

Vamos conhecer um pouco sobre este tradicional traje usado pelos cassupianos ou Kaschupien que já foi parte da história da antiga Pomerânia, que fora prussiana, polonês e alemão e tem ecos no Brasil, com práticas culturais trazidas pelos imigrantes pomeranos.
Kaschubien também é chamado o traje usado pelo povo cassubiano - tribo eslava ocidental, do grupo étnico Pomerelia, que vive atualmente no centro-norte da Polônia. Seu território pode ser denominado como: Kashubia - cassubiano - Kaszëbi, alemão - Kaschubei, Kaschubien. Falam a língua cassubiano, classificada como uma língua separada do dialeto polonês. Slovincians são agrupados com Kaschubians, como pomeranos. Igualmente a língua Slovincian e Cassubia são agrupadas como a linguagem pomerana, com slovincian relacionada ao dialeto cassubiano.
Poderia-se afirmar que os Kaschubiens, ou cassubianos, é um povo eslavo que vivia e vive às margens do Mar Báltico. Estudos têm apontado que este povo é o que restou do povo da Pomerânia medieval (esta dominada pelos alemães cristãos) que chegaram ao local antes dos poloneses. Estabeleceram-se entre a cidade de Oder e o Rio Vístula. Muitas vezes foram vassalos da Dinamarca e da Polônia, enquanto a maioria dos eslavos pomeranos foram assimilados - durante assentamento medieval alemão da Pomerânia - Ostsiedlug - Eles tem sua própria língua e tradição.
Leitura complementar - Clicar sobre: Prussianos

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Bandeira de Keschubien |
A língua cassubiana tem origem eslava ocidental e é atualmente falada por aproximadamente 50 mil pessoas, destes, 5% são alemães, localizados na antiga Prússia, dominada e cristianizada pelas Cruzadas alemãs oriundas do sul, que receberam as terras como dote do feito. O povo cassubiano pertencia à extinta Volksweig der Slowinzen, que viviam mais ao oeste de onde é encontrado o traje Kaschubien ou cassubiano, atualmente. Traje, geralmente usado nas principais festividades e feriados.

O escritor popular cassubiano Sr. Derdowski escreveu: o berço cassubiano foi nas margens do Rio Oder inferior, onde há muitos pântanos e pequenas turfas de pântanos também podem ser encontradas na margem sul no Lebasees - cresce um tipo de grama "Wiklina" que se chamam "Koszebe" - os resistentes povos eslavos, dando origem, também ao termo Kaschub.
Mapa de Pomerania do ano de 1650 |
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Herr Reinhold Cramer |
Sr. Reinhold Cramer, autor da publicação "História do país Lauenburg e Buetow - em 1858, escreveu sobre o Cassubiano o seguinte:
"Há uma tribo eslava, que se chama Casubitae e tem seu nome no comprimento e largura dos vestidos que tem que colocar em dobras, por conta do comprimento e largura."
Huba se chama a dobra eslava e traduzindo como "colocar dobras". O escritor polonês - Sr. Dlugoaz, observando esta versão, escreveu:
"O Kaszubiani, tem seu nome a partir do dobramento da roupa. As roupas são peculiares e características por suas longas saias e chapéu de pele cinza, o que faz com que os Cassuben são facilmente reconhecíveis e de fácil distinção de seus vizinhos alemães. São obedientes e submissos, durões e firmes, tementes a deus e a igreja".

Foi somente depois do século XIV que foi encontrado o termo cassubiano em publicações e Cassubia ou Kaschubien era denominada a região em torno de Belgard. A região onde se encontra a população cassubiana atual, foi mencionada somente após os séculos XV e XVI.
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Região de Kaschubien |
A História de Pomerânia, localizada abaixo do Rio Vístula, área ocupada pelos cassubianos por volta do ano 1000. As guerras tinham natureza religiosa e o apelo cristão por parte da Polônia, converter outras religiões locais ao cristianismo. Mesmo assim, sob a dominação polonesa, Pomerania oriental foi mantida e era chamada de Pequena Pomerânia ou Pommerellen, até a queda de sua casa real de Samborid - final do século XIII, quando aconteceu sua independência.


