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domingo, 12 de maio de 2019

Uma Correspondência Eletrônica de Niels Deeke - Personagens da História de Blumenau

O ambiente da pesquisa é gratificante, também pelas sinapses que ocorrem e que propiciam - que sejam efetuadas pontes através das sintonias.
Quando dávamos prosseguimento à pesquisa sobre a ferrovia - EFSC, conhecemos Dona Aiga Hering, apresentada por nossa saudosa amiga Tânia Fausto. Dona Aiga - solteira, seu nome era da família Deeke e pelo casamento, passou a se chamar Hering. Quando estivemos na reunião marcada em sua residência, já tinha lido todo o livro  a Ferrovia no Vale do Itajaí - Estrada de Ferro Santa Catarina e fez comentários muito inteligentes sobre o assunto. Conversamos durante toda um tarde sobre todos os assuntos de política, economia à História de Blumenau - pretendíamos entrevistá-la e saber se possuía alguma contribuição para nossas pesquisas. Sentimos que tinha muito orgulho e alegria de sua família Deeke e também, de sua história. 
Percebemos que estávamos na frente de uma pessoa culta, dotada de grande conhecimento e que participou, de maneira direta e também indireta, de muita das ações históricas e politicas de Blumenau, mesmo na condição de mulher. 
Bem sabemos que a situação da mulher na sociedade, era diferente em décadas passadas. Sua juventude transcorreu nos anos de 1950 e 1960. Disse-nos que não poderia nos ajudar muito, como fonte de pesquisa, mas que poderia nos ajudar de outra maneira - apresentando seu primo -  não conhecíamos Niels Deeke, nem de nome. Era uma pessoa muito reservada. A Dona Aiga Hering (Deeke) providenciou uma reunião nossa na residencia de Niels Deeke - a qual aconteceu na tarde do dia 9 de outubro de 2007. 
Após conhecê-lo - concluímos que  os primos Deeke possuíam muito em comum. Além do conhecimento, inteligencia e perspicácia, possuíam temperamentos fortes, respeitavam-se mutuamente, mas não conversavam muito entre si - talvez pelo temperamento. 
Devemos a este momento propiciando por Dona Aiga Hering,  a oportunidade de conhecer um dos maiores pesquisadores da história local, regional e estadual. Ele e sua esposa Dona Johanna, nos receberam em sua casa - no início da tarde, em um local cheio de história - muita história - e ficamos meio que anestesiados diante de tantos documentos nas paredes, corredores e mesmo diante de sua narrativa e de tanta história. O tempo transcorreu em outro ritmo e logo terminou a tarde. Parecia-nos algo surreal - algo que não era real. De tudo tão incrível, pela primeira vez esquecemos de fazer registros fotográficos, ou ao menos, pedir licença para fazê-los. 
Aliás, fizemos somente uma foto - a foto do pesquisador em uma pose imponente da altura de toda sua sapiência, cuja olhar transmite todo seu desprezo pelo que via acontecer na cidade que sua família ajudou a construir, falou-nos isso.  Pedimos permissão e fizemos a fotografia - usada na capa desta postagem. 
Talvez uma das poucas fotografias atuais que possuía, pois  vimos esta estampada no cartaz do livro "Colônia Blumenau - no Sul do Brasil" - lançado no dia 2 de maio ultimo. Niels Deeke era neto de José Deeke e Emma Deeke e filho de Hercílio Deeke e Namy Deeke. 
 Parte do cartaz do livro "Colônia Blumenau - no Sul
 do Brasil" - Foto de Niels Deeke - 4° foto da esquerda 
para a direita - última fila. 
Dono de uma sapiência simples e sem ostentação. Niels Deeke falava tupi guarani fluentemente e conhecia quase tudo sobre a fauna e flora das matas brasileiras. Nem precisa dizer o quanto conhecia da história local e regional. Disse-nos que  cresceu sob a mesa de trabalho de seu pai Hercílio Deeke, cuja residência foi demolida em 16 de maio de 2012 - localizada entre a Rua Getúlio Vargas e Sete de Setembro.

