domingo, 7 de junho de 2026

Blumenau e sua Imprensa - Com destaque para os principais nomes (início do século XX) - Por José Ferreira da Silva

Relendo nossas fontes primárias, encontramos este texto espetacular sobre a imprensa de Blumenau no início do século XX, de autoria de José Ferreira da Silva (1897–1973), um jornalista, historiador, escritor, político e aquele que fundou a Revista Blumenau em Cadernos, com isto um dos guardiões da história e da cultura da cidade, embora não reconhecido como deveria pela história oficial.
O artigo, não assinado em seu corpo, mas evidenciada a autoria no conteúdo, foi publicado na Revista Blumenau em Cadernos de março de 1970, Tomo XI, N° 3.
O primeiro Jornal listado foi o jornal "Brazil"

Foi um jornal que tinha o lado político daqueles que efetuaram o Golpe da Proclamação da República e, é claro, tinha uma posição contra as lideranças vigentes de Blumenau, que amavam o Imperador D. Pedro II. Com isto, o jornal foi perseguido pela elite vigente. O jornal apoiava Hercílio Pedro da Luz, que residia em Blumenau e depois foi o governador republicano que tomou o poder à força.
Em síntese, com isto, o jornal "Brazil" (frequentemente referido como "Brasil") foi um periódico de linha editorial republicana que circulou no início do século XX na cidade de Blumenau, em Santa Catarina.
Atuou como um veículo de oposição e de difusão e fortalecimento das ideias republicanas em uma época em que a região não aceitava o golpe da Proclamação da República e tentava se adaptar aos novos tempos políticos dos golpistas residentes no Rio de Janeiro, no final do século XIX.
A sua fundação e circulação ocorreram em um período com fortes transformações sociais, culturais e econômicas no Brasil e na região.
XXVI
"Brazil"  

Os representantes blumenauenses da política chefiada, no Estado, pelo governador Hercílio Luz, haviam movimentado as suas forças no sentido de acabar com a publicação do "O Nacional". Este jornal, como já vimos, pelo seu extremado nativismo, pelos constantes ataques a personalidades de destaque na vida municipal, pela simples circunstância de serem alemães, ou descendentes destes, havia provocado naturais e fortes e reações de parte da população. Blumenau era, então, o maior eleitorado do Estado, uma força política respeitável que a situação procurava cortejar. 
Forçado por pressões de toda sorte, o "O Nacional" teve que ceder. Foi, entretanto, um desaparecimento apenas para salvar as aparências.
Pouco mais ele um mês depois, surgiu, em seu lugar, o "Brazil", impresso nas mesmas oficinas e praticamente com a mesma direção. A orientação, sim, é que apareceu mudada. 
Também hebdomadário, o "Brazil" apareceu a 7 de junho de 1919. Redação e 0ficinas ficavam à rua Goiás, hoje Amadeu da Luz. Assinaturas: Interior, 6$000; exterior, 7$000. Diretor proprietário Alfredo da Luz. Diretor-redator, Edgar Barreto. Toda a correspondência deveria ser dirigida ao Diretor-gerente Ildefonso Teixeira. Formato 28 x 37 cm., com 4 páginas. 
O artigo de apresentação, na primeira coluna da primeira página, vem assinado pelo diretor-proprietário Este, em aviso, comunica que "Aos assinantes do "O Nacional", que pagaram as suas assinaturas, será distribuído o "Brazil" até completá-las".
Em vários números, Edgar Barreto publica eruditos artigos sobre filologia e linguística, criticando compêndios de gramática portuguesa, apontando neles erros e impropriedades. Barreto já se revelava, então, o grande filólogo que se firmou, no Estado, como um dos catarinenses de maior conhecimento da gramática portuguesa.
Já com os números 4 e seguintes, "Brazil" começa a atacar o Superintendente Paulo Zimmermann e o Coronel Pedro Cristiano Feddersen, que contrariavam a pretensão de Alfredo Luz e Ernesto Mendel que pleiteavam a concessão do Serviço de Aguas e Esgotos e a construção de bondes elétricos na cidade. Esse assunto apaixonou a população por várias semanas, tendo nele se envolvido os dois outros jornais locais, o  "Urwaldsbote" e o "Blumenauer-Zeitung". 
