1907, ano de publicação do livro de Wettstein – dá para se ter uma ideia de que os pilares poderiam ter sido iniciados ainda no século XIX, contrariando a narrativa dos republicanos de que foi Hercílio Luz quem enviou verbas para a conclusão dessa ponte).
A fotografia do Stadtplatz de Blumenau, amplamente usada em muitas publicações de vários períodos históricos, é de autoria de Karl Alexander Wettstein.
Karl Alexander Wettstein e Hansa Hammonia
Primeiro abrigo para os imigrantes - Hammonia em   1902 - Atual centro de Ibirama.

Quando se iniciou a povoação de Hansa Hammonia, os poucos comerciantes existentes não possuíam, em suas prateleiras, mercadorias para comercializar, pois o transporte pelo Morro do Cocho era muito difícil, e quando chegavam, eram superfaturadas. Não conseguiam fazer estoques e enfrentavam o problema da compra a crédito dos colonos. De acordo com José Deeke, junto com o diretor Sellin veio Morsch, trazendo um montante de 60.000 marcos emprestados de F. Missler, para a solução dos problemas de abastecimento. Em Hammonia, a comunidade organizou a "Liga dos Colonos", sob a liderança de Julius Radek, tendo chegado, juntamente com o grupo, Karl Alexander Wettstein para o respectivo desenvolvimento, como encarregado dos trabalhos técnicos da colônia. Quando o primeiro trecho da ferrovia - Blumenau a Warnow - foi inaugurado, em 1909, houve mudanças na equipe responsável pela Colônia Hammonia. Nesse momento, saíram o engenheiro Wettstein, como também Götting e Wehmuth. Dessa maneira, registre-se que Karl Alexander Wettstein também esteve nos momentos de fundação de Hammonia e dos detalhes construtivos do primeiro trecho da EFSC.
Mapa organizado por Wettstein com base no mapa de 1905, de José Deeke. Recebeu mais informações mediante a pesquisa do autor do livro Brasilien Und Die Deutsch-brasilianische Kolonie Blumenau .
Para acessar o mapa em resolução maior – Clicar sobre: Mapa de Wettstein
Galpão do imigrante da Colônia Hansa Hammonia, construído por Gottlieb Reif. Fonte: Brasilien Und Die Deutsch-brasilianische Kolonie Blumenau – de Karl Alexander Wettstein.
Karl Alexander Wettstein – Biografia resumida
Fonte: Museum der Stadt Weinheim.
Dr. Karl Alexander Wettstein – também conhecido Dr. Phil Wettstein, foi capitão do exército de Baden, oficial da Schutztruppe no Sudoeste Africano Alemão, atual Namíbia, engenheiro agrimensor da construção da EFSC contratado pela Colonizadora Hanseática, advogado renomado, doutor em economia, deputado Reichsfeldmeister na Associação dos Escoteiros Alemães, político na cidade de Weinheim e escritor, que morreu antes de completar 50 anos.
Karl Alexander Wettstein nasceu em 22 de junho de 1872 na cidade de Kalsruhe, estado de Baden, antigo Grão-Ducado. Seus antepassados são originários da Prússia, avós paternos. A região na qual nasceu, teve destaque na fundação do Império Alemão, após a vitória na Guerra Franco-Prussiana de 1870/71
Kalsruhe.
Mestre organeiro Georg Jann, estudou em Postdam.
Após terminar seu ciclo de estudos em
1891, Wettstein ingressou, como Avantgeur, no 14° Batalhão de Pioneiros de Baden, iniciando sua carreira militar que orientou sua vida. Estudou três anos na Escola de Guerra de Kassel e em 1892 tornou-se oficial, atuando durante dois anos como oficial pioneiro no front. Foi transferido para Berlin, capital do Império onde iniciou seus estudos na Escola de Engenheiros de Berlin, adquirindo a formação técnica que o fez conhecido no Brasil. Em Berlin entrou em contado com as questões coloniais o que despertou seu interesse pela colônia africana e depois, pelo Sul do Brasil. Teve interesse de atuar diretamente nas colônias alemãs da América e da África. Também fizeram parte de sua formação técnica, os estudos de astronomia de posição desenvolvidos no Instituto Geodésico de Potsdam, na mesma cidade em que Georg Jann fez seus primeiros estudos de organeiro.
