domingo, 5 de julho de 2026

Lista dos residentes da Colônia Blumenau em 1858 - jornal alemão “Allgemeine Auswanderungs-Zeitung”

Os nomes dos pioneiros que residiam na Colônia Blumenau em 1858 foram publicados no jornal alemão Allgemeine Auswanderungs-Zeitung
Gostaríamos de destacar que, em 1858, ainda não existia a Alemanha como nação. Cada um destes lugares grifados após o nome (abaixo)possuía, quase sempre, dialetos, hábitos, costumes e culturas diferentes, assim como a própria língua. 
O surgimento do idioma formal alemão, o Hochdeutsch ou Alto-Alemão Padrão, também enfrentou dificuldades para ser implantado. Ainda não havia a unificação dos ducados nesta década de 1850, e estas pessoas migravam para a região dotadas de todas estas diferenças e falando os seus próprios dialetos.
Johannes Gutenberg.
Devido à fragmentação do território germânico em inúmeros reinos, principados e ducados ao longo dos séculos, a criação de uma língua formal nasceu da necessidade prática de comunicação entre populações que falavam dialetos regionais frequentemente incompreensíveis entre si. O grande divisor de águas para a unificação linguística ocorreu no século XVI com a tradução da Bíblia por Martinho Lutero, concluída em 1534. Para garantir que o texto bíblico fosse amplamente compreendido tanto no norte quanto no sul, Lutero adotou como base a linguagem diplomática da chancelaria da Saxônia, que já funcionava como um meio-termo burocrático e comercial na época, sendo impulsionada pela recente invenção da imprensa de tipos móveis por Gutenberg.
Nos séculos XVII e XVIII, essa base foi refinada por sociedades da língua, filósofos e gramáticos que buscavam elevar o alemão ao status de língua de prestígio científico e literário, superando o latim e o francês. O gramático Johann Christoph Gottsched, na década de 1740, publicou tratados fundamentais que ajudaram a fixar as regras da gramática culta, enquanto a produção literária do Classicismo de Weimar, liderada por Goethe e Schiller, consolidou a estética e a maturidade da estrutura do idioma formal.
A normatização definitiva e a padronização da pronúncia consolidaram-se na virada do século XIX para o século XX, impulsionadas pela unificação política do Império Alemão em 1871. A necessidade de uniformidade na administração pública e no sistema de ensino levou à publicação do dicionário de Konrad Duden em 1880, cujas regras ortográficas foram oficializadas em 1901 e adotadas também pela Áustria e pela Suíça.
Imaginemos, portanto, os muitos dialetos destas famílias pioneiras, a partir da origem de onde vieram, bem como as suas demais práticas. Ocorre um grande erro aqui no Brasil, onde há uma generalização sobre o perfil do "alemão". Esse perfil depende sempre da região de onde o imigrante partiu para o Brasil e de onde sua família surgiu.
Observemos abaixo, o nome das famílias e sua origem, publicadas no jornal alemão Allgemeine Auswanderungs-Zeitung:

Lote – Nome – Origem
I – Região Central
1. Ludwig Scheffer -  Pommern
2. August Wolff  - Schlesien
3. Heinrich Koch -  Oldenburg
4. Johann Hönnicke - Thüringen
5. Johann Wloch - Schlesien
6. Karl Sasse  - Mannsfeldischen
7. Emil Odebrecht - Pommern
8. Johann Witt - Lübeck
9. Ludwig Pragst - Hamburg
10. Friedrich Von Lesecke - Hannover
11. Heinrich Michel - Schlesien
12. Wilhelm Küchendahl - Braunschweig
13. Ernst Schellenberger - Thüringen
14. Franz Keiner - Thüringen
15. Theodor Kleine - Posen
16. Hermann Siebert - Magdeburg
17. Wilhelm Schifter - Berlin
18. Gottlieb Riediger - Schlesien
19. Friedrich Lang - Schlesien
20. Johann Behnke - Holstein
21. Ludwig Sachtleben - Halberstädtischen
21. Franz Meier - Halberstädtischen
22. Karl Meier - Mecklenburg
22. August Spierling - Mecklenburg
23. Julius Baumgarten - Braunschweig
24. Wilhelm Friedenreich - Mannsfeldischen
25. Heinrich Zwingmann - Eichsfelde
26. Hermann Wendeburg - Braunschweig
27. Reinhold Gärtner - Braunschweig
28. Minna Görner - Lausitz
29. Marie Rosemann, viúva - Schlesien
30. Igreja e Escola
31. Johann Padaratz - Mecklenburg
32. Friedrich Tiedt - Pommern
33. Eduard Böttcher - Lübeck
34. Christian Imroth - Braunschweig
35. Johann Gieseler - Mecklenburg
36. Johann Preilliper - Thüringen
37. Hans Kreutzfeld - Lübeck
38. Sophie Bähr, viúva - Braunschweig
39. Johann Schack - Thüringen
40. Johann Wagenknecht - Thüringen
41. Johann Schreep - Mecklenburg
42. Johann Hübers - Mecklenburg
43. Friedrich Lüders - Mecklenburg
43. Traugott Köhler - Sachsen
44. Ludwig Wehmuth - Thüringen
45. Friedrich Jerga - Holstein
46. Johann Richter - Schlesien
47. Karl Küpls - Mecklenburg
48. Christian Möller - Mecklenburg
49. Friedrich Gieseler - Mecklenburg
50. Joachim Maatz - Mecklenburg
51. Heinrich Schmidt - Mecklenburg
52. Friedrich Schmidt - Mecklenburg
53. Hans Esemann - Mecklenburg
54. Theodor Schröder - Berlin
55. Theodor Schröder - Berlin
56. Wilhelm Schumann - Anhalt
57. Karl Kegel - Thüringen
58. Karl Schneider - Schlesien

II – Garcia – margem direita

1. Ernst Weise - Thüringen
2. Johann Knoch - Thüringen
3. Heinrich Köhler - Thüringen
4. Karl Hadlich - Thüringen
5. Christian Heumann - Bayreuth
6. Johann Knoch - Thüringen
7. Johann Bewiahn - Mecklenburg
8. David Seiler - Sachsen
9. Wilhelm Schreiber - Pommern
10. Heinrich Ehrhardt - Thüringen
11. Karl Rechenberg - Uckermark
12. Karoline Spies - Thüringen
13. Bernhardt Weck - Sachsen
14. Heinrich Läuthäuser - Thüringen
15. Johann Gebien - Mecklenburg
16. Wilhelm Holetz - Lausitz
17. Christian Passig - Holstein
18. Emma Ostermann - Eichsfeld
19. Richard Becker - Pommern
20. Franz Matthias - Pommern
21. Johann Busch - Pommern
22. Alexander Bürger - Lausitz
23. Heinrich Seide - Hannover
24. Wilhelm Schmidt - Rheinprovinz

III – Garcia – margem esquerda

1. Hans Baade - Mecklenburg
2. Moritz Holetz - Lausitz
3. Andreas Grassmann - Rheinprovinz
4. Heinrich Kloth - Mecklenburg
5. Joachim Gramkow - Mecklenburg
6. Catharina Berlisen, viúva - Mecklenburg
7. Johann Kloth - Mecklenburg
8. Detlef Krambeck -  Mecklenburg
9. Karl Lehmann - Mecklenburg
10. Georg Kühl - Holstein
11. Gottlieb Hadlich - Thüringen
12. Heinrich Hadlich - Thüringen
13. Wilhelm Schreiber - Thüringen
13. Heinrich Ehrhardt - Thüringen
14. Johann Gebien - Mecklenburg
14. August Jarchow - Mecklenburg
15. Christoph Müller - Eichsfeld
16. Heinrich Bichels - Hamburg
17. Hugo Schultze - Berlin
18. Ernst Lehmann - Schlesien
19. Adolph Schurt - Pommern

