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| Seminário de Corupá - Seminário Sagrado Coração de Jesus. |
Retornamos a cidade de Corupá após 12 anos. Passamos os dias 26 e 27 de fevereiro de 2026 a convite do casal Fernanda Siegel e Paulo Henrique e de sua filha, Anita Siegel, que nos hospedaram no Seminário de Corupá — que atualmente destina parte de seus espaços a hóspedes e visitantes. Foi uma experiência incrível retornar ao local, onde estivemos pela última vez em 2 de novembro de 2014.
Dona Angelina, boa tarde!
Confirmo a data da visita para 25 e 26 de fevereiro.
A senhora é minha convidada para se hospedar no seminário Sagrado Coração de Jesus - já está reservado o quarto do casal com vista para o jardim principal.
No que se refere a agenda, enviarei na segunda-feira.
Eu e meu esposo estamos gratos pela gentileza em aceitar nosso convite. Estaremos preparando cada detalhe com muito carinho e cuidado. Fernanda Siegel, 21 de fevereiro de 2026
Assim que chegamos a Corupá, fomos ao Seminário Sagrado Coração de Jesus, onde fomos recepcionados pela família Siegel. Ali mesmo, conhecemos a arquiteta Susan e Marco de Vries; eles estavam de passagem pela cidade e, em breve, retornariam para a Alemanha, onde residem atualmente.
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| Com a família Siegel no Seminário Corupá. |
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| Anita e Paulo Henrique Siegel, ele pesquisador do patrimônio da cidade de Corupá. |
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| Presente da família Siegel com o nome do projeto desenvolvido por Paulo Henrique Siegel. |
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| Susan Eipper, Marco de Vries, Roberto Wittmann, Paulo Henrique Siegel, Fernanda Siegel e Anita Siegel. |
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| Com a historiadora Joice Jambloski. |
No Seminário, em 26 de fevereiro de 2026, participamos de uma visita guiada conduzida pela historiadora
Joice Jambloski, uma das responsáveis pela manutenção e preservação da história local. Estiveram presentes a primeira-dama de
Corupá, Ingelore Werner Eipper, sua filha, a arquiteta
Susan Eipper, acompanhada de
Marco de Vries, além de
Paulo Henrique Siegel, Fernanda Siegel e
Anita Siegel.Ao final da visita, fomos agraciados com presentes que marcaram a despedida de dois dias intensos vividos na cidade. Durante esse período, acompanhados pelo pesquisador
Paulo Henrique Siegel e pelo casal
Susan e
Marco, tivemos também a oportunidade de registrar algumas tipologias históricas locais construídas com
a técnica enxaimel (Fachwerk), que apresentaremos em breve neste espaço.
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| Roberto Wittmann e Marco de Vries. |
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| Paulo Henrique e Fernanda Siegel, Joice Jambloski, Arquiteta Susan Eipper e Ingelore Werner Eipper. |
Como mencionado, a última vez que visitamos o
Seminário de Corupá — quando ainda não era denominado oficialmente como
Seminário Sagrado Coração de Jesus — foi em 2 de novembro de 2014. Diante de sua exuberância, história e monumentalidade, buscamos investigar sua trajetória e delinear sua arquitetura.
Naquela ocasião, identificamos o uso do
Backstein, técnica empregada em diversos estilos ao longo de diferentes períodos. Naquele momento, confundimos a tipologia com o
Expressionismo, denominando a técnica como
Backsteinexpressionismus, estilo que também surgiu na Alemanha.
Registros de novembro de 2014
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| Estivemos no sótão e constatamos a presença da estrutura enxaimel. |
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| O jardim estava esplêndido. O buxinho (Buxus sempervirens) apresentava-se bem podado e denso, o que não encontramos nesta visita de 2026. Por um breve momento, pensamos que o jardim tivesse sido alterado, mas não: é o mesmo espaço, porém com a poda do buxinho executada de maneira diferente, o que aparentemente o compromete. |
O estado atual do jardim com destaque para o buxinho (Buxus sempervirens).
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| Em 2026. |
Em 2014, o padre residente Otto Seidel, então com 81 anos, gentilmente nos acompanhou até as áreas mais reservadas do Seminário, como o sótão. Naquela ocasião, realizamos registros fotográficos que não puderam ser repetidos durante a nossa visita guiada de fevereiro de 2026.
