terça-feira, 10 de julho de 2018

Arquitetura - Apresentação e análise da Casa Salinger - Blumenau SC - Sul do Brasil


O casarão da Companhia Industrial e Comercial Salinger foi um dos pontos mais movimentado e comentado em toda a Colônia Blumenau do final do Século XIX e início do Século XX. Foi um ponto de entreposto comercial criado pelo Cônsul Honorário da Alemanha (por 25 anos) da Colonia Blumenau Gustav Salinger. 
Salinger chegou na Colônia Blumenau no ano de 1881, mas já estava no Brasil desde 1876. Faleceu no dia 9 de fevereiro de 1920. Durante este período, acompanhado, do também imigrante alemão, Peter Christian Feddersen, esteve à frente da empresa de exportações de produtos coloniais e também da fábrica de charutos - onde grande parte destas atividades estavam concentradas no casarão e no complexo existente em torno deste, o qual apresentamos neste momento - como Casa Salinger. 
Casa Salinger em maio de  2018


Antes de apresentar a Arquitetura - Um pouco do início desta História e seus atores.
Gustav Salinger nasceu no território onde surgiu a Alemanha (1871) no ano de de 1849, um ano antes da fundação da Colônia Blumenau
Chegou à localidade de Brusque com 17 anos, no ano de 1876 - o Estado da Alemanha tinha 5 anos. Um tempo depois mudou-se para a cidade de Itajaí para trabalhar no Comércio de Wilhelm Assenburg. Lecionou matemática para os filhos de Assenburg. No ano de 1881 mudou-se para Blumenau para gerenciar a filial da Casa Comercial Assenburg, localizada no Stadtplatz da Colônia  Blumenau, próximo ao porto fluvial. Gustav Salinger comprou a filial de Wilhelm Assenburg e tornou a mesma voltada para os negócios de importação de mercadorias e exportação de produtos coloniais. 
Endereço atual do Museu de Hábitos e Costumes - Este patrimônio teve melhor sorte - está localizado no início da Rua XV de Novembro - Stadtplatz de Blumenau.
Salinger foi determinante para a criação  da Associação Comercial e Industrial de Blumenau no dia 5 de novembro de 1901 (foi seu primeiro Presidente), quebrando historicamente a hegemonia existente na região até então, onde todos, indistintamente, pertenciam somente a uma associação, que era a Kulturverein  - link no final da postagem. Com isto, criou-se a segregação entre o industrial e o  colono (muitas vezes termo usado pejorativamente na região - ainda nos dias atuais) que fornecia a matéria prima para alimentar o embrião industrial local e catarinense que surgia neste tempo. Os interesses passaram a divergir em detrimento do lucro e da mais valia impregnados na produção excedente das propriedades rurais do Vale do Itajaí. Falaremos mais sobre esta questão na sequencia.
Associação Comercial e Industrial de Blumenau foi a primeira associação empresarial do estado de Santa Catarina.
Nova sede da filial da  firma de Gustav Salinger  - Localidade de Altona - Atual - Bairro de Itoupava Seca  - Blumenau SC. Propriedade da FURB

A partir da expansão dos negócios, Gustav Salinger atento às movimentações econômicas e políticas da Colônia Blumenau, abriu sua primeira filial em 1885, na localidade mais fervescente sob o aspecto econômico - da Colônia Blumenau da época, que era a localidade de Altona (atual bairro de Itoupava Seca).  Instalado e não satisfeito, em 1891 Salinger comprou o "chão" - parte do lote colonial da viúva Augustine Thomsen. Mapa ao lado - desenhado pelo Professor Max Humpl em 1919 - complementado pelos organizadores da publicação: Méri Frostcher Kramer e Johnnes Kramer - referencia no final da postagem. 

