quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Estreia do documentário "Architekt Drsnej Poetiky – Arquiteto da Poética Bruta" - Brasília Embaixada da Eslováquia no Brasil e UnB – Nossa crítica e registros para a História

Com Ladislav Kaboš,  Katarína Tomková e Darina Smržová, antes da primeira projeção oficial do documentário "Architekt Drsnej Poetiky – Arquiteto da Poética Bruta" no Brasil.

No ano de 2021, marco dos 10 anos do falecimento do arquiteto Hans Broos e do centenário de seu nascimento, o documentário eslovaco sobre sua vida e obra, "Architekt Drsnej Poetiky – Arquiteto da Poética Bruta", foi apresentado ao público pela primeira vez na Europa. No Brasil, a estreia ocorreu somente em dezembro de 2025, nos dias 11 e 12, na capital federal, Brasília. O lançamento aconteceu em dois momentos: no dia 11, na Embaixada da Eslováquia, e no dia 12, na Universidade de Brasília (UnB), ambos contando com a presença do diretor Ladislav Kaboš e da produtora Darina Smržová.
Antes de prosseguirmos com este artigo e nosso parecer sobre o documentário, registramos nosso agradecimento à Embaixada da Eslováquia no Brasil, na pessoa da Embaixadora Katarína Tomková, e ao diretor Ladislav Kaboš. Agradecemos pelo convite e por viabilizarem nossa presença neste momento tão importante para a memória do arquiteto, causa pela qual temos trabalhado intensamente. 
Nosso convite.
O conteúdo do documentário certamente fomentará novos estudos, garantindo que a obra de Hans Broos seja debatida no Brasil e reconhecida em sua terra natal, a atual Eslováquia. Como contrapartida ao apoio recebido, apresentamos esta análise sob nossa ótica e conhecimento técnico, visando contribuir com o debate. Acompanhamos de perto o processo e parte dos trabalhos do documentário no Brasil, bem como os dois últimos anos de vida do arquiteto, auxiliando diretamente com informações e "construindo pontes" sempre que necessário.
Por isso, tínhamos uma alta expectativa sobre esta produção, cuja proposta inicial parecia abordar a vida e a obra do arquiteto de família alemã nascido em território eslovaco. O resultado, contudo, foi diferente do imaginado. Isso ficou delineado em 2022, quando, após a exibição na Eslováquia, fomos contatados por uma pessoa daquele país que solicitava informações sobre Freya Gross. Ao assistir à obra, ela notou que essa mulher brasileira foi apenas ligeiramente mencionada, o que despertou curiosidade, mas sem que fosse revelado o quanto ela foi essencial: Freya foi companheira de Hans Broos por mais de 30 anos — união não formalizada — e sua fundamental parceira profissional. 

“Olá, boa tarde, Angelina! Tudo bem? Tenho uma dúvida meio aleatória que talvez você consiga me ajudar, não sei. Acabei de assistir o documentário eslovaco sobre Hans Broos e não consegui pegar o nome de uma amiga brasileira dele, que ele se referiu a ela num momento, como se fosse “a mulher brasileira” dele, uma artista que até aparece algumas obras dela no filme, acho eu, quando o ator principal menciona a morte dela. Será que você pode me ajudar nisso? Fiquei com vontade de saber mais sobre ela. Muito obrigada!” Denisa B. de Eslováquia - março de 2022
Hans Broos com sua família, na Alemanha. Recebemos esta fotografia de seu único sobrinho vivo, Hans-Peter Broos, residente em Berlin, cujo nome, recebeu, em homenagem ao seu tio que morava no Brasil.
Recebemos esta fotografia de seu único sobrinho vivo, Hans-Peter Broos, residente em Berlin.