IV – Itajaí – margem direita

1. August Prestien - Lübeck
2. Ferdinand Ebert - Halle
3. Hans Breihaupt - Braunschweig
4. Hermann Wendeburg - Braunschweig
5. Karl Peneder - Spreewald
6. Eduard Romer - Spreewald
7. August Persuhn - Braunschweig
8. Christian Beck - Braunschweig
9. Christian Spernau - Sachsen
10. Theodor Thomsen - Holstein
11. Viúva Heffter - Schlesien
12. Heinrich Kühne - Halberstädtischen
13. Wilhelm Friedenreich - Mannsfeldischen
14. Wilhelm Seeliger - Braunschweig
14. Johann Hinsching - Magdeburg
15. Carl Engicht - Lausitz
16. Wilhelm Schönau - Gotha
17. Peter Müller - Brasilien
18. Rudolph Rödel - Thüringen
19. Ludwig Helmbrecht - Braunschweig
20. Heinrich Matthes - Brandenburg
21. Karl Matthes - Brandenburg
22. Ludwig Sachtleben - Quedlinburg

V – Itajaí – margem esquerda acima

1. Ludwig Thieme - Sachsen
1. Johann Faust - Hessen
2. Heinrich Radatz - Hamburg
3. Heinrich Lüders - Mecklenburg
4. Guido Von Seckendorf - Braunschweig
5. Ferdinand Starke - Braunschweig
6. Ludwig Spengler - Sachsen
7. Ferdinand Starke - Braunschweig
8. Heinrich Meyer - Thüringen
8. Friedrich Kegler - Thüringen
9. Anton Härtel - Sachsen
10. Eduard Stein - Pommern
11. Disponível
12. Karl Müller - Harz
13. Christoph Liesenberg - Harz
14. August Reif - Meiningen
15. Gustav Meuche - Thüringen
16. Friedirch Hinkeldey -Preussen
17. Ludwig Wegener - Halberstädtischen
18. Joseph Kuonz - Schweiz
19. Wilhelm Meier Hannover
20. Paul Parasky - Preussen
21. Karl Eggebrecht - Pommern
22. Gebrüder Bickelmann - Sachsen
23. Disponível
24. Christian Rau - Thüringen

VI – Itajaí – margem esquerda abaixo

1. Johann der Eich - Rheinprovinz
2. Julius Paupitz - Sachsen
3. Wilhelm Schönau - Gotha
4. Carl Höring - Weimar
5. Christian Böhme - Sachsen
6. Daniel Schneider - Sachsen
7. Reservado
8. Reinhold Gärtner - Braunschweig


Alemanha antes de ser Alemanha - com os locais citados no “Allgemeine Auswanderungs-Zeitung”  (1815-1866).

Mapa da Colônia Blumenau publicada no jornal Allgemeine Auswanderungs-Zeitung nº 35 pág. 153 de 1858.


Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
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Projeto Memorvale - Casa Fritz Spernau - Rua Bahia N° 1327 - DEMOLIDA em 2/6 de julho de 2026 - Tipologia neoclássico do início do século XX

Cemitério da Rua Bahia - Blumenau.
A Casa Fritz Spernau teve como primeiro proprietário o neto do pioneiro Christian Heinrich Conrad Spernau (1828-1893), Fritz Franz Martin Spernau (1905 - 1986), casado com Maria (Michel) Spernau (1907–1989), pais de Renata (Spernau) Konder (1930–2014) - esposa de Gustavo Adolpho Konder (1905 - 1981), filho do ex-prefeito de Itajaí, Marcos Konder (1882 - 1962).
O avô de Fritz, Christian Heinrich Conrad Spernau, ou, somente Christian Spernau (também registrado como Heinrich Christian Spernau), foi o pioneiro e patriarca da família Spernau no Brasil. Natural da Saxônia, do território da atual Alemanha, ele emigrou em meados da década de 1850, tendo como profissão original a de tecelão. 
Sua presença na Colônia Blumenau está formalizada no censo oficial de residentes de 3 de setembro de 1858, publicado pelo jornal alemão Allgemeine Auswanderungs-Zeitung, onde aparece registrado com o número 9. Também foi publicado na Revista Blumenau em Cadernos, T. 4 - N.º 9 - Ano 1961 - onde se apresentam os nomes dos residentes da Colônia Blumenau no ano de 1857 e a região de origem dos nomes dos imigrantes. Lembramos que, nesta data, ainda não existia o Estado da Alemanha.
Jornal alemão Allgemeine Auswanderungs-Zeitung - 3 de setembro de 1858. Lista de residentes na Colônia Blumenau.
Detalhes da pagina do jornal alemão  Allgemeine Auswanderungs-Zeitung.
Nome do pioneiro alemão Christian Heinrich Conrad Spernau - "abrasileirado", coisa que nunca deveria acontecer, por confundir a história e porque nome não deveria ser modificado.
Christian Heinrich Conrad Spernau  (1828–1893) se casou, em Blumenau, com Bennina Franz, nascida em Itajaí, em 11 de agosto de 1857 e residiam no Salto. Abaixo registros da Igreja Luterana.
Casa Fritz Spernau e Fritz Spernau

