quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Ponte 16 - Ponte da Estrada de Ferro Santa Catarina -EFSC - Lontras SC

Ponte 16 - Lontras.
Em 21 de agosto de 2021, conhecemos uma trilha que está sendo recuperada através de iniciativas de grupos das cidades de Rio do Sul e Lontras, que é o acesso ao antigo leito ferroviário existente. Nós antes de iniciarmos o trajeto, estivemos na estação de Matador - localizada em Rio do Sul onde há alguns anos vem sendo feito um trabalho de resgate, dentro do projeto da Tremtur e as administrações das cidades envolvidas - Lontras e Rio do Sul. Neste local conversamos com o atual Presidente da Tremtur Marciano Pereira e a voluntária Jéssica Duarte, que participaram de nosso trajeto, até as pontes 16 e 15 e responsáveis pela, juntamente com outros voluntários e as administrações públicas, pela assediabilidade resgatada através do antigo leito ferroviário, neste local que fazia parte da EFSC, até locais, até bem pouco tempo, inacessíveis.
O grupo de voluntários tem planos de resgatar um trecho desta ferrovia, usando a máquina da Catarininha como a máquina usada nos primeiros passeios de trem no local.
Neste momento, comentamos as demolições que vem ocorrendo paulatinamente entre o patrimônio ferroviário da EFSC, e Pereira esclareceu que todos são tombados. Há pouco tempo foi demolida a casa do agente da estação de Lontras e também de uma edificação próxima a Caixa D'água de Barra do Trombudo (Km 152).
Deste local, nos dirigimos rumo a serrinha, o trecho ferroviário a partir da  Estação Subida, percorrendo em torno de  10 km do que foi o antigo  leito ferroviário da EFSC, partindo da Estação de Subida (Km 111) em direção onde, historicamente, estava a Estação Victor Konder (atual Riachuelo - Km 132,27) - Lontras. Neste trajeto, o traçado original da ferrovia, que soma 22 km e foi esculpido na rocha na década de 1920, no qual foi construído parte do grande patrimônio ferroviário dotado de inúmeras pontes, túneis, que restam poucos vestígios deste modal de transportes, responsável pelo desenvolvimentos dos municípios da região do Vale do Itajaí no início do século XX. Atualmente ainda é possível ver pontes, muros de contenção, recortes na rocha e ter uma noção do trabalho árduo feito por homens munidos somente de pás, picaretes, dinamites e carros tracionados a animal, para sua execução. Próximo a este local estão a ponte 17 quer possui 15 metros de comprimento e está situada próximo ao Salto Pilão, vizinha à localidade de Riachuelo, fora do trecho de serra, e logo depois da passagem pelo túnel. Sucateada em 1982. O primeiro túnel está localizado logo após a Estação de Subida, no km 112,27  da variante do prolongamento. A extensão deste túnel é de 73 metros, e seu formato é em curva.  Suas paredes são revestidas de granito rosa, e na saída leste adquire o formato de um muro de arrimo que contorna o morro; para o oeste da saída do túnel, surge, então, a ponte de dois arcos. Formam um conjunto de obra de arte da engenharia ferroviária. O segundo túnel da serra situa-se na localidade de Salto Pilão, Km 123,80. Foi construído de tal maneira que, quando o trem despontasse dele, os passageiros tivessem imediatamente a vista de Salto Pilão. O túnel de Salto Pilão possui 110 metros de comprimento e destes, 54 metros foram escavados na rocha. Os dois túneis estão em ótimo estado de conservação. Também é bom destacar os grandes esforços e desafios enfrentados nesta região devido aos grandes lençóis de granito situados no subsolo, que dificultavam o trabalho dos homens que abriam a estrada na serra praticamente virgem, munidos de ferramentas rudimentares, quase sempre apenas pás, picaretas, dinamites e carros tracionados a animal.
Em Hansa, nas proximidades da BR 470, acesso a Ibirama, há a primeira ponte, construída sobre o majestoso Itajaí Açu, a ponte de Ibirama. A partir da ponte, o leito ferroviária é reconhecível e bem demarcado com um leve aclive. O caminho atualmente onde se encontra no meio da mata, margeando o grande Rio Itajaí Açu, que neste dia estava com o nível da água muito baixo.
Primeira ponte sobre o Rio Itajaí - Ponte ferroviária de Ibirama.
Chegamos a grande Ponte 16, nome que recebeu porque faz a travessia do Ribeirão 16, construída com material da Stahlunion de Dorthmund, Alemanha. Sua construção aconteceu em 1928 a 27 metros de altura do leito do rio, com um comprimento aproximado de 50 metros em curva, sustentados por dois pilares de pedra rosa, e cuja parte central, por sua vez, é sustentada por duas gigantescas torres de aço de 23,5 metros de altura. 
A Ferrovia no Vale do Itajaí. A localização das estações e infraestrutura ferroviárias da EFSC. Mais ou menos o trajeto que fizemos a pé e de carro. Fonte: Fundação Indaialense de Cultura.



Região Percorrida - localização 


Mapa da EFSC de 1965 - onde estão locadas as principais estações ferroviárias - onde está destacada a estação da cidade de Rio do Sul.








Matador

Casa do Chaveiro de Matador - Rio do Sul - Residência de Jones Schmidt e sua família.