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| Em 2014. |
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| Em 2014. |
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| Em 2014. |
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| Sótão. |
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| Em 2014. |
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| Em 2014. |
Arquitetura do Seminário de Corupá
O projeto do Seminário de Corupá foi assinado pelo Padre Jakobs Gabriel Lux. Sua linguagem arquitetônica segue a linha do Backstein, técnica construtiva que surgiu no norte da Alemanha nas primeiras décadas do século XX. Ao mesmo tempo, com características dos estilos "neos" e da Art Déco, perceptíveis na simetria e nas dimensões detalhadamente estudadas.
Há, também, elementos góticos e românicos observados nas janelas de diferentes formatos, o que confere movimento à fachada, apesar de sua grande extensão horizontal. O telhado é do tipo mansarda, com telhas francesas — e não planas (rabo de castor), como era comum na Alemanha e na região à época.
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| Rathaus Berlin. Backstein. |
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| Localização do Seminário de Corupá. |
É curioso ler relatos que afirmam que esta primeira ala não fora rebocada por escassez de recursos; tais registros decorrem de um desconhecimento técnico. Como exemplo de Backstein na Alemanha, citamos a prefeitura de Berlim (Rotes Rathaus), que segue a mesma técnica construtiva (alvenaria autoportante de tijolos aparentes), muitas vezes utilizando adornos estéticos a partir de rendilhados criados pelo posicionamento dos tijolos — trabalho este visível na fachada do Seminário de Corupá. Há muitas construções semelhantes na região da antiga Pomerânia, junto ao Báltico, inclusive palácios construídos pelos Cavaleiros Teutônicos.
Técnica Construtiva Backstein
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| Seminário de Corupá - Técnica construtiva - Backstein. |
O
Backstein é uma técnica construtiva, entre as muitas linguagens da arquitetura, que utiliza tijolos maciços comuns, com uma queima diferenciada, ou
Klinker nas vedações ou paredes autoportantes — comum no norte da Alemanha. Esta técnica, como tantas outras, pode ser aplicada em diversos estilos arquitetônicos.
Pesquisamos essa técnica anteriormente em publicações alemãs, o que talvez nos tenha levado ao erro de considerá-la exclusiva do Expressionismo Alemão (Backsteinexpressionismus). Ao longo da pesquisa, compreendemos seu processo e evolução; nesse contexto, o Backsteinexpressionismus é a aplicação do estilo expressionista à técnica do Backstein, utilizando tijolos de dupla queima em estruturas autoportantes. É essa linguagem que passaremos a conhecer agora, ao analisar a arquitetura do Seminário de Corupá.
Backstein - Klindern
Os tijolos Klinker são tipos de tijolos com queimas diferenciadas em relação ao tijolo comum, adquirindo colorações mais intensas e vibrantes, frequentemente com nuances distintas entre as peças. Devido à queima sob altas temperaturas, tornam-se mais densos, menos porosos e mais resistentes, sendo aptos para o uso em paredes estruturais ou autoportantes — técnica que remonta à arquitetura romana.
O nome faz alusão ao som metálico resultante do impacto entre dois desses tijolos. Os tijolos Klinker são produzidos a partir de misturas de argila, feldspato e barro branco ou vermelho. No processo industrial, a argila é misturada à água e, em seguida, submetida a fornos com temperaturas entre 1100°C e 1300°C — enquanto os tijolos comuns são queimados entre 800°C e 1000°C. Na Alemanha, esses tijolos seguem padrões rígidos de qualidade, normatizados pela DIN 105.
Na arquitetura, ganharam destaque na técnica construtiva do Backstein que foi adotada na arquitetura alemã de determinadas regiões do nordeste, contudo, o material já era utilizado anteriormente, não apenas na Alemanha, mas também em suas colônias, como em Santa Catarina, integrando-se aos estilos arquitetônicos vigentes de cada época.
