Mostrando postagens com marcador Projeto Memorvale. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Projeto Memorvale. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de julho de 2026

O enxaimel da Rua XV de Novembro (área urbana) - Blumenau - Enxaimel nunca foi usado somente na área rural - Casa Lippel - Cadastro do Projeto Memorvale

Casa construída na década de 1930.

Edificação da década de 1930, com a estrutura enxaimel,
centro de Blumenau SC.
Recebemos uma informação importante sobre uma parede com uma estrutura em enxaimel descoberta de seu reboco, vista do interior de um estacionamento localizado na Rua XV de Novembro, Blumenau.
Lembramos da lenda conhecida até bem pouco tempo de que a construção com a técnica enxaimel era única e exclusivamente usada pelas pessoas que residiam na área rural da Colônia Blumenau e, depois, de Blumenau. Isto não é verdade. As primeiras casas no Stadtplatz da Colônia Blumenau, na Palmenallee (Rua das Palmeiras), eram construídas com a técnica construtiva enxaimel e, depois, ao longo da Rua XV de Novembro — a Wurststrasse (Estrada da Linguiça). A casa do Padre José Maria Jacobs era construída com a técnica construtiva enxaimel, como também outras tantas.
As primeiras casas no Stadtplatz da Colônia Blumenau.

A casa do Padre José Maria Jacobs, Wurststrasse (Estrada da Linguiça).
Rua XV de Novembro.
Ao longo das primeiras décadas da história de Blumenau, as condições das famílias pioneiras melhoraram através do surgimento do comércio, da indústria que surgia (alimentícia) e também da produção agrícola, que fornecia matéria-prima para esta indústria emergente. Isso fez com que muitas destas famílias buscassem a nova casa construída no estilo internacional, quase sempre o Neoclássico e o Eclético, para refletir e apresentar, muitas vezes a familiares que permaneceram na Europa, de que estavam muito bem.
Casarão Fiedler de Itoupavazinha - Localizado na Estrada da Cachaça - Schnapsstrasse - Patrimônio Histórico Arquitetônico de Blumenau - Estilo neoclássico.
Com o surgimento de outras classes sociais na região, estas adotaram outra forma de construir alinhada à arquitetura internacional. Estas mudanças aconteceram pela primeira vez no Stadtplatz (centralidade — na Palmenalle) e na Wurststrasse, (atual Rua XV de Novembro) no final do século XIX e início do século XX. 
Na área rural e no interior da Colônia Blumenau, continuava-se a construir com a técnica construtiva enxaimel e também com o novo estilo. Foi somente no final do século XIX e início do século XX que alguns poucos comerciantes regionais adotaram esses novos estilos, como na Casa Husadel, na Rua XV, na Casa Salinger, na Itoupava Seca, e na casa do cônsul do Império Austro-Húngaro, localizada em Warnow, de Leopold Hoeschl.
Casa Husadel (Final do século XX) - Rua XV de Novembro - Blumenau - estrutura enxaimel com apresentação da arquitetura internacional.
Casa Salinger - Itoupava Seca - Blumenau - estrutura enxaimel com apresentação da arquitetura internacional. 
Casa de Leopold Hoeschl - Warnow - Estrutura enxaimel com apresentação da arquitetura internacional.
Estes novos e bem-sucedidos comerciantes da região do Vale do Itajaí do início do século XX adotavam os novos estilos internacionais vigentes — o Neoclássico e o Eclético. Muitas vezes, quando não construíam o novo, maquiavam ou rebocavam suas casas urbanas (em enxaimel aparente) e algumas no interior da colônia, criando a falsa afirmativa de que essas edificações eram tipicamente rurais e não urbanas, e que eram usadas exclusivamente por "colonos", termo mencionado de maneira pejorativa.
Recebemos esta fotografia de uma edificação da atual Rua XV.
Há poucos dias, foram-nos encaminhadas imagens feitas com celular de uma tipologia localizada na Rua XV de Novembro que estava com sua estrutura enxaimel à mostra. Fomos até o local, número 561 (na época do registro no Projeto Memorvale, 563), e constatamos a técnica construtiva surgindo após a queda do reboco na parte dos fundos da edificação, que tinha a fachada principal voltada para a Rua XV de Novembro. 
Localização da Casa Lippel.



