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quarta-feira, 20 de agosto de 2025

As anotações de Frederico Kilian, neto do primeiro prefeito de Blumenau

Fatos históricos organizados pelo neto de Otto Stutzer, Frederico Kilian, com algumas ilustrações e comentários.

Encontramos um apanhado de pesquemos registros históricos relacionados a Blumenau e região, organizados pelo pesquisador Frederico Kilian, neto do primeiro prefeito de Blumenau, Otto Stutzer. O trabalho foi publicado na Revista Blumenau em Cadernos Tomo XXI, nº 4,  abril de 1980.
Sentados à direita, o avô do noivo - Otto Stutzer, ex-prefeito de Blumenau e à direita, a avó Therese (Bichels) Stutzer. Estes eram pais de  Adele Stutzer (1866-1944) que se casou com Fritz Müller (filho de August Müller)em 1886. Estes eram os pais da esposa de Frederico Kilian, Gertrud Müller que se casaram por volta de 1920. Fonte: pesquisa on-line Pioneiros, Arquivo Histórico de Blumenau.
A título de curiosidade, nós "cruzamos" com Herr Kilian durante a pesquisa em algum momento, e desconhecíamos sobre o trabalho imensurável e importante que deixava, muito menos, seus laços de família, muitos dos quais, atualmente, são nossos amigos particulares. 

Anotações Históricas de Frederico Kilian
1 - O primeiro número de "Blumenau em Cadernos" saiu publicado no mês de novembro de 1957 contendo 20 páginas. 
Capa da primeira revista de Blumenau em Cadernos publicada, no ano de 1957.
2 - O registro de nascimentos ocorridos na colônia, nos primeiros anos de sua existência, eram feitos pelo próprio Dr. Blumenau.
A primeira morte registrada na história local, ocorrida na Colônia Blumenau foi de Maria Luísa Sommer, em 24 de março de 1851. Ela era a esposa de Johann Heinrich Sommer, um dos primeiros imigrantes alemães a chegarem à região. A causa da morte foi uma febre, possivelmente malária, que afetou muitos dos primeiros colonos. Maria Luísa foi sepultada no antigo cemitério da colônia, localizado próximo à Rua XV de Novembro.
Nos primeiros anos de história da Colônia Blumenau, luteranos e católicos não eram sepultados no mesmo cemitério, como se comprova pela inexistência de sepultamento de imigrantes católicos no cemitério da primeira centralidade de Blumenau, inaugurado no mesmo ano em que aconteceu o primeiro falecimento na comunidade luterana que aconteceu em 1857.
Na comunidade luterana, primeira morte registrada  aconteceu em  1857, seis anos depois e foi o de Thekla Friedenreich, sepultada, conforme mencionado, no Cemitério Luterano Centro, junto à Igreja do Espírito Santo, sendo este um dos cemitérios locais também delimitado pelo próprio fundador, Hermann Blumenau. Thekla era filha de Karl Gustav Friedenreich (1834 - 1908), irmão do veterinário Karl Wilhelm Friedenreich (1823–1900).
Túmulo de Thekla Friedenreich, no cemitério Luterano Centro. 

Centenária Igreja do Espírito Santo, projetada por Heinrich Krohberger e se encontra o antigo cemitério da comunidade luterana.




3 -  Um ano depois da fundação, nasceu a primeira blumenauense, a menina Ida Friedenreich, filha do veterinário Wilhelm Friedenreich, um dos 17 fundadores? 
Também foi da família Friedenreich o primeiro nascimento registrado por Hermann Blumenau. 
Ida Friedrinch foi filha de Karl Wilhelm Friedenreich (1823–1900) e de Dorothea Sophia Wilhelmine Schroeder  (1827–1910). Ida se casou com o imigrante alemão de Lübeck, Schleswig-Holstein, Carl Hermann Bruhns (1842–1890), em 29 de outubro de 1869, Blumenau/SC.










4 - Todos os edifícios de maior vulto da então sede da colônia foram construídos pelo engenheiro arquiteto, Heinrich Krohberger, assim como o prédio da direção, que depois passou a ser a prefeitura, as igrejas católica e protestante, a antiga ponte sobre o Garcia, na atual Rua XV de Novembro, a ponte do Salto, etc ... 
Heinrich Krohberger foi filho do mestre de obras alemão Daniel Krohberger (1785 – 1849) de Margaretha Friederika Barbara Schaller (1802 – 1852). 
Os pais de Heinrich Krohberger - Daniel e  Friedericke tiveram 6 filhos e todos migraram para o Brasil e para Blumenau sendo o mais conhecido na história de Blumenau, Heinrich Krohberger, que não se casou e a mãe de José Deeke - Christiane Johanna Krohberger, que nem seu nome informam nos textos, mas sim, irmã de Heinrich Krohberger. Encontramos uma anotação deste fato, o embarque dos filhos do casal Krohberger, para o Brasil. Na época foram mencionados somente 5 filhos Krohberger. O grupo não migrou todo para o Brasil na mesma data. Inicialmente migraram somente Heinrich e Christiane Johanna  Krohberger.
Heinrich Krohberger nasceu em Bayreuth, Oberfranken, Bayern em 18 de novembro de 1836. Tinha somente 13 anos de idade quando seu pai Daniel Krohberger, mestre de obras, faleceu em 1849 e 16 anos, quando sua mãe Margaretha Friederika Krohberger faleceu em  1852. Heinrich ficou conhecido na história de Blumenau como o "construtor de igrejas". Sua vasta obra não se resumiu somente na construção de igrejas. Também construiu casarios ecléticos e neoclássicos para a nova elite do final do século XIX e do início do século XX, estradas, pontes, fez mapas detalhados com informações geográficas e desenhos plano de lotes coloniais, em Blumenau e no grande território da Colônia Blumenau - atuais Médio e Alto Vale do Itajaí. 
Em alguns textos acadêmicos, no Brasil, reportam a Heinrich Krohberger como mestre de obras (DECHAMPS,124). Pesquisamos sobre e é algo a ser considerado de fato, uma vez que a formação acadêmica desta área era muito restrita nesse tempo histórico, sendo que no Brasil somente aconteceu - na área da arquitetura - em 1950. Seu pai, que foi mestre de obras, deve ter repassado o ofício quando ele ainda trabalhava, como também, a seu irmão mais velho, Bartolomäus Joseph  Krohberger. Estes, repassaram o ofício ao irmão mais jovem, Jean Krohberger. Supõe-se, diante da situação social e econômica de sua família de 6 irmãos, na sua adolescência, que começou a trabalhar muito cedo, supõe-se que na área da construção civil. Portanto, sua formação poderia ter sido construída de maneira empírica e prática no canteiro de obras, junto com seu pai e depois, somente na companhia de seus irmãos que trabalhavam na mesma área. 
Heinrich trouxe novas práticas construtivas para a Colônia Blumenau. Trouxe novas maneiras de construir no espaço urbano, que eram edificações autoportante de tijolos e o decorativismo do: românico, barroco, neoclássico e eclético - ofício típico do pedreiro, dispensando a presença dos carpinteiros das construções com técnica construtiva enxaimel.
Câmara Municipal de Blumenau inaugurada em 1875. A obra original de Krohberger  refletia as características da casa permanente urbana dentro de uma evolução no modo de construir na linha histórica da Arquitetura construída em Blumenau de acordo com a publicação de nosso livro "Fachwerk - A Técnica Construtiva Enxaimel", como por exemplo a presença do Dachgaube na mansarda, simultaneamente com a presença do Alpendre sobre a porta do lado lateral direito. Edifício rebocado – aos moldes do que vinha sendo construído na Alemanha – após as restrições aplicadas, a partir de legislações específicas de construções de casas com estrutura enxaimel aparente, no entanto, se repetiu a tipologia da casa urbana da Colônia Blumenau na sua sede administrativa, mesmo com a presença do reboco e do decorativismo do barroco alemão e das janelas tipo guilhotina – influência da casa portuguesa, presente nas construções de Itajaí e geralmente usada em edifício públicos, na Colônia Blumenau, como em igrejas e escolas. Esta arquitetura original do edifício foi descaracterizada e está quase sem resquícios, no atual edifício.


