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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Carta de Fernando Müller à Sra. Stahmer (filha de Gottlieb Reif) - Sobre Gottlieb Reif


Uma dos personagens mais  intensos da Colônia Blumenau, mesmo que tenha recebido muito pouco espaço na história formal foi Gottlieb Reif. Por essse motivo, resgatamos sua história e poderá ser lida no livro de nossa autoria  "Fragmentos Históricos - Volume 1, 2020;  na coluna  do Jornal o Município Blumenau - Registro para História, e nesse Blog. 

Para ler sua história - Clicar sobre: Gottlieb Reif - Momentos importantes da História de Santa Catarina.

Durante a pesquisa, encontramos a publicação de janeiro  de 1986, da Revista Blumenau em Cadernos, onde foi disponibilizada uma correspondência de  Fernando Müller, descrevendo Gottlieb Reif, à Senhora Stahmer.

A carta: 

"São Paulo, 9 de abril de 1972. 

Boa senhora Stahmer! 

A sua estimada carta de 27 de fevereiro de 1972 recebi há alguns dias passados, o atraso aconteceu porque a carta foi primeiro ao Paraná e eu já estava morando em São Paulo. Apresso-me a responder a carta agora. Peço desculpar-me por escrever em alemão, mas este tem o seu motivo. Quando ainda moço, meu pai dizia: - Meu filho, se queres falar com Deus então fale na língua de teus pais, e isto eu cumpri até hoje. 
Parece ser um aviso superior, eu responder a uma carta de uma filha de "Gottlieb" Reif (Querido Deus) de minha cidade natal. Sim boa senhora Stahmer, se o "Liebe Gott" (Querido Deus) não tivesse na enchente de 1880 tido um Gottlieb Reif, a família Ferdinand Müller não estaria entre os vivos, e o nome Müller não seria tão conhecido em Blumenau. Também o velho Daniel Schroeder, cheguei a ver antes da enchente e nunca mais esqueci. O mesmo era um pouco estranho, doceiro e morava em frente à nossa casa na margem direita do Rio na Itoupava. Mesmo a família Bichels conheci pessoalmente; eles mudaram para o planalto serrano após a enchente. As filhas Jenny e Ella Bichels visitei há alguns anos passados por ocasião de minha visita a Blumenau. Naquela oportunidade Dona Jenny ainda contou muita coisa sobre a enchente; ela era oito anos mais velha do que eu, mas lembrava-se muito bem de meus pais. Ao lembrarmos os velhos tempos, lembramos principalmente o valente senhor Gottlieb Reif e de meus pais. Dona Jenny até lembrava-se dos nomes dos cavalos pertencentes a meu pai, pois ela gostava muito de animais. 
Mas agora voltamos ao valente e bravo senhor Gottlieb Reif daqueles tempos. Não tenho certeza se já naquela ocasião ele era proprietário de uma serraria na margem do Ribeirão Fidélis, mas quando eu o conheci pessoalmente ele era dono de uma serraria à máquina de vapor, lá no morro onde mais tarde morou o senhor Paul Zimmermann. Lembro-me quando o senhor Reif foi buscar a máquina a vapor em Itajaí. A máquina foi transportada pela Lancha "Walfisch" até Itoupava Norte, de lá foi transportada pelo Senhor Reíf por um trenó puxado por oito bois. Foi um verdadeiro dia de festa e o professor Schümann deu folga a todos seus alunos para que pudessem assistir o espetáculo. Não só crianças, mas também adultos foram assistir o transporte da máquina, todos ajudaram na travessia da velha ponte da Itoupava e no bar do velho Wilhelm Seeliger festejaram o acontecimento. Creio que por este acontecimento logo foi iniciada a construção da ponte Zimmermann, perto da encruzilhada para o Ribeirão Fidélis, igualmente sobre este ribeirão foi construída uma ponte de concreto que até hoje existe.
 Na serraria do senhor Reif, trabalhava também o jovem Richard Jörg, irmão do também já falecido Emil Jörg. Este jovem Richard tinha por obrigação cuidar dos (2) bois de tração e numa ao cuidar de um boi um pouco rebelde caiu no monte de cepilho que dias antes tinha sido queimado. Mesmo com as chamas já apagadas a brasa no fundo continuava e o pobre queimou-se gravemente. Apesar de ter rolado até às águas do Ribeirão as queimaduras foram tão graves que no mesmo dia o jovem Richard Jörg faleceu... 
Anteriormente eu me referi ao Senhor Prof. Schümann que também foi muito amigo da Comunidade. Senhor Gottlieb frequentemente viajava para a serra e durante uma de suas viagens, a sua filha mais moça Frieda adoeceu e morreu. No enterro o Prof. como de costume falou palavras bonitas e comovedoras, as crianças da escola acompanharam a colega,  somente o  pai não pode estar presente.
Na enchente de 1880, eu tinha um ano e três meses; eu nasci a 3 de junho de 1879 e o ponto culminante da enchente de 1880 foi no dia 2 de setembro como meus pais sempre contaram. Meus pais moravam na margem esquerda da Itoupava em frente a casa da família Bichels onde mais tarde morou a família Alslchen e como contaram a Serraria do Sr. Klaus Steen foi construída por Sr. Reif também. Nossa casa tinha sido construída à margem do Rio e sempre uma canoa estava por perto para emergência. Agora por ocasião da enchente meu pai quis transportar minha mãe, a empregada e a mim e meu irmão para um local mais seguro; no entanto a subida da água não mais permitiu o uso da canoa e com um tiro dado no ar alertou o Sr. Reif que veio em nosso socorro, este veio e nos retirou do telhado da casa. Mais tarde senhor Reif tinha uma serraria na Barra de Itajaí; meu pai transportou muita madeira pra lá e então sempre tomava sua cerveja com Sr. Reif e juntos cantavam canções alemãs. 
Eu fui durante oito anos cozinheiro no Vapor Progresso onde também tinha uma cantina, ali também muitas vezes os dois, tomaram juntos, uma cerveja. 
Senhora Stahmer, espero que este relatório lhe tenha alegrado e envio muitas lembranças,
 atenciosamente. 
Rua Serra do Jairé, 649 - fundos Belenzinho - Capital - São Paulo." 
Fernando Müller
Um Registro para a História.


Sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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terça-feira, 31 de maio de 2022

Friedrich Richard Krauel - O primeiro embaixador alemão que visitou a região do Vale do Itajaí - Século XIX - então Colônia Blumenau

Recebemos este questionamento sob uma postagem. A História é um pouco diferente.

Alguém tem alguma informação sobre Dr. Krauel que esteve em presidente Getúlio SC, que subiu o rio acima -  Rio Krauel? Eu sou de Presidente Getúlio SC. Alguém falou na TV, um tempo atrás, que no Rio de janeiro teriam informações do Alto Vale de Itajaí e Blumenau. Vilson Barth em 1° de junho de 2022.
Mapa desenhado por José Deeke de 1905, onde um rio na região de Ibirama já foi batizado com o nome de Krauel em homenagem ao ilustre diplomata alemão que viajou pela região em 1897 - traje aproximado em vermelho no mapa alterado por nós. Fonte: Arquivo Público Histórico de Rio do Sul.


