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| Os jovens Wilhelm Gottfried Lange e Claire (Reuge) Lange e “Brüdertal” – Vale dos Irmãos, atual Guaramirim. |
| Brandenburg an der Havel. Fonte: Google Earth. |
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| Fonte: Google Earth. |
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| Fonte: Virtual Museum of Protestantism |
Foi ordenado pastor em Herrnhut — uma comunidade cristã de origem luterana, também conhecida como Comunidade Morávia, Irmãos Morávios ou Irmãos Tchecos. De acordo com Saulo Adami, a Irmandade Herrnhuter, também chamada de hussita, foi criada por Jan Hus — teólogo tcheco que expôs suas doutrinas ao Concílio de Constança, em 1413, e foi condenado à morte devido aos seus conceitos e ideias. Ele defendia o culto do "cristianismo primitivo, a abolição da propriedade privada e contestava alguns dogmas da Igreja Católica, sendo o principal a prática da venda de indulgências."
O Pastor Wilhelm Gottfried Lange (1858-1930) atuava na região da Volhynia (Wolhynien), onde ele e os demais Irmãos Morávios e alemães enfrentavam a opressão do governo da Rússia – tanto em termos religiosos quanto em termos econômicos. Impossibilitados de professar sua fé naquela região, Lange e outros 110 membros da Irmandade Herrnhut emigraram para o Brasil e escolheram o interior de Joinville, Santa Catarina (1886) como seu novo lar. Saulo Adami
A comunidade luterana traduziu a Bíblia para o tcheco e fundou várias escolas. Após perseguições no ano de 1.727 unificaram suas comunidades na cidade de Herrnhut, que seria a sede desta entidade religiosa. Esta comunidade aceitava as doutrinas tradicionais cristãs, mas enfatizava a liberdade plena de consciência, rejeitando qualquer outra autoridade em matéria de fé além da Bíblia. Entre suas atividades, destaca-se o envio de missionários para diversos países do mundo (Adami, 2003).
Relembrando: o Pastor Lange foi enviado, aos 23 anos de idade, para a região da Boêmia e da Polônia Russa, onde serviu durante três anos em Schadura. Nesta região, entretanto, reinava uma intensa vida cristã; havia poucas igrejas e pastores protestantes e, por isso, poucas oportunidades para cultos — conforme relata o próprio pastor em seus registros pessoais. O governo da Rússia não era favorável às práticas religiosas dos Irmãos Morávios e, após algum tempo, através de um decreto do Ministério em St. Petersburg, foi proibida qualquer atividade religiosa dos morávios em Schadura.
Esta decisão formal contribuiu muito para a perseguição aos alemães da região, que formavam um considerável grupo que comungava do ideário do pastor e que também sofria perseguições sob o domínio dos russos. Impossibilitados de ali continuar devido às dificuldades de suas atividades, o pastor e um grupo de 111 imigrantes de regiões da atual Alemanha e da Rússia resolveram deixar Volínia (Wolhynia) e migrar para o Brasil para criar uma comunidade religiosa ligada à Irmandade Herrnhuter, onde pudessem praticar sua fé com tranquilidade.
A viagem do grupo durou de março a 28 de junho de 1886, quando chegaram à Bahia, onde o navio quebrou. Até chegar ao seu destino final, o porto de São Francisco do Sul, a viagem atrasou muito.
| Igreja Luterana dos Imigrantes, Guaramirim. |
A colônia foi fundada ainda em 1886 — na atual Guaramirim. Neste tempo, o Pastor Wilhelm Gottfried Lange trabalhou duro, como todos os pioneiros que rasgaram a mata para construir as principais estruturas de uma nucleação, iniciando com o rancho de Imigrantes, a limpeza dos terrenos, o feitio dos pastos, roças e pomares e a construção das casas temporárias no meio da Mata Atlântica. O pastor contava com 28 anos e ainda não era casado.
Não por muito tempo.
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| A constituição da propriedade rural e o processo de ocupação da mata eram semelhantes em toda a região. |
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| Localização atual da Colônia Brüderthal fundada pelo Pastor Wilhelm Gottfried Lange e amigos de comunidade. |
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| Com as idades do período do casamento - 1887. |
Com isto, em 1887, Wilhelm Gottfried Lange escreveu para a Irmandade na Alemanha e solicitou uma esposa. Sua noiva, a suíça Claire Reuge, chegou ao Brasil e casaram-se na Colônia Brüderthal, em 27 de julho de 1887. Ela era filha de Louis Leopold Reuge (1834 - 1871) e de Laura Jacot. Antiguíssima família, que remonta ao início do século XVII. Claire, que no Brasil era chamada de Clara, nasceu em 17 de fevereiro de 1857, em Fleurier, Neuchâtel. Foi companheira do Pastor Wilhelm Gottfried Lange em todas as frentes de atividades e no lar, por toda sua vida.
A seguir, parte de uma de suas cartas aos familiares, na Suíça, comentando sobre o casamento.