O neto de Christian Heinrich Conrad Spernau, Fritz Franz Martin Spernau, nasceu em Blumenau em 24 de agosto de 1905, filho de seu filho Hermann Wilhelm Friedrich Spernau (1865 - 1946). Fritz, que era casado com Maria (Michel) Spernau, comprou a Casa Fritz Spernau quando esta já estava construída (em torno de 1900) na Itoupava Central, próximo ao atual aeroclube. Foi totalmente desmontada e, originalmente, montada na Rua Bahia, no atual número 1327, onde a mesma foi demolida em julho de 2026.
Detalhe do Relatório Memorvale - página do cadastro da edificação.

Casa Spernau - demolida em 2022. Relatório Memorvale.
Projeto de Simon Gramlich.
Ao lado da Casa Fritz Spernau estava localizada a Casa Harry Spernau, construída na década de 1940 pelo filho de Fritz, Harry Spernau. 
Projeto do arquiteto alemão Simon Gramlich, foi demolida em 27 de maio de 2022, seguindo despacho da administração pública de Blumenau, para a construção de uma rotatória - no sistema viário.
O nome de Fritz foi dado à Rua Fritz Spernau, localizada na região norte de Blumenau, estabelecendo a divisa entre os bairros Fortaleza e Itoupava Norte. 
Fritz Spernau faleceu em 23 de abril de 1986, e isso justifica por que, quando a casa foi cadastrada no Projeto Memorvale, já pertencia a Harry Spernau, seu filho (1988).
Arquitetura Casa Fritz Spernau

Tipologia enxaimel da região - Casa Permanente rural.
Residência Carl - Massaranduba - localidade de Rio Bonito
.
Uma típica construção de Blumenau e região do início do século XX, estilo neoclássico. Geralmente construída por famílias bem-sucedidas que, nas suas novas construções, adotavam o novo estilo internacional e abandonavam a técnica construtiva enxaimel, usada na Casa Permanente urbana e rural, igreja, fábrica e comércio até então. Geralmente utilizavam material extraído do local da construção - vernacular.
Porão, sem uso, sob o assoalho de madeira.
A Casa Fritz Spernau também segue a volumetria e elementos arquitetônicos da casa local, construída pelos pioneiros e seus descendentes. A construção, original neoclássica, apresentava as paredes autoportantes de tijolos maciços rebocados, aberturas de madeira com vidraças, munidas de bandeiras e duas folhas, tanto portas quanto janelas. Assoalho em madeira, como também sua estrutura, como também a estrutura do telhado. Este era coberto com telhas germânicas ou planas. A casa possuía o assoalho de madeira elevado, criando um pequeno porão (não usado) munido de aberturas em arcos feitos de tijolos.



As fachadas, como característica no neoclássico, primavam pela simetria, a partir da distribuição das aberturas, também seguindo um padrão dimensional característico. A construção contava com o aproveitamento do sótão, caracterizando a mansarda.
A construção também possuía varanda com guarda-corpo de madeira, sendo que este foi avariado e nunca foi substituído, permanecendo somente a varanda, que era alinhada à estrada (antiga margem direita, caminho para o interior da Colônia Blumenau rumo ao Alto Vale do Itajaí), como também a cumeeira.
A Casa Fritz Spernau está cadastrada no Projeto Memorvale, com registro fotográfico de 1988. Na data do cadastro, o proprietário era Harry Spernau, construtor da Casa Harry Spernau, construída na década de 1940. Seu pai Fritz Spernau havia falecido 2 anos antes.
Registro de 1988 - Projeto Memorvale.


