terça-feira, 23 de junho de 2026

Oktoberfest Blumenau - 40 Anos - Palco de um despertar cultural - Em alemão - Tradução de Reinhold Klotz (ex-músico da Götz Buam) - Disponível on-line

Lançamento do livro no 25.
Há praticamente um ano, apresentamos o livro "Oktoberfest Blumenau - 40 Anos - Palco de um despertar cultural" à comunidade — exatamente no dia 25 de julho, no salão do C.C. 25 de Julho de Blumenau. A intenção foi homenagear e, simultaneamente, lembrar alguns dos nomes que fizeram parte de um resgate da prática cultural regional, silenciada em um período da história regional, período do Nacionalismo. Nosso objetivo fica evidenciado em nosso discurso nesta noite festiva, o qual disponibilizamos na sequência.

Nosso discurso - no lançamento do livro
Semana da Imigração Alemã comemorada em toda a região Sul do Brasil sob várias maneiras, denominações e formas. Alguns até mesmo comemoram a data e desconhecendo seu real sentido e significado. 
Um período, onde está a data 25 de julho, para lembrar o pioneirismo de famílias que atravessaram o mar, sem muitas perspectivas e muitas vezes, acreditando, de maneira inocente, em propagandas, para ocupar lacunas, para garantir a segurança, construir cidades, colher café no lugar de uma etnia escravizada pelos primeiros imigrantes do Brasil...
Aqui estamos, participando desta programação de Homenagens, na cidade de Blumenau, e tendo o privilégio de poder doar este trabalho feito dentro de uma grande equipe, em um tempo quase contemporâneo de uma história que teve início, sob o aspecto cultural, na metade do século XIX. 
As cidades do Vale do Itajaí possuíam um perfil cultural, a partir do teatro, da literatura, da dança, dá música, da gastronomia, da língua, pois pessoas chegaram aqui e fundaram cidades, construíram escolas, igrejas, sociedades diversas, desde tiro, bolão, filatelia, bocha, Skat, canastra, de canto, de teatro....etc...etc...Isso aconteceu, praticamente, abrangendo 3 gerações, até que, estas práticas culturais foram denominadas contraventoras e justificativa para serem hostilizadas, mesmo que praticadas por brasileiros.
O lazer foi tirado, a língua e a cultura, proibidas e o Bullying oficial, de uso natural e permitido. Normal.  Jovens, com o sotaque ancestral, tiveram medo de falar a língua dos pais e de ler os livros de seus avós. Cantar? Como?
Temeram se mostrar e engoliram a herança cultural e suas práticas, não mais praticaram.
No início da década de 1980, o prefeito Dalto dos Reis convidou Antônio Pedro Nunes para coordenar e organizar o resgate da tradicional festa, nos moldes das antigas festas do chope. Grupos de representantes da sociedade blumenauense se mobilizavam para isso. Reuniam-se com frequência, junto com imigrantes alemães contemporâneos para a época.   Ao contrário do que muitos imaginam, a cultura é atemporal e não é algo velho, dos antigos. Na Alemanha existe sociedades de vários tipos, como aqui, em outros tempos, até a atualidade. É algo inerente e cultural e representa organização, parte do perfil desta cultura. Nada tem a ver com o ditado que ouvimos por aqui, que há tantas sociedades na região, porque “alemão é teimoso”.  Ahhh...so...!!!!
Há quem diga que parte do sucesso da Oktoberfest Blumenau, desde a primeira edição, é porque o seu primeiro coordenador, o Secretário de Turismo de Blumenau de 1984, Antônio Pedro Nunes não era, um descendente de família pioneira e portanto, não corria risco de gerar o mal existente no período do Nacionalismo  e do Bullying que estes sofriam, por longo período. Ou ainda, de ser tachado como N...ista, pelo simples fato de tentar resgatar um patrimônio cultural deliberadamente erradicado. Nós também percebemos, que pautado na história, podemos resgatar algumas questões que muitos descendentes não podem fazê-lo, sem serem mal interpretados.
A cidade de Blumenau, sob a coordenação de Pedro Antônio Nunes, organizou a primeira edição da Oktoberfest, ainda em 1983. O fez a partir da equipe formada pelos representantes de várias entidades, sociedades, famílias, indústria e comércio...Esta organização foi feita sob a coordenação de um profissional do turismo, junta de sua esposa Marga, proprietários da primeira agência de turismo do estado de Santa Catarina, a agência de Turismo Holzmann, que organizava excursões para os locais da Alemanha onde estas festas aconteciam todos os finais de semana, no período entre de maio e outubro, principalmente, em todo estado da Baviera. Antônio Pedro Nunes tinha conhecimento, como também os filhos de filhos de imigrantes, que nunca cortaram laços com suas famílias que permaneceram na Alemanha como é o caso da família Rossmack, que conta com seus representantes aqui nesta noite e muitos, durante muitos anos contribuíram para a Oktoberfest Blumenau e tinham sede cultural nesta casa. Conhecemos Dona Renate Rossmarck, aqui, com Secretária de Diretoria, cujo cargo ocupou em pelo menos 6 gestões. Testemunhamos de como amava organizar um evento cultural no C.C. 25 de Julho de Blumenau. 
