Em 25 de julho de 2021, o C.C. 25 de Julho de Blumenau, representado por seus grupos culturais, homenageou tradicionalmente a memória dos imigrantes junto ao Monumento ao Imigrante, localizado na Praça Hercílio Luz, no Centro Histórico de Blumenau.
Neste ano não foi diferente, e o ato contou com a presença de autoridades municipais, como o prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, e o presidente da Fundação Cultural, Sylvio Zimmermann, entre outros representantes.
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| Presidente da Fundação Cultural de Blumenau e seu representante do COPE Sylvio Zimmermann e o Prefeito de Blumenau Mário Hildebrandt - homenageando o imigrante no Centro Histórico, junto ao Monumento do Imigrante. |
Três dias depois...
Vídeo da reunião onde, de forma polêmica, foi aprovado o projeto da Loja Havan no Centro Histórico de Blumenau. O processo contou com o apoio maciço de representantes da Prefeitura Municipal de Blumenau, consolidando a decisão em meio a intensos debates sobre o impacto no patrimônio edificado da região.
Recebemos quatro convites de diferentes representações sociais para acompanharmos, a partir de nossa formação técnica, a análise e a votação do projeto da nova loja de departamentos Havan no Centro Histórico de Blumenau. A votação ocorreu durante a reunião do COPE (Conselho Municipal do Patrimônio Cultural Edificado), realizada a partir das 14h do dia 28 de julho de 2021.
Resumidamente, durante a reunião, no momento da análise do projeto e antes dos pareceres, Ramon Benedett, representante do Instituto Histórico de Blumenau (IHB), leu uma carta do presidente da instituição. O documento apontava procedimentos não aprovados pela entidade no prosseguimento dos trabalhos; em seguida, o IHB retirou-se do Conselho antes da votação. Da mesma forma, o IAB, após proferir seu voto "Não" e diante da iminente aprovação, também se retirou do Conselho, manifestando discordância com a tramitação do processo. Sua representante, a arquiteta Amanda Tiedt, sugeriu que outros conselheiros seguissem o exemplo do IAB, o que não ocorreu.O projeto estava em sua segunda análise (detalhes da primeira análise ao final desta postagem). Havia sido sugerido que a proposta fosse ajustada conforme os apontamentos técnicos da primeira reunião. No entanto, antes deste segundo encontro, o empresário Luciano Hang enviou um recado aos blumenauenses afirmando que não alteraria o projeto e que a cidade sairia perdendo caso ele não fosse executado — como se uma construção kitsch agregasse valor àquele ponto do Centro Histórico.
Assim, em 28 de julho de 2021, o projeto retornou ao COPE sem as modificações solicitadas. Conforme noticiado pelo jornalista Evandro de Assis, houve contatos e confabulações com conselheiros antes da reunião. O projeto foi mantido conforme o desejo do proprietário, e o Conselho apresentou uma nova formação, com nomes diferentes, como esclarece a reportagem transcrita abaixo.
Representando os responsáveis pelo projeto, falou o ex-prefeito Félix Theiss, que se mostrou desprovido de polimento e com pouca paciência para com aqueles que apresentavam argumentação técnica sobre a implantação da loja naquela área histórica. Muitas foram as manifestações de posicionamento contrário à implantação da loja de departamentos aos pés do elevado onde se localiza a centenária Igreja Luterana do Espírito Santo.

Destacamos a fala da arquiteta
Juliana Dreher de Andrade, de Florianópolis, que observou, entre outros pontos, que o turista não frequentará o Centro Histórico para
"ver uma loja da Havan", visto que esse modelo já existe em suas cidades de origem. Mencionou, ainda, que esse estilo kitsch segue na contramão da publicidade, caracterizando-o como um
"tipo carimbão de fachadismo". Nós também apresentamos nosso posicionamento sob um olhar técnico, reafirmando o compromisso de esclarecer os fatos e registrar os nomes para a
História. A reunião do
COPE, que possui caráter público, contou com a participação da
Procuradora da República Rafaella Alberici, que atua na área de meio ambiente e patrimônio histórico, caracterizando a presença fiscalizadora do
Ministério Público Federal. |
| Procuradora da República Rafaella Alberici. |
A Votação dos Conselheiros - Processo 2020/4157 – Comércio – Rua Alwin Schrader nº 44 (Terreno P3)
Lembramos que foi apresentado o mesmo projeto, desprovido de qualquer alteração, acompanhado da fala agressiva de
Félix Theiss, ex-prefeito de Blumenau. Representando a proposta da
Loja, Theiss argumentou sobre sua implantação diminuindo o valor do espaço da região histórica sob vários aspectos. Além disso, pôs em dúvida pareceres efetuados por profissionais da
Arquitetura e Urbanismo, bem como de outras áreas especializadas.
Para esta segunda análise, houve mudanças nos nomes dos representantes que deliberavam no Conselho. Assim, 12 pessoas decidiram por uma alteração radical e desprovida de critério estético, gerando um impacto de consequências irreversíveis sob o ponto de vista urbanístico. A decisão afetou uma região de Blumenau e do Vale do Itajaí (antiga Colônia Blumenau) dotada de mais de 170 anos de história, privilegiando os interesses de um grupo formado pelo proprietário da loja e por indivíduos com poder e representatividade na cidade, em detrimento de toda a sociedade.
Pela magnitude do impacto e pelas dimensões do empreendimento, deveria ter havido uma conscientização formal, oficial e técnica, seguida por um plebiscito popular. No entanto, tal medida não interessava ao grupo misto formado, que buscou implantar o projeto no coração do Centro Histórico de Blumenau.
A eleição.
Votos Sim
Fred Manke
SEPLAN - DD/DRCU - SIM
Monica Andrade de Moraes Vieira
SEMED - SIM
João Paulo Taumaturgo
SEPLAN DMU/DG - SIM
André Machado
CREA - SIM
Tadeu Avi
SECOVI Blumenau e Região - SIM
Arquiteta Patricia Schwanke (Fundador do Blumenau Antigamente)
SECRETARIA DE PLANEJAMENTO URBANO - SIM
Engenheiro Marcos Bucco
Sinduscon - SIM
Luisa Borda
SECTUR - SIM
Camila Dix
IDIVI - SIM
Nilson Passarin
Sedec - SIM
Sylvio Zimmermann Neto (Secretário da Secretaria Municipal da Cultura)
SMC - SIM
Carlos Alberto Pintarelli
AMPE - SIM
Votos Não
Advogado Herley Ricardo Rycerz Junior
OAB - NÃO
Arquiteta Amanda Tiedt
IAB - NÃO (E nos retiramos do Conselho caso este projeto seja aprovado)
Arquiteto Guido Paulo Kaestner Neto
FURB - NÃO
Ramon Benedett IHB - pediu renuncia da cadeira antes da votação - (Poderia ter sido mais um voto NÃO e ficaria registrado na História).
Depoimentos diversos
"...Porque não tiveram coragem de expor os motivos dos votos? Porque se calaram diante de tantas manifestações? Não se trata de discussão democrática, se trata de politicagem suja, desrespeitosa e vergonhosa." Arquiteto Bruno Luiz Gonçalves
"Deveria ser feito um memorial com uma placa com os nomes e seus votos para eternizar essa "heresia" à ideia de CENTRO HISTÓRICO E MEMÓRIA DA FUNDAÇÃO DE BLUMENAU. Não estranharia, no futuro mudarem o nome da cidade. Se houver hipócritas a definir....poderá ser HANG o novo nome." Wilson Braun
"Esse ícone não representa os Blumenauenses.. E não pode parar nessa área de Blumenau." Ricardo Guilherme
"Além da celeuma envolvendo a área ainda tem a situação do trânsito, enfiando mais um local desse porte numa área que já é caótica. Com tantas lojas nessa área, porque não trazer ela a Itoupava Central, por exemplo?" Eleonésio Diomar Leitzke
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| Na Reunião do COPE. |
"Conselheiros representantes da sociedade civil não aceitem serem feitos de tolos. Votar alterações simples nós podemos e quando temos algo realmente importante, a prefeitura se organiza para votar como querem. Na última reunião eles poderiam, mudaram os representantes para aprovar sem alterar o projeto." Ramon Benedett - Conselheiro do IHB (Instituto Histórico de Blumenau) no COPE
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| Na Reunião do COPE. |
"O que trás segurança para a cidade são os "olhos da rua", a fachada ativa e o uso misto, como diria Jane Jacobs. Um mega edifício com uso único não faz sentido nenhum." Arquiteta Juliana Dreher de Andrade.