Carl Hoepecke.
Dr. Krauel foi o primeiro
Embaixador da Alemanha que visitou a a Colônia Blumenau - região do Vale do Itajaí - chegando à região em 19 de  maio de 1897 - em Companhia do governador de Santa Catarina Hercílio Pedro da Luz, do Cônsul Honorário Alemão em Florianópolis Carl Franz Albert Hoepcke (ex colono da Colônia Blumenau) e demais membros das comitivas, encontrando lideranças locais. O diplomata visitou Blumenau, Indaial, Warnow, Timbó, frente de obras que abriam estradas no Alto Vale - pela equipe de Gottlieb Reif. Foi amplamente festejado, recepcionado pelas sociedades de cada localidade, grupos musicais, corais  e de ginástica. Krauel, de acordo com a Tese de Doutorado de Yokell, enviou relatórios entusiasmados para Berlin, comentando como os colonos foram bem tratados e como eram excitantes as perspectivas comerciais entre os dois países. No entanto, a seu ver, o comércio estava um tanto carente, pois o fluxo de migrantes alemães para o Brasil estava diminuindo. “As colônias alemãs no Sul do Brasil são um rico tesouro que passou despercebido até agora”, escreveu ele a seus superiores. Karl Kaerger, um agrônomo alemão que viajava com ele, compartilhava dessa opinião. Durante esta visita, além de checar se seus compatriotas estavam felizes na nova pátria, fez o que Hermann Blumenau fez, quando veio ao Brasil como fiscal da Imigração alemã, sondou possibilidades comerciais entre Brasil e Alemanha, através das colônias alemãs.
 In the early stages of the Political Division’s history, Otto von Bismarck (Chancellor from 1871 to 1890) handpicked the its counselors, and they were the only ones who had the privilege of direct access to him.78 Therefore, service in the Political Division placed a special luster on a diplomat when he went into the field, as he had firsthand acquaintance with the highest officials at the Foreign Office. (...) In the mid1880s, Richard Krauel also secured valuable connections and skills in Division I before being appointed as an envoy to Argentina (1890-1894) and later Brazil (1894-1898). YOKELL

 In southern Brazil in 1895, the German ambassador, Krauel, who was the first German diplomat to visit the German settlements in the south, sent enthusiastic reports to Berlin, commenting on how well the settlers were treated and how exciting the trade prospects were. Nonetheless, as he saw it, trade was somewhat lacking as the flow of German emigrants to Brazil was falling. “The German colonies in southern Brazil are a rich treasure that has been overlooked until now,” he wrote to his superiors.356 Karl Kaerger, a German agricultural expert travelling with him, shared this opinion. He, in concert with Krauel, suggested that promoting emigration to South America would bolster economic penetration.357  YOKELL

Friedrich Richard Krauel
O primeiro Embaixador alemão que visitou as colônias alemãs no Sul do Brasil.

Em todas as fontes históricas locais, regionais e estaduais, não encontramos o nome do diplomata alemão completo, que foi emprestado a um rio no Alto Vale do Itajaí. Também visitou vários locais da Colônia Blumenau com autoridades e pessoas das sociedades regional. Despertou a curiosidade de, ao ponto de Vilson Barth de Presidente Getúlio que reside no Vale do Rio Krauel, desejar conhecer esta personalidade ilustre do final do século XIX e início do XX e nos perguntar sobre. 
No entanto, ninguém mencionava seu nome completo. Tivemos alguma dificuldade em encontrar seu nome completo. Nesta postagem, não somente informaremos seu nome, como também, uma pequena biografia. 
Encontramos seu nome em uma Tese de Doutorado desenvolvida nos Estados Unidos - Texas e depois de obtida esta informação, foi fácil encontrar as demais.
Friedrich Richard Krauel nasceu em 12 de janeiro de 1848 em Lübeck e partiu em 2 de dezembro de 1918 em Freiburg im Breisgau com a idade de 70 anos. Seus pais foram Hans Friedrich Krauel e Emilie Louse Charlotte Du Roi.  Exerceu - durante sua vida - o papel de  diplomata e historiador alemão. Seu pai foi um juiz. Frequentou a escola Katharineum em Lübeck até terminar o ensino médio em 1867. Depois cursou direito. Na faculdade, tornou-se membro da fraternidade Alemannia Bonn - 1868.
Terminou seu doutorado em 1871 e estabeleceu-se como advogado em Lübeck. Em 1873 ingressou no serviço estrangeiro - iniciando seu trabalho como Cônsul em Amoy, na  China. Em 1879 tornou-se cônsul geral em Sydney,  Austrália - período da foto da capa desta postagem. Em 1884 mudou-se para o Ministério das Relações Exteriores em Berlim com o posto de conferencista. Com Paul Kayser, Krauel desempenhou um papel fundamental na legislação colonial do Reich alemão. Em 1º de junho de 1890, Krauel chefiou o departamento de política colonial do Ministério das Relações Exteriores com o posto de conselheiro da legação secreta, que mais tarde se tornou o Reichskolonialamt. Em 1890, tornou-se embaixador alemão em Buenos Aires. De 1894 a 1898 foi  embaixador no Rio de Janeiro de 1894 a 1898, quando entrou em contato com o Sul do Brasil e a região do Vale do Itajaí. Nesta época contava com 49 anos. Em 1901 foi nomeado para o Conselho Privado Real Imperial. A partir de 1904 foi professor honorário da Universidade de Berlim. Também trabalhou como publicitário. 
Em
1900, publicou o livro o livreto de 30 páginas "Interesses alemães no Brasil" - sua palestra proferida em 9 de janeiro de 1900 em  Hamburg, na Sociedade Colonial Alemã. Também publicou livros relacionados com seu trabalho, também em outros lugares do mundo.
Principais publicações de Krauel:
  • "One Belt. One Road" Fallbeispiele in der europäischen Union und neuartige Fernhandelsmöglichkeiten - 2019
  • Prinz Heinrich von Preussen als Politiker  - 1902
  • Deutsche Interessen in Brasilien: Vortrag Gehalten Am 9. Jan. 1900 in der Abth. Hamburg der Deutschen Kolonial-Gesellschaft - 1900
  • Graf Hertzberg als Minister Friedrich Wilhelms II. - 1899
  • Prinz Heinrich von Preussen in Paris während der Jahre 1784 und 1788 bis 1789: nach ungedruckten archivalischen Quellen - 1901
  • Die Nord-Ost-Passage im Kontext der Belt-and-Road Initiative. Erwartungen von Logistikunternehmen - 2019
  • Die Bekenntnisse des jungen Bismarck: Rede gehalten in der Aula der Realschule zu Freiburg i. B. am 10. Februar 1901 - 1901
Encontramos um artigo  que descreve a passagem de Friedrich Richard Krauel na região com muitos detalhes e nomes, de Frederico Kilian, publicado na revista Blumenau em Cadernos. Ilustraremos o artigo de Herr Kilian. Interessante que Krauel chegou um dia adiantado em Blumenau, prejudicando um pouco, os preparativos para recepcioná-lo. Isso foi possível, porque o Cônsul alemão em Florianópolis, Carl Hoepcke, cedeu uma embarcação de sua frota, para o translado da autoridade.