Vídeo
O patrimônio, construído na década de 1930, faz parte do cadastro do Projeto Memorvale e foi construído pela família Lippel. O primeiro proprietário foi Friedrich Lippel.






Aos fundos - o edifício Catarinense.

Abertura com detalhes semelhantes aos da fachada frontal.

Edifício Catarinense aos fundos.

Casa Lippel - Década de 1980.

Casa Lippel vista da Rua XV de Novembro - agredida visualmente com publicidade inadequada - 2026.




O patrimônio possui três pavimentos e, mesmo aparentando uma construção autoportante de tijolos maciços, foi construído com a estrutura enxaimel. Apresenta suas janelas e portas demarcando a simetria na fachada localizadas no centro, como parte de uma composição coberta por um arco. Este mesmo elemento se repete na lateral, na parte da construção onde a estrutura enxaimel está à mostra.
Esta edificação histórica ocupou o local onde existia uma construção enxaimel original, como pode ser percebido na fotografia abaixo.
Deixamos aqui registrada mais uma tipologia da Rua XV de Novembro, a Casa Lippel, construída com a estrutura enxaimel na década de 1930, rebocada e com elementos que fornecem características do Art Déco no conjunto, que faz parte do Projeto Memorvale.

Friedrich Lippel (1880 - 1949)

Friedrich Lippel nasceu em 25 de novembro de 1880, em Schwallungen/Saxônia/Meiningen, no território da atual Alemanha e foi filho de Carl Lippel, que exerceu a profissão de pedreiro na Fortaleza (1850–1931) e de Auguste (Müller) Lippel (1854–1928). Seus pais se casaram em 1875, na Prussia. Migrou com a família para Blumenau. Casou-se com   Emma Schmude (1885–1915) em 17 abril 1907, em Blumenau. O casal teve 3 filhos. Emma faleceu  (rippenfellentzündung) com a idade de 29 anos, 7 meses e 16 dias aos 12 de junho de 1915. 
Friedrich casou-se com a irmã mais nova de Emma, Helena Wanda Schmude (1888–1984) em 5 de julho de 1916, com quem teve mais 6 filhos. 
Friedrich Lippel era sapateiro e pode ter trabalhado neste local, na rua XV de Novembro.
Lippel faleceu em 29 de abril de 1949.


Projeto Cadastramento do Patrimônio Arquitetônico Memorvale

Vilmar Vidor.
O projeto Cadastramento do Patrimônio Arquitetônico – Memorvale foi a efetivação do cadastramento das principais tipologias pertencentes ao patrimônio histórico-arquitetônico de Blumenau e região, nas décadas de 1980 e 1990, o qual teve como epílogo o tombamento, pela Fundação Catarinense de Cultura, de vários imóveis no centro de Blumenau e outros restaurados. O professor Vilmar Vidor foi o idealizador e proponente do projeto, tendo em sua equipe, dentre outras pessoas, a professora Amábile M. T. Dorigatti, que também coordenou o projeto em determinada época.
Para a efetivação prática do projeto, o professor Vilmar Vidor contou com o apoio da FURB, através da participação de estagiários acadêmicos da instituição, que elaboraram o cadastro de imóveis antigos de todos os tipos, linguagens e técnicas construtivas, entre os quais, aqueles construídos com a técnica construtiva enxaimel. O cadastro individual de cada tipologia continha um pequeno relatório técnico, descrição, planta baixa, elevações e fotografias dos imóveis selecionados.