Terceira  Igreja católica de Blumenau no dia de sua inauguração - Padre Maria Jacobs na frente da igreja. A 24 de dezembro de 1876 foi benta a Igreja Matriz com a Missa do Galo. Em fevereiro de 1876, o Padre Jacobs foi nomeado vigário  da Colônia Blumenau. Projeto de Heinrich Krohberger.
5 - Em  22 de novembro de 1874, que chegou pela primeira vez ao porto de Blumenau, o vapor "Lourenço".
Seguindo esta primeira decisão das lideranças locais, surgiu o primeiro barco a vapor para fazer o trajeto regular entre Blumenau e Itajaí. De acordo com notícias na revista Blumenau em Cadernos, tomo XXI nº 10, outubro de 1980, página 284, o barco foi adquirido por Eduard Schadrack, do Brestlein, de Joinville, em agosto de 1871. O vapor, batizado de São Lourenço, inaugurou suas viagens regulares como rebocador de lanchas de carga.
6 - A construção da Estrada de Ferro Santa Catarina foi iniciada em dezembro de 1907, e o seu primeiro trecho, com tráfego regular até Warnow, foi inaugurado em maio de 1909 e a inauguração do trecho até a estação final, de Hansa, (logo após a confluência dos rios do Sul e Hercílio)  deu-se em 1° de outubro de 1909.
Estação de Warnow em festa, no dia da inauguração do primeiro trecho ferroviário, 3 de maio de 1909 – Blumenau a Warnow – Indaial. Fonte: HENKELS e HABITZREUTER, 2009.
7 - Em 15 de dezembro de 1884, chegou a Blumenau, em visita oficial Sua Alteza o senhor Conde d'Eu, marido da princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro.
Durante a visita, o Conde D’Eu, acompanhado de algumas pessoas, deu um pequeno passeio em algumas ruas do Stadtplatz. À noite foi realizada uma reunião dançante no Schützengesellshaft Blumenau – Sociedade de Atiradores de Blumenau. Esta sociedade foi fundada em 2 de dezembro de 1859, no aniversário do Imperador do Brasil – D. Pedro II, sogro do visitante. Lembramos que a homenagem feita pela sociedade blumenauense ao Imperador do Brasil é algo cultural e inerente aos imigrantes alemães, que vinham de um sistema, cuja origem aconteceu no Feudalismo e naturalmente, nutriam respeito ao líder máximo dentro do sistema, o Imperador.
8 - A primeira representação da ópera "Anita Garibaldi" do compositor blumenauense, maestro Heinz Geyer e libreto de José Ferreira da Silva, em setembro de 1950, por ocasião dos festejos do centenário desta cidade, sendo seis anos depois repetida em Florianópolis e levada à cena a 25 de novembro de 1957, no Teatro Municipal de São Paulo, assistida na ocasião pelo prefeito bandeirante Sr. Adernar de Barros, o governador de Santa Catarina Sr. Jorge Lacerda, prefeito de Blumenau. Sr. Frederico Guilherme Busch Júnior e Srs. Ingo Hering e Willy Sievert, da direção do Teatro Carlos Gomes, de Blumenau, além de muitas outras pessoas de destaque que não regatearam aplausos desde o início, o que ao terminar o primeiro ato o governador do nosso Estado e o prefeito de São Paulo, foram pessoalmente ao palco abraçar o maestro Heinz Geyer e levar-lhe os cumprimentos dos assistentes.
O maestro Heinz Heinrich Geyer nasceu no dia 27 de junho de 1897 na cidade de Mülheim an der Ruhr, Renânia – Alemanha. Seu pai foi Karl Heinrich G. Geyer  e sua mãe foi Gertrud Geyer. Ambos nasceram perto do ano de 1845, próximo à data da vinda dos primeiros imigrantes alemães para o Vale do Itajaí -1850.
9 - O primeiro ataque de bugres aos moradores da colônia de Blumenau, se deu na barra do Ribeirão da Velha. no dia 28 de dezembro de 1852.

10 -  Em 1856, Hermann Blumenau adquiriu as terras de propriedade de Bento Dias, em Gaspar, e mandou dividi-as em datas urbanas, deslocando, para esses lotes, que formaram povoação, quase todo o movimento comercial de Belchior e do Arraial do Pocinho.

11 - O jornal "BlumenauerZeitung" apareceu ·com seu primeiro número em 1° de janeiro de 1881.

12 -  Conforme lista de preços anunciada naquele jornal, àquela época, os gêneros de primeira necessidade eram assim vendidos: - milho, por saco de 80 litros - Cr$ 3,00; feijão, idem - 5,00; farinha de mandioca, idem - 1,30; arroz, com casca, idem 2,00; batatas, idem - 4,00; fumo, por arroba - 4,00 a 8,00; açúcar, por arroba - 2,00 e 2,50; toucinho, arroba (15kg) 2,50 a 3,00; manteiga, por quilo - 0,50 ; banha, idem - 0,30; ovos, por dúzia - 0,10; galinha, por unidade - 0,30 a 6,00; cachaça, por litro - 1,20.

13 - Foi fundado o "Kranken-Unterstuetzungsverein" em 1862, que contava no ano de 1889, com 110 sócios e tinha um ativo de cinco contos de réis, na maioria em papéis do Estado.

A fundação do Hospital Santo Antônio, em verdade, aconteceu em de 22 de agosto de 1860, quando imigrantes alemães da Colônia Blumenau, contando com o apoio de Hermann Bruno Otto Blumenau, fundaram a “Kranken Unterstützungsverein”, que era uma associação de assistência médica às pessoas doentes, localizado na rua Itajaí, no mesmo endereço onde se encontra a sede do Hospital Santo Antônio atual. A instituição desenvolveu-se tendo construído diferentes espaços de atendimento ao longo dos anos, devido a constantes perdas causadas por temporais e enchentes.
14 - As eleições para a primeira Câmara de Blumenau realizaram-se a 1º de julho de 1882 e que o número de eleitores que votaram foi de 49, sendo 14 no distrito de Blumenau e 35 no de Gaspar.
Sim, a primeira composição da Câmara Municipal de Blumenau foi eleita em 1º de julho de 1882.  Foram eleitos os vereadores Luiz Sachtleben, Otto Stutzer (avô de quem organizou este material, Frederico Kilian), Jacob Zimmermann e A. Gomes. De acordo com a Memória Digital, nesse dia também foram eleitos os Juízes de Paz: W. Eberhardt, com 11 votos, Júlio Baumgarten, com 10 votos, Francisco da Rocha, com oito, Wilhelm Scheffer, com oito, e outros menos votados. W. Eberhardt era, então, agente de Correio de Blumenau. Nesses pleitos foram eleitos apenas quatro vereadores e o número legal era de sete, número insuficiente e houve a necessidade de realizar nova eleição, que aconteceu em 30 de julho de 1882. Câmara Municipal de Blumenau no ano de 1920. 
Câmara Municipal de Blumenau no ano de 1920. Fonte: Memória  Digital.
15 - Ato da instalação e posse da Câmara se deu no dia 10 de janeiro de 1883 e foi presidido por Luiz Fortunato Mendes, presidente da Câmara Municipal de Itajaí. 

16 - Durante a enchente de outubro de 1911, o rio Itajaí-Açu, saindo do seu leito um pouco acima da cidade, formou um novo braço que invadindo os terrenos em direção ao norte, foi desaguar nas imediações da Penha do Itapocoroi. 

