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domingo, 7 de junho de 2026

Blumenau e sua Imprensa - Com destaque para os principais nomes (início do século XX) - Por José Ferreira da Silva

Relendo nossas fontes primárias, encontramos este texto espetacular sobre a imprensa de Blumenau no início do século XX, de autoria de José Ferreira da Silva (1897–1973), um jornalista, historiador, escritor, político e aquele que fundou a Revista Blumenau em Cadernos, com isto um dos guardiões da história e da cultura da cidade, embora não reconhecido como deveria pela história oficial.
O artigo, não assinado em seu corpo, mas evidenciada a autoria no conteúdo, foi publicado na Revista Blumenau em Cadernos de março de 1970, Tomo XI, N° 3.
O primeiro Jornal listado foi o jornal "Brazil"

Foi um jornal que tinha o lado político daqueles que efetuaram o Golpe da Proclamação da República e, é claro, tinha uma posição contra as lideranças vigentes de Blumenau, que amavam o Imperador D. Pedro II. Com isto, o jornal foi perseguido pela elite vigente. O jornal apoiava Hercílio Pedro da Luz, que residia em Blumenau e depois foi o governador republicano que tomou o poder à força.
Em síntese, com isto, o jornal "Brazil" (frequentemente referido como "Brasil") foi um periódico de linha editorial republicana que circulou no início do século XX na cidade de Blumenau, em Santa Catarina.
Atuou como um veículo de oposição e de difusão e fortalecimento das ideias republicanas em uma época em que a região não aceitava o golpe da Proclamação da República e tentava se adaptar aos novos tempos políticos dos golpistas residentes no Rio de Janeiro, no final do século XIX.
A sua fundação e circulação ocorreram em um período com fortes transformações sociais, culturais e econômicas no Brasil e na região.
XXVI
"Brazil"  

Os representantes blumenauenses da política chefiada, no Estado, pelo governador Hercílio Luz, haviam movimentado as suas forças no sentido de acabar com a publicação do "O Nacional". Este jornal, como já vimos, pelo seu extremado nativismo, pelos constantes ataques a personalidades de destaque na vida municipal, pela simples circunstância de serem alemães, ou descendentes destes, havia provocado naturais e fortes e reações de parte da população. Blumenau era, então, o maior eleitorado do Estado, uma força política respeitável que a situação procurava cortejar. 
Forçado por pressões de toda sorte, o "O Nacional" teve que ceder. Foi, entretanto, um desaparecimento apenas para salvar as aparências.
Pouco mais ele um mês depois, surgiu, em seu lugar, o "Brazil", impresso nas mesmas oficinas e praticamente com a mesma direção. A orientação, sim, é que apareceu mudada. 
Também hebdomadário, o "Brazil" apareceu a 7 de junho de 1919. Redação e 0ficinas ficavam à rua Goiás, hoje Amadeu da Luz. Assinaturas: Interior, 6$000; exterior, 7$000. Diretor proprietário Alfredo da Luz. Diretor-redator, Edgar Barreto. Toda a correspondência deveria ser dirigida ao Diretor-gerente Ildefonso Teixeira. Formato 28 x 37 cm., com 4 páginas. 
O artigo de apresentação, na primeira coluna da primeira página, vem assinado pelo diretor-proprietário Este, em aviso, comunica que "Aos assinantes do "O Nacional", que pagaram as suas assinaturas, será distribuído o "Brazil" até completá-las".
Em vários números, Edgar Barreto publica eruditos artigos sobre filologia e linguística, criticando compêndios de gramática portuguesa, apontando neles erros e impropriedades. Barreto já se revelava, então, o grande filólogo que se firmou, no Estado, como um dos catarinenses de maior conhecimento da gramática portuguesa.
Já com os números 4 e seguintes, "Brazil" começa a atacar o Superintendente Paulo Zimmermann e o Coronel Pedro Cristiano Feddersen, que contrariavam a pretensão de Alfredo Luz e Ernesto Mendel que pleiteavam a concessão do Serviço de Aguas e Esgotos e a construção de bondes elétricos na cidade. Esse assunto apaixonou a população por várias semanas, tendo nele se envolvido os dois outros jornais locais, o  "Urwaldsbote" e o "Blumenauer-Zeitung". 
Tendo, em agosto, seguido para o distrito de Encruzilhada, para trabalhar como auxiliar da Comissão de Engenheiros chefiada pelo Dr. Oscar Sá, o Sr. Ildefonso Teixeira deixou, em fins de julho, de 1919 a gerência do jornal. Igualmente, a 31 de agosto, Edgar Barreto seguiu para São Paulo, onde foi concluir o seu curso jurídico, pois era quartanista da Faculdade ele Direito daquela capital, sendo substituído por Francisco Margarida na redação do "Brazil". 
Até aí, o jornal se mantivera numa atitude elevada, observando de um ponto de vista superior e equânime, o problema étnico de Blumenau. Daí por diante, entretanto, a orientação do jornal mais nativista, não perdendo oportunidade de criticar os alemães aqui residentes, os seus usos e costumes.
Em fevereiro de 1920, assume as funções de diretor-secretário o Dr. Luiz de Freitas Melro, continuando Alfredo da Luz como diretor-proprietário e Francisco Margarida como diretor-redator.
O advogado provisionado, Antônio Gomes Winter, que havia pouco se estabelecera em Blumenau, passa, por essa época a colaborar ativamente no jornal. assinando artigos patrióticos e biografias dos principais vultos da nossa história. 
Com o número 45, de 9 de maio de 1920. Francisco Margarida deixa de figurar no cabeçalho do jornal, como seu diretor-redator. Continuam Alfredo da Luz e Freitas Melro, como diretor-proprietário e diretor-secretário, respectivamente. 
Na questão da greve, ocorrida a 20 de junho de 1920, na Emprêsa Industrial Garcia, encabeçada pelos anarquistas Fritz Koch e Georg Sterneck, depois expulsos do território nacional, "Brazil" atira-se, desassombradamente, à luta contra o "Blumenauer.Zeitung" e o Coletor Federal Luiz Weneck Teixeira de Castro, que procuravam justificar o movimento. A polêmica foi violenta, baixando a termos pouco condizentes com a ética jornalística, a ataques e ofensas pessoais, de parte a parte.
Com o n°. 89, de 12 de abril de 1921, deixa o cargo de diretor-secretário o Dr. Freitas Melro. Passa o jornal a ser dirigido por Gomes Winter que figura no cabeçalho como gerente. Alfredo da Luz continua como proprietário.
Parece que a luta travada com o "Blumenauer-Zeitung" e a orientação acentuadamente nativista desgastaram o entusiasmo com que o "Brazil" vinha lutando. A parte editorial passa a tratar de assuntos de somenos interesse local para cuidar mais de assuntos gerais, perdendo muito da agressividade e da vivacidade primitivas.
Com o n°. 131 do Ano III, de 26 de fevereiro de 1922, o "Brasil" cessou a sua publicação.
Esse jornal foi, incontestavelmente, resultado de um esforço patriótico em prol do progresso da comunidade. Militando num meio que dispunha de regular cultura, com dois periódicos muito acreditados e de grande tiragem, redigidos no idioma alemão, que era o da maioria da população blumenauense, não foi sem sérias e quase que intransponíveis dificuldades que ele conseguiu abrir caminho que lhe possibilitasse a publicação pelo pouco mais de dois anos que tantos foram a sua existência. Teve os seus dias áureos e os seus dias sombrios. Mas não resta dúvidas de que se mostrou sempre um paladino que foi vencido mais pelo desinteresse dos seus editores e redatores do que pela alegada agressividade do meio. 
Tendo adoecido gravemente o seu proprietário, Dr. Alfredo da Luz, pouco depois internado numa Casa de Saúde, no Rio de Janeiro, onde veio a falecer, os que se propuseram a continuar-lhe a obra não contaram com os mesmos recursos financeiros, nem com os mesmos motivos políticos que lhe presidiram à criação e, deixando-o entregue à redação de um elemento estranho, quase, à sociedade à cuja causa deveria servir, o "Brazil" estava mesmo fadado a uma vida limitada. Mas, não se pode deixar de reconhecer que essa folha foi um representante da imprensa brasileira em Blumenau e, como tal, soube manter, de um modo geral, a linha e a compostura recomendáveis. Abstraindo alguns excessos de linguagem, devidos ao calor com que defendeu os seus pontos de vista, o "Brazil" manteve uma conduta serena, louvável. Defendeu sempre com calor a política de Hercílio Luz.
O Arquivo Histórico possui parte da coleção desse jornal. Também a Biblioteca Pública do Estado possui a coleção quase completa. Revista  Blumenau em Cadernos, março de 1970 - Tomo XI.
Alfredo da Luz (1888–1944) - Primeiro Diretor-Proprietário

Alfredo Filipe da Luz (1888–1944) foi filho de Hercílio Pedro da Luz (1860–1924) e de Etelvina Cezarina Ferreira da Luz (1870–1914). Seu pai, como Alfredo, residiu em Blumenau e foi o principal representante local dos Republicanos. É interessante que o jornal que possuía, "Brazil", estava localizado na atual rua Amadeu da Luz, nome de seu irmão Amadeu Felipe da Luz (1892–1934). Alfredo, como seu pai e a maioria de seus 13 irmãos, também nasceu em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina.
Era um advogado e, como seu pai, também foi político. Atuou como deputado estadual (1919–1921). No início do século XX, em plena juventude, foi o proprietário do jornal "Brazil", no qual ousava criticar os nomes do pioneirismo que fundou Blumenau, pertencentes à comunidade luterana (ele era católico), como, por exemplo, o Coronel Feddersen e Paulo Zimmermann. De certa maneira, somava forças aos republicanos regionais, onde seu pai e família atuavam.
Faleceu no Rio de Janeiro, capital do Brasil, em 1944, com 56 anos.

Ildefonso Teixeira Ramos (1881 -  - )  Diretor-Gerente

Reflexo dos novos tempos políticos em Blumenau e região após o golpe. Migração de muitos políticos das regiões dos personagens que aplicaram o golpe da Proclamação da República no Brasil. Ildefonso Teixeira Ramos, ou somente Ildefonso Teixeira, nasceu em Mamanguape, Paraíba. Ildefonso era filho de Bernardino Teixeira Gonçalves Ramos (———1905) e de Josefina Alves da Silva (1854–1935). Ainda na Paraíba, na cidade de João Pessoa, se casou com Julieta de Almeida Melo (1886–1970) em 26 de maio de 1905. 
Após 10 anos, já residindo em Blumenau, se casou em Luiz Alves com a jovem Emma Küster, de 19 anos, em 19 de agosto de 1915, 10 anos após seu casamento com a paraibana Julieta, sendo que esta ainda estava viva no momento do segundo casamento, pois faleceu somente em 1970. Ildefonso contava com 34 anos no seu casamento com Emma
Lembramos que na época, no início do século XX, as leis vigentes não permitiam a dissolução definitiva do vínculo matrimonial. A separação legal só se tornou possível com a instituição do desquite no Código Civil de 1916, um ano após o casamento com Emma Küster — que afastava os cônjuges, mas não permitia novo casamento —, enquanto o divórcio oficial só foi aprovado no Brasil em 1977. Temos aí, portanto, uma bigamia e, com isso, uma prática considerada crime desde o Código Penal de 1890 (e mantida no Código Penal de 1940, no artigo 235).
Registro de casamento de Ildefonso Teixeira Ramos (34 anos - casado em Parayba) com Emma Kürter (19 anos), em Luiz Alves.
Registros de sua atuação no cenário de Blumenau, no início do século XX, destacam sua atividade no jornal "Brazil" — lançado em 1919 e sediado na então rua Goiás (atual Amadeu da Luz - nome do irmão do dono jornal). Durante o período de circulação do periódico, ele se envolveu em debates públicos sobre as obras de saneamento e infraestrutura da cidade, chegando a criticar duramente lideranças políticas locais e a pleitear melhorias para o município sem conhecimento ou lastro sobre as realizações destas. Demonstrava ignorar que haviam sido essas mesmas lideranças as responsáveis por desbravar a região e fundar cidades em plena floresta, deixando explícito o caráter essencialmente ideológico e político de suas abordagens.
Apesar dos embates, seu nome figura com frequência nas colunas sociais da época, que registram sua participação em cerimônias oficiais ao lado de prefeitos, cônsules e outras autoridades de Blumenau, como ocorreu expressivamente em 1916.
Não se dispõe de registros sobre sua formação acadêmica tampouco informações detalhadas sobre suas origens familiares na Paraíba. Evidencia-se que ele aportou em Blumenau impulsionado pelas novas correntes políticas, buscando ascensão social a partir do alinhamento com a ideologia republicana emergente, para o desânimo das famílias pioneiras de Blumenau.