(...) no dia seguinte fomos para Joinville, onde iríamos celebrar nosso enlace. Fomos recebidos com muita simpatia pelo Pastor e sua mulher.Para o dia seguinte ficou combinada uma pequena festa de casamento, para a qual foi convidada uma série de colonos. De Brüderthal, nossa futura comunidade, vieram a pé entre 20 e 30 jovens, o Grupo de Canto, que queria embelezar a festividade com suas canções. Ali eu logo tive a oportunidade de me alegrar sobre as vozes jovens e claras do nosso pessoal, na maioria originários da Boêmia.
Alguns ciprestes frondosos e palmeiras de diversas espécies protegiam os canteiros de flores contra os fortes raios do sol.Praticamente lado a lado com a casa paroquial encontra-se a escola, que ao mesmo tempo serve de igreja. Claire Reuge - Carta para Alemanha. GONÇALVES, 2018.
A distância entre Guaramirim e Joinville soma aproximadamente 42km.
O casal Wilhelm Gottfried Lange e Claire (Reuge) Lange teve sete filhos: Meta Elisa Lange (1888–1916), Clara Gabriele Lange (1889–1956), Walter Heinrich Franz Lange (1890–1977), Rudolf Wilhelm Lange (1892–...), Gottfried Rudolfo Lange (1893–1966), Ilse Reuge Lange (1897–1950) e Hildegard Lange (1899–1985). Seus descendentes estão espalhados por algumas regiões de Santa Catarina.
Historicamente, o Pastor Wilhelm Gottfried Lange liderou o grupo responsável pela fundação de um dos primeiros núcleos urbanos do atual território da cidade de Guaramirim, pioneiramente chamado de Colônia Brüderthal, em 1886. Localizada na atual Rodovia do Arroz, já registramos marcas desta primeira ocupação na paisagem durante nossas viagens à cidade de Joinville.
Dez anos depois, em 1896, o Pastor Wilhelm Gottfried Lange seguiu para Brusque, quando resolveu aceitar o convite para ocupar o lugar vago na paróquia local, onde, no dia 12 de julho de 1896, foi introduzido pelo então pastor daquela comunidade, o Pastor von Czekus.
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| Fonte: a foto pertence ao arquivo da família Lange/Hoffmann e está publicada na obra "Testemunho de Fé - Memorial do Pastor Wilhelm Gottfried Lange" - organização, notas e pesquisas - Saulo Adami. |
Permaneceu na cidade até quando adoeceu e, em 1909, o Pastor Lange, aposentado, e sua família mudaram-se de Brusque para Itajaí seguindo orientação médica. Seu último culto em Brusque foi realizado em julho de 1909, à frente da cerimônia de confirmação de um grande número de meninos e meninas. No final da celebração, desmaiou diante do altar. Nesta época, contava com 51 anos.
Com a menor carga de trabalho, sua saúde apresentou melhoras e, novamente, retornou à ativa, substituindo outros pastores quando era necessário — como, por exemplo, o de Brusque, que também atendia à comunidade de Itajaí. Também residiu em Hansa Hammonia (Ibirama) e em Pomerode, onde foi responsável pela comunidade entre 1º de maio de 1920 e 31 de outubro de 1923, quando, finalmente, não conseguiu mais trabalhar em virtude da saúde.
O Pastor Liebhold, serviu a comunidade até 15 de julho de 1920. Esforçou-se o máximo em prestar serviços à altura de seus antecessores. Dotado de talento musical, ensaiou com os confirmandos da época, canções sacras, em diversas vozes, com grande êxito. Também as suas prédicas ainda continuam na lembrança dos veteranos da comunidade.Foi substituído, em caráter provisório, pelo idoso e aposentado Pastor Lange. A missão deste, na comunidade, considerando a idade, foi tarefa árdua. Todavia, a contento de toda comunidade, exerceu a missão até 2 de dezembro de 1922. Artigo Prof. João Ehlert - Tradução do alemão Lauro Harbs
Definitivamente aposentado, mudou-se para Timbó após o falecimento de sua esposa, Clara, em 14 de março de 1921, em Pomerode. Neste tempo, aos 63 anos de idade, começou a escrever sua biografia, que compõe as páginas do livro "Testemunho de Fé – Memorial do Pastor Wilhelm Gottfried Lange", de Saulo Adami.
Em Timbó, o Pastor Lange residiu com sua filha Hildegard (Lange) Herweg (1899–1985) até falecer, em 19 de novembro de 1930, aos 72 anos. Hildegard era casada com Heinrich Herweg (1889–1975).