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Foto: Arquivo Histórico de Rio do Sul |


Efetuar um levantamento exato dos números da população cassubiana, nesta época era praticamente impossível. Os poloneses, sob o domínio dos alemães, eram mantidos isolados enquanto grupos étnicos. Não lhes foi concedido levantamentos estatísticos exatos. Em um censo de 1890, as autoridades prussianas fizeram um levantamento a partir da língua falada pelos povos no território, para saber o número de alemães, poloneses, cassubianos e Mazury. Dizem alguns que esta iniciativa foi tomada para enfraquecer a etnia polonesa-eslava através de divisões. Do seu lado, neste momento, os prussianos - alemães a partir da Unificação e o surgimento do Estado alemão que aconteceu em 1871, temiam sua soberania nacional e o sucesso da unificação. Entendia que a Polônia católica, com o apoio internacional de Roma, representava uma ameaça à nova nação - (Para ler sobre: Clicar sobre:Unificação alemã). Intencionalmente ou não, as informações exatas sobre o número de cassupianos era alterado e, podia somente ser estimado.
A partir da dominação do leste, pelas Cruzadas alemãs - no final do século XII - e a construção do mosteiro Kolbatz, o povo Cassubiano começou a ser dominado do oeste para o leste. Com o passar do tempo se tornou uma minoria da população, cuja cultura foi absorvida pelos alemães que trouxeram o cristianismo.

Mas, não foi algo que aconteceu em todo o território dominado. Na parte oriental da região dos Kaschuben ou cassubianos criou-se um impasse cultural interessante. Ao leste da Polônia, na história, estava o local onde esta etnia tinha as melhores condições de convívio e preservação e onde convivia desde 1466. Em 1772, quando foi dominada pela Prússia, a descaracterização cultural dos habitantes da região foi mais difícil acontecer do que em outras regiões da Pomerânia e onde permaneceu viva a identidade do Kaschuben, não permitindo total "germanização". Isto aconteceu porque, a região dos Kaschuben permaneceu católico a partir da ação real do reino da Prússia e assim sendo, não se misturavam com os alemães luteranos. Esta segregação religiosa salvaguardou muitos dos costumes e hábitos dos antigos prussianos convertidos pelas cruzadas, mas mantenedores da antiga cultura deste povo.
Na primeira metade do século XIX - no ano de 1827 - viviam na Província da Pomerânia - 4080 cassubianos. Já no ano de 1900, havia o resumido número de 310 pessoas. Na Província Oriental, no mesmo período - houve um aumento de 85.100 pessoas para 200.000. Sob o domínio alemão e polonês, os Cassubianos, trabalhavam na zona rural da colônia. Curioso é que onde vivem atualmente, no território da Polônia, mesmo mantendo sua própria língua e tradição, sentem-se etnicamente e historicamente ligados a Polônia.
Lembramos que o município vizinho - Pomerode - recebeu grande número de imigrantes da Pomerânia, e percebemos, nos dias atuais, palavras depreciativas àqueles imigrantes alemães a começar pelo uso indiscriminado pela expressão "Colono", reflexo de outros tempos e disputas, iniciadas muito longe do Brasil, que ainda tem "ecos" nos dias atuais.
Desde o século XIX há várias correntes dentro do comunidade Cassubiana, que destaca sempre a proximidade cultural entre o Cassubiano e a Polônia ou, a polonesa por si mesma, uma vez que se apresenta como um grupo étnico que alimentava algumas correntes separatistas. Para comprovar estas duas correntes cassubiano do século XIX pode ser definida a partir das duas correntes e a própria etnia polonesa.
O escritor cassubiano Hieronim Derdowskiego (1852 - 1902) escreveu "Nie ma Kaszëb bez Polonii, a bez Kaszëb Polśczi“. Traduzindo - Não há Kaschubien sem Polônia e nem Polônia sem Kaschuben. Sr. Ceynowa Florian (1817 - 1881), contrário aos dois períodos de "GermHieronim Derdowskianização e contra a polonização do cassubiano faz duras críticas à religião católica, ao clero polonês e também, à nobreza polonesa. Atualmente o idioma cassubiano é ensinado em várias escolas de Kaschubia. Uma literatura da cultura é produzida e incentivada pelo governo polonês. O cassubiano atualmente vivem na região próxima a Purck ou Neustad.
Em 1911, o Professor Sr. Ernst Seefried - Gugowski publicou um livro sobre o Cassubiano com o seguinte título: "De um povo desconhecido na Alemanha". Se os Cassubianos vivem, por conta dos conflitos na região, nada mudou no título a partir da expressão "desconhecida". A história seria a mesma, pois não interferiria e nem extinguiria esta cultura entre os alemães e poloneses. Cassubianos sempre foram considerados, mesmo que entre eles existissem muitos nobres, "os pequenos" - povo oprimido.
A identidade cultural desta etnia recebeu influência dos poloneses, alemães e prussianos. Existem cartas de prussianos, de 1847, onde deixam claro que não tinha boa opinião sobre o povo. Trecho da carta de Otto von Bismark para sua irmã...
"Buetow é a cidade mais próxima e você pode ouvir os lobos uivarem e o Cassuben todas as noites. O Cassuben e seu latido, tem pouco, tornando com que a paciência e sua sociabilidade suportável. Em sua conversas existem sempre uivos lamentosos e sentimentalismo. O que é compreensível e justificável pela condição social de suas pessoas e país..."
Existem outros depoimentos e descrições de como vivia esta minoria étnica e que sofreu muito a partir de disputas territoriais nesta região da Europa. Não vamos colocar aqui, por que entendemos que não vem ao caso. Só é importante esclarecer que movido por estas animosidades, os cassubianos foram descriminados e por isto, sua cultura e suas condições de vida não foram registradas com veracidade e de maneira completa, como o era realmente. É interessante, que e um destes textos depreciativos, contém a descrição da mesa e dos alimentos que comiam. ...Diz assim:
"O deserto sujo onde viviam as pessoas que se alimentavam de mingau feito de farinha de centeio, muitas vezes só de ervas, cozidos como sopa de repolho com arenques..."
A aristocracia camponesa pouco se diferia dos agricultores, no seu cotidiano. Aravam sua terra e sacudiam os tamancos de madeira no "ungedielten" no chão da cabana, como todos o faziam.
Dr. Friedrich Lorenz (1870-1937), ficou muito conhecido e ganhou notoriedade com seu estudo sobre a linguagem cassubiano. Escreveu, entre outras coisas, uma ortografia, gramática e um dicionário de língua Pomeranian-cassubiano. Também, o Sr. Stefan Ramul fez um trabalho semelhante a partir da Cracóvia. Estas obras tiveram muita influencia no resgate da identidade do cassubiano e seu autoconhecimento.
A língua cassubiana é peculiar e apresenta grande fragmentação em dialetos, muitas vezes de um para outro. O que causou esta fragmentação, talvez seja o pouco tempo para se organizar uma língua oficial cassubiana, depois de 1850. Aceita-se muito bem a presença dos dialetos, tanto falado, como escrito.
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Her Florian Cejnowa |