Em 1896 foi transferido para a Seção de Trigonometria do Comando Geral Militar, onde adquiriu conhecimentos de triangulação necessários para a sua atuação prática em medições e estabelecimentos de limites em situações estratégicas de agrimensura. Ainda em 1896, foi enviado à colônia alemã do Sudoeste da África, atual Namíbia, com a missão de realizar trabalhos de demarcação da área do Protetorado alemão.
Nessa mesma época, efervescia a nova colonização pela Colônia Hanseática, e Wettstein entendia que Santa Catarina oferecia condições climáticas mais favoráveis do que a do Sudoeste africano, durante sua reflexão sobre a retomada das atividades de trabalho em ambientes coloniais. Em suas atividades como engenheiro contratado pela Companhia Colonizadora Hanseática, Karl Alexander Wettstein atuou de maneira decisiva na exploração do território ainda em grande parte coberto pela Mata Atlântica. O seu trabalho, nesse período, era o de abrir, como já mencionado, ligações entre as colônias como pressuposto para o desenvolvimento econômico delas. Criar uma malha de caminhos - Wettstein deveria delinear caminhos que possibilitassem os intercâmbios, e que fossem adequados para o melhor traçado ferroviário na região. 
Neu Wüsttemberg - Atual Panambi, Rio Grande do Sul. Wettstein desenvolveu pesquisas nessa região, também estudada por Eugen Leitzke.
Para realizar tais medições topográficas e estudar possibilidades de aproveitamento de cachoeiras e caminhos naturais, percorreu a região realizando viagens a diferentes colônias alemãs e cidades brasileiras fora desse perímetro, como Neu-Württemberg (Panambi – cidade natal do pesquisador Augen Leitzke); Baumschneiz (Dois Irmãos), Porto Alegre e São Paulo.
Na região, entre suas principais atividades estava a definição do caminho de ligação entre Joinville e Blumenau, colônias alemãs fundadas a partir de portos diferentes: São Francisco e Itajaí e suas regiões estavam isoladas entre si, devido às montanhas da serra.
Em 1907, Karl Alexander Wettstein defendeu sua tese de doutorado, na Universidade de  Heidelberg cujo tema tinha relação com o Brasil, em especial com a região de Blumenau. Portando, seu trabalho teórico publicado foi executado sob uma visão científica. Esse, até hoje, surpreende pela quantidade de dados, pela sistematização do assunto e pela sua organização interna, que resultou nessa publicação excepcional - Brasilien und die deutsch-brasilianische Kolonie Blumenau, Leipzig: F. Engelmann 1907. 
Wettstein, com um filho Hans Joachim Wettstein, nascido em Blumenau e sua esposa Emma, retornou para a Alemanha ainda na primeira década de século XX. Além de pesquisador, escritor e engenheiro, Wettstein ingressou na política em 1912, tornando-se prefeito da cidade de Weinheim, no estado de Baden.
Marktplatz Weinheim - Monumento do Guerreiro em frente à igreja de São Laurentius -  Weinheim 