Edgar Barreto - Filólogo - publicava no jornal "Brazil"

É curiosa a ligação desta personalidade com o perfil deste jornal (Brazil) dentro da tradicional comunidade blumenauense. Edgar Barreto (1894–1967) foi pai de Aiga Hering, que residia no casarão verde da rua 7 de Setembro, próximo à fonte, e foi quem nos apresentou a Hercílio Deeke dentro de uma de nossas pesquisas.
Vamos procurar compreender isto.
Edgar Barreto nasceu em Tubarão, SC, na localidade de Pedras Grandes, e foi filho de Manoel Barreto (1860–1936) e de Liddy Jeanetta Ernestina Dankwardt (1868–1931). Mudou-se para Blumenau ainda na sua infância e foi um dos primeiros residentes da cidade a cursar Direito na Faculdade do Largo de São Francisco (USP).
Barreto se casou com uma das filhas de Josef Maximilian Deeke (1875–1931), ou José Deeke, e de Emma Maria Rischbieter (1885–1950), filha do cervejeiro de Itoupava Seca, que residia no local onde atualmente está localizado o Norden Bar.



Local da casa paterna de Emma Deeke, onde atualmente está o Norden Bar, Blumenau.
Edgar Barreto (1894–1967) e Christine Elise Deeke (1905–1985) se casaram em 3 de maio de 1930, em Blumenau, e eles foram os pais de sua única filha, Aiga Deeke Barreto (1931–2016), que se casou com Roland Herbert Müller Hering (1918–2003).
Edgar foi o orador oficial na cerimônia de bênção e inauguração dos sinos da Igreja Matriz São Paulo Apóstolo, em 1930. Também contribuiu com textos autorais para o periódico Revista Blumenau em Cadernos, onde, entre outras coisas, publicou cartas e memórias sobre a história local e regional.
Foi homenageado com a colocação de seu nome em uma das ruas do bairro da Velha Central — a conhecida rua Dr. Edgar Barreto.

Francisco Margarida (1863 - 1937): Diretor - Redator de fevereiro até maio de 1920 

Francisco Antônio de Oliveira Margarida (1863–1937) nasceu em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, em 21 de fevereiro de 1863 — filho de Alexandre Francisco de Oliveira Margarida (1839–1916) e de Maurícia Francisca Garcia. Frequentemente era chamado de Major Francisco Margarida ou apenas Francisco Margarida e foi um político abolicionista, jornalista e escrivão na Província de Santa Catarina, com atividade predominante em Blumenau, que na época abrangia quase todo o território do Vale do Itajaí.
Destacou-se por seu posicionamento pelo fim da escravidão em Santa Catarina. Ajudou a lançar o primeiro jornal abolicionista do estado e promoveu diversas ações para arrecadar fundos e comprar cartas de alforria.
Sua atividade em Blumenau, onde residiu por muitos anos, era a de escrivão de juiz de paz, e exerceu também atividades políticas e sociais. Também esteve envolvido na fundação de instituições locais, como o primeiro clube carnavalesco da região, os “Filhos do Inferno” (fundado em 1897), e chegou a ser um dos fundadores do Posto Náutico da cidade.
Marcou seu currículo, igualmente, sua atividade como jornalista, quando por poucos meses foi o redator e diretor de publicações do jornal "Brazil" (4 meses).
Escreveu artigos com o pseudônimo de Marryat, nome que reporta ao Capitão Frederick Marryat (1792 - 1848), escritor inglês, oficial da Royal Navy, e um contemporâneo e conhecido de Charles Dickens.
Margarida foi deputado estadual, quando cumpriu 4 mandatos entre 1898 e 1912.
Faleceu em Joinville em 1937.

Freitas Melro (1883 - 1969) - (novo)Diretor-proprietário e diretor-secretário

Luiz de Freitas Melro (1893–1969) nasceu em 30 de janeiro de 1893 em Gararu, Sergipe. Foi filho de Joaquim de Freitas Melro (1863–1945) e de Maria do Valimento Mello (——1950). Em 3 de fevereiro se casou com a blumenauense Elza Schnaider (1903–1992), bisneta de Pedro Wagner. Melro, além de delegado de polícia em Blumenau, também exerceu as profissões de advocacia e jornalismo. Também trabalhou como diretor jurídico de uma empresa da cidade.
Uma rua do bairro Jardim Blumenau recebeu seu nome.
Seu filho mais velho, Wilson de Freitas Melro (1924–2014), foi um dos fundadores da TV Coligadas em 1969 (atual NSC TV Blumenau).

Fritz Koch e Georg Sterneck- Sindicalistas e Anarquistas

Fritz Koch, operário e líder sindical alemão, radicado em Blumenau, se destacou na história por liderar uma histórica greve de trabalhadores têxteis em 1920, na Empresa Industrial Garcia. Por conta de seu ativismo, ele e também, Georg Sterneck foram deportados do Brasil sob a acusação de subversão.
Eles trabalhavam na Empresa Industrial Garcia e, em 1920, ajudou a organizar os operários para reivindicar melhores condições de trabalho, salários e a redução de demissões injustificadas na fábrica. Na época, a greve paralisou a fábrica por alguns dias. Os empresários e autoridades de Blumenau denominaram Koch e Sterneck como "agitadores sociais" e "comunistas perigosos".
O governo brasileiro interveio a pedido das autoridades locais e decretou a expulsão sumária de ambos do Brasil.
Apesar do ocorrido, o movimento grevista que ele ajudou a conduzir resultou em conquistas sociais para os trabalhadores da indústria.

Antônio Winter - Novo Diretor
Pai de Alfredo da Luz, idealizador de o "Brazil".
O advogado Antônio Gomes Winter também exerceu a função de jornalista em Blumenau durante o início do século XX. Ele chegou à região por volta de 1920 e teve uma atuação marcante na imprensa local, na política e no meio esportivo.
Além de dirigir o jornal "Brazil", escrevendo biografias de personalidades brasileiras e artigos sobre temas nacionais e "republicanos", atuava na área do esporte. Winter deixava explícito que o jornal fazia oposição à cultura predominante dos pioneiros, fundadores de todas as cidades da região.
No esporte, exerceu o cargo de orador oficial do Club Foot-Ball Blumenauense, pioneiro do futebol na cidade. Durante as comemorações de aniversário do clube em 1921, Winter foi responsável por discursar e integrar a sociedade blumenauense e do Vale do Itajaí.
Também atuou como articulista e organizador da Liga Atlética do Vale do Itajaí (LAVI) em 1921. Foi ele quem sugeriu a nomeação de Hercílio Pedro da Luz (então candidato ao governo estadual) como presidente emérito do Club Foot-Ball Blumenauense, em 1922.
Blumenau passou por isso e ainda nem tinha chegado o período do nacionalismo. Isso nos faz compreender por que há nuvens de ausência cultural na região.

Na sequência - a matéria apresenta o jornal "Kiriri"

Montanhas da Serra do Quiriri - Campos do Quiriri - região
de Joinville.
O "Jornal Kiriri" (frequentemente grafado na época como Quiriry ou Quiriri) circulou em Blumenau no início do século XX. O jornal possuía um perfil humorístico e político marcante, publicando crônicas e, a exemplo do "Brazil", críticas à sociedade da época. Embora os registros históricos da Hemeroteca Digital Brasileira apontem sua circulação e publicações por volta do ano de 1920, não era o jornal principal ou oficial da cidade de Blumenau.
A imprensa local de Blumenau era ocupada por jornais de língua alemã ou de colônias de imigrantes, como o Der Urwaldsbote (um dos mais influentes informativos locais da época) e o Blumenauer Zeitung (pioneiro da imprensa em Blumenau).
O nome Kiriri utilizado pelo jornal do início do século faz uma alusão direta à geografia local (a imponente cadeia de montanhas da Serra do Quiriri, situada mais ao norte do estado), carregando o significado tupi de "Silêncio Noturno".
Curioso é que José Ferreira da Silva se deu ao trabalho de apontar o jornal "Kiriri", fazendo críticas e esclarecendo que teve somente um número. Qual é o mérito, então?
XX V I I
"Kiriri"

Com este título apareceu, no sábado de Carnaval (14 de fevereiro) de 1920, um jornalzinho de 4 páginas, redigido em português e alemão.
Formato 28 x 38 cm. Trazia no cabeçalho, além do título entre vinhetas, as indicações de: "Diretor-chefe João Firamfolho" e "Redação de Scharfe Ecke n°7, Blumenau".
Como folha carnavalesca deixou muito a desejar. 
Pouca graça,  com piadas e poesias mal feitas, como esta que descrevemos como amostra:

"Olhando sempre pro chão
No meu passo vagaroso
Tropeço às vezes em vão
 Pensando no bem ditoso

Ó que graça, que delícia
Naquele olhar piedoso!
Que palidez tão sublime
No seu rosto tão sedoso."

Não podia haver coisa de pior gosto. A maior parte do jornalzinho era feita em língua alemã, mas tanto nesta, como na parte portuguesa, nada tem digno de registro. Foi impresso nas oficinas do "Brazil".
Publicou-se (ainda bem!) um único número. O Arquivo Histórico possui um exemplar dessa edição. 
Bairro de Ponta aguda - curva acentuada do Rio Itajaí-Açu.
Não encontramos fontes que mencionassem as pessoas responsáveis citadas, "Diretor-chefe João Firamfolho" e "Redação de Scharfe Ecke". É sabido somente que a expressão Scharfe Ecke não seria um nome de pessoa, mas uma expressão do idioma alemão ("esquina afiada"). Em Blumenau e região, o termo tornou-se um apelido histórico e cultural para se referir à região do atual bairro Ponta Aguda, em uma curva acentuada do Rio Itajaí-Açu.
Os pioneiros alemães costumavam nomear áreas geográficas, morros e acidentes geográficos de acordo com suas características físicas ou por apelidos bem-humorados.
Ponta aguda - Prainha.
Na sequência - o jornal "Die Schnauze"

O "Die Schnauze" (traduzido livremente como "O Focinho" ou "O Boca Grande") era um jornal satírico de Blumenau. O periódico trazia textos em alemão com críticas bem-humoradas à administração municipal e caricaturas de figuras conhecidas da cidade. Sua primeira edição circulou em 28 de fevereiro de 1920, criada originalmente para celebrar o primeiro aniversário da Musikverein Lyra (Sociedade Musical Lyra). Diferente dos jornais informativos tradicionais, o periódico apostava no humor, em sátiras e em crônicas do cotidiano blumenauense da época.
A publicação manteve sua tradição de circular anualmente até fevereiro de 1936, quando foi extinta.
Era um reflexo da forte e ativa presença das associações recreativas, musicais e culturais (Verein) formadas pela comunidade dos pioneiros a partir da cultura alemã.
XXVIII 
"Die Schnauze" 