Fotografia enviada por seu sobrinho Hans-Peter,  para nós.
Pessoa alegre, feliz com a vida e fazendo o que amava
.
Diferente do que o roteiro pareceu transmitir, Hans Broos não foi uma pessoa triste e só; ele mantinha contato constante com sua família na Alemanha e no Brasil e, além de Freya Gross, possuía inúmeros amigos. Para responder a Denisa, escrevemos um artigo sobre Freya Gross, pautado em pesquisa posterior, no qual descobrimos a grande parceria existente entre os dois e de como a morte de Freya afetou a saúde de Hans de maneira direta. A partir desse momento, sim, Hans Broos ficou doente e triste, e muito poucos arquitetos o procuraram, talvez no momento em que ele mais precisava, mas sim, após sua partida. Possuímos centenas de correspondências eletrônicas desse período e, a exemplo do diretor eslovaco Ladislav Kaboš, pretendemos escrever um livro sob esse enfoque e sob o nosso olhar de parte desta história. 
Hans Broos no dia de seu último aniversário. 
Essa inspiração surgiu após conhecermos o conteúdo do documentário e também ao sabermos do desejo do diretor de publicar o restante de sua pesquisa, realizada para a obra, em formato de livro. Isso é maravilhoso. Ele nos inspirou, e este é um compromisso que firmamos aqui: igualmente compartilharemos as informações que possuímos como um registro para a história.
Chegamos em Brasília às 10h.
Embaixada da Eslováquia inaugurada antes da inauguração
 de Brasilia.
Chegando em Brasília

Embarcamos em Navegantes (SC) às 6h do dia 11 de dezembro de 2025, com escala em Campinas (SP), sem saber que outros aeroportos da Grande São Paulo haviam cancelado mais de 400 voos naquele dia devido aos fortes ventos.
Chegamos em Brasília às 10h. Fomos gentilmente recepcionados por representantes da Embaixada Eslovaca, onde conhecemos Maria, Robert Komloš e sua esposa, Viliam Rosenberg, Silvia e também a embaixadora da Eslováquia, Katarína Tomková — pessoas amáveis ao extremo. Na sequência, fomos levados ao hotel, onde descansamos brevemente e almoçamos. Logo após, fomos conduzidos de volta à sede da Embaixada da Eslováquia no Brasil — uma linda tipologia do brutalismo eslovaco — para a primeira apresentação do documentário, que ocorreu às 16h.
A Embaixada da Eslováquia no Brasil foi projetada na época em que o país ainda fazia parte da Tchecoslováquia. O projeto foi selecionado por meio de um concurso em 1961, que contou com 85 trabalhos inscritos. Apenas dois foram finalistas: o de K. Filsak e o de J. Chovanec, sendo o vencedor o de Karel Filsak. O júri percebeu seu alinhamento ao Plano Piloto de Lúcio Costa — o mesmo arquiteto com quem Hans Broos trabalhou no Museu das Missões, no Rio Grande do Sul, onde conheceu grandes nomes da arquitetura brasileira.
A espacialização deste projeto e seu paisagismo são clássicos e permanecem contemporâneos quando observamos seu entorno no espaço urbano de Brasília. Após o coquetel que seguiu ao lançamento do documentário, colhemos mangas doces e suculentas no jardim da casa.
Jardim com pés de magas (maduras) - Embaixada da Eslováquia no Brasil.
O presidente brasileiro Juscelino Kubitschek no lançamento
da pedra fundamental da Embaixada da Tchecoslováquia em
1960  - Imagem do Fundo Agência Nacional, Arquivo Nacional.
Talvez por isso seja possível perceber uma aproximação entre a linguagem da embaixada e os demais edifícios de Brasília, inaugurada apenas poucos anos antes. A construção ocorreu entre 1962 e 1965, de modo que a Tchecoslováquia foi o terceiro país — depois dos EUA e da Iugoslávia — a concluir sua representação diplomática na nova capital do Brasil. A quadra original tem dimensões de 100m x 250m, na qual se implantaram inicialmente três edifícios distintos: a Chancelaria, a residência do embaixador e um prédio residencial para os funcionários. O lote foi desmembrado quando a Tchecoslováquia deixou de existir como uma entidade única em 1993, dividindo-se pacificamente em dois países independentes: a República Tcheca e a República Eslovaca. Sua arquitetura, coincidentemente, brutalista, é muito linda e atemporal e neste momento, alinhada à obra de Hans Broos.
A sala de estar da embaixada, local onde ocorreu o coquetel, abrigou a exposição fotográfica de Cristiano Mascaro de algumas das principais obras do arquiteto Hans Broos.
Lançamento do Documentário -  "Architekt Drsnej Poetiky" - Arquiteto da Poética Bruta - Brasília.