Isso aconteceu quando Wettstein venceu a eleição como sucessor do prefeito de Weinheim, Heinrich Ehrlich, em 6 de fevereiro de 1912, tendo vencido o pleito com 60 votos, dos 97 vereadores, que votaram nele. Mas algo não saiu muito bem, pois três políticos locais se opuseram aos resultados dessas eleições. Argumentavam que o ex-prefeito, Heinrich Ehrlich, havia sido forçado a renunciar à reeleição devido à ameaça de desvantagens financeiras em relação à sua pensão. Essa objeção impediu a posse imediata de Karl Alexander Wettstein, que passou a ocupar outro cargo subordinado ao vice, Georg Friedrich Vogler. Essa situação constrangedora não durou muito. O conselho distrital de Weinheim rejeitou a objeção dos políticos “reclamões”. No final de maio de 1912, Wettstein assumiu o cargo de prefeito de Weinheim.
Prefeitura Velha de Weinheim – local de trabalho de prefeito Karl Alexander Wettstein.
Sua gestão foi curta e deixou poucos vestígios na história da cidade. Dois anos após a sua posse, iniciou-se a Primeira Guerra Mundial, afetando diretamente Karl Alexander Wettstein, pois era um major da reserva. Até imigrantes de Blumenau, que ainda faziam parte da reserva, foram chamados. 
Wettstein foi para a frente de batalha e ficou gravemente ferido depois de apenas sete dias em combate. Foi feito prisioneiro de guerra pelos franceses. A municipalidade de Weinheim tentou interceder diplomaticamente e trocá-lo por prisioneiros, na Cruz Vermelha Internacional, entretanto sem êxito imediato. 
Wettstein foi libertado somente em 1916, para tratamento e internamento na Suíça e de lá, em 1917, retornou a Weinheim, com 45 anos de idade, doente e ferido
Em
setembro de 1917, Wettstein presidiu uma reunião do Conselho Municipal, pela primeira vez. Durante sua prisão, preocupou-se com o sustento de sua família, em Weinheim. Após seu retorno, argumentou que estava gravemente ferido e pediu que seu estado de saúde fosse reconhecido como uma deficiência de serviço, em um adendo ao seu contrato de serviço, pois isso poderia trazer dividendos à sua família. Mas seu apelo não foi considerado nem pelo antigo conselho municipal, nem pelo novo, recém-formado em 1919. A coordenação dos grupos parlamentares da Comissão de Cidadãos rejeitou uma correção dos seus direitos à pensão. Consideraram que a doença, que impedia a reeleição do homem gravemente ferido, não se devia ao seu trabalho na prefeitura de Weinheim, mas sim, a um ferimento de guerra. Essa situação grave o fez renunciar ao cargo de prefeito de Weinheim nesse mesmo ano de 1919.
"Na comissão de cidadãos, cujas reuniões são presididas pelo Dr. Wettstein muitas vezes não conseguia liderar devido aos ferimentos, a roupa suja logo estava sendo lavada. Jakob Emig, membro do conselho do USPD, acusou o prefeito ausente, de nepotismo e seu colega parlamentar Georg Stosser, porta-voz dos soldados do Conselho de Trabalhadores e Soldados, que governou a cidade junto com a administração municipal após a Revolução de Novembro, disse que a miséria habitacional em Weinheim poderia ter sido evitada, se ao menos a cidade tivesse cuidado disso antes. Portanto, o prefeito é o grande culpado. O homem do USPD também desejou que o prefeito cedesse parte de seu apartamento oficial na prefeitura da cidade ("Casa Amarela" na Bahnhofstrasse, hoje atrás da Boutique Azzurro) para aqueles que procuram um apartamento "e, assim, dar o exemplo para os outros proprietários de Villas". Dr. Wettstein se defendeu das acusações apontando os esforços da cidade para criar um novo espaço habitacional junto com a cooperativa de construção e a associação de construção." KELLER