A visita do Embaixador da Alemanha à Colônia de Blumenau.                                                                                                                                Por Frederico Kilian                                               

No n° 22 de 29 de maio de 1897 e edições seguintes, encontramos um extenso relato sobre a visita do Embaixador da Alemanha, Dr. Krauel, à cidade e zona colonial de Blumenau, que em resumo passamos a consignar em "Blumenau em Cadernos".

Relata o jornal que no dia 19 de maio do referido ano, veio a Blumenau o Embaixador Dr. Krauel, cuja chegada era esperada somente para o dia 20, conforme programa organizado pela comissão de recepção; porém a firma Hoepke pôs à disposição do embaixador o vapor "Max" e assim antecipou-se sua viagem de Florianópolis a Itajaí, para onde se dirigiram ao seu encontro o cônsul alemão, Sr. Gustav Salinger e mais algumas pessoas. Avisados aqui da antecipação de sua chegada, reuniram-se à hora prevista, no cais do porto algumas sociedades de tiro, uma sociedade de cantores e a sociedade de ginástica; igualmente os alunos das escolas locais e seus professores compareceram ao local do desembarque, o qual se deu pelas 4 horas da tarde. O embaixador e sua comitiva foram recebidos pela Comissão de recepção, chefiada pelo Pastor Faulhaber e saudado com vivas e palmas dos presentes. Em breves palavras o Sr. Probst cumprimentou o Embaixador em nome das sociedades presentes, justificando a ausência das demais, do interior, dada a antecipação havida de sua chegada.

Hercílio Luz
Formado o préstito, dirigiu-se o Embaixador Dr. Krauel, em companhia do cônsul Alemão em Florianópolis, Sr. Carl Hoepcke, mais a comissão de recepção e populares até a residência do cônsul Sr. Gustavo Salinger onde o aguardava o Governador do Estado, Dr. Hercílio Pedro da Luz, que aqui cumprimentou, oficialmente, o ilustre visitante.
Após o desfile das sociedades, o Embaixador Dr. Krauel falou da sacada do prédio, agradecendo a recepção festiva que lhe fora feita neste dia ensolarado que mostrava a natureza em toda a sua beleza, resplandecente nos rostos alegres e confiantes dos presentes, desejando que "aos milhares de alemães que para cá vieram e foram acolhidos por uma pátria generosa e dadivosa, venham se unir mais muitos outros milhares, que resolvem emigrar, Por força de circunstâncias várias e aqui sigam o exemplo dos atuais pioneiros, enriquecendo com o seu trabalho e sua cultura este país, tornando-se, mesmo na conservação de suas tradições, como força moral de seu caráter e valor cívico, cidadãos úteis e leais à esta terra que escolheram para sua nova pátria e berço natal de seus filhos".
 
Blumenau, 1900 - Rua Alwin Schrader. Residência e Consulado Alemão – Cônsul -  Gustav Salinger.
Após a Sociedade de Cantores de Itoupava ter cantado o hino alemão e a banda de música ter executado o hino brasileiro, ambos ouvidos com respeito, desfez-se o préstito.
As 7 horas da noite realizou-se um banquete no Teatro Frohsinn, oferecido pela população, em homenagem ao Embaixador Dr. Krauel, ao Governador Dr. Hercílio Luz e seus auxiliares.
Agradecendo a honrosa presença do Governador do Estado e a visita do Embaixador alemão, em seu discurso de cumprimentos a estas personalidades, o cônsul alemão, Sr. Gustavo Salinger encerrou suas palavras com um brinde à casa dos Hohenzoller e ao Imperador Wilhelm II. A seguir falou o Pastor Faulhaber em nome dos blumenauenses, apresentando os cumprimentos ao Embaixador alemão, terminando com um "viva" a este, no que foi correspondido pelos presentes. Agradecendo a estas palavras, o Embaixador cumprimentou os presentes dizendo que já algumas vezes esteve em Itajaí, porém, por falta de tempo não visitara Blumenau, já que ali estivera sempre só de passagem, mas que agora, cumprindo uma ordem expressa do Imperador Alemão, viera a esta cidade para uma visita mais demorada e inclusive conhecer de perto a situação dos colonos no interior da colônia. Disse ter esperança que a imigração em breve tenha novo alento, pois pelas primeiras impressões aqui colhidas, esta terra promete dar aos imigrantes condições propícias para o seu desenvolvimento econômico e bem estar pessoal, finalizando com um brinde ao colono alemão e em especial a Blumenau. 
A Sociedade Teatral criada no ano seguinte ao da fundação da Sociedade de Atiradores (1860) sob a denominação de “Sociedade Teatral de Blumenau”, teve seu batismo oficial em 1885, passando a chamar-se “Theater-Verein Frohsinn” (Sociedade Teatral “Alegria”). Anos depois, adquiriu um terreno na rua das Palmeiras para a construção de uma sede própria, inaugurada em abril de 1896, um ano antes da visita do Embaixador alemão a Blumenau e região. Lembramos que já existia o palco para teatro na Casa São José junto a igreja católica, quase sempre não é lembrada.
A seguir o Sr. Felippe Doerck, cumprimentando o Governador Hercílio Luz, enalteceu sua figura como Governador do Estado e grande amigo de Blumenau e do imigrante alemão, brindando-o na segurança da continuação destas boas relações entre os brasileiros das diversas origens que aqui trabalham e especialmente entre os governos do Brasil e da Alemanha. Em resposta, o Dr. Hercílio Luz exaltou os méritos do imigrante alemão, levantando sua taça num brinde à Alemanha, a pátria do Embaixador Dr. Krauel. - O cônsul Carl Hoepcke lembrou os méritos e sacrifícios do Dr. Blumenau, que foi o fundador desta colônia, que hoje já se destacava como modelo comunitário no cenário do país. O Sr. Scheeffer levantou um brinde à nação brasileira e o Sr. Luiz Abry proferiu o brinde de honra ao Presidente da República, Prudente de Moraes. Após o banquete o Embaixador, acompanhado pelo Governador, postou-se no alto da escadaria da Prefeitura Municipal para assistir ao desfile e marcha "aux flambeaux" da sociedade de ginástica e aos fogos de artifício.
Krauel assistiu o desfile da sacada localizada na mansarda. 
No dia seguinte, 5a. feira, dia 20 de maio, o Dr. Krauel visitou a Neuschule e depois o Colégio Santo Antônio. Pelo meio dia, o Embaixador e o Governador Dr. Hercílio Luz, acompanhados de várias personalidades, dirigiram-se, em carros de mola, ao interior da colônia, notando-se em muitos lugares arcos de triunfos e filas de palmitos enfeitados com ramalhetes de flores, postados de ambos os lados da estrada.
Meio de transporte usado pela comitiva - semelhante a este.

Em Indaial, os visitantes foram recebidos sob o espoucar de foguetes por populares e autoridades locais. No Salão Lüders, um coro masculino cantou algumas canções e o Embaixador teve oportunidade de falar com velhos colonos, inteirando-se dos seus problemas, ouvindo nessa ocasião muitos relatos tristes, mas também dos êxitos alcançados após árduas lutas e incessante trabalho. Após tomar ligeiro refresco e petiscos e ter o Sr. Feddersen falado em nome da sociedade de cantores, todos prosseguiram viagem até Warnow, onde houve recepção com foguetes e vivas da população e cumprimentos no estabelecimento do Sr. Hoeschl, em cuja frente achavam-se postadas a sociedade de atiradores e a de cantores e ainda os alunos da escola local, cujas canções demonstraram ao ilustre visitante que além do trabalho na roça e pequenas oficinas, o colono e seus filhos dedicavam-se ainda à conservação das canções populares. Após curta demora prosseguiu-se na excursão, cuja meta nesse dia era a localidade do Neisse, porém uma forte trovoada interrompeu a viagem e tiveram que pousar antes, parte em casa do senhor Schulze e outra parte na morada do senhor Replin, aí pernoitando.
Ribeirão Neisse - Apiúna. Na época - Colônia Blumenau.

