terça-feira, 29 de junho de 2021

Musik in der Nacht

Guten Abend Freunde!
Um pouco de música na noite.


Bis Morgen!!!







"DEUTSCHLAND - Perfil Multicultural com Reflexos nos Trajes e Danças" - Palestra - Angelina Wittmann


Apresentamos a palestra "DEUTSCHLAND - Perfil Multicultural com Reflexos nos Trajes e Danças" ao grupo folclórico de Blumenau Tanz- und Spielgruppe Gartenstadt, e por ser tratar de um tema bastante amplo, a disponibilizamos aqui neste espaço. 
Nas regiões colonizadas por imigrantes alemães, no Brasil, há muito nuances históricos e sociais pouco compreendidos sob os aspecto cultural. A partir de basas muito genéricas e superficiais pela complexidade e amplidão do tema, tentamos introduzir o que seria um embrião de questões que formam a Alemanha cultural atual, com referências com a realidade brasileira, para melhor percepção.
É uma reflexão que foi preparada e apresentada para o Tanz- und Spielgruppe Gartenstadt, na forma de palestra, on line, o que nos possibilitou a materialização deste material, em dia 27 de junho de 2021.
O encontro aconteceu no horário do ensaio do grupo folclórico, que não está acontecendo - em repeito aos critérios sanitários ocasionado pela pandemia do Covid 19.
A abordagem foi feita a partir do tema relacionado à formação cultural da Alemanha, com olhar e enfoque em sua história, com comparativos com o que também acontece no Brasil e que recebeu influencia de parte desta cultura, através das imigrações que aconteceram desde o primeiro século da presença de imigrantes portugueses no país, na época quando o país ainda colônia de Portugal.
O objetivo foi de alertar  sobre a diversidade cultural e às muitas confusões que acontecem entre as pessoas que, de maneira simplificada, desconsidera muito o conjunto e contexto cultural da Alemanha e sua contribuição, a partir das muitas cidades que imigrantes alemães fundaram, principalmente no Sul do Brasil. 
Paralelo a esta questão, foi observado, o quanto este olhar histórico influenciou o resgate dos trajes históricos, cujo resgate é muito recente e predominantemente reporta ao século XIX, sendo que a história local, na Alemanha, é muitos séculos mais antiga que este período do século XIX.

Palestra
 
Agradecemos ao Tanz- und Spielgruppe Gartenstadt, grupo que nos recebeu e do qual, fazemos parte como folclorista, a oportunidade de refletir sobre estas questões e poder compartilhar com aqueles que se fizeram presentes.











 

Alemães no Espírito Santo - Final do Século XIX - Fotografias de Albert Richard Dietze.

 Albert Richard Dietze.
Parte do acervo digital de Brasiliana Fotografia, fotografias do alemão Albert Richard Dietze, publicadas em 13 de novembro de 2015.
Imperatriz Tereza Cristina.
Em 30 de junho de 1877, Richard Dietze, enviou para a imperatriz  brasileira Teresa Cristina uma série de 53 fotografias copiadas em papel albuminado numeradas, assinadas e datadas. Eram aspectos de Guarapari, de Vitória, da Colônia Santa Leopoldina, de Muquissaba, de Cachoeiro de Itapemirim e de outros locais, além de registros fotográficos de colonos, povoações, fazendas, sítios, casas, estabelecimentos comerciais, igrejas, escola, estação telegráfica e também de seu estúdio fotográfico.
Fotografia de Albert Richard Dietze
em Espírito Santo.
No verso das fotografias, Dietze solicitava auxílio da imperatriz para poder publicar o folheto "A Colônia de Santa Leopoldina", no Império do Brasil, Província do Espírito Santo, cujo objetivo era divulgar o Brasil no exterior para a propaganda para aliciar imigrantes alemães. Neste tempo, a Princesa Isabel ainda não havia assinado a lei Áurea (1888). 
A imperatriz não colaborou e então, Dietze publicou parte das fotografias em Paris, sob o título  Vues de l´interieur de la province de Espirito Santo. As imagens de sua autoria feitas em colônias alemãs do Espírito Santo foram apresentadas na Exposição Universal de Paris de 1889 e integraram o Álbum de Vues du Brésil, editado por iniciativa de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco.