Karl Alexander Wettstein morreu em 25 de janeiro de 1921, no Hospital Baden-Baden. Emma Wettstein, sua viúva, retornou ao Brasil com o filho, Hans Joachim, que era blumenauense criado em Weinheim. 
Hans Joachim Wettstein retornou a Weinheim em 1979, a convite do então prefeito, Theo Gießelmann, que o conheceu no Brasil em 1971, quando atuava como presidente da Federação Desportiva de Baden, acompanhando a Associação Estadual de Tiro de Baden em viagem ao país.
Para ler o livro de Karl Alexander Wettstein - Clicar no título abaixo
Um amigo conseguiu encontrar este livro, físico, de Wettstein, na Alemanha, e guarda-o para nós, até nossa próxima viagem à terra natal de seu autor.
Um Registro para a História.
Referências
  • BISPO, Antônio Alexandre. "Karl Alexander Wettstein no Sudoeste da África Alemão (Namíbia) e em Santa Catarina. Pressupostos de sua dissertação referente ao Brasil (Heidelberg, 1907)". Revista Brasil-Europa: Correspondência Euro-Brasileira 143/4 (2013:3). Disponível em: http://revista.brasil-europa.eu/143/Karl-Alexander-Wettstein.html . Acesso em 14 de agosto de 2023 – 13h34.
  • DEEKE, José. A Colônia Hammonia 1879 - 1922 - Dia 8 de novembro, 25 anos de fundação - Blumenau em Cadernos, Tomo XXIX - Nov/Dez, N°11/12 - Blumenau. 1988.
  • Evangelische Landeskirche Baden (Deutschland)
  • GERLACH, Gilberto Schmidt. Colônia Blumenau no Sul do Brasil / Gilberto Schmidt-Gerlach, Bruno Kilian Kadletz, Marcondes Marchetti, pesquisa; Gilberto Schmidt-Gerlach, organização; tradução Pedro Jungmann. – São José: Clube de Cinema Nossa Senhora do Desterro, 2019. 2 t. (400 p.): il., retrs.
  • KELLER, Heinz. Bürgermeister Wettsteins Pension. Sommerthema 1919: der Amtsverzicht des Bürgermeisters. Der Streit um Dr. Karl Alexander Wettsteins Pension. Museum der Stadt Weinheim. Disponível em: https://museum-weinheim.de/B%C3%BCrgermeister-Wettsteins-Pension.html. Acesso em 14 de agosto de 2023 – 4h18
  • Revista Blumenau em Cadernos, n. 4 – Tomo 4, de abril de 1985.
  • Revista Brasil-Europa - Correspondência Euro-Brasileira 143/4 (2013:3). Professor Dr. A.A.Bispo, Universidade de Colônia e Conselho Científico. Direção administrativa: Dr. H. Hülskath. Organização de Estudos de Processos Culturais em Relações Internacionais (ND 1968) - Academia Brasil-Europa  - e institutos integrados. Disponível em: http://revista.brasil-europa.eu/143/Karl-Alexander-Wettstein.html. Acesso em: 14 de agosto de 2023 – 3h54.
  • VIDOR, Vilmar. Indústria e urbanização no nordeste de Santa Catarina. Blumenau: Edifurb, 1995. 248p, il.
  • SILVA, José Ferreira. História de Blumenau. -2.ed. – Blumenau: Fundação “Casa Dr. Blumenau”, 1988. – 299 p.
  • WETTSTEIN, Phil. Brasilien und die Deutsch-brasilieniche Kolonie Blumenau. Leipzig, Verlag von Friedrich Engelmann, 1907.
  • WIKIPEDIA COMMONS. File: Weinheim (Bergstr.), Baden-Württemberg - Rathaus (Zeno Ansichtskarten).jpg. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Weinheim_%28Bergstr.%29,_Baden-W%C3%BCrttemberg_-_Rathaus_%28Zeno_Ansichtskarten%29.jpg. Acesso em: 14 de agosto de 2023 – 22h13.
  • WITTMANN, Angelina C. R. A ferrovia no Vale do Itajaí: Estrada de Ferro Santa Catarina: Edifurb, 2010. – 304 p. :il.