Hercílio Deeke  foi prefeito de Blumenau e Deputado Federal - com isso o menino Niels Deeke cresceu acompanhando os acontecimentos mais importantes que envolviam sua cidade. Tinha um grande busto de seu pai no jardim de sua casa, quando o visitamos.
Hoje pesquisávamos nos arquivos de nossas correspondências eletrônicas encontramos as poucas que trocamos com o pesquisador e que atualmente são documentos históricos e como tal publicamos uma aqui nesse espaço. (Nesta única visita que fizemos em sua casa - nos disse que passeava pelos lugares de Blumenau anonimamente e que acompanhava as mudanças rudes que sua cidade sofria e lamentava muito). 
A pesquisa nos possibilitou conhecer estas duas pessoas, personagens da História de Blumenau - Aiga Hering e Niels Deeke (Dois primos que se admiravam mutuamente pelo perfil muito semelhante - forte, característico dos Deeke's e por isso, talvez, mesmo respeitando-se, viviam afastados). Nós percebemos, quando um  mencionou o outro, que admiravam-se mutuamente.
Compartilhamos a troca de uma - das poucas correspondências eletrônicas - ele disse-nos para nunca mencionar "e mails" - era grosseiro e não era correto. Não era de bom tom. Assim o fazemos até os dias atuais.

Fragmentos da história de Personagens...
 da História de Blumenau.

Leituras complementares - Clicar sobre o título escolhido










sábado, 21 de março de 2015

Blumenau - Crescimento desordenado e aparente ausência de critérios - Propriedade dos Deeke

O blumenauense Hercílio Deeke - filho de José Deeke e de Ema Maria Rischbieter Deeke e pai de Niels Deeke (Historiador de coração) - foi Prefeito da cidade de Blumenau por dois mandatos - de 1951 até 1956 e de 1961 até 1966. Também foi Deputado Federal no Rio de Janeiro - capital do Brasil, com mandato entre 1955 e 1959. 
Hercílio Deeke tinha sua casa localizada na rua Sete de Setembro, uma belíssima tipologia eclética construída na área central da cidade, dentro de um terreno que possibilitava grande quintal e plantio de árvores, entre elas, pinheiros. A rua Sete de Setembro apresentava uma topografia acidentada a partir de vale e morros. A casa da família Deeke foi construída sobre uma destas partes mais altas.
A fotografia do acervo de Bruno Kadletz, mostra a região, entre os anos de  1931 e 1954.


Para Ler mais sobre  Hercílio Deeke - Clicar sobre: Hercílio Deeke 
Em 2012, assistimos a demolição da casa de infância de Niels Deeke - Casa de Hercílio Deeke. Tentamos imaginar a sua reação diante do acontecido  com parte da História de Blumenau - inserida na paisagem urbana da cidade - área central de Blumenau.
No alto, meio da fotografia - a residência do Sr. Hercílio Deeke ao lado da Terraplanagem para a construção de uma Grande Loja de Materiais de Construção que chegou na cidade de Blumenau - Fotografia de 2012.












Localização da Residência de Hercílio Deeke - Demolida no 1° Semestre de 2013
Local da região da terraplanagem visto do alto de um edifício da Rua XV de Novembro - com a presença dos dois pinheiros centenários.


Durante a obra, construíram um muro, que caiu pelo efeito das chuvas. com maquinário retiram a terra até o nível da  rua, dos dois terrenos - Do terreno da loja e do terreno da família  Deeke.





No ano de 2014, é feito um terraplanagem e a residência de Hercílio Deeke é demolida - Ficam os dois pinheiro sobre um barraco, com aparente ausência de estabilidade. A loja de Material de Construção é inaugurada e o Terreno da Família Deeke está sendo preparado para construir um edifício.
Neste ano de 2015, observamos que os pinheiros estavam definhando. Observamos um pouco melhor e constatamos que estes foram machucados e parte de sua casca removidas, o que, sem dúvida, sucumbiram e pereceram - últimos testemunhos dos tempos da família Deeke. O terreno tornou-se um canteiro de obras construído para a execução do projeto do edifício.








Marcas da retirada da casca do grande pinheiro - para que este sucumba - o que já está acontecendo



Blumenau transmutando e perdendo gradativamente...
 sua identidade e os ícones que marcaram seu tempo!




segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Hercílio Arthur Oscar Deeke