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| Chilehaus – Edifício de escritórios em Hamburgo, Alemanha. Obra do arquiteto Fritz Höger, construída na década de 1920. Fonte: www.baunetzwissen.de. |
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| Antiga tipografia da Villa Wolff, São Bento do Sul, SC. |
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| Nossa Senhora do Perpétuo Socorro localizada no Warnow Alto, Indaial. Backstein românico. |
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| Antiga estufa de fumo - início do Século XX - Serra catarinense - Cidade de Urubici. Backstein art decó. |
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| Casa Neumann - São Bento do Sul/SC. |
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| Villa Ferreira Lage, construída entre 1856 e 1861. Este palacete foi a residência do engenheiro Mariano Procópio Ferreira Lage, de ascendência alemã, em Juiz de Fora (MG). Trata-se de uma construção em alvenaria autoportante de Backstein, utilizando tijolos Klinker, com uma arquitetura eclética muito à frente de seu tempo. |
Portanto, o Backstein é uma arquitetura moderna característica do norte da Alemanha que surgiu a partir da segunda década do século XX. Foi marcante e contribuiu muito para a formação da identidade da paisagem daquela região após a Primeira Guerra Mundial.
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| Fonte: weltalf.wordpress.com. |
A linguagem arquitetônica do Backstein desenvolveu-se no mesmo período — e de forma contemporânea — à Escola da Bauhaus. Enquanto a Bauhaus defendia e implantava a "limpeza" das fachadas, eliminando os adornos e o decorativismo, os arquitetos que utilizavam o Backstein desenvolviam uma linguagem ornamental no design de suas superfícies. Essa estética conferia uma sensação de movimento e inquietude que, além de expressar a dinâmica do tempo, também manifestava suas gravidades e tensões.
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| Hamburg. |
Muitas vezes, a expressividade das fachadas era obtida a partir de desenhos resultantes da organização de tijolos comuns e tijolos Klinker, com ricas variações cromáticas. Sua principal desvantagem técnica reside na ausência de isolamento térmico quando utilizado em paredes estruturais em locais com grandes amplitudes térmicas e condições climáticas rigorosas. Contudo, a técnica conquistou a preferência popular pelas inúmeras possibilidades de composição de cores — do marrom ao vermelho e violeta —, conferindo forte personalidade e consolidando a identidade dessa arquitetura, que se tornou uma tendência marcante no norte da Alemanha.
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| Berlin - Ullstein-Haus. |
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| Haus Neuerburg, Hamburg. |
Uma das principais características do
Backstein são as "movimentações visuais" das fachadas, criadas exclusivamente com o uso de tijolos maciços aparentes em composições diferenciadas. Assim, grandes panos de paredes recebiam dinamismo por meio do assentamento variado dos tijolos — muitas vezes apresentando cores distintas, conforme a queima das peças. Os tijolos eram assentados em diversos conjuntos e angulações, criando ornamentações e designs únicos. Fileiras horizontais alternavam-se com outros tipos de amarração e padrões, conferindo ritmo à superfície.
As fachadas eram complementadas com esculturas arquitetônicas feitas de tijolos Klinker e cerâmica. O escultor que mais se destacou nesse tipo de trabalho foi Richard Emil Kuöhl. Outro nome de relevo foi Ernst Barlach, responsável por obras na Igreja de Santa Catarina (Katharinenkirche), em Lübeck — trabalho que, posteriormente, foi concluído pelo escultor Gerhard Marcks.

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| Detalhe de escultura em argila queimada - detalhe arquitetônico feito por Richard Emil Kuöhl. |
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| Detalhes das esculturas e desenho a partir da paginação dos tijolos com variação de cores. |
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| Detalhe de escultura em argila queimada - detalhe arquitetônico feito por Ernst Barlach. |
Como já comentamos, e a exemplo do que ocorre no Seminário de Corupá, há tipologias arquitetônicas que apresentam uma "colagem" de diferentes estilos, utilizando o tijolo maciço aparente — principalmente com influências do Art Déco e dos "neos". Na Alemanha, citamos o arquiteto Fritz Höger, que assinou a célebre obra Chilehaus, na cidade de Hamburg, também com fortes traços do Art Déco.
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| Chilehaus - Hamburg - Obra do Arquiteto Fritz Högers. |
Há muitos outros tantos arquitetos do norte da Alemanha que se destacaram usando esta técnica construtiva, como por exemplo:
Fritz Schumacher, Bernhard Hötger, Karl Elkart, e o arquiteto da
Catedral São Paulo Apóstolo de Blumenau -
Dominikus Böhm, que entre muitas obras, assinou o da igreja
Christkönig Bischofsheim.