Leituras Complementares - Clicar sobre o Link Escolhido:

Sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
@AngelWittmann (Twiter)




























sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Qual a relação entre a Casa mais antiga do Vale do Itajaí e Johann Otto Rohkohl - Primeiro Diretor da ferrovia EFSC?

Foi a capa de nosso livro "Fachwerk - A Técnica Construtiva Enxaimel" e a personalidade histórica está nas páginas de nosso outro livro " A Ferrovia no Vale do Itajaí - Estrada de Ferro Santa Catarina".






Buscado um tema inédito para
pesquisar e que tivesse relação com o Vale do Itajaí, encontramos esta pequena nota envolvendo uma das filhas do primeiro diretor da Estrada de Ferro Santa Catarina - EFSC Otto Rohkohl e a estação ferroviária de Blumenau, uma tipologia construída com estrutura enxaimel e talvez uma das mais significativas de seu tempo e dos demais, na região, demolida em 1974 para dar lugar à nova Prefeitura Municipal de Blumenau em alvenaria, com ripas coladas na fachada para dar a entender que se trata de enxaimel. Atualmente vem sendo construída uma réplica/cenário sobre uma praça pública nas proximidades desta mesma tipologia fake construída no terreno da antiga estação ferroviária de Blumenau.
Réplica fake da estação ferroviária de Blumenau construída sobre uma praça pública, no momento atual.
 Na pequena nota, a filha de Rohkohl desejava encantar uma das sacadas da histórica estação com uma trepadeira.
Ao tentar conhecer todas as questões desta pequena nota reencontramos fatos curiosos e interessantes que junto às novas informações encontradas compartilhamos na sequência. 
Quem foi Johann Otto Rohkohl? Quem foi sua filha? Onde residiam? E outras questões...
A anota da Revista Blumenau em Cadernos  publicada no ano de 1969, ano do falecimento de Otto Rohkohl.
Dama da Noite.
"A filha do primeiro diretor da E. de F. "Santa Catarina" contou-nos certa ocasião, que, desejando adornar a varanda da esta~]ao com uma bonita trepadeira, escreveu para a Alemanha, para um floricultor conhecido, pedindo-lhe que mandasse o que de melhor houvesse. Vieram as sementes que, germinando, foram tratadas com carinho. quando começaram a florescer, qual foi o espanto da senhora ao constatar que a trepadeira, cuidada com tanto esmero, era uma das plantas mais comuns à margem do rio Itajaí, onde crescia em estado silvestre. No próprio barranco onde ficava atrás da estação havia-as em grande abundância, perfumando o ambiente com suas grandes flores brancas que desabrochavam a noite e se mantinham abertas até o sol se levantar no horizonte."
Como mencionado, concluímos que esta nota  da Revista Blumenau em Cadernos publicada em julho de 1969 menciona a filha mais velha de Otto Rohkohl - Renate Luise Rohkohl, o primeiro Diretor da Estrada de Ferro Santa Catarina - EFSC, integrante da equipe técnica responsável pela construção  da ferrovia, como Diretor Comercial e também, Cônsul Honorário da Alemanha em Blumenau - durante mais de 25 anos. 
Equipe de execução e projeto da EFSC, 1907 - do livro A Ferrovia no Vale do Itajaí Estrada de Ferro Santa Catarina- Edifurb, 2010.
Clicar sobre o livro - para ler.
Johann Otto Rohkohl veio para a região, primeiramente, para contribuir, através de seu trabalho e formação técnica,  com a equipe alemã que construiu a única ferrovia com tecnologia e capital alemão, no Brasil, e sua história seguinte.
Chamarmo-nos Rohkohl (que traduzido para  português - significa "repolho cru") como era conhecido na região: ou de Otto Rohkohl, que foi um engenheiro alemão, nascido  em Liegnitz, Liegnitz, Liegnitz, Schlesien, estado da  Prússia, Alemanha, em  21 de janeiro de 1881.  

O lugar onde nasceu Rohkohl
Liegnitz era uma região administrativa na província prussiana da Silésia e mais tarde, na Baixa Silésia. Existiu entre 1815 a 1945 e cobriu a parte noroeste da Silésia. A cidade atual está a sudoeste da Polônia e  foi mencionada, pela primeira vez, em crônicas datadas do ano de 1004, portanto, mais de 500 anos após a descoberta do Brasil. O nome foi mencionado também, em 1149 sob o comando do Alto Duque da Polônia Bolesław IV, o Encaracolado. Legnica era provavelmente a sede de Bolesław e tornou-se a residência dos altos duques que governaram o Ducado de Legnica de 1248 a 1675. É uma cidade sobre a qual a dinastia Piast, que reinou por mais tempo, permaneceu cerca de 700 anos. 
Os pais de Otto Rohkohl foram Hermann Rohkohl e Karolina Patzschke.
Rohkohl estudou na autarquia das Estradas de Ferro da Prússia, onde colou grau de engenheiro. De 1905 a 1907, um pouco antes de vir para Blumenau, trabalhou na administração da estrada de ferro “Otavibahn”, na África. Ainda em 1907, mudou-se para Blumenau integrando a equipe técnica de construção da EFSC. Mais tarde, após sua transferência da Empresa Força e Luz Santa Catarina, de São Paulo para Blumenau, foi eleito primeiro diretor-gerente da firma. 
Na fotografia, Rohkohl na companhia de suas duas filhas. Uma de suas filhas, Elise Sigrid faleceu e foi sepultada na Alemanha, junto de sua mãe Edith Anna Schwarzer.