Acontecimentos Históricos

Em 1892, Gustav Salinger transferiu  a filial de Altona, em funcionamento na antiga casa dos Stein desde 1885, para a nova sede. Esta filial da Firma Gustav Salinger e Cia, cuja matriz estava localizada no Stadtplatz da Colônia Blumenau, foi aberta neste ponto da Altona, por sua ótima localização e franco desenvolvimento da nucleação urbana – atual bairro de Itoupava Seca. O local estava muito próximo do porto de cargas de colônia e também, estava ao lado da estrada principal que fazia ligação com todo o oeste da Colônia Blumenau, rumando para a Serra Catarinense e oeste de Santa Catarina. 
Guindaste à vapor do porto de cargas no Rio Itajaí Acu - Itoupava Seca
Porto de Cargas - Altona - atual Itoupava Seca















O primeiro gerente da Indústria e Comércio Salinger de Altona foi Peter Christian Feddersen que não demorou muito, tornou-se sócio de Gustav Salinger e foi o mentor intelectual, político e entusiasta da construção da ferrovia EFSC, cuja linha férrea passava muito próximo da empresa de Salinger - em Altona.
“A casa comercial da  firma situa-se  no centro de Altona, ao lado da estrada principal que vai de Blumenau para o planalto. Ela se encontra na estação final da hidrovia no Itajaí e ao mesmo tempo no principal lugar de carga e descarga para o transito que vai em direção ao Planalto e para Hansa pela Estrada de Ferro Santa Catarina e com o barco a vapor para o porto de Itajaí. Todo o tráfego de veículos passa pelo lugar, formando o entroncamento de todas as estradas que vêm da colônia.” (HUMPL, pg 119.)
Desde a primeira visita de Hermann Blumenau à região para fundar sua colônia agrícola, este pretendia que esta tivesse a base econômica pautada na comercialização e industrialização do excedente das propriedades rurais – inspiração na Doutrina fisiocrata de Quesnay.
E não foi diferente. Os primeiros imigrantes e colonos que chegaram com Hermann Blumenau, tiveram contato com a doutrina de maneira indireta, pois Blumenau seguia os preceitos do ideário do capitalismo industrial do Século XVIII, no que tange a economia. François Quesnay foi o autor da teoria que teve grande influência no trabalho de Adam Smith sobre o liberalismo. Os fisiocratas afirmavam que a agricultura praticada dentro do regime feudal ou camponesa era ultrapassada, visto que os arrendatários capitalistas conseguiam maiores índices de produção. Isto explica o questionamento que ouvimos sempre, do "porque" o processo de colonização em Blumenau foi diferente que outras colonias alemãs, no país.
Na região,  os pioneiros passaram a industrializar o excedente da produção de suas propriedades rurais e a Colônia Blumenau, ao lado da Colônia Dona Francisca - ao norte do estado, iniciaram a industrialização do Estado de Santa Catarina. 

Em um primeiro momento, nas primeiras 3 décadas, todos os imigrantes assumiram o papel de colono e produtor, até mesmo para sua própria subsistência, pois tinham que construir os alicerces de cidades na região. Fundaram a primeira associação na qual discutiam assuntos inerentes à colônia e que interessavam a todos: fundaram a associação do Kulturverein.
 A partir das mudanças sociais na região e o surgimentos de classificações sociais, desde produtores rurais e industriais – surgiram outras associações que defendiam os interesses de novas classes dentro da sociedade e com interesses divergentes a partir da produção industrial – classe dos fornecedores da matéria prima – excedente das colônias e propriedades coloniais e os novos industriais da região e também do estado de Santa Catarina -  estes liderados por Gustav Salinger, o qual foi o primeiro Presidente na novíssima Associação Comercial e Empresarial de Blumenau, a atual ACIB, doravante passando a regatear preços dos mesmos colonos que até um tempo atrás eram companheiros nas aberturas de estradas e trocas de conhecimento sobre geografia, zoologia, botânica entre outras áreas da ciência para o bom desempenho da colônia fundada por Hermann Blumenau. 
Blumenau - Final do Século XIX.