"Angelina, a AMPE traiu as Micro e Pequenas Empresas de Blumenau e região, ao votar no COPE, votando SIM a construção da Havan no Centro Histórico de Blumenau!" Silvio Rangel Figueiredo
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| Na Reunião do COPE. |
"Não ao projeto inadequado ao local. Afronta a história do lugar. Baseado numa arquitetura duvidosa para dizer o mínimo. Se coloca em área imprópria do ponto de vista ambiental e do ponto de vista histórico. Inadequado na forma de apresentação e na argumentação. Inadequando pois representa um tipo de desenvolvimento econômico antiquado e questionável, especialmente neste lugar. Do ponto de vista de desenvolvimento de Blumenau, escolha-se uma área adequada, adequadamente, melhor localizada. Júlio Refosco
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| Na Reunião do COPE. |
"Seria muito transparente com a população que, se algum conselheiro votar a favor do projeto da Havan, explique o motivo. Queremos posições pautadas em uma reflexão sobre o Centro Histórico e não em voto político." Arquiteta Thayse Fagundes
Texto do Jornalista Francisco Fresard
Resultado: 12 pessoas decidiram que o Centro Histórico de Blumenau receberá uma "Casa branca" no topo da Rua das Palmeira, ao pé do elevado onde está localizada a História Igreja Luterana do Espírito Santo e que teve seu restauro iniciado no mês que passou. 12 conselheiros aprovaram e 3 foram contra o projeto do Centro Histórico.
Blumenau perdeu nesta quarta-feira parte de um dos mais importantes patrimônios culturais e históricos da cidade. A aprovação da construção de uma loja da Havan no Centro Histórico pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural Edificado (Cope) acaba com qualquer possibilidade de recuperar aquele espaço como merecia uma cidade que valoriza a própria história e pensa no desenvolvimento turístico.
Até então, o poder público poderia, até mesmo com a contribuição da iniciativa privada, transformar aquela área de extrema importância para a memória da cidade em algo de fato relevante. Seriam beneficiados tanto os blumenauenses, que a cada dia perdem a referência do passado e da origem da cidade, quanto os turistas que buscam atrativos originais, históricos e culturais.
A cidade que cada vez mais se apresenta como turística perde a oportunidade de resgatar o que ela ainda tinha de original. Sem um Centro Histórico digno seremos cada vez mais conhecidos pela Oktoberfest e pelos desastres naturais. É uma opção. Não necessariamente a melhor.
Sobre a deliberação
A votação ocorreu na tarde desta quarta-feira numa reunião acalorada, recheada de fatos novos em relação à primeira discussão que ocorreu em maio. Naquela ocasião, boa parte dos conselheiros se mostraram contra a proposta. Não pelo fato de ser a Havan ou de ser uma loja. A crítica era justamente em relação à falta de harmonia do projeto arquitetônico com o Centro Histórico. Naquela ocasião, acatando sugestão do presidente do Cope e secretário municipal de Planejamento Urbano, Éder Boron, a Havan retirou o projeto antes da votação e assumiu o compromisso de retornar com outra proposta.
O fato é que nenhuma nova proposta foi apresentada aos conselheiros. A defesa do grupo varejista nesta quarta-feira se resumiu a um discurso do ex-prefeito Félix Theiss, conselheiro da Havan, que enumerou uma série de argumentos que, na opinião dele, justificariam a instalação da loja naquele local. Fora isso, apenas algumas imagens do projeto foram exibidas, sem o detalhamento necessário para uma discussão aprofundada.
Descontentes com o fato de não haver um novo projeto, os representantes do Instituto Histórico de Blumenau (IHB) e do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), entregaram as cadeiras que ocupavam no Conselho Municipal do Patrimônio Cultural Edificado (Cope). No final, 12 conselheiros aprovaram a proposta e três votaram pela rejeição.
Entre os 12 que votaram pela continuidade do projeto estavam todos os que representam a prefeitura, incluindo o secretário municipal de Cultura, Sylvio Zimmermann, que até então sempre se mostrou defensor da história e das raízes de Blumenau. Também estão conselheiros que mudaram de opinião, mesmo sem a apresentação de uma nova proposta, o que reforça a possibilidade de um grande trabalho de bastidor por parte da rede varejista e da prefeitura para obter votos favoráveis, como escreveu o colega Evandro de Assis, da NSC.
Ministério Público
Outro fato novo foi a presença e a participação do Ministério Público Federal. A procuradora da República Rafaella Alberici trabalha na área de meio ambiente, que inclui discussões sobre o patrimônio histórico.
Às mais de 100 pessoas que acompanharam a reunião, ela disse que iniciou um procedimento para apurar os fatos envolvendo o trâmite do projeto, principalmente por haver no entorno do terreno que deve abrigar a loja dois imóveis tombados pela União. A procuradora da República também se colocou à disposição para conversar com pessoas que podem contribuir com o trabalho.
Vale lembrar que tanto o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) quanto a Fundação Catarinense de Cultura (FCC) não colocaram obstáculos à construção da loja com base na interferência que ela vai provocar nos imóveis tombados por esses órgãos. Apenas impediram a construção da estátua da liberdade.
Outra observação importante é que o Cope analisa o impacto dos novos empreendimentos no patrimônio histórico e cultural da cidade. O projeto ainda terá que passar pelo Conselho Municipal de Planejamento Urbano (Coplan), que avalia, por exemplo, o impacto da loja no trânsito da região. Só depois de aprovado no Coplan é que o projeto segue para o trâmite em busca do alvará de construção.
Texto do Jornalista Evandro de Assis – NSC
“Nem Blumenau e nem a Havan têm a ganhar com a intervenção projetada pela rede de lojas para o Centro Histórico. A proposta é um equívoco do ponto de vista da conservação da memória dos imigrantes alemães e também do desenvolvimento econômico. Indicativos disso restaram evidentes nos método adotados para aprová-la no Conselho do Patrimônio Cultural Edificado (Cope), quarta-feira (28).
Nenhum dos 12 votos favoráveis à construção de um galpão de paredes lisas e fachada que se propõe réplica da Casa Branca em meio ao mais representativo conjunto de edificações da Blumenau Colônia veio acompanhado de argumentação. Uma maioria silenciosa formou-se, sonegando da comunidade razões para confiar que o empreendimento, da forma como está desenhado, é bom para o patrimônio cultural edificado. Mesmo os representantes da construção civil (Sinduscon) e da habitação (Secovi), que se manifestaram na reunião, trataram mais da necessidade de adaptações arquitetônicas do que defender o que estava posto.
O governo municipal agiu deliberadamente pela aprovação da loja, mas não explicou o porquê. Primeiro, ainda em maio, o secretário de Planejamento, Éder Boron, conseguiu evitar que o projeto fosse votado — e recusado — em nome de uma oportunidade de reformulação pela Havan.
Em junho, a prefeitura nomeou para o Cope o secretário de Desenvolvimento Econômico, Sylvio Zimmermann, que acumula a pasta da Cultura desde a demissão de Rodrigo Ramos. Na reunião desta quarta, Zimmermann ocupou o lugar da suplente, Sueli Petry, diretora do Arquivo Histórico que, na reunião de maio havia feito a mais enfática contestação ao projeto da Havan.
No dia 20 de julho, portaria assinada pelo prefeito Mário Hildebrandt modificou dois suplentes indicados ao conselho pela Secretaria de Planejamento. Por coincidência, as titulares dessas duas cadeiras faltaram à reunião de quarta, cedendo os votos aos recém-nomeados. Por último, todos os oito servidores ligados à prefeitura votaram a favor da Havan, inclusive quem haviam criticado o projeto na primeira reunião. E não houve a prometida reformulação.
Sem a palavra dos favoráveis, ressoaram na reunião as críticas do Instituto Histórico de Blumenau (IHB), do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Furb. Elas tiveram o suporte de dezenas de cidadãos que participaram do debate. Mas a voz majoritária não se traduziu em voto.