Rohkohl se casou em 27 de novembro de 1909 com uma blumenauense. Conta um pesquisador da estrada de ferro da região -- EFSC - que os jovens da equipe técnica alemã de sua construção, causavam alvoroço entre as moças solteiras da região e pelo que soubemos Rohkohl não foi o único a se casar em Blumenau. Chegaram solteiros e saíram casados.
Otto Rohkohl não migrou imediatamente para o Brasil. Fazia parte da equipe técnica que construiu a ferrovia EFSC, cujo primeiro trecho foi inaugurado em 3 de maio de 1909 e em  27 de novembro deste mesmo ano, estava casado com  Edith Anna Schwarzer (1887–1945 - faleceu na Alemanha 4 dias após o final segunda guerra mundial, em 6 de setembro.) Como morreu? Seria vítima de algum bombardeio?  A primeira filha do casal, Renate Luise Rohkohl nasceu no ano seguinte do casamento, em 29 de agosto de 1910 (+1997 em Blumenau). A segunda filha,  Elise Sigrid Rohkohl  nasceu 6 anos depois, em  9 de maio de 1916 e também faleceu na Alemanha. Não há informações, ainda, se nasceu naquele país, pois seus pais mudaram-se para lá onde sua mãe faleceu em 1945, como também Elise. Os pais de Edith Anna já residiam na casa que fora de Hermann Wendeburg desde 1880 - ano da grande enchente.
Em 1930, a filha mais velha Renate Luise foi para a Alemanha para estudar quando conheceu Werner Dietrich durante a viagem. Casaram-se no Rio de Janeiro, capital do Brasil, antes do início da guerra, em 26 de maio de 1934
Residiram em Blumenau, na mesma casa de seus avós e Hermann Wendeburg. Werner Dietrich  faleceu em 1953 e Renata Luise começou a trabalhar na firma  Artex como desenhista Industrial e se tornou encarregada da Sala de Desenhos. Parou de trabalhar quando precisou cuidar de Otto Rohkohl e da amiga e vizinha  Edith Gaertner (a do cemitério dos gatos) que faleceu em 1964 e seu pai faleceu em 1969.
Seu avô, o Opa Paul faleceu em 1906, antes mesmo, de conhecer  seu pai Otto Rohkohl e sua avó Mathilde von Knorring faleceu em 1919, deixando a casa para sua mãe  Edith Anna e depois, com o falecimento de sua mãe, Renate Luise  herdou a casa.


Antes disto, após ficar viúvo e o término da segunda guerra mundial,  em 1949, Otto Rohkohl imigrou definitivamente para o Brasil, Rio de Janeiro. Até então, Rohkohl residia em   Baeuerschestr.2, Blankenburg, Alemanha, onde sua esposa Edith Anna foi sepultada. Também há lacunas de como foi Cônsul Honorário Alemão em Blumenau e depois disto, mudou-se  para a Alemanha. Aparentemente passou os anos do tempo da segunda guerra mundial na Europa.  Ficamos imaginando, como deva ter sido sua experiência e de sua família durante o grande conflito e até que ponto, este foi uma questão decisiva para o seu retorno ao Brasil, com quase 70 anos de idade, onde a família de sua filha Renate Luise que agora assinava Dietrich. O casal Dietrich não teve filhos.
A carismática Renate Luise Rohkohl sentada em uma das portas da propriedade que pertenceu a Hermann Wendeburg, seu primeiro proprietário e que fora adquirido por seu Opa e Oma em 1880. Fonte: Fundação Cultural de Blumenau - Arquivo Histórico José Ferreira da Silva.
Documento do casamento de Renate Luise e Werner Dietrich.
O casal Dietrich fixou residência na casa que pertenceu aos avós maternos de Renate, os Schwarzer que residiram na casa construída por Hermann Wendeburg.
Edith Anna Schwarzer,  esposa de Otto Rohkohl era filha de Paul Schwarzer (1844–1906) e de Mathilde von Knorring  (1852–1919). A Frau Rohkohl teve mais três irmãs, que foram: Olga Schwarzer (1873–1953), Paula Schwarzer (1879–1956) e Alice Olympia Schwarzer (1883–1964).
Irmã de Edith Anna.
Fonte: Blumenau em cadernos - Tomo VI - N°6
Renata Luise  faleceu dia 4 de Dezembro de 1997 em sua residência na Palmenallee - Rua das Palmeiras, antigo Boulevard Hermann Wendeburg.