Sexta-feira, 21 de maio, já cedo prosseguiram na excursão, alcançando o Neisse na parte da manhã, onde, na filial do Sr. Feddersen, lhes foi servido um lanche e depois de curta demora reiniciada a viagem que daqui em diante tornou-se mais difícil e interessante, pois daqui é que partir a nova estrada para o interior da colônia ao longo do Rio Itajaí. Já que esta parte do caminho estava para ser concluída aproveitou-se a oportunidade para mostrar ao Governador Dr. Hercílio Luz o andamento das obras. Ao mesmo tempo, queria-se mostrar ao Embaixador, Dr. Krauel, a zona designada à Companhia Hanseática de Colonização, para colonizar esta região, dando ao Embaixador oportunidade para se inteirar pessoalmente das condições e perspectivas deste empreendimento e assim poder dar a sua opinião a respeito, quando interpelado pelos respectivos órgãos de seu país.
Após transposto o Ribeirão Neisse, apenas ainda algumas colônias se achavam ocupadas por imigrantes, havendo ainda alguns moradores brasileiros ali espalhados. O novo caminho corta uma zona ainda não cultivada, que serve de refúgio dos bugres que daqui já efetuaram vários assaltos aos moradores mais avançados. Com a abertura da nova estrada, o perigo irá desaparecer, pois, com o maior movimento, os bugres certamente se recolherão mais para o alto da serra. Aqui o Vale do Itajaí se estreita bastante íngremes paredões de pedra chegam perto das margens do rio. Um morro, sem vegetação, denominado "Morro Pelado" forma uma península banhada em três lados pelo Rio Itajaí.
Morro Pelado - Neisse.

Após ter deixado para trás este morro, os visitantes chegaram ao rancho do Sr. Gottlieb (Nome corrigido do original - não estava correto) Reif, empreiteiro deste primeiro segmento da nova estrada. O Sr. Reif, avisado que foi da visita que ia receber, havia providenciado algo de comer a oferecer aos visitantes, porém foi surpreendido com a chegada destes, quando ainda estava no preparativo do frugal comestível. Os ilustres hóspedes tiveram assim oportunidade de conhecer também a vida alimentar que levam os imigrantes e trabalhadores do mato. Para o Governador Dr. Hercílio Luz, esta situação não era novidade, pois tendo exercido por muitos anos o cargo de Comissário de Terras em Blumenau e presidido os trabalhos de medição de terras, já tivera oportunidade de tomar parte em refeições nessas circunstâncias. A bem da verdade deve-se dizer, entretanto, que a refeição preparada e oferecida pelo senhor Reif, nada deixou a desejar quanto à sua quantidade, qualidade e sabor. Às 11 horas, teve prosseguimento a ·excursão para inspecionar a parte mais importante da estrada. O rio forma uma curva transversalmente ao seu rumo principal, num trecho de 2 quilômetros.
Deixando os carros, todos tiveram que vencer esta distância a pé; aqui os operários ainda estavam trabalhando com explosivos, para arrebentar as pedras e abrir uma passagem para a nova estrada e para a construção de muros de arrimo. Um trecho do paredão já estava minado e pronto para a explosão, efetuando-se esta à vista dos visitantes que assim puderam avaliar as dificuldades na construção da estrada. No fim deste pequeno trecho desemboca o rio Subida e como ainda não existisse uma ponte, somente duas carroças atravessaram o rio, para conduzir os visitantes, para os quais a marcha a pé seria muito penosa. A maioria, porém, preferiu seguir a pé. No morro da Subida, que se lhes apresentava adiante, já se via em duas voltas a estrada que se elevava a uma altura de 300 metros acima do nível do rio.
Esta parte da estrada também já estava pronta, com um ângulo ascendente de cerca 6%, proporcionando uma fácil ascensão, mesmo para veículos de pesada carga. Foram construídos vários muros de arrimo e feitos cortes de passagens. Já vencido pelos andantes um bom trecho desta estrada, eis que de repente há um incidente imprevisto. Um tropeiro aparece e anuncia a chegada de uma tropa de bois bravos, aconselhando aos pedestres a procurarem um lugar seguro, afastado da estrada, o que não era tão fácil assim, entre aquelas encostas, muros de arrimo e abismos. Subindo uma parte desbarrancada, todos conseguiram contornar o perigo, aceitando o Embaixador, com muito humorismo esta cômica situação. Como a passagem da tropa não queria ter fim, o deputado, Sr. Luiz Abry, que estava a cavalo, assumiu por curto tempo a função de tropeiro e auxiliou os peões a acelerar a marcha da manada. Vencido este obstáculo, todos continuaram a marcha, num trecho de cerca 5 quilômetros, chegando então ao ponto culminante, de onde uma magnífica paisagem se abre às vistas, premiando em seu esplendor todo o cansaço da fatigante caminhada. Daqui, com o céu límpido daquele dia, os visitantes avistaram o marco inconfundível dos marujos, o "Morro Baú", como também o "Morro Cachorro" a leste e, para o norte, e oeste as vastas zonas dos vales dos rios Itajaí do Sul e do Norte, a "terra incógnita" que a Companhia Hanseática pretende colonizar com imigrantes alemães. Do cimo do morro, o trecho da estrada é da responsabilidade do empreiteiro Frederico von Ockel e foi percorrido numa extensão de cerca 2 quilômetros, porém não foi possível atender ao convite do Sr. von Ockel para ir até ao rancho deste, onde ele havia preparado uma ligeira merenda, já que o tempo era muito curto e os visitantes ainda pretendiam alcançar, em sua volta, os alojamentos encomendados. Retornando, foi feita uma breve parada na "Boa Vista", onde foi servida um refresco e apreciado novamente o belo panorama.

