segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Pomerode - Pomerânia e Traje da Realeza Festa Pomerana

Desenho que inspirou o traje da Realeza. Observar tecidos e cores - No final.
Conversávamos com pessoas da cidade vizinha, Pomerode (SC), sobre o traje da realeza da Festa Pomerana. Pomerode é um município que teve seu território desmembrado da Colônia Blumenau, cujo núcleo urbano inicial foi formado por imigrantes pomeranos, o que deu origem ao seu nome: Pomerode. Em mapas antigos da região, seu nome era escrito Pommerroda.
Desfile da festa Pomerana 2013.
Sentimos leve inclinação dos organizadores da festa seguir a originalidade e a tradição, valorizando a cultura pomerana a partir da preocupação com o traje que irão usar as três moças que serão figuras importantes e representativas de uma festa da cultura pomerana local. 
Resolvemos apresentar, de maneira resumida, um pouco sobre a Pomerania e seus principais trajes típicos históricos.
Também conversaremos sobre os trajes pomeranos e apresentaremos uma proposta de traje para a Realeza da Festa Pomerana. Tudo com intuito de contribuir.
Realeza da Festa Pomerana 2016 - antes de nossa sugestão.

A História conta...

Ferdinand Ernst Friedrich Hackradt foi o sócio de Hermann Blumenau na constituição da firma "Blumenau & Hackradt" — uma empresa particular de agricultura e indústria cuja sociedade não prosperou. Isto ocorreu antes da fundação da Colônia Blumenau.
Este fato histórico entre o comerciante imigrante, radicado em Nossa Senhora do Desterro, e o fundador da Colônia Blumenau não impediu uma excursão de Ferdinand Hackradt à região do Vale do Rio do Testo em 1863, para explorar e fazer o reconhecimento da área. Hermann Blumenau achou conveniente assentar colonos pomeranos nesta região de localização estratégica, situada entre o Stadtplatz de Blumenau e a Colônia Dona Francisca (atual cidade de Joinville).
Seu objetivo era favorecer e ampliar o comércio entre as duas colônias alemãs. A grande maioria dos imigrantes assentados era originária da região do Mar Báltico — a antiga Pomerânia —, o que deu origem ao nome da cidade.
Para melhor compreender - sugerimos a leitura da postagem: História comum entre as Colônias Blumenau, Pommerroder, Itapocu, Humbold e São Bento - José Deeke

Pommerrode SC.

Conversando sobre os trajes...

“Frida” e “Fritz” não são fantasias de carnaval, nem no Brasil e nem na Alemanha. No entanto, muitos dos trajes usados em nossas festas o são. Não possuem relação com o que já foi ou é usado na Alemanha para caracterizar um traje alemão, muito menos um traje de realeza de uma festa cultural alemã.
Dentro das várias regiões da Alemanha, multicultural e multicolorida, há uma diversidade de trajes históricos, e todos são originais e com lastro histórico. De todas essas regiões saíram imigrantes para morar na Colônia Blumenau e em outras regiões do Brasil, assim como chegaram os pomeranos à região de Pomerode — ou Pommerroda — há mais de 150 anos.
Os trajes da imagem acima são completos, de passeio, destinados para uso externo e em clima frio. São compostos pelo uso de chapéu, luvas, casaco de lã, lenço, etc.
No interior das residências, sua configuração era um pouco mais leve e desprovida de chapéu e do uso de outros acessórios. Atualmente, podemos adequá-los ao clima de nossa região; poderiam ser adotados assim, sem os acessórios para o clima frio (podendo estes existir para serem usados na estação fria — o inverno local).
Geralmente, os trajes históricos eram usados por camponeses e pastores das regiões que representam.
Em nossa opinião, o traje fica mais original quando apresenta as marcas do tempo (não precisam estar rasgados ou sujos), mas desbotados, amaciados ou um pouco desgastados.
Em tempos passados — séculos atrás —, era muito difícil, entre os camponeses e pastores, a troca de casacos e chapéus por novos. Geralmente, eram repassados de uma geração para outra.
Na Bavária, no sul da Alemanha, era e é uma tradição repassar o Lederhose (calça de couro) entre os homens da família. Não é muito comum usar um Lederhose novinho, limpinho; esse homem pode passar a imagem de que não é dado a muitas atividades nas montanhas, ao trabalho ou a atividades físicas. As meninas olham com desconfiança.
Pintura de Edmund Adler
Pomerânia 