O Sr. Florian Cejnowa (1817-1881) foi um dos poucos autores que escreveu em cassubiano. Escreveu a partir do dialeto nativo Slawoschiner com base no círculos Putzig. Outro escritor cassubiano, foi o Sr. Hieronim Derdowski (1852-1902) que adotou o dialeto do círculo Wieller Konitz.
Nos tempos duros e de conflitos políticos na Pomerânia Kaschub, era muito difícil tentar preservar a nacionalidade e a língua cassubiana, pois não tinham uma língua escrita que atingisse a todos, integrando a cultura e perpetuando-a. Viviam em um ambiente hostil em vários aspectos e não foram reconhecidos como um grupo étnico, mesmo o sendo, nem como alemão e nem como polaco. Foram humilhados e perseguidos ao ponto, que não lhes sobrava tempo para lutar pela identidade étnica. Antes, tinham que lutar pela sobrevivência.

Em 1907, Sr. Ernt Seefried-Gulgowski, juntamente com o Sr. Friedrich Lorenz, em Karthaus criam a "Associação para o folclore cassubiano", cujo contexto foi explorado no livro "De um povo desconhecido na Alemanha". Sr. Gulgowski, embasado na influência da herança alemã e seu folclore e de sua esposa Theodore - Weitsee, criou um museu a céu aberto, cassubiano.
Entre as maiores cidades cassubiana, na atualidade, está a cidade Gdynia, na qual vive a maior população de origem cassubiana. A maior cidade da região de Kaschubien é Gdansk, capital da Pomerânia. A parcela entre 80,3% e 93,9% das pessoas das cidade Linia, Sierakowicw, Szemud, Kartuzy, Chmielno, Zukowo, entre outras, são de ascendência cassubiano.
Costume cassubiano para Gdansk - ou traje Kaschunben
De uma maneira geral, o traje feminino Kaschubien é formado por uma saia cor de vinho ou vermelha. O corpete é feito de veludo, a saia de algodão com muitas pregas invertidas. A capa que acompanha e, também é feita de veludo vermelho. O conjunto tem motivos florais a partir de bordados feitos também com fios de ouro, prata . A blusa é feita de algodão branca. Também com bordados com motivos florais nas magas largas e bufantes.
O traje masculino é composto por calças brancas e em verde musgo, com altura até os joelhos, atingindo o colete. Este, recebe bordados discretos ao longo das costuras e também, como complemento uma grande faixa cor vinho tinto. A camisa tem mangas compridas que são smocked no braço. São feitas de algodão branco. A gola recebe um detalhe para ser colocada um fita vermelha. O traje é completado por um chapéu preto de aba lar e uma fita azul.
Há varições do traje, nos detalhes e de cidade para cidade, mas de maneira geral, segue esta configuração.
Algumas imagens do traje Kaschubien





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