segunda-feira, 2 de julho de 2018

Despedida - Soprano Cristiane Roncaglio - Berlin

"Quero fazer o Brasil ser respeitado dentro da música erudita"

É uma frase forte da cantora lírica blumenauense - que viveu em Berlin e partiu na manhã do dia 2 de julho de 2018 -  a soprano Cristiane Roncaglio. 
Cristiane viveu na cidade de Berlin, onde seguia carreira artística marcada pela coragem e vontade de levar a música feita no Brasil à Europa, à Alemanha. Cristiane foi vencida pelo câncer. 
19.11.2016/Ab nach Heppenheim bei Frankfurt am Main! 
MORGEN-Italienisches Liederbuch -Hugo Wolf/ 
Mit Roman Trekel und Barbara Baun!
Conquistou  o espaço internacional do cenário da música erudita - por mérito e muito trabalho. Apresentou-se nos principais palcos da Europa. Residia com a família, na capital da Alemanha - Berlin. Era casada com, o também, cantor lírico, Roman Trekel. O casal teve uma filha - Johanna.
Cristiane e Roman


















Johanna e Cristiane - outubro de 2016
Com a mãe - Valtrudes Roncaglio
 2012
Sua família blumenauense residia no bairro de Itoupava Norte. Quando criança, a filha do Diácono Alcebíades Roncaglio  e de Valtrudes Roncaglio - Cristiane, cantava na Paróquia Nossa Senhora Aparecida.  Participou de alguns coros na cidade de Blumenau - entre estes, no coro desta igreja.
 Cristiane Roncaglio
"Essa música foi gravada pela minha filha Cristiane Roncaglio, em um dia frio e chuvoso, no seu apartamento, em Berlin. Eu estava de visitas e pedi à ela que cantasse uma das mais lindas melodias da música pop internacional, na minha opinião. No final daquela tarde escura eram três músicas gravadas. Ela as gravou em um CD e me deu para que eu as levasse comigo como lembrança. Naturalmente eu tive que prometer que jamais publicaria! No entanto estou publicando... Espero que todos gostem, assim como eu! "Para minha Mãe" é uma homenagem à mãe "coruja" aqui. Val Roncaglio

2002 - Formatura em música na Escola Superior de Música e Belas Artes 



Em 2002, formou-se  em música, na Escola Superior de Música e Belas Artes do Paraná. Na época teve aula e contato com soprano Neyde Thomas. Após a formatura, Cristiane embarcou para a Alemanha - cidade de Berlin - onde deu prosseguimento a sua formação musicalconstruiu sua carreira.
Em 2013, durante uma apresentação na sua cidade natal  - Blumenau - Fundação Cultural de Blumenau - lançou o CD Brazialian Sentiments.
Em 2015, participou do projeto Vila Encantos, na Vila Itoupava, que reuniu um público de 600 pessoas.
Cristiane Roncaglio concedeu uma entrevista a Deustche Welle que foi publicada no dia 5 de outubro de 2016. Autoria de Augusto Valente.

"É notável a versatilidade de estilos nos projetos abraçados pela cantora natural de Blumenau: do lied alemão à canzone napolitana, da ária barroca às canções de Villa-Lobos, da ópera mozartiana à MPB e o samba. E, como se não bastasse tamanha ousadia na música, ela também atua como fotógrafa profissional.
Após o recital no Gläsernes Foyer, o "Hall de Vidro" do prestigioso teatro berlinense, a DW entrevistou Cristiane Roncaglio sobre seu caminho pessoal no mundo do canto. Para ela, a disciplina exigida por uma carreira na Europa é um desafio enriquecedor: "A concorrência é muito grande, mas eu acho que ela faz você crescer, faz você ir para a frente."
 Die Sängerin Cristiane Roncaglio im Berliner Dom (Privat)
Em apresentação cênica do “Oratório de Natal” de Bach na Catedral de Berlim