A Casa de Hermann Wenderburg - Centro Histórico de Blumenau


 Clicar sobre o livro - para ler.
A casa construída com técnica construtiva enxaimel, dentro do processo evolutivo desta técnica na região com aspectos da casa urbana, a qual classificamos em nossa pesquisa publicada no livro "Fachwerk - a Técnica Construtiva Enxaimel". Isto significa que e a edificação, a partir da tipologia primária, recebeu anexos típicos usados na área urbana da Colônia Blumenau, como por exemplo, o alpendre frontal e o Dachgaube no telhado, cujo espigão é paralelo a rua. Por ser esta edificação, a mais antiga em todo o Vale do Itajaí, construída em 1858, tornamo-la a capa do livro mencionado, sobre a pesquisa da técnica trazida pelos pioneiros. 

A casa localizada na conhecida "Palmenallee e pertenceu a Hermann Wendeburg, secretário de Blumenau e foi adquirida pelos pais de Edith Anna, em 1880. Seu pai foi um dos primeiros advogados da Colônia Blumenau. A propriedade foi herdada pela esposa de Otto Rohkohl, a filha Edith Anna (Schwartzer) Rohkohl. Na casa, residiram o viúvo Rohkohl, pois sua esposa faleceu na Alemanha no final da segunda Guerra Mundial e  sua filha, Renata Luise (Rohkohl) Dietrich e o marido Werner Dietrich. O casal Dietrich não teve filhos e fez a doação do patrimônio histórico arquitetônico à cidade de Blumenau, em 1964, com direito a usufruto, quatro anos antes do falecimento de seu pai Otto Rohkohl. 
Renate oficializou em cartório, a doação de sua residência construída em 1858, para a Fundação Cultural de Blumenau fazer uso após seu falecimento, que aconteceu em 1997, quando o patrimônio foi incorporado ao complexo do museu da família Colonial com todo o acervo da família. Isto explica as muitas peças relacionadas a EFSC presentes no local como a perfeita maquete de um vagão da EFSC.

As mulheres sempre estiveram presentes nos acontecimentos da cidade. Trabalhando no campo, no lar, nas fábricas, na educação, na cultura, na saúde e em outras atividades afins. Ela é a grande figura oculta ou visível. Um desses exemplos é a blumenauense Renata Luiza Rohkohl Dietrich, filha do engenheiro e Cônsul alemão em Blumenau Otto Rohkohl e Edith Rohkohl. Herdeira e moradora da mais antiga casa da Blumenau Colônia (1858), num gesto de consciência de preservação da memória da cidade, foi doadora do patrimônio que abriga uma das casas que constituem o Museu da Família Colonial. (Fonte: Arquivo Histórico José Ferreira da Silva / Fundação Cultural de Blumenau)


DIETRICH, Renata Luiza Rohkohl
Nasceu no dia 29 de Agosto de 1918, em Blumenau. Os pais eram Otto Rohkohl da Silésia, da Alemanha e Edith Schwarzer de Blumenau.
O pai foi diretor e engenheiro da estrada de ferro de Blumenau, diretor da empresa Força e Luz de Blumenau e Cônsul da Alemanha em Blumenau.
Em 1930, foi até a Alemanha para estudar. Na viagem conheceu Werner Dietrich, com quem se casou em 1934, no RJ. Em 1953 faleceu o senhor Werner e D. Renata passou a trabalhar na fábrica da Artex, como desenhista Industrial e encarregada da Sala de Desenhos. Depois de trabalhar anos na Artex, saiu para cuidar de seu pai e de uma amiga e vizinha, Edith Gaertner que faleceu em 1964, seu pai faleceu em 1969.
O grande mérito de D. Renata está na doação que fez à cidade de Blumenau em 1964, quando oficializou em cartório a doação de sua residência construída em 1858, para a Fundação Cultural de Blumenau fazer uso após seu falecimento.
D. Renata faleceu dia 4 de Dezembro de 1997 em sua residência na Alameda Duque de Caxias. VER – Jornal de SC do dia 5 de Dezembro de 1997. Pg. 4/b
(amigos prestam homenagem no velório de D. Renta)  Fonte: Arquivo de Blumenau
Muito do acervo do museu da Família Colonial pode ter pertencido à família Rohkohl/Dietrich e muito pouco é divulgado sobre, onde, quem  é mais lembrado  é  Hermann Wendeburg,  Edith Gaertner e seu cemitério de gatos.