Para melhor compreender o contexto cultural que burilamos, de maneira resumida, vamos conhecer um pouco da História da Pomerânia.
Os pomeranos, originalmente, faziam parte de um povo que possuía cultura própria. Ao longo da história transcorrida em seu território, a região passou a fazer parte do domínio prussiano. Antes não eram prussianos e, ao longo da história — dominados —, passaram a ser.
Vamos conhecer um pouco desta história de maneira resumida...
O Sacro Império Romano, a partir das Cruzadas Cristãs, dominou todo o seu território sob a organização social do feudalismo e a conversão religiosa, através das armas, ao cristianismo. A Igreja Cristã de Roma prometeu aos Teutônicos que, em troca da missão de converter os pagãos da região do Báltico, seriam senhores dessas terras e tornaram-se seus suseranos. E assim aconteceu.
Os Senhores Teutônicos tornaram-se representantes formais da Igreja Católica e do Sacro Império Romano na região — a elite. O período que permaneceu sob o domínio do Sacro Império Romano-Germânico foi de mais de seis séculos — de 1186 até 1806, quando ocorreu a dissolução deste Império pelo exército do francês Napoleão Bonaparte.
Nesse período, a Pomerania passou a fazer parte do Reino da Prússia (mais ou menos a época em que muitos imigrantes vieram para esta região; então, ainda não eram alemães de forma oficial, mas sim prussianos). Foram mais de 330 mil pomeranos que migraram para os Estados Unidos da América e muitos outros para o Brasil.
Passaporte de um membro da família Tönjes - Blumenau.
Brasão da Família Greifen em uma igreja
Século XIII - De onde vem o brasão
conhecido da  Pomerania e da 
Prússia.
Já escrevemos sobre os Duques — nobres "criados" durante o período do Sacro Império Romano a partir de lideranças locais e que detinham o poder do Imperador no local que governavam. A primeira Dinastia de Duques pomeranos chamava-se Greifen. A família Greifen permaneceu no poder por mais de 500 anos (do século XII até meados do século XVII). Seu domínio foi rompido quando o último Duque faleceu sem deixar herdeiros diretos.
Dinastia Greifen.
Após a morte do último Duque da família Greifen, seu cunhado, que pertencia à família Hohenzollern e era Duque do estado alemão de Brandemburg, assumiu o Ducado. A família Hohenzollern, com os dois Ducados, herdou também o Ducado da Prússia, criando um superestado conhecido como Brandemburgo-Prússia. Através de conquistas, foi somando outras regiões sob seu poder, até que o duque recebeu o direito e o título de Rei.
O superestado passou a ser chamado de Reino da Prússia, e a Pomerania tornou-se uma província dentro deste novo reino. Mesmo após a unificação da nação da Alemanha (1871), a Pomerania continuou como uma província alemã.
Pomerânia era uma Província da Prússia - e mantinha
 muito de seus hábitos e costumes.





Permaneceu assim até a Segunda Guerra Mundial, quando a região da Pomerania ficou sob controle militar da União Soviética. Também o limite que existia entre Alemanha e Polônia foi deslocado para o oeste, na linha Oder-Neisse. A região que restou em território alemão tornou-se a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental). A população que residia ao leste da nova divisa — os pomeranos — foi quase totalmente expulsa, e a área foi ocupada por poloneses, russos e ucranianos. Provavelmente, foi um grande impacto na identidade local.
O lado da ex-Pomerania que se transformou em território polonês foi dividido em três províncias:
  • Pomerânia Ocidental – Capital: Stettin;
  • Pomerânia – Capital: Danzig;
  • Pomerânia Kujawsko.
No lado oeste da Pomerania — que se transformou em Alemanha Oriental e tinha recebido grande número de poloneses, ucranianos e russos —, todos os estados foram dissolvidos. Foram restabelecidos novamente após a reunificação das duas Alemanhas (Ocidental e Oriental). A Pomerania que restou ficou muito pequena, então foi reunificada com o estado de Mecklemburgo, sendo chamado Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
O que restou da verdadeira cultura pomerana nesta região sudoeste do Báltico? 
Talvez esta esteja mais original com os descendentes de pomeranos que vieram para o Brasil no final do século XIX e não passaram pelo processo pós-Segunda Guerra Mundial: a cultura da cidade de Pomerode e a história de seus antepassados.