Tendo, em agosto, seguido para o distrito de Encruzilhada, para trabalhar como auxiliar da Comissão de Engenheiros chefiada pelo Dr. Oscar Sá, o Sr. Ildefonso Teixeira deixou, em fins de julho, de 1919 a gerência do jornal. Igualmente, a 31 de agosto, Edgar Barreto seguiu para São Paulo, onde foi concluir o seu curso jurídico, pois era quartanista da Faculdade ele Direito daquela capital, sendo substituído por Francisco Margarida na redação do "Brazil". 
Até aí, o jornal se mantivera numa atitude elevada, observando de um ponto de vista superior e equânime, o problema étnico de Blumenau. Daí por diante, entretanto, a orientação do jornal mais nativista, não perdendo oportunidade de criticar os alemães aqui residentes, os seus usos e costumes.
Em fevereiro de 1920, assume as funções de diretor-secretário o Dr. Luiz de Freitas Melro, continuando Alfredo da Luz como diretor-proprietário e Francisco Margarida como diretor-redator.
O advogado provisionado, Antônio Gomes Winter, que havia pouco se estabelecera em Blumenau, passa, por essa época a colaborar ativamente no jornal. assinando artigos patrióticos e biografias dos principais vultos da nossa história. 
Com o número 45, de 9 de maio de 1920. Francisco Margarida deixa de figurar no cabeçalho do jornal, como seu diretor-redator. Continuam Alfredo da Luz e Freitas Melro, como diretor-proprietário e diretor-secretário, respectivamente. 
Na questão da greve, ocorrida a 20 de junho de 1920, na Emprêsa Industrial Garcia, encabeçada pelos anarquistas Fritz Koch e Georg Sterneck, depois expulsos do território nacional, "Brazil" atira-se, desassombradamente, à luta contra o "Blumenauer.Zeitung" e o Coletor Federal Luiz Weneck Teixeira de Castro, que procuravam justificar o movimento. A polêmica foi violenta, baixando a termos pouco condizentes com a ética jornalística, a ataques e ofensas pessoais, de parte a parte.
Com o n°. 89, de 12 de abril de 1921, deixa o cargo de diretor-secretário o Dr. Freitas Melro. Passa o jornal a ser dirigido por Gomes Winter que figura no cabeçalho como gerente. Alfredo da Luz continua como proprietário.
Parece que a luta travada com o "Blumenauer-Zeitung" e a orientação acentuadamente nativista desgastaram o entusiasmo com que o "Brazil" vinha lutando. A parte editorial passa a tratar de assuntos de somenos interesse local para cuidar mais de assuntos gerais, perdendo muito da agressividade e da vivacidade primitivas.
Com o n°. 131 do Ano III, de 26 de fevereiro de 1922, o "Brasil" cessou a sua publicação.
Esse jornal foi, incontestavelmente, resultado de um esforço patriótico em prol do progresso da comunidade. Militando num meio que dispunha de regular cultura, com dois periódicos muito acreditados e de grande tiragem, redigidos no idioma alemão, que era o da maioria da população blumenauense, não foi sem sérias e quase que intransponíveis dificuldades que ele conseguiu abrir caminho que lhe possibilitasse a publicação pelo pouco mais de dois anos que tantos foram a sua existência. Teve os seus dias áureos e os seus dias sombrios. Mas não resta dúvidas de que se mostrou sempre um paladino que foi vencido mais pelo desinteresse dos seus editores e redatores do que pela alegada agressividade do meio. 
Tendo adoecido gravemente o seu proprietário, Dr. Alfredo da Luz, pouco depois internado numa Casa de Saúde, no Rio de Janeiro, onde veio a falecer, os que se propuseram a continuar-lhe a obra não contaram com os mesmos recursos financeiros, nem com os mesmos motivos políticos que lhe presidiram à criação e, deixando-o entregue à redação de um elemento estranho, quase, à sociedade à cuja causa deveria servir, o "Brazil" estava mesmo fadado a uma vida limitada. Mas, não se pode deixar de reconhecer que essa folha foi um representante da imprensa brasileira em Blumenau e, como tal, soube manter, de um modo geral, a linha e a compostura recomendáveis. Abstraindo alguns excessos de linguagem, devidos ao calor com que defendeu os seus pontos de vista, o "Brazil" manteve uma conduta serena, louvável. Defendeu sempre com calor a política de Hercílio Luz.
O Arquivo Histórico possui parte da coleção desse jornal. Também a Biblioteca Pública do Estado possui a coleção quase completa. Revista  Blumenau em Cadernos, março de 1970 - Tomo XI.
Alfredo da Luz (1888–1944) - Primeiro Diretor-Proprietário