17 - No dia 24 de fevereiro de 1883, houve uma reunião para a fundação de uma Loja Maçônica e que o convite para essa reunião, estava assinado pelos srs. Otto Stutzer, Franz Lungershausen e Schaeffer. 
A história de fato. Em 24 de junho de 1870, Hermann Bruno Otto Blumenau – juntamente com outros nomes da Colônia Blumenau (não é possível e permitido somente uma pessoa fundar uma loja maçônica) fundaram a Loja Maçônica Zur Friendenspalme – À Palmeira da Paz – na Colônia Blumenau, mas o calendário alemão maçônico registrou a data de sua fundação somente em 24 de junho de 1885. Interessante registar que na ata oficial da fundação da loja de Blumenau, em 1885, não consta o nome de Hermann Blumenau (informações recebida de uma pessoa que conhece, e está na Alemanha e que possui cópia da ata que documentou este momento histórico – aguardamos a cópia desta ata – que existe e se for possível, publicaremos). Há uma explicação para esta variação de datas a ata.
Quando Hermann Blumenau retornou para à Colônia Blumenau em 1869,  5 anos após sua partida, juntamente com outros nomes da colônia, aparentemente fundou a Loja Maçônica Zur Friedenspalme, em 24 de junho de 1870, embora não registrada no calendário alemão maçônico. A loja maçônica da Colônia Blumenau obrava no Rito Schroeder, conforme rituais trazidos por Hermann Blumenau, da Alemanha.
Apesar de congregar grandes nomes da história da Colônia Blumenau, como Wilhelm Scheeffer, Otto Stutzer, Louis Altenburg Sênior, Gustav Salinger (fundador e primeiro presidente da Associação Comercial do Vale do Itajaí, atual ACIB) e Peter Christian Feddersen – por muito tempo, a Loja Maçônica Zur Friedenspalme  operou irregularmente, pois era disputada diplomaticamente entre o Grande Oriente do Brasil e a Grossem Loge von Hamburg. Isso explica as diferentes datas para: a  de existência e a de registro formal. Foi somente em 10 de novembro de 1885, após o retorno definitivo de Hermann Blumenau para a Alemanha, que a Loja Maçônica Zur Friedenspalme foi, de fato instalada, sob os auspícios da Grande Loja de Hamburg, a qual apresentou uma Carta Magna de Reconhecimento em 24 de junho de 1885.
Parte da página número 21 do livro A Ferrovia no Vale do Itajaí – Estrada de Ferro Santa Catarina (edifurb,2010), com a fotografia da plaqueta de bronze que mostra uma homenagem póstuma a Hermann Blumenau, fundador da Loja Maçônica Zur Friedenspalme de Blumenau, século XIX.



18 - Em 22 de Fevereiro de 1885 foi lançada, com grande solenidade, a pedra fundamental do novo Colégio São Paulo (Hoje colégio Santo Antônio). 

Em setembro de 1868, ainda no governo de Hermann Wendeburg, foi colocada a pedra fundamental da Igreja Matriz projetada por Heinrich Krohberger, no mesmo local da atual Catedral São Paulo Apóstolo. Estava localizada a uma certa distância do Stadtplatz, onde ficava a Igreja luterana, igreja das lideranças da Colônia Blumenau, da época e que não convivia muito bem com os católicos.
Em 1869 foi contratado o padre alemão Wilhelm Friedrich Clemens Röer, conhecido no Vale do Itajaí como Guilherme Röer (nascido em Warendorf, 29 de setembro de 1822)   Este tivera licença de seu superior para permanecer no Brasil por somente três anos, o que não aconteceu e está sepultado no Memorial de Braço do Norte. O padre  Röer não permaneceu em Blumenau.
Passando esse tempo, a situação da Colônia Blumenau retornou ao que era antes e novamente foi integrada à jurisdição espiritual de Freguesia de São Pedro Apóstolo, de Gaspar. Nesse tempo, o padre Gattone já havia sido transferido para a Colônia de Brusque. Em seu lugar estava o padre polonês, Antônio Zielinski.
A sala de aula do Colégio São Paulo e o professor padre Jacobs. Fonte: Brasil Imperial (Facebook - 16 de outubro de 2022).
Em 1870, construíram uma nova igreja temporária na Colônia Blumenau - a segunda igreja no lugar da igreja de sarrafos/madeira, onde, mais tarde, funcionou o primeiro coleginho do padre Jacobs. Foi construída com a técnica construtiva enxaimel com fechamento de taipa e coberta feita com ramos e galhos. Era maior que a primeira e com o passar do tempo foi melhorada com a troca das telhas, tendo também ampliado a sua área. O padre Jacobs reuniu 16 crianças, que foram seus primeiros alunos. Seria muito bom saber o nomes desses meninos. As meninas ficaram alojadas na casa de uma vizinha da igreja. As crianças faziam pequenos trabalhos agrícolas, ao mesmo tempo que o padre Jacobs lançava a pedra fundamental do novo colégio e também fundava a sociedade Associação Protetora da Infância Desamparada para que pudesse angariar fundos para a obra da escola e sua manutenção. Até então ele arcava com todos os gastos e também, com o trabalho.
Em 1879, a escola idealizada e materializada por padre José Maria Jacobs contava com 60 alunos e o edifício escolar, inaugurado em 1885, era um dos mais monumentais da Colônia Blumenau e região. Nele o padre Jacob ministrava as disciplinas de Religião, Línguas (Literatura Portuguesa e  Alemã),  Geografia, História Universal e do Brasil, História Natural, Aritmética e Matemática, Desenho, Escrituração Mercantil, Canto e Trabalhos Manuais. Eram facultativas as aulas de Inglês, Francês, Latim, Grego, Piano, Violino e Bordados.
O colégio fotografado quando ainda era administrado por seu fundador, padre José Maria Jacobs, em 1885, como Colégio São Paulo e, atualmente, como Colégio Bom Jesus Santo Antônio, com uma configuração espacial diferente, dentro de um sítio modificado e também com ideário e metas educacionais diferentes, onde sequer a lembrança do legado de padre José Maria Jacobs tem espaço.

Parte do edifício do Colégio São Paulo inaugurado em 1885  - Nove anos após sua chegada a Blumenau. Registro com alunos e professores na frente do Colégio.
19 - No dia 10 de Junho de 1887, na sessão do júri desta cidade, o colono Frederico Franz, autor de homicídio foi condenado à morte. A sentença não foi executada porque o Imperador comutou  a pena em prisão perpétua.
20 e 21  - Em 13 de maio de 1882, por escritura lavrada no cartório do Escrivão de Paz, Augusto Gloeden Junior, desta cidade, Da. Alexandrina Maria da Conceição, vendeu a Pedro Wagner um escravo de nome Camillo, solteiro, de cor parda, com 40 anos de idade, pelo preço de seiscentos mil réis (Rs. 600$000). 
Tal transação somente foi possível se realizar, depois do Dr. Blumenau ter deixado a direção da colônia, pois durante todo o tempo em que o mesmo esteve na direção não permitiu a introdução de escravos na colônia. 
Em 1846, Johann Peter Wagner / Pedro Wagner, já casado e demais familiares (seu pai - Georg Wagner), mudaram-se para o Vale do Itajaí - 8 anos após chegarem ao Brasil. Na época ouviu falar da fundação das duas novas colônias e sabia que já existiam alemães e flamencos residindo na região. Curioso é que a geografia da região também apresentava um território montanhoso com pouco espaço entre a montanha e o rio para fixar vilas, cidades e fazer plantação. Johann Peter Wagner / Pedro Wagner se casou, ainda na colônia de São Pedro de Alcântara, com uma filha de imigrantes alemães que também viajaram com a Família Wagner da Europa para o Brasil. Casou-se com a filha de Johann Händchen e Maria Margaretha Walldorf que se chamava Agnes. 
Quando Johann Peter Wagner / Pedro Wagner e demais imigrantes - entre estes, seus familiares, desembarcaram às margens do rio Itajaí-Açu, encontraram brasileiros que já residiam no local há mais tempo e produziam açúcar. Eram eles, integrantes da Famílias Furtado e  Mafra. Limparam o chão e prepararam ripas de palmito para a construção do primeiro rancho. 
Casas temporárias.
Os Wagner partiram, definitivamente para a nova propriedade no Vale do Itajaí em novembro de 1847, quando já tinham as roças plantadas. Johann Peter Wagner / Pedro Wagner e os homens permaneceram "arrumando" o local, antes de ir buscar a família, por aproximadamente um ano. Conhecemos outras famílias que também fizeram assim, em que os homens iam na frente, para organizar as tarefas demais necessidades básicas e depois buscavam a família, quando existia o mínimo de estrutura no local, como por exemplo a Família Haas de Blumenau, quando o patriarca a trouxe do Alto Vale do Itajaí.
Com parte da primeira safra colhida e com o auxílio de seu pai Georg Wagner, Johann Peter Wagner / Pedro Wagner  negociou a produção em Itajaí e com o dinheiro adquiriu terras acima de sua propriedade. As terras ficavam onde o rio Itajaí Açu faz uma grande curva, já em território de Blumenau atual. 
Johann Peter Wagner / Pedro Wagner e os demais homens fizeram um trabalho em suas terras, semelhante a este - derrubada da mata, roças e rancho provisório  com material de palmito.
22 - No dia 15 de agosto de 1884,  Hermann Blumenau deixou, definitivamente a colônia que fundara, retirando-se para a Alemanha, onde já se encontrava a sua família.
O fundador de Blumenau - Hermann Bruno Otto Blumenau, após desarranjos políticos e os negócios que não saíram conforme suas expectativas, deixou a Colônia Blumenau e retornou para a Alemanha definitivamente no dia 15 de agosto de 1884. Viveu em Braunschweig - Baixa Saxônia. 
Em outubro deste mesmo ano - 1884, Hermann Blumenau é nomeado agente oficial da Colonização Brasileira em Hamburg. Faleceu no dia 30 de outubro de 1899 na cidade alemã Braunschweig. Viveu, portanto, mais 15 anos, na Alemanha. 
23 - Em 3 de Agosto de 1884 foi colocada a pedra fundamental  igreja evangélica de Indaial.

