quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Réveillon - comemoração do Ano Novo - 2026

O Réveillon é a comemoração da transição — o encerramento do ano que finda e as boas-vindas ao ano que inicia, o Ano Novo. Que este novo ano, 2026, seja muito bem-vindo.
O termo tem origem no verbo francês réveiller, que significa despertar, acordar ou "deixar de dormir". Do latim velare, remete a cuidar, velar e permanecer desperto. Na França, o termo é comumente associado ao período de Natal; já para o Ano Novo, utiliza-se a expressão Réveillon de la Saint-Sylvestre, pois 31 de dezembro é o dia de São Silvestre.
De uma maneira geral, ao longo do planeta, Réveillon é a expressão consagrada para denominar as celebrações de recepção ao Ano Novo. Rio de Janeiro 2025/2026.
 Rio de Janeiro 2025/2026.
As festividades de comemoração da passagem do Ano Novo são muito antigas. Nasceram no seio do povo que inventou a escrita e a roda — o berço da cultura ocidental: a
Mesopotâmia. Sua origem possui ligações com rituais da natureza, os ciclos celestes e lunares e a agricultura. São ciclos ligados à ideia de recomeço, assim como acontece nos dias atuais.
Os primeiros registros desta comemoração na Mesopotâmia datam de 2000 a.C. A festividade era conhecida como o Festival de Ano Novo e, na Babilônia, iniciava-se no equinócio da primavera.
Os assírios, persas, fenícios e egípcios comemoravam o Ano Novo no dia 23 de setembro. Já os gregos celebravam o início do novo ciclo entre os dias 21 ou 22 de dezembro.
Os romanos, em 753 a.C., criaram uma data dentro de seu calendário para comemorar a festa de encerramento do ciclo anual e o início de outro. Naquela época, o Ano Novo iniciava no dia 1° de março. Posteriormente, foi oficializado por meio de um decreto do imperador Júlio César, em 46 a.C., que o dia 1° de janeiro seria o primeiro dia do Ano Novo.
Na época de Júlio César, os romanos dedicavam este dia a Jano, o deus dos portões. Sua dupla face simboliza o passado e o futuro — uma voltada para frente e a outra para trás. Jano é o deus dos inícios, das decisões e das escolhas. Seu nome deu origem ao nome do mês de janeiro.
Moeda romana com a imagem do deus Jano.
Antes de o Império Romano tornar-se cristão, a religião era politeísta, com a presença de várias divindades — uma herança oriunda dos povos mesopotâmicos. Os festejos de virada de ano eram uma prática comum daquela cultura, embora não se tenha notícia de que judeus e cristãos comemorassem esta data naqueles tempos.
A ordem dos meses no calendário romano seguia a sequência de janeiro a dezembro, como na atualidade. Essa estrutura existia desde o reinado de Numa Pompílio, por volta de 700 a.C., de acordo com Plutarco e Macróbio.
Papa Gregório VIII.
Durante a Idade Média, diferentes povos consideraram diversas datas como o primeiro dia do Ano Novo, tais como 1° de março, 25 de março, 1° de setembro e 25 de dezembro.
Em 1582, a Igreja Católica adotou o calendário gregoriano, instituído pelo Papa Gregório XIII, o que consolidou definitivamente a data de 1° de janeiro como o início do Ano Novo. Atualmente, na maioria dos países do Ocidente, o dia é considerado feriado nacional.







Em 1755, por exemplo, a Inglaterra e todos os países sob seu domínio ainda consideravam que o Ano Novo iniciava no dia 25 de março. Somente após esse período os ingleses adotaram o dia 1° de janeiro como o marco inicial. Com a expansão da cultura ocidental e o avanço tecnológico das comunicações, o calendário gregoriano — e o significado do Réveillon em 1° de janeiro — foi aceito em quase todo o globo.
Contudo, a data não é celebrada da mesma forma em todas as nações:
  • China: A passagem do ano ocorre no final de janeiro ou início de fevereiro (conforme o calendário lunar), com grandes desfiles e espetáculos pirotécnicos.
  • Japão: As comemorações estendem-se pelos três primeiros dias de janeiro.
  • Israel (Judaísmo): O Ano Novo é o Rosh Hashaná ('Festa das Trombetas'), celebrado em setembro ou outubro, com duração de dois dias.
  • Mundo Islâmico: O Ano Novo é celebrado em meados de maio, marcando o aniversário da Hégira (a migração do Profeta Maomé de Meca para Medina em 622 d.C., o ano "zero" do calendário islâmico).
Em alguns países da América Latina, sob um enfoque cultural, existe um vasto leque de tradições e superstições em torno desta data, incluindo o Brasil.
Algumas das tradições mais comuns são:

Cor da roupa
Yemanjá.

Cor Branca  (mais comum)

No Brasil, essa celebração sofreu forte influência da cultura e mitologia africana (Iorubá), por meio da Umbanda e do Candomblé. O hábito de festejar junto ao mar tem origem na homenagem a Iemanjáorixá cujo nome deriva da expressão iorubá Yéyé omo ejá ("Mãe cujos filhos são peixes"). Filha de Olokum, o dono do mar, ela é considerada a Rainha das Águas.
Essa tradição popularizou-se no Brasil a partir do Rio de Janeiro, cenário propagado pela televisão para todos os cantos do país. A celebração da virada em solo carioca, com milhares de pessoas vestidas de branco, consolidou rituais como o "banho de pipoca" e o pulo das sete ondas, realizados para pedir sorte à orixá. Atualmente, tais práticas não se restringem ao Rio, mas são repetidas em toda a costa brasileira, com homenagens feitas nas areias ou dentro do mar durante a transição para o Ano Novo.
Salvador, na Bahia, foi a primeira capital do Brasil e o local onde se concentrou uma das maiores populações de africanos escravizados entre os séculos XVII e XIX. Essa densidade demográfica e histórica transformou a cidade no maior epicentro da herança africana no país, moldando profundamente a cultura, a religiosidade e as tradições.