Outro indício de que a loja padrão da Havan no Centro Histórico será mau negócio para todos veio da fala do ex-prefeito e membro do Conselho de Administração da empresa Félix Theiss. Ele revelou que o terreno na Rua das Palmeiras foi o 12º procurado pela rede, lembrou que está à venda há 15 anos e chamou a área pejorativamente de "buraco", em alusão ao risco de enchentes. Citou o abandono de imóveis do Centro Histórico para ilustrar a desvalorização da região.
Longe de ser a área desejada pela rede, o terreno do antigo estádio do BEC é o que sobrou. Esse contexto facilita a compreensão de como a Havan (não) enxerga a interferência na zona histórica. A proximidade com uma alameda belíssima e sítios de memória relevantes é estorvo, e não vantagem. Fosse tudo concreto ou mato, tanto faria.
Logo a Havan, que devolveu a Blumenau o seu Castelinho, associando a marca da rede a um dos pontos mais fotografados da cidade. À época, a reforma conservou até detalhes do subsolo, mesmo o prédio não sendo tombado. Uma relação bem-sucedida entre patrimônio cultural e economia. Por que não fomentar outra?
A nova loja da Havan como foi proposta consolida a desvalorização do Centro Histórico apontada pela empresa. Instala na outra ponta da Rua das Palmeiras uma construção tão invasiva quanto o Edifício América — equívoco imperdoável com o qual gerações têm de conviver. Oferece uma parede de concreto aos pedestres e estacionamento aos carros. Reconhece as vias do entorno como meras passagens de veículos, ofuscando as casas históricas vizinhas.
O mesmo município que reformula o Museu da Cerveja e planeja uma praça atrás da prefeitura antiga, que mantém quatro museus, biblioteca e Arquivo Histórico nas redondezas, que se orgulha dos vestígios de Hermann Blumenau deixados nas palmeiras e nas casas enxaimel, agora trabalha por um projeto conflitante com a ideia de um Circuito Histórico de Turismo. E o faz sem dar explicações à população.
Mais do que possível, é preciso gerar empregos respeitando a cultura e as tradições. Ainda é tempo.”
O conjunto deveria ser tombado em sua totalidade, considerando as edificações, as vias, os espaços públicos, o rio e a relação entre eles — como já ocorreu em cidades históricas como Ouro Preto.
A preservação integral é a única forma de garantir que a harmonia do núcleo original não seja fragmentada por intervenções isoladas que desconsideram o contexto sistêmico do patrimônio.
Print's da Reunião do COPE - Observar as manifestações.
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| Comentários do Chat tem relação com a fala do Ex Prefeito Félix Theiss. |
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| Comentários do Chat tem relação com a fala do Ex Prefeito Félix Theiss. |
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| Comentários do Chat tem relação com a fala do Ex Prefeito Félix Theiss. |
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| Sala dos represantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss. |
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| Sala dos representantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss. |
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| Sala dos representantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss. |
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| Sala dos representantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss. |
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Sala dos representantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss. Ambiente tranquilo mediante o que estava sendo decidido. |
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| Sala dos representantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito Félix Theiss. |
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| Sala dos representantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito Félix Theiss. |
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| Sala dos representantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito Félix Theiss. |
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| Sala dos representantes da HAVAN - com a presença do Ex Prefeito Félix Theiss. |
Relembrando que...

...Com a narrativa de "gerar empregos" na região — sendo esta a 5ª loja na cidade de Blumenau — o conglomerado Havan, de Brusque, conseguiu, através dos meios legais, construir mais uma unidade em uma das extremidades da histórica e centenária Rua das Palmeiras - Palmenallee. Este local integra o Centro Histórico, que existe desde o primeiro assentamento dos pioneiros alemães, na década de 1850.
Pautado na legislação vigente, o projeto já obteve aprovação no IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e também na FCC (Fundação Catarinense de Cultura). Os documentos são exibidos no processo que tramita em Blumenau, onde os órgãos locais carregam o peso e a responsabilidade de externar a vontade da sociedade e o enfoque técnico, cientes do impacto irreversível no sítio histórico. Empregos podem ser gerados, como já ocorre com as demais lojas da rede, mas isso deve ser feito com critério e respeito à história de Blumenau e região.

Não apenas o "grão" da edificação comercial a ser construída é agressivo ao conjunto do Centro Histórico de Blumenau, como também a "arquitetura" apresentada desalinha-se do rigor artístico, do perfil e da importância deste espaço. A arquitetura comercial da empresa em questão replica a imagem da sede do governo norte-americano — a Casa Branca — de maneira simplificada, econômica e de fácil execução. É Kitsch.

O local possui uma vocação cultural, histórica e comercial única. No entanto, não comporta uma loja de departamentos com a volumetria e a área apresentadas em seu projeto arquitetônico, cujas dimensões rompem com o que denominamos "grão" — a escala urbana apropriada para o contexto.
Além de todos os aspectos anteriormente mencionados, deveria ter sido levada em consideração a geografia do local, situado próximo ao Ribeirão Garcia e à foz do Ribeirão Fresco. Trata-se de um dos pontos mais baixos do município, com áreas que sofrem inundações em cotas entre 9 e 11 metros. Existem objeções técnicas legítimas para novas edificações nessa área, visto que a ocupação de zonas inundáveis contraria as boas práticas de planejamento urbano e segurança pública.
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| A Enchente – considerando que é inundável a partir dos 9 m. |
Quais os elementos que compõem o Centro Histórico de Blumenau?
Trata-se apenas do casario cadastrado formalmente ou do conjunto?
No conceito de conjunto, estão inseridos o primeiro traçado urbano e o plano piloto do Vale do Itajaí, datados desde o início de sua existência. Nesse cenário, destaca-se como importante elemento estruturador a Rua das Palmeiras, Palmenallee, que está prestes a receber uma loja de departamentos em uma de suas extremidades.
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| O Mapa de José Deeke revela o desenho original dos lotes coloniais na região do Centro Histórico. Ao compará-lo com as imagens de satélite do Google Maps, percebemos que o traçado atual é quase idêntico ao desenho de Deeke. Isso demonstra que a estrutura do Stadtplatz (a praça da cidade) e sua espacialização ainda persistem. A preservação dessa morfologia urbana depende, fundamentalmente, do que se decide construir nesse núcleo histórico. Qual o impacto de uma loja de departamentos nesse local? A inserção de um empreendimento de grande porte rompe com a escala dos lotes coloniais, descaracterizando o ritmo das fachadas e a harmonia do conjunto. O impacto não é apenas visual; é uma ruptura na continuidade histórica de um traçado que resistiu por mais de 170 anos e que agora corre o risco de ser sufocado por uma volumetria estranha à sua concepção original. |
Patrimônio Material - IPHAN
O patrimônio material protegido pelo IPHAN é composto por um conjunto de bens culturais classificados segundo sua natureza, conforme os quatro Livros do Tombo: Arqueológico, Paisagístico e Etnográfico; Histórico; Belas Artes; e Artes Aplicadas. Os bens tombados de natureza material podem ser imóveis — como cidades históricas, sítios arqueológicos, paisagísticos e bens individuais — ou móveis, como acervos museológicos, documentais e fotográficos.
O Centro Histórico de Blumenau já recebeu interferências que destoam de seu conjunto, mas nenhuma com o impacto do "grão" que pretendem construir no momento: uma loja de departamentos. O investidor da proposta demonstra não ter compromisso com a História de Blumenau. Portanto, cabe ao poder público municipal, por meio de sua equipe técnica, a responsabilidade de orientar a ocupação deste local único e vital para a cidade e para toda a região.
Ao longo da história, o local sofreu mudanças de pequeno impacto e enfrentou desafios de trânsito, como o escoamento do fluxo do Sul do município para o Litoral, Norte e Leste. Vale lembrar que a região Sul é a mais populosa de Blumenau e conta com apenas duas vias de escoamento, o que levou ao asfaltamento da histórica Rua das Palmeiras para o transporte público.
O que é diferente neste momento? Enquanto as mudanças anteriores foram adaptações funcionais ao crescimento urbano, a inserção de uma edificação com essa volumetria e escala descaracteriza definitivamente o traçado histórico e a paisagem cultural do Stadtplatz.
A Rua das Palmeiras, Palmenallee, concebida como um espaço de caminhada, pedestres e contemplação, tornou-se na década de 2010 — de maneira mais intensa — um espaço do automóvel. Transformou-se em um corredor e não mais em um lugar, a exemplo do que vem ocorrendo em outros bairros de Blumenau que "morrem" devido à implantação de eixos semelhantes.