Desde a primeira edição, até o ano de 2025 a organização da Oktoberfest Blumenau nunca cortou o intercâmbio cultural com a Alemanha, e temos a grata satisfação de falar que presenciamos, ao longo destes 40 anos, o resgate de uma cultura, um final feliz a partir deste palco que surgiu imediatamente após uma tragédia natural que irmanou a todos indistintamente em torno das práticas desta cultura a partir da música alemã, da dança folclórica alemã e da gastronomia. Testemunhamos este despertar nas 38 edições posteriores a primeira edição da festa e não poderíamos deixar de efetuar os registros dos atores responsáveis por isso, das práticas e dos elementos que surgiram a partir do grande palco. É claro que este trabalho não está completo, mas é materialização de um desafio de que seja feito um outro melhor ainda e mais completo, como o fizemos inspirado em outros publicados antes deste.
É com grande alegria que o disponibilizamos na semana da imigração alemã, lembrando todo o significado que esta data significa, no ano que acontecerá a 40ª edição da Oktoberfest Blumenau, após termos visitado a primeira banda alemã Haubersbronner Dorfmusikanten, da cidade de Schorndorf, em abril deste ano de 2025 na Alemanha e ter ouvido de seus dirigentes que adorariam tocar novamente no Oktoberfest Blumenau, como também, ouvimos dos dirigentes de outra banda, lá na cidade localizada pertinho da cidade coirmã de Blumenau (Weingarten), Ravensburg, de uma das melhores bandas de sopro dos países de língua alemã, na atualidade, a Die Scherzachtaler, cujo um dos dirigentes e compositor Norbert Gälle, que já esteve na nossa região por três vezes, e em uma delas no Oktoberfest Blumenau, que virão para Blumenau em 2027, tocar na Oktoberfest Blumenau. 
A Oktoberfest Blumenau é viva e viabiliza muito este intercâmbio, valorizando ainda mais as práticas culturais inerentes e presentes na região, que seja na forma embrionário, após um hífen.
Queremos registrar nesse momento importante para nós e todos que comungam da mesma percepção e agradecer, a presença da senhora Marga Holzmann Nunes, esposa de Antônio Pedro Nunes e de toda sua família, (...) de Dieter Giezeler, o Secretário de Turismo de Blumenau que sucedeu a Antônio Pedro Nunes. Também apontamos a presença d o ex-Secretário de Turismo Ricardo Stodieck, incansável e uma pessoa que trabalha silenciosamente. Foi responsável em tomar decisões necessárias e corajosas em um determinado período da história da festa. Nós acompanhamos. Agradecemos muitíssimo suas palavras na contracapa do livro lançado nesta noite. 
Também presentes o querido Coro Masculino Liederkranz, no qual possuímos muitos amigos e também o Schatzim. Destacamos o trabalho de seu Maestro José Carlos Oechsler e de Hans Jurgen Jopp, que chegou à região como muitos outros músicos alemães, com bandas para tocar aonde?
– O Coro Liederkranz e banda brilham na Oktoberfest Blumenau, quando dão vida ao sucesso conhecido como “Show dos Velhos Camaradas”. Obrigada por estarem presentes em nossa casa.  
Gratidão à Realeza da Oktoberfest Blumenau – a Rainha Gabrielle Cristine Kratz, 1ª Princesa Giane Prochnow e 2ª Princesa Gabriela Schöler. Também presentes a família Chopão formada pelo Luiz Cé (o criador – desde a primeira edição), Valdete Oliveira, e seu filho Rafael de Oliveira Cé que ao longo das 39 edições da Oktoberfest Blumenau, fez surgir uma sólida amizade. São tantos...
Agradecemos ao Presidente do C.C. 25 de Julho de Blumenau, Clay Schulze e sua diretoria por nos acompanhar nesse momento de compartilhamento cultural junto com a apresentação do livro, ao Guilherme Benno Guenther - Presidente da Vila Germânica. 
Não poderia de deixar de agradecer a Banda Cruzeiro, que nesse ano completa 85 anos de História, na pessoa de Jonas Carl , neto de seu fundador, e aos músicos aqui presentes, pela cultura e pela amizade que igualmente, surgiu nos momentos da Oktoberfest Blumenau. Pesquisamos e escrevemos sobre sua história, como também, desfilamos com a banda em um dos desfiles oficiais da Oktoberfest Blumenau. Vielen Danke.
Muito obrigada a Salete, Madalena Parise, Elô e Nice. Especialmente, nosso agradecimento ao Roberto e Jorge Wittmann, nosso filho amado e responsável pela arte das capas de nossos livros. Obrigada minha irmã, cunhado e minha mãe. Obrigada a nossa família.
Obrigada a todos. A equipe é generosa e boa.
Maestro austríaco Siegfried Hipfl. 
Muitos dos nomes citados são da Alemanha e participaram, de maneira direta, de nossa pesquisa de mais de 15 anos sobre a Oktoberfest Blumenau. Muitos receberam este livro, após seu lançamento, que está em português. Poderão, portanto, ver as suas mais de 650 imagens, que por si só comunicam. Sim, há muitos exemplares do livro na Alemanha, onde surgiu a primeira Oktoberfest e que inspirou tantas outras em todo o planeta.
Não esperávamos nós que uma destas pessoas — que registrou muitas fotografias quando esteve em Blumenau na década de 1980 — tivesse o tempo, a sensibilidade e a disposição de fazer parte desta equipe, voluntariamente, e traduzisse todo o livro para o idioma alemão.
Falamos do músico Reinhold Klotz, integrante da primeira composição da tradicional e histórica banda Götz Buam, do maestro Ziggi.
Reinhold Klotz em Blumenau com a Götz Buam - década de 1980.
No momento que chegamos no encontro.
Para registrar novamente, encontramos Herr Klotz em 28 de abril de 2025, na Floresta Negra (Schwarzwald), Alemanha, para lhe agradecer o envio de materiais para compor este livro e lhe entregar um caneco de cristal oficial da Oktoberfest Blumenau, gentilmente enviado por Guilherme Benno Guenther. Solenemente, o fizemos no momento de nossa despedida, no estacionamento de um café à beira da estrada, no coração da Schwarzwald. 