A Ficha Técnica do Documentário
Título: O Arquiteto da Poética Bruta - Architekt Drsnej Poetiky
Equipe Técnica
Filmagem: 70 min
Mestre: DCP 2K - áudio original eslovaco / 5.1, Blu ray, DVD, MP4
Acessibilidade: a partir dos 12 anos
Gênero: Documentário
Diretor e roteiro: Ladislav Kaboš
Dramaturgia: Martin Peterich, Dagmar Ditrichová, Svatava Maria Kabošová
Diretor de fotografia: Martin Šec │Strih: Michal Kondrla, Darina Smržová
Música: Vladimír João Martinka
Som: Bohumil Martiná, Eperties: Imrichos Serraglio
Produtor: Darina Smržová
Co-produtores: Tibor Horváth, Michael Kaboš, Pedro Rosa
Produtor: EDIT Studio, Eslováquia
Co-produtores: RTVS Rádio e Televisão da Eslováquia, KABOS Film & Media, República Tcheca, EMBAÚBA Produções, Brasil
Tradutoras:
Dana Stopkova,
Zuzana Bielikov.
Atores:
Hans Broos: Imrich Boréros
Hans Broos Jr.: João Antonio Carvalho Seraglio
Jenny Abel
Bernardo Brasil Bielschowsky
Karine Daufenbach
Orlando Maretti
Cristiano Mascaro
Angelina Wittmann

Making-off - Ano de 2017

A equipe passou praticamente todo o dia 16 de maio de 2017 na Cia Hering.
No período da manhã do dia 17, a equipe visitou outras obras de Hans Broos, entre elas, a Igreja Luterana de Itoupava Seca, onde, igualmente os acompanhamos. 

Cia Hering
 Zuzana Bielikov (tradutora) e Ladislav Kaboš sendo guiados por uma funcionária da Cia Hering - 2017.


Diretor eslovaco Ladislav Kaboš.

Diretor eslovaco Ladislav Kaboš no museu da Cia Hering.












Diretor eslovaco Ladislav Kaboš, no refeitório da Hering para almoçar.





Choques de "tempos arquitetônicos" na Cia Hering.

Cia Hering, diretor eslovaco Ladislav Kaboš em ação - 2017.

Darina Smrzová e Ladislav Kaboš - Cia Hering, 2017.



Darina Smrzová e Ladislav Kaboš - Jardins suspensos projetado por Burle Max, Cia Hering, 2017.

















Ladislav Kaboš - Edifício da Presidência, Cia Hering, 2017. Projeto do Arquiteto Hans Broos.



Ladislav Kaboš, Darina Smrzová a a tradutora   Com Zuzana Bielikov - Cia Hering. 





Pesquisando no acervo histórico da Cia Hering.





Pesquisando no acervo histórico da Cia Hering.






Igreja Luterana Itoupava Seca
Filmagens na igreja projetada pelo arquiteto Hans Broos localizada no bairro de Itoupava Seca, em 2017.  A igreja foi construída quando demoliram a Igreja da Cruz.
Ladislav Kaboš filmando o entorno da igreja Martin Luther.






Ladislav Kaboš.










Ladislav Kaboš e  Darina Smrzová - Igreja Martin Luther - Itoupava Seca, Blumenau, projeto do arquiteto Hans Broos.







Casa Hans Broos  - Blumenau
Localizada às margens do Rio Itajaí Açu e tem privilegiada vista para o rio e para a cidade.
Residência de Hans Broos em Blumenau.

Making-off - Ano de 2019
Momentos no Morro das Pedras e na Praia da Armação

O diretor eslovaco Ladislav Kaboš e o ator  Imrich Boréros que interpretou Hans Broos no Documentário.























Ladislav Kaboš.























Ator eslovaco Imrich Boréros.

