Comentando: 
Comentamos agora que as pessoas que se deslocam para Pomerode o fazem para ver sua tradição e sua cultura, e não para ver os tons da Oktoberfest Blumenau e comer alimento de food truck em caixinhas. Nos últimos anos, a festa mais popular de Pomerode está "escondendo" um pouco desta cultura e tornando-a mais comercial. É preciso estar atento, pois nem tudo deve ser pautado somente no lucro. Este, o lucro, pode ser consequência de algo muito original, cultural e prazeroso, como o eram as antigas festas na cidade — festas nas quais víamos, com mais assiduidade, o pomerodense nativo com todo seu prazer e alegria. Este podia participar com maior envolvimento, pois as festas eram mais suas, sob o ponto de vista cultural e gastronômico, e mais acessíveis, sob o ponto de vista econômico.
Sem o pomerodense, a Festa Pomerana não é a mesma.

Trajes na Pomerania

Os trajes históricos da Pomerania, como aconteceu em outras regiões da Alemanha, têm a sua origem no ambiente rural e campestre. Geralmente eram usados pelos camponeses, pastores e pescadores. Devemos considerar as grandes movimentações sociais e ocupações que interferiram nos hábitos e costumes locais no decorrer dos séculos e dentro de recortes históricos distintos.
Qual foi a influência dos senhores feudais teutônicos na região como elite? 
Qual foi a influência dos povos do norte e da Polônia durante a mudança do limite após a Segunda Guerra Mundial? 
E a mudança durante o Grande Império Prussiano, que assimilou os territórios pomeranos? 
Todas estas movimentações sociais mexeram com hábitos, costumes e com os trajes. 
Greifswald - Pomerânia Alemã (Oeste).
Observando o traje histórico feminino durante esta pesquisa, que tem o objetivo de delinear um traje para a realeza da Festa Pomerana, fazemos algumas observações. O traje histórico completo, para ser usado em dias frios e em espaços abertos, tem muitas peças de lã e é pesado.
Trajes - em um casamento - Nesta época as pessoas se casavam com a melhor roupa que dispunha, geralmente eram pretas, por vários motivos, mencionados por nós - na postagem "Noivas de Preto".

















Se tirarmos do conjunto de passeio aquelas peças para o frio, ficam as peças do "Dirndl bávaro", com as variações de modelos da blusa — geralmente branca e de algodão, com renda ou não —, do avental, quase sempre usado, e do colete. Concluímos que estas três peças do traje feminino devem ser consideradas no momento de propormos um traje para a realeza da Festa Pomerana.
Sem o  xale e casaco de lã resta um "Dirdl" bávaro. Deverá receber as adequações com referências
 do traje pomerano, como a saia preta (com barra com cor combinando com o avental e sua faixa)
e colete pretos (Bordado nas costas, com detalhes na parte frontal).
Sem o  xale e casaco de lã resta um "Dirdl" bávaro. É um traje suábio. O que resta, é saia rodada colorida, blusa branca com apliques de renda e colete com desenhos diferenciados. Os componentes usados no conhecidíssimo traje da Bavária  - somente com outras variações.



























Se retirar o xale, permanecem a saia, o avental, colete e blusa branca -  a base do Dirdl bávaro. A silhueta não era tão valorizada, pelo tipo de costura - feita em tecidos domésticos e rudes. Encorpavam. É possível fazer este traje  sob medida, usando tecido com caimento adequado e colete com apliques bordados, como usavam os pomeranos em suas melhores roupas.  Buckowtrachten1906.