Muitas dessas áreas eram, anteriormente, locais residenciais dotados de um comércio local pulsante. Tudo isso ocorre sem uma reflexão urbanística mais apurada; as mudanças acontecem de maneira sistemática, com impactos que variam em intensidade, mas que alteram profundamente a alma da cidade.
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| Observa-se o impacto no skyline provocado por uma torre construída em área de preservação, ao lado da Prainha, na margem oposta do Rio Itajaí-Açu. Esse ponto de vista situa-se onde se localizava o antigo porto fluvial, abrangendo a vista do local que acessa a Rua das Palmeiras (Boulevard Hermann Wendeburg), a partir do morro da Igreja Luterana do Espírito Santo, no Centro. |
Em função da necessidade de escoamento de veículos, justificou-se a construção de uma nova ponte que acaba por encobrir uma estrutura preexistente. Esta última faz parte de um conjunto urbanístico concebido na Praça do Porto na década de 1960, dotado de uma plástica belíssima que viabiliza o aproveitamento das margens do Ribeirão Garcia na forma de um parque linear.
Questionamos, também, como ficará o acréscimo no fluxo de veículos após a implantação da loja de departamentos. O empreendimento prevê vagas de estacionamento para 180 automóveis, 100 bicicletas e 63 motocicletas, além de uma doca para carga e descarga, o que gerará um impacto considerável em uma região já saturada.
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| A construção de mais uma ponte gerou um impacto direto na estrutura existente sobre o Ribeirão Garcia, que integrava o projeto de revitalização da década de 1960. Aquele plano original destacava-se por seus diversos caminhos e por uma plástica belíssima, que incluía passagens sob a ponte margeando o ribeirão. Esses caminhos conduziam à antiga propriedade de Hermann Blumenau e ao Cemitério dos Gatos, criando uma narrativa de passeio e memória junto à natureza. Com a conclusão da nova ponte em março de 2021, essa espacialização e o diálogo com o entorno histórico foram profundamente alterados, priorizando-se a funcionalidade viária em detrimento do patrimônio paisagístico e dos trajetos de contemplação. |
Dentro dos inúmeros recortes do tempo histórico — muitas vezes alinhados à produção estética internacional, ainda que sem um sentido local imediato — replicavam-se os mais variados estilos. Dos "neos" ao Modernismo, essas intervenções ocorreram sem causar um grande impacto na estruturação morfológica do local histórico e sem melindrar os principais elementos que o caracterizavam.
Esse cenário difere radicalmente da construção desta nova loja de departamentos que, além do impacto volumétrico, apresenta uma arquitetura kitsch. É um contraste gritante com o monumental e modernista Grande Hotel, projetado pelo arquiteto Hans Broos e que será eternizado no documentário sobre sua vida, filmado recentemente com cenas em seu interior.
Diante disso, surge a questão: por que o projeto da loja não apresentou esta vista em sua proposta oficial?
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| A Rua das Palmeiras, principal via do Centro Histórico de Blumenau, apresenta hoje pavimentação impermeável e um corredor de transporte público que passa perigosamente próximo a edificações históricas. Entre elas, destacam-se exemplares construídos com a técnica enxaimel (Fachwerk) original, que serviram de residência para personagens fundamentais da história local. Uma dessas edificações, construída em 1858, é considerada a mais longeva de todo o Vale do Itajaí. Pela sua importância técnica e histórica, foi escolhida como a capa do livro "Fachwerk - A Técnica Construtiva Enxaimel". A preservação dessa estrutura é um desafio constante, diante dos impactos vibratórios e ambientais gerados pelo fluxo intenso de veículos pesados em seu entorno imediato. |
Projeto da Loja HAVAN no espaço do Centro Histórico. |
| O prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, homenageou Luciano Hang, proprietário da Havan, na abertura da última Oktoberfest Blumenau presencial (2019), em detrimento de outras personalidades que historicamente contribuem para a existência da festa. Vale ressaltar que Hang nunca teve envolvimento direto com a organização ou com a tradição do evento de outubro. Em contraste, gestões anteriores mantinham um foco mais cultural. Ricardo Stodieck, por exemplo, em sua última gestão como Secretário de Turismo, homenageou Rigobert Döring, fundador da Banda Cavalinho Branco. Em outra edição, a homenagem foi para Harold Letzow, ex-presidente do C.C. 25 de Julho de Blumenau e fundador do primeiro grupo folclórico da cidade após a criação da Oktoberfest. |
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| O prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, homenageou Luciano Hang, proprietário da Havan, na abertura da última Oktoberfest Blumenau presencial (2019), em detrimento de personalidades que historicamente contribuem para a alma do evento. Ressalta-se que Hang nunca teve envolvimento direto com a construção cultural da festa de outubro. Em contraste, gestões anteriores mantinham um foco voltado à preservação das tradições. Ricardo Stodieck, por exemplo, em sua última gestão como Secretário de Turismo, homenageou Rigobert Döring, fundador da Banda Cavalinho Branco. Em outra edição, o reconhecimento foi para Harold Letzow, ex-presidente do C.C. 25 de Julho de Blumenau e fundador do primeiro grupo folclórico da cidade após o surgimento da Oktoberfest. |
Quanto ao projeto, é fundamental observar o impacto do "grão" da construção, a baixa qualidade arquitetônica e a interferência logística. Este último ponto foi o argumento utilizado para justificar a abertura de uma rua em meio ao terreno original do BEC (Blumenau Esporte Clube) e a construção da nova ponte, intervenções que comprometeram a originalidade espacial do conjunto histórico.
Esta é a vista observada a partir do primeiro Clube de Atiradores de Blumenau — o Schützengesellshaft Blumenau atual Tabajara Tênis Clube — localizado aos fundos da loja. A edificação se impõe de forma agressiva no espaço, inserindo-se de maneira desproporcional entre os elementos formadores do primeiro tecido urbano de Blumenau. 
A arquitetura comercial e kitsch compete agressivamente, dentro da paisagem urbana, com a centenária Igreja do Espírito Santo. Esta Igreja Luterana, construída pelos pioneiros na década de 1870, é um marco da fundação da cidade e agora vê sua soberania visual ameaçada por uma estética que ignora a história e a identidade do local. 
O "grão" da nova edificação é consideravelmente maior do que o aceitável para o local, e as interferências de uso e arquitetura gerarão conflitos de diversas ordens: espacial, paisagística e estética, entre outras. A administração municipal tem intervindo sistematicamente na área, mas com o foco voltado quase exclusivamente para a melhoria do fluxo de automóveis, negligenciando a preservação da escala histórica e a qualidade do espaço público.

O conjunto histórico, enquanto paisagem, será descaracterizado.

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Matéria de Evandro de Assis - 26 de maio de 2021
Como virou alvo da Havan um terreno público de Blumenau doado para ser estádio de futebol
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| Loja da Havan ficaria à esquerda da rua aberta |
| no terreno há quase uma década (Foto: Patrick Rodrigues) |
O terreno no Centro Histórico de Blumenau onde a Havan pretende erguer uma loja já serviu de moradia a colonizadores, pertenceu ao governo de Santa Catarina e abrigou estádio de futebol. Desde 2007, quando as arquibancadas do velho Deba foram demolidas, uma rua cortou a área de terra ao meio e duas torres de apartamentos projetadas acabaram não saindo do papel. Nesta quarta-feira (26), o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural Edificado (Cope) avaliará se o espaço vazio pode ser preenchido pela construção comercial inspirada na Casa Branca.
Além de arbitrar a polêmica, os conselheiros indicarão qual o futuro da área onde a cidade nasceu. Os terrenos aos fundos da Rua das Palmeiras, perto da Paróquia Luterana Centro, abrigavam residências e uma serraria nos primórdios da colônia Blumenau, segundo a diretora do Arquivo Histórico, Sueli Petry. Na década de 1940, o governador Aderbal Ramos da Silva doou o pedaço de terra, que então pertencia ao poder público estadual, para a construção de um campo de futebol.
O estádio que levou o nome do político recebeu jogos durante décadas, principalmente do Palmeiras e depois do Blumenau Esporte Clube. A insolvência do BEC, no fim dos anos 1990, levou o imóvel a leilão, arrematado por um empresário paranaense — apesar da antiga lei estadual ter exigido que a destinação da área fosse o esporte.