Com  Reinhold Klotz e sua esposa, na Shwartzwald - Alemanha em 28 de abril de 2025.

Fomos à Alemanha colher imagens atuais de alguns personagens que fizeram parte desta história de 40 anos e, ao retornarmos para o Brasil, terminamos o livro, que tinha data para ser lançado: 25 de julho de 2025 — dia no qual se comemora a vinda do primeiro grupo de imigrantes alemães para o Brasil e que dá nome ao centro cultural, em muitas cidades, onde se pratica a herança cultural destas pessoas e seus descendentes, mesmo com o hífen do nacionalismo.
Quase um ano após aquela data do lançamento do livro "Oktoberfest Blumenau - 40 Anos - Palco de um despertar cultural", em 23 de junho de 2026, recebemos todo o livro traduzido para o idioma alemão, com a preservação de sua forma — tornando-se quase um livro digital no idioma, para que ele possa ser lido igualmente pelas pessoas que participaram e vivem na Alemanha.
Como não poderia ser diferente, disponibilizamos aqui neste espaço para a pesquisa, o livro para sua leitura, em alemão.

Poderia ser publicado na Alemanha?

A quem interessar contribuir, tal como Herr Klotz, para que se possa publicar este livro igualmente em alemão, fica o convite. Esta edição em alemão poderia ser publicada no Brasil e, até mesmo, na Alemanha — o país dos muitos imigrantes que, juntos com seus descendentes, fundaram uma rede de cidades na região do Vale do Itajaí.
Reinhold Klotz com outros integrantes da banda Götz Buam  na frente do Hotel. Acervo Klotz.

Recordando...

Herr Klotz, quando viajava com a banda alemã Götz Buam, do maestro Ziggi, para a Oktoberfest Blumenau, era o responsável por registrar as excursões — tarefa que fazia com grande apreço por meio de suas fotografias. Ele realizou registros importantes que compartilhou conosco e que podem ser encontrados no livro "Oktoberfest Blumenau - 40 Anos - Palco de um despertar cultural". 
Na tradução, ele grifou em vermelho sua contribuição.
 Desfile na Rua XV de Novembro. Acervo Klotz.
Aqui apresentamos o livro "Oktoberfest Blumenau - 40 Anos - Palco de um despertar cultural", traduzido pelo músico Reinhold Klotz (integrante da primeira formação da Götz Buam que esteve na Oktoberfest Blumenau), entregue a nós em 23 de junho de 2026, via virtual.
O livro é um compilado de fatos históricos que mostram as movimentações da sociedade de Blumenau para efetuar o resgate de um projeto que já existia e foi materializado pela decisão corajosa de um homem, o Secretário de Turismo, na gestão do prefeito Dalto dos Reis, Antônio Pedro Nunes
Ele não somente materializou uma festa de maneira original e com lastro, como também disponibilizou um palco do despertar cultural — não somente de Blumenau, mas de toda uma região e também de outras regiões do Brasil que passaram pelo bullying do nacionalismo e se sentiram motivadas a resgatar a cultura de seus pais e avós através da música, da dança, da arquitetura e da gastronomia — afinal, uma cidade possui sabor, melodia, paisagem, práticas...

Para acessar o livro, basta clicar no link:
Vielen Dank, Herr Klotz!

Vídeo - Lançamento do livro em Blumenau - 25 de julho de 2025 no C.C. 25 de Julho de Blumenau

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Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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