Observamos que as cores, além das usuais preto e branco, são variáveis. A cor preta era comum e muito usada entre os camponeses em função do menor custo e do fato de a sujeira não aparecer tanto — a roupa durava mais e mantinha um aspecto satisfatório.
Não se pode afirmar que o traje pomerano é "assim" e pronto! Há muitas variáveis dentro dos diversos recortes de tempo histórico. As pessoas não saíam às ruas todas vestindo-se exatamente iguais, como um grupo folclórico atual. Podemos observar essas nuances de opções e propor uma variação dentro desta identidade cultural, de maneira atemporal.
A seguir, antes da apresentação de ideias e comentários sobre um possível traje local, vamos observar o traje de cinco regiões muito conhecidas da antiga Pomerania. Como já mencionamos, até o início do século XX, os modelos, cores e estilos dos trajes eram aqueles usados pelos pescadores e camponeses (agricultores) pomeranos.
Os relatos mais antigos sobre os trajes pomeranos são de autoria de Thomas Kantzow (1505-1545). Kantzow e outros autores escreveram sobre os costumes dos pomeranos, principalmente daqueles residentes às margens do Lebasee — um dos maiores lagos da antiga Pomerania e que, atualmente, faz parte da Polônia.
A região não tem acesso direto ao Báltico. Os trajes mencionados foram os de Binnenland — trajes de Pyritz (interior da Pomerania), provenientes do território conhecido como Weizäcker.
Lago Leba - Antiga Pomerania.
O escritor e pesquisador de trajes Albert Kretschmer (1825-1891) escreveu, em seu livro Deutsche Volkstrachten (Trajes Típicos Alemães), sobre os trajes de quatro regiões distintas da Pomerania. Outro autor, que se dedicou mais ao traje de Weizäcker (Pyritz) de sua aldeia, foi Herr Ludwig Most, em sua obra Landschaftsidyllen.

Trabalho de Albert Kretschmer
As 5 principais regiões Pomeranas e seus trajes

Vamos apontar os cinco trajes mais conhecidos como trajes dos pomeranos. Ao observar a sua movimentada história, percebemos o quanto foi difícil manter uma hegemonia cultural naquele território. Foram convertidos à força ao cristianismo por iniciativa da Igreja Católica de Roma, que distribuiu suas terras, sob o sistema de uma sociedade feudal, aos seus próprios algozes — os teutônicos. 
As cruzadas teutônicas partiam em missão para o báltico para converter os pagãos - em troca recebiam as terras dos convertidos sob ordem da Igreja de Roma - dentro da ordem feudal. Tornavam-seus senhores ou Duques.
Nestes tempos, mesmo com os Senhores "estrangeiros", povo daA Pomerania manteve a prática de seus hábitos e costumes por séculos. Após um longo período, devido à falta de herdeiros do Duque da Pomerania, seu povo ficou sob o poder do senhor de outro ducado, que assimilou o território. Contudo, ainda foi mantida a liberdade das práticas locais, sem interferir no cotidiano dos pomeranos, tratando a região como uma província. Mudou o senhor feudal, mas os camponeses permaneciam em suas propriedades, preservando seus hábitos. Foi nesse contexto que muitas famílias pomeranas imigraram para o Brasil e para os Estados Unidos.
Em nossa opinião, o que aconteceu com esta cultura após a Segunda Guerra Mundial foi gravíssimo. Novamente mudou-se o poder e os senhores, mas com uma diferença crucial: os pomeranos foram expulsos de seu Heimat. Isso quebrou o elo com a casa milenar onde se praticavam os costumes desse povo. Diríamos que, atualmente, é mais fácil encontrar a história e a memória originais entre os descendentes que vieram para o Brasil no século XIX do que na própria região da antiga Pomerania.

Um Hífen...
Poesia de um descendente de Pomerano - brasileiro
Pomerano Pomerodense

Rubens Bachmann
Sou descendente
de um povo
uma nação,
que após a guerra
perdeu a pátria.
e fez da Terra,
a pátria de todos
que a perderam
na guerra.
desde então
e dos tempos já idos
do Império Alemão,
onde fui soldado,
lavrador, funileiro,
sempre tive profissão.
nunca fui
Invasor,
nem desertor
ou sem terra.
bandoleiro
arruaceiro ou
saqueador.
na paz
na guerra,
deixei Stettin.
no Oder
do Báltico distante
fui para o mar do Norte.
e de Hamburgo
num veleiro
ao Atlântico.
fui marujo
viajante
no porão.
Cruzei os mares
o equador
do norte ao sul.
aportei na terra
Santa Catarina
do Brasil.
Subi o Itajaí
e o Testo
onde acampei.
Fiz meu roçado
meu rancho
me instalei.
fiz a casa
o clube,a igreja e
a escola.
tirei do baú
a velha concertina.
toquei
dancei, cantei
chorei.
a música
a dança, o canto
a saudade.
para mim
a morte
pros filhos
a dificuldade
pros netos
o pão.
De Pomern
No Oder
nasceu
POMERODE!
Sou
BRASILEIRO
POMERANO
POMERODENSE
meu irmão!
Prosseguindo...