Ficha da Casa Fritz Spernau - Projeto Memorvale.
Nossos registros - Casa Fritz Spernau em datas distintas






Demolição em 2/6 de julho de 2026 - imagens
Várias edificações no entorno do patrimônio foram demolidas junto com ele.





Nesta imagem é possível perceber que a casa foi realocada pelas marcas de re-uso dos tijolos do porão, com a presença de arcos plenos para ventilação no assoalho de madeira.


Estrutura do assoalho falquejado.


Estrutura de serviço.










Retirada do assoalho de madeira.



Varanda.











Curiosidade:

A Casa Fritz Spernau foi dividida em dois módulos residenciais para disponibilizar para aluguel. Na década de 1990, o lado direito era alugado para Valentim Schlindwein, colega de trabalho de Roberto Wittmann na empresa onde nós efetuamos nosso estágio: Waltec Eletroeletrônica. Era fácil vê-lo sentado na varanda, observando o trânsito.

Leituras citadas no texto - Clicar sobre o link escolhido
Projeto Cadastramento do Patrimônio Arquitetônico Memorvale

Vilmar Vidor.
O projeto Cadastramento do Patrimônio Arquitetônico – Memorvale foi a efetivação do cadastramento das principais tipologias pertencentes ao patrimônio histórico-arquitetônico de Blumenau e região, nas décadas de 1980 e 1990, o qual teve como epílogo o tombamento, pela Fundação Catarinense de Cultura, de vários imóveis no centro de Blumenau e outros restaurados. O professor Vilmar Vidor foi o idealizador e proponente do projeto, tendo em sua equipe, dentre outras pessoas, a professora Amábile M. T. Dorigatti, que também coordenou o projeto em determinada época.
Para a efetivação prática do projeto, o professor Vilmar Vidor contou com o apoio da FURB, através da participação de estagiários acadêmicos da instituição, que elaboraram o cadastro de imóveis antigos de todos os tipos, linguagens e técnicas construtivas, entre os quais, aqueles construídos com a técnica construtiva enxaimel. O cadastro individual de cada tipologia continha um pequeno relatório técnico, descrição, planta baixa, elevações e fotografias dos imóveis selecionados.

Fichas do Cadastro do Patrimônio Arquitetônico - Memorvale

Tivemos acesso a mais de 1.100 fichas pertencentes ao Cadastro do Patrimônio Arquitetônico – Memorvale (as quais apresentaremos de modo individual - listadas neste espaço), semelhantes a esta pequena amostra apresentada abaixo, onde estão listadas algumas das centenas de tipologias construídas com a técnica construtiva enxaimel, autoportante e outras técnicas, dentro de diferentes estilos e recortes de tempo, que existem e existiam na cidade de Blumenau e região. O modelo da ficha foi criado pelo professor Vilmar Vidor e sua equipe e usado para elaborar o pioneiro cadastro do Patrimônio Histórico-Arquitetônico, conhecido como Memorvale. De acordo com o professor Vidor, pioneiro nesta pesquisa no Vale do Itajaí, em entrevista concedida ao jornalista Altair Pimpão em 2 de março de 2014, dois terços das edificações cadastradas de Blumenau foram demolidas. Atualmente, mais ainda, com certeza.
O assunto patrimônio e este trabalho eram tão novos dentro da academia, na cidade de Blumenau e região, que, em algumas fichas, as casas foram definidas com “enchaimel”.