Algumas de suas fotografias históricas, a quem o Brasil tem um dívida.







Albert Richard Dietze

Nasceu em 1838 na Alemanha e foi um importante fotógrafo no Brasil e na Europa. Formou-se agrônomo na Alemanha em 1850. Em 1862 desembarca em Santa Catarina, onde fica algum tempo até mudar-se para o Rio de Janeiro onde trabalhou até 1871 no Jardim Botânico, lembrando que era agrônomo formado. Ainda na década de 1860 abre a Photographia Allemã. Entre 1863 e 1869, viajou muito para o Espírito Santo como agente consular da Alemanha e nestes momentos fotografou muito e iniciou um registro histórico, através da fotografia - sem perceber - de umas das principais colonizações alemãs no Brasil. Em 1869, muda-se para o Espírito Santo. Em 1870, viaja para a Europa. rapidamente à Europa. Quando retorna para o Brasil, em 1873, muda seus estúdio de fotografia para Vitória - Espírito Santo. Em 1876, muda-se para Santa Leopoldina, colônia onde morava sua esposa. Em 1877, solicita a Imperatriz do Brasil, auxílio para a produção de álbuns fotográficos para promoção da imigração para o Brasil e da paisagem capixaba, na Europa. Com isto fez inúmeras fotografias, que atualmente é um valioso material histórico regional e brasileiro. É curioso que tentam emplacar em sua biografia, com um certo tom paliativo, novamente a expressão colono, pelo fato que adquiriu um lote e plantava neste. Muitas das personalidades históricas, imigrantes, entre estes podemos citar Fritz Müller, sofreram bullyng em solo brasileiro, por trabalhar na terra, mesmo sendo Doutores, fato comum em uma época onde todos adquiriam lotes em uma colônia e a ajudavam construir. Etnocentrismo de cidades fundadas por imigrantes de outra cultura, que aquela usava a mão de obra escrava para os trabalhos que consideravam menos digno, questão que não era fundamental na cultura dos povos dos imigrantes como Dietze.
 Albert Richard Dietze e a família.



Ente as décadas de 1880 a 1890, tem loja de importação de brinquedos e instrumentos musicais. Nesses anos, vende o Álbum Pitoresco da Província, contendo suas fotografias de paisagem. Em 1882, agencia produtos para a Exposição da Indústria de Berlim, onde participa com um álbum fotográfico, obtendo diploma de mérito. Em 1886 e 1889, Albert Richard Dietz tem uma loja que agencia e participa das Exposições Provinciais, preparatórias para as exposições universais de Berlim (1886) e Paris (1889), das quais também participa. Em 1899 utiliza parte de suas fotografias na cartões-postais de cidades capixabas e de "tipos" humanos.
Partiu em 1906 - Espirito Santo e é claro, vive no grande acervo fotográfico que deixou para a História.

Grupo musical formada com seus familiares, filhos e esposa. Cultura natural das famílias alemãs e que trouxe para o Brasil. 

Em construção...

Conhecer é preciso!!

Fonte: Clicar sobre: Albert Richard Dietze

Leituras Complementares - Clicar sobre
























sexta-feira, 25 de junho de 2021

Colhedores de café - Cartas dos imigrantes alemães publicadas nos jornais da Turíngia - de Débora Bendocchi Alves