Divulgação do sincretismo religioso e seus rituais, pela mídia.

Programas televisivos e seus apresentadores filmam na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, realizando oferendas à orixá Iemanjá, com transmissão em rede nacional.
Dentro da mitologia africana, crenças e tradições foram trazidas por africanos que eram comercializados na costa da África e trazidos cativos para o Brasil, em navios negreiros, para trabalhar para os colonizadores portugueses que exploravam o país na época.
A cor branca fazia parte dos rituais dessas religiões e permanece presente no Brasil até os dias atuais. Com o tempo, as práticas religiosas dos descendentes desses africanos sofreram influências e modificações devido ao contato com o cristianismo português, dando origem ao sincretismo religioso presente no país. Atualmente, o uso de roupas brancas na virada de ano é mantido com o mesmo significado de outrora, embora muitos desconheçam sua verdadeira origem histórica.
Lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim após a chegada do cortejo que saiu do bairro do Comércio, em Salvador. (Foto: Reprodução - Max Haack/Ag. Haack)
Continuando...

Independentemente do Orixá ou do Santo, cada filho de santo veste-se de branco ao prestar homenagem ao Pai e às divindades. Conta-se que uma entidade da Umbanda, conhecida como Caboclo das Sete Encruzilhadas, sugeriu que médiuns, sacerdotes e demais participantes das sessões religiosas utilizassem roupas brancas.
A cor branca sempre foi adotada por representar a paz e a fraternidade.
Também nas antigas ordens religiosas do Oriente, a cor branca significa elevada sabedoria e alto grau de espiritualidade. Na antiga Índia, os Magos Brancos utilizavam vestimentas dessa cor e eram assim chamados por praticarem sua magia para o bem. O branco também transmite a sensação de limpeza, paz e harmonia — critérios observados nos uniformes de profissionais das áreas da saúde e do ensino.
Sob o enfoque científico, por meio das pesquisas de Isaac Newton, constatou-se que a luz solar (branca), ao atravessar um prisma de cristal, desdobra-se nas cores do arco-íris. Concluiu-se, assim, que a cor branca contém em si todas as demais cores.
Podemos concluir que o costume de usar branco no Brasil, durante as comemorações da virada de ano, tem origem no sincretismo religioso entre diferentes culturas. Atualmente, essa prática está profundamente inserida nos costumes e na religiosidade do país. Muitos participam das celebrações de Ano Novo vestidos de branco, ainda que desconheçam a origem e o significado dessa indumentária.
Conhecer é preciso.

Prosseguindo...
  • Cor Amarela – De uso recente, representa a prosperidade e a riqueza material. Seu significado está relacionado à cor do metal ouro.
  • Cor Verde – De uso recente, representa a natureza. Também tem relação com a prosperidade, por meio da renovação da esperança.
  • Cor Azul – De uso recente, representa bonança e prosperidade.
  • Cores Escuras (marrom, preto, cinza) – De acordo com os credos, devem ser evitadas no Réveillon, pois podem atrair tristezas e maus agouros.
Alimentos que não devem estar na mesa das festividades de final de ano, segundo as tradições e superstições no Brasil:
  • Aves (inclusive peru e chester): Dizem que a felicidade voará de sua casa junto com a ave. Também se observa que, como as aves "ciscam para trás", isso poderia significar um "retrocesso" à vista.
  • Romã
    Romã – Devido à grande quantidade de sementes, acredita-se que a fruta atrai felicidade e fartura. Uma dica popular sugere que, no primeiro dia do ano, coloque-se uma semente de romã na primeira panela de arroz a ser cozinhada. Outra semente deve ser guardada na carteira durante todo o ano, sendo substituída apenas no próximo Réveillon.
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Existem outras tantas superstições e práticas as quais não listaremos aqui. Para quem se interessar, vale a pena realizar uma pesquisa sob o olhar da Antropologia. Nossa intenção e objetivo é provocar a curiosidade e motivar a busca pelo conhecimento, desprovida de etnocentrismo. Sabemos que existem muitas outras práticas que variam de região para região, ou de país para país, realizadas neste período do ano.
Quanto às expectativas para o Ano Novo, acreditamos que colhemos as reações de cada uma de nossas ações — sejam elas positivas ou nem tanto. Se os resultados não forem tão bons, devemos observar com atenção, pois pode tratar-se de um "remédio amargo", porém útil em nossa jornada. Tudo possui um sentido maior e os momentos difíceis, se bem analisados, podem não ser tão ruins quanto parecem à primeira vista.

Desejamos muita sabedoria a todos neste ano de 2026.
Florianópolis 2025/2026.
Florianópolis 2025/2026.




Passamos a virada do Ano Novo em Gravatá, Navegantes (SC), na companhia de Roberto Wittmann. Durante a passagem de ano, entre abraços e lembranças daqueles que não estavam presentes, brindamos com votos de "um mundo melhor" a partir dos bons momentos vividos.
O show pirotécnico é uma prática que teve origem no Oriente. Hoje, vivemos e praticamos um conjunto de diferentes hábitos e costumes repassados, durante muitos séculos, de pai para filho. Muitas vezes apenas os repetimos, sem plena consciência de seus significados. É importante conhecer nossas tradições para que não nos percamos da essência.

Prost Neu Jahr!

Praia de Gravatá - Navegantes SC.
Praia de Gravatá - Navegantes SC.
Feliz 2026!
Glückliches Neues Jahr !!

Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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