 

24 - Em dia 30 de Agosto de 1886, o presidente da provinda, Dr. Francisco José da Rocha, assinou a lei nº 1.109 desta data, que criou a Comarca de Blumenau, com a denominação de Comarca de São Paulo de Blumenau.
25 - A nova comarca de Blumenau, foi solenemente instalada no dia 10 de Fevereiro de 1890, presente o cidadão Gustavo Salinger, 1º Suplente do Juiz Municipal em exercício do cargo de Juiz de Direito o Promotor Público da Comarca, Manoel Agostinho Demoro, deferindo o mesmo Juiz o juramento ao Promotor Público e declarando achar-se instalada a Comarca, nomeando o tabelião do Termo, Elesbão Pinto da Luz, para oficial do Registro de Hipotecas. 
Elesbão Pinto da Luz - Comissário de Polícia de Blumenau - não "lia na mesma cartilha política" do seu cunhado e primo - o republicano Hercílio Pedro da Luz. Talvez isto tenha lhe custado a própria vida. Hercílio Pedro da Luz fazia parte do Partido Conservador e o Comissário de Polícia de Blumenau, do Partido Liberal. 
Em 1893, o tenente-militar Manoel Joaquim Machado - Governador do Estado de Santa Catarina - dissolveu o superior Tribunal de Justiça. 
O Comissário de Polícia - Elesbão Pinto da Luz, residindo com Hercílio Luz na mesma casa, consultado por seu auxiliar se poderia fornecer tal documento, não recebeu autorização. O Promotor Manoel dos Santos Lostada reagiu energicamente e de maneira pouco adequado contra Elesbão Pinto da Luz. Algum tempo depois, o Comissário de Polícia foi até o armazém de Heinrich Probst (em março deste ano de 1893, fora empossado prefeito de Blumenau sucedendo o João Kersanach) - e prendeu o Promotor Público que se encontrava conversando com alguns conhecidos. Hercílio Luz contrariado com as ações do Comissário de Polícia - Elesbão Pinto da Luz, seu primo e cunhado, reúne-se com um grupo de simpatizantes e se dirige para a Cadeia Pública de Blumenau a fim de liberar o Promotor Manoel dos Santos Lostada.
No trajeto ao centro de Blumenau, encontram Elesbão Pinto da Luz e o interpelam com agressividade. O Comissário de Polícia usando uma arma que tinha consigo acertou um tiro em Hercílio Pedro da Luz. O Comissário de Polícia Elesbão então foi atingido por tiros dados pelos homens que acompanhavam Hercílio Pedro da Luz. Sendo eles primos e cunhados.
Personalidade da história de Blumenau, que foi fuzilado na Fortaleza de Anhatomirim - o Comissário de Polícia Elesbão Pinto da Luz. Seu maior adversário político foi seu cunhado e primo, de acordo com o Coronel Wiederspahn - um fanático Republicano, Hercílio Pedro da Luz, que depois da manobra, ocupou o cargo de Governador de Santa Catarina.
26 - No dia 13 de outubro de 1930, foi empossada pelo prefeito provisório de Blumenau, João Kersanack, a Junta Administrativa - Municipal composta dos senhores Antônio Cândido de Figueiredo, Thomé Braga, Max Mayr, Adolfo Wollstem e Theodolindo pereira, em substituição do Conselho Municipal (como na época era denominada a Câmara de vereadores) que na ocasião foi exposto e era formado pelos senhores Pedro Christiano Feddersen, como presidente, Arthur Rabe, vice-presidente, Max Haufe, Wllly Hering (do Rio do Sul) Frederico Schmidt, Carlos Schroeder, José Bona, Silvio Scoz, Hermann Sachtleben e Fritz Lorenz.

27 - Blumenau já foi por duas vezes a capital de Santa Catarina? A primeira vez em 1893 quando a Câmara Municipal, num gesto de rebeldia, assim o decretou, proclamando o Dr. Hercílio Luz governador do Estado, o qual prestou o juramento de praxe e tomou posse do cargo. A segunda vez foi em 1930. Florianópolis resistia aos revolucionários que vinham do sul e cujo comando foi estabelecido em nossa cidade que foi declarada capital do Estado. 

28 - Dr. Blumenau, contagiado de entusiasmo provocado pelas vitórias brasileiras na guerra contra o Paraguai, batizou muitas sedes de linhas da sua colônia com nomes dos lugares onde os nossos haviam se coberto de gloria, vindo daí os nomes de Ascurra, Humaitá, Aquiaaban Riachuelo e Timbó. 

Quando o Brasil entrou na Guerra do Paraguai, em dezembro de 1864, os colonos da Colônia Blumenau se organizaram e se apresentaram na capital da Província de Santa Catarina - Nossa Senhora do Desterro para juntar-se às tropas brasileiras. A Guerra durou 6 anos e terminou no final do ano de 1870.
Encontramos um documento com 31, dos aparentes 72 nomes que participaram do conflito - publicado na revista Blumenau em Cadernos do ano de 1976. Ao cruzarmos as duas listas, percebemos que há nomes presentes somente no documento original (abaixo) - aumentando, portanto, este número para 76 combatentes. Observar apontamentos nas listas.
Parte do Ofício assinado pelo Diretor interino da Colônia Blumenau -  Hermann Wendeburg  em 19 de setembro de 1865 - foi encontrado no Setor dos Documentos Raros da Biblioteca da Universidade Federal de Santa Catarina. 
Documento encontrado no Setor de Documentos Raros da Universidade  Federal de Santa Catarina. Observamos que muitos dos nomes dos imigrantes alemães, foram "abrasileirados" - como: Emílio / Emil; Carlos / Karl ; Rodolfo / Rodolph; Ernesto / Ernest; Guilherme/ Willheim; Henrique/Heinrich; Miguel/Michael; Augusto/August.
Lista dos Voluntários da Pátria da Colônia Blumenau

O mais velho da lista dos Voluntários da Pátria e Blumenau inscrito tinha 47 anos e o mais novo - 18 anos.
1.       Emílio Odebrecht  (Emil) - 28 anos – Militar Oficial;
2.       Francisco Ewald – 20 anos;
3.       Luiz Hoffmann – 28 anos - Militar;
4.       Günther Tranche – 30 anos;
5.       Eugen Kurz – 38 anos;
6.       Guilherme Mohr – 21 anos;
7.       Hermann Echelberg - 20 anos;
8.       Henrique Kriegel – 19 anos;
9.       Conrad Kriegel – 18 anos;
10.   Fernando Schuhmacher – 28 anos - Militar;
11.   Elias Müller – 29 anos;
12.   Christiano Müller – 25 anos;
13.   Henrique Lucas  - 23anos;
14.   Miguel Kiegel – 32 anos;
15.   Wendelin Kraemer – 45 anos - Militar;
16.   Ernesto Richter – 18 anos;
17.   Carlos Siebert  - 18 anos;
18.   Otto Lobedan – 40 anos - Militar;
19.   Rodolf Wagner – 27 anos;
20.   Jacob Jasper – 26 anos;
21.    Carlos Baucke – 22 anos;
22.   Chistiano Lucas – 25 anos;
23.   Oscar Kluger – 33 anos;
24.   Christ Frederico Krüger – 40 anos;
25.   Augusto Persch – 27 anos;
26.   Guilherme Hafenstein – 20  anos;
27.   Fred. Guilherme Grofs – 34 anos  - militar;
28.   Julio Hartmann – 21 anos;
29.   João Fred Hafenstein – 47 anos;
30.   Gottlieb Gnewuch – 27 anos;
31.   Fred Guilherme Krieger - 24 anos;

Sr. Hermann Wendeburg
Colônia Blumenau, 19 de Setembro de 1865.
H. Wedenburg
Diretor interino.
29 - Em 3 de agosto de 1863 foi fundada a Sociedade de Cantos da Colônia de Blumenau ("Gesangverein der Kolonie Blumenau") que contando com 27 sócios ativos, tinha como seu primeiro presidente Karl Wilhelm Friedenreich, como secretário Victor Gaertner e como dirigente-musical o Pastor Oswald Hesse e que a mesma sociedade, por deliberação dos sócios, em 10 de agosto de 1865, passou a denominar-se "Germania".

