sábado, 24 de janeiro de 2026

67º Aniversário de emancipação política e um pouco de História de Pomerode - 41ª Festa Pomerana - (Alpino - Show dos Velhos Camaradas e Os Montanari)

Coro Masculino Liederkranz e seu Show dos Velhos Camaradas" no 67ª aniversário de emancipação de Pomerode.

No dia 21 de janeiro, em plena 41ª Festa Pomerana, Pomerode celebrou seu 67º aniversário de emancipação política da cidade. Embora a festa tenha sido criada há 41 edições, a escolha de sua data ocorreu quase por acaso, alinhando-se às festividades do município com o objetivo estratégico de atrair os turistas de veraneio que circulam por Santa Catarina em janeiro.
Mesmo sobrepondo-se ao calendário das comemorações cívicas, o evento consolidou sua identidade como Festa Pomerana. Participamos de diversas edições ainda na década de 1980, época em que o formato era consideravelmente diferente do atual, embora o local da queima de fogos — marco tradicional do aniversário de emancipação — tenha permanecido o mesmo ao longo das décadas

Um pouco de História
Pomerode foi uma colônia estrategicamente criada em 1861, por Hermann Blumenau e as primeiras lideranças da Colônia Blumenau no caminho entre esta colônia e a Colônia Dona  Francisca -  Atual cidade de Joinville - e também acesso ao Porto de São Francisco do Sul, por onde chegaram inúmero imigrantes em Santa Catarina. Além de completar um espaço de um rede de colônias até o Porto de São Francisco, igualmente se criava um polo consumidor e de mão de obra para a indústria que seria fomentada, cujo matéria prima também era fornecida pelo excedente alimentar das propriedades coloniais. E obvio que também surgia o embrião do comercio local e regional.
Os primeiros imigrantes a ocupar esta região, foram os pomeranos - oriundos da mistura de povos germanos (cristãos convertidos) e eslavos - que povoavam o atual território do norte da Alemanha e parte da Polônia, recebiam lotes, a partir de um primeiro parcelamento do solo, onde cultivavam arroz, batata, fumo, aipim, feijão e criação de rebanhos.
A colonização local iniciou-se em 1861 e já figura no mapa da Colônia Blumenau de 1864, com 125 lotes distribuídos pelas margens direita e esquerda do Rio do Testo — curso d'água que, ladeado por caminhos, batizou a localidade em um primeiro momento. A palavra "Testo" admite diversos significados: pode referir-se ao vaso de barro indígena não cozido ou à "testada" da serra em Pomerode, onde o rio nasce. Esta última interpretação, ligada à cabeceira e ao salto do rio, apresenta, possivelmente, o sentido mais original do topônimo.
Em 1861, entre os 61 imigrantes que iniciaram a ocupação do Vale do Testo, estava a família de Johann Karsten. Antes de se estabelecer na região, Karsten integrou o grupo de alemães que ocuparam senzalas no Sudeste do Brasil, substituindo a mão de obra escravizada em fazendas de café. Já fixado às margens do Rio do Testo, próximo a uma cachoeira, ele construiu uma atafona para aproveitar a queda d’água e, em 1869, uma serraria. Em 1881, após adquirir seis teares na Alemanha, fundou a firma Roeder, Karsten & Hadlich. Em 1933, a empresa passou a denominar-se Cia. Karsten S.A. e, finalmente, em 1941, Companhia Têxtil Karsten.
Em 1862, chegaram à região mais 62 imigrantes oriundos da Pomerania.
As primeiras casas nos lotes coloniais.
Em 1863  Ferdinand Ernst Friedrich Hackradt ou Ferdinand Hackradt, sócio da firma Blumenau & Hackradt, explorou o vale, mas, naquele ano, chegou somente um imigrante. Ferdinand nasceu em 20 de dezembro de 1817, em Gramzow, Perleberg, Prignitz (Brandenburg), território que viria a integrar a Alemanha. Filho de Franz e Louise Hackradt, Ferdinand era irmão de Henriette Caroline Friederike Hackradt, casada com Ludwig Heinrich Carl Höpcke. A família Höpcke também migrou para o Brasil com seus três filhos: Carl Franz Albert Hoepcke (1844–1924), Bertha Caroline Höpcke (1850–1880) e Paul Höpcke.
A firma Blumenau & Hackradt — sociedade particular de agricultura e indústria — não prosseguiu. No entanto, isso não impediu a excursão de Ferdinand Hackradt à região, explorando o Vale do Testo no ano de 1863.
Engenheiro Carl August Wunderwald - sentado.
 Fonte: 
Brasiliana Fotográfica.
O maior fluxo de imigrantes chegou ao Vale do Testo em 1868, totalizando 248 pomeranos. Nesse mesmo ano, faleceu o engenheiro agrimensor August Wunderwald (1814–1868), aos 54 anos. Natural de Braunschweig, Wunderwald chegou à região em 1843 e foi um dos principais responsáveis pelo traçado e pela demarcação dos lotes coloniais, além da abertura de estradas — elementos fundamentais para o desenvolvimento do Vale do Itajaí com a imigração alemã.
Até 1880, os últimos lotes foram ocupados em Pomerode Fundos, Testo Rega, Wunderwald (nome em homenagem ao agrimensor) e Testo Alto. Os lotes coloniais possuíam, em média, 200 metros de frente por 1.100 metros de profundidade.
Lotes coloniais de Pomerode - Vale do Testo.