Fichas do Cadastro do Patrimônio Arquitetônico - Memorvale

Tivemos acesso a mais de 1.100 fichas pertencentes ao Cadastro do Patrimônio Arquitetônico – Memorvale (as quais apresentaremos de modo individual - listadas neste espaço), semelhantes a esta pequena amostra apresentada abaixo, onde estão listadas algumas das centenas de tipologias construídas com a técnica construtiva enxaimel, autoportante e outras técnicas, dentro de diferentes estilos e recortes de tempo, que existem e existiam na cidade de Blumenau e região. O modelo da ficha foi criado pelo professor Vilmar Vidor e sua equipe e usado para elaborar o pioneiro cadastro do Patrimônio Histórico-Arquitetônico, conhecido como Memorvale. De acordo com o professor Vidor, pioneiro nesta pesquisa no Vale do Itajaí, em entrevista concedida ao jornalista Altair Pimpão em 2 de março de 2014, dois terços das edificações cadastradas de Blumenau foram demolidas. Atualmente, mais ainda, com certeza.
O assunto patrimônio e este trabalho eram tão novos dentro da academia, na cidade de Blumenau e região, que, em algumas fichas, as casas foram definidas com “enchaimel”.

O acervo e seu destino

Ainda na entrevista concedida ao jornalista Altair Carlos Pimpão em 2 de março de 2014, o professor Vilmar Vidor explicou que o fichário dos imóveis foi repassado para a Fundação Cultural de Blumenau, para o Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Blumenau – IPPUB e para a FURB, onde pesquisamos o acervo. O trabalho foi desenvolvido em parceria entre a FURB e o IPPUB, e foi muito facilitado e viabilizado porque o professor Vidor era presidente do IPPUB e, simultaneamente, professor da FURB, o que lhe permitiu "diminuir distâncias" e a burocracia para o êxito do projeto.
A partir do projeto de Cadastramento do Patrimônio Arquitetônico, conhecido como Memorvale, a professora do Curso de Serviço Social da FURB, Amábile M. T. Dorigatti, criou a Associação dos Proprietários de Imóveis Antigos, importante para o êxito do projeto, sua fluidez, levantamentos e efetivação dos cadastramentos das edificações históricas, viabilizando diálogos, projetos e parcerias entre proprietários, pesquisadores e poder público.
Desta forma, a equipe de pesquisas coordenada pelo professor Vilmar Vidor mantinha um diálogo permanente com os proprietários de imóveis antigos através da associação, que tinha uma cadeira no Conselho do Patrimônio Histórico de Blumenau e, também, no Conselho de Planejamento Urbano de Blumenau. Nas assembleias desta associação, a municipalidade e os proprietários debatiam sobre a manutenção do patrimônio e sobre possíveis políticas preservacionistas. Existia um estatuto e as reuniões eram periódicas.
Este material da Memorvale, nós o pesquisamos e acessamos no Setor de Documentos Especiais da Biblioteca da FURB.
Na sequência os link's das Edificações Históricas, demolidas ou não, seus estudos, fotografias e a ficha do Memorvale. Para acessar, basta clicar sobre o Link, na edificação/ficha escolhida - No total somam 1100 fichas - em construção.
  1. Casa Labes - Construída em 1890 em Blumenau ("Demolida"?) 
  2. Projeto Memorvale - Casarão Scardueli - Construído por Gustav Salinger - Blumenau - e o Fundo de Apoio aos Proprietários de Imóveis Antigos
  3. Edifício do antigo Correios e Telégrafos - Blumenau 
  4. Projeto Memorvale - Casa Peter Forbici - Rua Amazonas 1680 - Garcia - Na Paisagem
  5. Johannastift, o Hotel Alameda, a Turismo Holzmann, Zum Weissen Rössel (Cavalinho Branco), a Escola do SENAC Bistrô Johannastift, a Casa de Comércio de Blumenau - 100 anos de História e uso em 2023 - Arquitetura de Blumenau
  6. Projeto Memorvale - Casa Paul Lang - Rua São Paulo 1731 - Demolida!
  7. Projeto Memorvale - Casa Soares - Rua São Paulo  1729
  8. Casa Rischbieter - Ficha Rua São Paulo 1960
  9. Casa Ingrid Friedler Ficha Rua Paraíba N° 281 (DEMOLIDA!!)
  10. Casa Renato Vianna Ficha Rua Itajaí N° 574
  11. Casa Gropp - Ficha Rua Itajaí N° 667 (DEMOLIDA!!)
  12. Casa Gropp - Ficha Rua Itajaí N° 799 (DEMOLIDA!!)
  13. Projeto Memorvale - Refrigeração Martendal Ltda. - Rua São Paulo N° 1410 - DEMOLIDA em 1988
  14. Projeto Memorvale - Casa Harry Spernau - Rua Bahia N° 1281 - DEMOLIDA em  27 de maio de 2022 -  com autorização da Prefeitura Municipal de Blumenau
  15. Da Associação dos Proprietários de Imóveis Antigos - Instituto Bertha Blumenau - Instituto Histórico de Blumenau - IHB
  16. Da Associação dos Proprietários de Imóveis Antigos - Instituto Bertha Blumenau - Instituto Histórico de Blumenau - IHB
  17. A Bíblia de Alice (Hoeschl) Altenburg - filha de Leopold Franz Hoeschl - edificação cadastrada no Projeto Memorvale - Demolida
  18.   Projeto Memorvale - Casa  Carlos Alberto Julio Döpke - Rua São Paulo Nº 1695
  19. Projeto Memorvale - Casa Fritz Spernau - Rua Bahia N° 1327 - DEMOLIDA em 2/6 de julho de 2026
  20. O enxaimel da Rua XV de Novembro (área urbana) - Casa Lippel - em Blumenau - Enxaimel nunca foi técnica construtiva somente usada na área rural 
Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
Angewitt  (You Tube) 
AngelinaWittmann  (Facebook)