Este foi, sem dúvida, o mais interessante, o de vida mais longa e o mais temido jornal carnavalesco publicado em Blumenau. Redigido inteiramente em idioma alemão. Seu principal redator foi o chefe das oficinas do jornal "Der Urwaldsbote", também jornalista e poeta, Feodor Axtelm que, além de trabalhos esparsos, deixou um livro de poesias em que retrata homens e coisas da vida blumenauense das primeiras décadas deste século.
"Die Schnauze" apareceu, em seu primeiro número, a 28 de fevereiro de 1920, comemorando o primeiro aniversário de fundação da Sociedade Musical "Lyra" ("Musikverein Lyra"), com sede no Teatro Frohsinn. 
"Schnauze", em tradução literal, significa "focinho", mas é também "boca" em sentido depreciativo, vulgar, No caso, deveria ser traduzido por "O Bôca Grande".
Sua publicação anual, era feita por ocasião dos festejos carnavalescos. Formato 23,5 x 32,5 cm., com 4 ou 6 páginas. Muito bem escrito e bem impresso, o seu aparecimento era sempre ansiosamente esperado. Suas críticas, feitas com muita graça, eram ferinas e, por isso mesmo temidas. Criticava, inclusive, com muito bom humor, a própria administração municipal e as autoridades constituídas, como por exemplo, neste tópico: 
"Estatística. No Município de Blumenau são fabricados, anualmente, 1.485.923 tijolos. Sobre a cabeça de cada um dos seus habitantes caem exatamente, 23 e meio tijolos por ano" .
Os pequenos e grandes industriais não escapavam às verrumadas do jornalzinho: 
"Pronunciamentos de homens célebres: "Se eu soubesse, disse o imperador romano Nero, ao seu chofer. que os automóveis ainda não tinham sido inventados, eu não teria te contratado". "Se eu soubesse, disse Colombo ao seu rei, que se podia chegar, comodamente,  à América em seis dias de viagem de vapor, eu não teria passado tanto trabalho num barco a vela. "Se eu soubesse, disse um fabricante de cerveja aos seus amigos em redor de urna cervejada, que aqui em Blumenau se bebia uma porcaria como esta, eu teria vindo para cá já há dez anos a trás... " 
Charadas, trocadilhos, enigmas em prosa e verso, sempre mexendo com alguém. ou comentando algum acontecimento social de maior importância, eram feitos com certa dose de maldade, mas sempre sem descer a ataques diretos ou pessoais. Caricaturas ilustravam quase todas as páginas das diversas edições, algumas sarcásticas, outras irônicas, davam ao jornal um aspecto material agradável, tanto quanto a sua parte literária. 
Por mais de uma vez, entretanto, pessoas atingidas por alguma crítica, sentiram-se ofendidas e houve até intervenções policiais e processos judiciais em consequência de matéria publicada em "Die Schnauze". Foi um jornalzinho que marcou época e que realmente soube ser um órgão carnavalesco em alto estilo, que conquistou fama, sendo ansiosamente aguardado e lido.
Impresso nas oficinas do "Der Urwaldsbote", foi publicado, ininterruptamente, em todos os carnavais de 17 anos seguidos. Desapareceu com o número 17, de fevereiro de 1936. O Arquivo histórico possui toda a coleção desse interessante órgão carnavalesco. 

Teatro Frohsinn, sede da Sociedade Musical "Lyra" ("Musikverein Lyra"). Centro Histórico de Blumenau - Stadtplatz.

Feodor Axthelm (1884 - 1969) - Redator

O nome verdadeiro é Theodor Axthelm, e registrado na história local como Feodor Axthelm. Foi um industrial, acionista e figura ativa na vida cultural e social da região de Blumenau do século XIX e início do século XX. Teve forte atuação na imprensa local e no comércio, como aconteceu neste jornal. O livro sobre a memória da Associação Empresarial de Blumenau (ACIB) publicou um momento engraçado que o envolvia: em outubro de 1939, quando o governo brasileiro nacionalizou a imprensa e decretou a suspensão forçada de jornais em língua alemã devido à Campanha de Nacionalização, Axthelm, que era o chefe de impressão do jornal Der Urwaldsbote, reagiu com uma célebre e irônica observação aos colegas: "— Agora podemos ir, hoje à tarde, caçar gafanhotos...".
Sede da Livraria e Tipografia Blumenauense entre os anos de 1893 e
 1941. Neste local também era editado o jornal “Der Urwaldsbote”
.
Diários oficiais históricos do Arquivo Público do Estado de Santa Catarina apontam sua atuação no meio empresarial da região. Ele é listado formalmente em atas comerciais como industrial, acionista e secretário de empresas tradicionais, a exemplo da antiga Tipografia e Livraria Blumenauense S.A.
Axthelm também participava ativamente dos momentos sociais e culturais de Blumenau. Registros históricos de outubro de 1921 apontam sua presença e colaboração em eventos e concertos promovidos pela tradicional Sociedade Musical "Lyra", que movimentava os salões e teatros de Blumenau, com apresentações artísticas e bailes familiares beneficentes.

Jornal "O Escudo"

Este jornal foi um semanário fundado em 1921 pelo autor deste artigo publicado em Blumenau em Cadernos, José Ferreira da Silva. Ele circulou inicialmente na cidade de Rodeio e, posteriormente, passou a ser distribuído em Blumenau. Teve grande importância para a comunidade de imigrantes italianos e tiroleses da região.
O jornal possuía dimensões de 30 x 46 cm com quatro páginas. A primeira página era escrita em português e as duas internas em italiano. A última página era destinada a publicidades, anúncios e editais. Era direcionado às colônias italianas e tirolesas no Vale do Itajaí.
Ferreira da Silva esteve à frente do jornal em Rodeio até 1924, quando se mudou para a sede de Blumenau e deu sequência a outros projetos jornalísticos.
XXIX 
"O Escudo"

Deve-se a fundação desse jornal ao sr. José Ferreira da Silva, autor, também, destas notas sobre a Imprensa em Blumenau Em 1920, esse jornalista, depois de ter dirigido, por alguns meses, a escola estadual de Arapongas, em Indaial, foi nomeado escrivão de Paz e Tabelião do 7°. distrito do Município de Blumenau, com sede na então vila de Rodeio. Ali, no convento dos Padres Franciscanos, existia ainda uma impressora e grande quantidade de material tipográfico que servira, por muitos anos, à publicação do semanário "L'Amico", de que já tratamos.
Entrando em entendimentos com o Superior do Convento, Padre Policarpo Schuhen, fundador das Irmãs Catequistas, aquele jornalista conseguiu adquirir, para uma Sociedade que fundara com elementos locais. o referido material e iniciar a publicação de um jornal, intitulado "O Escudo" e cujo primeiro número apareceu em 1921. O cabeçalho. com o título, foi feito na calderaria de Hindelmeyer, em Blumenau de letras recortadas em metal amarelo. Era de formato de 30 x 46 cm, com quatro paginas, a primeira delas redigida em português e as duas interiores em italiano. A última era, em geral, destinada à matéria paga: anúncios, editais, etc. O jornal era especialmente destinado às colônias blumenauenses habitadas por elementos de origem italiana e tirolesa, como Rodeio, Ascurra, Rio dos Cedros, etc.
Do cabeçalho constavam, além do título, as seguintes indicações: "Propriedade da Sociedade Rodeiense de Imprensa. Presidente, Sílvio Scoz. Tesoureiro, Marcelo Moser. Redator -Secretário, José Ferreira da Silva. Periódico semanal. Assinaturas: Ano 6$000. Semestre 4$000" .
A princípio foi redator da parte italiana o sr. Giuseppe Zanluca que já militara, por muitos anos, na imprensa como um dos redatores do jornal "L'Amico", antecessor do "O Escudo". Zanluca era dos primitivos imigrantes italianos, chegados a Blumenau em 1875. Homem de alguma cultura, foi, por muitos anos, mestre de primeiras letras. Com a fundação do "L'Amico", prestou grandes serviços a esse semanário auxiliando Frei Lucínio Korte, seu criador, tanto na redação como na própria composição do jornal, pois conhecia também a arte tipográfica. Era homem muito recatado, pouco comunicativo. Algum tempo depois, entrou para a redação da parte italiana o sr. Mário Locatelli que, emigrado da Itália, viera residir em Rodeio, onde constituiu família. integrando-se completamente naquela comunidade a que prestou assinalados serviços.
Locatelli era de um espírito alegre , folgazão, inteligente e culto. Manteve, por muito tempo no jornal uma seção intitulada "Grata e Tass" ("Coça e Cala"), em dialeto trentino, da maioria dos moradores de Rodeio, e que despertava grande interesse e hilariedade tendo dado enorme notoriedade ao periódico. Eram crônicas em que se contavam piadas, anedotas, frases atribuídas a conhecidos moradores das redondezas e se comentavam, de forma alegre e picante, fatos acontecidos na colônia ou na residência de algum dos seus habitantes.
Em 1924, Ferreira da Silva foi transferido para Blumenau, deixando a direção de jornal confiada a Mário Locatelli, tanto na sua parte italiana como na portuguesa.
"O Escudo" deixou de existir em 1928.
A Biblioteca Pública do Estado possui, apenas, os números 21, 29, 36, 38 e 39 a 41 do II Ano. A coleção, incompleta, desse seminário, que existia no Arquivo Municipal, foi destruída pelo incêndio de 1958. 

 José Ferreira da Silva (1897 - 1973) - Fundador e equipe

O professor José Ferreira da Silva (1897 - 1973) dispensa apresentações, mesmo que muito pouco de seus trabalhos seja destacado pela história local. Foi o pilar de todas as instituições e publicações existentes atualmente em Blumenau, até mesmo deste pequeno resumo que estudamos neste momento. 
Ferreira da Silva nasceu em Tijucas - SC em 16 de janeiro de 1897.
Além de professor e político, foi um dos mais importantes intelectuais, historiadores e jornalistas da história de Blumenau. Atuou como prefeito da cidade entre os anos de 1938 e 1941, deixando um legado cultural e estrutural profundo em toda a região. Nesse período, promoveu a criação do Museu Fritz Müller, a instalação da Biblioteca Pública Municipal e iniciou a implementação da rede de água potável em Blumenau. Também foi o idealizador e o fundador da revista cultural Blumenau em Cadernos, em 1957, que tinha como objetivo registrar e traduzir a história local. Na década de 1970, assumiu a direção da Biblioteca Dr. Fritz Müller e a transformou na maior do estado de Santa Catarina, em 1974. Seu nome foi outorgado ao Arquivo Histórico de Blumenau (Arquivo Histórico Professor José Ferreira da Silva).
Algumas de suas obras publicadas:
  • O Padre Jacobs (Nótulas para a história do primeiro vigário de Blumenau), 1928.
  • A colonização do Vale do Itajaí, 1931.
  • Fritz Müller (Biobibliografia de um sábio), 1931.
  • O Doutor Blumenau (Estudo biográfico), 1933.
  • O Catolicismo em Blumenau (conferência), 1939.
  • Anita Garibaldi (libreto de ópera), 1940.
  • Colônias para o Brasil (Sistema e Orientação), 1948.
  • História de Blumenau (separata), 1950.
  • História do Município de Penha, 1959.
  • Blumenau — pequeno guia turístico, 1962.
  • As terras do Itajaí Mirim e Vasconcelos Drummond (separata), 1963.
  • Itajaí, a fundação e o fundador (separata), 1967.
  • Terra Catarinense (almanaque), 1967.
  • Cronografia do Dr. Blumenau, 1967.
  • A bandeira do Brasil, 1967.
  • Otaviano Ramos — biografia de um poeta, 1971.
  • Entre a enxada e o microscópio — episódios da vida de Fritz Müller, 1971.
  • História de Blumenau, 1972.
  • A Imprensa em Blumenau, 1977.

O livro "A História de Blumenau" é uma de nossas referências primárias.