Depois da triste demolição, o Conselho Municipal de Planejamento Urbano chegou a aprovar a construção de dois edifícios no local, mas o projeto não andou. Com a abertura da Rua Oscar Jenichen, na década passada, o terreno acabou dividido em dois. Ambos baldios.
Havan retira proposta de loja no Centro Histórico de Blumenau
A bem da verdade, o projeto apresentado pela Havan tem certa sintonia com o tratamento dispensado pela cidade ao Centro Histórico nos últimos anos. O lugar está entrecortado por trânsito rápido e corredores de ônibus, situação que pode piorar se algum dia for construída a ponte na curva do Rio Itajaí-Açu, ligando a área à Ponta Aguda. A Rua das Palmeiras é hoje uma via de passagem. De carros. O projeto da Havan leva em conta esse contexto, e não o de uma alameda para desfrute de pedestres e ciclistas.
Além de analisar se a construção proposta e sua polêmica fachada prejudicam o sítio histórico onde estão inseridas, os conselheiros do Patrimônio Cultural Edificado definirão, de maneira indireta, porém definitiva, qual será o futuro do espaço urbano entre a Igreja do Espírito Santo e a Praça Hercílio Luz. Pode significar uma reconciliação com as raízes da cidade. Ou a aposta na geração de empregos a qualquer custo.
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Atualização 2
Matéria de Evandro de Assis - 1° de Agosto de 2021
Aprovação da Nova Havan no Centro Histórico de Blumenau está na mira do MPF.
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| Projeto da loja foi aprovado por conselho municipal na quarta (Foto: Divulgação) |
A aprovação de uma nova loja da Havan no Centro Histórico de Blumenau está na mira do Ministério Público Federal (MPF). A procuradora Rafaella Alberici de Barros Gonçalves pretende averiguar se há irregularidades na liberação do projeto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela prefeitura.
Rafaella acompanhou a polêmica reunião do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural Edificado (Cope), na quarta-feira (28), que aprovou o mesmo projeto da Havan que havia sido duramente criticado pelo conselho em maio. No procedimento recém-instaurado, ela solicitou documentos ao Iphan e à prefeitura e ouvirá representantes do Instituto Histórico de Blumenau (IHB) e do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), entidades que entregaram as cadeiras no Cope em protesto contra a decisão.
Nem Blumenau e nem a Havan têm a ganhar com a intervenção no Centro Histórico
Em entrevista à coluna, a procuradora federal disse que o papel do MPF no caso é resguardar o patrimônio federal. No caso, a igreja luterana e o Museu da Família Colonial, que ficam nas proximidades do terreno onde será construída a loja da Havan. Porém, adiantou que pretende abrir um segundo procedimento para delimitar mais claramente a zona de interesse histórico do Centro de Blumenau. Para Rafaella, é urgente tomar medidas para conservar a área. Veja a seguir:
Por que a senhora abriu um procedimento para investigar o projeto da Havan em Blumenau?
Foi instaurada uma notícia de fato, um procedimento de natureza cível, em razão da existência de dois bens tombados pelo Iphan, que são o Museu da Família Colonial e a Igreja Luterana do Espírito Santo. Então, em razão do possível impacto desse projeto da megaloja da Havan nas proximidades, especialmente da igreja, instaurei um procedimento para averiguar se é regular ou não a aprovação desse projeto. O objeto da nossa apuração é, não apenas a aprovação pela prefeitura, mas também pelo Iphan. Como o projeto tinha sido retirado naquela reunião de maio, eu na época não havia instaurado ainda o procedimento porque achei que tivesse havido ali uma desistência. Mas como surgiu, ao menos para mim, de uma forma bastante repentina a rediscussão desse projeto na reunião do Cope, instaurei um procedimento e requisitei informações ao Iphan e também para a prefeitura sobre os procedimentos.
Já tomou conhecimento dos relatórios do Iphan e da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) sobre esse empreendimento?
Eu tomei conhecimento das conclusões, mas requisitei ao Iphan a cópia integral do procedimento deles para que eu tenha condições de avaliar o que foi exigido, como foi feita a análise da documentação apresentada e, eventualmente, se houver possibilidade, vou submeter à análise da nossa assessoria pericial em arquitetura, que detém conhecimento técnico para dizer se houve alguma irregularidade ou não.
O fato de haver reação popular ao projeto interfere no interesse do Ministério Público na questão?
A princípio, o que mais interessa ao MP é se existe irregularidade ou não. Felizmente, me dá uma tranquilidade e uma satisfação muito grande em saber que a sociedade civil organizada em Blumenau é bem ativa e está disposta a atuar de uma forma muito enfática para proteger a sua história, seu patrimônio cultural. Isso auxilia o nosso trabalho. Muitas pessoas que representam a comunidade de Blumenau estão se sentindo lesadas nesse bem que é coletivo. É a história da cidade, então como se contar essa história para as próximas gerações? Isso com certeza agrava o dano.
O procedimento na prefeitura é também objeto da notícia de fato?
É também. Estão sendo verificados os dois lados. Digamos que a gente conclua que houve por parte da prefeitura uma aprovação irregular a um projeto que cause um dano a um bem federal, nós vamos acionar também o município de Blumenau. E não apenas dos bens que já estão tombados. Tem um conjunto aí que forma essa ambiência no entorno desses bens. Se esse conjunto possui um valor histórico-cultural, mesmo não sendo tombado, existe a necessidade de se tutelar esse patrimônio. Se existe um interesse federal na conservação desses bens como um todos, pode haver, sim, a responsabilização do município de Blumenau.
Hoje não existe um perímetro do Centro Histórico. O município, os conselhos e a sociedade deveriam deixar mais claro os limites desse sítio de valor histórico?
Com certeza. Inclusive é urgente a adoção de medidas para que haja uma proteção desse bem. Ficou muito evidente que ele tem uma importância muito grande para a comunidade de Blumenau. Essa questão da preservação do conjunto tem que ser objeto de um segundo procedimento, em separado
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Moção de Repúdio à Depreciação do Centro Histórico de Blumenau
Colméia - 3 de Agosto de 2021
O COLMEIA – Coletivo Laboral Multicultural de Experimentações e Intervenções Artísticas lança preocupado olhar para o Centro Histórico de Blumenau, cujo patrimônio cultural e arquitetônico apresenta a história da evolução urbana da cidade. Com construções que apresentam diversos momentos de seu enriquecimento arquitetônico, que vão desde o tradicional enxaimel do período colonial até o art déco, trata-se de um espaço que marca a instauração de nossa cidade. A exemplo disto, no centro histórico está a edificação em formato neogótico concebida pelo fundador da Cidade, Hermann Bruno Otto Blumenau, para ser o centro administrativo da colônia, abrigando, posteriormente, a Prefeitura de Blumenau, Câmara Municipal de Vereadores de Blumenau, e a Fundação Cultural de Blumenau, atual Secretaria Municipal de Cultura e Relações Institucionais de Blumenau.
Cabe citar a Lei nº 8564, de 16 de fevereiro de 2018, que instituiu a Rua das Palmeiras como MUSEU DE RUA, com 22 pontos de visitação.
Sob os cuidados administrativos/financeiros desta Secretaria estão o Museu da Família Colonial, o Mausoleu Dr Blumenau, o MAB Museu de Arte de Blumenau, o Parque Horto Botânico Edith Gaertner, o Cemitério dos Gatos , bem como o Museu de Hábitos e Costumes. Portanto, para muito além de sua importância no legado histórico da cidade, está em risco seu legado cultural, arquitetônico e turístico.
É de conhecimento deste Coletivo que há planejamento e orçamento aprovado para a construção da bem vinda arena a céu aberto e de uma loja de produtos que contemplará a economia criativa da cidade no entorno da Secretaria Municipal de Cultura e Relações Institucionais de Blumenau. Entendemos tal projeto como um primeiro passo, uma sinalização positiva por parte do poder público, reconhecendo que há urgência no desenvolvimento econômico do município com mais espaços públicos de lazer, desporto, e de fruição cultural que contemple sua diversidade empreendedora como força motriz quando falamos de turismo e qualidade de vida.