Fazenda Ibicaba, interior de São Paulo - Cordeirópolis. Observar a estrutura do galpão a esquerda. Enxaimel. Quem o construiu foram imigrantes alemães, cuja mão de obra substituiu a mão de obra escrava no plantio e na colheita do café de fazendas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Estes imigrantes também traziam consigo ferramentas e construíam maquinário, muitas vezes desconhecidos no sistema de produção anterior.
 Ao pesquisarmos parte da história da imigração alemã para as fazendas de café do Rio de Janeiro e São Paulo (século XIX), compreendemos uma lacuna da imigração alemã do estado de Santa Catarina, tanto na Grande Florianópolis e como no Vale do Itajaí. 
Também, durante esta pesquisa, encontramos o trabalho de Débora Bendocchi Alves de 2006, que contribui muito com suas informações e nos faz compreender porque Hermann Blumenau, como um agente formal com característica fiscalizatório  da  "Sociedade de Proteção aos Emigrados Alemães" não cumpriu plenamente seu papel e não informou às autoridades na Alemanha sobre a real situação de muitos alemães nas fazendas de café, ao contrário das autoridades suíças, que auxiliaram até mesmo, no translado de famílias alemãs originárias de Böhlen, para à região da Grande Florianópolis, como por exemplo - a família Möller.
Embora, as cartas apresentadas no jornal alemão, foram aparentemente estão adulteradas, este trabalho é fundamente, para compreendermos como funcionava o aliciamento de imigrantes para vir para o Brasil.

"Nas pesquisas que realizei no Arquivo do Estado da Turíngia, encontrei casualmente diversas cartas de emigrantes publicadas nos jornais da cidade de Rudolstadt, os mesmos de propriedade de Günther Fröbel, especializados em emigração como o Allgemeine Auswanderungs-Zeitung, o Pilot, o Fliegende Blätter für Auswanderer ou o Rudolstädter Wochenblatt. Este último, um periódico que, apesar de não tratar exclusivamente do assunto, possuía uma seção destinada à questão. Dentre estas cartas, encontrei 9 provenientes das fazendas de café fluminenses e 11 outras vindas das fazendas paulistas." Débora Bendocchi Alves

 O sistema de parceria, empregado pelos cafeicultores paulistas e fluminenses a partir de meados do século XIX, é um tema bem estudado na historiografia, e vários trabalhos significativos foram publicados tanto no Brasil quanto na Alemanha e Suíça sobre aquela primeira tentativa de introduzir mão-de-obra livre no país.3 Suíços e alemães foram trazidos pela Firma Vergueiro a partir de 1847 para trabalharem nas fazendas de café substituindo, em parte, o escravo. Débora Bendocchi Alves

 No Brasil, a revolta dos colonos suíços mobilizou tropas imperiais e diversas investigações foram feitas por parte das autoridades brasileiras e dos enviados diplomáticos suíços.10 Os pareceres dos representantes do governo suíço, Dr. Heusser e J. J. von Tschudi, foram publicados e divulgados na imprensa suíça e alemã11 e, como já mencionei, vários outros artigos contra a emigração alemã para o Brasil apareceram nos jornais da época. A Firma Vergueiro tentou defender-se das acusações, para assim salvar sua imagem e, principalmente, seus negócios, utilizando os próprios jormais alemães para inserir artigos que 'esclarecessem' o conteúdo dos contratos de parceria e a atitude da firma perante as queixas dos colonos. Esforços por parte do governo brasileiro para melhorar a imagem do país também foram feitos como, por exemplo, a publicação em 1863 do livro de Joseph Hörmeyer, explicando a política imigratória brasileira tanto para as colônias no sul do país (pequena-propriedade) quanto para as fazendas de café (sistema de parceria). Débora Bendocchi Alves

As atividades de Günther Fröbel despertaram disconfiança em seus contemporâneos pelo fato de ele ter sido proprietário de uma agência de emigração na cidade de Rudolstadt, a qual organizou entre 1846 e 1874 a viagem de 1264 emigrantes para vários países.22 Dizia-se, na época, que seus jornais estavam a serviço da sua agência e que ele defendia a emigração alemã para o Brasil, inclusive para as fazendas de café, visando atender a interesses particulares.  (...)
Durante 20 anos, Fröbel manteve uma intensa correspondência com Hermann Blumenau, um homem que quis por em prática as idéias vigentes na época e realizar uma 'colonização nacional (alemã)' no sul do Brasil.31 Blumenau teve alguns de seus mais importantes livros impressos na gráfica de Fröbel e seus jornais forneciam, com regularidade, notícias da colônia Blumenau, em Santa Catarina. (...) 
Günther Fröbel, através de suas publicações nunca deixou de apoiar a emigração de alemães para as fazendas de café, mesmo após a revolta de Ibicaba, quando a imprensa alemã e suíça passaram a fazer uma crítica acirrada ao sistema de parceria. Débora Bendocchi Alves

Para ler mais sobre este assunto, com o qual inúmeras famílias residentes, nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina tem sua história relacionada,  basta acessar o livro

Para acessar e ler o Livro - Clicar sobre:

Abaixo o resumo da postagem que apresenta um pouco sobre a imigração alemã  nas fazendas de café. 
Resumo - conversando...