domingo, 5 de julho de 2026

Projeto Memorvale - Casa Fritz Spernau - Rua Bahia N° 1327 - DEMOLIDA em 2/6 de julho de 2026 - Tipologia neoclássico do início do século XX

Cemitério da Rua Bahia - Blumenau.
A Casa Fritz Spernau teve como primeiro proprietário o neto do pioneiro Christian Heinrich Conrad Spernau (1828-1893), Fritz Franz Martin Spernau (1905 - 1986), casado com Maria (Michel) Spernau (1907–1989), pais de Renata (Spernau) Konder (1930–2014) - esposa de Gustavo Adolpho Konder (1905 - 1981), filho do ex-prefeito de Itajaí, Marcos Konder (1882 - 1962).
O avô de Fritz, Christian Heinrich Conrad Spernau, ou, somente Christian Spernau (também registrado como Heinrich Christian Spernau), foi o pioneiro e patriarca da família Spernau no Brasil. Natural da Saxônia, do território da atual Alemanha, ele emigrou em meados da década de 1850, tendo como profissão original a de tecelão. 
Sua presença na Colônia Blumenau está formalizada no censo oficial de residentes de 3 de setembro de 1858, publicado pelo jornal alemão Allgemeine Auswanderungs-Zeitung, onde aparece registrado com o número 9. Também foi publicado na Revista Blumenau em Cadernos, T. 4 - N.º 9 - Ano 1961 - onde se apresentam os nomes dos residentes da Colônia Blumenau no ano de 1857 e a região de origem dos nomes dos imigrantes. Lembramos que, nesta data, ainda não existia o Estado da Alemanha.
Jornal alemão Allgemeine Auswanderungs-Zeitung - 3 de setembro de 1858. Lista de residentes na Colônia Blumenau.
Detalhes da pagina do jornal alemão  Allgemeine Auswanderungs-Zeitung.
Nome do pioneiro alemão Christian Heinrich Conrad Spernau - "abrasileirado", coisa que nunca deveria acontecer, por confundir a história e porque nome não deveria ser modificado.
Christian Heinrich Conrad Spernau  (1828–1893) se casou, em Blumenau, com Bennina Franz, nascida em Itajaí, em 11 de agosto de 1857 e residiam no Salto. Abaixo registros da Igreja Luterana.
Casa Fritz Spernau e Fritz Spernau

