terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A relação da história da WEG com a mais recente casa enxaimel restaurada em Jaraguá do Sul: um exemplo no que tange à preservação do Patrimônio

Acompanhamos muito de perto as várias iniciativas efetuadas em Jaraguá do Sul no que tange ao patrimônio e à própria paisagem da cidade — seja ela formada pela parte construída, pelos caminhos ou pelo ambiente natural.
Mais uma vez, registramos o momento de entrega de uma legítima edificação na técnica enxaimel restaurada, a convite da empresa responsável pelos trabalhos, em 20 de fevereiro de 2026. Foi com satisfação que conhecemos a responsável pela iniciativa, Miriam Voigt Schwartz (esposa de Sérgio Luiz Silva Schwartz). Miriam é filha de Werner Ricardo Voigt — personalidade que fez história em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina e no Brasil, nascido em Schroeder e descendente de pioneiros alemães que migraram para a Colônia Blumenau na década de 1860.
A casa enxaimel entregue na data mencionada pertenceu à família Mielke/Schlupp, família de Wally Ella (Schlupp) Voigt, mãe de Miriam.
Werner Ricardo Voigt - foi um dos três fundadores da empresa WEG, Jaraguá do Sul. A casa enxaimel era da família de sua esposa, Wally Ella.
Werner Ricardo Voigt — esposo de Wally, cuja família construiu a casa enxaimel — foi um dos três fundadores da WEG, em 16 de setembro de 1961. Ao lado de Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus, cujas iniciais compõem o nome da empresa, Werner deu início a uma pequena fábrica de motores elétricos. Focada em qualidade e inovação, a WEG tornou-se uma multinacional brasileira líder em bens de capital, motores, tintas e energia. Conhecemos a empresa ainda na década de 1980, em uma visita de estudos da ETF/SC, quando cursávamos Eletrotécnica — um dos fatores históricos que nos trouxeram para a região, no início da década de 1980.
Werner Ricardo Voigt, nasceu em Schroeder em 8 de setembro de 1930. Na época Schroeder pertencia a Guaramirim, Distrito de Joinville, criado em 1919. Em 1948 foi  criado o município de Massaranduba que continha os distritos de Massaranduba e Guaramirim, sendo o primeiro sua sede. Pelo descontentamento de seus habitantes em 18 de julho de 1949 mudou o nome do município e transferiu sua sede para Guaramirim. Atualmente Guaramirim e Massaranduba são municípios distintos. 
Dentro da sociedade da empresa WEG, a área de responsabilidade de Werner Ricardo Voigt foi a parte elétrica. Desde menino, apreciava manipular a parte técnica da eletricidade. Werner também nutria um grande prazer pela leitura, influência de seu avô materno, Leo João Schulz — construtor e professor que recebia inúmeros livros e revistas técnicas da Alemanha. Esse material atendeu à curiosidade didática de Werner desde a infância, contribuindo decisivamente para sua formação.
Werner é filho de Ricardo Voigt (1902–1973) e de Alma Schulz (1906–1988). Seu pai era neto dos pioneiros Carl Ludwig Ferdinand Voigt (1829–?) e de Caroline (Wilhelmine Nitz) Voigt (1832–?), vindos da Prússia, região que integra o atual norte da Alemanha
A família imigrou para o Brasil em 10 de abril de 1869, partindo do porto de Hamburg no veleiro Humboldt, sob o comando do capitão Plump. Na ocasião, o casal já tinha ao menos seis filhos nascidos na Alemanha, entre eles o antepassado de Miriam Voigt Schwartz.
O casal já tinha ao menos seis filhos quando chegou à região. O avô (Opa) de Werner Ricardo Voigt, Johann Carl Wilhelm Voigt (1860–1942), tinha apenas dois anos de idade na ocasião. Ele casou-se com Emilie Caroline Albertine (1861–1931), da família Fritzke, em Blumenau, no dia 16 de dezembro de 1884. Tiveram nove filhos. O sétimo filho, Ricardo Voigt — pai de Werner —, nasceu em 15 de maio de 1902, em Itajaí, tendo sido registrado em 26 de outubro de 1903. Curiosamente, seu registro de nascimento documenta o sobrenome da família como "Vogt".
Na adolescência, Werner Ricardo mudou-se para Joinville para estudar no SENAI, onde também trabalhou na oficina de Werner José Strohmeyer (1915–1995). Aos 18 anos, serviu ao Exército em Curitiba/PR; após o serviço militar, foi selecionado para frequentar a Escola Técnica Federal do Paraná, onde cursou Radiotelegrafia e Eletrônica.
Em setembro de 1953, Werner instalou sua própria oficina em Jaraguá do Sul. O estabelecimento prestava serviços gerais e dedicava-se quase exclusivamente à manutenção de veículos motorizados de Jaraguá do Sul e região.
Entre uma atividade e outra na oficina, Werner Ricardo idealizou o protótipo de um motor que viria a ser o projeto pioneiro da WEG, empresa que ajudaria a fundar em 1961.
Entretanto, antes disso, em 1956, Werner demonstrou sua versatilidade ao tornar-se um dos fundadores da SCAR (Sociedade Cultura Artística). Ele também integrou a primeira orquestra que deu origem à instituição, na qual tocava clarinete.
Em 2008, fundou em sua cidade natal, Schroeder, o Centro de Ensino Técnico e Educacional Werner Ricardo Voigt. Com essa iniciativa, ele retribuiu, de certa forma, as oportunidades que soube aproveitar ao longo de sua vida, sempre ao lado de sua família.
Centro de Ensino Técnico e Educacional Werner Ricardo Voigt - Schroeder SC.