Hercílio Arthur Oscar Deeke foi o 4° filho, de cinco, do Engenheiro Agrimensor  José Deeke  e de Emma Rischbieter Deeke. Seu pai, mudou-se para a Colônia Hammonia no ano de 1904, quando foi contratado para ser o Engenheiro Chefe da Colonizadora Hanseática e em 1909, no ano da inauguração da Estrada de Ferro Santa Catarina, foi nomeado Diretor desta Colônia. No ano seguinte, em 1910, nasceu Hercílio, em 15 de julho. Estudou a primeira parte de sua formação em sua cidade natal, Blumenau. 
Fonte: Arquivo Histórico de Ibirama
O Secundário, Hercílio Deeke estudou na cidade de Blumenau, no Colégio Santo Antônio. A  faculdade, no Rio de Janeiro - capital do Brasil, onde se formou Contador. 
Corpo Docente do Colégio Santo Antônio de Blumenau em 1939
 - Prováveis professores do Sr. Hercílio Deeke - Foto: Clip RBS.
Logo após ser formado, trabalhou na Caixa Agrícola de Blumenau (depois Banco Agrícola e Comercial de Blumenau de 1930 à 1942), como Chefe de seção, Sub-Contador, Contador e Diretor-Gerente.
Só para explicar um pouco sobre esta parte da História de Blumenau, Banco Agrícola Comercial foi o embrião para criar o primeiro Banco do Estado de Santa Catarina - Caixa Econômica de Empréstimos. Surgiu em função da construção da ferrovia EFSC.
Igreja Católica Centro e o Colégio Santo Antônio ao lado - Blumenau.
A Caixa Econômica de Empréstimos – primeira instituição bancária no Estado de Santa Catarina – surgiu para guardar o capital excedente da produção dos colonos organizados sob o Sindicato Agrícola de Blumenau, que o faziam, até então, nas “Vendas”, conhecidas casas comerciais. 

Além da exploração mercantil, os comerciantes absorviam a poupança local, os depósitos dos habitantes, sendo conhecida a inexistência de bancos. As pessoas em situação financeira mais cômoda e em condições de poupar depositavam o dinheiro em algumas casas comerciais, que subtraiam certa taxa de juros pelo dinheiro guardado. Entretanto, este dinheiro disperso, recolhido e acumulado não sendo suficiente para impulsionar o processo industrial, foi necessário a exploração dos trabalhadores, ou seja, no lugar de um salário como forma de pagamento pelo trabalho, muito freqüentemente, os trabalhadores percebiam a importância correspondente a seu trabalho em forma de mercadorias, provenientes da casa de comércio pertencente ao patrão.
[...] a utilização do capital local acumulado e a exploração da força de trabalho não sendo ainda suficientes, os empresários precisam solicitar empréstimos aos bancos alemães e brasileiros. E, neste aspecto – a busca de capitais, de tecnologias e outros recursos – os empresários locais sempre se mantiveram ligados à Alemanha. (VIDOR, 1995 p. 51)
Blumenau  - 1906.
Historicamente, em 1º de setembro de 1907, os sócios do Volksverein (Sociedade Popular) aprovaram a fundação de um sindicato agrícola, com o objetivo principal de criar uma Caixa Econômica de Empréstimos, oficializada no dia 27 de outubro de 1907. O fato foi propagado por meio de um folheto anexado ao jornal Urwaldsbote, de agosto de 1907, anunciando o evento. Essa Caixa Econômica iniciou seus trabalhos em janeiro de 1908.
 Bruno Hering.
É curioso que essa instituição financeira propagava ao seu público-alvo, os colonos, as vantagens e a necessidade de poupar, sob o argumento de ser uma sociedade popular, embora tivesse sido fundada por um grupo de pessoas entre as quais representantes da ACIB, que, por sua vez, estavam envolvidos com a construção da EFSC e precisavam de capital para viabilizá-la. A iniciativa foi liderada por Bruno Hering, Alwin Scharader e Eugen Fouquet (jornalista), João Hennings (trabalhava na Fecularia Lorenz), Guilherme Weise, Otto Hildelmeyer (professor de ginástica). 

Empolgado com o sucesso da Caixa Econômica de Empréstimos, o comerciante membro da ACIB e prefeito de Blumenau, Alwin Schrader, passou também a gerenciar a Caixa Auxiliadora Agrícola Ltda., que aceitava depósitos para poupança a partir de três mil réis, pagando 4% ao ano de juros. A atividade financeira passou a fazer parte do cotidiano de Blumenau.
A construção da EFSC “fez” surgir a captação de capital junto à base da estrutura social da região, que era formada principalmente de colonos.
Trem da EFSC - nas primeiras décadas de existência.
Em 1943, a Caixa Econômica de Empréstimos foi encampado pelo Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina, e Hercílio Deeke continuou ocupando o cargo de Gerente da filial de Blumenau, depois como Diretor Adjunto - entre 1945 e 1963 e Diretor Presidente a partir de 1963 até 1968, quando se aposentou. 
Acervo Bruno Kadletz