O neto de Christian Heinrich Conrad Spernau, Fritz Franz Martin Spernau, nasceu em Blumenau em 24 de agosto de 1905, filho de seu filho Hermann Wilhelm Friedrich Spernau (1865 - 1946). Fritz, que era casado com Maria (Michel) Spernau, comprou a Casa Fritz Spernau quando esta já estava construída (em torno de 1900) na Itoupava Central, próximo ao atual aeroclube. Foi totalmente desmontada e, originalmente, montada na Rua Bahia, no atual número 1327, onde a mesma foi demolida em julho de 2026.
Detalhe do Relatório Memorvale - página do cadastro da edificação.

Casa Spernau - demolida em 2022. Relatório Memorvale.
Projeto de Simon Gramlich.
Ao lado da Casa Fritz Spernau estava localizada a Casa Harry Spernau, construída na década de 1940 pelo filho de Fritz, Harry Spernau. 
Projeto do arquiteto alemão Simon Gramlich, foi demolida em 27 de maio de 2022, seguindo despacho da administração pública de Blumenau, para a construção de uma rotatória - no sistema viário.
O nome de Fritz foi dado à Rua Fritz Spernau, localizada na região norte de Blumenau, estabelecendo a divisa entre os bairros Fortaleza e Itoupava Norte. 
Fritz Spernau faleceu em 23 de abril de 1986, e isso justifica por que, quando a casa foi cadastrada no Projeto Memorvale, já pertencia a Harry Spernau, seu filho (1988).
Arquitetura Casa Fritz Spernau

Tipologia enxaimel da região - Casa Permanente rural.
Residência Carl - Massaranduba - localidade de Rio Bonito
.
Uma típica construção de Blumenau e região do início do século XX, estilo neoclássico. Geralmente construída por famílias bem-sucedidas que, nas suas novas construções, adotavam o novo estilo internacional e abandonavam a técnica construtiva enxaimel, usada na Casa Permanente urbana e rural, igreja, fábrica e comércio até então. Geralmente utilizavam material extraído do local da construção - vernacular.
Porão, sem uso, sob o assoalho de madeira.
A Casa Fritz Spernau também segue a volumetria e elementos arquitetônicos da casa local, construída pelos pioneiros e seus descendentes. A construção, original neoclássica, apresentava as paredes autoportantes de tijolos maciços rebocados, aberturas de madeira com vidraças, munidas de bandeiras e duas folhas, tanto portas quanto janelas. Assoalho em madeira, como também sua estrutura, como também a estrutura do telhado. Este era coberto com telhas germânicas ou planas. A casa possuía o assoalho de madeira elevado, criando um pequeno porão (não usado) munido de aberturas em arcos feitos de tijolos.



As fachadas, como característica no neoclássico, primavam pela simetria, a partir da distribuição das aberturas, também seguindo um padrão dimensional característico. A construção contava com o aproveitamento do sótão, caracterizando a mansarda.
A construção também possuía varanda com guarda-corpo de madeira, sendo que este foi avariado e nunca foi substituído, permanecendo somente a varanda, que era alinhada à estrada (antiga margem direita, caminho para o interior da Colônia Blumenau rumo ao Alto Vale do Itajaí), como também a cumeeira.
A Casa Fritz Spernau está cadastrada no Projeto Memorvale, com registro fotográfico de 1988. Na data do cadastro, o proprietário era Harry Spernau, construtor da Casa Harry Spernau, construída na década de 1940. Seu pai Fritz Spernau havia falecido 2 anos antes.
Registro de 1988 - Projeto Memorvale.