Alfredo Filipe da Luz (1888–1944) foi filho de Hercílio Pedro da Luz (1860–1924) e de Etelvina Cezarina Ferreira da Luz (1870–1914). Seu pai, como Alfredo, residiu em Blumenau e foi o principal representante local dos Republicanos. É interessante que o jornal que possuía, "Brazil", estava localizado na atual rua Amadeu da Luz, nome de seu irmão Amadeu Felipe da Luz (1892–1934). Alfredo, como seu pai e a maioria de seus 13 irmãos, também nasceu em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina.
Era um advogado e, como seu pai, também foi político. Atuou como deputado estadual (1919–1921). No início do século XX, em plena juventude, foi o proprietário do jornal "Brazil", no qual ousava criticar os nomes do pioneirismo que fundou Blumenau, pertencentes à comunidade luterana (ele era católico), como, por exemplo, o Coronel Feddersen e Paulo Zimmermann. De certa maneira, somava forças aos republicanos regionais, onde seu pai e família atuavam.
Faleceu no Rio de Janeiro, capital do Brasil, em 1944, com 56 anos.

Ildefonso Teixeira Ramos (1881 -  - )  Diretor-Gerente

Reflexo dos novos tempos políticos em Blumenau e região após o golpe. Migração de muitos políticos das regiões dos personagens que aplicaram o golpe da Proclamação da República no Brasil. Ildefonso Teixeira Ramos, ou somente Ildefonso Teixeira, nasceu em Mamanguape, Paraíba. Ildefonso era filho de Bernardino Teixeira Gonçalves Ramos (———1905) e de Josefina Alves da Silva (1854–1935). Ainda na Paraíba, na cidade de João Pessoa, se casou com Julieta de Almeida Melo (1886–1970) em 26 de maio de 1905. 
Após 10 anos, já residindo em Blumenau, se casou em Luiz Alves com a jovem Emma Küster, de 19 anos, em 19 de agosto de 1915, 10 anos após seu casamento com a paraibana Julieta, sendo que esta ainda estava viva no momento do segundo casamento, pois faleceu somente em 1970. Ildefonso contava com 34 anos no seu casamento com Emma
Lembramos que na época, no início do século XX, as leis vigentes não permitiam a dissolução definitiva do vínculo matrimonial. A separação legal só se tornou possível com a instituição do desquite no Código Civil de 1916, um ano após o casamento com Emma Küster — que afastava os cônjuges, mas não permitia novo casamento —, enquanto o divórcio oficial só foi aprovado no Brasil em 1977. Temos aí, portanto, uma bigamia e, com isso, uma prática considerada crime desde o Código Penal de 1890 (e mantida no Código Penal de 1940, no artigo 235).
Registro de casamento de Ildefonso Teixeira Ramos (34 anos - casado em Parayba) com Emma Kürter (19 anos), em Luiz Alves.
Registros de sua atuação no cenário de Blumenau, no início do século XX, destacam sua atividade no jornal "Brazil" — lançado em 1919 e sediado na então rua Goiás (atual Amadeu da Luz - nome do irmão do dono jornal). Durante o período de circulação do periódico, ele se envolveu em debates públicos sobre as obras de saneamento e infraestrutura da cidade, chegando a criticar duramente lideranças políticas locais e a pleitear melhorias para o município sem conhecimento ou lastro sobre as realizações destas. Demonstrava ignorar que haviam sido essas mesmas lideranças as responsáveis por desbravar a região e fundar cidades em plena floresta, deixando explícito o caráter essencialmente ideológico e político de suas abordagens.
Apesar dos embates, seu nome figura com frequência nas colunas sociais da época, que registram sua participação em cerimônias oficiais ao lado de prefeitos, cônsules e outras autoridades de Blumenau, como ocorreu expressivamente em 1916.
Não se dispõe de registros sobre sua formação acadêmica tampouco informações detalhadas sobre suas origens familiares na Paraíba. Evidencia-se que ele aportou em Blumenau impulsionado pelas novas correntes políticas, buscando ascensão social a partir do alinhamento com a ideologia republicana emergente, para o desânimo das famílias pioneiras de Blumenau.

Edgar Barreto - Filólogo - publicava no jornal "Brazil"

É curiosa a ligação desta personalidade com o perfil deste jornal (Brazil) dentro da tradicional comunidade blumenauense. Edgar Barreto (1894–1967) foi pai de Aiga Hering, que residia no casarão verde da rua 7 de Setembro, próximo à fonte, e foi quem nos apresentou a Hercílio Deeke dentro de uma de nossas pesquisas.
Vamos procurar compreender isto.
Edgar Barreto nasceu em Tubarão, SC, na localidade de Pedras Grandes, e foi filho de Manoel Barreto (1860–1936) e de Liddy Jeanetta Ernestina Dankwardt (1868–1931). Mudou-se para Blumenau ainda na sua infância e foi um dos primeiros residentes da cidade a cursar Direito na Faculdade do Largo de São Francisco (USP).
Barreto se casou com uma das filhas de Josef Maximilian Deeke (1875–1931), ou José Deeke, e de Emma Maria Rischbieter (1885–1950), filha do cervejeiro de Itoupava Seca, que residia no local onde atualmente está localizado o Norden Bar.



Local da casa paterna de Emma Deeke, onde atualmente está o Norden Bar, Blumenau.
Edgar Barreto (1894–1967) e Christine Elise Deeke (1905–1985) se casaram em 3 de maio de 1930, em Blumenau, e eles foram os pais de sua única filha, Aiga Deeke Barreto (1931–2016), que se casou com Roland Herbert Müller Hering (1918–2003).
Edgar foi o orador oficial na cerimônia de bênção e inauguração dos sinos da Igreja Matriz São Paulo Apóstolo, em 1930. Também contribuiu com textos autorais para o periódico Revista Blumenau em Cadernos, onde, entre outras coisas, publicou cartas e memórias sobre a história local e regional.
Foi homenageado com a colocação de seu nome em uma das ruas do bairro da Velha Central — a conhecida rua Dr. Edgar Barreto.

Francisco Margarida (1863 - 1937): Diretor - Redator de fevereiro até maio de 1920 

Francisco Antônio de Oliveira Margarida (1863–1937) nasceu em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, em 21 de fevereiro de 1863 — filho de Alexandre Francisco de Oliveira Margarida (1839–1916) e de Maurícia Francisca Garcia. Frequentemente era chamado de Major Francisco Margarida ou apenas Francisco Margarida e foi um político abolicionista, jornalista e escrivão na Província de Santa Catarina, com atividade predominante em Blumenau, que na época abrangia quase todo o território do Vale do Itajaí.
Destacou-se por seu posicionamento pelo fim da escravidão em Santa Catarina. Ajudou a lançar o primeiro jornal abolicionista do estado e promoveu diversas ações para arrecadar fundos e comprar cartas de alforria.
Sua atividade em Blumenau, onde residiu por muitos anos, era a de escrivão de juiz de paz, e exerceu também atividades políticas e sociais. Também esteve envolvido na fundação de instituições locais, como o primeiro clube carnavalesco da região, os “Filhos do Inferno” (fundado em 1897), e chegou a ser um dos fundadores do Posto Náutico da cidade.
Marcou seu currículo, igualmente, sua atividade como jornalista, quando por poucos meses foi o redator e diretor de publicações do jornal "Brazil" (4 meses).
Escreveu artigos com o pseudônimo de Marryat, nome que reporta ao Capitão Frederick Marryat (1792 - 1848), escritor inglês, oficial da Royal Navy, e um contemporâneo e conhecido de Charles Dickens.
Margarida foi deputado estadual, quando cumpriu 4 mandatos entre 1898 e 1912.
Faleceu em Joinville em 1937.