 Hercílio Deeke participou da Diretoria de A. Pátria Companhia Brasileira de Seguros Gerais. Foi Diretor-Presidente da Companhia Melhoramentos de Blumenau (De 1958 à 1965), no período que esta empresa construiu o Grande Hotel, inaugurado em dezembro de 1962.
Hotel Holetz - Demolido para da espaço para a construção do 
Grande Hotel.
Grande Hotel - Projeto do Arquiteto Hans Broos - Primeiro Edifício alto da cidade de Blumenau, construído no terreno do Hotel Holetz.
Hercílio Deeke  foi militante e Presidente do Diretório Municipal de Blumenau da União Democrática Nacional -UDN (1951/1952 e 1960/1961) e político atuante na cidade. Depois continuou filiado ao partido da Aliança Renovadora Nacional - ARENA.
Em 1947 foi eleito para uma vaga da Câmara de Vereadores de Blumenau (1947/1951) - seu primeiro cargo político. Depois foi eleito Prefeito Municipal, em 1951, com mandato até 1956. Antes de terminar o mandato, foi eleito para um vaga à Câmara de Deputados (1955/1958). Licenciou-se do mandato em 1956, para ocupar o cargo de Secretário de Estado da Fazenda de 1956 até 30 de junho de 1960. No ano seguinte foi eleito para mais um mandato de Prefeito Municipal de Blumenau (1961/1966).
Sua atividades em grupos culturais e sociais foram igualmente intensas. Em 1956 foi Presidente da Comissão Central executiva dos Festejos do Centenário de Blumenau. durante muitos anos foi Presidente da Sociedade Amigos de Blumenau, a qual fundou no ano de 1951, para administrar o Patrimônio Histórico de Blumenau. Não compreendemos sua iniciativa em permitir a demolição do Hotel Holetz, mais ou menos neste período. Em 1972 esta sociedade foi "transformada" em Fundação "Casa Dr. Blumenau". Foi sócio fundador do Rotary Clube Blumenau, no qual fez parte do quadro social de 1942 até 1955. Membro do conselho Deliberativo da TV Coligadas de Santa Catarina - a primeira Televisão do estado de Santa Catarina, entre 1936 até 1954.
Durante sua administração, a cidade de Blumenau recebeu revitalizações no que tange os espaços públicos a partir de obras urbanísticas  de grande escala, como: a retificação e calçamento da Rua 7 de Setembro, construção da Ponte Adolfo Konder. Como o pai, nutria grande amor pela cidade de Blumenau e por sua história, o qual sempre foi acompanhado, de muito perto, por seu filho Niels Deeke, que sempre esteve ao seu lado, acompanhou-no, desde garoto.
Niels Deeke em 2007.
Hercílio Deeke e Namy Deeke tiveram dois filhos:  Niels e Vera.
Partiu  no dia 19 de setembro de 1977, com 67 anos, deixando para a história, um "rastro" de realizações.
Muitos equipamentos urbanos e de infraestruturas em Blumenau e, em outros municípios renderam-no homenagens através do uso de seu nome, como por Exemplo: Ponte Hercílio Deeke (Gaspar) e E.E.B. Hercílio Deeke, entre outros.
Ponte Hercílio Deeke - Gaspar.
Terminal rodoviário de Passageiros Hercílio Deeke - Blumenau.

E.E.B. Hercílio Deeke - Blumenau.
Niels Deeke  nutria grande carinho pela memória de seu pai, e todo a obra que deixou, bem com como, pela  História de Blumenau.

VIDOR, Vilmar. Indústria e urbanização no nordeste de Santa Catarina. Blumenau: Ed. da FURB, 1995. 248p, il.

Escreveu nas páginas da História de Blumenau,...
Mesmo depois que partiu, através de seu filho Niels Deeke.

A Blumenau da década de 1930 - período que terminava os estudos no Colégio Santo Antônio - Acervo Família Haas.


Leituras Complementares - Clicar sobre o título escolhido:






sábado, 16 de novembro de 2013

Niels Deeke - Despedida

 Niels Deeke em 7 de outubro de 2007.
Esta foto foi publicada em um livro sem nossos créditos. Assim ele se
encontrava  no  dia de nossa (única) visita e conversa sobre História.
José Deeke
Partiu, na manhã de 16 de novembro de 2013, o neto de (Clicar sobre) José Deeke e Emma Deeke e filho de (Clicar sobre) Hercílio Arthur Oscar Deeke   e Namy Deeke - Niels Deeke.
Todos, personagens da História de Blumenau e do Vale do Itajaí - enquanto, grande Colônia Blumenau.
Niels - Kerusco, apelido escolhido por ele, tinha 76 anos e foi casado com Johanna Jensen Deeke. Teve 2 filhos e 4 netos.
Hercílio A. O. Deeke
Niels Deeke faleceu na parte da manhã do dia 16 de novembro de 2013, na cidade de Curitiba e no mesmo dia foi transladado para Blumenau.
Fomos apresentados a Niels Deeke por sua prima Aiga Hering - filha de uma das irmãs de Hercílio Deeke, seu pai - durante nossa pesquisa de Mestrado, em outubro de 2007. Na época, fomos recebidos em sua casa. Era um historiador de alma que acompanhava e estava sempre atento aos acontecimentos  da cidade de Blumenau, região,  do estado e do Brasil. Era uma pessoa dotada de conhecimento imensurável e uma curiosidade que faziam-no um eterno pesquisador. 
Contou-nos, em um momento, divertindo-se, que caminhava anonimamente pela cidade. Entre as pessoas, observava as movimentações e modificações que ocorreriam e efetuava sua análise sob a ótica crítica. 
Era implacável com aqueles que não tinham a conduta de acordo com o que achava certo ou errado, por isto era considerado excêntrico e até, polêmico. Era espirituoso, intenso e tinha "tiradas inteligentes" com um pouco de humor ácido, quando faziam algum posicionamento, que o divertia. Uma de suas maiores características: sincero ao extremo em suas posições, doesse a quem doesse. Lastimava a hipocrisia.
Somos felizes por ter tido a oportunidade de estar em sua companhia e de sua família, conversando sobre Blumenau, Vale do Itajaí e sua História.
Niels era restritivo e reservado. Poucos tinham acesso ao seu circuito. 
Em nossa conversa de 2007, afirmara que acompanhou sempre seu pai, desde garoto, o qual nos deixou perceber o seu  amor e admiração pela figura paterna e seu trabalho, na política local, catarinense e brasileira. 
Tinha grande conhecimento da cultura indígena de algumas tribos brasileira, pelas quais nutria carinho e admiração. Falava fluentemente tupi-guarani, entre outras línguas. Amava a natureza. Sua casa foi construída, há décadas, no meio de um bosque, o qual preservou e atualmente é uma "ilha verde" no meio da cidade que insiste chegar.
Em 2012, assistimos, sem poder fazer nada, a demolição da casa de infância de Niels Deeke - Casa de  Hercílio Deeke. Tentamos imaginar a sua reação diante do pouco caso com parte da História de Blumenau - inserida na paisagem central da cidade. 










Localização da Residência de Hercílio Deeke - Demolida no 1° Semestre de 2013.
Boa parte da História da cidade e região está guardada em sua residência - Papéis, fotografias, documentos, mapas - todos originais. Guardava tudo com muito zelo e amor. 
Em vários momentos, trocávamos idéias sobre fatos históricos e o que mais nos marcou foi sua afirmativa de que o traçado da Estrada de Ferro Santa Catarina - EFSC seria outro, se não fosse a interferência do Coronel Feddersen, que desejava o leito ferroviário passasse próximo de sua casa comercial - Zallinger localizada no Bairro de Itoupava Seca - antiga comunidade de Altona. Trecho de sua fala - via e mail:
Estado atual da Casa Zallinger - Fundos Propriedade de FURB.
"...Contudo recordo-me do esboço elaborado. Seguia do local onde atualmente está edificada a nova Prefeitura, percorrendo o trecho da rua Paulo Zimmernann e daí pelo leito aproximado da rua João Pessoa, após a rua General Osório, saindo afinal em uma projetada estação no Passo Manso - local em que havia o Hotel Doell. Evitavam assim a construção de, pelo menos, quatro grandes pontes de ferro, inclusive a que constou a atrás da Malhas Soft. O Traçado estava assinado por H. Krohberger, irmão de minha bisavó, esta a razão de lembra-me tão bem do mesmo. Niels" 10/03/2012