Localidade do Testo Alto em 1871  - Foto - Marcos Röck.
Em 1869, Hermann Blumenau organizou um documento com o nome de todas as famílias residentes em sua colônia. O objetivo era divulgar esses dados para subsidiar pesquisas genealógicas e, para o nosso estudo atual, identificar quem ocupava cada região da Colônia Blumenau — especificamente, neste recorte, o Vale do Testo.
Vale do Testo.
A listagem de moradores foi elaborada pessoalmente pelo diretor e proprietário da colônia, baseando-se na "Estatística Nominal dos Habitantes" do final de 1869. Ao estruturar as nominatas, Hermann Blumenau classificou os moradores por idade, sexo, estado civil e credo religioso, acompanhando a ocupação dos imigrantes nos lotes distritais.
Apresentamos aqui um recorte específico da região do Vale do Testo. Na próxima postagem, disponibilizaremos o documento na íntegra, abrangendo toda a extensão da Colônia Blumenau.

Nosso presente para Pomerode - Lista de moradores do Testo - 1869







A História dos Pomeranos - Os primeiros pomerodenses
Ordem dos Cavaleiros Teutônicos.
Na segunda metade do século XIX, os imigrantes pomeranos ainda não se consideravam alemães. Seus antepassados haviam sido convertidos ao cristianismo por meio das cruzadas germânicas após o século XII — um processo nem sempre pacífico — passando, a partir de então, a integrar o Sacro Império Romano-Germânico. A Ordem dos Cavaleiros Teutônicos, uma ordem militar vinculada à Igreja Católica, foi protagonista nesse período; seus membros trajavam túnicas brancas sobre armaduras, ostentando no peito uma cruz negra.
Mapa da Pomerania, junto ao mar do Báltico.
Os povos do Báltico, entre eles os pomeranos, sofreram um longo processo de germanização ao longo dos séculos, embora não de forma total. Quando os primeiros imigrantes chegaram ao Brasil, a nação alemã ainda não existia como Estado-nação e muitos se identificavam como prussianos, mantendo práticas culturais distintas. Foi somente após a Unificação Alemã (1871) — liderada pelo exército e pela política da Prússia — que esses povos foram assimilados à identidade alemã, embora suas particularidades culturais e gastronômicas tenham persistido.
Casal pomerano trajado.
Portanto, quando os pioneiros fundaram Pomerode antes de 1871, a Alemanha não existia como nação e eles não se viam como alemães. Daí decorre nossa insistência em resgatar a cultura genuína desse povo em vez de mimetizar a cultura da Baviera. Localizada no sul da Alemanha e historicamente influenciada pelo Império Romano, a Baviera possui raízes muito diferentes das pomeranas. Quando a estética bávara predomina em eventos como a Festa Pomerana, o sentido histórico se dilui em favor de um aspecto puramente comercial.
Foi também nesse contexto de unificação que surgiu a expressão "Deutschland über alles". Originalmente, ela foi criada por Bismark para fomentar a coesão entre as diversas etnias e culturas que formariam a jovem nação, garantindo sua solidez, unidade e desenvolvimento. Mais tarde, o termo foi política e indevidamente apropriado pelo regime nazista, o que resultou em seu banimento e no obscurecimento de sua origem histórica real. 
Este fato é comprovado quando apresentamos à antropóloga alemã Maya Helene Röttger a realidade da chegada de inúmeros povos formadores do Estado alemão à região do Vale do Itajaí. Destacamos a convivência entre esses grupos, marcada por profundas diferenças culturais, de hábitos e costumes. Reforcei ainda que o brasileiro médio ainda mantém a percepção equivocada de que "alemão é tudo igual", ignorando a rica pluralidade étnica e regional que compõe essa imigração