Seu manuscrito sobreviveu à perseguição da polícia de Getúlio Vargas no período do Estado Novo (1937-1945), que promoveu a Campanha de Nacionalização, impondo que não se falasse no país outro idioma além do português. O objetivo era forçar a integração de imigrantes e seus descendentes à cultura brasileira, limitando a influência de suas culturas de origem. Com isso, escolas dirigidas por imigrantes estrangeiros, seus clubes esportivos e de serviço, assim como jornais publicados em outros idiomas foram fechados.Com medo de que os manuscritos de Lange fossem também alvos da Campanha de Nacionalização, sua filha os enterrou no quintal de sua casa. Passada a Guerra, o manuscrito foi desenterrado e por várias vezes transcrito, até ser traduzido em 2002 por Ursula Rombach e publicado no livro Testemunho de Fé. Saulo Adami
Este trabalho aqui apresentado foi resultado de nossa curiosidade ao sermos procurados, a partir de nossa pesquisa para a "Série Cemitérios" publicada neste Blog, pelo pesquisador e escritor Saulo Adami. Ao acessar a página do Cemitério Municipal de Timbó, Saulo encontrou a sepultura do Pastor Wilhelm Gottfried Lange e de sua esposa, Clara Lange — um dos objetos de sua atual pesquisa.
Há algum tempo, encontrei no teu perfil de Facebook, se não me engano, fotografias de túmulos, entre outras personagens históricas, do Pastor Wilhelm Gottfried Lange (1858-1930), às vezes mencionado com os dois primeiros nomes invertidos: Gottfried Wilhelm.Estou finalizando um livro sobre a comunidade que ele implantou em Santa Catarina em 1886, Brüderthal, que deu origem a Guaramirim, SC.Vi em uma postagem tua esta imagem, e acreditava que este túmulo estivesse no Cemitério Luterano de Timbó, onde o pastor foi sepultado em 1930, mas acontece que, visitando o cemitério não encontrei o tal túmulo.Terias alguma notícia correta a respeito do "paradeiro" dele?Estive lá com o líder mundial da Igreja Morávia, o dinamarquês Jorgen Boytler, em janeiro deste ano.À esquerda, o pastor da Igreja Morávia do RJ, Davis Dias; o coveiro (não tenho o nome dele aqui...); o pastor Justin Rabbach, dos Estados Unidos, e Boytler (Dinamarca).Muito obrigado pela atenção e pronta resposta!Saulo Adami - 3 de abril de 2026
No momento, o escritor termina o livro, a partir desta pesquisa, cujo título é "Brüderthal – Pastor Wilhelm Gottfried Lange e os primórdios da Igreja Morávia no Brasil", para marcar a passagem dos 140 anos da chegada dos Irmãos Morávios. Liderados pelo Pastor Lange, eles foram os fundadores da Comunidade da Igreja dos Imigrantes e da Colônia Brüderthal.
Detalhes do livro:
- Título: "Brüderthal – Pastor Wilhelm Gottfried Lange e os primórdios da Igreja Morávia no Brasil".
- Autor: Saulo Adami.
- Dados da Edição: Curitiba: Estrada de Papel, 2026.
- Volume: 720 páginas (miolo em preto e branco, capa colorida).
- Formato: 16 cm de largura x 23 cm de altura.
O lançamento acontecerá no dia 12 de julho de 2026, na Igreja dos Imigrantes, em Brüderthal, Guaramirim (SC). O evento ocorrerá no período da tarde, durante as comemorações dos 140 anos da chegada dos Irmãos Morávios e do Pastor Wilhelm Gottfried Lange.
Um registro para a História.
Nova visita no Cemitério Municipal de Timbó - 10 de abril de 2026
| Limpando a lápide, para que pudéssemos fotografar as informações sobre o pastor. |
Fizemos nova visita ao Cemitério Municipal de Timbó e novos registros do local onde o Pastor Wilhelm Gottfried Lange, Claire (Reuge) Lange (sua esposa), Hildegard Herweg (sua filha) e Heinrich Herweg (seu genro) foram sepultados.
O túmulo da figura histórica apresenta uma aparência de que não recebe manutenção e limpeza há muito tempo. Foi necessária uma limpeza, com o auxílio do funcionário do cemitério que providenciou escova e balde, para que fosse possível efetuar o registro fotográfico e garantir que as informações estivessem legíveis.
Referências:
- ADAMI, Saulo. Brüderthal, em Santa Catarina, abrigou a primeira colônia morávia do Brasil.
- ADAMI, Luiz Saulo. Testemunho de fé: memorial do Pastor Wilhelm Gottfried Lange = Ein Leben im Glauben: Memoiren des Pastors Wilhelm Gottfried Lange /pesquisa, organização e notas Luiz Saulo Adami; [tradução: Ursula P. E. Rombach e Carla Sievert]-Blumenau :Nova Letra, 2003. - 209 + 216 p. :il.
- GONÇALVES, Marcela Elias Santos. Memórias autobiográficas e cartas de Claire Lange: uma análise fenomenológica. Universidade de São Paulo - FFCLRP – Departamento de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Orientadora: Professora Titular Marina Massimi. Ribeirão Preto – SP, 2018.
Um Registro para a História.
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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Angelina Wittmann, grato por teu texto e prontas respostas às minhas perguntas referentes ao pastor Wilhelm Gottfried Lange e família! É bonito de ver quando pessoas determinadas e interessadas na preservação da memória se unem para reconstituir fragmentos históricos como este, tão importantes e que não podem ser esquecidos! Sim, "somos uma equipe", estou feliz por fazeres parte desta obra! Gratidão ao teu marido também, pela parceria incondicional! Deus os abençoe!
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