E mail de 17 de fevereiro de 2012
Pois é...
Olha só!!
O lobo guará, eu fiz as fotos posteriormente a esta postagem . As fotos estão no computador de casa. Hoje a noite lhe envio.
Esta postagem do Caraça, eu fiz de lá, mal e mal, com o fraquinho sinal de net.
Fico feliz que o Senhor é filho da família Cherucos...
O Sr. já leu a Obra da Tácito - Germânia?
O Sr. tem o sangue dos Ramos, mas também tem o sangue destes valentes....os Germanos.
Abração,
Angelina
"Sim, li Públius Cornélio Tácito, Suetônio, as obras de Plínio - O velho - História Natural, e outros mais, porém faz mais de 45 anos.
Não sou parente dos Ramos, os meus antepassados são os ¨De Campos¨, (Lisboetas- alfacinhas) capitães- mor, aqui chegados pouco antes do Silva Paes, ou seja em 1738.
Era isto o quanto tinha de oportuno e importuno.
Abraços,
Niels"  17/02/2012)
E mail de 19 de fevereiro de 2012
Boa noite Sr. Niels.
As fotos não saíram boas, mas dá para ter uma pequena noção do lindo "cachorro vermelho de botas pretas" com andar de felino. Também tem algumas fotos de outros bichinhos nos arredores e da arquitetura.
Abração,
Angelina
Prezada Angelina.
Apreciei, ainda ontem, com muita satisfação as fotos enviadas. Não pude responder antes devido meu necessário repouso pós operatório à cirurgia a que, dias atrás, fui submetido na cavidade ocular do olho direito - caso de Ectrópio, correção da pálpebra inferior. Estou legal, mas necessito de compressas e permanência em ambientes escuros, no que a tela do écran do visor deste computador é fortemente luminosa e inapropriada ao meu caso.
Minha curiosidade é saber como você chegou, ou melhor, o que a levou a seguir ao Caraça ?
Bonito o Guará fotografado - está bem gordinho, ou talvez seja uma fêmea prenhe. Trata-se de um animal muito sensível e que infelizmente o humano pouco entende ou deseja conhecer. Tente extrair um ¨berne¨ou curar-lhe uma bicheira e sentirás a dificuldade da operação. Já fiz isto, mas em Zoológico, com o meu estimado ¨Guará¨em 1949, em Pomerode, onde a minha relação com o ¨Lobo¨ daria matéria para escrever uma monografia.
Aquela Jacutinga fotografada é uma fêmea - sabes como consigo identificar ? Pela coloração dos olhos, as fêmeas tem olhos vermelhos, e os machos escuros. Isto salvo algum problema daqueles que avermelham os olhos nas fotos, contudo percebe-se que o detalhe é natural.
O teu abraço à árvore é divino - antológico - parabéns. Quem está junto na foto? É o teu marido ? Suponho seja a árvore uma " Maria-Mole" ou "Falsa Seringueira," ( Ficus Elástica) porque Figueira não me parece ser.
Desde pequeno, nos meus 4 anos de idade, apreendi a ler. Minha mãe, Namy Deeke, não era só ilustrada mas muito culta - cá na velha colônia não havia quem a superasse, vez que especializou-se até em cursos no Itamaraty RJ, ensinando-me a ler, muito antes de escrever. Aos cinco anos de idade ( 1942) eu já havia traçado todo o Tesouro da Juventude, impresso no Uruguai pela Jackson ainda com "PH" lugar do " F¨. Logo comecei a interessar-me pelas construções em pedra bruta, e fascinado lia tudo quanto legendasse aquelas edificações. Jamais gostei de futebol, nem sei quantos jogam em cada time, talvez 15, mas nem quero saber.
Ótima a denominação referencial "os bocós à espera" gostei. Enfim os "urbanóides" viram um guará ao vivo. Só imagino a reação do guará ao lampejo do Flash, ou já estaria acostumado de tanto ser fotografado, por evidente, sempre à noite? Sim eu sei que os guarás sobem ao pátio - onde se alimentam de carne - pela escadaria - uma proeza e tanto para um animal tanto arredio quanto arisco.
Valeu, cara Angelina - celestial - você é mesmo uma raridade preciosa entre os atuais humanos urbanóides e almejo continues imutável.
Agora sigo a seção de tratamento ocular.
Fraterno abraço,
Niels