Imperador Wilhelm II.
Em Blumenau, Otto Rohkohl também exerceu  o cargo de primeiro gerente da Empresa Telefônica de Blumenau S/A. Foi diretor-conselheiro da Caixa Agrícola e Comercial de Blumenau (depois Banco INCO), membro do primeiro conselho do Hospital Santa Catarina e em primeiro de maio de 1914, assumiu o cargo de Cônsul Honorário da Alemanha em Blumenau, nomeado pelo Imperador Wilhelm II, confirmado em 1921, em título emitido pelo presidente Friedrich Ebert. Deixou o cargo depois de 25 anos de serviços constantes. Como foi Cônsul, se somente migrou em 1949 e residia na Alemanha
Johann Otto Rohkohl faleceu em 4 de agosto de 1969 e está sepultado no cemitério luterano da Igreja do Espírito Santo - Comunidade luterana Centro - Blumenau.

Partindo de uma pequena nota da Revista Blumenau em Cadernos, descobrimos que a planta dama da noite era comum na barranca do rio Itajaí Açu, em Blumenau e que a filha de Otto Rohkohl pretendia encantar a estação ferroviária com uma planta trepadeira na varanda, oriunda da Alemanha, onde seus pais residiram e sua mãe faleceu no término da segunda guerra mundial. Os sogros de Rohkohl foram os novos proprietários da casa de Hermann Wendeburg, em 1880, que foi herdada pela neta, filha de Rohkohl, e que esta, repassou para o município com tudo que havia dentro, pois não existiam herdeiros diretos. 
Voltaremos ao museu e o olharemos com outros olhos.

Curiosidades

Sabia que existiu o "Prêmio Otto Rohkohl de Conservação da Água" em 2005 e  que era concedido à pessoas físicas e/ou jurídicas que se destacaram pela sua atuação em prol da proteção da água na bacia hidrográfica do rio Itajaí? O prêmio foi instituído pelo Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí  sob a deliberação N° 13.

Há indícios que Rohkohl trabalhou em projetos para contenção de enchentes no Vale do Itajaí, citado no trabalho de Patrick Laigneau, no trabalho de sua autoria desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - "Vamos lutar da forma que nós sabemos". 

Em 1991 surgiu a oportunidade de aprofundar essas reflexões, quando Beate foi para Florianópolis fazer um doutorado em Engenharia da Produção sobre o tema do gerenciamento ambiental da bacia do rio Itajaí, com ênfase no problema das enchentes. Na parte histórica de sua pesquisa, descobriu as propostas de organização institucional para a prevenção das enchentes formalizadas pelo engenheiro Otto Rohkohl, em 1929, que, em grande parte, coincidiam com suas próprias idéias. Patrick  Laigneau



Otto Rohkohl e as Minas de Prata
Otto Rohkohl - durante a visita do Rei da Saxônia a Blumenau
Sociedade contemporânea de Otto Rohkohl



Um registro para a História.
Sob Revisão...

Sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
@AngelWittmann (Twiter)



Chegou o livro “Fragmentos Históricos – Colônia Blumenau” – Primeiro Lançamento em Blumenau - em 9 de março de 2023 - Fundação Cultural de Blumenau / MAB

Agradecemos e a todos que nos inspiraram e incentivaram para esta publicação. Colocaremos nas Bibliotecas das Escolas Municipais e nas principais bibliotecas de Blumenau.