O Governador Dr. Hercílio Luz e sua comitiva da capital, acompanharam com grande interesse os trabalhos da construção da estrada e elogiaram-na muito, mormente quando o Governador lhes informou que as despesas não chegam nem à metade da quantia por eles estimada. Durante a excursão, o Governador teve um diálogo _com o engenheiro Odebrecht, no final do qual este foi encarregado pelo Governador em prosseguir nos estudos para a continuação das obras da estrada até ao planalto, já que esta estrada era uma necessidade imprescindível para o desenvolvimento e progresso do Estado.
A construção da estrada não oferece maiores dificuldades do que as já vencidas até agora, conforme declaração dos senhores Odebrecht e Krohberger que já atravessaram a região por diversas vezes.
Em menor tempo foi realizada a descida até ao ponto onde os carros estavam à espera. Tomados estes e encetado o regresso, chegaram, já antes do cair da noite, ao ribeirão do Neisse, onde na filial do Sr. Feddersen, foi servido um lauto jantar aos excursionistas, reinando grande satisfação e alegria entre os presentes por tudo que puderam ver neste dia. Principalmente o Embaixador Dr. Krauel e o Cônsul Sr. Carl Hoepcke manifestaram-se entusiasmados com o que viram, achando que valia a pena morar nesta região propiciosa.
Na manhã seguinte, sábado dia 22 de maio, todos, ocupando os carros, regressaram a Blumenau, fazendo parada em Warnow, onde o Sr. Hoeschl mandou servir um farto almoço, preparado à moda da colônia, que agradou a todos, dado à variedade dos pratos servidos. Na localidade do Warnow o embaixador e demais excursionistas assistiram ainda a uma demonstração de ginástica dos alunos da escola local e disputa de um prêmio em dinheiro que foi instituído pelo Embaixador, que ainda tomou contato com moradores, para saber de suas situações e modo de vida, a fim de ter uma noção exata das condições em que se acham os colonos.
Residência e comércio do 1° Cônsul do Império Austro-Húngaro na Colônia Blumenau - Leopold Franz Hoeschl - em Warnow - Indaial SC.

Em Indaial o grupo se dividiu, pois, o Embaixador, em companhia do Cônsul Sr. Carl Hoepcke e destacados membros da colônia, atravessaram, de balsa, o rio Itajaí para visitar Timbó, enquanto que os demais acompanharam o Governador Dr. Hercílio Luz e sua comitiva até Blumenau.
Em Timbó aguardavam o Embaixador, a sociedade de atiradores, em formatura e a Sociedade de cantores em frente à casa do Sr. Frederico Donner, em cujo salão a Sociedade de Cantores apresentou várias canções alemãs. Ao convite para um jantar o Embaixador teve que declinar, pois a exiguidade do tempo forçava ao regresso, que foi feito pela outra margem do Rio Benedito até Indaial. Numa parada para troca de cavalos na volta, o Embaixador ainda teve oportunidade de participar, por curto tempo, de uma festa de casamento de colonos, alcançando os visitantes Blumenau ao cair da noite, após três dias de excursão pelo interior da colônia.
Residência e casa de negócio de Friedrich Donner, primeiro morador de Timbó. Uso misto, residencial/comercial, início século XX, interior Colônia Blumenau. Na centralidade - se usava rebocar as edificações de estrutura enxaimel...adotando o estilo dos "neos".


Dia seguinte, domingo, dia 23 de maio, o Embaixador assistiu ao culto na Igreja Evangélica, externando louvores ao coro misto da comunidade que abrilhantou o ato religioso.



A tarde houve uma festa popular nas dependências da Sociedade de Atiradores, com apresentação de números de ginástica rítmica e em aparelhos, pelos ginastas da sociedade de ginástica e alunos da NeuSchule. A noite houve uma apresentação teatral no Teatro Frohsinn com a peça "Madame Flott" e exibição de números de magia pelo Sr. Pamplona, de Florianópolis, e ainda apresentações de números de cantores pelos coros masculinos e o coro misto das sociedades de cantos locais, cujos repertórios foram muito aplaudidos e mereceram elogiosas referências por parte do Embaixador. Após estas apresentações realizou-se ainda um animado baile que durou até altas horas da madrugada. Na segunda-feira, 24 de maio, o Embaixador fez uma excursão ao Rio do Testo e Pomerode.

Não obstante ter externado este desejo somente domingo à noite, sua chegada àquela localidade foi aguardada pelas sociedades de atiradores ali existentes, que estavam formadas festivamente em frente à residência do Sr. Luiz Abry. Na entrada da localidade e no centro desta haviam arcos de triunfo e a rua achava-se ornamentada com palmitos e bouquês de flores. No Salão do edifício, o Embaixador foi cumprimentado pelo deputado estadual Sr. Luiz Abry e atendeu, por mais de 4 horas a todos que o queriam cumprimentar, mantendo com eles animado diálogo e ouvindo os seus pedidos e desejos, pois os colonos, nas suas simplicidades, achavam que o Embaixador poderia solucionar todos os seus problemas ou satisfazer os seus desejos. À noite, o Embaixador regressou a Blumenau e no dia seguinte, terça-feira, deixou Blumenau e dirigiu-se a Brusque onde foi festivamente recepcionado à entrada da cidade pelas autoridades locais e sociedade de atiradores e, sob os acordes da banda de música conduzido até ao Hotel Bauer. À tarde visitou a fábrica Renaux, escola e a igreja e no dia seguinte fez uma excursão ao interior da colônia, seguindo à tarde para Itajaí de onde regressou ao Rio de Janeiro, tendo antes ainda enviado um ofício ao Cônsul, Sr. Salinger exprimindo os seus agradecimentos às autoridades e população blumenauense, pela cordial acolhida e cavalheiresco tratamento que aqui teve, reafirmando as ótimas impressões que levava de Blumenau e sua gente.
O Governador Dr. Hercílio Luz, por sua vez, viajou na segunda feira, dia 24 de maio, para Massaranduba, para inspecionar as obras da construção da estrada que liga Blumenau a Joinville, passando por Massaranduba e Bananal (hoje Guaramirim), da qual se achava já pronto um trecho de 27 quilômetros a contar do lote N°. 58, faltando apenas mais 7 quilômetros para alcançar a ligação para Joinville.
A viagem de Blumenau a Massaranduba o Governador fez de carro de mola, em apenas duas horas e meia o que demonstra o excelente estado desta estrada. O último segmento faltante de 7 quilômetros da estrada foi logo dado em empreitada, com prazo de 5 meses para a sua conclusão. Quarta-feira, dia 26 de maio, na parte da manhã, o Governador visitou ainda as escolas em Blumenau, embarcando pelo meio dia no vapor "Blumenau" com sua comitiva, rumo a Itajaí, de onde regressou à capital do Estado.

Mapa alterado e completado com informações (como usamos fazer atualmente)  pelo engenheiro alemão Dr. Phil Wettstein contratado pela Colonizadora Hanseática. Trabalhava na região, mais ou menos neste período. Ele usou como base, o mapa feito pelo engenheiro José Deeke em 1905, com as informações acrescidas. Aliás, vimos este mapa publicado no livro a Colônia Blumenau no Sul do Brasil sem esta informação. Muita coisa. Fica aqui, portanto, o esclarecimento. No link, no final da postagem, você poderá ver todo o trabalho de Wettstein.

Mapa completo - e com legenda.


Poderíamos fazer muitos comentários, a partir do artigo de Frederico Kilian, o qual ilustramos, que enriqueceria postagens anteriores da história regional, mas poderia esta, ficar uma postagem muito grande, sendo que durante a pesquisa, esta já foi transformada em duas. Foi bom que durante esta pesquisa resgatamos o nome inteiro do diplomata alemão, Friedrich Richard Krauel  citado em teses americanas e alemãs e autor de diversas publicações acadêmicas, sendo que fez parte do corpo docente da Universidade de Berlin, mas desconhecido em publicações locais. 
E para terminar, concluímos que depois de sua visita na região - através dos bancos e empresas alemãs - foram disponibilizados recursos para a construção da única ferrovia, em solo brasileiro com a tecnologia e capital alemães, as demais foram inglesas. Indiretamente este investimento na ferrovia, Estrada de Ferro Santa Catarina - EFSC, desenvolveu toda a região visitada por Friedrich Richard Krauel.