E mail de 20 de fevereiro de 2012

Pois é dona Angelina, eu jamais fui ao Caraça, mas, há cerca de 30 anos, estudei -o motivado pelas apresentações do ¨Guará¨, que tanto cativou-me na década de 1940.
Que maravilha aquela região. Estranhei os morros quase pelados e presumo decorrência da formação rochosa, ou teriam sido de florestados no passado. A vegetação¨, suponho, típica do ¨cerrado¨ - com muito arvoredo rasteiro.
Percebi, também, que as pedras da construção do Mosteiro, são as ditas Pedras Frias - Pedras São Tomé ou Pedras Itacolomy, cujos blocos naturais também aparecem fotografados na primeira imagem do anexo, onde consta o ribeirão.
Puxa, aquele esquilo, aliás um serelepe ou caxinguelê,. tem mesmo um rabo considerável, bem maior do que os daqui possuem.
Agora já abri todos os anexos enviados. Tudo muito bonito e interessante - valeu, grato.
Na próxima encarnação - que pretensão mais idiótica e perenizante esta  -  pretendo construir minha casa na Serra, com  uma grande sala de visitas - na verdade Sala - de - estar, a  qual dotarei, ao centro, de  grande fogão à lenha - dito fogão aberto - com imensa coifa, onde inverno ou verão, arderá fogo com a chaleira para o chimarrão  e outra para café - leite não esquentarei - vez que será tirado direto  para a cafeteira, enfim beberei somente o ¨camargo¨.
Bom e bem.... como sobrevivi o pós operatório até aqui, penso que resistirei vivente pelo menos mais 30 dias; 75 anos de idade foi muita estrada percorrida e minhas pretensões extinguiram-se. A  vez agora é de vocês jovens.
Com votos de muita Saúde e Força,
Fraterno abraço,
Niels
E mail de 10 de Março de 2012
Bom dia, Sr. Niels...
Um tempo atrás o senhor me falou de um mapa croquisado, de um pretenso trajeto ferroviário, que não era este que foi executado.
Será que o senhor ainda o tem?
Se tiver, eu poderia ter uma cópia?
Com toda a objetividade de pesquisadores...rs
Grata...pela atenção.
Angelina

"Estimada Angelina: Quando há passados cerca de 15 anos, sofri graves ataques desferidos pela direção da nossa dita Fundação Cultural, invectivas nas quais havia iminente ação de confisco - possivelmente judicial - de meu acervo documental histórico, não encontrei saída outra que não fosse a de transferir meus "arquivos" para lugar seguro e defeso à pretensão de expropriarem-me. Assim transferi para um depósito que mantive no Paraná, mais de três caminhões carregados de caixotes com meu documentário. O depósito encontra-se em local de difícil acesso, e grande do parte do material já foi eliminado como venda de papel velho, a fim de abrir espaço para conter material usado de próteses ortopédicas e de Raios X, que meu filho médico precisava guardar. Os antigos mapas também seguiram para lá, e suponho foram eliminados - tudo devido a "Senha de Ódio" que os mentores da Fundação Cultural de Blumenau alimentam contra mim. Eu precisaria relatar o odioso caso de viva voz, para compreensão da questão. Contudo recordo-me do esboço elaborado. Seguia do local onde atualmente está edificada a nova Prefeitura, percorrendo o trecho da rua Paulo Zimmernann e daí pelo leito aproximado da rua João Pessoa, após a rua General Osório, saindo afinal em uma projetada estação no Passo Manso - local em que havia o Hotel Doell. Evitavam assim a construção de pelo menos quatro grandes pontes de ferro, inclusive a que constou a atrás da Malhas Soft. O traçado estava assinado por H. Krohberger, irmão de minha bisavó, esta a razão de lembra-me tão bem do mesmo. Qualquer problema me telefone pelo n°____. 
Abraços, Niels"              10/03/2012
Ainda relendo seus e mails, ricos em informações e conhecimento.

Outra texto seu - via e mail...
Santuário do Caraça - Minas Gerais.
..."Desde pequeno, nos meus 4 anos de idade, apreendi a ler. Minha mãe, Namy Deeke, não era só ilustrada mas muito culta - cá na velha colônia não havia quem a superasse, vez que especializou-se até em cursos no Itamaraty RJ, ensinando-me a ler, muito antes de escrever. Aos cinco anos de idade ( 1942) eu já havia traçado todo o Tesouro da Juventude, impresso no Uruguai pela Jackson ainda com "PH" lugar do " F¨. Logo comecei a interessar-me pelas construções em pedra bruta, e fascinado lia tudo quanto legendasse aquelas edificações. Jamais gostei de futebol, nem sei quantos jogam em cada time, talvez 15, mas nem quero saber. 
Ótima a denominação referencial "os bocós à espera" gostei. Enfim os "urbanóides" viram um guará ao vivo. Só imagino a reação do guará ao lampejo do Flash, ou já estaria acostumado de tanto ser fotografado, por evidente, sempre à noite? Sim eu sei que os guarás sobem ao pátio - onde se alimentam de carne - pela escadaria - uma proeza e tanto para um animal tanto arredio quanto arisco..."
Lobo Guará no Caraça - Minas Gerais.

 E mail de 17 de fevereiro de 2012

"Sim, li Públius Cornélio (Clicar sobre) Tácito, Suetônio, as obras de Plínio - o velho - História Natural, e outros mais, porém faz mais de 45 anos.
Não sou parente dos Ramos, os meus antepassados são os ¨De Campos¨, ( Lisboetas- alfacinhas) capitães-mor, aqui chegados pouco antes do Silva Paes, ou seja em 1738..."
Públios C. Tácito.