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Igreja Christkönig - Projeto de Dominikus Böhm Arquiteto da catedral de Blumenau. |
Dentro de um mesmo período histórico — as primeiras décadas do século XX — e no mesmo país, a Alemanha, coexistiam duas técnicas construtivas distintas. Uma delas tornou-se internacionalmente propagada e conhecida: a vertente do modernismo em concreto armado que, por diversos motivos, consolidou-se globalmente. A outra, com características mais ligadas à sua identidade local, foi para fora dos limites da Alemanha "nas malas" dos imigrantes.
Seria coincidência o imigrante alemão da região do
Vale do Itajaí escolher justamente o tijolo maciço para o
fechamento do seu enxaimel, sendo que também era comum o uso da taipa? Alguns acabamentos do
enxaimel local apresentam detalhes e "rendilhados" típicos do
Backstein, perceptíveis inclusive em muros. A maioria dos imigrantes dessa região partiu do Norte da Alemanha rumo ao Brasil pelo Porto de
Hamburg — região onde essa tradição construtiva era a identidade da paisagem.
Backstein no Seminário de Corupá - Um pouco de sua História. |
| Enxaimel visto no sótão, com fechamento com tijolos aparentes. |
O
Seminário de Corupá é uma construção mista que integra a estrutura enxaimel, o
Backstein e a alvenaria autoportante rebocada. A presença de elementos de diversos estilos nessa composição caracteriza uma
arquitetura eclética. O complexo foi construído em períodos distintos. Teve sua construção iniciada na segunda década do século XX e, ainda na metade do século, novas edificações do conjunto estavam sendo inauguradas.
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| Seminário de Corupá na década de 1930 e na década de 2020, nosso registro fotográfico. |
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| Padre João Leão Dehon. |
A iniciativa de sua construção partiu do pároco de Brusque,
Padre Germano Brand, que também foi o idealizador da edificação do
Seminário de Brusque. Na década de 1920, o
Convento Sagrado Coração de Jesus, em Brusque, já não dispunha de espaço para o crescente número de jovens interessados em estudar, superando sua capacidade de 30 internos. Este seminário foi inaugurado em 3 de junho de 1924, tendo como função primordial a formação de seminaristas. O
Convento Sagrado Coração de Jesus foi fundado pela
Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, na
Província do Brasil Meridional. A congregação foi idealizada pelo
Padre João Leão Dehon, cujos membros são conhecidos como
Dehonianos. Além de fundador da ordem, o
Padre Dehon foi sociólogo, escritor e advogado. Ele nasceu em 14 de março de 1843, em
La Capelle, na França. A
Congregação Dehoniana foi a mesma que construiu o
Seminário de Corupá.
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| O Padre João Leão Dehon visitou Santa Catarina em 1906, durante sua única viagem ao Brasil. Na ocasião, ele passou por diversas comunidades do estado, onde a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus já exercia sua missão. Em Brusque, Dehon encontrou-se com os primeiros missionários e acompanhou de perto o trabalho que daria origem, anos mais tarde, ao Seminário e ao Convento. Sua passagem foi marcada por um olhar atento às questões sociais e educacionais, reafirmando o compromisso de sua ordem com a formação intelectual e religiosa na região. |
A história do
Seminário de Corupá, como mencionado,
possui ligação direta com a do
Seminário de Brusque, que teve seu início em 15 de maio de 1924, com a chegada dos sete primeiros alunos ao então denominado
Colégio Sagrado Coração de Jesus. Em julho daquele mesmo ano, chegou de Taubaté (SP) o orientador de estudos,
Padre Inácio Burrichter, e as aulas foram iniciadas em setembro. Para viabilizar a manutenção da casa e o sustento dos seminaristas, o
Padre Germano Brand adquiriu uma chácara na localidade de
Volta Grande, onde estabeleceu o cultivo de arroz e outros gêneros alimentícios.
Em 1932, o espaço no seminário, como já mencionado, tornou-se insuficiente para o elevado número de aspirantes que buscavam o local para seus estudos. O
Padre Brand teve, então, a iniciativa de construir o
Seminário Menor Sagrado Coração de Jesus na cidade de
Corupá. Tal decisão ocorreu devido à falta de condições espaciais e burocráticas para ampliar a edificação em Brusque, visto que o terreno disponível não pertencia à Congregação. Paralelamente, a comunidade católica de
Hansa Humboldt (denominação de Corupá na época) — representada pelas lideranças
Adolfo Bäumle,
José Mueller e
Guilherme Thiemann — ofereceu o terreno necessário para a desejada ampliação.