Ficha da Casa Fritz Spernau - Projeto Memorvale.
Nossos registros - Casa Fritz Spernau em datas distintas






Demolição em 2/6 de julho de 2026 - imagens
Várias edificações no entorno do patrimônio foram demolidas junto com ele.





Nesta imagem é possível perceber que a casa foi realocada pelas marcas de re-uso dos tijolos do porão, com a presença de arcos plenos para ventilação no assoalho de madeira.


Estrutura do assoalho falquejado.


Estrutura de serviço.










Retirada do assoalho de madeira.



Varanda.











Curiosidade:

A Casa Fritz Spernau foi dividida em dois módulos residenciais para disponibilizar para aluguel. Na década de 1990, o lado direito era alugado para Valentim Schlindwein, colega de trabalho de Roberto Wittmann na empresa onde nós efetuamos nosso estágio: Waltec Eletroeletrônica. Era fácil vê-lo sentado na varanda, observando o trânsito.

Leituras citadas no texto - Clicar sobre o link escolhido
Projeto Cadastramento do Patrimônio Arquitetônico Memorvale

Vilmar Vidor.
O projeto Cadastramento do Patrimônio Arquitetônico – Memorvale foi a efetivação do cadastramento das principais tipologias pertencentes ao patrimônio histórico-arquitetônico de Blumenau e região, nas décadas de 1980 e 1990, o qual teve como epílogo o tombamento, pela Fundação Catarinense de Cultura, de vários imóveis no centro de Blumenau e outros restaurados. O professor Vilmar Vidor foi o idealizador e proponente do projeto, tendo em sua equipe, dentre outras pessoas, a professora Amábile M. T. Dorigatti, que também coordenou o projeto em determinada época.
Para a efetivação prática do projeto, o professor Vilmar Vidor contou com o apoio da FURB, através da participação de estagiários acadêmicos da instituição, que elaboraram o cadastro de imóveis antigos de todos os tipos, linguagens e técnicas construtivas, entre os quais, aqueles construídos com a técnica construtiva enxaimel. O cadastro individual de cada tipologia continha um pequeno relatório técnico, descrição, planta baixa, elevações e fotografias dos imóveis selecionados.

Fichas do Cadastro do Patrimônio Arquitetônico - Memorvale

Tivemos acesso a mais de 1.100 fichas pertencentes ao Cadastro do Patrimônio Arquitetônico – Memorvale (as quais apresentaremos de modo individual - listadas neste espaço), semelhantes a esta pequena amostra apresentada abaixo, onde estão listadas algumas das centenas de tipologias construídas com a técnica construtiva enxaimel, autoportante e outras técnicas, dentro de diferentes estilos e recortes de tempo, que existem e existiam na cidade de Blumenau e região. O modelo da ficha foi criado pelo professor Vilmar Vidor e sua equipe e usado para elaborar o pioneiro cadastro do Patrimônio Histórico-Arquitetônico, conhecido como Memorvale. De acordo com o professor Vidor, pioneiro nesta pesquisa no Vale do Itajaí, em entrevista concedida ao jornalista Altair Pimpão em 2 de março de 2014, dois terços das edificações cadastradas de Blumenau foram demolidas. Atualmente, mais ainda, com certeza.
O assunto patrimônio e este trabalho eram tão novos dentro da academia, na cidade de Blumenau e região, que, em algumas fichas, as casas foram definidas com “enchaimel”.