Freitas Melro (1883 - 1969) - (novo)Diretor-proprietário e diretor-secretário

Luiz de Freitas Melro (1893–1969) nasceu em 30 de janeiro de 1893 em Gararu, Sergipe. Foi filho de Joaquim de Freitas Melro (1863–1945) e de Maria do Valimento Mello (——1950). Em 3 de fevereiro se casou com a blumenauense Elza Schnaider (1903–1992), bisneta de Pedro Wagner. Melro, além de delegado de polícia em Blumenau, também exerceu as profissões de advocacia e jornalismo. Também trabalhou como diretor jurídico de uma empresa da cidade.
Uma rua do bairro Jardim Blumenau recebeu seu nome.
Seu filho mais velho, Wilson de Freitas Melro (1924–2014), foi um dos fundadores da TV Coligadas em 1969 (atual NSC TV Blumenau).

Fritz Koch e Georg Sterneck- Sindicalistas e Anarquistas

Fritz Koch, operário e líder sindical alemão, radicado em Blumenau, se destacou na história por liderar uma histórica greve de trabalhadores têxteis em 1920, na Empresa Industrial Garcia. Por conta de seu ativismo, ele e também, Georg Sterneck foram deportados do Brasil sob a acusação de subversão.
Eles trabalhavam na Empresa Industrial Garcia e, em 1920, ajudou a organizar os operários para reivindicar melhores condições de trabalho, salários e a redução de demissões injustificadas na fábrica. Na época, a greve paralisou a fábrica por alguns dias. Os empresários e autoridades de Blumenau denominaram Koch e Sterneck como "agitadores sociais" e "comunistas perigosos".
O governo brasileiro interveio a pedido das autoridades locais e decretou a expulsão sumária de ambos do Brasil.
Apesar do ocorrido, o movimento grevista que ele ajudou a conduzir resultou em conquistas sociais para os trabalhadores da indústria.

Antônio Winter - Novo Diretor
Pai de Alfredo da Luz, idealizador de o "Brazil".
O advogado Antônio Gomes Winter também exerceu a função de jornalista em Blumenau durante o início do século XX. Ele chegou à região por volta de 1920 e teve uma atuação marcante na imprensa local, na política e no meio esportivo.
Além de dirigir o jornal "Brazil", escrevendo biografias de personalidades brasileiras e artigos sobre temas nacionais e "republicanos", atuava na área do esporte. Winter deixava explícito que o jornal fazia oposição à cultura predominante dos pioneiros, fundadores de todas as cidades da região.
No esporte, exerceu o cargo de orador oficial do Club Foot-Ball Blumenauense, pioneiro do futebol na cidade. Durante as comemorações de aniversário do clube em 1921, Winter foi responsável por discursar e integrar a sociedade blumenauense e do Vale do Itajaí.
Também atuou como articulista e organizador da Liga Atlética do Vale do Itajaí (LAVI) em 1921. Foi ele quem sugeriu a nomeação de Hercílio Pedro da Luz (então candidato ao governo estadual) como presidente emérito do Club Foot-Ball Blumenauense, em 1922.
Blumenau passou por isso e ainda nem tinha chegado o período do nacionalismo. Isso nos faz compreender por que há nuvens de ausência cultural na região.

Na sequência - a matéria apresenta o jornal "Kiriri"

Montanhas da Serra do Quiriri - Campos do Quiriri - região
de Joinville.
O "Jornal Kiriri" (frequentemente grafado na época como Quiriry ou Quiriri) circulou em Blumenau no início do século XX. O jornal possuía um perfil humorístico e político marcante, publicando crônicas e, a exemplo do "Brazil", críticas à sociedade da época. Embora os registros históricos da Hemeroteca Digital Brasileira apontem sua circulação e publicações por volta do ano de 1920, não era o jornal principal ou oficial da cidade de Blumenau.
A imprensa local de Blumenau era ocupada por jornais de língua alemã ou de colônias de imigrantes, como o Der Urwaldsbote (um dos mais influentes informativos locais da época) e o Blumenauer Zeitung (pioneiro da imprensa em Blumenau).
O nome Kiriri utilizado pelo jornal do início do século faz uma alusão direta à geografia local (a imponente cadeia de montanhas da Serra do Quiriri, situada mais ao norte do estado), carregando o significado tupi de "Silêncio Noturno".
Curioso é que José Ferreira da Silva se deu ao trabalho de apontar o jornal "Kiriri", fazendo críticas e esclarecendo que teve somente um número. Qual é o mérito, então?
XX V I I
"Kiriri"

Com este título apareceu, no sábado de Carnaval (14 de fevereiro) de 1920, um jornalzinho de 4 páginas, redigido em português e alemão.
Formato 28 x 38 cm. Trazia no cabeçalho, além do título entre vinhetas, as indicações de: "Diretor-chefe João Firamfolho" e "Redação de Scharfe Ecke n°7, Blumenau".
Como folha carnavalesca deixou muito a desejar. 
Pouca graça,  com piadas e poesias mal feitas, como esta que descrevemos como amostra:

"Olhando sempre pro chão
No meu passo vagaroso
Tropeço às vezes em vão
 Pensando no bem ditoso

Ó que graça, que delícia
Naquele olhar piedoso!
Que palidez tão sublime
No seu rosto tão sedoso."