(Excertos do I Tomo de "Blumenau em Cadernos") - Frederico Kilian
Fonte: Revista Blumenau em Cadernos Tomo XXI - nº 4 , abril de 1980
Um Registro Para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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Referências
  1. Arquivo de Blumenau. Disponível em: http://arquivodeblumenau.com.br/wp-content/uploads/2017/03/1d.pdf . Acesso em 5 de dezembro de 2022 - 22:45h.
  2. BESEN, José Artulino. Padre José Maria Jacobs. Apóstolo de Blumenau. Disponível em: https://pebesen.wordpress.com/padres-da-igreja-catolica-em-santa-catarina/padre-jose-maria-jakobs/. Acesso em: 3 de fevereiro de 2024 - 5h55.
  3. CENTENÁRIO de Blumenau. 1850 – 2 de Setembro – 1950. Blumenau: [s.n.], 1950. – 1v.(varias paginações).il. Edição Comissão de festejos.
  4. COLÉGIO SANTO ANTÔNIO. 75° Aniversário da Fundação - Dados Históricos. Tipografia e Livraria Blumenauense. Blumenau, 1952.
  5. DEEKE, José. O município de Blumenau e a história de seu desenvolvimento. Blumenau: Nova Letra, 1995. 
  6. DESCHAMPS, Mariana Luiza de Oliveira. Na Trilha das estradas a Vida Cotidiana e o Trabalho na Colônia Blumenau (1850-1880). Dissertação de mestrado submetida ao Programa de Pós-Graduação em História do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina para a obtenção do Grau de Mestre em História Cultural. Orientador: Prof. Dr. Paulo Pinheiro Machado.  Florianópolis, 2015.
  7. DIEGOLI, Rogéria Rebello. Sob os olhos da Lei: As Regras da Nacionalização do Ensino no Colégio Santo Antônio  (Blumenau-SC). ANPUH – XXIII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – Londrina, 2005. Disponível em: https://anpuh.org.br/uploads/anais-simposios/pdf/2019- 01/1548206573_ff4fa7f99a8cb6e9a96d4d805cf66832.pdf. Acesso em: 30 de dezembro de 2023 - 22h03.
  8. FERRAZ, Paulo Malta. Pequena história da colonização de Blumenau 1850-1883. Parte IV. Revista Blumenau em cadernos, Blumenau, Tomo XVII, n. 6, p.233-249, jun.1976. 
  9. Figuras do passado: Henrique Krohberger. Revista Blumenau em cadernos, Blumenau, Tomo I, n. 1, p. 11, Novembro. 1957. 
  10. FURLAN, Frei Oswaldo. Colégio Santo Antônio de Blumenau, 95 anos de educação. Blumenau em Cadernos. Tomo XIII. Dezembro de 1972 - N° 12. Páginas 228 - 238. Fundação Cultural de Blumenau. Blumenau, 1972.
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  12. GERLACH, Gilberto Schmidt. Colônia Blumenau no Sul do Brasil / Gilberto Schmidt-Gerlach, Bruno Kilian Kadletz, Marcondes Marchetti, pesquisa; Gilberto Schmidt-Gerlach, organização; tradução Pedro Jungmann. – São José: Clube de Cinema Nossa Senhora do Desterro, 2019. 2 t. (400 p.): il., retrs.
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  14. KORMANN, Edith. Blumenau: arte, cultura e as histórias de sua gente (1850-1985). vols.1 e 2. Florianópolis: Paralelo 27, 1994
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  20. KONDER. Marcos. A propósito do Primeiro Centenário da Colonização Alemã em Santa Catarina. Pronunciamento do Deputado Marcos Konder no Festival realizado no Teatro Municipal de Florianópolis, 16 de novembro de 1929.
  21. KONDER, Victor. Geschichtlicher Ueberblick de Antoniuskollegs - Mitarbeit. História da Fundação e desenvolvimento do Collegio Santo Antônio.
  22. KONDER,  Marcos. O Collegio Sto. Antonio (Reminiscencias) Conferencia lida por occasião do jubileu de ouro do Collegio Santo Antonio, de Blumenau, no dia 15 de Agosto de 1927. Typ Carl Wahle - Blumenau.30p.
  23. MEMÓRIA DIGITAL: Colégio Santo Antônio - A história do educandário começou em 1877 por iniciativa do Padre José Maria Jacobs. Fundação Cultural de Blumenau / Arquivo Histórico José Ferreira da Silva / História Concreta – O Resgate do Patrimônio Cultural Edificado de Blumenau. Prefeitura de Blumenau. Secretaria Municipal de Planejamento Urbano. postada em 19/07/2018 15:23. Disponível em: https://www.blumenau.sc.gov.br/secretarias/fundacao-cultural/fcblu/memaoria-digital-colaegio-santo-antaonio19. Acesso em 30 de dezembro de 2023 - 21h44.
  24. NICOCELI, Vanessa. Hermann Blumenau: Uma Experiência de Colonização em Santa Catarina (1846-1884). Curitiba, 2014. 205 f.Orientadora: Prof.ª Dr.ª Joseli Maria Nunes Mendonça. Dissertação (Mestrado em História) – Setor de Ciências Humanas da Universidade Federal do Paraná.
  25. RODRIGUES, Fabiano Batista. Memórias de Práticas Educativas no Colégio Santo Antônio (Blumenau-SC). Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Mestrando em Educação, apoio CAPES.
  26. SANCEVERINO, Doris Therezinha; SILVA, Zaura Terezinha; GARCIA, Maria Terezinha. Colégio Santo Antônio. Disciplina: Orientação Educacional. Orientação: Irmã Justina. Faculdade de Filosofia e Letras do Vale do Itajaí - Itajaí SC, 1972.
  27. SANTIAGO, Nelson Marcelo; PETRY, Sueli Maria Vanzuita; FERREIRA, Cristina. ACIB: 100 anos construindo Blumenau. Florianópolis: Expressão, 2001. 205 p, il.
  28. SILVA, Fernando Henrique Becker. Zur Friedenspalme. FC Becker e Silva – história, literatura, cultura, processo civil e novos conceitos…. 3 de fevereiro de 2010. Disponível em: http://efeagah.blogspot.com/2010/02/zur-friedenspalme.html . Acesso em 02 de fevereiro de 2022 – 2:25h.
  29. SILVA, Fernando Henrique Becker.  Friedenspalme: a primeira loja Maçônica do Vale do Itajaí. Blumenau: Vale das Letras, 2005. – 82 p. :il.
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  32. Suplemento JSC - Especial. O Secular Colégio. Colégio Santo Antônio pelo seu Século de Constante Cultura. Blumenau, 17 de janeiro de 1977.
  33. WETTSTEIN, Phil. Brasilien und die Deutsch-brasilieniche Kolonie Blumenau. Leipzig, Verlag von Friedrich Engelmann, 1907.
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  36. WITTMANN, Angelina. Fritz e Hermann – Dois Personagens da História de Santa Catarina – Com atualizações. 18 de junho de 2016. Disponível em:https://angelinawittmann.blogspot.com/2016/06/fritz-e-hermann-dois-personagens-da.html. Acesso em: 22 de junho de 2022 – 00:15h.
  37. WITTMANN, Angelina. Heinrich Albert Friedrich Gustav Stutzer – Rápida passagem na Colônia Blumenau – Trabalho Social na Alemanha. 8 de fevereiro de 2019. Disponível em:https://angelinawittmann.blogspot.com/2019/02/heinrich-albert-friedrich-gustav.html . Acesso em: 22 de junho de 2022 – 18:34h.
  38. WITTMANN, Angelina. Hermann Bruno Otto Blumenau – Primeiro Negociante de Terras no Vale do Itajaí. Rio Sul – RIO DO SUL – TOMO XXI N. 5/6 Novembro/Dezembro de 2019. Páginas: 32-69.
  39. WITTMANN, Angelina. Hermann Bruno Otto Blumenau – De 1819 até 1846 – Sua carta. 9 de janeiro de 2014. Disponível em: https://angelinawittmann.blogspot.com/2014/01/dr-blumenau-de-1819-ate-1846-sua-carta.html. Acesso em: 22 de junho de 2022 – 10:15h.
  40. VIDOR, Vilmar. Indústria e urbanização no nordeste de Santa Catarina. Blumenau: Ed. da FURB, 1995. 248p, il.














segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Friedrich Wilhelm August Müller e seu Diário - August Müller - irmão de Fritz Müller - Por Frederico Kilian

Stadtplaz  da Colônia Blumenau, com destaque para o galpão do imigrante, cujo material, após sua demolição foi utilizado na Casa São José, idealizada pelo padre Jacobs. O migrante e pioneiro Friedrich Wilhelm August Müller, irmão do Dr.Johann Friedrich Theodor Müller, Fritz Müller. Fonte: BINDER, 1950 e parte do acervo de Bruno Kadletz.


Região junto à foz do Ribeirão Garcia. Fonte: BINDER, 1950.
Durante nossas pesquisas históricas na região conseguimos compreender a existência dos dois irmãos: Hermann Müller e August Müller, ambos mais novos, de Dr. Johann Friedrich Theodor Müller,  conhecido Fritz Müller. 
Encontramos uma publicação que transcreve partes do diário do irmão de Fritz Müller, que migrou junto com ele para a Colônia Blumenau, na segunda metade do século XIX, Friedrich Wilhelm August Müller - ou somente August Müller, como era conhecido.
Primeira centralidade de Blumenau em  1859. Fonte: GERLACH, 2019 e Google Earth.









Friedrich Wilhelm August Müller
ou, August Müller,
nasceu em 24 de novembro de 1826, em Windischholzhausen, Erfurt, Thüringen, território da atual Alemanha, e faleceu em Blumenau, em 21 de maio de 1904. 
Ele e sua esposa Friedrike Christiane Marthilde Hofmann (1831-1917) vieram para o Brasil junto com o irmão mais velho, conforme mencionado. Chegaram na recém fundada Colônia Blumenau, no Vale do Itajaí, 2 anos após a sua fundação, em 1852. Teria muito a contar. Deixou alguns registros em um pequeno caderno, com anotações diárias - um diário. Antes de apresentar alguns trechos desse diário, vamos relembrar um pouco de seus feitos em sua comunidade brasileira.

Região em que nasceram os Müller. Fonte: Google Earth.
Local onde nasceu August Müller.
Colonos que viviam na colônias da Colônia Blumenau, com ou sem
 estudo. Fonte: Arquivo Público Histórico de Rio do Sul.
August Müller trabalhou com a enxada e com o machado, apesar de seus estudos e formação no território que seria a futura Alemanha, onde estudou teologia. Lá também, trabalhou na agricultura. Migrando para a Colônia Blumenau, junto com o irmão mais velho, integrou uma das famílias que adquiriu os primeiros lotes coloniais vendidos por Hermann Blumenau, no Garcia. Isto reforça a ideia de que todos que chegaram à Colônia Blumenau - com estudo ou não - de fato eram colonos, pois tinham que criar seus animais e trabalhar em sua lavoura - na colônia. Observar o conteúdo de parte do diário de Müller, também.
Mapa Colônia Blumenau em 1864, com o local marcado dos lotes 1 e 2 vendidos aos irmãos Müller.
Localização aproximada, dos lotes coloniais 1 e 2, pertencentes aos irmãos Müller, os primeiros a serem comercializados por Hermann Blumenau na Colônia Blumenau. Isso foi possível, estudando-se o mapa da Colônia Blumenau - Ano 1865.
Junto com Louis Sachtlebem, fundou a cooperativa de consumo, dissolvida posteriormente porque não atendia mais ao objetivo para o qual a qual foi fundada. 
Junto com Louis Sachtlebem, fundou a cooperativa de consumo, dissolvida posteriormente porque não mais atendia o objetivo para o qual fora fundada.
Fotografia de 2013 - Casarão de Louis Sachtleben - amigo de August Müller.
August Müller foi cofundador do Kulturverein - Sociedade da Cultura e também da Companhia de Navegação Fluvial S.A. Durante mais de 25 anos foi professor da escola particular, em Salto Weissbach - junto à Igreja - até que se aposentou, devido a sua avançada idade.
Igreja luterana de Salto Weissbach - em 1992.
Localização da Igreja Luterana. Fonte: Google Earth.
Müller também foi tradutor de
Leis brasileiras para o idioma alemão, para que os imigrantes alemães pudessem se inteirar de seu conteúdo, como por exemplo: Constituição do Brasil, o Código penal e o Código civil.
Quem traduziu e destacou as importantes passagens do diário de August Müller foi o pesquisador e tradutor - Frederico  Emílio Kilian, cujo trabalho foi publicado na Revista Blumenau em Cadernos - Ano de 1976. O objetivo de Kilian foi de deixar informações históricas importantes da região, a partir do recorte de um determinado período - primeiras décadas de fundação da Colônias Blumenau - pela ótica de uma figura ilustre e possuidora de uma determinada formação e consciência - August Müller.
Frederico Kilian, o mentor desse material histórico, foi casado com a neta de Friedrich Wilhelm August Müller, Gertrud Müller (1895-1980).
Fonte: Family Search.


Sentados à direita, avô do noivo - Otto Stutzer, Ex prefeito de Blumenau e a direita, avó Therese (Bichels) Stutzer. Estes eram pais de  Adele Stutzer (1866-1944) que se casou com Fritz Müller (Filho de August Müller)em 1886. Estes eram os pais da esposa de Frederico Kilian, Gertrud Müller que se casaram por volta de 1920. Fonte: pesquisa on-line Pioneiros, Arquivo Histórico de Blumenau.






Otto Stutzer, ex- Prefeito de Blumenau Mandato
16 de abril de 1895 até novembro de 1898.
Frederico Kilian traduziu trechos e apontou o data precisa de fatos históricos ocorridos na segunda metade do século XIX - Colônia Blumenau.
"O diário do August estava sob a guarda da sua neta, Emma Probst (1908 - 1977), filha de Rosa Müller (1873-1942), filha mais nova de August e Frederike) casada com Wilhelm Probst 1869-1948). Emma Probst Fey e August Theodor Fey, seu marido, gerente das Lojas Paul em Altona/Itoupava Seca moravam em casa e terras adquiridas de Luiz Boetger. (É a casa que aparece na foto de 1932, e que está atrás do avião do Aerolloyd Iguaçu no aeroporto da cel Feddersen).Frederico Kilian fez uma cópia e traduziu os tópicos relativos aos acontecimentos do município. Os outros escritos são de interesse familiar. Esta cópia guardo comigo. (já devidamente escaneada e repassada para o AHJFS e IHB). Do original não tenho notícias."
Bruno Kadletz

Partes do Diário de  August Müller.
Prelúdio da Grande enchente de 1880.
Stadtplatz de Blumenau na década de 1860. Fonte: BINDER, 1950.
25 de julho de 1877

Fortes trovoadas, a noite inteira, relâmpagos, trovões e chuvas torrenciais, até a noitinha do dia 26.

