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sábado, 1 de agosto de 2026

Um dos primeiros professores de Pomerode - Ferdinand Ludwig Albert Hackbarth

Há uma imagem por aí — criada a partir desta corrigida pela IA — em que ele parece bem mais velho do que a esposa; no entanto, nasceram no mesmo ano. Portanto, essa restauração da imagem foge muito da realidade.
Em um comentário no texto "Quem foi Ferdinand Ernst Friedrich Hackradt?", um tataraneto de Ferdinand Ludwig Albert Hackbarth escreveu:

"Bom dia, que reportagem maravilhosa! Estava à procura de outro Ferdinand, meu tataravô, onde muitos fizeram confusão, confundindo-os. Com essa história podemos distinguir muito bem os dois. Seria maravilhoso que um dia pudesse fazer um estudo sobre o nosso Ferdinand  Ludwig Albert Hackbarth, pois não tenho esse conhecimento seu e nem estudo para isso, onde as pesquisas ficam muito restritas, para o povo comum. Meu tataravô também foi muito importante para Pomerode, pelas informações que já consegui. Foi considerado por alguns pesquisadores, como o primeiro professor de Pomerode, mas poucos papéis comprovam essa realidade, talvez pelo período de era Vargas, onde muita coisa foi perdida, escondida ou mesmo queimada. Fica meu pedido para você e agradeço se puder ajudar, já temos certidão de casamento dele lá da Alemanha, mas só isso, estamos atrás da certidão de nascimento pra conferir o nome dos pais."

Nós ficamos curiosos em saber mais sobre a segunda personalidade, que é confundida com a primeira — esta muito conhecida na história local. De acordo com o registro do Pioneiro Colônia Blumenau, sua família era grande quando chegou à região.
Quem foi Ferdinand Ludwig Albert Hackbarth?

Ferdinand Ludwig Albert Hackbarth foi um dos imigrantes de origem germânica que se estabeleceram na Colônia Blumenau na segunda metade do século XIX. Ainda não existia a Alemanha como nação.
Ferdinand nasceu em 6 de março de 1830 em Latzig, na região da Pomerânia (Pommern), que na época pertencia ao Reino da Prússia e atualmente faz parte do território da Polônia, visto que a antiga vila alemã, após a 2ª Guerra Mundial, passou a integrar a Polônia, sendo rebatizada como Laski (no condado de Białogard)
Latzig/Laski.
Cidade que nasceu Ferdinand Ludwig Albert Hackbarth.