Referências
  • JÚNIOR, Peter Pauls. Urwaldpioniere: persoenliche erlebnisse mennonitischer siedler aus den         ersten jahren am krauel und von stolzplateau, S. C. Witmarsum: Herausgegeben im Auftrag         der Festkommission der Jubilaeumsfeier, 1980.
  • IPatrimônia. Síntese da Imigração em Santa Catarina. Santa Catarina Século XIX Disponível: http://www.ipatrimonio.org/wp-content/uploads/2019/03/dossi%C3%AA-imigra%C3%A7%C3%A3o-SC_volume-1-parte-3.pdf . Acesso: 03/06/2022 - 1:45h.
  • YOKELL, Marshall A. Alemanha e América Latina - desenvolvimento de Infraestrutura e Política Externa  1871-1914. Universidade A&M do Texas. Direitos autorais 2018 Marshall Allison Yokell, IV. Disponível em: https://oaktrust.library.tamu.edu/bitstream/handle/1969.1/174596/YOKELLIV-DISSERTATION-2018.pdf?sequence=1&isAllowed=n. Acesso em: 03/06/2022 - Acesso em 2:26h
  • Winter, Heidelberg 1999, ISBN 3-8253-0865-0, pp. 161-162.
  • GERLACH, Gilberto. Colônia Blumenau no Sul do Brasil. Gilberto Schmidt-Gerlach, Bruno Kilian Kadletz, Marcondes Marchetti, pesquisa; Gilberto Schmidt-Gerlach, organização; tradução Pedro Jungmann. – São José: Clube de Cinema Nossa Senhora do Desterro, 2019. 2 t. (400 p.) : il., retrs.
  • SILVA, José Ferreira da.  História de Blumenau. 2.ed. – Blumenau: Fundação “Casa Dr. Blumenau”, 1988. – 299 p.
  • WETTSTEIN, Phil. Brasilien und die Deutsch-brasilieniche Kolonie Blumenau. Leipzig, Verlag von Friedrich Engelmann, 1907. 
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Sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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segunda-feira, 23 de maio de 2022

Uma História Secreta Agora Revelada - Por Gustavo Adolpho Konder - Quem destruiu a casa de Gottlieb Reif em Itajaí, foi um professor e Diretor de uma Escola

O estrago feito pelos vândalos liderados pelo Professor Henrique Gaspar Midon na casa do pioneiro e personalidade histórica de Santa Catarina Gottlieb Reif.


Visitamos a cidade de Itajaí e observamos seus traços predominantes e conhecemos um pouco sobre sua história e lembramos da iniciativa visionário de  Agostinho Alves Ramos, que quando percebeu o potencial da foz do Rio Itajaí Açu, no mar, e o entrocamento que poderia ser, mudou-se para o local e requereu ao Bispo do Rio de Janeiro para a fundação de um Curato que aconteceu em 31 de março de 1824.

Curato é um termo religioso, derivado de cura, ou padre, que era usado para designar aldeias e povoados com as condições necessárias para se tornar uma paróquia.
Com a criação do Curato do Santíssimo Sacramento, estava fundada Itajaí. Construída uma pequenina capela e o cemitério aos fundos logo começaram a ser então envolvidas de outros moradores, entre os quais, a liderança foi exercida por Agostinho Alves Ramos. O Administrador construiu um barracão localizado entre seu casarão e a residência de um Padre espanhol chamado Agote, residindo na localidade desde o ano de 1824, como capelão no local do Curato, este reivindicado por seu administrador um tempo antes, os primeiros migrantes chegantes, eram oriundos da Colônia de São Pedro de Alcântara. Alguns subiam o rio e ocupavam terras nas margens.

Santíssimo Sacramento de Itajahy.
Posteriormente a este ato e à movimentação migratória de pioneiros alemães da região de São Pedro de Alcântara para o Vale do Itajaí, pelo leste e oeste, também aconteceu a fundação da Colônia Blumenau por Hermann Blumenau, mais de duas décadas depois, onde uma das portas de chegada, pelo mar, era o porto da cidade de Itajaí. Quantos relatos históricos no quais mencionamos que famílias pioneiras desembarcavam no porto Itajaí e depois subiam o grande rio em vapores até o porto fluvial do Stadtplatz da Colônia Blumenau. Mas, muitas vezes, os imigrantes, resolviam permanecer em Itajaí, construindo ali sua vida. Estes migrantes alemães que permaneciam em Itajaí, quase sempre tinham suas atividades relacionadas ao comércio, era um apoio ao imigrante recém chegado da Alemanha. Em alguns pontos comerciais da cidade, muitos foram os nomes de personalidades históricas do Vale do Itajaí que trabalharam e aprenderam o ofício do comércio. 
Este contexto, não foi suficiente para desfazer uma injustiça histórica.
Encontramos este artigo assinado por Gustav Konder, um dos filhos do ex prefeito de Itajaí Marcos Konder - cujo conteúdo esclarece e identificou o nome não conhecido até este momento, esclarecendo uma injustiça sofrida por Gottlieb Reif, cuja biografia apresentamos no blog. Para você pode ler - clicando neste link: Gottlieb Reif - Momentos importantes da História de Santa Catarina.

Parte desta Postagem...

"...Entre 1914 e 1918, durante a 1° guerra Mundial, houve manifestações públicas contra alemães na cidade de Itajaí, onde pronunciavam palavras de ordem, xingamentos e atacavam residências dos imigrantes alemães, em atos de vandalismo depredando todo o patrimônio. Lembramos que Gottlieb havia se naturalizado no final do século anterior, mas falava o alemão.
Em uma noite de novembro de também 1917, manifestantes embriagados se aproximaram de sua casa e tentaram incendiá-la. Quebraram muita coisa. O ato covarde aconteceu à noite e a família viveu momentos de terror. Encontramos registros fotográficos feitos pelo fotógrafo Arthur Walter da firma Photographia Itajahy – Est. S. Catharina. Estas fotografias estavam com a bisneta de Gottlieb e Catharina, Marlene. As imagens comunicam.
Edificação de alvenaria autoportante de tijolos maciços, com grandes janelas de madeira e vidro com duas folhas, como era comum na casa do pioneiro alemão. A sua arquitetura demarcava a esquina, onde no espaço interno estava localizado o sofá. Nesta fotografia, a casa já estava vandalizada, com janela apresentando folhas e vidraças quebradas, abertas e com cortinas rasgadas. A família saiu de casa. Foto de foto. Fotografia de Arthur Walter da firma Photographia Itajahy – Est. S. Catharina.
Janelas altas de madeira e vidro, munidas de bandeira com duas folhas de abrir. Edificação elevada do chão munida com porão. Foto de foto. Fotografia de Arthur Walter da firma Photographia Itajahy – Est. S. Catharina



Foto de foto. Fotografia de Arthur Walter da firma Photographia Itajahy – Est. S. Catharina.
Foto de foto. Fotografia de Arthur Walter da firma Photographia Itajahy – Est. S. Catharina

E nenhum desses atacantes, sem dúvida alguma, era mais brasileiro do que Reif, pois, além do seu trabalho em prol do desenvolvimento do país, era brasileiro naturalizado em 1883, ainda no Império e tinha patente de capitão da Guarda Nacional. Sua esposa, nascida em Independência, no Rio de Janeiro, dera-lhe nove filhos, todos brasileiros. STAHMER, 1972.