29 e 30 de julho de 1877
Continuam fortes chuvas com trovoadas, que continuam até 2 de agosto, inclusive, Enchente - O engenheiro Corcoroca, genro do Sr. Wendeburg morreu afogado na noite de 31 de julho quando pretendia, vindo de cima, passar a cavalo pelas águas nas proximidades de Hermann Rüedger. Dia 8 de agosto, novas trovoadas e chuvas, de forma que a ponte do Garcia estava novamente embaixo d'água. (Nota do tradutor - Trata-se da ponte de madeira, que ficava em nível inferior à atual.)
Centralidade da Colônia Blumenau em 1869.
28 de agosto de 1877
Desfile semelhante - Este em 1912.
Jubileu de Prata (25 anos) da Colônia Blumenau:
De manhã: toque de alvorada por uma bandinha: congratulações do Juiz de Paz e sub-delegado; uma delegação do Kulturverein entrega um memorial, no qual é ressaltado o desenvolvimento da colônia e um álbum, com fotografias (Vista total do centro colonial (Stadtplatz), edifícios públicos, casa de Hermann Blumenau. A tarde: Desfile das sociedades pelo centro da cidade. Fotografias, canções, banquete. A noite, bailes e teatro.
Irmão Fritz voltou de Dona Francisca e estava aborrecido por causa do tempo chuvoso.

8 de setembro de 1877
Alguns colonos se negaram a pagar os emolumentos para o registro das crianças - Prisão e Processo, mais de 100 mil réis de despesas. Dia 10 de setembro cerca de 40 Pomeranos do Rio do Testo chegaram devido este assunto; foram apaziguados por L. Sachtleben, - dia seguinte cerca de 60 colonos do Alto Rio do Testo vieram por causa de questões de caminho - 6 dias de trabalho por ano a realizar no caminho - novamente acalmados.
Rio do Testo - Atual Pomerode.
23 de setembro de 1877
Inauguração da igreja Evangélica. - tempo horrível; rio bem alto.
Igreja do Espírito Santo por volta de 1900, está localizada no final do Boulevar Hermann  Wenderburg - Rua das Palmeiras - Palmenallee. Fonte: Pedro Corrêa do Lago. Custódia: Instituto Moreira Salles.


26 de setembro de 1877
No Rio Morto um brasileiro, Marcelino, de 22 anos assassinou sua mulher de 20 anos, por ciúmes, com um tiro atrás da orelha - foi preso pela polícia.

14 de dezembro de 1877
Bugres assaltaram a casa de Zotz, em Encano.
Fonte: www.inf.furb.br.
31 de dezembro de 1877
Apresentação da peça "Preciosa" no teatro  (esposa  e filha Luiza de August Müller foram a cavalo de Salto Weissbach onde moravam, à sede para assistirem a apresentação).

Comentário
Entre os primeiros colonos alemães vindos com Hermann Blumenau, já formavam-se, aos domingos, pequenos grupos dedicados à arte dramática e ao canto como expressão cultural de seu país de origem. Estas reuniões, que também incluíam o esporte (como o tiro-ao-alvo), resultaram na organização da primeira sociedade recreativa da colônia. Em 21 de dezembro de 1859 criou-se a Sociedade dos Atiradores de Blumenau, com 47 sócios. 
Mais tarde os grupos de teatro e canto se desmembraram desta Sociedade para formar a Sociedade Teatral de Blumenau e a Sociedade dos Cantores da Colônia de Blumenau. Ambas, porém, continuaram funcionando anexas à Sociedade dos Atiradores que, nas instalações de sua sede construiu, em 1870, um prédio dotado com palco para as encenações e apresentações musicais. A Sociedade Teatral de Blumenau foi instituída em 24 de junho de 1860 e só passou a configurar-se como sociedade em 18 de abril de 1895, quando adotou o nome de Sociedade Teatral Froshsinn. Lembramos também que havia apresentações de teatro na Casa São José e na Associação Gymnastica Blumenau - Turnverein Blumenau - o Ginástico.
Casa São José - Blumenau. Rua XV de Novembro, na Altura do Castelinho da antiga Moellmann. fonte: GERLACH, 2019.

Palco da Associação Gymnastica Blumenau - Turnverein Blumenau - o Ginástico. 
24  de fevereiro de 1878
Os bugres assaltaram o distrito dos italianos e mataram um homem, uma mulher e uma moça.

14 de  junho de 1878
O Presidente da Província visita a Colônia - fala alemão - Apresentação de "Preciosa" no Teatro.

12 de Outubro de 1878
Vento terral muito forte. Em alguns locais, frios, geadas. Em Setembro 1878 - nevou no Salto Pilão.

17 de outubro de 1878
Fui buscar uma máquina de cortar rações na Garcia.
O preço de fábrica da máquina importou em Rs 62$400, frete e despesas de Rs $ 69$400, somando um valor de Rs 131$800.

3 de novembro de 1878
Assembleia dos acionistas da Companhia de Navegação a Vapor. Roloff encarrega-se de fornecer, por 20 contos de réis, um vapor de estrutura de ferro até Itajaí e de pô-lo em movimento.

23 de março de 1879
Um terreno na sede, em frente a farmácia, foi arrematado, em hasta pública pelo Sr. **Grewsmuehl, pelo preço de Rs 1:655$000.

** Hermann Nicolaus Heinrich Grewsmühl (1848-1899), casado, 2 de outubro de 1874,  com Agne Bichels (1849-1878) e depois, em 8 de julho de 1886, com Elisabeth Holler (1854-1937).
28 de setembro de 1879
Um tigre atacou um italiano em seu rancho; a caminho para Garcia o colono morreu.

13 de novembro de 1879
Numa picada nova, na Itoupava, um tigre atacou um inglês que dormia em sua casa de palmitos, através da parede de palmitos e procurando arrancá-lo para fora, que o colono morreu no dia seguinte em consequência dos ferimentos recebidos. Depois o tigre matou um cavalo e carregou-o cerca de 50 braças até uma cerca onde largou. Ferido por um tiro de arma de disparo automático, o tigre foi perseguido por caçadores e cães e morto. Sem a cauda, ele mediu 13  1/2 palmos (3 metros).
Será que é por isso que existe o Ribeirão do Tigre em Blumenau?

13 de dezembro de 1879
Um filho do Sr. Schroeder entra em briga com um italiano e o apunhala.

23 de janeiro de 1880
Um tigre mata e leva um porco do colono Withoeft. Reinhold Kaestner (1864–1941) e Hians Withoeft vão a seu encalço no mato, com cães. O tigre mata ambos os cães; o porco foi encontrado no Morro dos Coqueiros e armaram uma espingarda de disparo automático. Dia seguinte Wilh. Weise, A. Bradatz e Robert Hinsching (1851-1941) foram averiguar. Robert Hinsching sofre a perda de seu cachorro e a espingarda falha novamente. **Cristiano Spernau arma então 4 espingardas. O tigre não apareceu mais.

**Christian Heinrich Conrad Spernau- nascido em 1828, em Saale, Kreis Schönebeck, Sachsen-Anhalt, atual Alemanha.
Família do imigrante alemão Christian Heinrich Conrad Spernau.
27, 28, 29 de janeiro de 1880
Forte revoadas com chuvas. A lagoa está cheia. A Colônia está prestes a ser emancipada.

Meados de fevereiro
O tigre busca porcos e galinhas em vários lugares em Baixo Encano; também no Paupitz cerca de 20 galinhas de cima de algumas árvores de laranjas. São armadas espingardas e armadilhas. o tigre é ferido por um tiro automático e perde muito sangue, mas não foi encontrado. Roubos de galinhas no R. Roedel e M. Mark.

1880 - Relato sobre a enchente. (Ocorrências em Salto Weissbach e Blumenau)
Depois de ter chovido constantemente nos dias 20 e 21 de setembro, a chuva intensificou-se no dia 22 de setembro, de forma que foi necessário abrir uma comporta do dique da represa do moinho (no lote de August Müller, em Salto Weissbach - Nota do Tradutor). A tarde choveu mais forte. Pelas 9 1/2 horas da noite abrir a segunda comporta. As 11 1/2, o  Sr. Weise pediu socorro, para ajudar a levantar o seu açúcar, visto que a água já penetrava na varanda. quando eu fui então ao moinho, a água já transbordava pelo dique e já havia atingido os caixões de farinha dentro do moinho. Nós colocamos os barris de fubá e o milho em posição mais alta e recolhemos as ferramentas. Chovia a cântaros e as águas subiam tão de pressa que fomos obrigados de retirar as galinhas e porcos do estábulo e galinheiro. Pelas 3 horas a água abaixou um pouco, já que o vão debaixo da ponte dava vasão, mas pela manhã subiu novamente.