Não podia haver coisa de pior gosto. A maior parte do jornalzinho era feita em língua alemã, mas tanto nesta, como na parte portuguesa, nada tem digno de registro. Foi impresso nas oficinas do "Brazil".
Publicou-se (ainda bem!) um único número. O Arquivo Histórico possui um exemplar dessa edição. 
Bairro de Ponta aguda - curva acentuada do Rio Itajaí-Açu.
Não encontramos fontes que mencionassem as pessoas responsáveis citadas, "Diretor-chefe João Firamfolho" e "Redação de Scharfe Ecke". É sabido somente que a expressão Scharfe Ecke não seria um nome de pessoa, mas uma expressão do idioma alemão ("esquina afiada"). Em Blumenau e região, o termo tornou-se um apelido histórico e cultural para se referir à região do atual bairro Ponta Aguda, em uma curva acentuada do Rio Itajaí-Açu.
Os pioneiros alemães costumavam nomear áreas geográficas, morros e acidentes geográficos de acordo com suas características físicas ou por apelidos bem-humorados.
Ponta aguda - Prainha.
Na sequência - o jornal "Die Schnauze"

O "Die Schnauze" (traduzido livremente como "O Focinho" ou "O Boca Grande") era um jornal satírico de Blumenau. O periódico trazia textos em alemão com críticas bem-humoradas à administração municipal e caricaturas de figuras conhecidas da cidade. Sua primeira edição circulou em 28 de fevereiro de 1920, criada originalmente para celebrar o primeiro aniversário da Musikverein Lyra (Sociedade Musical Lyra). Diferente dos jornais informativos tradicionais, o periódico apostava no humor, em sátiras e em crônicas do cotidiano blumenauense da época.
A publicação manteve sua tradição de circular anualmente até fevereiro de 1936, quando foi extinta.
Era um reflexo da forte e ativa presença das associações recreativas, musicais e culturais (Verein) formadas pela comunidade dos pioneiros a partir da cultura alemã.
XXVIII 
"Die Schnauze" 

Este foi, sem dúvida, o mais interessante, o de vida mais longa e o mais temido jornal carnavalesco publicado em Blumenau. Redigido inteiramente em idioma alemão. Seu principal redator foi o chefe das oficinas do jornal "Der Urwaldsbote", também jornalista e poeta, Feodor Axtelm que, além de trabalhos esparsos, deixou um livro de poesias em que retrata homens e coisas da vida blumenauense das primeiras décadas deste século.
"Die Schnauze" apareceu, em seu primeiro número, a 28 de fevereiro de 1920, comemorando o primeiro aniversário de fundação da Sociedade Musical "Lyra" ("Musikverein Lyra"), com sede no Teatro Frohsinn. 
"Schnauze", em tradução literal, significa "focinho", mas é também "boca" em sentido depreciativo, vulgar, No caso, deveria ser traduzido por "O Bôca Grande".
Sua publicação anual, era feita por ocasião dos festejos carnavalescos. Formato 23,5 x 32,5 cm., com 4 ou 6 páginas. Muito bem escrito e bem impresso, o seu aparecimento era sempre ansiosamente esperado. Suas críticas, feitas com muita graça, eram ferinas e, por isso mesmo temidas. Criticava, inclusive, com muito bom humor, a própria administração municipal e as autoridades constituídas, como por exemplo, neste tópico: 
"Estatística. No Município de Blumenau são fabricados, anualmente, 1.485.923 tijolos. Sobre a cabeça de cada um dos seus habitantes caem exatamente, 23 e meio tijolos por ano" .
Os pequenos e grandes industriais não escapavam às verrumadas do jornalzinho: 
"Pronunciamentos de homens célebres: "Se eu soubesse, disse o imperador romano Nero, ao seu chofer. que os automóveis ainda não tinham sido inventados, eu não teria te contratado". "Se eu soubesse, disse Colombo ao seu rei, que se podia chegar, comodamente,  à América em seis dias de viagem de vapor, eu não teria passado tanto trabalho num barco a vela. "Se eu soubesse, disse um fabricante de cerveja aos seus amigos em redor de urna cervejada, que aqui em Blumenau se bebia uma porcaria como esta, eu teria vindo para cá já há dez anos a trás... " 
Charadas, trocadilhos, enigmas em prosa e verso, sempre mexendo com alguém. ou comentando algum acontecimento social de maior importância, eram feitos com certa dose de maldade, mas sempre sem descer a ataques diretos ou pessoais. Caricaturas ilustravam quase todas as páginas das diversas edições, algumas sarcásticas, outras irônicas, davam ao jornal um aspecto material agradável, tanto quanto a sua parte literária. 
Por mais de uma vez, entretanto, pessoas atingidas por alguma crítica, sentiram-se ofendidas e houve até intervenções policiais e processos judiciais em consequência de matéria publicada em "Die Schnauze". Foi um jornalzinho que marcou época e que realmente soube ser um órgão carnavalesco em alto estilo, que conquistou fama, sendo ansiosamente aguardado e lido.
Impresso nas oficinas do "Der Urwaldsbote", foi publicado, ininterruptamente, em todos os carnavais de 17 anos seguidos. Desapareceu com o número 17, de fevereiro de 1936. O Arquivo histórico possui toda a coleção desse interessante órgão carnavalesco. 

Teatro Frohsinn, sede da Sociedade Musical "Lyra" ("Musikverein Lyra"). Centro Histórico de Blumenau - Stadtplatz.