Prosseguindo - Professor Max Humpl escreve:
“A agricultura de Blumenau é dirigida para a policultura, devido  à sua localização geográfica, à formação do solo, ao clima e às condições de agricultura familiar. Em consequência disso, não se desenvolveu um objetivo econômico especifico nos primeiros anos de colonização. Com  gradual difusão das criações de gado e de suínos, havia no início de  1880, a possibilidade de exportar manteiga e banha. Os mercados do norte do Brasil eram bastante receptivos com relação a esses produtos, e podiam pagar um bom preço de compra  bastante rentável, principalmente para a manteiga, produzida pelos colonos. Dessa maneira, a exportação de manteiga prosperou, e desde essa época, ela constitui o mais importante ponto vital para toda a economia de Blumenau.
A firma Salinger e Cia, assumiu a exportação de manteiga e de banha  e, em virtude de sua expansão, que naquela época já era significativa, logo de início ela tomou a dianteira. Por conseguinte, a primeira ampliação arquitetônica, no ano de 1894, foi a construção de um espaçoso edifício e das instalações para o beneficiamento de manteiga e banha, para a fabricação de latas e caixotes para embalagens, e para armazéns que eram necessários. Este é um dos méritos pouco reconhecidos da firma, que surgiu no momento certo  e sempre defendeu, disposta a auxiliar, a boa causa do comercio de manteiga de Blumenau. (...)
Entre 1894 e 1898, foi construída uma fábrica de charutos. Em 1914 foi construídas instalações para descascamento de arroz e ampliadas em Ascurra. Também foi colocada em funcionamento uma série de pequenas indústrias na sede da Altona, como por exemplo: uma moenda, uma plainadeira, fabricação de arame farpado, torrefadora de café, fabricação de balas, fabricação de tubos de cimento e um moinho."
A Arquitetura do Bairro Altona
Fotografamos a ruína do Hotel Altona no ano de 2013 - foi demolido, como também o foi, o Casarão da Escola Machado de Assis - localizados quase a frente da Casa Salinger.

A maioria das edificações de Altona da virada do século XIX para o XX, foram construídas  pelo mestre carpinteiro Gustav Kirsten de Itoupava Norte, nascido no ano de 1862 na cidade de Leipzig, vindo para o Brasil com a idade de 7 anos, pelo mestre-pedreiro Gustav Krieck do Salto Weissbach e pelo pedreiro Karl Letzow. Quem construiu a edificação do Comercial Salinger foi Gustav Kirsten entre os anos de 1891 e 1892 sob coordenação de Peter Christian Feddersen. O terreno foi adquirido da viúva Auguste Thomsen, onde estava sua colônia e casa por  23 anos.

Casarão Salinger - Propriedade da FURB - Universidade Regional de Blumenau
A Universidade Regional de Blumenau - FURB - já permitiu a demolição de algumas edificações pertencentes ao Patrimônio Histórico Arquitetônico de Blumenau nas proximidades deste apresentado nesta postagem, para ampliação de sua área construída -  Campus 2 e ou, criação de vagas para estacionamento.
A FURB adquiriu a edificação da Casa Salinger no ano de 2003 - já tombado como parte o Patrimônio Histórico Arquitetônico. Somente 9 anos após a esta aquisição, a universidade elaborou um projeto de restauro e o apresentou à comunidade. O projeto básico de restauro foi elaborado pelas arquitetas Roseana Lunghard e Rosália Wall no ano de 2012. A partir deste projeto foram aceitas e inseridas sugestões, da comunidade interna da FURB e também, da comunidade blumenauense.
Quando lemos na mídia, em 2014, que a FURB pretendia restaurar esta edificação histórica de valor imensurável, ficamos céticos e afirmamos que somente acreditávamos no fato noticiado, quando este fosse materializado. Até este momento, se passaram 4 anos, percebemos que  definitivamente isto não aconteceu.
Em seu alardeado projeto, a universidade pretendia transformar a edificação, que se encontra em franco processo de ruinificacao - no Espaço Cultural Casa Salinger - abrigando museu, galeria, espaço multicultural, escola de gastronomia, restaurante e um teatro.
Espaço Cultural Casa Salinger  - Imagem do projeto apresentado pela FURB no ano de 2014