Companhia Hering - Blumenau SC

Documentário somente foi terminado em 2020, devido ao imprevisto internacional - pandemia causada pela Covid 19.
Na visita à Cia Hering 2019a equipe de filmagens brasileira e eslovaca foi recebi da pelo Engenheiro João Ademir Berthold, que acompanhou a execução de algumas obras de Hans Broos e o engenheiro de manutenção da Cia HeringEwerson  Lombardi.
Dia 14 de Junho de 2019 - Cia Hering Matriz









Dia 14 de Junho de 2019 - Cia Hering - Filial Omino - Blumenau













Trailer Architekt Drsnej Poetiky
A estreia oficial do documentário aconteceu em 5 de outubro de 2021, na cidade de Bratislava. 
Sinopse eslovaca do Documentário
O diretor Ladislav Kaboš, laureado com o prêmio "Krištálové krídlo" e o prêmio Igric, reflete em seu mais recente trabalho cinematográfico "a grande história do século XX no destino do indivíduo".
O alemão dos Cárpatos Hans Broos (1921-2011), natural de Veľká Lomnica, teve que deixar a Tchecoslováquia após o fim da Segunda Guerra Mundial, onde seus ancestrais viveram por séculos. Ele encontrou um novo lar no Brasil em 1953.
O longa-metragem documental "Architekt drsnej poetiky" conta a história através de um monólogo interior. O filme mostra a jornada dramática de um imigrante, o difícil processo de adaptação a um país estrangeiro e explora as possibilidades de utilização do talento individual na sociedade. No Brasil, Broos criou uma obra arquitetônica notável. Ele não desistiu nem mesmo no final da vida, quando começou a sofrer da doença de Alzheimer.
O escritório de arquitetura de Hans Broos, em São Paulo, criou mais de 140 projetos realizados no estilo brutalista. Ele sabia integrar a arquitetura à natureza com sensibilidade. Colaboradores e alunos de Broos – professores de arquitetura da Faculdade de Florianópolis – já publicaram um segundo livro sobre ele. Três de seus edifícios são tombados como monumentos culturais da cidade de São Paulo. Seu nome figura entre os mais importantes criadores da arquitetura moderna brasileira.
O filme contém arquivos fascinantes, citações de correspondências autênticas com o pai e pessoas próximas a ele. Aborda o tema ainda tabu do deslocamento da população alemã após a Segunda Guerra Mundial.
A emocionante história de Hans Broos é também a história de todos os emigrantes que precisam buscar novas oportunidades de trabalho. O filme cativa o olhar com a câmera criativa de Martin Šec, a atuação sensível de Imre Boráros – ator do Teatro Jókai em Komárno – e a narrativa emotiva. Um filme que descobre outro importante nativo, de quem ninguém na Eslováquia conhecia até recentemente.

Diretor e roteiro: Ladislav Kaboš
Dramaturgia: Martin Peterich, Dagmar Ditrichová, Svatava Maria Kabošová
Câmera: Martin Šec
Montagem: Michal Kondrla, Darina Smržová
Música: Vladimir Martinka
Som: Bohumil Martinák
Intérpretes: Imrich Boráros, outros
Produtor: Darina Smržová
Co-produtores: Tibor Horváth, Michael Kaboš, Pedro Rosa
 Rosenfeldov palác - Esloováquia 
O Arquiteto da Poética Rústica (dir. Ladislav Kaboš, 2021)
26/10/2022 / 18:00
Um documentário com elementos de live-action, O ARQUITETO DA POÉTICA RÚSTICA conta a história de Hans Broos, um alemão da região dos Cárpatos, nascido na Eslováquia e natural de Veľká Lomnica, cuja obra arquitetônica deixou uma marca indelével no Brasil. Mais de 140 edifícios foram construídos segundo seus projetos. Ele sabia, com maestria, integrar a arquitetura à natureza. É um dos mais importantes representantes da arquitetura moderna no Brasil.
Até recentemente, ninguém na Eslováquia conhecia o seu trabalho e a sua fascinante história de vida…
Media Film - Production e Distribution 
O documentário com elementos de live-action, O ARQUITETO DA POÉTICA RÚSTICA, conta a história de Hans Broos, um alemão dos Cárpatos nascido na Eslováquia, de Veľká Lomnica, cuja obra arquitetônica deixou uma marca indelével no Brasil. Mais de 140 edifícios foram construídos segundo seus projetos. Ele integrou magistralmente a arquitetura à natureza. É um dos mais importantes representantes da arquitetura moderna no Brasil. Até recentemente, ninguém na Eslováquia conhecia sua obra e sua fascinante história de vida...
Estreia oficial no Brasil
11 de dezembro de 2025 - Embaixada da Eslováquia no Brasil