O acervo e seu destino

Ainda na entrevista concedida ao jornalista Altair Carlos Pimpão em 2 de março de 2014, o professor Vilmar Vidor explicou que o fichário dos imóveis foi repassado para a Fundação Cultural de Blumenau, para o Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Blumenau – IPPUB e para a FURB, onde pesquisamos o acervo. O trabalho foi desenvolvido em parceria entre a FURB e o IPPUB, e foi muito facilitado e viabilizado porque o professor Vidor era presidente do IPPUB e, simultaneamente, professor da FURB, o que lhe permitiu "diminuir distâncias" e a burocracia para o êxito do projeto.
A partir do projeto de Cadastramento do Patrimônio Arquitetônico, conhecido como Memorvale, a professora do Curso de Serviço Social da FURB, Amábile M. T. Dorigatti, criou a Associação dos Proprietários de Imóveis Antigos, importante para o êxito do projeto, sua fluidez, levantamentos e efetivação dos cadastramentos das edificações históricas, viabilizando diálogos, projetos e parcerias entre proprietários, pesquisadores e poder público.
Desta forma, a equipe de pesquisas coordenada pelo professor Vilmar Vidor mantinha um diálogo permanente com os proprietários de imóveis antigos através da associação, que tinha uma cadeira no Conselho do Patrimônio Histórico de Blumenau e, também, no Conselho de Planejamento Urbano de Blumenau. Nas assembleias desta associação, a municipalidade e os proprietários debatiam sobre a manutenção do patrimônio e sobre possíveis políticas preservacionistas. Existia um estatuto e as reuniões eram periódicas.
Este material da Memorvale, nós o pesquisamos e acessamos no Setor de Documentos Especiais da Biblioteca da FURB.
Na sequência os link's das Edificações Históricas, demolidas ou não, seus estudos, fotografias e a ficha do Memorvale. Para acessar, basta clicar sobre o Link, na edificação/ficha escolhida - No total somam 1100 fichas - em construção.
  1. Casa Labes - Construída em 1890 em Blumenau ("Demolida"?) 
  2. Projeto Memorvale - Casarão Scardueli - Construído por Gustav Salinger - Blumenau - e o Fundo de Apoio aos Proprietários de Imóveis Antigos
  3. Edifício do antigo Correios e Telégrafos - Blumenau 
  4. Projeto Memorvale - Casa Peter Forbici - Rua Amazonas 1680 - Garcia - Na Paisagem
  5. Johannastift, o Hotel Alameda, a Turismo Holzmann, Zum Weissen Rössel (Cavalinho Branco), a Escola do SENAC Bistrô Johannastift, a Casa de Comércio de Blumenau - 100 anos de História e uso em 2023 - Arquitetura de Blumenau
  6. Projeto Memorvale - Casa Paul Lang - Rua São Paulo 1731 - Demolida!
  7. Projeto Memorvale - Casa Soares - Rua São Paulo  1729
  8. Casa Rischbieter - Ficha Rua São Paulo 1960
  9. Casa Ingrid Friedler Ficha Rua Paraíba N° 281 (DEMOLIDA!!)
  10. Casa Renato Vianna Ficha Rua Itajaí N° 574
  11. Casa Gropp - Ficha Rua Itajaí N° 667 (DEMOLIDA!!)
  12. Casa Gropp - Ficha Rua Itajaí N° 799 (DEMOLIDA!!)
  13. Projeto Memorvale - Refrigeração Martendal Ltda. - Rua São Paulo N° 1410 - DEMOLIDA em 1988
  14. Projeto Memorvale - Casa Harry Spernau - Rua Bahia N° 1281 - DEMOLIDA em  27 de maio de 2022 -  com autorização da Prefeitura Municipal de Blumenau
  15. Da Associação dos Proprietários de Imóveis Antigos - Instituto Bertha Blumenau - Instituto Histórico de Blumenau - IHB
  16. Da Associação dos Proprietários de Imóveis Antigos - Instituto Bertha Blumenau - Instituto Histórico de Blumenau - IHB
  17. A Bíblia de Alice (Hoeschl) Altenburg - filha de Leopold Franz Hoeschl - edificação cadastrada no Projeto Memorvale - Demolida
  18.   Projeto Memorvale - Casa  Carlos Alberto Julio Döpke - Rua São Paulo Nº 1695
  19. Projeto Memorvale - Casa Fritz Spernau - Rua Bahia N° 1327 - DEMOLIDA em 2/6 de julho de 2026
Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
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