 E mail de 17 de fevereiro de 2012

"Sim, sim Cara Angelina. Nós, os Keuscos ( Cheruscos em latim, língua que não tinha letra ¨K¨ ) da qual o sou o ante penúltimo descendente - meu filho Mark o penúltimo e meu neto Erik, o último, derrotamos na Floresta de Teutoburgo, o todo poderoso Cônsul Publius Quintilius Varus, matando até último legionário das TRÊS LEGIÕES ( cada legião tinha 6.600 homens, portanto foram cerca de 20.000 sucumbências, em dois dias e duas noites, no ano 09 DC. O orgulhoso imperador OTAVIO AUGUSTO jamais recuperou-se de tamanha surra, e perambulava alucinado pelo palácio murmurando: Varus, Varus o que fizeste das minhas legiões ? A mulher do (Clicar sobre) Hermann, o chefe dos Keruscos, a THUSNELDA foi aprisionada no ano 15 DC por Germanicus e levada do RENO até Roma a pé, acorrentada, para ser apresentada no desfile apoteótico em torno do Senado Romano. Mas o Hermann (dito em latim Armínio) jamais apanharam."...
Lamentamos muito o acontecido e de certa maneira assistimos a História da região de Blumenau, passar diante dos olhos, a partir das despedidas de seus personagens como também, a bancarrota do patrimônio histórico arquitetônico de Blumenau a mercê de uma voraz, e sem critérios, industria da Construção Civil.

Depoimentos após sua passagem...

Gelmar Vollrath - Niels Deeke, conhecia, como poucos, a história de Blumenau. Sempre muito discreto, um gentleman. Deixa uma lacuna em Blumenau. Pessoa ótima de se conversar. Meus sentimentos à Johanna Jensen.

Dieter Altenburg - Lamentamos a perda de mais um blumenauense "ILUSTRE".

Adalberto Day - Kerusco, meu amigo Niels, era de uma doçura profunda aos amigos e implacável com os falsos moralistas e que pouco entendem de nossa história.
Quanto conhecimento, quanta cultura, como colocado no texto as vezes não compreendido por pessoas na realidade incompreensíveis. 
De sua boca tive o prazer de ouvir e por e-mail registrado vários e-mails onde me chamava de irmão, estimado e querido amigo Adalberto.
Nossa Blumenau perde e perde muito alguém como ninguém possuía um vasto conhecimento. 
Espero que sua obra seja reverenciada por pessoas do Bem.
Fique com DEUS nobre amigo Niels e que DEUS o tenha.

Ana Lúcia G. Pagel - Profundo sentimento de pesar, pelo prematuro falecimento de meu primo Niels Deeke, e um grande abraço à cara Joana Jensen Deeke e ao filho Mark Deeke . Blumenau sente-se órfã de um grande historiador, filho ilustre da cidade que tanto amou e sempre reverenciou...

Airton Fernado Teixeira - Colega de pesquisa no grupo de Genealogia SC-Gen. À família, meus mais sinceros sentimentos pelo passamento do Niels. Que o pai maior o receba no reino da glória, confortando a família nesse momento, dando-lhes muita fé e força para o seguimento da vida.
"...Niels gostava muito da história de Blumenau. Tanto que, ao longo dos anos, juntou em sua casa um acervo de documentos que ajudam a contar um pouco do passado do município. Era movido pela paixão e pela curiosidade em saber, lembra o filho Mark Deeke. Tendo o pai como prefeito, Niels vivenciou uma parte do desenvolvimento de Blumenau e, diante da vontade de reunir documentos e lembrar o passado, acabou sendo referência no município. "Era uma biblioteca ambulante", lembra, com carinho, o filho. 
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... Com a segunda esposa, Joana, viveu 44 anos. Teve dois filhos e quatro netos. Niels também ficou conhecido como um dos fundadores da Fábrica de Chocolates Saturno. Uma característica forte da personalidade dele era a autenticidade..."Clic RBS

O velório aconteceu no dia 17 de novembro de 2013, das 7:30h às 15:30h - na Igreja Luterana de Salto Weissbach. O sepultamento foi no mesmo dia, às 16:00h - no Cemitério Salto Weissbach (Passo Manso), partindo da Igreja Luterana de Salto Weissbach, onde está o jazigo da família.
Segue em paz, tal como o colibri na mata, Sr. Niels...
Sua memória permanecerá viva nas páginas de nossa História.
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