Casa do Chaveiro de Matador - Rio do Sul - Residência de Jones Schmidt e sua família.


Representante da família Bremer de Rio do Sul, Jones Schmidt e Marciano Pereira.


Comunidade de Matador.

Lontras - Casa do chaveiro - demolida 2019.



Barra do Trombudo - Casa do chaveiro - demolida 2021.
Barra do Trombudo.




Caixa D'água de Barra do Trombudo.











Rio Itajaí Açú.

Antigo leito ferroviário da EFSC.











Movimentação de terra feitas pela prefeitura.












Ponte 16













Rio Itajaí Açu. e seu vale.

Rio Itajaí Açu. e seu vale.






















Ponte 15







Ponte 15.







































Registro Para a História!

Referências

  • GIESBRECHT, Ralph Mennucci. Estações ferrovi[árias do Brasil - E. F. Santa Catarina (1954-1971), ilhota. Disponível em: http://www.estacoesferroviarias.com.br/efsc/ilhota.htm. Acesso em: 29 de setembro de 2021.
  • WITTMANN, Angelina C. R. A ferrovia no Vale do Itajaí: Estrada de Ferro Santa Catarina: Edifurb, 2010. - 304 p. :il.

Leituras complementares - Clicar sobre o título:
  1. O Livro On line: A FERROVIA NO VALE DO ITAJAÍ - Estrada de Ferro Santa Catarina - 10 anos de publicação
  2. Quase tudo sobre a Estrada de Ferro Santa Catarina à Ferrovia da Integração
  3. Hermann Bruno Otto Blumenau - De 1819 até 1846
  4. Rua das Palmeiras eo Museu da Família Colonial
  5. Fundação de Blumenau e sua formação a partir dos meios de transportes
  6. Blumenau - do Stadtplatz ao Enxaimel
  7. Um passeio no Trem da EFSC - Estrada de Ferro Santa Catarina
  8. Primeiro Diretor da EFSC - Entrevista ao Sr. Frederico Kilian
  9. Ferrovia da Integração - Pauta em Florianópolis
  10. Santa Catarina teve única ferrovia brasileira construída com tecnologia e capital alemães
  11. A Ponte Lauro Müller
  12. Comissão Pró Ferrovias do Vale do Itajaí
  13. O retorno da ferrovia ao Vale do Itajaí
  14. Pessoas e a Ferrovia na região
  15. A Ferrovia no Vale do Itajaí
  16. Estação Ferroviária da EFSC de Ilhota SC - Não foi demolida
  17. Estação Ferroviária da EFSC - Cidade de Rio do Sul
  18. Engenheiro Joaquim Breves Filho - Diretor da EFSC e sua residência
  19. EFSC - Antigos artigos publicados sobre a ferrovia inspiram novas publicações
  20. A Ferrovia - EFSC
  21. Estrada de Ferro Santa Catarina - Há 45 anos que foi erradicada da paisagem do Vale do Itajaí
  22. Da Estrada de Ferro Santa Catarina à Ferrovia da Integração
  23. Um passeio no Trem da EFSC - Estrada de Ferro Santa Catarina
  24. Primeiro Diretor da EFSC - Entrevista ao Sr. Frederico Kilian
  25. Ferrovia da Integração - Pauta em Florianópolis
  26. Santa Catarina teve única ferrovia brasileira construída com tecnologia e capital alemães
  27. Passando por Warnow/Ascurra - Comunidade Centenária - Ilse
  28. Órgão da Catedral São Paulo Apóstolo de Blumenau SC Faber & Greve - Restaurado - Sua História, Nomes e Imagens atuais.
  29. Friedrich Richard Krauel - O primeiro embaixador alemão que visitou a região do Vale do Itajaí - Século XIX - então Colônia Blumenau
  30. Memória Ferroviária - Resgate do Trecho Ferroviário de Apiúna SC - ABPF

Sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
@AngelWittmann (Twiter)
















4 comentários:

  1. Impressionante registro fotográfico de um passado recente que até poderia ter conhecido em todo o seu percurso quando ainda adolescente e em pleno funcionamento. O que pouco se comenta além das lamentações do fechamento da Estatal foi que os investimentos de implantação nunca foram recuperados, altos custos de manutenção e folha de pagamento de pessoal, processos trabalhistas, culminando com a preferência por transporte rodoviário que evoluiu mais rapidamente e SUPLANTOU COM CUSTOS DE LOGÍSTICA MAIS ATRAENTE AOS USUÁRIOS.

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    1. Depois de um pequeno estudo, conclui, que tudo foi criteriosamente estudado. Por que em países realmente preocupados com a logística, mantiveram a intermodalidade? Aqui, poucos foram beneficiados com a hegemonia do automobilismo. Foi deliberadamente sucateada, apresentada como um meio de transportes atrasado e colocado no lixo a luta, o trabalho e o investimento feito por pessoas que acreditaram. Muitas vezes por representantes da mesma classe que construiu a ferrovia. Destaco isso no livro A Ferrovia no Vale do Itajaí, que se encontra on line. Abraços cordiais...

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  2. Eu vivi e observei muito de perto estas mudanças, morando em Blumenau.

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    1. Memória viva....Nem tudo era mostrada a população....se puder busque meu livro e leia... personalidades que ajudaram a implantar a ferrovia, depois implantaram revenda de automóveis em Blumenau....

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