DW: Parabéns pelo concerto desta noite. É a primeira vez que você canta nas dependências da Staatsoper?
Cristiane Roncaglio: É a primeira vez que eu faço alguma coisa dentro deste nome, que é muito grande. Essa série de recitais de lieder que eles fazem aqui é tão importante quanto a própria atividade operística. Então, dizer "hoje foi o meu debut neste Gläsernes Foyer", para mim é arrebatador, me deixa muito feliz.
Você está na Alemanha há 12 anos. Como foi a decisão de vir estudar na Escola Superior de Música Hanns Eisler, em Berlim?
Eu tinha 23 anos quando saí com o diploma da Escola de Música e Belas-Artes do Paraná. e senti que alguma coisa ainda tinha que acontecer, eu precisava ir para fora. E a primeira coisa que eu pensei foi a Alemanha, porque eu venho de Blumenau, a cultura alemã sempre superpresente. Eu ainda era muito jovenzinha, não tinha ainda suporte, nem físico, nem de experiência, para começar uma carreira. Então entrei na Hanns Eisler daqui. Eu já era formada, mas mesmo assim foram três anos e meio para mim, e eu me formei em 2007 como cantora lírica.
Como você descreveria o que a saída do Brasil lhe deu? O que você alcançou na Europa, em termos de formação, que talvez não alcançasse lá?
Disciplina. Aqui você é forçado a ter muita disciplina e a estar sempre buscando um aperfeiçoamento. A gente nunca para, não diz "agora está bom, agora só vou cantar". A concorrência é muito grande: eu acho que ela faz você crescer. É estressante? É, lógico. Mas ela faz você ir para a frente, estar sempre buscando o melhor da sua própria técnica.
Isso é definitivamente diferente do que você encontrava no Brasil?
Sim, porque até mesmo o público daqui não perdoa muito. Nós temos essa coisa calorosa, sempre olhamos: "Ah, ele está doente hoje. Tudo bem, cantou mais ou menos, mas foi..." Aqui não existe isso, o público não quer saber se ele está com dor de garganta ou não, se tem problemas em casa, se está se separando. Eles pagaram, e bem, pelo ingresso, eles querem precisão, e cem por cento. É estressante, mas quem quer viver disso, como é o meu caso, quer pagar as contas com o que ganha, tem que se adequar a esse novo universo.
E do ponto de vista humano, você considera essa uma experiência válida?
Claro. Eu tenho a disciplina e tenho também a flexibilidade. E juntando os dois, eu chego bem longe.
Sua agenda está cheia, por 2017 adentro, com diversos programas de recitais. Um projeto chama a atenção, em especial: "Um brasileiro em Berlim – Alberto Nepomuceno (1864-1920)", sobre esse compositor muitas vezes negligenciado.
Ah, esse é um projeto bem bacana, junto com o Marlon Maia, um barítono brasileiro que também está fazendo carreira aqui. Vamos fazer as canções mais conhecidas do Nepomuceno, como as Trovas, por exemplo, mas também as que ele escreveu em alemão. Ele viveu aqui, estudou aqui também, e adorava os lieder alemães. Vai ser lindo, no Bode Museum. Deutschland der Bariton Roman Trekel und Pianist Oliver Pohl (Cristiane Roncaglio)A cantora como fotógrafa: barítono Roman Trekel (esq.) e pianista Oliver Pohl participaram do recital Brahms em Berlim
Dois outros projetos seus, centrados na música popular brasileira, também viraram CD: Brazilian sentiments e Sambalá. Há novos lançamentos previstos?

Sim, dois. Tem o Parlami d'amore, onde eu canto desde Giovanni Battista Pergolesi e Giacomo Carissimi até a música napolitana dos nossos tempos, com bandoneón e viola portuguesa de fado – é um programa que eu amo. E um disco só de árias de ópera, com orquestra – autobiográfico, falando da minha vida, das cruzes que eu já tive que carregar. Vai ser lindo!

Para além dos trabalhos já em andamento, quais são seus sonhos? Peças que pretende cantar, óperas de que quer participar?
Eu quero fazer as Quatro últimas canções, do Richard Strauss. Eu quero fazer a Traviata  - esse é o grande, grande, grande sonho. E eu quero cantar mais música brasileira clássica, para fazer o nosso país ser respeitado dentro da música erudita.
Depois de ter tido professores como Roman Trekel e a soprano americano Barbara Bonney, que cantores que são, hoje, uma inspiração para você?
Anja Harteros e Dorothea Röschmann, duas alemãs.
“Oratório de Natal” de Bach na Catedral de Berlim
Que conselho daria aos jovens cantores brasileiros recém-formados que enfrentam agora o mesmo impasse que você 12 anos atrás: ficar no país ou completar a formação e tentar carreira na Europa?
Venha, se você tiver nervos para segurar a barra da concorrência. Junto com isso, se você tiver uma bagagem musical definida e precisa; se você tiver disciplina. E se não tiver medo de estudar bastante, nem preguiça.

Falando sobre falar  alemão...

Entrevista no Programa da Valmira - TV Galega
...
Mais um dos nomes da música erudita de Blumenau e região, que parte prematuramente e que construiu um carreira sólida e, vocação e obra inquestionáveis. Partiu  deixando um vácuo e o som de sua voz para os que ficam. 























O corpo de Cristiane Roncaglio foi velado em Berlin. A Missa de 7° dia foi realizada no dia 8 de julho - às 19:00h no Santuário Nossa Senhora Aparecida - Salto do Norte - Blumenau SC! 
Criatiane Roncaglio foi sepultada na cidade de Berlin -  Alemanha. Deixou enlutados o seu pai Diácono Alcebíades Roncaglio e sua mãe Valtrudes Roncaglio, seu esposo Roman Trekel, sua filha Johanna e seus irmãos Daniel, Eder e Diego, juntamente com demais familiares, amigos e fãs.


 Segue em paz e com a melodia, a livre melodia!
Nossa solidariedade aos familiares e amigos.
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Tschüss!!










Até Breve...







Em Construção!!























Um comentário:

  1. Que bela homenagem! Ainda não consigo me conformar com esta perda, pois Cristiane era minha grande amiga pessoal, além de colega, pois nos formamos juntas em 2002 na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (vide a foto da formatura, que é minha, publicada nesta matéria). Cristiane, além de ser uma excelente cantora, e uma pessoa determinada, era um ser humano incrível, com um coração singular e dotado de muita generosidade. Certamente, fará muita falta em um mundo tão árido e carente de gente de bem. Segue em paz, amiga. Brilhe junto às estrelas e até um dia. Ass: Ariadne Oliveira

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