Feodor Axthelm (1884 - 1969) - Redator

O nome verdadeiro é Theodor Axthelm, e registrado na história local como Feodor Axthelm. Foi um industrial, acionista e figura ativa na vida cultural e social da região de Blumenau do século XIX e início do século XX. Teve forte atuação na imprensa local e no comércio, como aconteceu neste jornal. O livro sobre a memória da Associação Empresarial de Blumenau (ACIB) publicou um momento engraçado que o envolvia: em outubro de 1939, quando o governo brasileiro nacionalizou a imprensa e decretou a suspensão forçada de jornais em língua alemã devido à Campanha de Nacionalização, Axthelm, que era o chefe de impressão do jornal Der Urwaldsbote, reagiu com uma célebre e irônica observação aos colegas: "— Agora podemos ir, hoje à tarde, caçar gafanhotos...".
Sede da Livraria e Tipografia Blumenauense entre os anos de 1893 e
 1941. Neste local também era editado o jornal “Der Urwaldsbote”
.
Diários oficiais históricos do Arquivo Público do Estado de Santa Catarina apontam sua atuação no meio empresarial da região. Ele é listado formalmente em atas comerciais como industrial, acionista e secretário de empresas tradicionais, a exemplo da antiga Tipografia e Livraria Blumenauense S.A.
Axthelm também participava ativamente dos momentos sociais e culturais de Blumenau. Registros históricos de outubro de 1921 apontam sua presença e colaboração em eventos e concertos promovidos pela tradicional Sociedade Musical "Lyra", que movimentava os salões e teatros de Blumenau, com apresentações artísticas e bailes familiares beneficentes.

Jornal "O Escudo"

Este jornal foi um semanário fundado em 1921 pelo autor deste artigo publicado em Blumenau em Cadernos, José Ferreira da Silva. Ele circulou inicialmente na cidade de Rodeio e, posteriormente, passou a ser distribuído em Blumenau. Teve grande importância para a comunidade de imigrantes italianos e tiroleses da região.
O jornal possuía dimensões de 30 x 46 cm com quatro páginas. A primeira página era escrita em português e as duas internas em italiano. A última página era destinada a publicidades, anúncios e editais. Era direcionado às colônias italianas e tirolesas no Vale do Itajaí.
Ferreira da Silva esteve à frente do jornal em Rodeio até 1924, quando se mudou para a sede de Blumenau e deu sequência a outros projetos jornalísticos.
XXIX 
"O Escudo"

Deve-se a fundação desse jornal ao sr. José Ferreira da Silva, autor, também, destas notas sobre a Imprensa em Blumenau Em 1920, esse jornalista, depois de ter dirigido, por alguns meses, a escola estadual de Arapongas, em Indaial, foi nomeado escrivão de Paz e Tabelião do 7°. distrito do Município de Blumenau, com sede na então vila de Rodeio. Ali, no convento dos Padres Franciscanos, existia ainda uma impressora e grande quantidade de material tipográfico que servira, por muitos anos, à publicação do semanário "L'Amico", de que já tratamos.
Entrando em entendimentos com o Superior do Convento, Padre Policarpo Schuhen, fundador das Irmãs Catequistas, aquele jornalista conseguiu adquirir, para uma Sociedade que fundara com elementos locais. o referido material e iniciar a publicação de um jornal, intitulado "O Escudo" e cujo primeiro número apareceu em 1921. O cabeçalho. com o título, foi feito na calderaria de Hindelmeyer, em Blumenau de letras recortadas em metal amarelo. Era de formato de 30 x 46 cm, com quatro paginas, a primeira delas redigida em português e as duas interiores em italiano. A última era, em geral, destinada à matéria paga: anúncios, editais, etc. O jornal era especialmente destinado às colônias blumenauenses habitadas por elementos de origem italiana e tirolesa, como Rodeio, Ascurra, Rio dos Cedros, etc.
Do cabeçalho constavam, além do título, as seguintes indicações: "Propriedade da Sociedade Rodeiense de Imprensa. Presidente, Sílvio Scoz. Tesoureiro, Marcelo Moser. Redator -Secretário, José Ferreira da Silva. Periódico semanal. Assinaturas: Ano 6$000. Semestre 4$000" .
A princípio foi redator da parte italiana o sr. Giuseppe Zanluca que já militara, por muitos anos, na imprensa como um dos redatores do jornal "L'Amico", antecessor do "O Escudo". Zanluca era dos primitivos imigrantes italianos, chegados a Blumenau em 1875. Homem de alguma cultura, foi, por muitos anos, mestre de primeiras letras. Com a fundação do "L'Amico", prestou grandes serviços a esse semanário auxiliando Frei Lucínio Korte, seu criador, tanto na redação como na própria composição do jornal, pois conhecia também a arte tipográfica. Era homem muito recatado, pouco comunicativo. Algum tempo depois, entrou para a redação da parte italiana o sr. Mário Locatelli que, emigrado da Itália, viera residir em Rodeio, onde constituiu família. integrando-se completamente naquela comunidade a que prestou assinalados serviços.
Locatelli era de um espírito alegre , folgazão, inteligente e culto. Manteve, por muito tempo no jornal uma seção intitulada "Grata e Tass" ("Coça e Cala"), em dialeto trentino, da maioria dos moradores de Rodeio, e que despertava grande interesse e hilariedade tendo dado enorme notoriedade ao periódico. Eram crônicas em que se contavam piadas, anedotas, frases atribuídas a conhecidos moradores das redondezas e se comentavam, de forma alegre e picante, fatos acontecidos na colônia ou na residência de algum dos seus habitantes.
Em 1924, Ferreira da Silva foi transferido para Blumenau, deixando a direção de jornal confiada a Mário Locatelli, tanto na sua parte italiana como na portuguesa.
"O Escudo" deixou de existir em 1928.
A Biblioteca Pública do Estado possui, apenas, os números 21, 29, 36, 38 e 39 a 41 do II Ano. A coleção, incompleta, desse seminário, que existia no Arquivo Municipal, foi destruída pelo incêndio de 1958. 