Quase no fim da lista de Ferreira - o jornal "O Gasparense"

Foi o primeiro jornal impresso do município de Gaspar, em Santa Catarina, circulando entre os anos de 1923 e 1936 e fundado pelo jornalista Albano Pereira da Costa, natural de Itajaí. O acervo de O Gasparense encontra-se digitalizado e preservado digitalmente, podendo ser consultado pelos interessados através do site da Hemeroteca Digital Catarinense.
No "O Gasparense" o leitor encontrava pautas sobre economia, política e a vida diária, com propagandas das grandes casas comerciais, questões políticas antes e depois da emancipação política. 
XXX
"O Gasparense"

Em 21 de setembro de apareceu em Gaspar, então segundo distrito do Município de Blumenau, um semanário de propriedade de Albano Pereira da Costa e por este redatoriado. 
Era um jornal de pequeno formato, 23 x 32 cm., de 4 páginas, impresso em oficinas próprias, precariamente montadas.
Lutando com séries dificuldades, num meio ainda acanhado, sem recursos suficentes e para uma população reduzida, a existência do "O Gasparense" durante oito anos só foi possível graças ao idealismo e a força de vontade do seu fundador. 
Albano Pereira da Costa tinha, realmente, verdadeira paixão pelo jornalismo. Seus recursos financeiros eram poucos e, para manter o seu jornal, muitas vezes teve que lançar mão de suas economias particulares, dos minguados rendimentos da pequena tipografia, sacrificando o próprio e o conforto da sua família. Conhecemos Albano Costa e acompanhamos os últimos anos de vida do "O Gasparense". Saía este, então, com bastante irregularidade, deixando, em certos períodos, de aparecer por várias semanas seguidas, devido ora ao acúmulo de serviços de gabinete, ora à falta de papel ou de tinta. Por mais de uma vez, quando redatoriávamos "A Cidade", em Blumenau, tivemos oportunidade de ceder a Albano, por empréstimo, papel e tinta indispensáveis à impressão do seu jornal. E o fazíamos sempre prazerosamente porque admirávamos o seu heroísmo à frente do pequeno órgão de imprensa. 
"O Gasparense" desapareceu em 1930. Teve uma vida modesta, mas gloriosa . Parte da coleção desse jornal pode ser encontrada na Biblioteca Pública do Estado, em Florianópolis. 
Albano Pereira da Costa (1899 - 1939) -  Fundador e proprietário

Nasceu em Itajaí em 1899, filho de Pedro Pereira da Costa (1872–) e de Rita Jacintha de Souza.
Antes de trabalhar em Gaspar, Albano trabalhou no jornal "Novidades", de Itajaí, que foi perseguido e fechou por questões políticas.
Recebeu um convite de Eurico da Silva Gaspar para efetuar um trabalho semelhante e mudou-se para a cidade. Albano integrou os quadros da Usina São Pedro (uma grande usina de açúcar e álcool da região), trabalhando diretamente no escritório da empresa junto à família Fontes. 
Foi ligado ao partido político União Democrática Nacional (UDN). Albano faleceu com 40 anos de idade, em 22 de janeiro de 1939. Está sepultado no Cemitério Municipal Santa Terezinha, em Gaspar.
Recentemente, a memória do seu trabalho ganhou novo fôlego com a digitalização completa de suas edições históricas enviadas para a Hemeroteca Digital Catarinense, preservando o início do jornalismo no Vale do Itajaí.

Para termina lista de Ferreira da Silva - o jornal "O Bem-Te-Vi"

Histórico jornal estudantil manuscrito que circulou no início do século XX em Blumenau. Ficou registrado na história da imprensa e da educação da região como um exemplar único feito por e para estudantes (que eram colegas de colégio na época). Por ser manuscrito e de tiragem extremamente restrita, ele não tinha o formato comercial dos grandes diários da época, mas servia como um importante veículo de integração, crônicas e socialização escolar.
XXXI 
"Bem-te-vi" 

Com este título e dizendo-se "periódico semanal, jornal crítico e humorístico" apareceu em Blumenau um jornalzinho manuscrito e mimeografado. Seu primeiro número deve ter aparecido em maio de 1923. Era seu diretor A Largura e a assinatura mensal custava 800 réis. Formato 23 x 32 cm. Quatro páginas.
 Não sabemos se esse jornalzinho teve vida além do número 5, de que possuímos um exemplar em nosso Arquivo. Esse número é datado de 4 de junho daquele ano. 
Vai aqui uma amostra das brincadeiras do "Bem-te-vi" para que se tenha uma ideia do que foi aquele jornal: "Bolo à la moda da Escola Complementar: Toma-se 50 gramas das fitas da Hilda, 200 gramas da dentadura postiça da Helena e junta-se-Ihe 100 gramas do namoro da Edeltraut. Amassa-se bem. Leva-se em seguida 20 gramas das lanchas do Pedro, duas colheres de sopa das caricaturas do Krepski na União e 10 gramas da encrenca na Escola Complementar. Amassa-se tudo bem e o produto que daí resulta despeja-se no lixo". 
Lá pelo começo da segunda década do século, pode ser que isso fazia graça.
Pelo visto, o jornalzinho era obra dos alunos da Escola Complementar, anexa ao Grupo Escolar "Luiz Delfino".
Grupo Escolar Luiz Delfino

A Escola de Educação Básica (EEB) Luiz Delfino foi fundada em 30 de dezembro de 1913. Recebeu o nome em homenagem ao poeta e médico catarinense Luís Delfino. As atividades começaram oficialmente em 2 de março de 1914, sob a direção de Arlindo Lopes Chagas, recebendo inicialmente 182 alunos. 
Foi nesta escola que a personalidade da EFSC (Estrada de Ferro Santa Catarina), Carlos Krueger, ia fazer o exame de admissão, no período do nacionalismo, e os responsáveis da escola que eram funcionários de fora, riscavam a prova dele mandando-o para casa pelo simples fato de ser filho de alemão. Ele nos contou isso em entrevista, com lágrimas no olhos.
Residia na Vila Nova e, para chegar à escola, ia por uma picada.
Primeira sede, localizada no atual local do Núcleo de Prática Jurídica da FURB e Justiça Eleitoral de Blumenau, próximo a atual prefeitura Municipal de Blumenau.
Na década de 1960, a instituição mudou-se para sua atual sede. localizada na rua São José, no Centro da cidade. 
O edifício foi ampliado para comportar o crescente número de estudantes.
Atualmente a escola oferece Ensino Fundamental, Ensino Médio Regular e Ensino Médio em Tempo Integral.

Páginas da Revista Blumenau em Cadernos - onde foi publicado o artigo de Ferreira da Silva
Leituras mencionadas no texto - Para ler - basta clicar sobre a escolhida.
  1. Aniversariante - Imperador do Brasil D. Pedro II - e a Colônia Blumenau
  2. Proclamação da República do Brasil - Golpe Militar no Governo Imperial brasileiro
  3. Jornal Republicano em Blumenau - "Brazil" - Início do Século XX
  4. Da Casa Rischbieter ao Norden - Valorização da Cultura - da História e da Arquitetura - Blumenau SC
  5. Josef Maximilian Deeke - José Deeke - Personalidade de Blumenau e região do Vale do Itajaí - Sobrinho de Heinrich Krohberger.
  6. Uma História que iniciou muito antes da chegada de Hermann Blumenau - Johann Peter Wagner / Pedro Wagner - O pioneiro
  7. Elesbão Pinto da Luz - Comissário de Polícia de Blumenau - fuzilado pelos Republicanos, na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim.
  8. O impacto do Nacionalismo de Getúlio Vargas no Vale do Itajaí, antiga Colônia Blumenau
  9. O Carnaval é uma festa brasileira?
  10. Um personagem - Carlos Krueger - Tradição e História
Um registro para a História.
 
Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
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AngelinaWittmann  (Facebook)












segunda-feira, 29 de julho de 2024

Kulturverein - Die Kolonie Blumenau - A 1ª Cooperativa do Brasil

Bella Alliança, atual Rio do Sul - Colônia Blumenau.





Indústria alimentícia familiar Hemmer - Blumenau.
A ideia de cooperativismo veio junto com o idealizador e fundador da Colônia Blumenau, na metade do século XIX - Hermann  Bruno Otto Blumenau. Fundou uma colônia agrícola particular baseada na distribuição de propriedades rurais familiares autossuficientes, a partir de um planejamento regional, contando com uma rede de caminhos, integrado os principais núcleos produtores, cujo excedente era destinado a alimentar a indústria de alimentos que beneficiaria o excedente da produção familiar de cada propriedade rural.  
Uma das muitas propriedades rurais, que possuíam uma pequena fábrica alimentícia em suas instalações, para produzir geleias, embutidos, conservas, queijos, manteigas, queijinho e outros derivados do leite. Local para guardar grãos, colheitas, sementes, trato, etc. Excedente, mais tarde, alimentava as fábricas alimentícias que surgiam.


Pouco tempo atrás contamos a história da Companhia Jensen, entre tantas outras indústrias alimentícias, na região, processo responsável pelo surgimento da indústria no estado de Santa Catarina, o qual também aconteceu na região de Joinville.
Companhia Jensen - empresa familiar que tinha com matéria prima o excedente das propriedades rurais do entorno e mesmo de outras regiões.







A Colônia Blumenau nasceu como uma "Firma" que operou como uma empresa particular da agricultura/pecuária à indústria, pertencente ao fundador Hermann Bruno Otto Blumenau, ex-fiscal da "Sociedade de Proteção aos Emigrados Alemães" com sede em Hamburg, na qual, ele foi um dos representantes enviado para o Brasil para averiguar a situação dos imigrantes alemães nas fazendas de café do sudeste.
"A construção Social do Vale do Itajaí não teve “in loco” nenhum processo econômico anterior ao capitalismo. Não houve, como sugerem alguns autores, o modo de produção feudal, anterior à revolução industrial. No projeto de ocupação do território, elaborado por Hermann Blumenau, estava explícito o modo de produção capitalista; ele prepôs desenvolver a agricultura cuja produção seria beneficiada industrialmente."   Pag. 9 (VIDOR, 1975).

A colônia nasceu sob o empenho da racionalização, sob a tutela do planejamento e com o requinte da capacidade empresarial de muitos de seus administradores e componentes. Nasceu como empresa agrícola com vistas ao desenvolvimento industrial. Nasceu impregnada dos “novos tempos” que mal atingiam as áreas de onde provieram os colonos – a revolução industrial. pag. 46. (LAGO, 1968).
Porto fluvial de transporte de passageiros, Vapor Progresso – Blumenau. Último ponto de navegabilidade do rio Itajaí-Açu e estrategicamente o local do Stadtplatz da Colônia Blumenau. Desse ponto para cima, na direção para o interior da bacia do Itajaí, foi planejada a intermodalidade, como por exemplo, a construção da ferrovia – EFSC, implementada e, cujo primeiro trecho, foi inaugurado, somente seis décadas após a fundação de Blumenau.


Participamos do XII CAAL - Encontro Internacional das Comunidades da América Latina de Língua Alemã, na cidade de Nova Petrópolis - Rio Grande do Sul - no mês de setembro de 2014. Durante uma das palestras que assistíamos, ouvimos que a primeira cooperativa no Brasil, surgiu no Rio Grande do Sul, no início do século XX. Conversando com uma pessoa ligada às cooperativas de Blumenau e ouvimos a mesma versão. Conhecíamos a história da fundação da Colônia Blumenau e percebemos um equívoco.
A primeira cooperativa do Brasil surgiu no  Vale do Itajaí, em 1863, e foi formada pelas primeiras lideranças da própria Colônia Blumenau.
Pesquisadores no último dia do XII CAAL  - Nova Petrópolis RS.