A antropóloga de Köhl e pesquisadora Maya Helene Röttger
no Ônibus do Coro Masculino Liederkranz
.
No dia 21 de janeiro, durante a 41ª Festa Pomerana, fomos acompanhados pela antropóloga e pesquisadora alemã Maya Helene Röttger. Formada em Antropologia, ela pesquisa para sua dissertação de mestrado na Alemanha, com foco em migração e cultura alemã na região do Vale do Itajaí. Viajamos a bordo do ônibus que transportou o Coro Masculino Liederkranz até Pomerode, onde o grupo se apresentou no palco do Pavilhão Cultural com o "Show dos Velhos Camaradas". Realizamos registros fotográficos e documentais, a exemplo de edições anteriores, incluindo também as apresentações de Os Montanari e as danças folclóricas do G.F. Alpino Germânico.
A pesquisadora, em respeito ao perfil da festa e em homenagem a parte de sua família que migrou para a região de Blumenau e Ibirama, fez questão de usar um de nossos trajes típicos. Na ocasião, Maya conheceu sua conterrânea, Lina Müggenburg, de Dresden, que estava acompanhada pela ex-prefeita de Pomerode, Gladys Dinah Sievert.
Ex-prefeita de Pomerode Gladys Dinah Sievert, Lina Müggenburg, de Dresden, e Maya Helene Röttger, de Köln. Encontro na 41ª Festa Pomerana, no dia do aniversário de Pomerode.
As imagens comunicam

No C.C. 25 de Julho de Blumenau, antes de embarcar para Pomerode.











Em Pomerode.


Ao trabalho.

Parte do Desfile oficial do aniversário de Pomerode.

























































Apresentação folclórica do G.F Alpino Germânico.







No bandoneon: Roberto Maske e Anna Leticia Schulze.












Roberto Maske.








































Comemorar festivamente o 67ª aniversário da emancipação de Pomerode. Fogos.
















Jorge Ferreira - um dos homens da cultura regional.

O momento do Show dos Velhos Camaradas - com a presença do Coro Masculino Liederkranz. Pavilhão Cultural.










Hans Jurgen Jopp.







Momento de Os Montanari - Pavilhão Principal.


























Novamente no Show dos Velhos Camaradas, no Pavilhão Cultural.













Maestro apresentando os estreantes - todos da família.
























Com a ex-prefeita de Pomerode Gladys Dinah Sievert, Lina Müggenburg, de Dresden, e Maya Helene Röttger, de Köln.




 Historiador e Professor Dietrich Drew.

Falk e José Carlos Oechsler - Coro Masculino Liederkranz e Os Montanari.

Nivaldo Klützke e Rowena Klützke.

Vídeos




Depoimento espontâneo

O final do artigo é perfeito! A festa está comercialmente linda, mas pobre de conteúdo, cultura e tradição pomerana e pomerodense. Ontem na festa eu e minha esposa ainda comentamos que graças a Deus meu pai não está mais vivo para presenciar a decadência da festa pela qual ele e minha mãe tanto lutaram contra tudo e todos. O objetivo da festa sempre foi o resgate da história e tradição pomerana, nada tendo a ver com o aniversário da cidade - janeiro foi escolhido pelo fluxo de turistas no litoral, que era o único destino turístico divulgado pela Santur. Além disso, ela geralmente começava na 2a semana do mês, pois era quando os trabalhadores da cidade já haviam recebido seu salário. Como tudo na vida é cíclico, espero o dia em que este ciclo infeliz acabe logo e pessoas comprometidas com o resgate da cultura e tradição voltem a comandar a festa e a cidade. Thomas Zimmer, 24 de janeiro de 2026.

Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
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