Presente da equipe do documentário
- broche em forma de libélula.
No momento solene da primeira projeção oficial do documentário "Architekt Drsnej Poetiky – Arquiteto da Poética Bruta", em Brasília, em 11 de dezembro de 2025, reencontramos Ladislav Kaboš e Darina Smržová, diretor e produtora da obra respectivamente. Foi um momento incrível. Em homenagem a eles, usamos o presente que recebemos da equipe ao término da primeira parte das filmagens, em 2017: um broche em forma de libélula, que carrega significados profundos dentro da mitologia de sua região. Coincidentemente, uma libélula real adentrou o ambiente no exato momento em que houve o brinde ao trabalho da equipe.
Também no evento, na embaixada, encontramos representantes do CAU/BR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil), que colhiam informações sobre o documentário e o evento para publicarem em seus canais oficiais.
Representantes da   CAU/BR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil) e a embaixadora da Eslováquia, Katarína Tomková.
Após a exibição do documentário, houve um coquetel com a imprensa e convidados da Embaixada da Eslováquia.

As imagens comunicam



Uma das salas da Embaixada Eslovaca preparada para a recepção.



Com  Ladislav Kaboš, Darina Smržová, diretor e produtora do documentário e a anfitriã, embaixadora da Eslováquia no  Brasil,  Katarína Tomková.



Com a embaixadora da Eslováquia no Brasil Katarína Tomková e Robert Komloš e sua esposa.





Brutalismo eslovaco presenta na arquitetura da Embaixada Eslovaca.











Viliam Rosenberg.



















































Mangas apanhadas no jardim da Embaixada da Eslováquia no Brasil.



12 de dezembro de 2025 - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB)

A sessão na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB) foi realizada às 10h e contou com a presença da embaixadora Katarína Tomková e demais representantes da Embaixada da Eslováquia; do diretor Ladislav Kaboš e da produtora Darina Smržová; dos pesquisadores Bernardo Brasil e João Seraglia (Florianópolis); do professor da UnB, André Costa, além de acadêmicos, visitantes e interessados no tema.
A exposição fotográfica de Cristiano Mascaro, cujos registros retratavam parte da obra do arquiteto Hans Broos, esteve exposta no espaço. Após a projeção, ocorreu um debate a partir de uma mesa formada pela equipe do documentário, Ladislav e Darina — com tradução simultânea feita por Viliam Rosenberg —, e por nós: Angelina Wittmann, Bernardo Brasil e João Seraglia. O momento foi registrado por nós, em vídeo.

As imagens comunicam
Angelina Wittmann, Bernardo Brasil,  Darina Smržová, Katarína Tomková, Ladislav Kaboš e João Seraglia - UnB.














Professor André Costa da UnB, Bernardo Brasil, Angelina Wittmann, Darina Smržová, Ladislav Kaboš, Katarína Tomková,  e João Seraglia.





Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB).

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB).

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB).

