segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Aldo Krieger (Brusque) - Compositor do Hino do Centenário de Blumenau - Um Resgate - Letra de Eduardo Mário Tavares (Itajaí)

Responsáveis pela música e letra do Hino do Centenário.
Em 2 de setembro de 1950, houve grandes celebrações para comemorar o primeiro centenário de fundação de Blumenau. Na ocasião, houve a publicação de um livro, apresentações musicais, selos comemorativos e a composição do Hino do Centenário. A partitura foi publicada em um encarte especial, organizado pela Comissão de Festejos (a mesma responsável pelo Livro do Centenário). Este hino foi oficialmente o Hino de Blumenau até o ano 2000, quando um novo hino foi adotado.


O Hino do Centenário de Blumenau teve letra do itajaiense Eduardo Mário Tavares e música do renomado brusquense Aldo Krieger. A composição destaca o desbravamento, o rio e o desenvolvimento da colônia a partir do ideário da época — o que é considerado por muitos, atualmente, como politicamente incorreto. Esse contexto talvez justifique sua substituição por uma obra mais recente e alinhada ao estilo literário vigente.
Atualmente, é importante diferenciar este hino histórico do atual "Hino de Blumenau", oficializado em 2000.

Hino do Centenário de Blumenau 

1. Há cem anos, por estas paragens, 
- Terras férteis, imensas, sem dono -
Brava tribo de rudes selvagens
Viu surgir o primeiro colono. 
O machado clareiras abria, 
Tombam selvas, e, qual desafio, 
A pequena colônia surgia 
Debruçada nas margens do rio.
Estribilho:

Celebremos o audaz pioneiro, 
Sonhador, de visão temerária, 
Que de um virgem sertão brasileiro 
Fez surgir Blumenau centenária.

2. A colônia evolui: campo em fora 
As espigas se inclinam doiradas; 
Brotam flores aos beijos da aurora, 
Cantam aves nas ínvias quebradas; 
Pelos vales, um sol luminoso 
Medra o fruto, fecunda a semente, 
E, irrigando as campinas, moroso 
Passa o rio ondeando contente.


3. Blumenau! Blumenau! Tuas fontes 
Contam lendas de heróis europeus; 
E ressoam, gemendo, nos montes 
As canções brasileiras do adeus. 
Em teu seio a riqueza se expande, 
O' rincão meu formoso e gentil, 
E o progresso tornou-te tão grande 
Que és o orgulho do nosso Brasil!

Eduardo Mário Tavares - Compositor

Eduardo nasceu em 22 de outubro de 1919, na cidade de Itajaí. Seus pais, Waldemira da Silva Tavares e Carlos Magno Tavares — amigos da família Bornhausen —, casaram-se em dezembro de 1911.

Proclamas do casamento dos pais de Eduardo Mário Tavares, Itajaí.
Eduardo Mário Tavares foi o primeiro Diácono permanente da Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil, ordenado por Dom Afonso Niehues em 3 de fevereiro de 1969 — fato possibilitado pela restauração do diaconato permanente no Concílio Ecumênico Vaticano II. Além de sua vocação religiosa, foi funcionário público, professor e poeta.
Foi o autor do antigo Hino de Blumenau (Hino do Centenário) e também o compositor do Hino de Brusque. Faleceu precocemente em 7 de junho de 1978, em um acidente de automóvel durante uma viagem a Curitiba, ao lado de sua esposa, Maria de Lourdes Capella Tavares. 
Foi sepultado em 8 de julho de 1978, no Cemitério de Florianópolis, conforme consta em sua certidão de óbito.

Brasão Família Krieger.

Seu pai.
Aldo Krieger (1903 - 1972) - Música

O autor da música do Hino do Centenário de Blumenau, Aldo Krieger, nasceu em Brusque em 5 de julho de 1903. Foi um renomado compositor, músico, professor de música e regente, entre outras habilidades. Era filho de Gustav Philipp Krieger (1878–1949) e de Adelaide Diégoli Krieger (1884–1945), casados em Brusque em 19 de abril de 1902.
Aldo entrou em contato com o universo musical ainda na infância: aos 7 anos de idade, iniciou suas lições de bandoneon com o professor Graupner.
Aldo Kriger com 10 anos tocando para o cinema mudo
Ano de 1913.





