Configura-se, portanto, como um importantíssimo início para o desenvolvimento sustentável e à valorização do potencial turístico, humano e patrimonial, que representa e respeita a vontade da comunidade blumenauense em suas políticas públicas. Mais do que isto, um movimento essencial na recepção da vazão turística que a cidade acolhe durante todo o ano, capaz de valorizar a economia criativa local e receber este capital humano com o que Blumenau realmente tem a oferecer, criando um impacto direto e efetivo no aquecimento da economia local com geração de renda e empregos, recolhimento de impostos e desenvolvimento sustentável de sua cultura e arte local.
Não, o espaço não é “apenas um buraco abandonado que ninguém quer”! Afirmativa fala na manifestação do ex Prefeito de Blumenau Félix Theiss
Investimento em cultura não é esmola do Estado, é obrigação constitucional, cuja efetivação implica na atuação coletiva alinhada entre o poder público e artistas locais, assim promovendo o acesso à cultura. Ao investir no setor, o gestor público investe no aquecimento econômico com retorno garantido. Segundo pesquisa desenvolvida pela Fundação Getúlio Vargas, a cada R$ 1 (um real) investido em cultura, há retorno efetivo de R$ 1,59 para a economia, 159% portanto! Sendo assim, considerando que a cultura gera renda, emprego, arrecadação e desenvolvimento com impacto imediato em outras áreas como educação e saúde, o que falta ainda para que a gestão pública de Blumenau entenda sua real importância?
Vemos a “Rota de Lazer” como um importante e potencial mecanismo de fruição de arte, esporte, lazer e de valorização arquitetônica, cultural e de valor humano em nossa cidade. Porém o espaço carece de incentivos públicos que promovam uma integração efetiva entre o espaço e as inúmeras manifestações artísticas da cidade, em toda sua pluralidade e beleza.
É com muita preocupação que emitimos esta moção de repúdio pelo absurdo que constitui a proposta de se construir uma miniatura da “casa branca estadunidense" em formato de loja entre as ruas Alwin Schrader, Oscar Jenichen e Alameda Duque de Caxias (Rua das Palmeiras). Na contramão e em completa dissonância com a Plenária do CMPC, que em sua Segunda Sessão Ordinária, realizada no dia 18 de março de 2021, já se manifestou contra este projeto; vemos o poder público no exercício de sua gestão ignorar a vontade pública, a história da cidade e seu legado arquitetônico-cultural.
O potencial turístico da região do centro histórico precisa refletir o que Blumenau tem a oferecer, sua riqueza gastronômica, sua potência artística, sua beleza natural. A simples idéia de um ônibus turístico desembarcar em frente ao Museu da Família Colonial, e ver estampada no Centro Histórico uma fachada que ignora não
apenas sua nacionalidade, mas:
- Emprega a venda de produtos que não geram empregos diretos à indústria nacional ou à mão de obra local;
- Não agrega à economia criativa interna no país ou na região;
- Não contempla ou valoriza a identidade cultural do Vale do Itajaí;
- E ainda, de uma empresa cuja dívida de R$ 168 milhões com a Receita Federal e o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) deve ser quitada apenas em 115 anos.
Esta conjuntura suscita uma ideia enternecedora para o que esta gestão pública planeja para o presente e futuro da economia local.
Fazemos nossas as palavras do Conselho Municipal de Política Cultural de Blumenau, onde como Coletivo estamos representados em cadeiras da sociedade civil:
“A proximidade do CMPC com a Comunidade, e a observação das ações empreendidas pelos cidadãos nos últimos anos demonstram que essa orientação política vem dando resultados. De acordo com a Receita Federal (2020), até junho de 2020 havia 21.272 mil Micro e Pequenos Empresários (MEI) registrados em Blumenau. (...) A busca pela realidade local demonstrou, em pesquisa executada pela setorial de artes visuais, design e moda em junho de 2020 que:
1. Os empreendedores possuem graduação e cursos na área de empreendimento;
2. Largaram empregos na indústria para empreender;
3. Fazem parte de uma rede de serviços essenciais para o desenvolvimento local;
4. Compram insumos, produzem, empregam e vendem localmente;
5. Não se sentem abraçados pelas políticas públicas de Blumenau para o setor;
6. Necessitam, em unanimidade, de locais fixos e gratuitos para execução de eventos e venda de seus produtos.
Desta forma, a partir de dados que emanam da comunidade, o CMPC de Blumenau questiona a necessidade, para o desenvolvimento do poderio econômico do município, de mais uma filial da referida loja. Sustentando a premissa de que investir no espaço, por sua localização e representatividade, para a economia criativa local traria muito mais benefícios diretos para o município, seus empreendedores, e também tornando-se mais um importante atrativo turístico, em conjunto com todos os demais localizados às proximidades do terreno.
(...) A falta de investimentos municipais nos criadores locais, na economia criativa local demonstra ser um empecilho, não apenas aos empreendedores formais ou informais, mas também para aqueles que desejam inserir-se no mercado criativo.
Dessa forma, essa moção originou-se do reconhecimento de que, num local de real relevância para a historicidade do município, como o centro histórico, caberia, ao poder público:
1. Zelar pela estética da arquitetura local;
2. Considerar as recentes obras para melhorar o trânsito no local, e o ainda presente grande fluxo de veículos que, por diversas vezes, impossibilita que a comunidade execute suas ações criativas e eventos no local;
3. Considerar a relevância do Centro Histórico e da Rota de Museus de Rua para a cultura, economia criativa e desenvolvimento econômico local;
4. Zelar pela paisagem, considerando o impacto da não arborização do centro;
5. Ampliar os equipamentos culturais de acesso à comunidade;
6. Ouvir a comunidade, que se expressa por meio do CMPC;
7. Buscar atender as necessidades da comunidade, utilizando os espaços remanescentes do Centro Histórico para edifícios multiuso, praças, locais a céu aberto, para ações e eventos da comunidade”.
Há para aquele terreno, pedido da comunidade civil e do Coletivo SC Criativa, por meio do CMPC, para que o terreno seja liberado para construção de um grande parque, com lojas físicas para empreendedores locais, espaço fechado e aberto para eventos, cinema, café e galeria de artistas locais. O pedido foi feito pela sociedade civil organizada, encaminhada para câmara de vereadores por meio do ofício 013 de 2021.
Primordial salientar que Blumenau possui em vigor o Plano Municipal de Cultura 2015/2025 cujos objetivos de médio e longo prazo não foram nem contemplados nem tiveram sua execução iniciada pela Secretaria Municipal de Cultura de Blumenau. Dentre estes, com aplicação direta ao uso do espaço referido, citamos:
DA INFRAESTRUTURA
OBJETIVO GERAL: PROMOVER CONDIÇÕES NECESSÁRIAS À PRESERVAÇÃO, AMPLIAÇÃO, ADEQUAÇÃO, ACESSIBILIDADE E CONSTRUÇÃO DOS EQUIPAMENTOS CULTURAIS DE BLUMENAU
1.4 Objetivo Específico: Descentralizar, democratizar e equipar os espaços públicos urbanos, criando equipamentos capazes de promover e abrigar a produção artística e a cultural local.
Meta: 100% dos espaços públicos e de utilidade pública, viabilizados para receber eventos de produção artística e cultural.
Fonte de Aferição: PMB.
Resultados e Impactos Esperados: Maior quantidade de espaços públicos e de utilidade pública aptos a receber eventos artístico-culturais, abrigando maior número de espetáculos pela cidade.
Fonte de recursos: FCB e iniciativa privada.
1.5 Objetivo Específico: Consolidação e adequação de um espaço multicultural permanente, integrado à FCB para: qualificação; divulgação, manifestação e comercialização de bens e produtos artístico-culturais (artesanato, artes visuais, design, literatura, moda, música, teatro, entre outros) no Município de Blumenau.
Meta: 100% dos espaços da FCB equipados para receber as diversas manifestações e produções culturais.
Ações: • Adequar espaço para realização de oficinas e capacitações; • Viabilizar espaço e meios para comercialização de bens artístico-culturais.
Indicador: Número de espaços da FCB equipados.
Fonte de Aferição: FCB.
Resultados e Impactos Esperados: Maior produção de cultura, a partir dos espaços da FCB adequados para abrigar a realização, valorização, difusão e comercialização de bens artísticoculturais.
Fonte de recursos: FCB.
Prazo: Médio.
1.7 Objetivo Específico: Criar o Museu da Imagem e do Som (MIS) para preservar equipamentos, história e memória com espaço integrado para a qualificação e exposição de bens artístico-culturais.