Na metade do século XIX,  a economia brasileira sofria um baque mediante a redução e os altos valores da mão de obra escrava, simultaneamente, a produção do café e as fazendas cafeicultura aumentavam e ocupavam o interior dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, precisando de mão de obra ágil, que não encontravam no homem nascido na região a partir do cruzamento das etnias, denominado "caboclo". Neste mesmo período, em solo europeu ocorriam transformações e impactos sociais - resíduo da industrialização tardia e a troca do manufaturado pela mecanização, originando pobreza e fome em algumas regiões desbastecidas destas atualizações tecnológicas e que eram afetadas.
No Brasil, os cafeicultores optaram pela mão de obra do imigrante europeu (também o português - desde o século XVI), pela capacidade de produção. Na Europa, aliciavam a população empobrecida e vitima do novo cenário econômico industrial, seduzindo-os com propaganda e promessas que não eram cumpridas no Brasil e estes agentes migratórios tinham como parceiros locais, dirigentes e religiosos que acreditavam, com isto, estar resolvendo seu problema sociais local. Despachavam seus "pobres" para o Brasil, apoiando a ideia de que em solo brasileiros estes poderiam se tornar proprietários e aliviar sua fome. No entanto, não sabiam as reais condições de trabalho e nem que estes ocupariam o lugar da mão de obra escrava e em muitos casos, suas instalações, muito endividados e amarrados ao seu senhor com uma grande dívida, esta não esclarecida e ocultada na hora da contratação. Todo este sistema, também contava com uma rede de jornais alemães, que propagavam "notícias" sobre o brasil e até correspondências de alemães que viviam além mar, com fatos inverídicos, caracterizando as "fakenews" naquela época. A exemplo desta situação - em 1852 as autoridades do Dorf Böhlen, sem considerar a vontade das pessoas envolvidas, enviaram 155 pessoas para as fazendas de café do Rio de Janeiro, que foram embarcados em 3 navios.
Governos europeu receberam denúncias do Brasil, do que vinham passando seus conterrâneos em solo brasileiro. Tomaram medidas enérgicas, entre elas a fundação da "Sociedade de Proteção aos Emigrados Alemães" - Colonisation Vereins Hamburg - com sede em Hamburg. Hermann Bruno Otto Blumenau era um dos fiscais e que foi despachado para o Brasil para checar a real situação de seus compatriotas. Este retornou para a Alemanha com a narrativa de que os imigrantes alemães estavam em situação muito boa, com isto já tinham planos para seus próprios negócios que, junto com o editor de jornal alemão Günther Fröbel, seu amigo, disparavam propagandas das maravilhas de migrar para o Brasil. Há artigos publicados na Alemanha sobre isso.  Fröbel também publicava cartas em seu jornal de "cartas" de emigrados que narravam algo muito romanceado e muito diferentes daquilo que realmente acontecia nas fazendas de café do Brasil. 