Analisando aspectos históricos e conceitos, concluímos que a primeira cooperativa do Brasil tenha sido a Kulturverein - fundada na segunda metade do século XIX por Carl Willhelm Friedenreich, sob coordenação de Hermann Blumenau. Para registro, Friedenreich, foi um dos 17 pioneiros fundadores, e quando chegou à região contava com 27 anos. Era veterinário, natural da Prússia.

Partindo do pressuposto que o cooperativismo aflora com a união de pessoas ou grupos a fim de um objetivo comum, compreende-se que essa forma de associação esteve presente desde os primórdios da humanidade, quando de forma solidária, nossos ancestrais pela necessidade de sobrevivência em lugares avessos supriam suas necessidades pela cooperação no intuito de conseguir abrigo e alimentos. (CENZI, 2012).

São diversos os exemplos de congregação de grupos e pessoas ao longo da história da humanidade no intuito de auxílio mútuo. Os nômades se reuniam para coletar e caçar. Povos asiáticos cultivavam lavouras e os diversos povos indígenas ao redor do mundo se agrupavam para caçar, pescar e guerrear. (CENZI, 2012).

Isso do associativismo ter sido utilizado, como foi, na comunidade dr. Blumenau, apenas por existir como equipamento de herança social do imigrante implantado ali, não é um entendimento completo. O imigrante ali, foi liderado e a sua sensibilidade associativista, funcionou no programa de um sistema. E esse sistema foi conduzido por um líder atuante: o Dr. Blumenau. (JAMUNDÁ, 1966, p.53)

De acordo com o conceito moderno, a essência da cooperativa de trabalho é a de criar vantagens e/ou, condições melhores para o cooperado exercer sua atividade, ao contrário do que se estivesse trabalhando de forma autônoma, tal como aconteceu em Blumenau, ainda no século XIX.
Propriedade rural recém formada, com a construção da casa temporária, derrubada da mata para criar espaço para a plantação e pasto para os animais. Médio Vale do Itajaí, Colônia Blumenau.
Propriedade rural em um estágio mais avançado, dentro do processo da colônia agrícola - Indaial, Colônia Blumenau.


Cooperativismo na Colônia Blumenau
Associação Kulturverein 

Associação agropecuária fundada em 19 de julho de 1863 que tinha como principais objetivos - devidamente listados em seus estatutos, tal como segue abaixo, lembrando a base do conceito atual do cooperativismo:
1 - Melhorar a economia rural, bem como as condições sociais, morais e científicas da Colônia Blumenau.
2 - Para conseguir essas metas, a sociedade “promoverá” reuniões periódicas nas quais haverá:
a) conferência sobre assunto instrutivo;
b) troca de ideias e consultas mútuas sobre os diversos problemas;
c) deliberações referentes a esses mesmos problemas.
De acordo com a publicação da revista Blumenau em Cadernos Tomo X, março de 1969 - N° 3, em 1863, havia na Colônia Blumenau: 14 marceneiros, 17 carpinteiros, 4 fabricantes de carros, 1 fabricante de canoas, 2 construtores de engenhos, 3 torneiros, 6 tanoeiros, 12 pedreiros, 2 cavouqueiros, um açougueiro, 6 alfaiates, 8 sapateiros, 5 seleiros, 1 funileiro, 8 ferreiros, 3 médicos, 1 espingardeiro, 1 relojoeiro, 1 caldeireiro, 3 barqueiros e catraieiros, 1 médico homeopata e parteiro, 1 farmácia, 10 casas de negócios de secos e molhados e 6 hospedarias e tavernas.
Os sócios da Kulturverei  promoviam encontros mensais, através de reuniões ordinárias, das quais participavam igualmente, convidados, colonos (na maioria, foram seus idealizadores) e comerciantes de destaque na Colônia Blumenau, como também os administradores da Colônia, muitos destes, como sócios.
Propriedade rural e produtor.
Segundo LAGO (1968), e ciente do objetivo de Hermann Blumenau, a Colônia Blumenau nasceu como uma empresa agrícola com foco na industrialização do excedente das propriedades rurais.  A localização determinou sua função desde o início, de entreposto comercial e de centro preferencial de investimentos aplicados no setor da economia industrial. 
Passados alguns anos após a fundação, a colônia apresentava certo desenvolvimento econômico, pela comercialização do excedente agrícola das propriedades coloniais e surgimento de pequenas indústrias familiares. O objetivo socioeconômico da implantação dos núcleos urbanos dentro da grande Colônia Blumenau era o de produzir (produção agrícola x transformação industrial) e inserir esses grupos no mercado nacional.
Propriedade rural na localidade de Indaial, também munida de uma pequena fábrica de açúcar.

Colônia Blumenau. Casal com duas pequenas filhas trabalhando na lavoura.
Foi com este pensamento que Blumenau retornou aos propósitos que o haviam inspirado a vir para o Brasil como fiscal do governo alemão, ainda na primeira metade do século XIX. Este, estava determinado a investir numa colônia agrícola privada com imigrantes alemães, que como proprietários dos lotes por eles escolhidos, se dedicassem ao cultivo da terra e a criação de animais. Sempre que possível, estes proprietários forneceriam o excedente da produção de sua propriedade para a indústria que surgiria na região. Este projeto, também é comentado na publicação de José Ferreira, o livro: História de Blumenau.

Kulturverein

De todas as associações fundadas pelos primeiros imigrantes alemães no Vale do Itajaí, a Kulturverein se destacou porque mantinha relações com todas as áreas importantes da colônia em formação a partir das ações de suas principais lideranças.
A primeira preocupação dos pioneiros e de
 Hermann Blumenau, foi o de promover uma cultura agropecuária de maneira racional e eficiente, dentro das propriedades agrícolas, que rendesse uma quantia significativa em pouco espaço de tempo para compensar o trabalho nas propriedades com a melhor tecnologia e meios disponíveis. Com este objetivo, se organizaram na associação do Kulturverein, a qual propiciava fomentar um amplo debate entre os colonos (que neste momento eram todos os primeiros imigrantes), sobre questões que trariam melhorias na produção agrícola e pecuária, através da aquisição de novas tecnologias e produtos, bem como, a troca de informações, afim de conseguir a evolução e o aumento da produção para todos os sócios e a quem estivesse interessado mediante um pequeno pagamento.  
Muitas de suas atividades, desde sua fundação, foram pesquisadas e traduzidas do alemão para o português por Frederico Kirlian, que analisou e estudou documentos originais, os quais organizou e resumiu, publicando-os posteriormente em alguns exemplares do periódico mensal -  Blumenau em Cadernos.
Kultuverein die Colonie Blumenau foi fundada em 19 de julho de 1863, no ambiente do Schützenverein Blumenau. Os membros do Kulturverein eram em número de vinte e seis. Destes, dezoito eram sócios da Schützenverein Blumenau, e Friedenreich era sócio fundador da primeira sociedade de tiro de Blumenau. 
Muitas das atividades, da Kulturverein, desde sua fundação, foram pesquisadas e traduzidas do alemão para o português por Frederico Kirlian, que analisou e estudou documentos originais, os quais organizou e resumiu, publicando-os posteriormente em alguns exemplares do periódico mensal - Blumenau em Cadernos.
A Kulturverein teve como seus principais idealizadores: Willhelm Friedenreich, Rohlacher, Faust, Sametzkl, Baucke, Schäffer, Külps, G. Schäffer, L. Sachtleben,  Benz, Lobedan, Wehmuth, Ernest, Henr, Weise, Wendeburg, Breithaup, Lösecke e Johann Jarschow. 
A iniciativa foi de Willhelm Friedenreich que convidou os demais para o ato de criação da Sociedade em sua residência, em 19 de julho de 1863. Neste mesmo dia foi definida a pauta da primeira reunião da associação, que aconteceu em 16 de agosto de 1863. Foram abordados entre outros assuntos: 
  • debate sobre a escolha da cultura predominante na colônia, naquele momento; 
  • palestra sobre a Vida das plantas;
  • definição e pagamento das mensalidades por parte dos sócios.
Parte da  Ata de fundação da Kulturverein
"Atendendo  a um convite do Sr. Willhelm Friedenreich, reuniram os senhores Rohlacher, Faust, Sametzkl, Baucke, Schaeffer, W. Schaeffer, Külps, G. Schäffer, L. Sachtleben, Benz, Lobedan, Wehmuth, Ernesto e Henr, Weise, Wendeburg, Breithaupt, Lösecke e Johann Jarschow, no dia 19 de julho de 1863, na casa do primeiro, que fez um exposição das finalidades, natureza e vantagens da Sociedade de Cultura a ser fundada, passando-se, então, à discussão e aprovação dos Estatutos, que foram assinados pelos presentes, resolvendo estes fixar o prazo de uma semana, dentro do qual os demais interessados que o quisessem poderiam assinar os mesmos estatutos que, para esse fim, se achavam a disposição na casa do Sr. Victor Gaertner. A primeira diretoria eleita na ocasião, ficou assim constituída: Presidente, Wilhelm Friedenreich; vice, Sr. Sametzkl; tesoureiro: Hermann Wendeburg. Foi designado o dia 16 de agosto do dito ano de 1863 para se realizar a primeira reunião da Kulturverein..."
Primeira Reunião após o ato de fundação
Dia 16 de agosto de 1863

Sametzki palestrou para os presentes sobre a cultura de milho, do tabaco, do algodão e do bicho-da-seda. Também,  Friedenreich recomendou o plantio de frutos oleosos e plantas fibrosas, como, por exemplo: pita, agave, bananeiras, etc. Houve o depoimento de Riemer que afirmou já ter feito experiências com bananeiras de flor vermelha. Também, aconteceu o debate sobre a cultura do tabaco, no qual Fridenreich leu matérias jornalísticas sobre o assunto, publicadas em jornais norte americanos.
Foram nomeadas comissões para fazer experiências com sementes e plantas de tabaco. Sametzki, Bruch, Romer e Müller foram designados para as experiências. 
Foi definida a pauta para a próxima reunião: apresentação dos relatório das comissões de experiências e prosseguimento das palestras sobre a cultura do tabaco.
A segunda reunião da Kultuverein aconteceu em 13 de setembro de 1863, na qual foram decididas várias questões. Nesse dia, Hermann Blumenau contribuiu no debate da cultura do fumo, recomendando que se espalhasse serragem misturada com um pouco de alcatrão sobre as sementeiras. Disse que isto, manteria as lesmas afastadas do cultivo. Nesta reunião foi definida a pauta para a 3° reunião do Kulturverein que aconteceu em 11 de outubro de 1863. 
Nesta reunião, foi lido o trabalho sobre a cultura do milho, que deu margem a um grande debate sobre o assunto e sobre o melhor modo de se fazer experiências a respeito. Como a comissão do fumo, também foi feita a comissão do milho. Também foi reformulada a diretoria. Presidente: Wilhelm Friedenreich, Vice: Sametzki e Secretário:  Labes.
Na reunião de 8 de novembro de 1863 - a 4ª - houve uma  palestra sobre o tema fixado na ordem do dia. Friedenreich continuou sua palestra sobre a ação do agricultor e fez ver, no decorrer dela, a necessidade e a importância de se acumular adubos. Foi formada uma comissão para efetuar a primeira revisão dos estatutos e conversou-se sobre a cultura de plantas bulbosas. Também foram distribuídas sementes de feijão de várias qualidades: manteiga, tupim, olho-de-pombo, carrapto, caboclo, mouro, garombe, guari, tupim carioca, favas de lastro e outras para onze colonos. Estes plantariam e fariam observações para os sócios em reuniões futuras do Kulturverein.
Propriedade Wege - Benedito Novo (Colônia Blumenau).