Após toda essa movimentação, observaremos cinco trajes pomeranos característicos de épocas distintas. O último deles apresenta a influência dos povos que chegaram ao território pomerano mais recentemente.
Por toda essa história, pode-se explicar a carência de registros das práticas deste povo. Um exemplo marcante: a cor preferida e de passeio dos pioneiros na Colônia Blumenau era o branco e o preto. Quem não tem a lembrança da Oma com a saia preta e uma blusa branca enfeitada com rendas? 
Ou ainda, do Opa com sua calça preta e camisa branca, muitas vezes com uma camiseta de malha por baixo? 
Há muitos outros detalhes desse cotidiano preservado.
Vamos, agora, aos trajes das regiões destacadas no mapa.
Traje Belbucker Bauerntracht
Karl Friedrich Schinkel.
Após a fundação do mosteiro de Belbuck, em Treptow an der Rega, entre o final do século XII e o início do século XIII, camponeses da Frísia (atualmente uma província dos Países Baixos) foram contratados para trabalhar nas terras monásticas. O contato com esse povo deu origem ao traje da região, que ficou conhecido como Belbucker Bauerntracht. O registro visual mais antigo desse traje é atribuído a Karl Friedrich Schinkel, datado aproximadamente do ano de 1800.



Traje sem o casaco de lã e um traje juvenil.
Traje Jamunder Bauerntracht
Traje sem a presença do casaco de lã.
Poderia ser dispensado adorno de
cabeça igualmente.

Os trajes usados pelos camponeses e pescadores dos arredores de Jamund, perto de Köslin, remontam ao período da Reforma. Uma de suas características marcantes era a presença de túnicas longas e simples de linho, utilizadas desde o século XVI. O Jamunder Fischertracht também é conhecido como roupa de festa.


Traje completo.
Mönchguter Fischertracht

Essa foi uma roupa característica de trabalho usada por pescadores em Mönchgut até a década de 1940. É um traje masculino e sua principal característica eram as calças largas de linho (e não de couro, como já ouvimos por aí), usadas sobre as botas, o que permitia que secassem rapidamente sob a ação do vento.


Um pescador autêntico com o traje de trabalho.
Traje com todas as marcas que tem direito após um dia de trabalho.
Daí a origem do Heringsbrot ( Pão com Herings - que no Brasil
 é usado sardinha - e não tem origem nas montanhas da Alemanha).





Weizacker-Bauerntracht

Este é o traje mais famoso e popular entre os trajes pomeranos, tendo sido usado pelos agricultores da região de Pyritzer Weizacker. No século XIII, essa região pertencia ao Mosteiro Kolatz e sempre foi uma área independente a partir de sua formação.
Os camponeses eram donos de sua produção e, conforme a sua renda, o sucesso financeiro refletia-se particularmente em suas roupas. Ou seja, se o camponês fosse mais abonado, sua esposa exibia um maior número de saias sobrepostas e ricos bordados em tecidos mais caros. Curiosamente, a versão feminina do traje, como a conhecemos, consolidou-se na década de 1920, enquanto a roupa masculina já existia desde a década de 1880. O traje era reservado exclusivamente para dias de festa.






"Kaschubien"

Não são pomeranos, mas sim descendentes dos povos que chegaram à região pomerana. Os cassubianos (Kaschubians) são um povo eslavo que vivia e vive às margens do Mar Báltico. Estudos apontam que este povo é o que restou da população da Pomerania medieval (aquela dominada pelos alemães cristãos) que chegou ao local antes dos poloneses.
Estabeleceram-se entre a cidade de Oder e o Rio Vístula. Muitas vezes foram vassalos da Dinamarca e da Polônia, enquanto a maioria dos eslavos pomeranos foi assimilada durante o assentamento medieval alemão da Pomerania — o Ostsiedlung. Os cassubianos possuem sua própria língua e tradição; portanto, não são pomeranos.