Após um período do uso do sistema de parceria, o qual tornava o imigrante cativo da fazenda onde trabalhava pela dívida que colocavam em sua conta e mediante revoltas e interferência dos lugares de origem deste, os cafeicultores acharam melhor mudar e "libertaram" esta mão de obra. Temiam ficar sem qualquer mão de obra. 
Muitos deste imigrantes alemães se mudaram para o Sul do Brasil, onde adquiriram terras e fizeram famílias. Em Blumenau ficou conhecido a comunidade que se instalou junto a empresa da Cia Jensen, em Itoupava. Dispersaram-se por várias regiões do Sul do Brasil. Há pouco tempo, pesquisando soubemos que a esposa de Gottlieb Reif era da fazenda de café do Rio de Janeiro - Independência, para onde foram famílias de Böhlen, e que esta, e outras famílias, mudaram-se para Blumenau.
Atualmente na cidade de Böhlen, pesquisadores buscam reconstruir esta história e promover o encontro dos descendentes destes imigrantes com sua história em seu Dorf.
Concluímos que foi uma realidade, não somente em Böhlen, e como ocorria no aliciamento de africanos com auxilio de seus próprios patrícios, também ocorriam na Europa, Alemanha, para sanar os problema sociais que tinham em suas cidades, "despachando" os seus pobres para cobrir a falta da mão de obra escrava, em solo brasileiro, mediante os atos abolicionistas - incentivado pelos ingleses - que ocorreu de fato, em 1888 com a Lei Áurea. Os atores que faziam parte desta estrutura eram os fazendeiros, os agenciadores que "Importavam a mão de obra" ou colonos, transportando-os em navios a partir de portos do mar do norte da Europa, como era Hermann  Blumenau e que também tinha o papel de fiscal do governo alemão para checar a situação dos emigrados, no Brasil - os imigrantes, geralmente pessoas que enfrentavam uma nova realidade social e econômica na Europa e que permaneceram às margens da nova sociedade. Este período da história agora ficou muito claro.

Rio de Janeiro - 1852.












Para isso, basta  Clicar sobre um dos títulos da lista ou, sobre as capas dos livros abaixo:

  1. Navegadores e Exploradores em Santa Catarina de 1525 a 1839 - Retratados em Selos
  2. "Morar na Colônia: A Arquitetura da Imigração em Testo Alto e Rio da Luz" e "Histórias à mesa: Memórias e Sabores do Rio da Luz e Testo Alto" - Projeto Lumiar
  3. O Livro - Fritz Müller 200 anos - Legado que Ultrapassa Fronteiras
  4. "Colônia Blumenau - no Sul do Brasil" - Tomos 1 e 2
  5. A Ferrovia no Vale do Itajaí - Estrada de Ferro Santa Catarina
  6. Brasilien Und Die Deutsch-brasilianische Kolonie Blumenau - Dr. Phil Wettstein
  7. Germânia - Tácito
  8. Artigo - Hermann Bruno Otto Blumenau - Primeiro Negociante de Terras no Vale do Itajaí
  9. Livro sobre o Vale do Itajaí sob aspectos sócio-econômico - "Santa Catarina - A terra - o Homem e a Economia" - Paulo Fernando Lago
  10. Artigo: Neoenxaimel - Pseudoenxaimel e Enxaimel - Publicado no livro: "Patrimônio Arquitetônico: Debates Contemporâneos".
Outra leitura complementar - Clicar sobreImigrantes alemães nas Fazendas de Café do Rio de Janeiro - São Paulo e depois Santa Catarina - Século XIX






Musik in der Nacht

 Guten Abend Freunde!
Um pouco de música na noite








Bis  Morgen!!









quinta-feira, 24 de junho de 2021

Bauernmalerei (Pintura Camponesa) - Por Sandra Bugmann - Arte Urbana - Blumenau SC


Passando pela Rua Bahia - cidade de Blumenau - víamos uma artista mudando um muro com cores que completavam o azul do céu, de maneira florida. Não tivemos oportunidade de parar e conversar com a autora da obra - da Arte Urbana, da coragem em criar um  grande painel linear com a arte Bauernmalerei, ou pintura camponesa.  
Depois de pronta e quando pudemos, fomos ao local conhecer melhor e saber o nome da artista que usou alguns dias seus para deixar esta parte da cidade mais bonita e suave, Rua Bahia, Bairro do Salto, cidade de Blumenau
A artista é a Sandra Bugmann.

