domingo, 19 de abril de 2026

Poesia (acróstico) de um dos primeiros professores de Blumenau Padre José Maria Jacobs (primeiro vigário) - Despedida Hermann Blumenau

A caligrafia do Padre Jacobs era distinta, expressa em um português correto.

Em 14 de agosto de 1884, o Padre José Maria Jacobs leu uma poesia de sua autoria ao fundador de Blumenau, Hermann Blumenau, durante a despedida que acontecia no Hotel Schreeb, localizado na Palmenallee (atual Rua Duque de Caxias). O evento marcava o retorno definitivo do fundador à Alemanha. O professor e padre Jacobs era um poeta dotado de grande cultura literária: versado em vários idiomas, redigia com facilidade e elegância de estilo.


A sala de aula do Colégio São Paulo e o professor padre Jacobs. Fonte: Brasil Imperial (Facebook - 16 de outubro de 2022).
Nesta ocasião, ofereceu ao homenageado um acróstico por ele composto. O acróstico apresenta as letras iniciais (ou, às vezes, centrais ou finais) dos versos formando uma nova palavra ou mensagem oculta quando lidas na vertical — uma forma de escrita criativa frequentemente usada para homenagens, como ocorreu neste caso.
No dia seguinte, 15 de agosto de 1884, após a leitura dos versos do Padre Jacobs e de outras celebrações, Hermann Blumenau embarcou no vapor "Progresso", deixando sua colônia privada para sempre.
Em outubro deste mesmo ano, Hermann Blumenau foi nomeado agente oficial da colonização brasileira em Hamburgo. Sempre diplomático, mantinha trânsito em todas as instâncias. Hermann Blumenau viveu seus últimos anos em Braunschweig.

Blumenau em Cadernos - Agosto de 1958.

Poesia (acróstico)   - Padre José Maria Jacobs

Blumen, die Du hier gepfleget
Leben fort, - Dein Ehrenkranz;
Und die Au, die Du Geheget
Mit der Zukunft Hoffnungsglanz,
Erntet Deines Sehweiisses Segen
Noch in allerfernster Zeit.
Auch wen Undank, Neid sich regen,
Uebt Erfolg, Gerechtigkelt.
Blumenau,
Gott vertrau!
 
Lebe wohl und lebe lange! - 
Ernst ist dieser Scheidegruss; - 
Bis Dir wingt  in Jubelklange
Einst de Himmels Hochgenuss.
Wenn auch Stürme um Dich loben
Ohne Raft von Ort zu Ort,
Heb den Blick nur stets nach oben!
Lebe wohl und komm zum Port!
Blumenau,
Gott vertrau!

Tradução do Professor Newton Schner Junior
Blumenau

Flores que aqui cultivaste
Vivem mais — tua coroa;
E o vale que tu guardaste
Com esperança que ressoa,
Colhe o bem do teu intento
Mesmo em eras por surgir;
Se há inveja ou desalento,
Faz justiça o porvir.
Blumenau,
Confia em Deus!

Vive bem e vive ainda! —
Por ora é esta despedida; —
Até que em canção tão linda
O céu te dê acolhida.
Se tormentas te levarem
Sem descanso, em vão labor,
Ergue os olhos, sem cessarem!
Navega ao porto do teu ardor!
Blumenau,
Confia em Deus!

Leituras complementares - ao texto:

Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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