23 de setembro de 1880
As águas atingiram a estrebaria das vacas e as colmeias das abelhas, debaixo das laranjeiras ficaram na água.  Nós buscamos as mesmas, transportando-as numa porta velha, na qual havíamos amarrado um cipó. Depois do lanche fomos buscar Cana ubá do terreno da escola, tendo que passar na água  até acima dos joelhos, estando águas já até ao portão no nosso jardim. - Johannes (filho de August Müller) está ajudando a Lange a elevar o sal, pois as águas já atingiram a soleira da porta. Quase que ininterruptos aguaceiros. Pelo meio dia as águas pararam de subir e baixam lentamente - novos aguaceiros e as águas retornam a subir.

24 de setembro de 1880
As águas baixam lentamente, porém continua chover quase sem cessar.. À tarde levamos o gado outra vez ao pasto. As águas baixam muito devagar. Aos pouco chegam notícias sobre o nível das águas e os estragos na sede ( Stadtplatz).
Fotografia de Bernhard Scheidemantel - Stadtplatz da Colônia Blumenau após enchente de 1880.
25 de setembro de 1880
H. Lange e Alberto Stutzer enfrentam os obstáculos para chegarem à sede. A totalidade da sede está debaixo d'água que atinge o balcão (sacada) da Casa da Direção (Atual Prédio da Prefeitura). Os moradores da cidade se refugiaram, com auxílio do vapor, nas igrejas católica e evangélica. as casas de Carl Rudger e Ludwig Weise tombaram. As de Grewsmuehl e Rabe, como as de Assenburg, ameaça, ruir. Do Peneder e sapateiro Grasser várias cabeças de gado, cavalos e porcos morreram afogados. Todas as casas, com exceção das de Alfredo Beims, Hosang e Baucke também de Grassmann estão debaixo d'água. A olaria de Bugmann está demolida. - Limpeza do moinho.
Registro após a enchente 1880 - Do Acervo da Família Odebrecht, encontro com familiares na Alemanha.
26 de setembro de 1880
Visita a Lange: Notícias do Rio do Testo: O moinho de Fritz Karsten foi levado pelas águas; os animais do capataz Hoffmann (cca. 11 a 12 cabeças) morreram afogados; 18 pessoas morreram afogadas entre elas o jovem da família Grützfeld, composta de 6 pessoas, no Vale do Selke, soterrados dentro de casa, por desabamento de terras.

26 de setembro de 1880
Salinger teve que se refugiar para o morro. A casa de Waldow foi levantada e deslocada; a serraria de Rowller foi levada pelas águas, com todas as tábuas; da mesma forma a de Friede Kögler. Franz Klein perdeu todos os seus animais e mal pode salvar sua vida. Johannes, Johann e Carl Krieck quiseram ir até à sede mas conseguiram chegar somente até Hermann Ruediger, cuja casa está repleta de refugiados. Estes H. Ruediger conseguiu salvar com auxílio de uma balsa feita às pressas de tábuas.

27 de setembro de 1880
Limpeza do moinho e instalações. Reabertura das aulas com 6 alunos (Nota do tradutor. - August Müller, exerceu o cargo de professor Salto Weissbach durante mais de 25 anos) - Johann e Gustav (filhos de August Müller) ajudam a reparam o caminho para o Salto, da mesma forma os colonos dos Fundos - Gustav Krieck e Jahn. Essig - Schulze (o vinagreiro) cai de bateira e é levado pelas águas até Badenfurt, onde foi salvo. Notícias de cima: As pontes sobre os ribeirões Warnow, Ilse, etc foram todas arrastadas. No morro da Subida o caminho desbarrancou até as pedras nuas.

17 de outubro de 1880
Johann Friedrich Hennings e Luise (genro e filha de August Müller) festejam seu casamento.

11 de novembro de 1880
Hermann (filho de August Müller) parte para a província de São Paulo.

13 de janeiro de 1881
Hermann Wendeburg falece inesperadamente de ataque cardíaco. Solene enterro.

1883 - Falência de Meyer & Spirling. Sessão do Júri na Câmara Municipal. o " Immigrant". - Festa de aniversário da fundação do "Liederkranz".

Oficialmente há um grupo de canto que foi fundado em 1909. Curiosa informação se já havia um grupo Liederkranz antes desta data.
Stadtplatz de Blumenau - Palmenallee.
24 de março de 1894
Minha cunhada (esposa do Dr. Fritz  Müller) falece após 4 meses de acamada de um mal intestinal no dia de seu 68° aniversário.

25 de março de 1894
(Domingo de Páscoa) Enterro de minha cunhada.

21 de maio de 1897
Ás 3 horas da tarde falece meu irmão Fritz. 

22 de maio de 1897
À 4 horas da tarde, enterro: Paulo Schwartzer discursou ao túmulo.

Dr. Johann Friedrich Theodor Müller faleceu aos 75 anos - em 1897, na cidade que escolhera para morar com sua família -  Blumenau. 
No seu leito de morte, Dr. Fritz Müller contou com o apoio de seu amigo, o advogado Paulo Schwartzer, a mesma pessoa que adquiriu a casa de Hermann Wendeburg, avô de Renate Louise Rohkohl, sogro de Johann Otto Rohkohl. Renate doou a casa de sua família à municipalidade de Blumenau, atualmente faz parte parte do Complexo do Museu da Família Colonial - Fundação Cultural de Blumenau, localizada na Rua das Palmeiras. O avô de Renate foi grande amigo de Dr. Fritz Müller, que viveu seus últimos quatro anos de vida, viúvo. Dr. Müller costumava trocar plantas com Schwartzer, que também o auxiliava na coleta de exemplares para suas pesquisas. Foi Paulo Schwartzer quem discursou à beira da sepultura de Dr. Fritz Müller. Quando Dr. Fritz Müller, se encontrava há vários dias acamado e muito doente, solicitou  que chamassem o amigo e pediu a ele, que proferisse algumas palavras na ocasião de seu sepultamento, pois, fazia questão de que o pastor protestante não estivesse presente e rezasse na sua sepultura. Dr. Johann Friedrich Theodor Müller está sepultado, junto a outros membros de sua família, no Cemitério Luterano do Centro, onde vem recebendo Homenagens, na atualidade.
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Aqui terminou o caderninho, no qual se achavam estes apontamentos e outros meramente de interesse pessoal ou familiar.
Colaboração de Frederico Kilian, neto, por afinidade de August Müller.


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Um registro para a História.

Sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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Referências
  • BINDER, Frei João Capistrano. Centenário de Blumenau - 1850 2 de setembro 1950. Edição da Comissão de Festejos 100 Anos, 1950. Tipografia e Livraria Blumenauense S.A. Blumenau - Santa Catarina.
  • BRASILIANA FOTOGRÁFICA. Instituto Moreira Salles. Álbum de Blumenau – Vista Parcial da Cidade – Acervo Pedro Corrêa do Lago. Disponível em: <http://brasilianafotografica. bn.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2621> Acesso em: 30 de setembro de 2019 – 21:27h.
  • CAVALCANTI, Carlos. História das Artes: curso elementar. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
  • GERLACH, Gilberto S.; KADLETZ, Bruno K.; MARCHETTI, Marcondes. Colônia Blumenau no Sul do Brasil. 1. ed. São José: Clube de cinema Nossa Senhora do Desterro, 2019.
  • IPatrimônio. Blumenau – Igreja Luterana do Espírito Santo. Disponível em: http://www.ipatrimonio.org/blumenau-igreja-luterana-do-espirito-santo/#!/map=38329&loc=-26.920223648376602,-49.04817223548889,14 Acesso: 27 de setembro de 2022 – 22h32h.
  • KILIAN, Frederico. Subsídios à Crônica da Colônia de Blumenau. Revista Blumenau em Cadernos. Tomo XVII. Abril de 1976. Nº 4. Blumenau.
  • WETTSTEIN, Phil. Brasilien und die Deutsch-brasilieniche Kolonie Blumenau. Leipzig: Verlag von Friedrich Engelmann, 1907.
  • WITTMANN, Angelina. C.R.: Fachwerk – A técnica Construtiva Enxaimel. – 1.ed. – Blumenau, SC: AmoLer, 2019. – 405 p.: il.