Com tenra idade tocava bandoneon, violino, violão, clarinete e saxofone.
Material de filatelia que pertenceu ao irmão de Aldo Krieger, em
 nosso escritório. Não conhecíamos esta ligação até o momento
desta pesquisa.
Seu trabalho a partir de então volitou em torno da música. Possuía 6 irmãos e com eles formou uma banda. Seus irmãos foram: Oscar Krieger (1906–1908), Érico Krieger (1908–1989), Oscar Gustavo Krieger (1909–1992), Oswaldo Krieger (1913–1914), Axel Krieger (1915–1973), Nilo Krieger (1916–2003) e Raynerio Oswaldo Krieger (1929–1995). Seu grupo animava o cinema mudo, na época, serestas e saraus. Na década de 1920 também fundou Jazz Band. Também dirigiu a Banda Musical Concórdia, organizou e dirigiu vários coros em Brusque.

Um comentário curioso: O irmão de Aldo, Oscar Gustavo Krieger, foi um dedicado filatelista e deixou um importante acervo cultural. Em 30 de novembro de 2023, sua filha, que reside em Curitiba, confiou-nos a guarda de dois selos que pertenceram ao seu pai. Os exemplares ilustram justamente duas das principais frentes de nossa pesquisa: a Ferrovia e a Casa Enxaimel. Hoje, eles ocupam um lugar de destaque na parede de nosso escritório
Grupo de Jazz fundado em 1928, quando Aldo contava com  25 anos. Seu irmão filatelista está na bateria.


Aldo Krieger e o Coro Misto da Igreja Luterana - Brusque 1960.
A Jazz Band América foi fundada em 1929.
Aldo Krieger regendo o Orfeão Juvenil Amadeus Mozart, em 1951.

Família de Aldo e Gertrudes Krieger.

Aldo Krieger se casou com Gertrudes Krieger (1905 - 2002) e formaram uma grande família.




Em 1953, cursou o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, no Rio de Janeiro, onde teve como professores mestres como Villa-Lobos e Andrade Muricy, entre outros. Nesse período, participou também do Curso de Férias da Pró-Arte, em Teresópolis (RJ). A distância despertava a saudade de sua Gertrudes, como demonstra a carinhosa dedicatória na foto ao lado.
Em Brusque, além dos compromissos com coros e bandas, foi, por vários anos, professor de música do Ginásio Cônsul Carlos Renaux. Sua dedicação ao ensino e à regência culminou na fundação de importantes instituições, consolidando seu nome como o maior expoente da história musical da região
Aldo Krieger recebendo certificado em 1953, com Villa Lobos.
Em 1956, Aldo Krieger fundou o Conservatório de Música de Brusque, na época filiado ao Conservatório de Música do Rio de Janeiro. Sua carreira seguiu em ascensão e, em 1961, ele foi convidado a assumir a direção da recém-fundada Associação Coral de Florianópolis (ACF). Sob sua regência, em 1970, a ACF gravou seu primeiro LP em São Paulo, onde também realizou apresentações de destaque no Teatro Municipal e nas TVs Tupi e Cultura (Canal 2). Em abril de 1971, o maestro esteve no Rio de Janeiro à frente da ACF para apresentações na TV Globo (programa “Concertos para Juventude”), na Sala Cecília Meireles e na Universidade Gama Filho.
Durante os dez anos em que residiu em Florianópolis, atuou como maestro e professor de música e ritmo no curso de Educação Física. Ocupou também o cargo de Técnico da Divisão de Artes do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura no governo de Celso Ramos, onde desenvolveu um relevante trabalho de divulgação de músicas folclóricas brasileiras e catarinenses, além de promover obras de autores locais.
É autor de inúmeras composições para piano, canto coral e banda de música, destacando-se os Hinos do Centenário de Brusque e de Blumenau, além do Hino da Associação Coral de Florianópolis. 
Aldo Krieger faleceu em Florianópolis, em 12 de outubro de 1972.
Como marco de seu centenário de nascimento, em 2003, foi criado o Instituto Aldo Krieger (IAK). O instituto, uma sociedade de direito privado sem fins lucrativos, mantém um museu localizado na área central de Brusque, preservando a memória deste grande mestre.
Instituto Aldo Krieger (IAK) - Brusque. Visitamos espaços semelhantes na Alemanha e o acesso é cobrado para reverte em melhorias ao espaço e também valorização. 



O Hino do Centenário de Blumenau
Encontramos o pequeno encarte original onde foi impresso o hino composto por estes dois grandes músicos de Santa Catarina. Cientes de que poucos hoje conhecem essa obra, solicitamos a um dos músicos mais renomados da atualidade em nossa região que desse sonoridade às notas musicais históricas, trazendo-as para o presente. Faremos o registro em vídeo no dia 25 de fevereiro e compartilharemos o resultado neste espaço, a partir de nosso canal no YouTube.

Local do Vídeo - Hino do Centenário
Um registro para a História

Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
Angewitt  (You Tube) 
AngelinaWittmann  (Facebook)






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