Meta: Construção e/ou implantação do MIS de Blumenau.
Ações: • Elaborar estudo de viabilidade e sustentabilidade do Museu; • Buscar apoio da iniciativa privada para construção/implantação e instalação; • Captar recursos junto aos governos estadual/federal e iniciativa privada; • Divulgar a importância do MIS para a cidade; • Construir/Implantar o MIS.
Indicador: Percentual da construção e/ou implantação realizado.
Fonte de Aferição: FCB e PMB.
Resultados e Impactos Esperados: com a criação do MIS, espera-se retratar os diversos aspectos referentes à imagem e som para preservar a história de Blumenau. Mostrar o pioneirismo blumenauense com a fundação da primeira rádio do Estado e outros fatos relevantes da história da imagem e do som da cidade no referido museu.
Fonte de recursos: FCB e Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC) com captação externa do governo estadual, federal e iniciativa privada.
Prazo: Longo.
Como maior Coletivo de Artes de Blumenau e região, gerador de renda no setor de Economia Criativa, manifestamos nossa consternação com o desrespeito ao patrimônio; a falta de zelo com nossas características primordiais como uma cidade jardim no Vale do Itajaí e a displicência com os valores intrínsecos da memória coletiva e afetiva.
Blumenau se constitui entre os morros e os rios, entre manifestações culturais que vão do germânico ao africano, mas que em momento algum abrem mão de sua brasilidade mãe. Nossa leitura tão diversa da cidade de Blumenau não concebe que o poder público, eleito para defender os interesses da comunidade, permita esta atrocidade.
Que se faça cumprir Legislação em execução que garante e obriga a preservação do Patrimônio Histórico e o obrigatório estímulo à Cultura. Que a Secretaria Municipal de Cultura e Relações Institucionais de Blumenau cumpra seu papel, assim como a Câmara de Vereadores e os inúmeros Conselhos aos quais cabe decidir o usufruto do referido espaço no Centro Histórico.
Que seja respeitada a vontade da sociedade Blumenauense que se manifestou tacitamente através do CMPC.
Blumenau, Agosto de 2021.
COLMEIA - Coletivo Laboral Multicultural de Experimentações e Intervenções Artísticas
#forahavandocentrohistórico #blumenau #Cultura #Valorização
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Reunião do Cope em 26 de maio de 2021
Recebemos um convite da arquiteta Camila Rodrigues, da Coordenação do Patrimônio da Prefeitura Municipal de Blumenau, para contribuirmos com pareceres técnicos durante a reunião, visto que a equipe técnica da prefeitura não estava de acordo com o projeto apresentado.
Aguardamos das 14h até as 16h55, momento em que solicitamos formalmente o acesso. A arquiteta Camila nos enviou o link e, ao entrarmos, presenciamos o encerramento da reunião. Não houve oportunidade de fala, seguindo a legislação que determina o término das sessões após três horas de duração.
Às 19h, ao verificarmos o correio eletrônico, encontramos no lixo eletrônico um e-mail da Equipe DPU da Prefeitura com o link de acesso enviado anteriormente. Um grande e lamentável mal-entendido que silenciou vozes técnicas essenciais para o debate.

Apenas um minuto após os eventos relatados, lemos nas mídias que o Conselho Municipal retirou de pauta o projeto da Havan no Centro Histórico de Blumenau. Ficamos sem entender a manobra.
Segue, abaixo, a matéria do portal "O Município", assinada pelo jornalista Cristóvão Vieira, que detalha este desdobramento:
Conselho Municipal retira projeto da Havan no Centro Histórico de Blumenau de pauta - Jornal "O Município"
Edificação seria construída no antigo estádio do BEC
Cristóvão Vieira. 26/05/2021 17:09
Em reunião virtual realizada na tarde desta quarta-feira, 26 de maio de 2021, o Conselho Municipal do Patrimônio Edificado (Cope) retirou de pauta o projeto inicial apresentado pela empresa de engenharia Guter referente à edificação de uma nova Havan em Blumenau. Foi solicitado, portanto, que a empresa refaça o projeto e reapresente em outra ocasião. A empresa pediu a retirada de pauta, uma vez que as manifestações foram todas contrárias à construção.
O Cope precisou avaliar o projeto devido a esta construção ser prevista em um terreno no Centro Histórico, onde antes era localizado o estádio do Blumenau Esporte Clube (BEC). Antes do Cope, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já havia avaliado a documentação e solicitado alterações.
Em sua maioria, os conselheiros afirmaram que a arquitetura não combinaria com o local, e explicaram também que o projeto pode ser reformulado – levando em conta as características do ambiente e realizando adequações – para aí sim ser reavaliado em outra ocasião.
O fato foi bastante discutido pelos conselheiros. Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SC), subseção de Blumenau, de secretarias do governo municipal, da Associação Empresarial de Blumenau (Acib), Furb e de outras entidades da sociedade civil organizada integraram o debate. A maioria das posições foi a respeito do visual arquitetônico, que não combinaria com o ambiente.
“Não estou sendo romântica, mas é o único espaço no qual ainda podemos dizer: esse é o Centro Histórico de Blumenau. Portanto, sou terminantemente contra”, afirmou a professora e historiadora Sueli Petry durante a apresentação.
Até o fechamento desta reportagem, a Havan não se manifestou a respeito da decisão do conselho.
Iphan já havia rejeitado estátua
Antes do conselho, o Iphan avaliou o projeto. Primeiramente, o Iphan avaliou o impacto visual e ambiental da construção, fazendo solicitações de manutenção da vegetação e, inclusive, negando a presença no local da popular réplica da Estátua da Liberdade, que conta com 50 metros de altura.
“A proposta de construção de um monumento com 50 metros de altura, por sua vez, é inapropriada para o local (a altura equivale a um prédio de 17 andares, muito mais alta do que qualquer construção do entorno). Neste sentido, a altura da estátua pretendida não deverá exceder 15 metros, que é a altura média do prédio já existente nas proximidades”, informa o parecer. Diante deste posicionamento, a Havan abriu mão de ter uma estátua no local.
Outra situação que o Iphan solicitou para a Havan foi que a Igreja Luterana tivesse a vista preservada, ou seja, que a edificação não removesse a visualização da igreja por quem acessa as ruas Pastor Osvaldo Hesse e o início da Oscar Jenichen. Esse ponto também precisou ser reavaliado pelos responsáveis pelo projeto, obtendo a aprovação em sequência, que precisaria ainda passar pelo conselho.
Comentário:
Já mencionamos anteriormente que estranhamos o posicionamento do IPHAN, visto que seu conceito de patrimônio cultural abrange a preservação da paisagem. Esta, no Centro Histórico de Blumenau, é composta por elementos de uma dimensão volumétrica específica, e o "grão" da arquitetura da loja de departamentos é desproporcionalmente maior.
Outro ponto crítico é a estruturação do núcleo histórico, que possui como centro de gravidade a Rua das Palmeiras — elemento totalmente desconsiderado no projeto, devido ao impacto visual da arquitetura imposta em uma de suas extremidades.
Não se trata apenas de uma arquitetura desprovida de critério estético; o "grão" e o uso do solo são impactantes, especialmente considerando os acessos de veículos para um projeto que prevê 180 vagas de estacionamento. Se atualmente já existem conflitos de trânsito nesta região devido ao fluxo do Distrito do Garcia (o mais populoso do município), como pretendem absorver o acréscimo gerado por esse novo uso?
Além disso, questionamos como o Tabajara — a primeira Sociedade de Atiradores de Blumenau — aceitou ficar relegado aos fundos dessa edificação. O local é um centro consolidado, que integra a igreja, a prefeitura, o antigo porto, a sociedade, residências e escolas. Com a instalação da loja nesse ponto, na extremidade da Rua das Palmeiras, Palmenallee, todo o conjunto será descaracterizado.
Vemos com ressalvas esse recuo e a retirada do projeto de análise, e seguiremos observando. O projeto, nestes moldes, não pode ser executado no Centro Histórico de Blumenau.