Nesta época, o Padre Pedro Storms, Superior Regional da Missão, designou o Padre Jakobs Gabriel Lux — projetista e construtor — para conceber o projeto e executar a nova obra em Corupá. O edifício, além de projetado por um religioso, foi integralmente construído por padres. A planta seguiu fielmente as tendências arquitetônicas da época, na Alemanha, apresentando fechamentos com detalhes "rendilhados" executados em tijolos maciços, a partir da técnica construtiva do Backstein.
O Padre Jakobs Gabriel Lux nasceu em Bonn, na Alemanha, em 8 de maio de 1869. Professou os votos de castidade, pogoeza e obediência em 25 de dezembro de 1889, em Sittard, na Holanda, e sua ordenação sacerdotal ocorreu em Tuquerres, na Colômbia, em 7 de setembro de 1895. Chegou ao Brasil por Desterro (atual Florianópolis), em 1903, sendo um dos responsáveis por implantar a missão dehoniana no Brasil Meridional e seu primeiro superior (1903-1908). Atuou em Brusque, São Bento do Sul e Vargem do Cedro, além de coordenar a primeira fase da construção do Seminário de Corupá (1927-1932). Faleceu em Vargem do Cedro em 4 de dezembro de 1943.
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| Belíssimos rendilhados criados a partir do posicionamento dos tijolos, resultando em adornos decorativos como os utilizados no Norte da Alemanha, característicos da arquitetura Backstein. |
O Superior Regional também designou o Padre Pascoal Lacroix para angariar fundos junto aos católicos de São Paulo e do Rio de Janeiro, visando custear a obra. Assim, o complexo tornou-se um patrimônio construído com doações vindas daqueles estados, bem como de famílias da região e de outras partes de Santa Catarina. É uma edificação repleta de significados e história.
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| O início da obra foi executado pelos próprios padres, sob a liderança do Padre Jakobs Gabriel Lux, que acumulou as funções de arquiteto e mestre de obras. |
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| Até esta etapa, foi concluída a primeira parte desta ala. É importante observar a técnica do enxaimel utilizada no fechamento das mansardas; este detalhe encontra-se no interior do sótão, onde realizamos os registros fotográficos. O elemento acabou ficando "guardado" e oculto quando a obra deu sequência à segunda fase da construção. |
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| Cerimônia da pedra fundamental - 09 de Setembro de 1929, com as presenças entre outros , do Padre Lux, Padre Schmitz, Jakobs, Padre Pedro Storms, Padre Germano Brand que fez o Sermão. |
Tão logo o projeto ficou pronto, os trabalhos de construção do Seminário de Corupá iniciaram-se em 1929, e a inauguração da primeira parte ocorreu em 1932, com a chegada dos primeiros seminaristas. Com isso, o Padre Pedro Storms definiu que em Taubaté seriam realizados os estudos teológicos, enquanto em Santa Catarina ocorreriam o noviciado e os estudos filosóficos. No dia 20 de fevereiro de 1932, teve início o primeiro curso de Filosofia do estado, sob a direção do Padre Roberto Bransiepe, que veio da Alemanha com este objetivo.
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| A fotografia foi um presente do imigrante alemão Carlos Walter Ebersbach (1904-1997) ao seu neto, Sérgio Roberto Naas, que gentilmente disponibilizou esta imagem histórica para a presente contribuição. |
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| A presença da Cruz Pátea nas paredes do refeitório - registro histórico. |
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| Dormitório. |

Em 1953, iniciou-se a construção da nova ala. Segundo o relato do Padre Otto Seidel que nos mostrou parte do Seminário em 2014, ele teria participado desta etapa aos 20 anos de idade. Nesse período, foram erguidos a capela e o edifício que abriga o museu, entre outros ambientes. Esta nova ala adotou uma técnica distinta: a alvenaria rebocada com ornamentos que remetem ao neoclássico e aos arcos românicos. Durante a pesquisa, encontramos textos que identificam essa parte como "mais moderna". Enquanto a primeira ala possuía uma identidade arquitetônica alemã bem definida — marcada pelo pela técnica construtiva Backstein e pelo ecletismo nas variadas formas das janelas —, a segunda ala apresenta-se como uma composição de recortes temporais, sem uma identificação estrita com um único período.