O acervo e seu destino

Ainda na entrevista concedida ao jornalista Altair Carlos Pimpão em 2 de março de 2014, o professor Vilmar Vidor explicou que o fichário dos imóveis foi repassado para a Fundação Cultural de Blumenau, para o Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Blumenau – IPPUB e para a FURB, onde pesquisamos o acervo. O trabalho foi desenvolvido em parceria entre a FURB e o IPPUB, e foi muito facilitado e viabilizado porque o professor Vidor era presidente do IPPUB e, simultaneamente, professor da FURB, o que lhe permitiu "diminuir distâncias" e a burocracia para o êxito do projeto.
A partir do projeto de Cadastramento do Patrimônio Arquitetônico, conhecido como Memorvale, a professora do Curso de Serviço Social da FURB, Amábile M. T. Dorigatti, criou a Associação dos Proprietários de Imóveis Antigos, importante para o êxito do projeto, sua fluidez, levantamentos e efetivação dos cadastramentos das edificações históricas, viabilizando diálogos, projetos e parcerias entre proprietários, pesquisadores e poder público.
Desta forma, a equipe de pesquisas coordenada pelo professor Vilmar Vidor mantinha um diálogo permanente com os proprietários de imóveis antigos através da associação, que tinha uma cadeira no Conselho do Patrimônio Histórico de Blumenau e, também, no Conselho de Planejamento Urbano de Blumenau. Nas assembleias desta associação, a municipalidade e os proprietários debatiam sobre a manutenção do patrimônio e sobre possíveis políticas preservacionistas. Existia um estatuto e as reuniões eram periódicas.
Este material da Memorvale, nós o pesquisamos e acessamos no Setor de Documentos Especiais da Biblioteca da FURB.
Na sequência os link's das Edificações Históricas, demolidas ou não, seus estudos, fotografias e a ficha do Memorvale. Para acessar, basta clicar sobre o Link, na edificação/ficha escolhida - No total somam 1100 fichas - em construção.
  1. Casa Labes - Construída em 1890 em Blumenau ("Demolida"?) 
  2. Projeto Memorvale - Casarão Scardueli - Construído por Gustav Salinger - Blumenau - e o Fundo de Apoio aos Proprietários de Imóveis Antigos
  3. Edifício do antigo Correios e Telégrafos - Blumenau 
  4. Projeto Memorvale - Casa Peter Forbici - Rua Amazonas 1680 - Garcia - Na Paisagem
  5. Johannastift, o Hotel Alameda, a Turismo Holzmann, Zum Weissen Rössel (Cavalinho Branco), a Escola do SENAC Bistrô Johannastift, a Casa de Comércio de Blumenau - 100 anos de História e uso em 2023 - Arquitetura de Blumenau
  6. Projeto Memorvale - Casa Paul Lang - Rua São Paulo 1731 - Demolida!
  7. Projeto Memorvale - Casa Soares - Rua São Paulo  1729
  8. Casa Rischbieter - Ficha Rua São Paulo 1960
  9. Casa Ingrid Friedler Ficha Rua Paraíba N° 281 (DEMOLIDA!!)
  10. Casa Renato Vianna Ficha Rua Itajaí N° 574
  11. Casa Gropp - Ficha Rua Itajaí N° 667 (DEMOLIDA!!)
  12. Casa Gropp - Ficha Rua Itajaí N° 799 (DEMOLIDA!!)
  13. Projeto Memorvale - Refrigeração Martendal Ltda. - Rua São Paulo N° 1410 - DEMOLIDA em 1988
  14. Projeto Memorvale - Casa Harry Spernau - Rua Bahia N° 1281 - DEMOLIDA em  27 de maio de 2022 -  com autorização da Prefeitura Municipal de Blumenau
  15. Da Associação dos Proprietários de Imóveis Antigos - Instituto Bertha Blumenau - Instituto Histórico de Blumenau - IHB
  16. Da Associação dos Proprietários de Imóveis Antigos - Instituto Bertha Blumenau - Instituto Histórico de Blumenau - IHB
  17. A Bíblia de Alice (Hoeschl) Altenburg - filha de Leopold Franz Hoeschl - edificação cadastrada no Projeto Memorvale - Demolida
  18.   Projeto Memorvale - Casa  Carlos Alberto Julio Döpke - Rua São Paulo Nº 1695
  19. Projeto Memorvale - Casa Fritz Spernau - Rua Bahia N° 1327 - DEMOLIDA em 2/6 de julho de 2026
Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
Angewitt  (You Tube) 
AngelinaWittmann  (Facebook)