Vídeo da Reunião da Aprovação com 12 votos "Sim" - íntegra
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7 de Janeiro de 2025
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| "Nova unidade será construída em um terreno em frente ao Tabajara (Foto: Divulgação)" NSC. Exatamente, a loja de departamentos será construída na frente do primeiro Schützenverei do Vale do Itajaí, Schützengesellshaft Blumenau. |
No início de janeiro de 2025, diversos veículos de imprensa em Blumenau publicaram informações sobre o "novo projeto" da loja Havan para o Centro Histórico. O fato causa estranheza, visto que a proposta sequer havia sido analisada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural Edificado (COPE).
Essa antecipação midiática ignora o rito administrativo fundamental: cabe ao conselho deliberativo avaliar o impacto de qualquer intervenção em área protegida antes que ela seja divulgada como viável ou definitiva. A publicação precoce na imprensa gera uma pressão externa desproporcional sobre os conselheiros e sobre a equipe técnica, que ainda não tiveram a oportunidade de exercer seu papel fiscalizador e orientador.
A Havan vai construir uma loja no Centro Histórico de Blumenau, no terreno em frente ao Tabajara Tênis Clube. A gigante do varejo nacional mudou o projeto arquitetônico, o que resultou no fim do impasse que adiou a construção. De acordo com o colunista Pedro Machado, o novo projeto “lembra a arquitetura enxaimel”. Pancho - 7 de janeiro de 2025.
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16 de Janeiro de 2026
Um ano depois, a mídia propaga apenas o "feito", sem expor o intenso debate técnico e social que o cercou. É desta forma que se modifica, silenciosamente, uma paisagem centenária. Diante de tal cenário, cabe a pergunta: o que estamos, de verdade, deixando para as futuras gerações?
Como vai ficar nova megaloja de gigante do varejo no Centro Histórico de Blumenau
Nova loja Havan em Blumenau
Blumenau vai ganhar mais uma megaloja da Havan, gigante do varejo nacional. A nova unidade, que será a quinta da rede no município, está projetada para ocupar uma área estratégica no Centro Histórico, na esquina da Alameda Duque de Caxias com a Rua Oscar Jeniche.
Imagens do projeto arquitetônico mostram um prédio de grandes proporções, com fachada imponente e linhas já conhecidas da marca, com um toque germânico.
O edifício contará com volumetria marcante, pé-direito elevado e ampla área de acesso, além de estacionamento e paisagismo com palmeiras e áreas verdes ao longo do entorno.
A proposta prevê integração visual com a região central, mantendo recuos generosos e calçadas amplas para circulação de pedestres. O projeto também contempla áreas arborizadas e organização viária para facilitar o fluxo de veículos, em um dos pontos mais movimentados da cidade.
A nova megaloja reforça a presença da Havan em Blumenau, onde a rede já possui outras quatro unidades.
As obras já começaram, mas ainda não foram divulgadas datas oficiais para a inauguração da loja. O projeto, no entanto, já chama atenção pelo porte e pela localização privilegiada, que deve transformar a paisagem urbana da região.
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19 de Janeiro de 2026
Após lerem as atualizações deste registro, os responsáveis manifestaram-se novamente, criando uma "cortina de fumaça" para que as pessoas da cidade não consigam entender o que aconteceu. Utilizaram o
mesmo canal de informação — a imprensa formal, que deveria existir apenas para informar. Deixaremos este registro como informação histórica para as futuras gerações e o nome da fonte e interessados. Segue a matéria do ND+ (em 20 de janeiro de 2026 - 17h43 - Vem sendo editada).
Após 4 anos de debates, ajustes no projeto e impasses envolvendo órgãos de preservação, a nova megaloja da Havan no Centro Histórico de Blumenau começa a sair do papel.
A adaptação do projeto arquitetônico foi fundamental para viabilizar o empreendimento em uma área marcada pelo patrimônio cultural.
“Adequamos a nossa estética à cultura alemã. Eu acho que isso faz com que cada vez mais Blumenau seja uma cidade turística. O próprio castelo já mostra isso”, afirmou Hang.
A instalação da nova unidade foi aprovada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural Edificado (COPE) em votação realizada no dia 28 de julho. Por 12 votos a três, os conselheiros seguiram os pareceres favoráveis da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que se manifestaram a favor do empreendimento no local.
Inicialmente, a Havan pretendia construir uma loja no padrão tradicional da rede, inspirado na fachada da Casa Branca, o que gerou resistência e questionamentos, inclusive do Ministério Público Federal, devido ao possível impacto no conjunto histórico da região central.
Após quase quatro anos de discussões, o projeto foi reformulado e passou a adotar o estilo enxaimel, característico da arquitetura de Blumenau, a partir de um acordo judicial firmado no fim do ano passado.
Vai ficar uma loja muito bonita, grande, com estacionamento, com a fachada enxaimel como merece Blumenau”, afirmou Hang.
Com as mudanças, a proposta recebeu aval definitivo dos órgãos de preservação e da prefeitura de Blumenau. A nova megaloja está sendo construída em uma área de quase 14 mil metros quadrados, em dois pavimentos, na rua Oscar Jenichen, próxima à Rua das Palmeiras, em uma das regiões mais tradicionais do município.
A nova megaloja será a quinta unidade da Havan em Blumenau e deve se tornar um novo ponto de lazer e compras, conciliando o grande porte do empreendimento com a identidade cultural e histórica da cidade.
"Estilo" Enxaimel - Significa fake, à altura do Centro Histórico de Blumenau. O projeto apresentado pelo grupo Havan é kitsch, talvez até mais do que o tipo construído pela loja em todo o Brasil. O que está sendo construído não tem nem estilo e muito menos usa a técnica construtiva enxaimel (que não é estilo e nunca foi). A técnica construtiva enxaimel é construída com tecnologia contemporânea, sustentável, no estilo atual, até hoje na Alemanha.
... tradicionais do município: É a região mais histórica de todo o Vale do Itajaí: aos pés da igreja centenária, em estilo neogótico, a Igreja Luterana do Espírito Santo, e em frente à primeira Sociedade de Atiradores, também do Vale do Itajaí.
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A presença da técnica construtiva do "pré-fabricado" de concreto no Centro Histórico de Blumenau — é um precedente grave para o futuro deste lugar de importância histórica.
Uma observação: a técnica construtiva enxaimel não faz uso de elementos estruturais de concreto. Sua construção é estritamente estruturada em madeira, mesmo sendo também um pré-fabricado.
O enxaimel é, historicamente, um sistema de pré-fabricação em madeira (com as peças cortadas e marcadas previamente), mas sua lógica de encaixes e flexibilidade estrutural é completamente diferente da rigidez e do peso do pré-fabricado de concreto contemporâneo.
Referências
- ASSIS, Evandro. Aprovação da nova Havan no Centro Histórico de Blumenau está na mira do MPF. NSC Total. 01/08/2021 - 17h00. Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/colunistas/evandro-de-assis/havan-centro-historico-blumenau-na-mira-do-mpf . Acesso em: 01/08/2021 - 18:00h.
- ASSIS, Evandro. Como virou alvo da Havan um terreno público de Blumenau doado para ser estádio de futebol. NSC Total. 25/05/2021 - 15h05. Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/colunistas/evandro-de-assis/como-virou-alvo-da-havan-um-terreno-publico-de-blumenau-doado-para-ser . Acesso em: 01/08/2021 - 21:00h.
- ASSIS, Evandro. Operação nos bastidores muda rumo da votação sobre loja da Havan em Blumenau. NSC Total. 27/07/2021 - 18h43. Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/colunistas/evandro-de-assis/operacao-bastidores-muda-rumo-votacao-loja-havan-blumenau?utm_source=WhatsApp&utm_medium=link&utm_content=Santa&utm_campaign=WhatsApp. Acesso em: 28/07/2021 - 22:00h.
- ASSIS, Evandro. Loja da Havan no Centro Histórico de Blumenau é aprovada por conselho sob protestos. NSC Total. 28/07/2021 - 17h11. Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/colunistas/evandro-de-assis/loja-da-havan-no-centro-historico-de-blumenau-e-aprovada-por-conselho. Acesso em: 28/07/2021 - 22:35h.
- FRESARD, Francisco. Havan no Centro Histórico de Blumenau restringe a necessária e merecida valorização da área. 28/07/2021. Disponível em: https://pancho.com.br/havan-no-centro-historico-de-blumenau-restringe-a-necessaria-e-merecida-valorizacao-da-area/. Acesso em: 21:06h.
Leituras Complementares - Clicar sobre o título escolhido.
Um registro para a História.