A língua cassubiana tem origem eslava ocidental e é atualmente falada por aproximadamente 50 mil pessoas; destes, 5% são alemães, localizados na antiga Prússia — região dominada e cristianizada pelas Cruzadas alemãs oriundas do sul, que receberam as terras como dote pelo feito realizado.
O povo cassubiano pertencia à extinta Volksweig der Slowinzen, que vivia mais ao oeste de onde é encontrado o traje cassubiano atualmente. Esse traje é geralmente usado nas principais festividades e feriados.

Comentário: Os eslovincos (Slowinzen) eram um subgrupo dos cassubianos que falavam um dialeto muito específico e que acabou desaparecendo no início do século XX, tornando essa distinção histórica ainda mais relevante para este estudo
Em 1309, a Pomerania, ao adquirir o estado alemão da Teutônia, formou uma unidade política independente na época. Em 1466, os poloneses dominaram a região, que permaneceu sob seu controle até 1772, quando a Prússia assumiu o domínio da área que ficou conhecida como Prússia Ocidental.
No final da Primeira Guerra Mundial, a região voltou ao controle polonês. Já no início da Segunda Guerra Mundial, retornou ao domínio de Danzig e da Prússia Ocidental, pertencentes ao Império Alemão, até tornar-se definitivamente parte da República da Polônia após o conflito, em 1945. Atualmente, é na Polônia que está situado o território com o maior número de cassubianos com sua identidade cultural original preservada.



Assim conseguimos delimitar o que é a herança germânica/pomerana e o que pertence a outros grupos étnicos da mesma região báltica. Com esses cinco exemplos, traçamos um panorama que esclarece:
  • Belbucker: Influência frísia/monástica.
  • Jamunder: Tradição de pescadores e camponeses da Reforma.
  • Mönchgut: Funcionalidade marítima (linho e ventos).
  • Pyritzer Weizacker: Ostentação e status camponês.
  • Cassubianos: A persistência eslava na região.
O Traje da Realeza da Festa Pomerana desenhado por nós
      • Silhueta: Ajuste preciso no colete para valorizar a postura da realeza.
      • Materiais: Foco na nobreza dos tecidos naturais para diferenciar o traje da realeza dos trajes de uso comum.
      • Identidade: Uso do contraste P&B (Preto e Branco) como resgate da sobriedade dos pioneiros.
Para compor o traje da realeza da Festa Pomerana, sugerimos trabalhar com os elementos que se repetem em quase todos os trajes históricos e até mesmo no conhecido traje da Baviera: saia, avental, blusa branca de renda e algodão, e colete.
Podemos criar um traje com informações visuais de todos os modelos que vimos rapidamente nesta postagem. Por que criaríamos um novo? Porque sabemos que os trajes históricos pomeranos eram usados em festas e no dia a dia por pessoas que residiam junto ao Mar Báltico. Ou seja, eles não se vestiam de forma idêntica, como fazem os dançarinos de um grupo folclórico atual, nem seguiam cores de clãs familiares, como ocorre na cultura irlandesa.
As cores de base sugeridas são o preto e o branco, que também podem variar para o cinza e o branco.
É fundamental observar os acessórios e tecidos. Devem ser utilizados tecidos leves e naturais, como algodão e seda (brocado). O tecido sintético deve ser restrito, preferencialmente, apenas à saia. As fitas devem ser delicadas, e as correntes e ilhoses devem ter tamanhos proporcionais ao espaço que ocuparão no conjunto.
O resultado final deve ser harmonioso e feminino. Observamos que os trajes em imagens antigas nem sempre seguiam um corte de costura refinado, o que não valorizava a silhueta feminina. Diferente disso eram os trajes da Baviera, que acentuavam muito bem a cintura com o uso de um colete reforçado (quase um espartilho), acompanhado de saia e avental esvoaçantes.