Muito abalado e triste, Gottlieb Reif retornou para Blumenau com toda a família e de Blumenau, rumou para a localidade do Ribeirão das Pombas – atual Pouso Redondo, onde possuía terras há muito tempo. Para isso, vendeu a fábrica de caixinhas, reconstruída, e a casa comercial para a firma João Bauer. A casa de moradia e um outro terreno por um valor pequeno, para desvencilhar dos impostos ao município (O prefeito de Itajaí conhecia o ocorrido e aceitou isso e a verdade sobre?). Reif guardou muita mágoa de Itajaí. Muito decepcionado com todo o ocorrido, se recolheu junto com a família, em uma região praticamente desabitada."... 
Encontramos o artigo de Gustav Konder, escritor e filho de Marcos Konder - ex prefeito de Itajaí, família importante na história de Itajaí e também, de Blumenau - o qual narra fatos relacionados às questões políticas da região do Vale do Itajaí e  informações esclarecedoras para a biografia de Gottlieb Reif. 
Vamos comentando ao longo do texto de Gustav Konder.
Uma História Secreta Agora Revelada - Por Gustav Konder
 
"Muito antes da primeira Guerra Mundial (1914/18), o meu torrão natal -Itajaí - possuía uma colônia alemã bastante numerosa e a conversação em linguagem germânica era comum. Quase todas as firmas importantes, como Asseburg, Malburg, Konder, Fábrica de Papel e outras tinham como auxiliares e técnicos alemães natos inclusive teutos, que costumavam reunir-se em pontos preferidos tais como Hotel Brasil, Hotel Lippmann ou Sociedade dos Atiradores para bebericar ou bater papo, principalmente sobre as últimas novidades da velha Alemanha imperial.  Havia duas escolas alemãs, a católica dirigida por freiras e a outra pela comunidade evangélica. Também havia um clube de ginástica, onde os moços se reuniam.  O meu saudoso tio Alois Fleischmann era o cônsul alemão e, nos dias de aniversário do Kaiser, a colônia germânica comparecia para cumprimentá-lo e depois assistir a missa em ação de graças nas duas igrejas (católica e protestante). Foram dias de grandeza e de progresso para Itajaí, por causa da grande afluência da imigração alemã e italiana para as colônias do vale do Itajaí.  Naturalmente muitos imigrantes, em vez de seguirem para as colônias, preferiram radicar-se no porto de Itajaí, exercendo assim diversas profissões, como ferreiro, padeiro, sapateiro, alfaiate, etc. 

Palácio Marcos Konder. Residência do Ex Prefeito
 Marcos Konder - Pai de Gustav Konder, que nos
presenteou com um artigo esclarecedor.
Comentário: Percebemos esta influência no espaço de Itajaí atual - a herança destes imigrantes, que não eram somente portugueses, como muitas vezes são colocados nos livros de história. Nas inúmeras biografias que pesquisamos de famílias pioneiras do Médio e Alto Vale do Itajaí, o nome de algum comerciante mais atuante sempre trabalhou em uma destas casas comerciais mencionadas por Gustav Konder. Também as práticas, festividades e lazer, semelhantes aquelas praticadas em Blumenau, nas suas primeiras décadas de história.
Continuando texto de Gustav Konder.

Em frente ao solar da minha saudosa avó Adelaide Konder, à rua Lauro Mueller, estabeleceu-se uma barbearia, com uma grande e atraente placa oval, pendurada na frente e que pertencia a um jovem chamado sr. Karl Kienzelbauer, recentemente chegado da Alemanha (1913/14). 
Quando estourou a primeira Guerra Mundial (1914/18), o nosso país, em 1917, cortou as relações com a Alemanha, juntado-se aos aliados em luta contra a pátria do imortal Beethowen. Mal foi assinado pelo presidente Wenceslau Braz o decreto de declaração de guerra, muitos itajaienses, a maior parte luso-brasileiros, promoveram grandes manifestações, depredando residências e oficinas dos inofensivos imigrantes, inclusive teutos. Na Barra do Rio, os arruaceiros, chefiados pelo paulistano Henrique Midon, diretor do grupo escolar "Victor Meirelles", depredaram e quase incendiaram a residência do sr. Gottlieb Reif, o pioneiro e fundador da fábrica de papel. 

Comentário: Quando o Brasil ingressou na primeira guerra mundial, imigrantes portugueses e seus descendentes e imigrantes espanhóis e seus descendentes se acharam no direito de agredir imigrantes alemães e seus descendentes. Neste caso, o agressor foi o diretor de uma escola, neto de espanhol, vindo de São Paulo para Itajaí, agrediu a casa de uma família que construiu um fábrica de papel na cidade. Sendo que, Gottlieb Reif, já havia construído estradas, pontes e Barracão de imigrantes no interior do Vale do Itajaí, sem contar, que construiu pequenas fábricas alimentícias. Foi o primeiro importador de gerador à vapor da Alemanha de Santa Catarina - importou 5 peças, em tempos distintos.  O último, carregou pela mata e pelos rios, do litoral até o vale do Rio das Pombas - atual Pouso Redondo.
Gerador à vapor - Pouso Redondo SC. Gottlieb importou 5, da Alemanha.


Continuando texto de Gustav Konder.
Voltando à cidade, os nacionalistas assanhados percorreram, à noite, as ruas principais, gritando palavrões, chamando-os de boches e de assassinos até de nomes obscenos. Atravessando a rua Lauro Müller, os desvairados bateram a ponta-pés na porta, arrancando a placa da barbearia-residência do inofensivo Kienzelbauer. O pobre fígaro, assustado, fugiu pelos fundos, alcançando a rua traseira (hoje rua 15 de novembro), em direção ao bairro da fazenda.  Naquela noite estávamos na espaçosa sala de jantar - meus pais e eu. Papai na cadeira de balanço lendo o "Correio da Manhã" com o rosto acabrunhado. Mamãe preocupada com suas costuras e eu, com a idade de l2 a 13 anos, decifrando minhas lições de aritmética. Eram mais ou menos 10 horas da noite quando na porta lateral soaram leves pancadas. Papai sobressaltado dirigiu-se à ela e sem abrir perguntou quem era. Veio a resposta em língua alemã identificando-se. Era o infeliz barbeiro Kienzelbauer que pálido e choroso. narrou a sua história. Imediatamente o meu pai convidou-o à entrar e pediu-me para levá·lo ao meu quarto, no sótão, onde tínhamos duas camas, a minha e a do meu saudoso mano Alexandre internado naquela época  no Ginásio Catarinense em Florianópolis. Meu pai apareceu depois para entabular conversações sentando-se na cama oposta, obrigando-o à deitar-se, fazendo a mesma coisa comigo. Eu nada compreendia. Em pouco tempo, muito fatigado, ferrei no sono. Ao amanhecer, reparei com grande surpresa que a cama dele estava vazia. Corri para baixo, gritando pela mamãe, que imediatamente segurou-me e levou-me para o seu dormitório. Ali então ela contou-me que, de madrugada, o papai havia levado o moço, pelos fundos da residência, até a bordo do vaporzinho "Blumenau", atracado no trapiche do Asseburg. Com a aqui acescência do sempre lembrado comandante Gustav Hacklaender, que também era admirador do meu pai, escondeu-o no porão e às nove horas da manhã, zarpou calmamente para Blumenau. Depois disto a minha carinhosa mãe explicou-me a situação e pediu-me para jurar que guardaria segredo. Este juramento foi cumprido e somente agora violado pela presente narração.