Na reunião de 13 de dezembro foi apresentado o estatuto devidamente revisado por sua comissão.
Nessa revisão foi apontada a necessidade de  elevar  o nível social, moral e científico da Colônia Blumenau, através da Kulturverein. Ficou também definido que todos os moradores da colônia, do sexo masculino, que houvessem completado 15 anos, poderiam ser sócios da Kulturverein, sem o direito de voto. Este era somente permitido  aos homens com idade acima de  21 anos. Sócios menores de 21 anos, pagavam uma mensalidade de oitenta réis e os sócios maiores, 160 réis. A renda arrecadada na Kulturverein era destinadas para  à aquisição de sementes, máquinas agrícolas, livros, manutenção de uma biblioteca, etc. A aplicação do capital da sociedade dependia de autorização prévia tomada em reunião de sócios. A Diretoria não necessitava de autorização prévia para quitar despesas inferiores a um mil réis.
..."Após a aprovação dos Estatutos, os sócios ainda trataram de vários assuntos, tendo o Sr. Kleine feito uma interessante conferência sobre a cultura de tubérculos, seguindo-se ao mesmo um intenso debate. em vista da importância do  tema, foi adiada a continuação dos debates para a reunião seguinte. Os senhores S. Scheefer, Schroeder e Riemer, ofereceram-se para fazerem experiências com a cultura do taiá. o Sr. Friedenreich proseguiu na sua conferência sobre o tema: "O papel do Agricultor", abordando, nesta, especialmente, a criação de animais domésticos, notadamente o aperfeiçoamento de raças cavaleres. A "Caixa de perguntas" continha a seguinte pergunta: " Não considera a sociedade muito proveitoso incentivar  a criação de ovelhas na Colônia, não só para o consumo de lã, como também para aumentar o mercado de carne para consumo da colônia?"... Ata - Dia 13 de dezembro.
Na reunião de 17 de janeiro de 1864, Friedenreinch comentou sobre o conteúdo de amido nas diferentes plantas e na reunião do dia 14 de fevereiro de 1864, foi debatida a questão da importação e criação de ovelhas na colônia, com a elaboração de um regulamento contendo, em seus 7 artigos, importantes disposições sobre a distribuição de reprodutores. Como por exemplo: O sócio adquirente de reprodutores, tinha o prazo  de um ano para pagar, em duas prestações, o valor do animal, acrescido das despesas havidas com a importação. Somente era permitido abater as ovelhas se o criador provasse que havia criado um número maior de ovelhas do que pretendia abater. Quanto aos carneiros machos, só poderiam ser abatidos, quando  nenhum colono demonstrasse interesse nestes.
Nesta reunião, ainda,  
Friedenreich leu um artigo sobre a importância da mudança de sementes na cultura das plantas. Riemer propôs que fosse solicitado a Hermann Blumenau a importação de sementes novas de milho, principalmente de qualidade e de caules curtos, da América do Norte e da Europa, como também, novas mudas para as batatas, cuja importação deveria ser feita do Estado do Rio Grande do Sul.
Na próxima reunião, que aconteceu em 13 de março de 1864, entre outras coisas, foi  debatido o assunto da cultura de algodão e novamente foi pedido a Hermann Blumenau, uma semente de qualidade, já adaptada ao clima do sul do país. Na 9ª reunião - no dia 10 de abril de 1864, foi sugerido a Blumenau que  conseguissem mudas do bambu da Espanha - O que foi declinado na reunião de 8 de maio de 1884. Os sócios concluíram que o bambu da Espanha poderia se tornar uma praga, o que foi suficiente para a Kulturverein não seguisse adiante com a ideia. Também nesta reunião foram distribuídas sementes de trigo oriundas da Romênia e foi decidido que a Kulturverein fizesse importação de sementes de hortaliças da Alemanha. Também foi feita a leitura do trecho do livro "Viagem às Índias Ocidentais".
Blumenau do final do século XIX.
Finalmente, na reunião da Kulturverein de 12 de junho de 1864, foi distribuída a semente de milho com grãos miúdos. Nesta mesma reunião, aconteceu a palestra de Eberhard dando sequência ao assunto - "A vida das Plantas" e a do Pastor Hesse que falou sobre a "História do Brasil". Foi sugerido, que nas próximas reuniões fosse feita uma pesquisa estatística apresentando as diversas culturas já efetuada na colônia e seu respectivo rendimento, o que ficou a cargo de um dos palestrantes da noite - Pastor Hesse.
Foram comentados sobre a maneira correta de plantar mudas de aipim, para não apodrecerem, como também, o aproveitamento da grama cortada, como adubo. Durante a 12ª reunião, foi levantando o assunto da planta "mata cavalo", que acreditaram ser responsável pela morte dos animais. Foi sugerido que Kulturverein destinasse cinco mil réis como premiação ao colono que trouxesse um exemplar da planta mortífera e que ainda não era conhecida pelos colonos.
Stadtplatz de Blumenau - Rua das Palmeiras - 1869.












Na  reunião de 14 de agosto de 1864, Friendenreich apresentou uma planta dizendo tratar-se da "mata-cavalo". Foi decidido que a Kulturverein compraria um cavalo para ser cobaia na experiência com a planta apresentada.
A 14ª reunião aconteceu em 9 de outubro de 1864 e foram abordados assuntos como: a renovação, por eleição, da Diretoria. Na reunião seguinte - 15ª reunião - que aconteceu em 8 de janeiro de 1865, foi proposto que a associação intercedesse para um aumento da criação de ovelhas. Também foi levantada a hipótese de que a sociedade adquirisse uma máquina de fiar para o beneficiamento da lã e do algodão produzidos na Colônia. Na 16ª reunião - reunião do dia 12 de fevereiro de 1865, foi debatida sobre a compra de uma máquina de fiar. Decidiu-se encarregar Hermann Blumenau para adquirir a máquina na Alemanha, custeada pela Kulturverein. Para realizar a 17ª reunião, houve um lapso de 10 meses. Esta aconteceu  no dia 10 de dezembro de 1865.

Parte da Ata da 17ª reunião...
"...Sr. Friedenreich apelado para os presentes, que não deixassem decair a sociedade, propondo ainda que se acrescentasse um parágrafo no estatutos, que determinasse que os haveres da sociedade, de forma alguma, pudessem ser aplicados para outros fins, a não ser os declarados nos estatutos, e,  si por ventura a sociedade deixasse de existir, seus bens deveriam ser guardados, pela diretoria, até que se formassem outra sociedade agrícola e com os mesmos fins, à qual ditos bens seriam então entregues. A proposta foi aceita. A seguir, procedeu-se à eleição da nova diretoria que ficou assim constituída: Presidente - H. Baucke, Vice-Presidente - Pastor Hesse, Secretário - Th. Schröder."
Na 18ª reunião, que aconteceu em 11 de fevereiro de 1866, foi eleita uma comissão para mais uma revisão nos estatutos. A necessidade foi constatada a partir da admissão de um grande número de novos sócios. A revisão foi apresentada na 19° reunião, em 11 de março de 1866. Ficou decido, que após as modificações, os novos estatutos seriam enviados ao Dr. Fritz Müller, em Desterro, (Florianópolis) para ele encaminha-los ao Presidente da Província Santa Catarina para sua aprovação. 
A intenção desta aprovação era para adquirir a obtenção dos direitos corporativos (Cooperativa). Isto no século XIX, e este fato não consta na história das cooperativas do Brasil.
Houve várias modificações na nova versão estatutária da Kulturverein, como por exemplo - uma, presente no § 3°, que fixava a Assembleia Geral de fim de ano para 2 de dezembro. Nesta data, se comemoraria, também a data natalícia do Imperador do Brasil - D. Pedro II. Também, foi aumentada a mensalidade dos sócios de 160 réis para 200 réis, e fixada uma joia de um mil réis. 
A aplicação da renda ficou a mesma praticada até então. Kulturverein utilizava a renda para a aquisição de sementes, instrumentos e máquinas agrícolas, animais para reprodução, livros e revistas sobre agricultura e para a formação de um biblioteca popular e como já mencionado - Despesas superiores a cinco mil réis necessitava de autorização e aprovação da Diretoria, em reunião mensal. 
A 20° reunião aconteceu em 13 de maio de 1866. O destaque para esta reunião foi o fato que o presidente  comunicou a renúncia do Pastor Hesse de seu cargo de Vice-Presidente. A vaga foi preenchida, após eleição, por Labes, aquele que construiu a casa enxaimel na Rua São Paulo e esta foi realocada. A sociedade decidiu nesta reunião, organizar e custear uma exposição pecuária.
Em 10 de junho de 1866aconteceu a 21ª reunião da Kulturverein. Entre os principais temas abordados, estava o projeto da exposição pecuária. 
Na 22ª reunião, ocorrida em 8 de julho de 1866, foi deliberado sobre a aquisição de livros técnicos referentes à criação de animais domésticos. 
A 23ª reunião aconteceu em 9 de setembro e a 24° reunião, em 14 de outubro de 1866. Nesta última foram definidos detalhes sobre o programa da reunião de encerramento que aconteceria em 2 de dezembro e a festa do aniversário do Imperador do Brasil - D. Pedro II. Muito interessante esta prática da sociedade dos imigrantes oriundos de uma parte da Europa, que conviviam em contato com Reinados e culturalmente com os contos dos Irmãos Grimm. Possuíam contatos com suas culturas e histórias, fortes ligações com o sistema político, em suas principais cidades, muitas vezes muito distantes dos demais brasileiros que viviam na região e, portanto, quase indiferentes.
Nesta reunião também se conversou sobre a importação de sementes de grama e capim dos Estados de La Plata.
D. Pedro II - 1877.
A
26° reunião aconteceu no salão do farmacêutico Keiner. Houve a eleição da nova diretoria. O novo secretário eleito - Theodor Kleine, que recebeu o saldo em caixa -  Rs. 114$600. Após a reunião, todos foram para o jardim da residência de Keiner, onde festejaram e brindaram com música e discursos, o aniversário do Imperador do Brasil - D. Pedro II.
A Kulturverein se reuniu em 13 de janeiro de 1867, na 27° reunião ordinária. Nesta reunião os sócios receberam sementes. O restante destas sementes foi comercializado entre os não sócios. Observa-se que os sócios da Kulturverein já caracterizavam uma pequena elite dentro da nova colônia alemã fundada no Vale do Itajaí, no interior de Santa Catarina. Nesta reunião, um dos sócios - e componente da diretoria - Labes - recebeu um empréstimo da Kulturverein, sem juros e com um prazo de 2 anos para quitar, para investir na cultura do bicho-da-seda.
Nas reuniões seguintes, os sócios organizaram pedidos de encomenda e aquisição de sementes da Alemanha e da Argentina.  Na  31ª reunião, ocorrida em 15 de setembro de 1867,  Schellenberg fez a demonstração de uma invenção de sua autoria aos demais presentes  na sede da sociedade. Seu evento era uma máquina para descaroçar o algodão. 

Kirlian - Comentando sobre as Atas da Kulturverein
"...A estes relatos se seguiam interessantes debates, e uma conferência sobre o tema deste debate. Os conferenciais mais citados são: Dr. Eberhardt, Wilhelm Friedenreich, Dr. Blumenau, Pastor Hesse, Theodor Kleine, Sametzki, August Müller, Fritz Müller, W. Scheefer, Labes e outros, sendo que, por ocasião da mudança do Sr. Dr. Eberhardt, para a cidade de Desterro, (Atual Florianópolis), a assembleia da sociedade, por unanimidade, lhe conferiu o Título de sócio honorário, em vista dos reais serviços prestados à Sociedade. O próprio Dr. Blumenau, mostrava grande interesse na atividade da Kulturverein nunca deixando de enviar à mesma novas qualidades de sementes e auxiliando-a, que encarregando-se da compra e importação de animais de raça ou mudas de plantas, que pleiteando junto ao governo imperial, isenção de direitos alfandegários para tais importações ou ainda a cessão gratuita de animais reprodutores."
Na reunião de 15 de setembro de  1867, Blumenau encaminhou à Kulturverein, por Gärtner, sementes de sésamo, para ser distribuídas entre seus sócios.
Na reunião de 13 de março de 1867, houve deliberação foram deliberados sobre os recursos da sociedade para a aquisição de dois touros - um da raça "Oldenburger" e outro, da raça "Allgäuer". Também foi adquirida uma máquina de fiar para o beneficiamento do algodão produzido na  colônia.
Melhorias do rebanho.
A biblioteca fomentada, organizada e administrada pela Kulturverain, continha obras especializadas e livros técnicos, referentes à agricultura e à pecuária. A biblioteca foi a célula para a fundação da Biblioteca Pública da Colônia de Blumenau. Foi encontrada em correspondência de agradecimento da diretoria da Kulturverein ao Cônsul Geral alemão pela doação de cinquenta libras esterlinas enviadas à associação - por Hermann Blumenau. Nesta correspondência a diretoria da Kulturverein comunica ao Cônsul, que a sociedade aplicou o capital recebido, na aquisição de livros, para a "Biblioteca Popular", que mesmo a cargo e sob administração da Kulturverein, ficaria à disposição de todos os moradores da colônia.