Localização da escola fundada por Werner Ricardo em Schroeder e também a casa enxaimel restaurada por iniciativa de sua filha Miriam. Distância de 15km.
Em junho de 2016, aos 85 anos de idade, Werner Ricardo Voigt faleceu em Jaraguá do Sul/SC. Até o fim de sua vida, ele nunca deixou de visitar a WEG, mantendo uma presença constante e inspiradora na empresa que ajudou a transformar em um ícone global.
"Em toda nossa vida pessoal e profissional, sempre primamos pela honestidade. Jamais tentamos lucrar prejudicando alguém." Werner Ricardo Voigt
Para compreender a história desta casa enxaimel, é preciso notar que ela foi transmitida como herança de mãe para filha ao longo de gerações, até chegar a Miriam Voigt Schwartz, que promoveu seu restauro. A edificação pertenceu originalmente ao casal Roberto Friedrich Wilhelm Mielke (1868–1942) e Luisa Maria Frederica Kerner (1868–1946).
Emma Ida Dorothea Mielke (1896–1986), uma dos dez filhos do casal, casou-se nesta mesma casa com August Schlupp (1895–1964), vindo de Blumenau, em 24 de março de 1917. Emma Ida e August foram os pais de Wally Ella Schlupp — mãe de Miriam e esposa de Werner Ricardo Voigt. O fato de o matrimônio de Emma e August ter ocorrido na residência em 1917 confirma que a estrutura já estava plenamente consolidada nesta data - desde 1906, quando foi construída.
Os avós de Miriam Voigt Schwartz posam em frente à casa enxaimel, imóvel que ela mesma foi responsável por restaurar. A obra foi oficialmente entregue pela equipe de restauro em 20 de fevereiro de 2026, marcando o resgate de um importante legado familiar e arquitetônico.
Certidão de óbito de Emma Ida Dorothea Mielke Schlupp, onde consta a data de seu casamento com August Schlupp.

 Miriam Voigt Schwartz em 20 de fevereiro, no momento da entrega da casa de seus avôs maternos, entregue restaurada.
Fonte: Family Search.
A Casa Enxaimel Mielke/Schlupp  - Restaurada 
Localização da casa enxaimel restaurada.


A casa foi entregue em 20 de fevereiro de 2026, após uma pequena realocação para seu local atual, nas proximidades da empresa WEG — também fundada pelo pai de Miriam Voigt Schwartz, Werner Ricardo Voigt. Como mencionado, o imóvel pertencia à família de sua esposa, Wally (Schlupp) Voigt.
A data exata da construção é 1906 e os avós de Miriam casaram-se na residência, em 1917. Neste ano, a estrutura já estava concluída há 11 anos.
Família do avô materno de Miriam Voigt Schwartz.
A edificação segue a planta padrão da casa rural em seu último estágio, quando já era construída com os anexos integrados — varanda e cozinha — e sem a tradicional "quebra do telhado". O corpo principal é dividido em dois ambientes: a sala e o quarto do casal, ficando o sótão como o espaço das crianças.
A fachada frontal, paralela à rua, respeita a simetria, com a porta de duas folhas de madeira alinhada ao eixo central, equilibrada por janelas envidraçadas de duas folhas em cada lado.
A casa foi realocada e restaurada em sua tipologia original, elevada sobre pilaretes de pedra. A cobertura possui estrutura de madeira com acabamento em telhas germânicas (tipo "rabo de castor") cerâmicas. O guarda-corpo e as aberturas são de madeira, ambos pintados em verde fosco.

As imagens comunicam

O guarda-corpo da varanda, geralmente, de maneira original, era encaixado nos elementos de madeira estruturais verticais, o que não aconteceu neste caso.

O anexo da varanda foi construído a partir do projeto original. Com isso, não é percebida a quebra do telhado para aumentar o pé-direito da varanda. A altura é compensada na estrutura do sótão, que não recebe uma linha interna.












Ano da construção - 1906; Moeda 1919 e restauro 2025.

Revestimento feito a base de alcatrão.


Sótão.

Sem a presença da linha horizontal, com acréscimo de altura para compensar o pé-direito da varanda, pois a casa não possui a quebra do telhado.

Escada que acessa da cozinha.



Anderson Töwe e Miriam Voigt Schwartz.





Anexo da cozinha, posterior.









Arquiteta Eliane Töwe, seu marido Anderson Töwe, Johannes Töwe e a proprietária da casa enxaimel restaurada Miriam Voigt Schwartz.




Com a equipe responsável pelo restauro da casa enxaimel e sua proprietária Miriam Voigt Schwartz, responsável pela viabilização deste projeto.





Família Töwe.
Vídeo

Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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