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB).
Nossa análise
Documentário  "Architekt Drsnej Poetiky – Arquiteto da Poética Bruta" 

Tivemos o privilégio de acompanhar parte das filmagens no Brasil e de assistir duas vezes, no Brasil, ao documentário "Architekt Drsnej Poetiky — Arquiteto da Poética Bruta": na Embaixada da Eslováquia e na UnB. Notamos a ausência de partes essenciais da vida do arquiteto, de sua produção e do processo criativo, que definitivamente não foi pautado apenas por sua experiência na Segunda Guerra Mundial. Hans Broos foi uma pessoa positiva e alegre; nutria grande respeito e ligação com o ambiente natural, sendo sua arquitetura incompleta sem a integração com a natureza e sem a arte de Freya Gross, sua companheira por mais de 30 anos.
Ele mantinha contato constante com sua família na Alemanha e definitivamente não era uma pessoa solitária — até o momento em que ficou "viúvo". Percebemos que foram escolhidos recortes de sua trajetória apresentados de maneira lúdica, mas sem objetividade, deixando o espectador em dúvida sobre o limite entre o real e o poético no roteiro. Personagens vitais como Freya Gross tiveram um espaço muito reduzido. Como acompanhamos parte das filmagens, percebemos que muito material valioso não foi utilizado. Esse recorte da edição empobreceu a narrativa, que poderia ter orbitado em torno de sua arquitetura. A escolha de focar no lado sombrio do período da guerra contrasta excessivamente com o lado pessoal "alto astral" que Hans Broos compartilhava com a artista blumenauense Freya Gross.
O filme evidenciou a ideia de um homem solitário e triste, marcado pela guerra e distante da família — com a qual, na verdade, sempre manteve vínculo. Sentimos falta da presença de pessoas que realmente conviveram com ele, como aqueles que cuidavam de sua casa e de seu sítio em Blumenau e seus verdadeiros amigos de profissão, que foram muitos. Para se ter uma ideia, nós o conhecemos em um sarau de arte promovido no ateliê de Freya Gross, em 1999.
Reforçando nossa percepção, destacamos a pergunta feita pelo professor André Costa (UnB) ao diretor Ladislav Kaboš, questionando se havia sido criado um "personagem" (conforme registro no segundo vídeo abaixo). Ladislav respondeu que as informações eram fatos históricos, mas admitiu haver muito mais conteúdo e que pretende escrever um livro sob o seu olhar. Nesse momento, sentimos o desejo de também escrever uma obra a partir da nossa perspectiva. Vimos muitos detalhes que estão sendo desconsiderados e pretendemos deixar esses registros para a história.
Quanto mais publicações houver, melhor; isso certamente deixaria Hans Broos feliz. 
Agradecemos à equipe de Ladislav Kaboš pela iniciativa de levar a biografia de Broos à luz em sua terra natal e por fomentar o surgimento de novos debates sobre sua grande obra.

Pergunta do Professor André Costa (FAU-UnB) ao diretor do documentário, Ladislav Kaboš - Uma pergunta e observação pertinentes. Também tivemos esta percepção

O filme é um filme de arquitetura um pouco peculiar. Mais do que a obra, ou a arquitetura propriamente dita, parece que o diretor está muito mais tentando construir um modo de conhecimento de arquitetura, um modo de estar no mundo pela arquitetura.
O protagonismo não é tanto do espaço. Não é nem o espaço, nem a cidade que protagonizam o filme de arquitetura, onde o personagem passa a ser realmente o sujeito, e não o arquiteto. Aí me parece também que o Ladislav constrói um personagem. Não é Hans Broos que está ali.
(...) A construção deste personagem... ele ficou numa tensão entre um lado dramatizado. Dramatizar esta forma de existência do personagem: um ser que está ali, que sente, que sofre, que se sente desbotado e que se entrega para a arquitetura.
(...) Uma relação com o espaço de trabalho, com o cotidiano de trabalho, uma relação com os colegas de trabalho. Se, dentro desse exercício de construção do personagem, ele (o diretor) fica numa tensão? Se escolhe um lado, onde ele tenta dramatizar a existência, ou, de outro lado, onde ele permanece fiel aos relatos?
Conferir um grau de realismo aos relatos. Como ele constrói? Se existe esta tensão? Professor André Costa (FAU-UnB) - 12 de dezembro de 2025
Vídeo - Embaixada Eslováquia no Brasil - parte do documentário
Vídeo - UnB - Mesa de debate com foco no documentário

Um registro para a História.

Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
Angewitt  (You Tube) 
AngelinaWittmann  (Facebook)









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