Parte da Correspondência...
"Com a aquisição de bons livros, obras populares de todos os ramos da ciência esperamos, juntamente com os esforços da sociedade, realizar o possível para o esclarecimento instrutivo em nosso meio, e assim corresponder da melhor forma ao intento  da doação".  
A Kulturverein foi uma das sociedades blumenauenses que maiores serviços prestou à coletividade. E para que se possa ter uma ideia da variedade de objetivos que constavam das suas atribuições, foi traduzida do "Colonie-Zeitung" de Joinville de 1° de fevereiro de 1868 a seguinte correspondência assinada por Freihold:
"Blumenau, dezembro de 1867, a 2 do corrente mês, realizou a sociedade de Cultura  local uma reunião na sede dos Atiradores, na qual ficou deliberado  que, futuramente, serão realizados reuniões em diversas localidades da Colônia. Essa decisão trará, em todo caso, bons resultados, sendo que a sua concretização despertará maior interesse pela sociedade, concorrendo para o aumento do número de sócios e estimulando a iniciativa em relação às atividades agrícolas mais metódicas. Hermann Wendeburg, não desiludido  com diversas experiências frustradas, apresentou um vinho de laranjas, que foi muito apreciado por todos. Pretende ele aumentar a produção na próxima colheita, também para exportação, na forma de uma bebida saudável em substituição da cachaça, pelo aproveitamento de uma fruta cujo cultivo aqui dá ótimos resultados. 
À noite, organizou a sociedade um baile, em comemoração do aniversário do Imperador, o qual foi concorrido e só terminou com o sol nascente.
 
O brinde de honra à Sua Majestade, levantado pelo diretor H. Wendeburg, foi calorosamente aplaudido. Através de um levantamento feito nas últimas semanas, constatou-se o fato lamentável da ausência de compreensão, entre os colonos, do valor da estatística, tão proveitosa quanto indispensável no desenvolvimento da economia pública. Soube-se de casos, até então, não só de falta de compreensão, como de manifesta má vontade. É necessário agir através de exemplos e ensinamentos para extinguir opiniões errôneas e substitui-las pela compreensão  e convicção da necessidade de organização de relações estatísticas decretadas pelo governo. Seria um ponto a ser incluído no programa da Sociedade Cultural. Conforme notícias colhidas, entre a população total de 3391 almas, 127 meninos e 136 meninas, portanto 263 crianças receberam instrução escolar nas 12 escolas existentes. considerando-se que, nas regiões mais distantes da Colônia, ainda faltam escolas, a relação numérica de alunos não é insatisfatória. A coisa muda, entretanto, observando-se a relação da frequência. constatam-se casos de 0 a 100% de ausências. Que os pais, a quem mais se deve atribuir essas faltas, se convençam que eles nada de mais precioso podem oferecer aos filhos do que proporcionar-lhes instrução adequada. Eles deveriam considerar que, mais tarde, por falta de cultura dos cidadãos, representados na atual juventude escolar, os postos exponenciais da administração dos núcleos de colonização alemã, por força das circunstâncias, serão ocupados por brasileiros e a cultura e os nossos costumes atávicos, ao invés de serem aproveitados cada vez mais em prol do nosso desenvolvimento, de nada mais nos servirão, extinguindo-se, finalmente. Existem atualmente 5 prédios escolares na colônia, dos quais dois foram construídos, inteiramente, às custas do governo, que contribuiu, também,  para os outros 3. É de se mencionar ainda que, por parte da direção da Colônia, foram reivindicados auxílios para mais dois prédios escolares, sendo um para Encano e outro para o Alto Rio do Testo, de  600$000 para cada um cujo deferimento se espera. Há poucos meses publicou este jornal  a tradução de um regulamento para as Colônias, organizado pelo governo. Se bem que este projeto, para peritos de sistemas de auto-administração, não seja perfeito, divergindo, mesmo, em diversos pontos, das constituição liberal de nossa nova Pátria, não devemos esquecer que as colônias não se podem manter ainda pelos próprios impulsos, necessitando, seguidamente, de auxílios da parte do governo. Podemos, mesmo assim, receber com satisfação a introdução deste Regulamento, como primórdios do início da auto-administração. Em outubro já chegou a aprovação, por parte da instância governamental, dos nomes propostos pela direção da Colônia, para o Conselho Colonial. São os dos senhores Baucke, Freygang, Kuelps, Müller, Schreiber e Spierling. além desses cidadãos é o médico da colônia (Dr. Knoblauch) Membro perpétuo e o diretor (H. Wendeburg) presidente deste conselho. O último convocou para 5 de novembro uma reunião para proceder-se a eleição do secretário  e suplente do mesmo, ficando um dos membros ainda incumbido do planejamento do programa de regulamento comercial. Foram tomadas outras decisões e deferidos pedidos de empréstimos financeiros.Na segunda reunião, a 3 de dezembro (as reuniões realizam-se sempre às primeiras terças feiras de cada mês) foi aceito este projeto do regulamento comercial e deliberado sobre outros assuntos. Convêm realçar as seguintes decisões: Mandar traduzir e imprimir as Posturas para torná-las acessíveis aos colonos; construir fornos para os colonos recém chegados; adquirir  um terreno para curral do Conselho; construir diversas estradas e pontes, assim sobre o Encano e a Itoupava; empregar inspetores de caminho, com pequena gratificação, set., Será o projeto governamental de regulamento para as Colônias adotado, por enquanto, apenas experimentalmente, pretendendo-se empreender estudos e discussões sobre o assunto, para, caso consideradas oportunas algumas alterações, apresentá-las ao governo para a devida aprovação.Suponho ser do conhecimento geral que o projeto do Regulamento Colonial, organizado pelo Conselho anterior, não obteve a respectiva aprovação. Mesmo assim, os seus representantes se reuniram recentemente de novo, propondo novas eleições para o ano próximo. a maioria, entretanto, com critério acertado sobre a situação, declinou da proposta. Deveria ter sido, portanto, este o último sinal de vida desta corporação. Seria?  Freihold "
Escola Alemã da Comunidade Ilse - Ascurra.

A partir desta primeira organização cooperativa surgiram  outras organizações com inúmeros objetivos para efetuar e aplicar projeto importantes à Colônia, através da união de seus sócios e desenvolvimento de suas atividades dentro da colônia que sistematicamente era construída a partir da infraestrutura, escolas, casas comerciais e indústria.
Colônia Blumenau.
Otto Prochnow, seus dois irmãos Leopoldo Prochnow e Bruno Prochnow, junto de João Will, Otto Zwicker e Eduardo Will, são considerados pioneiros de Agrolândia, território da Colônia Blumenau. Bruno Prochmow (pioneiro) é avô de Bruno Prochnow - dono do acervo desta fotografia.







Colônia Blumenau.





No momento do surgimento das classes sociais e a divisão do trabalho na região - a partir do comerciante forte e do industrial que usava a matéria prima excedente das propriedades rurais - tal como fora planejado inicialmente - parte do script do fundador Hermann Blumenau, ficou difícil, todas as lideranças locais (agora em partes opostas) participarem de uma mesma cooperativa e sociedade, pois os interesses predominantes eram diferentes. Com as classe sociais surgiram outras associações. Sócios da Kulturverein fundaram a Associação Comercial e Industrial de Blumenau - ACIB, por exemplo, pois seus interesses passaram a ser outros e não poderiam debater com aqueles que  forneciam matéria-prima para suas fábricas e estoques para seu comércio.
"Com o fortalecimento comercial e industrial na colônia, a Kulturverein – Sociedade de Cultura, associação dos principais colonos fundada em 1863, não atendia mais às expectativas da nova elite blumenauense. 
Mesmo existindo já a divisão de trabalho na colônia desde a fundação, há um momento em que fica mais nítido o papel do produtor, mão de obra (colono, agricultor), o comerciante (atravessador) e o industrial (transformador), sem contar, agora, com a formação de uma massa de trabalhadores que passam igualmente a trabalhar na indústria emergente. Com uma distinção de classes sociais mais evidenciada e a definição da estrutura social para a produção do capital, surge a necessidade de mudar o perfil da associação que representa esta nova elite na Colônia Blumenau. Cria-se, então, a nova Associação em 5 de novembro de 1901, denominada Associação Comercial e Industrial de Blumenau - ACIB, atual Associação Empresarial de Blumenau. Esta associação tinha como principais objetivos, naquele momento, início do século XX: 
a) aumentar os lucros sobre a compra de produtos adquiridos dos colonos a um custo menor (questão sensível que implicava diretamente com os interesses dos produtores); 
b) desenvolver o comércio dentro dos núcleos urbanos afastados, por meio da venda de utensílios domésticos e para a lavoura (os produtores, seus consumidores);  
c) padronizar, aumentar a qualidade do produto industrializado na indústria local e fiscalizar a qualidade da matéria-prima oriunda dos colonos, atrelando esta condição ao seu valor; 
d) melhorar os caminhos e estradas entre os vários núcleos urbanos da colônia e desta para outras regiões, para o rápido escoamento dos produtos industrializados (quase sempre a mão de obra era das famílias produtoras); 
e) viabilizar a construção de uma ferrovia na região (plano antigo - trazido pelas premiras lideranças e que influenciou na escolha do local do Stadtplatz da Colônia); 
f) inserir representações políticas locais no cenário político estadual e nacional. 
Participaram dessa primeira assembleia de fundação, como sócios- fundadores, os senhores Herman Sachtleben, Henrique Probst, Alwin Schrader (Prefeito), Ricardo Scheffer, Friederich Blohm, Bruno Hering, Hermann Hering, Paul Husadel, Ferdinand Schrader, Caetano Deeke, Wilhelm Nienstedt, G. Arthur Koehler, Pedro Christiano Feddersen e Gustav Salinger.
Família Hering - Início do século XX. Frente de sua residência - Rua XV de Novembro.


Gustav Salinger
 'A principal motivação que reuniu as lideranças locais foi a possibilidade de juntas poderem ter mais força para reivindicar ao governo a abertura e manutenção de melhores vias de escoamento da produção local, fixar bons preços de compra junto aos colonos e de venda dos produtos manufaturados nos mercados externos. (SANTIAGO, 2001).'
O primeiro presidente da ACIB foi o cônsul alemão Gustav Salinger, sócio do Cel. Feddersen. A associação teve no ato da fundação a adesão de 34 empresas. 
Pedro Christiano Feddersen, Cel. Feddersen, viajou em 1904 para a Europa, onde entrou em contato com possíveis interessados no projeto da ferrovia, mostrando e destacando a estes todas as vantagens da sua construção no Vale do Itajaí. Teodoro Lüders elaborou estatísticas para Feddersen levar e apresentar aos pretensos parceiros europeus.
De acordo com Santiago (2001), a primeira missão dos novos diretores da ACIB foi a de buscar entendimento com os líderes da Kulturverein, pois se tratava da sociedade associativa mais forte da cidade, que unia agricultores e comerciantes, e nesta última estavam somente os comerciantes."  (WITTMANN, 2010.)
Sindicato Agrícola

Um dos embriões do primeiro banco no Estado de Santa Catarina foi o Sindicato Agrícola que surgiu  a partir da necessidade de angariar recursos para viabilizar as primeiras ações da construção da Estrada de Ferro, modal de transportes idealizado, por Hermann Blumenau quando implantou a sede da colônia no último ponto navegável do rio Itajaí-Açú.
Localização do trecho do rio Itajaí-Açu navegável, e ao longo do grande rio em direção ao oeste, caminho que deveria ser complemento com outro meio de transportes - no caso a ferrovia e rodovia. Do livro - A Ferrovia no Vale do Itajaí - Estrada de Ferro Santa Catarina.