Fonte: Facebook.
Fonte: Facebook.
Sandra R. C. Bugmann é graduada em Artes Visuais, pela Universidade Regional de Blumenau, com Mestrado em Educação pela mesma universidade com especialização em Direção de Criação, pelo Instituto Orbitato de Pomerode (SC), e Escola da Cidade – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, em São Paulo (SP). Além de pintora, atua como professora de pintura da arte Bauernmalerei há mais de 20 anos. Também coordena oficinas de artes para crianças, adultos e longevos, além de lecionar História da Arte, Elementos da Linguagem Visual, Semiótica e Laboratório de Criatividade em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Artes e Design de Moda nas seguintes instituições: FURB, SENAI e IPGEX, em Blumenau e Região. É Diretora de Criação do Bugstudium – Projetos Criativos.

Vamos conhecer um pouco sobre a Pintura Camponesa
Arte Bauernmalerei

A
arte Bauernmalerei - traduzindo do alemão - pintura camponesa - é uma arte popular originada não dentro da academia, mas a partir de práticas e história da cultura popular, utilizando motivos camponeses regionais, geralmente nas regiões alpinas e húngara/eslavas. 
  



                                                    


Atualmente o Bauernmalerei está  associado a determinados motivos predominantemente encontrado na região alpina. Sua reprodução tem pouca referência  ao contexto espacial e histórico-artístico local e são modelados com motivos rurais tradicionais em decorativismo de móveis, objetos do cotidiano e artigos folclóricos. De maneira inédita, como em Blumenau, como  arte urbana - Jardim de Edelweiss,  flor símbolo da Áustria e também patrimônio cultural deste país.
O Bauernmalerei desenvolvido atualmente - pode ser encontrada tanto como pintura, como  hobby para atividades de lazer, quanto para decoração de ambientes pessoais e ambientes urbanos, como um muro. Também é praticado como pintura profissional no setor da área folclórica-comercial. Na Alemanha, não há muitos livros especializados na pintura camponesa, especificamente. Por exemplo, Lexikon der Kunst de Seemann Verlag, apresenta esta pintura no artigo, como "Pintura de móveis". 
Pode-se dizer que o estilo da pintura camponesa é utilizada por pintores amadores, na Alemanha, desde a segunda metade do século XX para a decoração de móveis e a confecção de peças decorativas com toque camponês, sendo o aspecto de motivos regionais menos importante. 
O comércio oferece uma ampla gama de artigos correspondentes, desde modelos de motivos, estênceis e livros de instruções, como também, pequenos itens de madeira como porta- motivos e cores para efeitos especiais. O cânone de motivos nos livros sobre o assunto é amplamente limitado às áreas alpinas e húngaro-eslavas.