Os Hackbarth's chegaram à Colônia Blumenau em 6 de agosto de 1869 com sua esposa, Johanna Caroline (Ziebell) Hackbarth, com quem se casara em 16 de maio de 1852, na Prússia-Pomerânia — 17 anos antes de migrar para o Brasil. Ela também era nascida em 1830 e filha do pomerano Johann Peter Ziebell. Migraram para o Brasil com 10 filhos. Por certo, o salário de professor sua ocupação na região) não sustentaria a todos. Como todo imigrante, deveriam possuir uma pequena "fábrica" alimentícia em seu rancho, de onde saíam os embutidos, derivados do leite, conservas de frutas e verduras e doces diversos. 
Os filhos que migraram junto com os pais foram:
  1. Johanna Albertine Adele Hackbarth (1852– )
  2. Max Hackbarth (1854–1934)
  3. Carl Louis Emil Hackbarth (1856– )
  4. Theodoro Hackbarth (1857–1902)
  5. Martha Hackbarth (1860–1936)
  6. Bertha Hackbarth (1862– )
  7. Elise Hackbarth (1864– )
  8. Ferdinand Theodor Albert Hackbarth (1865–1937)
  9. Marie Bertha Wilhelmine Hackbarth (1867–1947)
  10. Anna Hackbarth (1869–1955)
Ainda nasceram na Colônia Blumenau mais dois filhos, somando 12 - 6 meninos e 6 meninas. São eles:
  1. Erich Eduard Wilhelm Hackbarth (1871–1909) – Pomerode
  2. Ernest Friedrich Wilhelm Hackbarth (1874–1874) – Tatutiba
Assim como os pioneiros mencionados no jornal Allgemeine Auswanderungs-Zeitung, a trajetória de Ferdinand e de sua família reflete o contexto anterior à unificação alemã de 1871. O Allgemeine Auswanderungs-Zeitung ("Um Mensageiro entre o Velho e o Novo Mundo") foi um importante jornal semanal em língua alemã publicado entre 1846 e 1871 na cidade de Rudolstadt, na Turíngia. 
O periódico surgiu em um momento crucial da história alemã, coincidindo com as grandes ondas de migração em massa do século XIX, quando centenas de milhares de pessoas deixavam a Europa rumo às Américas e à Austrália.
Ferdinand e sua família migraram dois anos antes da unificação da Alemanha como país - 1871. Partiram de uma região com dialeto próprio (o pomerano), com hábitos e dinâmicas culturais muito específicos de sua terra natal, somando-se à diversidade de identidades locais que moldaram o início da colonização regional. Como sempre lembramos: os alemães não eram todos iguais sob o aspecto cultural e histórico.
Estabelecendo-se inicialmente na região da sede da Colônia Blumenau, Como anteriormente mencionado, Ferdinand e Johanna tiveram doze filhos — sendo apenas dois nascidos no Brasil.
Traçado dos lotes coloniais da Colônia Blumenau.
Na Colônia Blumenau, além de colono, Ferdinand atuou como professor, mais especificamente em Pomerode, cuja nucleação fora recém-criada. Em 1863 — seis anos antes de sua chegada —, os primeiros imigrantes haviam chegado ao Vale do Rio do Testo, desbravando a mata densa da região. Ferdinand foi o primeiro professor com formação a lecionar no território que hoje compreende o município de Pomerode.
Nessa época, todos tinham que praticar a agricultura familiar de subsistência — plantando arroz, batata, fumo e mandioca, entre outros cultivos, e criando animais —, pois não havia "supermercados". As casas eram quase todas edificações provisórias vernaculars, construídas com materiais retirados do entorno.
Sendo a família Hackbarth muito numerosa (12 pessoas), necessitava plantar e criar animais para sua subsistência, como todos os demais. No início da história de Blumenau, todos eram colonos, pois adquiriam lotes coloniais e trabalhavam na terra, independentemente de sua formação prévia.
Como ocorria nos traçados de lotes coloniais na Colônia Blumenau — desenho dos primeiros agrimensores e, pode-se dizer, planejamento —, também em Pomerode, que fazia parte desta colônia, os lotes ocupavam os vales, neste caso do Rio do Testo e de seus afluentes. Estes lotes tinham grande profundidade e testada pequena, para que todos os colonos pudessem ter acesso à água, garantindo acessibilidade, irrigação e abastecimento às suas propriedades rurais.
O livro Centenário de Blumenau registra que, em 1869, surgiram 19 novas escolas rurais na Colônia Blumenau. Uma delas ficava na localidade de Alto Rio do Testo, e Ferdinand Hackbarth foi nomeado o seu primeiro professor.

"Em 1867 aparecem as escolas do Rio do Têsto, (Reinhold Freygang), Alto Garcia (Carlos Kühne), Ribeirão Encano e Rio Itajaí-açu (Carlos Strük-ker). Prédios escolares em Rio do Têsto e Alto Garcia. No ano seguinte construíram-se os prédios do Alto do Rio do Têsto e Encano.
Estatística de 1869: 1 escola pública em São Pedro Apóstolo do Gaspar (professor, Antônio Ribeiro Carvalho); 2 escolas públicas em Blumenau, na sede; 3 escolas particulares na sede; 19 na zona rural, sendo novas as de Rio Morto (Fr. Richter), Alto do Rio do Têsto (Ferdinand Hackbarth)." Livro Centenário de Blumenau - página 288.
Nos registros oficiais da Diretoria de Terras e Colonização do Estado de Santa Catarina, consta um requerimento de concessão de terras em nome de Ferdinand Hackbarth localizado justamente no Vale do Selke (Blumenau), datado de 1883.
Ferdinand Ludwig Albert Hackbarth faleceu em 10 de março de 1913, aos 83 anos, sendo sepultado em Pomerode. Sua trajetória exemplifica a complexa colcha de retalhos culturais e linguísticos dos imigrantes que partiram de diferentes Estados alemães antes da unificação do país.

Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Memória do 11° Stammtisch de Pomerode - Fevereiro de 2012

Ao burilarmos nossos arquivos, encontramos registros importantes que foram feitos sobre pessoas e locais da região. Um bom exemplo é o 11° Stammtisch de Pomerode/SC, ocorrido em fevereiro de 2012, um evento regado por muita música e animado por um grupo de amigos vindos não apenas da cidade, mas de toda a região.
Trata-se, neste momento, de uma das mais ricas memórias culturais regionais. O Stammtisch é uma das tradições daqueles que cultuam os elementos da natureza quando as estações da primavera e do verão se fazem presentes, trazendo consigo a maior permanência do sol e o convite ao convívio ao ar livre.
Apreciavam-se esses momentos com música, comida e boa companhia ao ar livre. Isso já acontecia em Blumenau desde as primeiras décadas de sua história, de maneira informal e como parte do cotidiano das famílias, que colocavam uma mesa na rua e apreciavam uma boa cerveja com os amigos. Na cidade, as famílias produziam a sua própria cerveja e promoviam esses encontros às sextas-feiras, após o expediente. Muita coisa mudou durante os períodos das guerras.
Atualmente, observam-se modificações decorrentes do contato com outras culturas; o evento deixou de ser conhecido como Straßenfest ou Straßenfest mit Stammtischtreffen. Do antigo culto à rua, passou-se ao culto e à celebração da amizade.
É preciso lembrar as raízes desse povo que cultuava a natureza — conforme descrito por Tácito — e resgatar o real sentido cultural dos alemães que continuam, nos dias atuais, praticando as suas festas ao ar livre. Seja de maneira consciente ou inconsciente, e sem se renderem apenas ao aspecto econômico, esses encontros almejam, essencialmente, o lazer e o prazer das boas companhias ao ar livre.
Blumenau - século XIX, em frente ao 1º Schützenverein da Colônia Blumenau, onde atualmente construíram a Loja Havan na frente. Na mesa do Stammtisch da imagem, dentre muitos, estão alguns nomes da história das primeiras décadas de Blumenau, como: Hermann Hering, Bruno Hering, Heinrich Brandes, Wilhelm Schaefer, Emil Odebrecht, Bernhard Scheidemantel, Franz Lungerhausen, Friderich Blohm, Paulo Schwartzer, Carl Jürges, Arthur Koehler, Alwin Schrader, Richard Paul e Gustav Salinger.
Fomos a Pomerode no dia 25 de fevereiro de 2012, um sábado chuvoso, especialmente com o propósito de registrar esse momento para a história. No local, que aconteceu junto ao Pórtico Sul de Pomerode, encontramos muitas pessoas conhecidas de Pomerode e de Blumenau. Estavam presentes a equipe da Rádio Pomerode, representada por Maurício Nienow d´Amaral, e os integrantes da organização — titulares e representantes da Secretaria de Turismo e da Coordenação Geral do Stammtisch de Pomerode.
Local do 11° Stammtisch de Pomerode - Pórtico Sul.
Ao andarmos por entre as confrarias participantes, encontramos grupos que, já havia algum tempo, integravam o Stammtisch de Pomerode. Um exemplo notável é o Grupo Amigos da Itoupava, de Blumenau, que participava desde a primeira edição, além de ser uma agremiação muito atuante no Stammtisch blumenauense. Na época, Charles Schneider, seu presidente, convidou-nos para participar do Stammtisch da Vila Itoupava, que aconteceria em julho daquele mesmo ano e que registramos o evento de 2016. 

Registros para a História - 11° Stammtisch de Pomerode 2012
Vídeos






Fotografias
 Ivone Lemke  - Diretoria de Políticas de Turismo de Pomerode e Maurício Nienow d´Amaral  - Rádio Pomerode.




Maurício Nienow d´Amaral  - Rádio Pomerode e Srta.  Denise Lopes -  Assessora de Imprensa -  Secretaria de Turismo.
Maurício Nienow d´Amaral  - Rádio Pomerode, Sra. Ivone Lemke - Diretoria de Políticas de Turismo e Claudio Krueger - Secretario de Turismo de Pomerode.

Amigos da Itoupava - Blumenau, que  participa desde a primeira edição

Nelson esposo de Maria Luiza - exímio marceneiro e dos mais assíduos praticantes de cultura local, que deixou saudades.































Pórtico Sul de Pomerode - local do 11° Stammtisch de Pomerode em 2012.

Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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