Em 1° de setembro de 1907, foi realizada uma reunião no Salão Paupitz - na região do Passo Manso - atual bairro de Blumenau. Muitos dos presentes foram sócios da Kulturverein.
No Salão Paupitz, foram estabelecidas as bases para a fundação de um Sindicato Agrícola e eleita uma comissão encarregada da execução dos trabalhos preliminares para a realização da Assembleia Constitutiva da nova organização. Essa Comissão compunha-se de Henrique Miehe, João Hennings, Guilherme Wise, Otto Hindlmeyer Bruno Hering, Alvin Schrader e Eugênio Fouquet. A Assembleia Constitutiva voltou a se encontrar no 27 de outubro do mesmo ano, no Salão Oscar Gross - no Stadtplatz de Blumenau, quando foi oficializada a fundação do Sindicato Agrícola Blumenauense e também com a finalidade de fundar uma Caixa Agrícola ou Caixa Econômica de Empréstimos - o Primeiro banco do Estado de Santa Catarina.











"...A Caixa Econômica de Empréstimos – primeira instituição bancária de Santa Catarina – havia surgido (aparentemente) para guardar o capital excedente da produção dos colonos organizados sob o Sindicato Agrícola de Blumenau, que o faziam, até então, nas “Vendas”, conhecidas casas comerciais. Além da exploração mercantil, os comerciantes absorviam a poupança local, os depósitos dos habitantes, sendo conhecida a inexistência de bancos. As pessoas em situação financeira mais cômoda e em condições de poupar depositavam o dinheiro em algumas casas comerciais, que subtraiam certa taxa de juros pelo dinheiro guardado. Entretanto, este dinheiro disperso, recolhido e acumulado não sendo suficiente para impulsionar o processo industrial, foi necessário a exploração dos trabalhadores, ou seja, no lugar de um salário como forma de pagamento pelo trabalho, muito frequentemente, os trabalhadores percebiam a importância correspondente a seu trabalho em forma de mercadorias, provenientes da casa de comércio pertencente ao patrão.
[...] a utilização do capital local acumulado e a exploração da força de trabalho não sendo ainda suficientes, os empresários precisam solicitar empréstimos aos bancos alemães e brasileiros. E, neste aspecto – a busca de capitais, de tecnologias e outros recursos – os empresários locais sempre se mantiveram ligados à Alemanha. (VIDOR, 1995).
Historicamente, em 1º de setembro os sócios do Volksverein (Sociedade Popular) aprovaram a fundação de um sindicato agrícola, com o objetivo principal de criar uma Caixa Econômica de Empréstimos, oficializada no dia 27 de outubro de 1907. O fato foi propagado por meio de um folheto anexado ao jornal Urwaldsbote, de agosto de 1907, anunciando o evento. Essa Caixa Econômica iniciou seus trabalhos em janeiro de 1908. Contraditória e ironicamente, essa instituição financeira propagava ao seu público-alvo, os colonos, as vantagens e a necessidade de poupar, sob o argumento de ser uma sociedade popular, embora tivesse sido fundada por um grupo de pessoas entre as quais representantes da ACIB, que, por sua vez, estavam envolvidos com a construção da EFSC e, oportunamente, precisavam de capital para viabilizá-la. Esta iniciativa foi empreendida por um representante das lideranças locais. De acordo com Santiago (2001, p. 48), a iniciativa foi liderada por Bruno Hering, Alwin Scharader e Eugen Fouquet (jornalista), João Hennings (trabalhava na Fecularia Lorenz), Guilherme Weise, e Otto Hildelmeyer (professor de ginástica). Empolgado com o sucesso da Caixa Econômica de Empréstimos, o comerciante membro da ACIB e prefeito de Blumenau, Alwin Schrader, passou também a gerenciar a Caixa Auxiliadora Agrícola Ltda., que aceitava depósitos para poupança a partir de três mil réis, pagando 4% de juros ao ano. De acordo com Santiago (2001, p. 51), a atividade financeira passou a fazer parte do cotidiano de Blumenau." (WITTMANN - 2010)
"Este efervescer comercial, o surgimento do embrião da indústria urbana e o desejo de ampliar o mercado conectando comercialmente os núcleos urbanos do Vale do Itajaí motivaram a elite da colônia de Blumenau, formadas pelos principais comerciantes, artífices, industriais e alguns poucos colonos mais bem-sucedidos que tinham interesses. Passaram a buscar ações concretas para melhorias mais acentuadas e efetivas no sistema de transportes. A nova elite oriunda deste novo momento social, a exemplo das antigas lideranças que estavam organizadas na Kulturverein (formada por colonos e comerciantes) – Sociedade de Cultura – funda, então, a Associação Comercial e Industrial de Blumenau – ACIB. Essa entidade representou os interesses da nova elite blumenauense do início do século XX, no momento em que são bem definidas a segregação social e a dicotomia campo-cidade, no surgimento da indústria e no fortalecimento do comércio local."  (WITTMANN - 2010)
Kulturverein foi a primeira Cooperativa do Brasil e foi idealizada, quando o fundador da Colônia Blumenau - Hermann Bruno Otto Blumenau, executava os planos para fundar a sua colônia empresarial agrícola.
O fundador teve contato com a escola de economia científica europeia, a fisiocracia de Fraçois Quesnay e a partir desta, "organizou" o projeto de fundação de sua colônia agrícola nos trópicos.
"Partindo-se do princípio de que, do século XVIII em diante, as Doutrinas Econômicas começaram a influir sobre o comportamento social dos grandes vultos históricos, teremos que admitir que Hermann Blumenau, não podia ser uma exceção às regras. Mas quais as Doutrinas Econômicas que mais atraíram o Dr. Blumenau, na época, o Século XIX, em que ele viveu? Os precursores das Doutrinas Econômicas foram os fisiocratas, em século antes, tendo como seu grande animador, François Quesnay, médico e economista, aliás, ele um dos médicos de Maria Antonieta, donde adveio o seu prestígio em toda a Europa. Como economista, o Dr. Quesnay, aplicou à circulação do sangue no organismo, a própria circulação das riquezas dos povos, por isso que quando a circulação humana era perfeita a saúde também o era. Concluído que de nada valeria produzir, se não se pudesse circular, perfeitamente, para os centro consumidores as produções. Logo para os fisiocratas toda a saúde econômica dos povos dependeria da perfeita circulação de suas riquezas econômicas. O Dr. Quesnay muito escreveu sobre os princípios fisiocráticos e acredito que Hermann Blumenau, como filósofo, portanto homem culto, tenha lido e se influenciado pelas doutrinas fisiocráticas, não só por seus conhecimentos filosóficos como por seu espírito civilizador. " Nemézio Heusi – Blumenau em Cadernos
Comentário

Há divergência quanto a denominação técnica das sociedades como essa, que apresentava como um dos objetivos, em seu estatuto, trazer melhorias paro agricultor e o pecuarista, nos primeiros tempos da história de Blumenau. Recebemos duas contribuições. Uma, colocada junto do artigo publicada em nosso blog, e a outra, de maneira informal, nas redes sociais. Apresentamos aquela feita junto ao artigo, como material para outras mais pesquisas sobre o tema.

A cooperativa era denominada "Consumverein", e a Associação agrícola, como "Kulturverein zu Blumenau". A primeira foi criada pela segunda, como também o conselho comunal, Gemeinderath. As atas das duas associações, e do conselho, eram publicadas separadamente, no jornal Kolonie Zeitung, a partir de 1869. Brigitte Brandenburg

De fato, não havia uma formalização e era, somente, dotada de uma denominação e um nome. Seu funcionamento e organização atende ao sistema organizacional de uma Cooperativa e seus estatutos embasam esta afirmativa.
No artigo apresentamos também, o contexto sócio, econômico e cultural, no momento da presença dessa associação na sociedade de Blumenau da segunda metade do século XIX e surgiu a conclusão, uma cooperativa que foi base para muitas outras atividades pioneiras na região da grande Colônia Blumenau, lembrando que suas lideranças chegaram a ir para Desterro, com intuito de formalizá-la como cooperativa.
Agradecemos as contribuições.

Leituras complementares de autoria de Frederico Kilian

















Um Registro para a História.

Eu sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
@angewittmann (Instagram)
@AngelWittmann (Twitter)
Referências
  • CENZI, Neiri Luiz (2012). Cooperativismo: desde as origens ao projeto de lei da reforma ao sistema cooperativo brasileiro. Curitiba: [s.n.]
  • BASSANI, Maite Daiana. Rotinas Culturais Vivenciadas pelas crianças envolvidas pelo ideário típico alemão blumenauense. Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade do Estado de Santa Catarina.Orientadora: Profª Dra. Julice Dias. Florianópolis, 2020. Disponível em: https://www.udesc.br/arquivos/faed/id_cpmenu/251/Maite_Daiana_Bassani_disserta__o_16154836106101_251.pdf . Acesso em: 30 de julho de 2024, 14h55.
  • Blumenau em Cadernos. Blumenau em 1863.  Tomo X, março de 1969 - N° 3.
  • JAMUNDÁ, Theobaldo da Costa. Um alemão brasileiríssimo, o Dr. Blumenau. Dep. de Cultura de Santa Catarina, 1966.
  • KILIAN, Frederico. A Kulturverein. Blumenau em cadernos. Tomo II, abril de 1959 - N° 4, 1959.
  • KILIAN, Frederico. A Kulturverein. Blumenau em cadernos. Tomo IV, janeiro de 1961 - N°1, 1961.
  • LAGO, Paulo Fernando. Santa Catarina: a terra, o homem e a economia. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1968.
  • PINHO, D. B. (1966a). A doutrina cooperativa nos regimes capitalista e socialista: suas modificações e sua utilidade. São Paulo: Pioneira
  • SANTIAGO, Nelson Marcelo; PETRY, Sueli Maria Vanzuita; 
  • FERREIRA, Cristina. ACIB: 100 anos construindo Blumenau. Florianópolis: Expressão, 2001. 205 p, il.
  • SILVA, José Ferreira da. História de Blumenau /J. Ferreira da Silva. -Florianópolis : EDEME, [1972?]. - 380 p. :il.
  • SILVA, José Ferreira da. História de Blumenau /J. Ferreira da Silva. Blumenau 150 anos de Fundação. Blumenau em Cadernos. disponível em: http://hemeroteca.ciasc.sc.gov.br/blumenau%20em%20cadernos/2000/BLU2000009.010.pdf . Acesso em: 30 de julho de 2024 - 12h40.
  • WITTMANN, Angelina. A ferrovia no Vale do Itajaí :Estrada de Ferro Santa Catarina -Blumenau : Edifurb, 2010. - 304 p. :il.
  • VIDOR, Vilmar. Indústria e urbanização no nordeste de Santa Catarina. Blumenau: Ed. da FURB, 1995. 248p, il.
  • Revista Blumenau em Cadernos - Ano 1959.
Leituras complementares - clicar no link escolhido