Bauernmalerei - como pintura popular-comercial

"Tölzer Kästen" - Século XIX

É muito difícil definir o período exato da transição da pintura camponesa original para práticas de suas produções no tempo atual, na Alemanha. Há regiões onde há uma determinada característica e identidade nos traços. Outras, apresentam uma técnica semi-industrializada do Bauernmalerei e que se desenvolveu deste o início. Não se tem o conhecimento  da transição exata entre o Bauernmalerei tradicional e o Bauernmalerei comercial (na qual, o pintor e o cliente não se conhecem). Em Oberbayern, já existia uma indústria de móveis com pinturas Bauernmalerei  nas proximidades de Bad Tölz, no século XIX, como arte popular incentivada pelo Rei Max II (1811-1864), com o objetivo de valorizar e fortalecer a identidade nacional dos conhecidos "Tölzer Kästen" (armários) com os típicos motivos de rosas redondas ou, de representações de santos. Rapidamente tornaram-se peças populares, também fora da região da Oberbayern
Da mesma forma, outro exemplo tem relação com a produção de relógios em Schwarzwald - Floresta Negra com os conhecidos mostradores coloridos, onde decoram com motivos tradicionais.
Embora essas peças artísticas estejam fora do contexto temporal e social de seus modelos originais, elas são de alta qualidade e os nuances pessoais da pessoa que executa o trabalho, podem ser reconhecido - através do traço do artista e de sua técnica pessoal. 
Para atender a grande demanda turística da região por produtos (supostamente) locais, os motivos tradicionais também são adaptados a outros objetos. Objetos de vários tipos são decorados com motivos típicos da região de Oberbayern, sendo os motivos adaptados aos objetos a serem decorados e à moda. 
A produção geralmente ocorre dentro de uma divisão de trabalho, e não mais pelas mãos de um artista. Muitas vezes com modelos, oriundos de um método serial e que não é mais uma atribuição de uma única pessoa.
Finalmente a forma mais extremada é a pintura de uma grande variedade de objetos com motivos pseudo-regionais sob o pretexto de pintura camponesa, que, no entanto, correspondem às ideias dos potenciais compradores, por exemplo, sinos de vaca com uma paisagem alpina coroada de flores.  
Souvenir de diferentes formas, recebem o
 as cores para serem comprados pelos turistas.
A peça que recebe a pintura, objeto em branco,  muitas vezes é produzida na China e a pintura aplicada sobre ela é feita com estênceis ou como um decalque, tudo é fornecido com o slogan "Saudações da Alemanha" e vendido em Rüdesheim am Rhein
O termo  Bauernmalerei está fora  e não têm nada de original. Muitas pessoas adquirem o souvenir considerando que esses objetos possuem o original Bauernmalerei, pois, muitas vezes leem em cartazes o texto: “pintado à mão” - que na verdade, tem somente alguns destaques que são rapidamente aplicados sobre as peças.
Ao contrário da artista, professora Sandra Bugmann que pintou um muro de aproximadamente 150 metros com os motivos que reportam aos Alpes, destacando a flor do amor eterno - o Edelweiss. Para ler - o link no final desta postagem.
Rüdesheim am Rhein.



Um pouco da História da Sandra, com  o Bauernmalerei, através de suas próprias palavras.
“Desde pequena, muito pequena mesmo, tenho fascinação pelo desenho, pintura, todas as formas de arte e artesanato. Há 26 anos, minha mãe e grande incentivadora, viu uma matéria no Suplemento Feminino do Estadão sobre o Bauernmalerei com os trabalhos da artista Maria Carmen Osterne, de São Paulo. Ficamos encantadas na época. Já adulta e casada, fomos fazer um curso, em São Paulo, com essa professora. O Maurilio (meu esposo) e eu. O curso durava uns dois meses, tanto insistimos que ela concordou em dar quatro aulas em dois dias. Ficamos pintando fundos de peças e secando com o secador no quarto do hotel para pintar o maior número de peças possível. Na volta, logo aconteceu a primeira Mostra Bordeaux. Conseguimos um mini espaço e usamos peças com Bauernmalerei. Muitas pessoas começaram a pedir curso e comecei a dar aulas. Não tinha muito material sobre o Bauernmalerei, mas fui pesquisando e conseguindo buscar livros da Alemanha e dos Estados Unidos, estudando, treinando, pintando e assim por diante. Tenho profunda admiração pelas pinturas folclóricas e pelo Bauernmalerei, em especial, e pensava que essa técnica deveria ser mais divulgada e valorizada. Tem uma aldeia na Polônia, Zalipie, em que as pessoas pintam flores, em um outro tipo de pintura folclórica, nas paredes das casas. Surge então a ideia de transpor o Bauernmalerei do ambiente interno, das peças e móveis para a superfície mais ampla do muro ou da parede, pintando flores e elementos bem grandes. Uma forma de divulgar, difundir e permitir que mais pessoas conheçam e se encantem com as flores características da técnica”. Sandra Bugmann.
As imagens comunicam - Original Bauernmalerei - Blumenau













































No final, está o contato da Professora e da artista Sandra Bugmann.


Vídeo

Leitura Complementar - Clicar sobre:
Referências
  • BAUM, Josef Heinrich: Schmucktechniken und farbige Möbelmalerei. VEB Fachbuchverlag, Leipzig 1961.
  • BREINERSDORFER, Elfriede. Bauernmalerei. Buch und Zeit, Köln 1978.
  • FEY, Rosi: Bauernmalerei. Englisch Verlag, Wiesbaden 1995.

As cores e a arte suavizam as arestas do caminho, 
...através do olhar seletivo e fazem bem à alma.