 José Ferreira da Silva (1897 - 1973) - Fundador e equipe

O professor José Ferreira da Silva (1897 - 1973) dispensa apresentações, mesmo que muito pouco de seus trabalhos seja destacado pela história local. Foi o pilar de todas as instituições e publicações existentes atualmente em Blumenau, até mesmo deste pequeno resumo que estudamos neste momento. 
Ferreira da Silva nasceu em Tijucas - SC em 16 de janeiro de 1897.
Além de professor e político, foi um dos mais importantes intelectuais, historiadores e jornalistas da história de Blumenau. Atuou como prefeito da cidade entre os anos de 1938 e 1941, deixando um legado cultural e estrutural profundo em toda a região. Nesse período, promoveu a criação do Museu Fritz Müller, a instalação da Biblioteca Pública Municipal e iniciou a implementação da rede de água potável em Blumenau. Também foi o idealizador e o fundador da revista cultural Blumenau em Cadernos, em 1957, que tinha como objetivo registrar e traduzir a história local. Na década de 1970, assumiu a direção da Biblioteca Dr. Fritz Müller e a transformou na maior do estado de Santa Catarina, em 1974. Seu nome foi outorgado ao Arquivo Histórico de Blumenau (Arquivo Histórico Professor José Ferreira da Silva).
Algumas de suas obras publicadas:
  • O Padre Jacobs (Nótulas para a história do primeiro vigário de Blumenau), 1928.
  • A colonização do Vale do Itajaí, 1931.
  • Fritz Müller (Biobibliografia de um sábio), 1931.
  • O Doutor Blumenau (Estudo biográfico), 1933.
  • O Catolicismo em Blumenau (conferência), 1939.
  • Anita Garibaldi (libreto de ópera), 1940.
  • Colônias para o Brasil (Sistema e Orientação), 1948.
  • História de Blumenau (separata), 1950.
  • História do Município de Penha, 1959.
  • Blumenau — pequeno guia turístico, 1962.
  • As terras do Itajaí Mirim e Vasconcelos Drummond (separata), 1963.
  • Itajaí, a fundação e o fundador (separata), 1967.
  • Terra Catarinense (almanaque), 1967.
  • Cronografia do Dr. Blumenau, 1967.
  • A bandeira do Brasil, 1967.
  • Otaviano Ramos — biografia de um poeta, 1971.
  • Entre a enxada e o microscópio — episódios da vida de Fritz Müller, 1971.
  • História de Blumenau, 1972.
  • A Imprensa em Blumenau, 1977.

O livro "A História de Blumenau" é uma de nossas referências primárias.

Quase no fim da lista de Ferreira - o jornal "O Gasparense"

Foi o primeiro jornal impresso do município de Gaspar, em Santa Catarina, circulando entre os anos de 1923 e 1936 e fundado pelo jornalista Albano Pereira da Costa, natural de Itajaí. O acervo de O Gasparense encontra-se digitalizado e preservado digitalmente, podendo ser consultado pelos interessados através do site da Hemeroteca Digital Catarinense.
No "O Gasparense" o leitor encontrava pautas sobre economia, política e a vida diária, com propagandas das grandes casas comerciais, questões políticas antes e depois da emancipação política. 
XXX
"O Gasparense"

Em 21 de setembro de apareceu em Gaspar, então segundo distrito do Município de Blumenau, um semanário de propriedade de Albano Pereira da Costa e por este redatoriado. 
Era um jornal de pequeno formato, 23 x 32 cm., de 4 páginas, impresso em oficinas próprias, precariamente montadas.
Lutando com séries dificuldades, num meio ainda acanhado, sem recursos suficentes e para uma população reduzida, a existência do "O Gasparense" durante oito anos só foi possível graças ao idealismo e a força de vontade do seu fundador. 
Albano Pereira da Costa tinha, realmente, verdadeira paixão pelo jornalismo. Seus recursos financeiros eram poucos e, para manter o seu jornal, muitas vezes teve que lançar mão de suas economias particulares, dos minguados rendimentos da pequena tipografia, sacrificando o próprio e o conforto da sua família. Conhecemos Albano Costa e acompanhamos os últimos anos de vida do "O Gasparense". Saía este, então, com bastante irregularidade, deixando, em certos períodos, de aparecer por várias semanas seguidas, devido ora ao acúmulo de serviços de gabinete, ora à falta de papel ou de tinta. Por mais de uma vez, quando redatoriávamos "A Cidade", em Blumenau, tivemos oportunidade de ceder a Albano, por empréstimo, papel e tinta indispensáveis à impressão do seu jornal. E o fazíamos sempre prazerosamente porque admirávamos o seu heroísmo à frente do pequeno órgão de imprensa. 
"O Gasparense" desapareceu em 1930. Teve uma vida modesta, mas gloriosa . Parte da coleção desse jornal pode ser encontrada na Biblioteca Pública do Estado, em Florianópolis. 
Albano Pereira da Costa (1899 - 1939) -  Fundador e proprietário