11/07/2014 - FURB apresenta proposta para restaurar Casa Salinger


















Estado da edificação em 2014
Ano de 2014

Ano de 2014
Ano de 2014


Onde foi apresentado a "nova versão" do projeto do restauro da Companhia Industrial e Comercial Salinger, ou Casa Salinger? 
Não poderia ser noutro local e talvez até contemplado com "sugestões" desta associação. A primeira apresentação do projeto de restauro atualizado da Casa Salinger aconteceu na casa da Associação Empresarial de Blumenau - ACIB, antiga Associação Comercial e Industrial de Blumenau, fundada por Gustav Salinger.

proposta com as novas sugestões

A proposta original desenvolvida pelas arquitetas previa a partir do restauro da Casa e do galpão  (que não existe mais) e a reconstrução volumétrica dos anexos, a implantação de um museu, galeria e espaço multicultural. No galpão, especificamente, foi agregada a ideia de construir uma escola de gastronomia, restaurante e espaço para ateliês e oficinas, não especificadas.
Também foi sugerido a construção  de uma terceira edificação para o funcionamento de um teatro.
O projeto pretendia criar uma área total de 4400 m2 a um custo de R$ 7,7 milhões, divididos:

Etapa 1 – Restauro da antiga Casa Salinger = R$ 888 mil
Etapa 2 – Restauração e ampliação da antiga fábrica = R$ 3,6 milhões
Etapa 3 – Novo edifício para abrigar um teatro, para 237 pessoas = R$ 3,1 milhões

Estado da edificação em 26 de maio de 2018

Em maio de 2018 estivemos visitando o casarão histórico, a última de inúmeras visitas que fizemos ao local - patrimônio da FURB há mais de 15 anos, sem nunca ter recebido uma ação preventiva, de manutenção ou cuidado para que o processo de ruinificação fosse minimizado ou melhor, cessado.

A situação do patrimônio histórico está muito ruim.













































 



































































Arquitetura e alguns comentários
A edificação da Casa Saliger tem traços predominantes do Neoclássico - estilo adotado pelos novos industriais e comerciantes de Blumenau , na virada dos séculos XIX para o XX.
O Movimento Neoclássico despontou na Europa bem antes do que quando chegou a Brasil e ao Vale do Itajaí. Podemos afirmar que despontou no velho continente, um século antes.

Foi um movimento que surgiu reagido contrariamente o barroco, no início do Século XVIII e tinha como objetivo, retomar resgatar a cultura clássica dentro de um novo e atualizado entendimento sob o aspecto da arte e da arquitetura. O estilo surgiu como reação ao barroco e ao rococó, destacando novas ideias de artistas e arquitetos do século XVIII- geralmente aqueles que tiveram formação dentro do racionalismo iluminista do período. O estilo neoclássico apresentava algumas características diferenciadas como: o uso de materiais nobres (pedra, mármore, granito, madeiras, sistemas construtivos simples, linhas ortogonais, simetria de fachadas ou formas regulares, geométricas e simétricas, volumes arquitetônicos maciços e bem característicos, espaços interiores organizados segundo critérios geométricos e formais de grande racionalidade, pórticos colunados, frontões triangulares – no caso da região do Vale do Itajaí – encontrado nas mansardas com característica da arquitetura alemã dos imigrantes, arcos romanos, a decoração com apresentação de elementos estruturais com formas clássicas, pintura rural e o auto relevo em estuque, entre outras características muito encontradas em muitas residências de famílias abastadas da região do Vale do Itajaí – monumentais residências dos novos comerciantes e industriais que surgiram e formaram uma nova classe, a partir do final do Século XIX e início do Século XX.
Casa Comercial e Residencia de Leopold Huschel - Warnow - Indaial SC - Link postagem no final desta.
O Neoclassicismo chegou ao Brasil, reflexo da vinda da família imperial portuguesa, em 1808 que propiciou a chegada da Missão Artística Francesa em 1816, entre os muitos artistas estava o pintor Jean-Baptiste Debret. Em 1826 é fundada a Academia Imperial de Belas Artes que deu origem a Academia Nacional – regida pelo gosto neoclássico. Neste tempo ainda não tinham chegado os grupos organizados de imigrantes alemães ao sul do Brasil.