Comentário: Este comentário será útil para esclarecer que o comandante Gustav  Hackländer, foi um órfão da Colônia Blumenau, e como tal foi enviado como carteira/criança, a pé até Itajaí, porque índios não atacavam crianças e os Konder na verdade eram parentes dele, e não o acolheram como família. Gustav Konder também escreveu sobre Hackländer
A vida de   Hackländer  está neste link: Gustav Hackländer - Biografia
Continuando texto de Gustav Konder.

Em tempo:- Naquela época, o meu pai era o prefeito e jamais perdoou a péssima conduta do diretor Henrique Midon. uma vez que o sr. Gottlieb Reif estava radicado há muitos anos no Brasil e era um cidadão utilíssimo a Itajaí. Depois daquele triste acontecimento o grande pioneiro alemão mudou-se com toda a sua família definitivamente para Pombas, onde mais tarde faleceu. 
Decorridos muitos anos e durante a triste época da segunda Guerra Mundial (em 1942), o meu pai, depois de almoçar no "Hotel Cabeçudas" onde residia, costumava voltar à cidade montado no seu garboso cavalo. Certo dia, ao passar defronte ao antigo hospital "Santa Beatriz" o animal assustou-se e corcoveando atirou-o ao chão. Com a violência da queda ele ficou desacordado na estrada, sendo prontamente socorrido por populares. Devido à gravidade do seu estado (fratura de uma das clavículas e escoriações generalizadas), transportaram-no para Blumenau, a fim de tratá-lo com um especialista no hospital Santa Isabel. Já todo engessado e cheio de curativos notou a sua barba crescida e reclamou a presença ele um barbeiro, pois sempre fora muito cuidadoso (para não dizer vaidoso). Qual não foi a sua surpresa ao reconhecer no barbeiro o seu antigo protegido Sr. Karl Kienzelbauer. E este, vendo-o acamado com o braço esticado e semi paralisado cumprimentou-o com voz embargada:- "Mein Gott! das ist ja der Herr Marcos Konderh." Meu pai também logo reconheceu e retrucou em alemão:- "Ahl Das ist ja der Herr Kienzelbauer! Wie geht's?."

Comentário: Gustav Konder comentou que Gottlieb era utilíssimo para Itajaí - imaginem se não fosse, de fato, utilíssimo, com o conhecimento por parte do prefeito sobre a identidade dos malfeitores  - este permitiu que os mesmos ficassem impunes, com injustiças às pessoas de sua própria cultura. Não bastasse, permitiu a partida de Reif, imaginando que este fato permaneceria escondido e que a História não tomaria conhecimento sobre quem fez  o ato de vandalismo. 
Também nos chamou atenção o transporte de Marcos Konder ferido para o Hospital Santa Isabel localizado em Blumenau - fundado 25 anos após Itajaí - o nível de desenvolvimento e também este centro de gravidade propiciou a Itajaí se emancipar de Porto Belo.
Continuando texto de Gustav Konder.

Foi um encontro inesperado e feliz, pois todos os dias o fígaro vinha fazer-lhe a barba e conversar em alemão. Apesar da insistência do meu pai ele nunca aceitou pagamentos e para distraí-lo tocava em sua flauta e Cantava canções românticas da velha Alemanha que muito agradaram ao meu pai. As vezes cantavam juntos (em surdina) devido a censura policial. Ao contar-me o fato, o meu saudoso pai assim se externou :- "Foram os momentos mais felizes da minha vida."
O sr. Karl Kienzelbauer que já era um solteirão idoso, internou-se confortavelmente no asilo dos velhos em Trombudo, onde faleceu, despercebido e só, longe da sua pátria.
O, Schoener als die erste: Stunde weit ...
Ist jene. wo ein sanfter Tod
In einem Augenblick von aller Not
Von jahrelanger Qual das Herz befreit.
                                           (Luiz de Camões). 

Gottlieb Reif.
Comentário: O Prefeito Marcos Konder sabia sobre o vandalismo, sobre o desgosto de Gottlieb Reif, o susto de sua família e conhecia quem fez o mal feito. Marcos Konder se omitiu, assistiu pacificamente e viu um homem partir para longe, conhecendo a verdade, assistiu o  algoz da família Reif receber homenagens. Seu filho Gustav Konder esclareceu o assunto muito tempo depois, mas os pedaços da história permaneceram separados até aqui, quando, enfim apresentamos a história completa. 
Quem quebrou a casa dos Reif na cidade de Itajaí foi o Diretor do Grupo escolar Vitor Meirelles - Professor de São Paulo, Henrique Gaspar Midon, atualmente nome de Escola em Itajaí.

Também deduzimos que foi neste asilo e comunidade que Karl Kienzelbauer passou seus últimos tempos de vida, localizado na divisa entre Braço do Trombudo e Trombudo Central - na época somente Trombudo.

Lar Recanto do Sossego.
Lar Recanto do Sossego.



O Patrono da Escola e Vândalo da Casa de Gottlieb Reif - Professor Henrique Gaspar Midon

Henrique Gaspar Midon
, neto de espanhóis, nasceu no Rio Grande do Sul em 1881, mas fez sua vida em São Paulo, para onde sua família se mudou e também, onde se casou com Isaura da Rocha em  8 de fevereiro de 1902. Mudou com a família para Itajaí - esposa, dois filhos, mais a sogra, em 1913, quando tinha  32 anos. O vândalo que liderou o quebra quebra em uma noite de novembro de 2017 era um Professor reconhecido por contribuir com a reformulação de sistema de ensino e diretor do 
Colégio Estadual Victor Meirelles, localizado em Itajaí, então Grupo Escolar Álvaro de Carvalho, e também, fundador do Curso Complementar nesta Unidade Escolar. Permaneceu na direção da instituição até 1919, dois anos após o incidente que motivou Gottlieb Reif se mudar para o alto Vale do Itajaí, deixando tudo para trás e onde fundou o município de Pouso Redondo.
Em 1953, Henrique Midon foi homenageado, quando seu nome foi dado ao grupo da Barra do Rio, localidade onde residiam os Reif. Atualmente, o nome da escola é E.E.B. Professor Henrique Gaspar Midon. 
E.E.B. Professor Henrique Gaspar.

Midon se mudou para São Paulo com a maioria de sua família. Teve 8 filhos.Faleceu em 1965 em Casa Branca, São Paulo. Não sabia ele, que um garoto de 12 anos acompanhou seus feitos em 1917, e deixou tudo registrado para a História, com o lugar correto dos respectivos personagens, um vez que seu pai, o então prefeito de Itajaí, não o fez.



Referências

PAZ, Jainer Paz. Henrique Midon 2013. Histórico da E. E. B. Professor Henrique Midon. Disponível em: http://henriquemidon2013.blogspot.com/2013/04/historico-da-e-e-b-professor-henrique_4.html . Acesso em: 23 de maio de 2022 - 23:11h. 

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Sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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