Em resumindo
Os pontos principais que garantem a originalidade e a elegância:
  • Comprimento Midi: O corte no meio da canela equilibra a tradição histórica com a necessidade de ventilação para o clima tropical.
  • Volume: A saia bem rodada garante o aspecto festivo e a imponência necessária para a realeza.
  • Materiais Nobres: O uso de fibras naturais e o toque artesanal do bordado manual elevam o traje de uma simples fantasia para uma peça de valor histórico e artístico.
  • Praticidade: A ausência de meias e a escolha de um salto médio priorizam o bem-estar das representantes, que passam muitas horas em pé durante os eventos.
Traje Bávaro - Início do século XX.
Não tínhamos material de desenho próximo, por isso tomamos a gravura do início da postagem para "conversar" sobre o traje.
Acompanhando o vestido, sugerimos sapatos pretos de salto e sem as meias, em função do calor local de nossa região.
Observar cores e tecidos!!!

 Tudo é "móvel" e pode ser ajustado. O comprimento do conjunto não precisa ser longo — visando o conforto térmico —, mas deve ser bem rodado, com o comprimento no meio da canela. É fundamental a escolha dos tecidos: as opções devem recair sobre materiais naturais (coerentes com a época) e contar com bordado manual. Acompanhando o conjunto, sugerimos sapato de salto médio confortável e sem meias. É nas pequenas coisas que estão os detalhes mais importantes.
A composição de cor deve ser mais vibrante - não tinha material de pintura disponível - neste momento. A saia em tom cinza e o colete, avental e fitas com uma composição de cores vibrantes + preto. Não há necessidade de ser longo. Comprimento no meio da canela - avental com comprimento até a barra com cor diferente (Ainda a ser escolhida dentro da composição). Também, pode ter mais de um modelo de blusa e avental compondo com o conjunto e criando alternativas de trajes ao longo da festa, podendo este variar, sem a necessidade de fazer um traje totalmente novo. Jamais usar as blusas com o modelo bávaro e suas carcterísticas (com grandes degotes).
Na Pomerania se usou muitas flores no cabelo e bordadas nos trajes. Os decotes são mais fechados, geralmente com detalhes "Romântico" a partir de rendas.
O avental, o colete ou corpete e a blusa branca de ALGODÃO então em quase todos os trajes, muda somente nos detalhes.


Pomerode aceitou inovar e quebrar Paradigmas! Parabéns1

O Resultado materializado...
Postado no dia 20 de fevereiro de 2017 -  Resultado materializado.

Parabéns Pomerode - por quebrar paradigmas!

As palavras de um professor que reside em Pomerode revelam um desejo genuíno de buscar o traje correto. É um bom começo.
A pesquisa deve prosseguir.

Para ler mais sobre - Clicar sobre os título a seguir:

Nós desenhamos os trajes e escolhemos os tecidos das composições. Registro do 50° aniversário do G.F Alpino Germânico com a Realeza da Festa Pomerana 2019 - 29 de setembro de 2018.
Reunião em nosso escritório - Apresentando os principais e mais importantes pontos de um traje - do traje da realeza da Festa Pomerana - ano 2016 para a festa de 2017.








Definição das tecidos composições a partir dos tecidos, cores, texturas adequadas aos modelos idealizados - lojas especializadas - poucas opções de tecidos adequados.








Prova dos vestidos em vários momentos...














A execução dos trajes ficou sob a responsabilidade de uma equipe vencedora de licitação pública, com a confecção assinada por Maria Odete Turinelli e Lara Patrícia Wilkening Steinhausen.
Edições 2025/2026 - 40ª e 41ª Festa Pomerana

A utilização de um novo avental - idealizado fora da proposta posteriormente.
O novo avental utilizado pela Realeza, de estilo floral e mais leve, acaba não se alinhando à proposta original, que possui características mais formais e sóbrias.
Como o conjunto original foi concebido a partir de um estudo rigoroso de cores e tecidos, a introdução de um elemento de estilo campestre — tanto no material quanto na estampa e no caimento — rompe a harmonia visual necessária para uma representação oficial.

2025


2026






Realeza da 41ª Festa Pomerana usando o traje original.

Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
Angewitt  (You Tube) 
AngelinaWittmann  (Facebook)




Em  Construção!!









3 comentários:

  1. Respostas
    1. "Um diálogo" a partir de uma sequência de idéias - que foi materializada - com bons ecos na cidade de Pomerode! Nossa gratidão...Abraços.

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  2. Olá, gostei muito do artigo. Minha família por parte de mãe é descendente de pomeranos. Gostaria de saber de onde é a primeira imagem das duas moças, sabe quem é o artista? Achei linda

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