Dentro do Brasil, o neoclássico apresenta variações e tempos distintos – de acordo com a região que se desenvolveu. Na região do Vale do Itajaí em um primeiro momento, nas primeiras décadas – as construções eram vernaculares – utilizando materiais retirados do entorno imediato do local onde seria construída a casa – natural, usando a técnica milenar do enxaimel. Com o surgimento da nova elite, transição dos séculos XIX para XX, esta arquitetura não atingia suas novas exigências e não estava no nível  internacional das novas expectativas desta nova classe - na região. Em contato com as regiões mais desenvolvidas do Brasil e com a Europa, buscaram no novo estilo, o reflexo dos novos momentos econômicos da Colônia Blumenau.

Sem muita mão de obra técnica especializada, muitas vezes, o carpinteiro/pedreiro/construtor que construía as primeiras edificações em enxaimel era o mesmo que construía as novas residências inspiradas no Neoclássico na região.
Por isto percebemos na edificação da Casa Salinger, a presença da estrutura enxaimel, com adorno e decorativismo com pintura em painel, estuque em alto relevo, simetria da fachada, presença de arcos romanos, etc. Muitos dos novos ricos deste período, na região, muitas vezes não construíam uma nova edificação, mas “maquiavam” a antiga edificação em enxaimel, que sempre esteve presente no Stadtplatz – centro urbano das colônias - com também, nas nas propriedades rurais.
Abaixo - duas imagens da Rua XV de Novembro no ano de 1915, onde estão mescladas tipologia que faz uso da técnica construtiva  enxaimel e os novos  estilos vigentes: Art Decó, Eclético e Neoclássico.



Arquitetura - Detalhes Casa Salinger
Telhado

Telhado característico com duas águas, com cumeeira principal paralela com a estrada - atual Rua São  Paulo. Há a presença da mansarda, com frontão característico munido de duas janelas voltadas para frente da edificação. Estrutura de telhado em madeira, com telhas planas de barro - ou, germânicas. Há a presença de forro em madeira e também com estuque.
Telhas Germânicas


Mansarda

Forro de Estuque



 

Aberturas

 As abertura são os elementos que mais representam o estilo neoclássico na edificação histórica do antiga comunidade de Altona aqui apresentada.
Para quem desconhece, as aberturas são as portas e janelas. Estas feitas de madeira e vidro. As janelas possuem duas folhas geralmente, com a presença do vidro e são distribuídas simetricamente nas fachadas da edificação. Algumas tem a presença do arco romano - lateral direita - que tem tudo para sido uma ampliação através de um acréscimo feito posteriormente à construção da edificação original. Também parte das janelas, a maioria, recebem um acabamento superior levemente curvado com a presença de elementos decorativos alto-relevo - cimalhas. As janelas com esta tipologia apresentam bandeiras móveis para ventilação superior.
As portas, geralmente em madeira maciça com bandeiras envidraçadas, são apresentadas em duas folhas e uma, com a presença de almofadas. As portas também recebem elementos decorativos com as cimalhas. - característica do neoclássico.
Detalhe de uma porta frontal - duas folhas - presença da
bandeira envidraçada e da cimalha.