Nasceu em Itajaí em 1899, filho de Pedro Pereira da Costa (1872–) e de Rita Jacintha de Souza.
Antes de trabalhar em Gaspar, Albano trabalhou no jornal "Novidades", de Itajaí, que foi perseguido e fechou por questões políticas.
Recebeu um convite de Eurico da Silva Gaspar para efetuar um trabalho semelhante e mudou-se para a cidade. Albano integrou os quadros da Usina São Pedro (uma grande usina de açúcar e álcool da região), trabalhando diretamente no escritório da empresa junto à família Fontes. 
Foi ligado ao partido político União Democrática Nacional (UDN). Albano faleceu com 40 anos de idade, em 22 de janeiro de 1939. Está sepultado no Cemitério Municipal Santa Terezinha, em Gaspar.
Recentemente, a memória do seu trabalho ganhou novo fôlego com a digitalização completa de suas edições históricas enviadas para a Hemeroteca Digital Catarinense, preservando o início do jornalismo no Vale do Itajaí.

Para termina lista de Ferreira da Silva - o jornal "O Bem-Te-Vi"

Histórico jornal estudantil manuscrito que circulou no início do século XX em Blumenau. Ficou registrado na história da imprensa e da educação da região como um exemplar único feito por e para estudantes (que eram colegas de colégio na época). Por ser manuscrito e de tiragem extremamente restrita, ele não tinha o formato comercial dos grandes diários da época, mas servia como um importante veículo de integração, crônicas e socialização escolar.
XXXI 
"Bem-te-vi" 

Com este título e dizendo-se "periódico semanal, jornal crítico e humorístico" apareceu em Blumenau um jornalzinho manuscrito e mimeografado. Seu primeiro número deve ter aparecido em maio de 1923. Era seu diretor A Largura e a assinatura mensal custava 800 réis. Formato 23 x 32 cm. Quatro páginas.
 Não sabemos se esse jornalzinho teve vida além do número 5, de que possuímos um exemplar em nosso Arquivo. Esse número é datado de 4 de junho daquele ano. 
Vai aqui uma amostra das brincadeiras do "Bem-te-vi" para que se tenha uma ideia do que foi aquele jornal: "Bolo à la moda da Escola Complementar: Toma-se 50 gramas das fitas da Hilda, 200 gramas da dentadura postiça da Helena e junta-se-Ihe 100 gramas do namoro da Edeltraut. Amassa-se bem. Leva-se em seguida 20 gramas das lanchas do Pedro, duas colheres de sopa das caricaturas do Krepski na União e 10 gramas da encrenca na Escola Complementar. Amassa-se tudo bem e o produto que daí resulta despeja-se no lixo". 
Lá pelo começo da segunda década do século, pode ser que isso fazia graça.
Pelo visto, o jornalzinho era obra dos alunos da Escola Complementar, anexa ao Grupo Escolar "Luiz Delfino".
Grupo Escolar Luiz Delfino

A Escola de Educação Básica (EEB) Luiz Delfino foi fundada em 30 de dezembro de 1913. Recebeu o nome em homenagem ao poeta e médico catarinense Luís Delfino. As atividades começaram oficialmente em 2 de março de 1914, sob a direção de Arlindo Lopes Chagas, recebendo inicialmente 182 alunos. 
Foi nesta escola que a personalidade da EFSC (Estrada de Ferro Santa Catarina), Carlos Krueger, ia fazer o exame de admissão, no período do nacionalismo, e os responsáveis da escola que eram funcionários de fora, riscavam a prova dele mandando-o para casa pelo simples fato de ser filho de alemão. Ele nos contou isso em entrevista, com lágrimas no olhos.
Residia na Vila Nova e, para chegar à escola, ia por uma picada.
Primeira sede, localizada no atual local do Núcleo de Prática Jurídica da FURB e Justiça Eleitoral de Blumenau, próximo a atual prefeitura Municipal de Blumenau.
Na década de 1960, a instituição mudou-se para sua atual sede. localizada na rua São José, no Centro da cidade. 
O edifício foi ampliado para comportar o crescente número de estudantes.
Atualmente a escola oferece Ensino Fundamental, Ensino Médio Regular e Ensino Médio em Tempo Integral.

Páginas da Revista Blumenau em Cadernos - onde foi publicado o artigo de Ferreira da Silva
Leituras mencionadas no texto - Para ler - basta clicar sobre a escolhida.
  1. Aniversariante - Imperador do Brasil D. Pedro II - e a Colônia Blumenau
  2. Proclamação da República do Brasil - Golpe Militar no Governo Imperial brasileiro
  3. Jornal Republicano em Blumenau - "Brazil" - Início do Século XX
  4. Da Casa Rischbieter ao Norden - Valorização da Cultura - da História e da Arquitetura - Blumenau SC
  5. Josef Maximilian Deeke - José Deeke - Personalidade de Blumenau e região do Vale do Itajaí - Sobrinho de Heinrich Krohberger.
  6. Uma História que iniciou muito antes da chegada de Hermann Blumenau - Johann Peter Wagner / Pedro Wagner - O pioneiro
  7. Elesbão Pinto da Luz - Comissário de Polícia de Blumenau - fuzilado pelos Republicanos, na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim.
  8. O impacto do Nacionalismo de Getúlio Vargas no Vale do Itajaí, antiga Colônia Blumenau
  9. O Carnaval é uma festa brasileira?
  10. Um personagem - Carlos Krueger - Tradição e História
Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
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