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| Padre Otto Seidel nos apresentou áreas restritas do Seminário em 2014 |
Padre Otto Seidel que nos apresentou áreas restritas do Seminário, em 2014, nasceu em 12 de março de 1934, em Feliz (RS), filho de Aloysio Victus Seidel e Mathilde Kaspary. Iniciou sua formação no seminário de Crissiumal em 1946, transferindo-se para Corupá no ano seguinte, onde permaneceu até 1953. Realizou o noviciado em Brusque em 1954, cidade onde professou seus primeiros votos em 2 de fevereiro de 1955 e cursou Filosofia (1955-1956). Iniciou a Teologia em Taubaté (1957) e concluiu os estudos em Malpas, na Inglaterra, onde foi ordenado .sacerdote em 3 de julho de 1960. Após uma passagem por Lyon, na França, e pelo ministério em Vila Maria (SP), retornou ao Seminário SCJ de Corupá em 1962 como professor e formador. Sua trajetória incluiu funções de destaque como secretário provincial, além de passagens por Joinville, Rio Negrinho e Curitiba. Entre as décadas de 70 e 80, dedicou-se às missões no Maranhão e ao paroquiato em diversas cidades de Minas Gerais.Em 1991, assumiu o relevante cargo de Arquivista Geral da Congregação em Roma, onde permaneceu até 1997. Após retornar ao Brasil e atuar em paróquias do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, passou a residir no Seminário de Corupá em 2014 — ano em que o conhecemos. Padre Otto permaneceu na instituição até o seu falecimento, em 17 de maio de 2019, em Jaraguá do Sul. Foi sepultado no dia 18 de maio, no cemitério do Seminário de Corupá.
A Capela foi idealizada e edificada pelo Padre Antônio Enchelmeyer, também responsável pelo projeto e construção do teatro. Por volta de 1970, foram incorporados campos, espaços esportivos e um salão de jogos ao complexo. A última ala construída abrigou salas de aula, dormitórios, refeitório e cozinha. Atualmente, esses ambientes tendem a seguir a vocação de outros seminários no Brasil, convertendo-se em áreas destinadas à hotelaria e hospedagem.
As imagens comunicam
O Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Corupá (SC), fundado em 1929, ainda é gerido pela Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos). Atualmente, a instituição é dirigida pelo Padre Diego Martins, contando com uma equipe pastoral que inclui os padres Cícero Celeste Murara e Eloi Comper, este último atuando como pároco.

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| A presença da Cruz Pátea na decoração das paredes do Hall frontal do Seminário. |
A
cruz em alto-relevo presente em diversas construções religiosas no Brasil, frequentemente confundida com a
Cruz de Malta, é, na verdade, uma
Cruz Pátea (ou Cruz de Cristo). Este símbolo carrega significados profundos ligados à história, à fé e à colonização portuguesa.
Simbolismo de Posse e Fé: Como um dos ícones do descobrimento do Brasil, a Cruz Pátea representava a posse do território pela Coroa Portuguesa e a institucionalização do cristianismo nas novas terras.
Diferença Técnica: Embora popularmente chamada de "Cruz de Malta", a cruz vermelha de hastes que se alargam para as extremidades (comum nas caravelas e em clubes como o Vasco da Gama) é a Cruz Pátea. A verdadeira Cruz de Malta distingue-se pelas suas oito pontas bifurcadas em formato de "V". Ambas, contudo, convergem na simbologia de proteção e devoção cristã.





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| Ambiente do Museu Irmão Luiz Gartner, no interior do Seminário de Corupá, visto através da visita guiada por Joice Jambloski. |
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| Ambiente do Museu Irmão Luiz Gartner, no interior do Seminário de Corupá, visto através da visita guiada por Joice Jambloski. |
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| Paulo Henrique e Fernanda Siegel, Joice Jambloski, Arquiteta Susan Eipper e Ingelore Werner Eipper. |
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| Paulo Henrique Siegel, Fernanda Siegel, Anita Siegel, Ingelore Werner Eipper, a arquiteta Susan Eipper, e Marco de Vries. |
Muito obrigada a todos pela oportunidade de aprendizado, pela companhia, pelo carinho e pela obtenção deste material e destas informações.
Um registro para a História.
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