Bandeira porta frontal 





Porta com uma folha só, com bandeira envidraçada fixa

Arcos romanos parte superior janelas lateral direita


Presença de almofadas

Janela com folhas também de madeira - chamuscada
 pelo fogo
Estrutura
Casa do imigrante italiano - autoportante - Ascurra SC
Geralmente a estrutura da arquitetura neoclássica é feita de alvenaria autoportante. Ou seja, as paredes são estruturais construídas de pedra ou de tijolos maciços (sem a presença de uma estrutura isolada), herança da arquitetura italiana - berço do classicismo, oriundo de Grécia e Roma clássicas. Isto não é percebido na Casa Salinger, explicando que a elite do início do Século XX da região, desejava morar e trabalhar dentro de uma arquitetura que refletisse os novos tempos na região, no entanto, não possuíam tecnologia para isto, mesmo que já fossem construídas edificações autoportantes nas nucleações italianas da Colonia Blumenau, como registramos por exemplo, na cidade de Ascurra.
O que faziam então? Com a mesma mão de obra que construíam as edificações com estrutura enxaimel, construíam suas edificações dentro da nova linguagem arquitetônica, com a presença do fachadismo.
Por este motivo a Casa Salinger apresenta sua estrutura enxaimel rebocada com a presença de pintura painel  e estuque.




Volumetria
Segue as tendencias dos Art Decó, Eclético e principalmente do neoclassicismo. A volumetria é marcada pela simetria das fachadas e a distribuição racional das aberturas pelas mesmas. O grande volume é marcado pela presença da mansarda com um grande frontão ao centro da cumeeira principal, demarcando a simetria e o fechamento da monumental construção. 




Vídeo de nossa percepção no local

Ainda, em construção...
Mas... trata-se de mais uma tipologia histórica agonizando na cidade verticalizante de Blumenau, munida de edifícios novos e vazios.
Bairro de Itoupava Seca - Antiga Comunidade de Altona - em franca descaracterização e tinha tudo para ser um polo cultural dentro da cidade de Blumenau. Quando optaram em passar no seu meio, um corredor de tráfego de fluxo rápido - o condenaram.




















Outras leituras relacionadas ao tema:
Clicar sobre o título escolhido
  1. Centro histórico de Blumenau - Stadtplatz - Ontem e Hoje
  2. Kulturverein - Die Kolonie Blumenau - Cooperativismo
  3. Um passeio pelo Bairro de Itoupava Seca e um pouco de sua História
  4. Peter Christian Feddersen - Revisado em 2017
  5. Estrada de Ferro Santa Catarina - Erradicada da paisagem do Vale do Itajaí no ano de 1971
  6. Mansarddach - Uma tipologia de telhado trazida pelo imigrante
  7. Leopold Franz Hoeschl
  8. Arquitetura - Análise do Casarão Hoeschl - Warnow - Indaial SC 
  9. Imigração Italiana - Ascurra e um pouco de sua História - Fez parte da Colônia Blumenau
  10. Museu de Hábitos e Costumes de Blumenau
Referências
  1. Artigo (PDF): CASA SALINGER: um estudo de caso para a integração entre o ensino, a pesquisa e a extensão. Silvia Odebrecht; João Francisco Noll; Sheila Elisa S. Klein; Ralf Klein; Universidade Regional de Blumenau – FURB 
  2. HUMPL, Max, 1877 - Méri Frotscher Kramer e Johannes Kramer (orgs.). Crônica do vilarejo de Itoupava Seca : Altona: desde a origem até a incorporação à área urbana de Blumenau / Max Humpl ;- 1.ed. - Blumenau (SC) : Edifurb, 2015. - 226 p. : il.
  3. VIDOR, Vilmar. Industria e Urbanização no Nordeste de Santa Catarina /Vilmar Vidor. -Blumenau : Ed. da FURB, 1995. - 248p. :il. 





2 comentários:

  1. Que trabalho fantástico, Angelina ... tanto a reconstrução histórica através de seu texto como as fotos em detalhes, minuciosamente escolhidas. Gostei demais e nem vou perder tempo comentando sobre o descaso que é evidente. Gostei demais, parabéns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Foi doloroso escrever sobre, mas a história pedia.
      Abraço grande e grata pelo retorno.

      Excluir